sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Poluição atmosférica mata 3,3 milhões de pessoas por ano

Estudo também descobriu que a agricultura possui um papel importante nas mortes por fumaça e fuligem em países industriais.
Mata mais que a AIDS e a malária juntas.
A poluição do ar mata 3,3 milhões de pessoas por ano.
Poluição do ar mata 3,3 milhões de pessoas por ano, diz estudo.
A poluição do ar está matando 3,3 milhões de pessoas por ano no mundo todo, de acordo com um novo estudo que inclui uma surpresa: a agricultura possui um papel importante nas mortes por fumaça e fuligem em países industriais.
Cientistas na Alemanha, Chipre, Arábia Saudita e da Universidade de Harvard, Estados Unidos, calcularam as estimativas mais detalhadas vistas até hoje sobre o custo da poluição do ar para os seres humanos, incluindo uma análise de suas causas. O estudo também projetou que, se as tendências não forem revertidas, o número anual de mortes irá dobrar para cerca de 6,6 milhões em 2050.
A pesquisa, publicada na semana passada na revista Nature, usou estatísticas de saúde, e técnicas de modelagem matemática. Cerca de três quartos das mortes são causados por derrames e ataques cardíacos, disse o autor principal Jos Lelieveld no Max Planck Institute for Chemistry, na Alemanha.
Segundo outros especialistas, as descobertas são similares a outras estimativas detalhadas em relação a mortes por poluição.
“Cerca de 6% de todas as mortes do mundo ocorrem de forma prematura devido à exposição à poluição do ar. Este número é maior do que a maioria dos especialistas poderia esperar há 10 anos,” diz Jason West, professor de ciências ambientais na Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos, que não fez parte do estudo mas teceu elogios ao mesmo.
Segundo Lelieveld, a poluição do ar mata mais que o HIV e a malária juntos.
Nuvem de fumaça (proveniente de incêndios florestais) atinge Kuala Lumpur, Malásia.
Com quase 1,4 milhão de mortes por ano, a China tem o maior número de fatalidades decorrentes da poluição do ar, seguidas pela Índia com 645 mil e pelo Paquistão com 110 mil.
Os Estados Unidos, com 54.905 mortes em2010 causadas por fumaça e fuligem, é o sétimo no ranking de mortes pela poluição do ar. O que é surpreendente é a afirmação do estudo de que a agricultura causou 16.221 das mortes, número superado apenas pelas 16.929 causadas por usinas de energia.
No nordeste dos Estados Unidos, em toda a Europa, Rússia, Japão e Coreia do Sul, a agricultura é a causa número 1 de mortes por fumaça e fuligem, de acordo com o estudo. No mundo todo, a agricultura é a número 2, com 664.100 mortes, superada apenas pelas mais de 1 milhão de mortes decorrentes do uso de madeira e outros biocombustíveis para cozinhar e aquecer as casas nos países em desenvolvimento.
População malaia foi aconselhada a usar máscaras e evitar ficar pelas ruas.
O problema da agricultura é a amônia dos fertilizantes e resíduos animais, Lelieveld diz. A amônia se combina com sulfatos provenientes das usinas de energia movidas a carvão e nitratos emitidos pelos veículos, para formar as partículas de fuligem, as grandes assassinas da poluição do ar, ele explica. Em Londres, por exemplo, a poluição de corrente do tráfego de veículos demora para ser convertida em fuligem, e então é misturada com a amônia e transportada pelo vento para a cidade mais próxima, ele diz.
“Nós estamos muito surpresos, mas no final das contas isso faz sentido,” Lelieveld disse. Ele afirmou que os cientistas imaginavam que as usinas de energia e os veículos seriam as causas principais de mortes por fumaça e fuligem.
As emissões decorrentes da agricultura estão se tornando cada vez mais importantes, mas não são reguladas, diz Allen Robinson, engenheiro e professor na Carnegie Mellon University, que não fez parte do estudo, mas enalteceu as descobertas.
A poluição do ar causada pela amônia das fazendas pode ser reduzida ‘a custos relativamente baixos’, diz Robinson. “Talvez isso ajude a atrair mais atenção para o tema.”
Na parte central dos Estados Unidos, a causa principal das mortes precoces em decorrência de fumaça e fuligem, são as usinas de energia; em grande parte do oeste norte-americano, são as emissões do tráfego de veículos.
Jason West e outros cientistas não envolvidos no estudo contestaram as projeções de que o número de mortes irá dobrar em 2050, já que o mesmo está considerando que não haverá nenhuma mudança na poluição do ar. West e outros especialistas disseram que alguns países, como a China, provavelmente irão reduzir dramaticamente os seus índices de poluição do ar até 2050.
E Lelieveld afirmou que se o mundo diminuir a emissão de dióxido de carbono — outro poluente do ar e principal gás causando o aquecimento global — os níveis de fuligem e fumaça também serão reduzidos, em uma “situação favorável para todos.” (yahoo)

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