quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Mudanças climáticas são mais rápidas do que os animais conseguem se adaptar

As mudanças climáticas podem ameaçar as espécies e as extinções podem afetar a saúde dos ecossistemas.
É de vital importância avaliar em que grau os animais podem responder às mudanças nas condições ambientais – por exemplo, mudando o tempo de reprodução – e se essas mudanças permitem a persistência de populações em longo prazo.
Para responder a essas perguntas, uma equipe internacional de 64 pesquisadores, liderada por Viktoriia Radchuk, Alexandre Courtiol e Stephanie Kramer-Schadt, do Instituto Leibniz de Zoologia e Vida Selvagem (Leibniz-IZW), avaliou mais de 10.000 estudos científicos publicados.
Os resultados de sua análise são preocupantes: embora os animais respondam geralmente às mudanças climáticas, tais respostas são geralmente insuficientes para lidar com o ritmo acelerado do aumento das temperaturas e às vezes seguem em direções erradas. Os resultados foram publicados na revista científica “Nature Communications”.
Na vida selvagem, a resposta mais comumente observada às mudanças climáticas é uma alteração no tempo dos eventos biológicos, como hibernação, reprodução ou migração (características fenológicas). Mudanças no tamanho corporal, massa corporal ou outros traços morfológicos também foram associados à mudança climática, mas – como confirmado por este estudo – não mostram nenhum padrão sistemático. Os pesquisadores extraíram informações relevantes da literatura científica para relacionar mudanças no clima ao longo dos anos com possíveis mudanças nas características fenológicas e morfológicas. Em seguida, eles avaliaram se as alterações traço observadas foram associados com maior sobrevida ou um número maior de filhos. “Nossa pesquisa se concentrou em aves porque dados completos sobre outros grupos eram escassos”, diz o autor principal, Viktoriia Radchuk (Leibniz-IZW). Ela acrescenta: “Nós demonstramos que em regiões temperadas”.
O coautor Steven Beissinger (professor da Universidade da Califórnia em Berkeley) diz: “Isto sugere que as espécies podem permanecer no seu habitat de aquecimento, desde que elas mudem rápido o suficiente para lidar com as alterações climáticas” No entanto, autor sênior Alexandre Courtiol (Leibniz -IZW) acrescenta: “É improvável que isso aconteça porque mesmo as populações que estão passando por mudanças adaptativas o fazem em um ritmo que não garante sua persistência”.
Coautor Thomas Reed (professor sênior da University College Cork, Irlanda) explica: “Estes resultados foram obtidos comparando a resposta observada à mudança climática com a esperada se uma população seria capaz de ajustar suas características para rastrear a mudança do clima perfeitamente”.
Ainda mais preocupante é o fato de que os dados analisados incluíram espécies predominantemente comuns e abundantes, como o chapim-grande (Parus major), o papa-moscas europeu (Ficedula hypoleuca) ou a pega comum (Pica pica), que são conhecidos por lidarem com a mudança climática relativamente bem.
Para saber se há resposta adaptativa às mudanças do clima é preciso analisar as populações durante muitas gerações, como o estudo que já dura 54 anos das gaivotas-de-bico-vermelho da península de Kaikoura, na Nova Zelândia.
“Respostas adaptativas entre espécies raras ou ameaçadas ainda precisam ser analisadas. Tememos que as previsões de persistência da população para essas espécies de preocupação de conservação sejam ainda mais pessimistas”, conclui Stephanie Kramer-Schadt (Chefe do Departamento de Dinâmica Ecológica, Leibniz-IZW). Os cientistas esperam que sua análise e os conjuntos de dados reunidos estimulem a pesquisa sobre a resiliência das populações de animais em face da mudança global e contribuam para uma melhor estrutura preditiva para auxiliar futuras ações de manejo de conservação.
O autillo (na foto, o mocho galego) está entre as aves que anteciparam a colocação dos ovos por causa da mudança. (ecodebate)

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