Um
estudo publicado na revista The Holocene em 25/11/2020 traz descobertas
surpreendentes realizadas após o derretimento de 70% da geleira Langfonne nos
últimos 20 anos. O local, situado nas montanhas Jotunheimen, na Noruega, é um
reduto de dezenas de flechas milenares que até então estavam ocultas sob o
gelo.
Em
2006, no mesmo lugar, um sapato de 3.300 anos, do início da Idade do Bronze,
havia sido descoberto. A partir de então, deu-se início ao trabalho de campo
que originou programa Secrets of the Ice (Segredos do Gelo), dedicado a revelar
os tesouros perdidos sob a superfície congelada.
Langfonne
tem agora apenas 10% da extensão máxima do gelo durante a Pequena Idade do Gelo
(1450-1920 d.C). Seu derretimento faz parte de um padrão de recuo das geleiras
de montanhas a Noruega e no mundo todo devido ao aquecimento global.
Sapato de 3.300 anos descoberto na região.
Segundo os pesquisadores, Langfonne era um antigo local de caça de renas. Durante a última expedição, foram recuperadas 68 flechas que datam da Idade da Pedra até o Período Medieval. As mais antigas têm cerca de 6 mil anos.
Ponta de flecha de 4.000 anos.
Além disso, foram encontrados sapatos datados da Idade do Bronze e restos de animais, como chifres de renas e alguns ossos, que não tiveram interferência humana. "Registramos cuidadosamente a posição de cada descoberta no campo usando um GPS de alta precisão. Também temos 102 achados datados por radiocarbono, incluindo quase todas as flechas. Isso resultou em um registro arqueológico muito detalhado e revelou padrões misteriosos no local", disse o autor do estudo, Lars Pilø, em artigo no site da expedição.
Região de Langfonne e a mancha de gelo que ainda lhe resta.
Foram descobertos muitos artefatos em frente à borda inferior do gelo. A maioria está mal preservada, enquanto os achados nas laterais da geleira e acima da borda superior estão mais intactos. Os objetos datados da Idade da Pedra aparecem na superfície do gelo ou muito perto da borda.
Mapa relata as descobertas realizadas pelas equipes.
Os estudiosos também descobriram seis flechas datadas de 4.000 a.C que infelizmente estão muito mal preservadas. A razão não é apenas a idade, mas a forma como foram conservadas embaixo das geleiras. Eles acreditam que os materiais foram deformados pelo próprio peso do gelo, que os esmagou.
Flecha de 1.300 anos encontrada na região.
A
análise mostra também que o movimento e derretimento do gelo, a água do degelo
e o vento deslocaram a maioria dos objetos. Eles foram expostos na superfície
do gelo mais acima na encosta e danificaram durante o transporte o degelo para
baixo da encosta, até que acabaram no solo. Assim, as flechas na frente do gelo
não indicam onde a caça ocorreu.
Já
as setas encontradas acima da borda superior do gelo provavelmente mostram mais
diretamente o local onde os caçadores conduziram sua atividade. Elas estão mais
bem preservadas e metade ainda preserva sua ponta. "Há também uma linha de
gravetos a nordeste da mancha de gelo que parece estar no lugar. Isso mostraria
onde os caçadores da Idade do Ferro bloquearam a saída para as renas",
dizem os autores.
A equipe acredita que o derretimento do gelo nos próximos anos ainda revelará outros segredos da região. Por isso, o monitoramento seguirá sendo feito.
Haste de flecha datada de 4.100 a.C. (revistagalileu)






Nenhum comentário:
Postar um comentário