A operação de Garantia da Lei
e da Ordem (GLO) das Forças Armadas na Amazônia, a Verde Brasil 2, tem como
objetivo auxiliar em ações contra delitos ambientais praticados na região, que
abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e parte
dos estados de Mato Grosso, do Tocantins e do Maranhão.
O analista ambiental do ICM
Bio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Denis Rivas, em
entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que são instituições como o IBAMA e o
Instituto Chico Mendes que têm a experiência de detectar os locais onde estão
ocorrendo os crimes de desmatamento em curso de fato.
De acordo com ele, os
militares seguem diretrizes vindas da presidência de não queimar, destruir,
equipamentos que estão em prática de crime ambiental.
"O governo tem insistido de continuar com a Operação Verde Brasil ou a Garantia da Lei e da Ordem [GLO] para o resto do período do governo, então a gente está vendo que eles não têm intenção de fortalecer os órgãos ambientais que de fato têm essa missão de combater os ilícitos ambientais", destacou.
A opção do governo federal por militares fiscalizando estradas e rios, sancionada pela Garantia de Lei e Ordem para a região, sai mais cara que as medidas comuns adotadas pelo IBAMA.
Denis Rivas, que também atua
como presidente da Ascema (Associação Nacional dos Servidores da Carreira de
Especialista em Meio Ambiente) observou que a operação dos militares é
extremamente custosa.
"Um mês de Garantia da
Lei e da Ordem equivale a praticamente um ano de toda a fiscalização do IBAMA,
então a operação GLO não se mostra uma estratégia das mais inteligentes no
combate ao desmatamento. É uma opção ideológica do governo acionar os
militares", argumentou o especialista.
De acordo com ele, a operação
militar nesse caso se justifica no sentido de "dar uma resposta à opinião
pública".
"Mas os dados dos
satélites não mentem, o desmatamento só tem aumentado em 2019 e 2020. Se
continuar essa estratégia, 2021 a gente vai continuar a ver esse cenário de
descontrole do desmatamento se repetir", afirmou Denis Rivas.
O analista ambiental lembrou ainda que o vice-presidente Hamilton Mourão chegou a declarar que o governo pretende impor uma nova doutrina no IBAMA e no ICM Bio.
Militares criticam falta de recursos contra desmatamento, mas usam dinheiro para pintar unidades.
Apesar de haver batalhões
paralisados sob a alegação de falta de dinheiro, operação Verde Brasil 2 tem
financiado a pintura de unidades da Marinha, inclusive em bases sem relação com
a região amazônica.
"A doutrina que é
seguida nesses órgãos é o cumprimento da legislação ambiental. Então parece que
é esse o problema para o governo federal, não ter o interesse de fazer cumprir
as leis de proteção ao meio ambiente", completou. (sputniknews)



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