A
consolidação do El Niño no segundo semestre de 2026 deve aumentar a influência
da região Sul na formação dos preços de energia no Brasil, relata a Tempo OK.
Com previsão de maior volume de chuvas no Sul, o subsistema ganha peso na
redução da pressão sobre os custos, enquanto outras regiões podem enfrentar
escassez.
Impactos
do El Niño 2026 no Setor Elétrico:
Protagonismo
do Sul: O aumento das chuvas na região Sul tende a aumentar o armazenamento
hídrico, tornando-o um fator determinante para os preços (PLD - Preço de
Liquidação das Diferenças).
Volatilidade
e Contraste: Enquanto o Sul pode ter chuvas acima da média, o fenômeno pode
gerar seca no Norte/Nordeste, exigindo maior despacho termelétrico e gerando
volatilidade.
Formação
de Preços: A definição dos preços ainda dependerá do nível dos reservatórios no
Sudeste e do comportamento da carga, mas o Sul assume papel central no
monitoramento.
Alternativas
Renováveis: A incerteza climática impulsiona a busca por diversificação, com
destaque para a energia solar como alternativa para mitigar riscos de preços
elevados.
Apesar
do alívio hídrico no Sul, a Aneel projeta desafios nos custos gerais de energia
para 2026 devido a encargos setoriais.
El Niño deve impactar a distribuição de chuvas e a dinâmica de preços do setor elétrico brasileiro em 2026, ampliando diferenças regionais e reforçando o papel do Sul na formação de preços.
O subsistema elétrico Sul pode ganhar maior relevância na dinâmica de preços da energia, especialmente em cenários de maior contraste hidrológico regional nos próximos meses com a tendência de consolidação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, segundo análise da consultoria meteorológica Tempo OK.
“O
aumento das chuvas na região pode contribuir para aliviar parte da pressão
sobre os preços da energia. No entanto, a formação de preços ainda depende de
outros fatores estruturais, como os níveis de armazenamento no Sudeste, o
despacho de termelétricas, o comportamento da carga e eventuais restrições
operativas do sistema”, afirma o meteorologista Mateus Nunes, da Tempo OK.
O
El Niño deve alterar o regime de chuvas no país, com concentração de
precipitações no Sul e maior frequência de episódios intensos, enquanto o Norte
das regiões Norte e Nordeste tende a registrar redução de chuvas. O fenômeno
também está associado a temperaturas acima da média em grande parte do país,
especialmente no centro-leste e interior, o que pode elevar a demanda por
energia.
No sistema elétrico, a dinâmica do Sul é influenciada pelas características de seu parque hidrelétrico, composto majoritariamente por usinas a fio d’água, com baixa capacidade de armazenamento e resposta rápida às variações de vazão. Esse perfil permite recuperação mais acelerada em períodos chuvosos.
Inflação em 2026: El Niño pode levar bandeira vermelha, subir conta de luz e pressionar alimentos.
Além
da guerra com o Irã, El Niño forte pode apertar a inflação no Brasil em 2026:
energia mais cara, risco para alimentos e alerta sobre bandeiras vermelhas
colocam o governo em atenção máxima já.
Segundo
dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a energia armazenada
(EAR) no subsistema Sul estava em 29,35% em 23/04/2026. “Mesmo após um
março menos favorável, a recuperação pode ocorrer em poucas semanas com a
consolidação do El Niño”, diz o meteorologista.
Esse
comportamento tende a ampliar a volatilidade e gerar diferenças mais marcadas
entre os submercados. “Devemos observar um descolamento de preços do Sul em
relação às demais regiões, refletindo as diferenças hidrológicas ao longo do
período”, afirma o meteorologista.
Com isso, o intercâmbio energético entre submercados pode ganhar relevância, condicionado à disponibilidade de transmissão e à otimização operativa do sistema. O Sul pode assumir papel mais ativo no atendimento da demanda do Sudeste em momentos de maior pressão sobre a carga. Ainda assim, a resposta rápida dos reservatórios também pode intensificar oscilações de curto prazo. “Dependendo da evolução das chuvas, o Sul pode contribuir pontualmente para moderação de preços, mas seus efeitos dependem da integração operativa com o restante do SIN, especialmente das condições estruturais do Sudeste/CO.”, acrescenta.
Economia brasileira sente El Niño entre exportações, trigo e turismo, com reflexos no campo, nos preços e na atividade regional.
Pouca
gente sabe, mas El Niño, chuvas intensas e extremos climáticos podem mexer
diretamente com a economia brasileira em 2026, influenciando safras de
commodities como soja, milho e trigo, afetando exportações, preços dos
alimentos e até o ritmo de setores como turismo.
Apesar
de o oceano ainda se encontrar em condição de neutralidade, já há sinais
consistentes de formação do El Niño, com o aquecimento das águas do Pacífico equatorial,
especialmente em sua porção leste, próximo à América do Sul. De acordo com a
Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a probabilidade do
fenômeno é de 61% entre maio e julho.
A
Tempo OK projeta que o evento ganhe força ao longo do segundo semestre,
atingindo intensidade forte a muito forte, com pico previsto para novembro.
O
meteorologista destaca eventos recentes têm ocorrido em intervalos
relativamente menores, embora sua recorrência continue sujeita à variabilidade
climática natural. “Tivemos El Niños em 1982/83, 1997/98, 2015/16 e 2023/24.
Agora, há expectativa de um novo evento em 2026/27, indicando um intervalo mais
curto entre ocorrências recentes”, afirma.
O cenário ainda é incerto e depende da forma como o El Niño se consolidará nos próximos meses, além da interação com outros sistemas climáticos, como o comportamento do Oceano Atlântico. “Por isso, o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas é essencial para reduzir incertezas e apoiar a avaliação de possíveis impactos no setor elétrico”, completa o meteorologista.
Entre junho e agosto/2026, o Oceano Pacífico Equatorial deve entrar em processo de aquecimento, abrindo espaço para a possibilidade de atuação do El Niño. A chance de ocorrência do fenômeno aumenta gradualmente e pode superar 60% entre agosto e outubro/2026.
Ao
mesmo tempo, a expectativa para o Brasil é de um inverno menos rigoroso, mais
quente do que o de anos anteriores e com aumento na frequência de chuvas. Esse
conjunto já basta para colocar o setor produtivo em alerta.
(pv-magazine-brasil)





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