sábado, 5 de dezembro de 2020

Um quinto dos países corre risco de colapso ecossistêmico

A floresta precede os povos. E o deserto os segue” - François-René Chateaubriand (1768-1848)

Um quinto dos países corre o risco de colapso de seus ecossistemas devido à destruição da vida selvagem e de seus habitats naturais, de acordo com análise da seguradora Swiss Re.
Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BES) incluem necessidades como fornecimento de alimentos, segurança da água e regulação da qualidade do ar, que são vitais para manter a saúde e estabilidade das comunidades e das economias.

Mais da metade (55%) do PIB global, equivalente a US$ 41,7 trilhões, depende da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos de alto funcionamento. No entanto, um quinto dos países do Globo (20%) corre o risco de seus ecossistemas entrarem em colapso devido a um declínio na biodiversidade e serviços benéficos relacionados, segundo o Instituto Swiss Re.

O estudo, que é baseado no Índice de Serviços do Ecossistema, mostra que tanto o desenvolvimento quanto o avanço das economias estão em risco. O relatório encontra países em desenvolvimento que têm uma forte dependência de setores agrícolas, como Quênia ou Nigéria, são suscetíveis a choques do BES e de uma série de questões de biodiversidade e dos ecossistemas.

Entre as economias do G20, África do Sul e Austrália lideram o ranking de países frágeis no BES. O conhecido impacto da escassez de água é um motivador para esses países, ao lado de fatores como proteção costeira e polinização. Brasil e Indonésia possuem a maior porcentagem de ecossistemas intactos dentro do G20. No entanto, a forte dependência econômica dos países de recursos naturais, destaca a importância do desenvolvimento sustentável e da conservação para a sustentabilidade de longo prazo de suas economias, segundo a Swiss Re.

Cabe notar que toda esta análise não foi feita por ambientalistas contrários ao sistema econômico hegemônico, mas sim é um alerta lançado por uma instituição do centro do poder financeiro internacional. Isto mostra a gravidade da perda da biodiversidade no mundo.

Um levantamento publicado no dia 05 de novembro pelo IBGE mostrou que 20% das espécies brasileiras de animais e plantas estavam ameaçadas em 2014 – quase 3,3 mil. Desse total, 1.989 estavam na Mata Atlântica, o bioma mais afetado. A pesquisa “Contas de Ecossistemas” analisou a situação da biodiversidade no país, a partir das espécies de fauna e flora listadas pelo Centro Nacional de Conservação da Flora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CNCFlora/JBRJ) e pelo ICMBio.

Relatório Planeta Vivo 2020, divulgado em 10/9/20 pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), mostra que o avanço do processo de crescimento contínuo da produção e consumo de bens e serviços ao bel-prazer da humanidade tem provocado uma degradação generalizada dos ecossistemas globais e gerado um ecocídio da vida selvagem que sempre existiu no planeta muito antes dos seres humanos.

Um em cada 5 países pode estar caminhando para o colapso ambiental.

Enquanto a população humana passou de 3,5 bilhões para cerca de 7,5 bilhões de habitantes, as populações de vertebrados silvestres, como mamíferos, pássaros, peixes, répteis e anfíbios, sofreram uma redução de 68% entre 1970 e 2016. Sem dúvida, o ecocídio é também um suicídio. (ecodebate)

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