O envelhecimento brasileiro
até 2085 na hipótese de fecundidade muito baixa
Até 1985, a pirâmide populacional brasileira tinha cada grupo etário quinquenal maior do que o grupo imediatamente superior. A estrutura etária jovem fazia com que as políticas públicas se preocupassem fundamentalmente com a expansão das suas metas quantitativas, pois todos os grupos etários estavam crescendo ao mesmo tempo.
Até 1985, a pirâmide populacional brasileira tinha cada grupo etário quinquenal maior do que o grupo imediatamente superior. A estrutura etária jovem fazia com que as políticas públicas se preocupassem fundamentalmente com a expansão das suas metas quantitativas, pois todos os grupos etários estavam crescendo ao mesmo tempo.
Porém,
desde que as taxas de fecundidade (número médio de filhos por mulher) começaram
a cair, a estrutura etária da população começou a sofrer uma transformação, com
a redução da sua base, seguida de um crescimento da população adulta (15-59
anos) e um crescimento de longo prazo da população idosa (60 anos e +).
Como
foi mostrado em outro artigo, a pirâmide de 1985 foi a última a manter o
formato egípcio e foi naquele ano que a coorte etária 0-4 anos apresentou o
maior número absoluto de crianças de toda a história brasileira. Havia 18,5
milhões de crianças, representando 13,6% da população total, sendo 9,4 milhões
de meninos e 9,1 milhões de meninas. A população brasileira era de 136 milhões
de habitantes em 1985 e a partir desta data o número de crianças brasileiras
começou a diminuir em termos absoluto e relativo.
Em
1985, o índice de envelhecimento (IE) mostrava uma estrutura etária jovem.
Havia 50,4 milhões de crianças e jovens de 0 a 14 anos (representando 37% da
população total) e 8,7 milhões de idosos de 60 anos e mais (representando 6,4%
do total). Desta forma, o IE era de 17,2 idosos para cada 100 pessoas de 0-14
anos.
Todavia,
nas décadas seguintes a base da pirâmide foi se reduzindo e o topo foi se
alargando, em um processo que vai continuar no século XXI, mas dependerá do
comportamento das taxas de fecundidade. Na projeção média das tendências da
fecundidade (Taxa de Fecundidade Total de 1,8 filhos por mulher em 2085), a
pirâmide populacional deve ter uma forma parecida com um retângulo no final do
século.
Mas
na hipótese baixa de projeção da fecundidade (Taxa de Fecundidade Total de 1,3
filhos por mulher em 2085) as transformações seriam dramáticas. As projeções
demográficas da Divisão de População da ONU, na hipótese baixa, apontam um pico
de 209 milhões de habitantes em 2035 e uma população total de somente 137
milhões de habitantes em 2085, sendo que a população de 0-4 anos deverá ficar
em 3,3 milhões (mais de cinco vezes abaixo do número de crianças de 1985),
sendo apenas 1,7 milhão de meninos e 1,6 milhão de meninas.
O
índice de envelhecimento passaria para impressionantes 647 idosos para cada 100
jovens (70,2 milhões de pessoas de 60 anos e + para 10,8 milhões de crianças e
jovens de 0 a 14 anos de idade). Neste caso, os idosos representariam 51% da
população total no ano de 2085. Ou seja, mesmo mantendo constantes as hipóteses
de esperança de vida, uma queda mais rápida da taxa de fecundidade, ao reduzir
a base da pirâmide, afeta sobremaneira o envelhecimento populacional. Nesta
hipótese, haveria necessidade de um grande aproveitamento do segundo bônus
demográfico.
Esta
situação de uma pirâmide populacional totalmente invertida é pouco provável que
aconteça. Mas se acontecer, teremos um Brasil virado de cabeça para baixo e com
um processo de envelhecimento tão grande que fica até difícil de imaginar todos
os desafios desta hipotética possibilidade. (ecodebate)
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