Censo do IBGE: Sudeste é a
região que mais ganhou população; veja a distribuição pelo Brasil
O envelhecimento pode
impulsionar a reorganização urbana: cidades mais caminháveis, transporte
público mais acessível e bairros com serviços de proximidade
O Brasil está passando por
uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela
primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e
adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal
tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço tem sido
diferenciado para as Grandes Regiões do país.
O gráfico abaixo, com dados
dos Censos Demográficos de 1970 a 2022, do IBGE, mostra o Índice de
Envelhecimento (IE) para o Brasil e as Grandes Regiões. O Brasil tinha um IE de
12 idosos de 60 anos e mais para cada 100 crianças e adolescentes de 0-14 anos,
passando para 16 idosos para cada 100 jovens em 1980, para 29 em 2000, 45 em
2010 e 80 idosos 60+ para cada 100 jovens de 0-14 anos em 2022.
Porém, o percentual de
pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,4% em 2022, significando que a janela
de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus
demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de
oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da
longevidade).
A população 50+ era de 10,7% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos por volta de 2012 e chegou a 27,7% em 2022. A população 60+ era de 5,1% em 1970 e chegou a 15,8% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população 70+ era de 1,8% em 1970 e chegou a 7% da população total do Brasil em 2022.
O gráfico abaixo, com dados da região Sudeste permite comparar com a média nacional do gráfico anterior. A proporção de jovens de 0-14 anos no Sudeste é menor do que a proporção brasileira. Era de 38,6% da população do Sudeste em 1970 e caiu para menos da metade (18%) em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 55,6% em 1970 para 66,4% em 2010, proporção maior do que a média nacional e também significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.
Porém, o percentual de
pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,3% em 2022, significando que a janela
de oportunidade começou a se fechar. Também não é o fim absoluto do 1º bônus
demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de
oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da
longevidade).
A população do Sudeste de 50+ era de 11,8% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos em 2010 e chegou a 30,3% em 2022. A população 60+ era de 5,6% em 1970 e chegou a 17,6% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população do Sudeste de 70+ era de 2% em 1970 e chegou a 7,8% da população do Sudeste em 2022.
A região sudeste do Brasil tem a estrutura etária mais envelhecida do país. Isto porque o Sudeste foi a primeira região do Brasil a passar intensamente pela transição demográfica: a) redução da mortalidade, com expansão do saneamento, da medicina e do sistema de saúde; b) queda da fecundidade começou antes (anos 1960–1970), puxada por urbanização, escolaridade feminina, inserção das mulheres no mercado de trabalho e maior acesso à contracepção.
Os estados de São Paulo, Rio
de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo concentraram a industrialização, os
empregos urbanos, os serviços e as universidades. Esses fatores reduzem a
fecundidade estruturalmente e favorecem famílias menores — padrão típico de
sociedades urbanas e modernas.
Durante décadas, o Sudeste
atraiu milhões de jovens, principalmente do Nordeste. Esses migrantes
envelheceram no próprio Sudeste. Nas últimas décadas, o fluxo diminuiu ou se
inverteu, e o Sudeste passou a perder jovens para outras regiões. Ou seja: o
Sudeste importou juventude no passado e hoje “colhe” esse envelhecimento.
O Sudeste apresenta melhores
indicadores de saúde, maior acesso a serviços médicos e renda média mais
elevada. Isso se traduz em mais idosos vivendo por mais tempo, ampliando o topo
da pirâmide etária. Atualmente, os estados do Sudeste estão bem abaixo do nível
de reposição (2,1 filhos por mulher). São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e
Espírito Santo figuram entre as menores taxas do país. A idade média da
maternidade é mais elevada. Isso acelera o envelhecimento relativo da
população.
Os principais desafios desta
dinâmica demográfica no Sudeste são: maior pressão sobre previdência e finanças
públicas, com maior proporção de aposentados e pensionistas. Menor crescimento
da população em idade ativa e necessidade de ajustes fiscais e reformas
institucionais.
O sistema de saúde mais
complexo, com predomínio de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, câncer,
demências). Maior demanda por cuidados de longa duração, atenção domiciliar e
serviços de reabilitação. O modelo de saúde precisa migrar do foco curativo
para o cuidado continuado.
Mercado de trabalho
envelhecido significa redução do contingente jovem, risco de escassez de mão de
obra em alguns setores. Outro desafio são as cidades pouco amigáveis ao idoso:
transporte inadequado, calçadas precárias, violência urbana e moradias não
adaptadas.
Todavia, a despeito destes
desafios, há também uma série de oportunidades. A Economia prateada surge como
uma alternativa à nova dinâmica demográfica e o Sudeste tem escala, renda e
mercado consumidor para liderar: serviços de saúde e bem-estar, turismo sênior,
tecnologias assistivas, moradias adaptadas e educação ao longo da vida. O
envelhecimento pode ser motor de inovação e crescimento.
Há a possibilidade de
aproveitamento do capital humano maduro, pois os idosos e pessoas 50+: acumulam
experiência, têm redes sociais e profissionais amplas e podem atuar como
mentores, consultores, cuidadores comunitários. Isso exige políticas de
empregabilidade ao longo do ciclo de vida.
O envelhecimento pode
impulsionar a reorganização urbana: cidades mais caminháveis, transporte
público mais acessível e bairros com serviços de proximidade. O que é bom para
o idoso é bom para crianças, pessoas com deficiência e toda a população.
O Sudeste pode ser um
laboratório de políticas de cuidado de longa duração, sendo referência em
envelhecimento ativo e saudável e polo de integração entre saúde, assistência
social e tecnologia.





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