quinta-feira, 23 de abril de 2015

Capitalismo, degradação ambiental e mudança climática

O capitalismo, a degradação ambiental e a mudança climática, segundo Naomi Klein
“…global capitalism has made the depletion of resources so rapid, convenient, and barrier-free that ‘earth-human systems’ are becoming dangerously unstable in response” (Klein, 2014, p. 450)
O capitalismo é o sistema econômico que mais desenvolveu as forças produtivas em toda a história da humanidade e que mais estimulou o crescimento da economia e da população. Mas, ao mesmo tempo, se transformou no sistema com maior desigualdade social e maiores efeitos destrutivos sobre o capital natural do Planeta (Alves, 22/05/2013).
A escritora Naomi Klein, renomada ativista ambiental, lançou, em 2014, o livro “This Changes Everything: Capitalism vs. Climate” (Isso Muda Tudo: Capitalismo vs. Clima), onde mostra que o capitalismo é o maior inimigo do “desenvolvimento sustentável” e o maior responsável pelo agravamento do aquecimento global. Ela considera que se não houver mudança radical no modelo de produção e consumo (sistema de acumulação incessante de capital) o clima ficará ainda mais quente e a degradação ambiental ainda mais brutal.
Naomi considera que as soluções propostas pelo mercado – como fixar preço para as emissões de dióxido de carbono – são limitadas, pois não vão à raiz do problema. A questão é que os interesses dos proprietários de capital e das pessoas que vivem de renda não coincidem com a saúde da natureza. Ela diz que os chamados “céticos do clima” sabem muito bem quais são as consequências do aquecimento global, mas negam as mudanças climáticas, pois sabem que a solução definitiva para o problema passa pela modificação do sistema capitalista.
Passa também pela mudança da matriz energética, pois além de poluidores os combustíveis fósseis criam uma economia super estratificada, que produz enormes lucros, já que os recursos estão concentrados em grandes multinacionais. Segundo Klein, a produção de energia renovável nunca terá a mesma dimensão dos combustíveis fósseis já que as energias alternativas são essencialmente descentralizadas. O ar e o vento são gratuitos e, com organização de baixo para cima, a produção poderia ocorrer em baixa escala e de forma mais democrática.
Para Naomi Klein, o primeiro passo para se combater às mudanças climáticas seria os países do Norte Global reconhecerem seus papéis no passado responsáveis pelos desastres do presente e assumirem suas responsabilidades pelo futuro do planeta. Isto significaria que os principais países que impulsionaram a crise climática, tomassem à frente no corte de emissão de carbono e criassem mecanismos para ajudar os países em desenvolvimento a não cometerem os mesmos erros, possibilitando a erradicação da pobreza.
Segundo a autora, a luta contra a mudança climática conecta diversas outras lutas: direitos humanos, trabalhistas, gênero, raça, migração, direitos indígenas, imobilidade urbana, justiça ambiental, enfraquecimento da esfera pública, empoderamento da sociedade civil, etc. Nas reuniões internacionais, como a COP21 em Paris em 2015, se deveria focar na resolução da dívida climática e da dívida ecológica.
O conteúdo do livro não entra em detalhes sobre a emergência das mudanças climáticas (ela pressupõe que os leitores já estão familiarizados com as causas e magnitude do problema). Em vez disso, concentra-se nos argumentos em favor da organização de um movimento de massas para a ação climática, articulando com a luta pelas mudanças no sistema econômico: ou seja, o conflito entre a ideologia neoliberal reinante e uma visão de mundo alternativo, entre a interdependência e o híper individualismo, entre a reciprocidade e a dominação e entre a cooperação e a hierarquia.
O livro de Naomi Klein é uma importante contribuição para a discussão de estratégias e táticas para a ação climática e mostra que o conflito fundamental da contemporalidade acontece entre o que o mercado exige e que o planeta precisa para se manter estável. (ecodebate)

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