quinta-feira, 21 de julho de 2016

Mudanças climáticas e os eventos extremos

Nos últimos anos estamos presenciando, cada vez com mais frequência, manifestações climáticas extremas como longos períodos de seca, ondas de calor, inundações, vendavais e tempestades. São situações que têm causado incredulidade nas pessoas que as vivenciam tal a sua magnitude, como ocorreu recentemente no interior de São Paulo em Jarinu, Campinas, Atibaia entre outras cidades que sofreram destruição antes nunca vista nessas regiões.
Em sua maior parte, esses eventos extremos estão relacionados com o aquecimento global que provoca as mudanças climáticas. Os efeitos do aumento da temperatura média do planeta são observados em nível global e as suas manifestações locais apresentam diferenças de uma região a outra podendo ocorrer na forma de tempestades e secas mais frequentes, intensas e de maior duração, ondas de calor, incêndios, furacões e tornados, chuvas torrenciais entre outros fenômenos.
Em artigo publicado na revista Geophysical Research Letters em abril deste ano, pesquisadores australianos divulgaram estudo mostrando que as tempestades serão cada vez mais destrutivas nas áreas urbanas devido ao aumento do aquecimento global. Os núcleos urbanos enfrentarão chuvas mais fortes porque a mudança climática não somente intensificará as tempestades, mas trará precipitações mais intensas num espaço de tempo mais curto, o que traz implicações importantes para a infraestrutura das grandes cidades.
Os autores do estudo Conrad Wasko, Ashish Sharma e Seth Westra analisaram dados de 1300 pluviômetros e 1700 estações térmicas para comprovar como a temperatura do ar afeta a intensidade e a distribuição espacial das tempestades, que estão cada vez mais concentradas em pequenas áreas, com precipitações mais abundantes e intensas durante um período de tempo mais curto. De acordo com os pesquisadores, os resultados têm implicações globais e representam um padrão que se repete em todo o planeta.
Os pesquisadores afirmam que a maioria dos centros urbanos tem velhas infraestruturas para águas pluviais projetadas para controlar padrões de chuva do passado. Nos centros urbanos há menos terra exposta para drenar o excesso de precipitação de água, diferentemente do que ocorre em áreas rurais. Assim como a capacidade de drenagem não dá conta do volume maior de água, a incidência das inundações aumentará à medida que as temperaturas sejam maiores devido ao aumento do aquecimento global. Haverá inundações mais destrutivas nos principais centros urbanos do mundo.
Diferentes instituições e organismos internacionais (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica – NOAA e Organização Meteorológica Mundial-OMM, entre outras) que acompanham as variações globais de temperatura confirmam que o aquecimento continuará aumentando se não houver redução significativa dos gases que produzem o efeito estufa (GEE) como o gás carbônico (CO2) e metano (CH4). Somente uma redução radical das emissões desses gases reduzirá a temperatura a níveis aceitáveis, caso contrário, os GEE continuarão a se acumular na atmosfera agravando a frequência e a intensidade dos fenômenos meteorológicos extremos.
Para diminuir os efeitos desses fenômenos climáticos radicais é necessário uma melhoria e adaptação da infraestrutura urbana das cidades, mas também há necessidade de se assumir com determinação que o problema só será solucionado com adoção de medidas cada vez mais rigorosas para impedir o aquecimento global.
As cidades, segundo a ONU, são responsáveis por 70% das emissões de CO2 e uma das medidas mais efetivas para diminuir o aquecimento global está na redução da utilização dos combustíveis fósseis amplamente adotados nas cidades no transporte coletivo urbano. Uma alternativa está na utilização dos combustíveis alternativos como o biodiesel, o álcool, o hidrogênio e o uso de carro movidos a eletricidade entre outros. Um bom começo, no Brasil, é acelerar a substituição do diesel pelo biodiesel nos transportes coletivos urbanos. É uma medida não só viável como necessária. (ecodebate)

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