7 grandes cadeias de supermercado francesas, Carrefour,
Casino, Auchan, Lidl, Système U, Mousquetaires e Leclerc, anunciaram em
18/11/20 que incorporarão a partir de janeiro/2021 cláusulas de não
desmatamento vinculado à soja aos termos contratuais de seus fornecedores.
Particularmente,
os distribuidores querem cobrar que seus fornecedores parem de usar a soja
produzida em terras desmatadas do Cerrado, a principal região no Brasil que
está sendo desmatada para essa produção. O compromisso abrange tanto o
desmatamento ilegal quanto o legal, ou seja, aquele autorizado pelo Código
Florestal Brasileiro, e proíbe importação de soja de áreas do Cerrado
desmatadas após o dia 1 de janeiro de 2020.
Com
mais de 3 milhões de toneladas de farelo de soja importadas a cada ano do
Brasil para alimentação animal (aves, suínos, produtores de leite), o consumo
de soja na França representa a maior contribuição do país para a destruição de
florestas e ecossistemas em outros países, como o Brasil.
“Este
manifesto representa uma abordagem única, graças aos distribuidores franceses”,
declara Bertrand Swiderski, Diretor de Responsabilidad Social Corporativa do
Grupo Carrefour. “Coletivamente temos mais peso para atuar, convocamos todos os
atores da cadeia de abastecimento a se unirem a nós para lutarmos juntos contra
o desmatamento e a conversão de terras ligados à cultura soja.”
“O manifesto dos supermercados é um movimento muito importante do mercado, porém, para ser eficaz, essa movimentação voluntária deve se traduzir rapidamente na implantação de planos de ações consistentes”, explica Klervi Le Guenic, responsável pela campanha da Canopée, uma organização social francesa. “Para Lidl, Système U e Auchan, isso já está feito; os outros devem agora seguir essa dinâmica positiva. Em breve publicaremos uma análise dos diferentes comprometimentos dos supermercados”.
Colheita de soja em Mato Grosso.
Supermercados
da França anunciam bloqueio à soja ligada ao desmatamento.
Regra
visa proteger o Cerrado brasileiro, um dos biomas mais devastados para o
cultivo de soja.
Para
Etelle Higonnet, coordenadora de Mighty Earth, uma organização que trabalha
para reduzir o desmatamento de florestas tropicais, os supermercados franceses
finalmente ouviram os consumidores. Ela destaca uma pesquisa que mostra que 9
de cada 10 franceses estão mobilizados contra o desmatamento e são a favor de
ações concretas e firmes.
“Porém,
até agora, algumas empresas de grande importância ainda não se uniram ao
manifesto, incluindo os fornecedores de soja Cargill e Bunge, que têm o poder
de interromper as importações de soja responsáveis pelo desmatamento”, diz
Higonnet. “Esperamos igualmente um comprometimento dos traders de soja menos
implicados no desmatamento, como COFCO e Louis Dreyfus. Caso contrário, as
empresas francesas deverão suspender seus contratos com eles a partir de 01/01/2021.”
Higonnet
também destaca que a Mighty Earth publicou um apelo a todos os traders de soja
e a todas as empresas que utilizam a soja para alimentação animal, para
produção de carne e laticínios e para o setor de restaurantes para que assinem
o manifesto.
Em
Setembro de 2020, a Canopée publicou um relatório realizado por seu Conselho
Científico e Técnico que sugere encerrar as importações de soja que acarretem
risco de desmatamento.
“O manifesto que assinamos hoje representa a continuidade desse trabalho e a reivindicação pela aceleração de sua implementação” explica Sylvain Angerand, coautora do relatório. “Está claro para nós que a estratégia nacional de luta contra o desmatamento importado se encontra num impasse, devido à falta de recursos, de compromissos políticos significativos e ao excesso de confiança em comprometimentos voluntários”.
Supermercados franceses anunciam bloqueio à soja ligada ao desmatamento.
Para Angerand, com a criação do manifesto, a bola agora está com o governo. “Soluções técnicas existem, e os protagonistas estão prontos para se envolver. É necessário apoiar essa dinâmica para criar uma estrutura mais rígida para todas as empresas, particularmente aquelas que respondem à lei de diligência prévia, mas que não adotaram nenhuma medida séria de luta contra o desmatamento importado”. (ecodebate)



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