quinta-feira, 11 de junho de 2015

“Volume Vivo” mostra a real situação da crise hídrica

“Volume Vivo” mostra a real situação da crise hídrica de São Paulo
O Sistema Cantareira, que abastece grande parte da maior cidade do Brasil, começou 2014 com apenas 27% de sua capacidade total. Em pouco tempo, ele foi zerado e entrou-se no tão falado “volume morto”. Desde lá, ou seja, há mais de um ano, nunca mais a Cantareira conseguiu sair do negativo. A crise, a qual muitos responsabilizaram como sendo provocada pela falta de chuvas na região Sudeste, já era prevista há dez anos.
Dividida em quatro capítulos, a websérie “Volume Vivo” revela o cenário real de uma crise que ainda está muito longe de acabar. Produzido pelo Núcleo de Criação Palma, com recursos obtidos em crowdfunding, o documentário foi dirigido pelo jovem cineasta Caio Silva Ferraz.
No primeiro capítulo, que tem como título “A navegação da Crise”, discute-se como as medidas para resolver o problema têm sido políticas e momentâneas. Os cálculos divulgados pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) nunca revelam que o Sistema Cantareira está com seu volume negativo.
Especialistas testemunham que, em 2013, quando o índice de chuvas no estado de São Paulo era de apenas 30% do usual, alertam a Agência Nacional de Águas (ANA) que o consumo precisaria ser reduzido em 50%. Segundo eles, não faltou orientação técnica, nem planejamento. Houve simplesmente descaso.
Quando a crise hídrica se tornou mais grave, a websérie registra como bairros mais pobres da capital paulista sofreram com o racionamento, apesar de o governo não admitir o fato. Interrupções no abastecimento ou diminuição na pressão da água fazem com que – assim como no racionamento – milhares de pessoas fiquem sem água em suas casas.
“Volume Vivo” aponta quais seriam as soluções para que num futuro muito próximo, a população da cidade não abra suas torneiras e não saia dela um pingo de água sequer. Entre as medidas estão o reflorestamento e proteção das bacias hidrográficas que compõem o Sistema Cantareira e uma maior taxação do uso da água pelos grandes usuários.
Esta não á a primeira vez que Caio Ferraz trata do tema água em seus trabalhos. Em 2009, o cineasta foi codiretor do vídeo “Entre Rios”, que falava sobre a história dos rios de São Paulo. (abril)

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