Nos últimos anos, a produção
de lixo cresceu três vezes mais rápido que o número de habitantes, das 5.570
cidades brasileiras, quase metade não tem um plano integrado para o manejo do
lixo. Este grande desafio deverá ser assumido e enfrentado pelos prefeitos
eleitos este ano, já que o governo estendeu o prazo da erradicação para 2021.
Os danos causados pelo descarte incorreto em lixões são inimagináveis, pois sempre desencadeiam novos problemas não somente para o meio ambiente e a saúde da pública, mas para os cofres públicos que somam um prejuízo anual de mais de R$ 3,6 bilhões, valor gasto para reverter danos ambientais e tratar dos problemas de saúde causados pelos impactos negativos dos resíduos.
Além da contaminação do solo, do lençol freático, produção de gases tóxicos, mau cheiro e atração de animais que transmitem doenças, muitas pessoas tiram seu sustento desses locais insalubres, recolhendo o lixo para reaproveitar os materiais, sujeitando-se a contrair doenças de pele e parasitárias. Em escala global, somente em 2016, mais de 750 pessoas morreram devido à gestão precária de resíduos sólidos em lixões – uma violação aos direitos humanos.
Maior impedimento para tratar
o lixo é a falta de recursos das cidades para elaborar um plano de manejo dos
lixões. Os investimentos necessários para dar destinação adequada aos resíduos,
em atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos, demandam cerca de um
terço do prejuízo anual, segundo relatório da Associação Internacional de
Resíduos Sólidos (ISWA). Ou seja, não resolver os problemas possui um custo
financeiro superior quando comparado ao valor para inserir alternativas
ambientalmente adequadas.
Ainda de acordo com um estudo da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), o Brasil necessita de aproximadamente 500 aterros sanitários para erradicar os lixões, podendo ser todos construídos com um investimento de R$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 63,40 per capita).
Se em 2021 não tivermos um sistema de gestão, planejamento, recursos financeiros, apoio e ações governamentais, a erradicação dos lixões será novamente postergada e quem arcará seremos todos nós, sem exceção.
Impactos podem não ser sentidos por todos hoje, mas devem acometer grande parte da população mundial daqui alguns anos. (ecodebate)



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