Os dados do Prodes, sistema
de cobertura de satélite que dá a estimativa oficial de desmatamento do país,
foram apresentados no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e ainda
são considerados prévios.
A análise continua sendo
feita e, de acordo com Cláudio Almeida, coordenador do programa de
monitoramento do INPE, o número final deve ser apresentado até fevereiro, mas a
variação não deve ser maior do que 5%.
Em 2019, os números do Prodes
deram o primeiro sinal de que a desmatamento no país havia voltado a crescer
significativamente. Na comparação com o período anterior, de agosto/2018 a
julho/2019, o aumento fora de 34,4%, fazendo com que os olhos do mundo se
voltassem novamente para os problemas ambientais no Brasil.
De acordo com os dados do
Prodes de 2020, os Estados do Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia foram os
responsáveis por 87,8% do desmatamento captado pelo Prodes na região da
Amazônia Legal.
O Pará, sozinho, desmatou 5.192 km² de floresta, o equivalente a 46,8% de toda o território desmatado.
Presente à divulgação em São José dos Campos, o vice-presidente Hamilton Mourão, coordenador do Conselho da Amazônia, destacou que os números foram menos ruins do que o esperado, já que se falava em um crescimento de até 20%.
"Não podemos comemorar,
mas isso significa que o trabalho está começando a render frutos",
afirmou, repetindo que a Operação Verde Brasil, que colocou militares para
tentar conter o desmatamento e as queimadas na Amazônia, começou tarde, apenas
em maio. "O resultado provisório significa que precisamos manter a impulsão
do nosso trabalho."
O resultado menos ruim, no
entanto, não foi comemorado por especialistas da área. Gilberto Câmara, diretor
do Grupo de Observação da Terra (GEO, na sigla em inglês), ligado à Organização
das Nações Unidas (ONU), afirmou que a estratégia de levar os militares para a
Amazônia claramente fracassou.
"A estratégia de passar
para os militares claramente não funcionou. Com (Ricardo) Salles (ministro do
Meio Ambiente) estava ruim, piorou com Mourão. Colocaram milhões com os
militares e nada aconteceu de bom", disse.
Câmara chamou atenção para o
fato de os números do sistema Deter, que medem o desmatamento mensalmente,
estarem cada vez mais próximos do Prodes. Segundo ele, os dados do Deter, com
melhoria de tecnologia e da própria equipe, estão cada vez mais precisos e o
governo não precisa fechar o ano para saber onde está o desmatamento.
"Deter já mostrava que estava ruim. Não tem desculpa para não agir antes, não tem falta de dados", afirmou.
ONG Observatório do Clima ressaltou que a taxa deste ano oficializa que o Brasil descumpriu a meta da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), que determinava uma redução do desmatamento a uma taxa de máxima de 3.925 km2 em 2020.
"País está 180% acima da meta, o que o põe numa posição de desvantagem para cumprir seu compromisso no Acordo de Paris (a NDC) a partir do início de 2021. Devido ao aumento do desmatamento, o Brasil deve ser o único grande emissor de gases de efeito estufa a ter aumento em suas emissões no ano em que a economia global parou por conta da pandemia", diz a nota. (noticiasagricolas)



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