sábado, 31 de dezembro de 2016

Mudançasclimática provoca extinção de biodiversidade

Mudanças climáticas provocam extinção local da biodiversidade

Que o aquecimento global está ameaçando a existência de diversas espécies de animais e aves é algo conhecido e apontado por inúmeros estudos. Ocorre que o fenômeno é mais grave do que se supunha, como apontam os resultados de pesquisa recente.


Em estudo publicado na revista Plos Biology em 08/12/16 fica evidenciado que quase a metade (47%) das espécies de animais e plantas pesquisados sofreram extinções locais recentes no mundo todo devido às mudanças climáticas. Os mais afetados são os animais das zonas tropicais e em habitats de água doce.




A pesquisa realizada pelo professor John J. Wiens, da Universidade do Arizona, Estados Unidos, constatou a extinção local de 47% de 976 espécies de animais e vegetais estudados. Foram objeto do estudo 716 animais e 260 plantas de diversas regiões da Ásia, Europa América do Norte, Oceania e América do Sul. A pesquisa considerou como extinção local quando desaparecem as populações em um ou mais lugares de suas distribuições regionais e se deslocam a latitudes mais altas do planeta em busca de habitats mais frios.
O estudo confirma a suspeita dos cientistas chineses de que o coelho lli PIka (Ochotona Iliensis), uma das criaturas mais belas e mais raras do mundo é uma das prováveis vítimas da extinção local provocada pelo aquecimento global. O coelho, que inspirou o personagem Pikachu, foi descoberto em 1983 nas montanhas do noroeste da China e sua população foi reduzida em 70% durante esses anos.

 

No Brasil foram descobertas várias espécies de pequenos anfíbios nas áreas de Mata Atlântica nos últimos anos em regiões mais altas de montanhas. Estes pequenos animais têm distribuição restrita e tem seu habitat continuamente modificado pelas mudanças climáticas. A opção desses pequenos anfíbios é migrarem para latitudes mais altas ou se adaptarem à novas condições climáticas.

Nas regiões de altitude da Mata Atlântica, que por si só é um bioma ameaçado, muitas espécies desconhecidas pela ciência poderão desaparecer sem nunca se tornarem conhecidas. Há diversos anfíbios que foram descobertos que se encontram em perigo de extinção.

Em 2015, pesquisadores brasileiros publicaram um artigo científico na revista Peerj comunicando a descoberta de sete novas espécies de minúsculos sapos endêmicos da Mata Atlântica e que habitam as montanhas da Serra do Mar, entre Paraná e Santa Catarina. Segundo o relato os animais são altamente sensíveis às mudanças climáticas e já são considerados ameaçados de extinção.

Efeitos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade.

O estudo revelando que a extinção local da biodiversidade motivada pelas mudanças climáticas é importante para se reavaliar as políticas de conservação no Brasil, considerando áreas até então ignoradas como morros e montanhas que formam ecossistemas localizados contendo espécies animais e vegetais endêmicas e de distribuição restrita. Essa necessidade de reavaliação dos critérios para criação de unidades de conservação se impõe de forma mais contundente pelo fato de que, por exemplo, dos sete anfíbios descobertos somente um deles habita uma unidade de conservação.

A persistente extinção localizada de espécies, confirmada pelo estudo do pesquisador John Wiens, indica a importância de se acelerar a pesquisa em locais de altitude levando em consideração as possibilidades maiores de extinção relacionadas ao aquecimento global. (ecodebate)









Estudo mapeia mudanças no clima do Mato Grosso do Sul

Estudo coordenado pela Fiocruz mapeia mudanças no clima do Mato Grosso do Sul.
No Mato Grosso do Sul, a porção norte do estado poderá apresentar um aumento de até 5,8°C graus na temperatura e uma redução de até 19% no volume de chuvas nos próximos 25 anos. Os dados fazem parte de uma pesquisa inédita sobre o Mato Grosso do Sul, que identificou a vulnerabilidade à mudança do clima nos 79 municípios do estado. Coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o estudo é uma das atividades realizadas no âmbito do projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima, feito em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.
Os resultados da pesquisa foram compartilhados durante o Seminário Indicadores de Vulnerabilidade à Mudança do Clima, que ocorreu em 30/11/16 em Campo Grande (MS). Para o coordenador do projeto, Ulisses Confalonieri, este trabalho possibilitará aos gestores avaliar, por meio de mapas e gráficos, qual parte do território está mais e menos vulnerável às alterações do clima e os mais aptos a se recuperarem de possíveis impactos climáticos. “O Mato Grosso do Sul é o único representante da região centro-oeste a participar do estudo. Além dele, foram escolhidos mais cinco estados para serem avaliados: Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Paraná e Pernambuco. Também foi desenvolvida uma ferramenta, um software, que ajuda a quantificar a vulnerabilidade humana às mudanças climáticas, conforme cada município”, ressalta o pesquisador da Fiocruz Minas.
Dias mais secos
A pesquisa feita sobre os municípios sul-mato-grossenses indica que a porção sul do estado poderá ser a mais afetada em relação ao número de dias secos consecutivos no ano, índice chamado de CDD. Na cidade de Japorá, por exemplo, o aumento no número de dias seguidos sem chuva poderá chegar a 12,6%, seguida por Sete Quedas (12,2%) e Tacuru (11,5%).
O município de Novo Horizonte do Sul apresentou o CDD mais elevado do estado, com um aumento de 15,2% para os períodos de estiagem. Esta situação é diferente em cidades localizadas na parte central, como Rochedo e Corguinho. Nelas, os dias seguidos sem chuvas permanecerão os mesmos em comparação com o período atual.
Mais calor e menos chuvas
Em relação à temperatura máxima, Corguinho poderá ter um incremento de até 5,8°C para os próximos 25 anos. Os municípios da porção norte serão os mais afetados, assim como algumas cidades localizadas na parte leste do estado. Em Paranaíba e Aparecida do Taboado o aumento pode chegar a 5,7°C para o período de 2041 a 2070.
O Alto do Taquari pode ser uma das regiões mais impactadas pela redução do volume de chuvas. Em Coxim e Rio Verde do Mato Grosso, por exemplo, a precipitação poderá diminuir 19,3%. Na parte leste do estado, a pluviosidade pode reduzir até 17,6%, como é o caso do município de Selvíria.
Campo Grande apresenta uma elevação de 5,4°C na temperatura e uma redução de 8,3% na precipitação. Em relação ao número de dias seguidos sem chuva, a capital pode ter uma diminuição de 5,4%.
Mudança do clima no Pantanal
As projeções feitas no estudo indicam possíveis consequências para o Pantanal. Por ser um bioma úmido, que depende do ciclo de cheias e secas, o aumento da estiagem pode impactar no ciclo de inundações e na diminuição da biodiversidade, por causa das alterações no processo reprodutivo de plantas e animais.
As mudanças do clima também podem provocar transformações em fenômenos naturais recorrentes no Pantanal, como o período das cheias dos rios. Por causa das alterações no volume de chuvas e elevação da temperatura, podem ocorrer eventos extremos, como secas e alagamentos. Estes fenômenos climáticos poderiam impactar no Pantanal, a perda do potencial de pesca e, em outras partes do estado, a redução da produção agrícola, afetando diretamente a segurança alimentar das populações que vivem nessa região. Outro impacto que pode ser apontado nesse cenário futuro é o aumento de doenças, devido à proliferação de vetores.
Vulnerabilidade dos municípios
As pesquisas realizadas sobre o estado consideram informações de cada município relacionadas a fenômenos extremos, a exemplo de tempestades, e doenças vinculadas ao clima, entre elas, dengue, leptospirose e leishmaniose. Dados sobre a população, envolvendo saúde e condições socioeconômicas e a capacidade dos municípios para lidarem com as mudanças climáticas também são utilizados.
As informações coletadas são associadas a três elementos – exposição, sensibilidade e capacidade adaptativa da população, considerando dois cenários de clima futuro: um com redução nas emissões de gases do efeito estufa e menor aquecimento global, e outro que considera o aumento contínuo dessas emissões com maior impacto no clima. A partir da combinação e análise desses dados, é possível calcular o Índice Municipal de Vulnerabilidade (IMV) e outros indicadores.
As projeções feitas na pesquisa indicaram que os municípios mais vulneráveis à mudança do clima seriam Rio Verde do Mato Grosso, Rio Negro e Sonora e os menos vulneráveis seriam Jateí, Naviraí e Chapadão do Sul. As cidades mais expostas às alterações climáticas foram Maracaju, Três Lagoas e Coxim, em virtude de desmatamentos, variações bruscas de temperatura e ocorrência de eventos extremo, como secas e enxurradas. Em relação à sensibilidade, que indica a intensidade com a qual os municípios são suscetíveis aos impactos do clima, Juti, Taquarassu e Paranhos seriam os mais impactados.
O estudo apontou que Campo Grande, Chapadão do Sul e Costa Rica foram considerados os municípios mais adaptados para lidar com as mudanças clima, devido à existência de infraestrutura de saúde, como leitos hospitalares, plano de contingência de desastres e atuação da Defesa civil. Coronel Sapucaia e Novo Horizonte do Sul seriam os menos adaptados. (ecodebate)

Mudanças climáticas e a economia mundial em 2016

Mudanças climáticas são a maior ameaça para economia mundial em 2016
Matéria publicada no The Guardian, por Larry Elliot, fala sobre que a catástrofe causada pelas mudanças climáticas estão sendo apontadas como a maior ameaça para a economia global em 2016, de acordo com um levantamento realizado por 750 especialistas, através do Fórum Econômico Mundial.
A avaliação de riscos realizada pela WEF, antes de sua reunião anual em Davos, em janeiro deste ano, mostrou que o aquecimento global tem motivos de sobra para causar tamanha preocupação entre os governantes.
De acordo com a reportagem, um problema de adaptação aos fatores climáticos pode ter um impacto maior do que a disseminação de armas de destruição em massa, crises de água, a migração involuntária e um choque nos preços de energia.
Preocupações sobre aquecimento global encabeçam as discussões de economistas sobre as previsões deste ano.
O relatório elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, com a colaboração de especialistas em riscos, foi concluído um mês após o acordo assinado em Paris para reduzir as emissões de carbono.
Cecilia Reyes, chefe de riscos de Zurique, disse: “A mudança climática está se agravando mais do que nunca, trazendo crises de água, escassez de alimentos, crescimento econômico restrito, coesão social e aumento dos riscos de segurança. Enquanto isso, a instabilidade geopolítica está expondo as empresas a projetos cancelados, licenças revogadas, produção interrompida, ativos danificados e movimento restrito de fundos através das fronteiras”. (ccst)

Mudanças climáticas têm grande impacto no oceano Antártico

Em dez anos, Frente Polar deslocou para o sul duas vezes a média dos 900 anos anteriores, o que pode resultar na alteração da temperatura dos oceanos e de funções ecossistêmicas.

O aumento na concentração de gases que causa o efeito estufa está diretamente relacionado com a elevação na temperatura média da atmosfera. Cerca de 90% desse calor promovido pelo aquecimento global é absorvido pelos oceanos que, por sua vez, o transportam para suas camadas mais profundas.

Desde 1955, os oceanos absorveram 20 vezes mais calor do que a atmosfera. O aquecimento dos oceanos tende a piorar, uma vez que as temperaturas globais estão aumentando. Projeções apontam que as mudanças são mais acentuadas em altas latitudes.

Segundo Ilana Wainer, professora do Departamento de Oceanografia Física do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, os oceanos são uma “espécie de ar condicionado do planeta” e o oceano Austral (ou Antártico) – sem barreiras e com correntes intensas em resposta a ventos fortes – é peça fundamental nas mudanças do clima.

“O oceano Austral é a principal conexão entre as maiores bacias oceânicas e é também responsável pela comunicação do oceano profundo com a atmosfera, permitindo que sinais de anomalias na temperatura, por exemplo, sejam carregados das camadas superficiais para maiores profundidades. Em suma, o oceano Austral tem um papel importante nas mudanças do clima”, disse.

A pesquisadora destaca que o clima global depende diretamente das massas de água. Wainer foi uma das palestrantes na FAPESP Week Montevideo, realizada dias 17 e 18 de novembro de 2016 na capital uruguaia. O evento foi organizado pela FAPESP em colaboração com a Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM) e a Universidad de la República (UDELAR).

Um dos principais componentes do oceano Austral é a Corrente Circumpolar Antártica, que reúne o sistema composto pelas frentes Polar, Subantártica e Subtropicais.

Wainer analisou mudanças nesse sistema entre os períodos 1050 a 1950 e 1970 a 2000, por meio de um conjunto de simulações com o uso do Modelo de Sistema Terrestre do National Center for Atmospheric Research, dos Estados Unidos.

“Os resultados, considerando a média dos experimentos, revelaram que a Frente Polar se deslocou para o sul cerca de 0,7 graus de 1990 a 2000, em comparação com a média para o período de 1050 a 1950. Isso é estatisticamente significativo por ser duas vezes o desvio padrão da variabilidade de 1050 a 1950”, disse a especialista em interação oceano-atmosfera e clima que integra o Projeto Temático “Impacto do Atlântico Sul na célula de circulação meridional e no clima”, apoiado pela FAPESP.

“Esse efeito é causado pelo deslocamento para o sul da Corrente Circumpolar Antártica, que por sua vez é promovida também pelo desvio para sul da latitude onde se encontra o valor máximo do cisalhamento do vento zonal”, disse.

Cisalhamento é o fenômeno de deformação ao qual um corpo está sujeito quando as forças que sobre ele agem provocam um deslocamento em planos diferentes, mantendo o volume constante.

“Fizemos uma análise de correlação e observamos que o deslocamento para o sul da posição do valor máximo do cisalhamento do vento zonal está fortemente relacionado com alterações na região da Corrente Circumpolar Antártica no período de 1970 a 2000. As mesmas correlações para o período de 1050 a 1950, em comparação, são bem mais fracas”, disse Wainer.

Essas mudanças levam a um importante impacto ambiental, afetando, por exemplo, o nível do mar, a temperatura dos oceanos, o sequestro de carbono e as funções ecossistêmicas.

A pesquisadora participa do comitê gestor do INCT-Criosfera – um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia sediados no Rio Grande do Sul com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e FAPERGS –, onde também contribui com pesquisas em modelagem do clima para entender o papel do gelo marinho e plataformas de gelo da Antártica na circulação do oceano e impactos climáticos. O aquecimento global tem levado ao aumento no fluxo de gelo para os oceanos.
Poluição no Prata

Juan Carlos Colombo, diretor do Laboratório de Química Ambiental e Biogeoquímica da Facultad de Ciencias Naturales y Museo da Universidade Nacional de La Plata (UNLP), na Argentina, apresentou na FAPESP Week Montevideo resultados de estudos sobre identificação de poluentes no rio da Prata.

Colombo e colaboradores têm instalado marcadores biogeoquímicos para monitoramento na costa da Argentina e do Brasil. Anualmente, mais de 55 milhões de m³ de sedimentos, proveniente das províncias do norte da Argentina e dos estados da região sul do Brasil, são arrastados ao rio da Prata, o estuário formado pelo desague das águas dos rios Paraná e Uruguai no Atlântico.
Mudanças climáticas têm grande impacto no oceano Austral.

Os marcadores permitiram aos pesquisadores identificar grande quantidade de material orgânico, metais pesados, pesticidas (compostos organoclorados) e contaminantes persistentes. (ecodebate)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Degelo na Antártica impacta a variação climática regional e global

Camada de gelo da Antártica tem impacto na variação climática regional e global, dizem pesquisadores.

Uma equipe de pesquisadores internacionais concluiu que a camada de gelo da Antártica desempenha papel importante na variação climática regional e global.
De acordo com os pesquisadores, a descoberta, entre outros achados, pode ajudar a explicar por que o gelo marinho no Hemisfério Sul tem aumentado, apesar do aquecimento do resto da Terra.
Os modelos climáticos globais observados nos últimos milhares de anos não conseguiram explicar a variação climática observada no registro paleoclimático, disse Pepijn Bakker, ex-pesquisador pós-doutorado da Oregon State University (OSU) e agora atuando no Centro Marum para Estudos Ambientais Marinhos, da Universidade de Bremen, na Alemanha.
“Uma coisa que determinamos logo de início foi que virtualmente todos os modelos do clima tiveram a camada de gelo da Antártica como entidade constante,” disse Bakker, autor principal do estudo que está sendo publicado esta semana na Revista Nature.
“Era um pedaço estático de gelo, apenas parado lá”. “O que descobrimos, no entanto, é que a camada de gelo sofreu numerosos pulsos de variação, que tiveram efeito cascata em todo o sistema climático”.
A hipótese da equipe de pesquisa era que os modeladores do clima estavam negligenciando um elemento crucial no sistema climático global que poderia afetar todas as partes do sistema.
De fato, segundo Andreas Schmittner, cientista do clima da Faculdade de Ciências da Terra, Oceanos e Atmosfera da OSU, a camada de gelo da Antártica demonstrou comportamento dinâmico nos últimos 8 mil anos.
“Há uma variação natural na parte mais profunda do oceano adjacente à camada de gelo antártico – semelhante à Oscilação Decadal do Pacífico, ou El Niño/La Niña, mas em uma escala de tempo de séculos – que provoca pequenas, mas significativas mudanças nas temperaturas”, disse Schmittner, co-autor do estudo.
“Quando a temperatura do oceano aumenta, causa a fusão mais direta da camada de gelo abaixo da superfície e aumenta o número de icebergs que se soltam da camada de gelo.”
Se toda a camada de gelo antártica se derretesse, os níveis globais do mar provavelmente aumentariam cerca de 200 pés, aproximadamente 60 metros.
“A introdução dessa água fresca e fria diminui a salinidade e refrigera as temperaturas superficiais, ao mesmo tempo, estratificando as camadas de água”, disse Peter Clark, paleoclimatologista da Faculdade de Ciências da Terra, Oceano e Atmosfera da OSU e co-autor do estudo.
“A água fria e fresca congela mais facilmente, criando gelo adicional, apesar das temperaturas mais quentes que estão centenas de metros abaixo da superfície.”
A camada de gelo antártica cobre área de mais de 13 milhões km2 e estima-se que detenha cerca de 60% de toda a água doce na Terra.
A parte leste da camada de gelo repousa sobre uma grande massa terrestre, mas na Antártica Ocidental, ela repousa sobre a rocha que se estende para o oceano, a profundidades de mais de 8 mil pés, ou 2.500 metros, tornando-a vulnerável à desintegração.
A equipe analisou sedimentos dos últimos 8 mil anos e descobriu que muito mais icebergs se desprenderam da camada de gelo em alguns séculos do que outros. Para isso, usou sofisticados modelos de computador para rastrear a variabilidade no desprendimento dos icebergs nas pequenas mudanças na temperatura do oceano.
A descoberta, disseram os pesquisadores, pode ajudar a explicar por que o gelo marinho aumentou no Oceano Antártico, apesar do aquecimento global. O mesmo fenômeno não ocorre no Hemisfério Norte com a faixa de gelo da Groelândia, que não tem litoral e não está sujeita às mesmas mudanças atuais que afetam a faixa de gelo na Antártica. (ecodebate)

O degelo da Antártica e a subida do nível do mar

A maior parte do gelo da Antártica está sobre o continente e tem um volume de água congelada que, caso derreta completamente, tem o potencial de fazer o nível do mar subir de 60 a 65 metros no longo prazo. Se as emissões de gases de efeito estufa (GEE) continuarem a provocar o aumento do aquecimento global no ritmo atual, o degelo na Antártica pode contribuir para que o nível médio do mar suba 2 metros até 2100 e em mais de 15 metros até 2500.
Estes números são bem superiores àqueles apresentados no relatório do IPCC de 2013 que estimou um aumento máximo de 1 metro do nível do mar até 2100, isto se não houvesse uma mudança do degelo da Antártica. As novas pesquisas apontam um quadro mais dramática do derretimento da calota polar e novos números devem surgir no próximo relatório do IPCC.
De acordo com uma nova modelagem apresentada em um estudo recente publicado na revista Nature, pelos pesquisadores americanos Robert M. DeConto e David Pollard (31/03/216), um colapso dos mantos de gelo da Antártica pode fazer o nível do mar subir até dois metros até 2100 (1 metro só com o degelo da Antártica) e em mais de 15 metros até 2500, caso as emissões de carbono não sejam cortadas. O colapso de porções do manto de gelo antártico, em especial na chamada Antártida Ocidental, poderia elevar o nível do mar em 5 metros. A Antártida Oriental, mais fria e com maior volume de gelo tem potencial para gerar outros 55 metros de subida dos oceanos.
Assim, nos últimos três anos, cresceu a preocupação de que as geleiras ocidentais possam entrar em colapso irreversível, devido à maior quantidade de água quente do mar entrando em forma de cunha sob as plataformas de gelo, degelando-as de baixo para cima. Assim, mesmo sendo pequeno o degelo superficial, o colapso de plataformas inteiras pode provocar um enorme desastre ambiental.
Em setembro de 2016, após o inverno antártico, os satélites revelaram uma enorme fenda no gelo da Plataforma Larsen C no lado leste da península Antártica. As imagens revelaram que a fissura tinha crescido em cerca de 13 milhas ao longo de poucos meses. Isto pode levar ao rompimento da geleira muito maior do que suas vizinhas Larsen A e B, que colapsaram em 1995 e 2002, acelerando a subida do nível do mar.
O segundo semestre de 2016 marcou o recorde de degelo na Antártica, ficando bem abaixo da média de 1979-2008, conforme pode ser visto no gráfico abaixo.
Desta forma, mesmo que o aquecimento global seja limitado à meta de 2º C, estabelecido no Acordo de Paris, o nível dos oceanos vai subir e pode provocar o deslocamento de 20% da população mundial devido à inundação das regiões costeiras especialmente em grandes cidades como Nova Iorque, Boston, Londres, Xangai, Bangkok, Mumbai, Rio de Janeiro, etc., conforme mostra artigo de Damian Carrington (The Guardian) expresso no mapa abaixo.
Um dos países que serão mais afetados pela elevação do nível do mar é Bangladesh que tem uma área de 144 mil km2 e uma população de mais de 150 milhões de habitantes. Como o país conta com a maior parte do seu território próximo do nível do mar e ainda com grandes rios, como Ganges, Bramaputra e Meghna, sua costa é uma imensa selva pantanosa e sujeita a inundações. As terras de aluvião são muito férteis, mas, ao mesmo tempo, muito vulneráveis às mudanças climáticas. Se o nível do mar subir 2 metros a cidade de Khulna será a mais atingida, mas a capital, Daca, também pode sofrer muito, pois está apenas a 4 metros do nível do mar. No total, o aumento do nível do mar pode afetar 80% da população de Bangladesh.
A cidade de Calcutá na Índia deve ser o município mais afetado do mundo e pode ter mais de 15 milhões de pessoas refugiadas até o final do século XXI.
Infelizmente, estes cenários catastróficos estão ficando cada vez mais prováveis. Estudo liderado por Peter U. Clark e publicado na revista Nature Climate Change (08/02/2016), mostra que, mesmo com a mudança climática limitada a 2º C, o nível do mar poderá subir 25 metros ao longo dos próximos 2.000 anos e permanecer neste nível por pelo menos 10.000 anos, a mesma idade do Holoceno. Se a queima de carvão, petróleo e gás não for controlada, o mar poderá subir 50 metros nos próximos dois mil anos, reconfigurando completamente o mapa Mundi. Segundo os autores, de longe, o maior contribuinte para o aumento do nível do mar – cerca de 80% – seria o derretimento da camada de gelo da Antártica.
Outro estudo recente publicado na mesma revista Nature Climate Change, liderado por Johannes Fürst, mostra que alguns grandes lençóis de gelo da Antártida estão perigosamente perto de perder as plataformas de gelo do mar que impedem o seu fluxo para o oceano. As grandes plataformas de gelo flutuantes do mar ao redor da Antártida fornecer contrafortes para as geleiras e camadas de gelo no continente. Mas tudo pode mudar, como aconteceu com a plataforma Larsen B, em 2002, o que aumentaria a velocidade do fluxo no oceano em oito vezes.
Os pesquisadores argumentam que uma nova revolução industrial seria necessária para permitir uma mudança na matriz energética e uma economia de baixo carbono. Mas dada a dimensão do problema as ações terão que ir muito além das soluções tradicionais. Só o decrescimento demoeconômico e uma mudança geral no padrão de produção e consumo podem evitar uma tragédia colossal. (ecodebate)

Geleiras do Himalaia diminuíram até 22% em 30 anos

Geleiras do Himalaia diminuíram até 22% em 30 anos, afirmam cientistas.
Relatórios de instituto apontam que redução ocorreu no Nepal e no Butão.
Derretimento se acelerou entre 2002 e 2005 em dez geleiras avaliadas.
Novos estudos científicos sobre o derretimento das geleiras do Himalaia revelam o impacto das mudanças climáticas nesta região e a ameaça que pesa sobre 1,3 bilhão de habitantes.
Segundo os estudos publicados em três relatórios do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), com base em Katmandu, as geleiras diminuíram 21% no Nepal e 22% no Butão nos últimos 30 anos.
Estas descobertas seriam a primeira confirmação oficial sobre o derretimento das geleiras, após várias declarações empíricas. Elas corrigem também um anúncio errado do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que afirmou em seu 4º relatório em 2007 que as geleiras do Himalaia derretiam mais rápido do que as outras do mundo e "poderiam desaparecer até 2035, ou antes".
O IPCC afirmou que foi "um lamentável erro" provocado por "procedimentos que não foram devidamente acompanhados".
Apoiados pelo projeto de pesquisa financiado pela Suécia e realizado pela ICIMOD durante três anos, os especialistas descobriram que as dez geleiras observadas estão em processo de derretimento em uma velocidade que acelerou entre 2002 e 2005.
Imagem de dezembro de 2009 mostra o Himalaia e uma geleira na região do monte Everest, a 140 km de distância de Kathmandu. Milhões de pessoas estão sob ameaça de derretimento da neve nesta região, de acordo com cientistas.
GELEIRAS - Relatórios de instituto apontam que redução ocorreu no Nepal e no Butão. Derretimento se acelerou entre 2002 e 2005 em dez geleiras avaliadas.
Redução significativa
De acordo com os resultados de outro estudo, o volume de neve que cobre a região diminuiu de maneira significativa nos últimos 10 anos. "Estes relatórios fornecem um novo ponto de comparação e informações sobre as zonas geográficas específicas para compreender a mudança climática em um dos ecossistemas mais vulneráveis do mundo", comentou o presidente do IPCC, o indiano Rajendra Pachauri.
As 54.000 geleiras do Himalaia alimentam com água os oito maiores rios da Ásia, entre eles - Indus, Ganges, Brahmaputra, Yangtze e Rio Amarelo - suscetíveis de serem afetados pelo stress hídrico nas próximas décadas, com potenciais consequências para os 1,3 bilhão de pessoas. (g1)

Gelo de 1.600 anos nos Andes 'desapareceu' em 25 anos

Gelo de 1.600 anos nos Andes 'desapareceu' em 25 anos, diz cientista.
Geleira Quelccaya, no Peru, tem sofrido derretimento constante.
Pesquisa busca analisar 'história climática' da região e do planeta.
Cientistas da Universidade Estadual de Ohio estudaram uma geleira na região dos Andes, no Peru, e obtiveram detalhes impressionantes sobre a história climática da Terra, segundo um estudo publicado nesta semana na revista "Science Express".
Chamada de Quelccaya, a geleira tem mais de 6 mil anos, segundo os cientistas. Ela está passando por um processo de derretimento constante e perdeu parte da cobertura de gelo acumulada em quase dois milênios num período de 25 anos (as imagens acima refletem um período de 30 anos), segundo um dos autores do estudo, professor Lonnie Thompson, em entrevista ao "New York Times". O degelo foi tão grande que um trecho congelado na região de Qori Kalis "desapareceu" e deu lugar a um lago.
Blocos de gelo que contam a "história congelada da área" foram guardados em freezers a -30º C para análises posteriores, disse Thompson, em nota da universidade. Ele afirmou ao "New York Times" que restos de plantas expostos nas margens da geleira com o derretimento também estão sendo analisados pelos cientistas.
Algumas plantas chegam a ter 6,3 mil anos, diz Thompson. Ao estudar o decaimento do carbono nos restos de vegetais, os pesquisadores descobriram que eles "envelheceram" pouco no período, o que indica que o gelo existente ali é milenar.
"Se em algum momento dos últimos 6 mil anos estas plantas estivessem sido expostas por um período de cinco anos, por exemplo, haveria decaimento", disse Thompson. A explicação mais simples, segundo ele, é que o gelo acumulado nos últimos 1,6 mil anos derreteu em não mais que 25 anos.
O aquecimento global está tendo efeitos maiores em regiões de grande altitude e de grande latitude, ponderam os cientistas. Segundo eles, o Quelccaya "parece ser muito sensível" às mudanças climáticas que vêm ocorrendo no planeta.
Blocos de gelo
Os pesquisadores dataram dois grandes blocos de gelo extraídos da região, que têm uma riqueza de detalhes "formidável", dizem. Os blocos podem ser usados como "ferramentas" detalhadas para estudar o passado climático da Terra, principalmente na região tropical.
Os objetos têm grandes semelhanças com outros blocos de gelo extraídos do Himalaia e do Tibete, diz a pesquisa. "Padrões na química de algumas camadas dos blocos são idênticos, mesmo que os dois 'núcleos' gelados tenham sido extraídos de lados opostos do globo", afirma uma nota da instituição.
Geleira de Quelccaya, na região andina do Peru, em 1978.
A geleira de Quelccaya em 2008, já atingida pelo derretimento causado pelo aquecimento global. (g1)

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Cataratas sem água

Dá prá ‘fechar’ as Cataratas do Iguaçu?

Parece loucura, mas algo semelhante vai acontecer nos Estados Unidos, pois o país decidiu 'secar' as Cataratas do Niágara.

No final de janeiro, o governo americano deu uma notícia chocante: fechariam as cataratas do Niágara para turismo, para poder reformar o parque. E o plano é ainda mais ambicioso, uma vez que a ideia é “secar” as quedas d'água.
Sim, secar as cataratas do Niágara e seus 52 metros de queda e mais de 2 milhões de litros despejados por segundo. O plano é até barato: US$ 3 milhões. Caminhões e escavadeiras construirão um desvio, obrigando o rio a mudar seu curso.
As quedas do Niágara se dividem em três, duas delas do lado americano e outra no Canadá. As cataratas devem ficar secas por nove meses, em 2019.
Mas e nas cataratas do Iguaçu, algo assim seria possível? Igual ao Niágara, as quedas d'água do sul do Brasil estão na fronteira entre dois países (Brasil e Argentina), mas as semelhanças param por aí.
Diferente da maravilha da América do Norte, em Iguaçu as cataratas são maiores. Ao invés de três quedas, são 275. O volume de água, embora na média seja menor que no equivalente norte-americano, em sua capacidade máxima é recordista mundial.
Empreender uma operação de desvio de rio nas cataratas do Iguaçu seria uma operação bem mais complexa, por envolver não apenas um volume maior, mas por questões geográficas.
Basta olhar imagens aéreas para entender essa dificuldade, uma vez que a foz do rio Iguaçu desce completamente nas cataratas, sem desvios.
Já o rio Niágara possui uma divisão em sua foz, com duas quedas claramente dividias. A operação de desvio é mais simples, por envolver o desvio das águas para o lado canadense do rio.
Operações do gênero são feitas na construção de hidrelétricas, por exemplo, que exigem proezas da engenharia para desviarem cursos de rios. Para a construção da usina de Itaipu, por exemplo, foi necessário desviar o curso de todo o rio Paraná.
Aliás, essa não é a primeira vez que os americanos verão o Niágara seco. Em 1969, o governo dos EUA empreendeu a mesma obra para poder estudar a erosão das cataratas por causa das hidrelétricas Adam Beck 1 e 2.
Na época, tiveram que recolher milhões de moedas jogadas por turistas, e dois corpos de pessoas que tentaram descer as quedas.
Já os que gostariam de dar uma olhada nas cataratas do Iguaçu quase sem água, basta lembrar da seca de 2006, quando a vasão das quedas foram diminuídas em até 70%. (yahoo)

Perdas de solo e água em área de nascente


Perdas de solo e água em área de nascente estratégica para o Sistema Cantareira


O uso e ocupação de áreas de alta declividade favorecem, quase sempre, perdas de solo por erosão que é uma das principais responsáveis pela degradação do solo, com prejuízos à produtividade agrícola e às atividades econômicas relacionadas à agricultura. Esta erosão é causada pela energia cinética da água da chuva gerada pelo impacto das gotas no solo, promovendo a fragmentação dos seus agregados e o transporte das partículas via escoamento superficial.

A retirada da vegetação nativa, notadamente das florestas, para o uso agrícola sem considerar a capacidade de suporte do solo (Freitas et al., 2012), tem como resultado imediata a sua exposição e, consequentemente, sua degradação pela erosão hídrica, ocasionando perdas de partículas/agregados, nutrientes, carbono orgânico (Oliveira et al., 2012), além de reduzir a recarga de água (Lima et al., 2013). O controle da erosão hídrica é umas das principais medidas para a conservação do solo e da água em uma sub-bacias hidrográfica, visando o uso e manejo do solo de forma sustentável.

A sub-bacias do Ribeirão das Posses, localizada no município de Extrema/MG, constitui exemplo de área submetida à retirada de grande parte da vegetação nativa ocorrida a mais de um século, além de ser de grande importância ambiental não só por estar inserida nos altiplanos da Serra da Mantiqueira em local de grande fragilidade, mas também e, principalmente, por fazer parte do conjunto de nascentes que compõe os principais cursos d’água que abastecem o Sistema Cantareira, como também a Bacia do PCJ.

O presente trabalho foi realizado na margem esquerda do Ribeirão das Posses, próximo à nascente principal, a partir de uma sequência com dois tipos de cobertura vegetal (mata nativa e pastagem), envolvendo dois tipos de Cambissolos, dois tipos de Argissolos e dois tipos de Neossolos Litólicos (EMBRAPA, 2013), constituindo assim seis pontos de amostragem e estudo. Nessa topossequência, a cobertura de mata corresponde a 10% da área e o restante (90%) por pastagem.

As perdas de solo e água, avaliadas em um período de chuva entre maio e setembro de 2016, com precipitação acumulada de 251,3mm, e depois projetadas para o ano (por hectare e para toda a bacia – 1.200 ha), considerando a precipitação média da área em torno de 1.447mm (ANA, 2008), foram comparadas entre as diferentes coberturas (mata e pastagem), com o intuito de mostrar que o tipo de uso e ocupação interfere de forma expressiva no ambiente, sobretudo na qualidade do solo e, consequentemente, na sustentabilidade do sistema agrícola existente.

Área de trabalho

Localização e caracterização da área estudada

Área de estudo

O presente trabalho foi desenvolvido na sub-bacia das Posses, Extrema, MG, localizada na porção sul da Serra da Mantiqueira. Apresenta relevo declivoso e bastante movimentado. O uso do solo predominante é pastagem extensiva com ausência de práticas conservacionistas; possui área 1.196,7 ha e se encontra entre as coordenadas 46°14’W e 22°51’S e entre as altitudes de 968 a 1.420 m. Esta sub-bacia está incluída como piloto no Programa Produtor de Água da Agência Nacional das Águas – ANA, o qual visa recuperar bacias hidrográficas com foco nos recursos hídricos (ANA, 2008), sendo a primeira a ter o Projeto Conservador das Águas implantado no município de Extrema, conforme a Lei Municipal n° 2.100/05. A área estudada, localizada na margem esquerda do Ribeirão das Posses, encontra-se entre as coordenadas 22º 52’ 50.65” S e 46º 15’ 32.73” W e 22º 52’ 53,75” S e 46º 15’ 23.77” W e contempla os pontos 1 a 6, como indicados na topossequência (Figura 1).
Figura 1. Localização da área de trabalho com os 6 pontos/locais experimentais.
P1 - 22º52”50.65”S e 46º15’32.73”W;
P2 - 22º52’50.97”S e 46º15’32.05”W;
P3 - 22º52’51.62”S e 46º15’30.65” W;
P4 - 22º52’52.53”S e 46º15’28.37”W;
P5 - 22º52’53.50”S e 46º15’25.36”W;
P6 - 22º52’53.75” S e 46º15’23.77”W.
Esquema experimental
O esquema experimental utilizado foi em parcelas de 1 m2 (calhas tipo Gerlach), com três repetições (R1, R2 e R3) por local ou ponto, considerando seis locais/pontos (P1 a P6), sendo o P1 sob cobertura de mata nativa e os demais pontos (P2 a P6) sob cobertura de pastagem – Brachiaria decumbens (Bd)), com a geração do fatorial: 3 x 6 = 18.
Caracterização dos solos
Os solos foram classificados com base no levantamento realizado por Da Silva et al. (2013), e detalhados em campo pelos autores do presente trabalho, estando representados pela classe dos Cambissolos (CH1 e CH2), Argissolos (PVA1 e PVA2) e Neossolos Litólicos (RL1 e RL2), de acordo com EMBRAPA (2013).
Resultados
Tabela 1. Média anual de perda de água (via enxurrada) e dos solos (sólidos) estudados, por hectare, para toda a Bacia do Ribeirão das Posses.
Considerações finais e recomendações
As perdas totais de solos projetadas por ano por hectare e para toda a bacia não são expressivas (39,79 kg/ha e 47.756 kg para toda a bacia), mas as de água via enxurrada merecem atenção especial (1.528,56 m3/ha e 1.836.276 m3/ano).
Recomenda-se uma reavaliação do manejo da área de pastagem com a sugestão de implantação de terraços em nível, principalmente para minimizar as perdas de água, via enxurrada, que são mais expressivas do que as perdas de solo.
A infiltração mais eficiente da água na área de pastagem contribui não só para o recarregamento do lençol freático, como também interfere de forma positiva no fluxo preferencial em direção ao curso d’água (Ribeirão das Posses), tornando seu volume mais estável/uniforme ao longo do ano. Tal cenário, evidentemente, favorece o aumento da vazão do Rio Jaguarí, refletindo positivamente no aumento da disponibilidade hídrica para o Sistema Cantareira. (ecodebate)

A questão hídrica atual do Nordeste seco!

A ASA Brasil trabalha com cisternas rurais com capacidade de 16 mil litros e, também, com as ditas produtivas, com capacidade para 52 mil litros. Essas cisternas captam água dos telhados das casas para fornecer uma água de boa qualidade para uma família de cinco pessoas, durante os oito meses sem chuvas na região. Essa é uma tecnologia extremamente viável, como viável, também, é a criação de animais adaptados às situações de secas (grandes e pequenos ruminantes). Em outros momentos de seca, era muito comum, no Nordeste, haver saques em supermercados e feiras livres, porque o povo não tinha o que comer e o que beber. Hoje em dia esse cenário mudou e, certamente, isso tem a ver com o uso e a implementação dessas tecnologias que estão dando certo no Sertão.
Outra tecnologia importante de convivência com as secas, é o plantio de Palma-forrageira adensada. Antigamente eram produzidas, no Nordeste, cerca de 50 toneladas de palma por hectare. Hoje, na forma adensada de plantio, que é uma tecnologia oriunda do México e dos Estados Unidos, estão sendo colhidas, com essa cactácea, cerca de 400 toneladas por hectare, ou seja, está se conseguindo um ganho 10 vezes maior nas colheitas. A palma é um excelente alimento para os animais em época de estiagem e ajuda a manter a atividade de pecuária em regiões secas, como é o caso do Nordeste brasileiro. A saída honrosa para se conviver com as secas é juntar todas essas experiências que estão dando certo e começar a trabalhar de forma planejada. O planejamento é à saída de tudo. Agora, temos que rezar – esse é o termo certo – para que essa quadra chuvosa que se inicia em novembro de 2016, venha com volumes de chuvas acima da média para, a partir daí, se começar a usar essas águas de forma racional. Insisto mais uma vez: se a seca se prolongar por mais um sexto ano no Nordeste, ficam sombrios os cenários do que possa ocorrer com a sua população.
Em relação à Transposição do Rio São Francisco, o programa encontra-se desacelerado ou mesmo parado em alguns trechos do projeto. Tem-se a impressão de que, primeiro, o governo Temer está arrumando a casa, para os ajustes necessários à alocação dos recursos. Houve a pretensão inicial de se começar um trabalho de revitalização na bacia do rio, mas ficou somente nas pretensões; não houve maiores evoluções nas ações, desde o anúncio da intenção do governo na revitalização do Velho Chico. Então, a informação que se tem é a mesma recebida no início do governo Temer: de que o governo está negociando 10 milhões de reais para investir em ações de revitalização. (ecodebate)
A ASA Brasil trabalha com cisternas rurais com capacidade de 16 mil litros e, também, com as ditas produtivas, com capacidade para 52 mil litros. Essas cisternas captam água dos telhados das casas para fornecer uma água de boa qualidade para uma família de cinco pessoas, durante os oito meses sem chuvas na região. Essa é uma tecnologia extremamente viável, como viável, também, é a criação de animais adaptados às situações de secas (grandes e pequenos ruminantes). Em outros momentos de seca, era muito comum, no Nordeste, haver saques em supermercados e feiras livres, porque o povo não tinha o que comer e o que beber. Hoje em dia esse cenário mudou e, certamente, isso tem a ver com o uso e a implementação dessas tecnologias que estão dando certo no Sertão.
Outra tecnologia importante de convivência com as secas, é o plantio de Palma-forrageira adensada. Antigamente eram produzidas, no Nordeste, cerca de 50 toneladas de palma por hectare. Hoje, na forma adensada de plantio, que é uma tecnologia oriunda do México e dos Estados Unidos, estão sendo colhidas, com essa cactácea, cerca de 400 toneladas por hectare, ou seja, está se conseguindo um ganho 10 vezes maior nas colheitas. A palma é um excelente alimento para os animais em época de estiagem e ajuda a manter a atividade de pecuária em regiões secas, como é o caso do Nordeste brasileiro. A saída honrosa para se conviver com as secas é juntar todas essas experiências que estão dando certo e começar a trabalhar de forma planejada. O planejamento é à saída de tudo. Agora, temos que rezar – esse é o termo certo – para que essa quadra chuvosa que se inicia em novembro de 2016, venha com volumes de chuvas acima da média para, a partir daí, se começar a usar essas águas de forma racional. Insisto mais uma vez: se a seca se prolongar por mais um sexto ano no Nordeste, ficam sombrios os cenários do que possa ocorrer com a sua população.
Em relação à Transposição do Rio São Francisco, o programa encontra-se desacelerado ou mesmo parado em alguns trechos do projeto. Tem-se a impressão de que, primeiro, o governo Temer está arrumando a casa, para os ajustes necessários à alocação dos recursos. Houve a pretensão inicial de se começar um trabalho de revitalização na bacia do rio, mas ficou somente nas pretensões; não houve maiores evoluções nas ações, desde o anúncio da intenção do governo na revitalização do Velho Chico. Então, a informação que se tem é a mesma recebida no início do governo Temer: de que o governo está negociando 10 milhões de reais para investir em ações de revitalização. (ecodebate)

A mercantilização da água no Brasil



Recentemente o Presidente Michel Temer anunciou um programa de privatizações que inclui a Companhia Estadual de Águas e Esgotos – CEDAE – do Rio de Janeiro como uma das empresas a serem vendidas para a iniciativa privadas. É o início de um processo que vem sendo anunciado há algum tempo: a mercantilização da água através de sua privatização. Devemos nos perguntar se um bem comum e essencial para manter a vida de todos os seres vivos do planeta deve ser mercantilizado, valorado economicamente e gerenciado em sua distribuição por alguns grupos econômicos como uma mercadoria qualquer? Há algumas décadas tivesse esta pergunta como referência a água, certamente a resposta seria respondida de forma negativa. Porém, não é isto que observamos em muitas partes do mundo atualmente, inclusive no Brasil.
O processo de mercantilização da água não é algo novo, mas vem se tornando uma política governamental com o apoio de organismos internacionais, a exemplo do Banco Mundial. Basta comprovar como vários documentos nos fóruns, congressos e encontros mundiais sobre a questão da água respondem a um dos mais importantes dilemas do nosso tempo: como promover o acesso da água potável a todos os seres humanos do nosso planeta? A resposta encontrada nestes documentos, que possuem um número expressivo de países signatários, estão sempre impressas (de forma nítida e sem subterfúgios linguísticos) que a água tem um valor econômico e que somente o seu gerenciamento por parte de grupos privados a tornará mais acessível a todos. Em seu livro O Manifesto da Água, Ricardo Petrella (2002, p. 51) ressalta que uma das primeiras afirmações do documento resultante da Segunda Conferência do Fórum Mundial da Água, realizada entre 17 e 22 de março de 1999 em Haia, foi que “A água é um recurso econômico escasso, um bem vital econômico e social. Como petróleo ou qualquer outro recurso natural, deve ser submetido às leis do mercado e aberto à livre competição.” Ao nivelar a água como qualquer outro recurso natural, este documento, e muitos outros produzidos em eventos anteriores e seguintes, buscaram influenciar as políticas para a gestão do patrimônio hídrico de vários países e direcioná-las para a sua mercantilização, almejando que este seja um fato que deve ser encarado com normalidade por parte das populações destas nações.
Com a posse de 12% da água doce do planeta, o Brasil é detentor de um grande e valioso patrimônio hídrico. Com todo esta “riqueza” hídrica, o país está na circunferência de interesse das empresas que lucram cada vez mais com o mercado da água.
O Brasil e suas águas
Foi somente em 1934 que o Brasil teve a sua primeira lei para o ordenamento do seu patrimônio hídrico. O presidente Getúlio Vargas sancionou o Código das Águas pelo Decreto 24.643 daquele ano. O governo só voltou ao tema da água em 1977, com o Decreto 19.367, para instituir o Padrão de Potabilidade da Água. A constituição de 1988 voltou a tratar do patrimônio hídrico brasileiro. Entretanto, muitas leis somente seriam regulamentadas anos mais tarde. Em 1989 o país passou a contar com a Lei de Proteção das Nascentes e Rios, através do Decreto 7.754, já resultante das preocupações ambientalistas.
A iniciativa de organizar a gestão da água através das bacias hidrográficas somente tornou-se lei em 1991, com o Decreto-Lei 8.171, que tratou da política agrícola e da desertificação. Era o início da Era Neoliberal no Brasil e o governo Collor defendia a privatização de vários setores da economia. A palavra privatização tornou-se um mantra para solucionar todos os problemas econômicos e sociais e a palavra estatal passou a ser sinônimo de ineficiência e incapacidade para o gerenciamento dos bens públicos. Estava montado o cenário para que a água começasse a ser vista como mais uma mercadoria, a exemplo de outros bens naturais. As portas abriam-se para a mercantilização da água em nosso país.
O Presidente Fernando Henrique Cardoso instituiu, através do Decreto 9.433, de 1997, a Política Nacional de Recursos Hídricos e trouxe a ideia de sua valoração econômica pela primeira vez em uma lei brasileira. Começava, de fato, o caminho para a mercantilização do patrimônio hídrico brasileiro.
A criação da Agência Nacional de Águas – ANA – através do Decreto 9.984, no ano 2000, possibilitou administrar o nosso patrimônio hídrico com uma visão economicista e instituiu a cobrança da água sob a responsabilidade dos comitês de bacias que viriam a ser criados posteriormente. Também passou a exigir que cada estado da federação criasse uma Agência Estadual de Águas para reproduzir o modelo federal. Esta lei citou as palavras cobrança, ou termos a ela relacionados como compensação financeira, arrecadação, receitas provenientes e pagamento, por treze vezes em seus artigos. Todos estes termos estão relacionadas com a valoração econômica da água. Por outro lado, apenas uma vez a lei citou o termo conservação qualitativa dos recursos hídricos em seu arcabouço. Tal constatação demonstra qual era o real interesse na criação da ANA por aquele governo.
Nos últimos anos, o processo de mercantilização da água no Brasil continuou a ganhar folego nos governos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da Presidenta Dilma Rousseff com o Projeto de Transposição das Águas do Rio São Francisco e a construção de grandes barragens para a produção de energia hidroelétrica cujo modelo dominante é a Parceria Público Privada – PPP.
Privatizar não é a solução
Nem sempre a água foi pensada como um bem comum a qual todos tem direito. Esta concepção é algo muito recente na história da humanidade, pois a posse da água sempre foi muito importante para manter a hegemonia política e militar, principalmente onde ela não é tão abundante. Este fato a tornou, e ainda a torna em alguns lugares, um bem pertencente a alguns poucos grupos como forma de manter o domínio absoluto sobre os territórios e pessoas. Desde os primórdios, agrupamentos humanos perceberam que a posse dos mananciais era também a posse do espaço territorial e uma arma poderosa para dobrar os inimigos, vencendo-os pela sede. A propriedade da água sempre representou um mecanismo para assegurar o poder.
Longe de resolver a questão da sua má distribuição ou sua má qualidade para o consumo, a mercantilização da água terá apenas um lado ganhador: os grupos econômicos que por ela são beneficiados. A distribuição da água não alcançará os que dela necessitam com a privatização de suas distribuidoras, pois, em muitos casos, estes não terão como pagar o preço estabelecido pelas empresas para a sua venda. A privatização, isto sim, os privará do acesso a este bem natural comum. Os menos favorecidos economicamente serão, mais uma vez, excluídos de um direito essencial à sua sobrevivência. Posto que a lei do mercado é o lucro máximo para sobrevivência do empreendimento econômico e o retorno do que foi investido, o preço pago pelas populações pela água utilizada deverá aumentar de forma sempre crescente, fazendo com que as populações carentes tenham dificuldade, também crescente, para obtê-la. Este resultado já é conhecido em algumas localidades onde este modelo tornou-se uma realidade, causando conflitos entre as populações e as empresas privadas de distribuição de água, como foi o famoso caso da Bolívia.
Casos de mercantilização da água abundam no Brasil há décadas, porém eram feitos à revelia do Estado. Atualmente é este que patrocina a visão monetária sobre a água através da privatização e de políticas de concessão de administração das empresas distribuidoras de água, retirando delas o seu caráter público e negando à água como um direito humano inalienável e caracterizando-a como um bem passível de negociação no mercado como qualquer outra commodity. A privatização da CEDAE é apenas o começo. (ecodebate)