Sem intervenções, até 2050,
os danos das mudanças climáticas chegarão aos 8 trilhões de dólares. Cada
tonelada de CO2 liberada na atmosfera custa US$ 40.
A opinião é de Gernot Wagner,
professor de Economia do Clima na Universidade de Nova York.
As consequências econômicas
das mudanças climáticas estão se tornando cada vez
mais desastrosas, assim como os efeitos físicos evidentes para todos: geleiras
que derretem, incêndios catastróficos, secas e eventos climáticos extremos
nunca antes vistos.
É difícil fazer uma conta exata,
mas em 2019 os efeitos econômicos diretos das mudanças climáticas foram
calculados em pelo menos US$ 100 bilhões. Até 2050, os danos poderiam chegar
aos US$ 8 trilhões, reduzindo uma parcela líquida do PIB mundial que pode
variar entre 2% e 10%, e ainda pior para os países mais pobres.
De fato, ano após ano os
efeitos se acumulam e aumentam de forma calculável com as funções da
econometria. Deve-se ter em mente que, em uma progressão exponencial, um mais
um não é dois, porque os efeitos se acumulam de acordo com um esquema de
progressão que leva em conta os danos consolidados e adquiridos no período
anterior. Assim como os juros compostos de uma dívida.
E, na realidade, estamos
verificando uma situação idêntica nestes meses com as trágicas estatísticas da
pandemia da Covid-19: se uma pessoa doente infecta outra, a proporção é de um
para um. Mas, se essas duas pessoas vão para o meio do povo, elas infectarão
não apenas duas outras, mas várias delas, e assim por diante, à medida que cada
vez mais infectados entram em circulação.
Mas voltemos aos efeitos do
CO2: o crescimento exponencial vale tanto para os efeitos físicos
propriamente ditos quanto para o custo deles. Se os efeitos de amplo espectro
sobre toda a economia são difíceis de calcular, estamos tentando ao menos
identificar um “custo” unitário para poder cobrá-lo de quem polui, na esperança
de que polua menos.
O pressuposto é de que é
preciso intervir para reverter a curva da escalada, em uma escala grande e
muito grande. Infelizmente, as intervenções “individuais” são muito louváveis
do ponto de vista ético, mas não incidem de modo decisivo sobre a extensão do
problema global. Podemos ensinar os nossos filhos a fecharem a torneira
enquanto escovam os dentes e a usarem mil outros expedientes para salvaguardar
os recursos naturais; podemos separar o lixo com o maior cuidado, podemos
cobrir todo o telhado da casa com painéis fotovoltaicos e comprar um carro
elétrico, mas todas essas intervenções têm uma incidência mínima sobre o
problema dos problemas, ou seja, as emissões de dióxido de carbono na
atmosfera, que devem ser cortadas drasticamente, começando pelos grandes
poluidores industriais.
O problema afunda as suas
raízes na noite dos tempos. A primeira tentativa de fixar o preço das emissões
– neste caso, quem estava sob acusação era o carvão – data de nada menos do que
1306, na Inglaterra. O rei Eduardo I certamente não estava preocupado com as
mudanças climáticas, mas enfrentava um problema igualmente incômodo: o ar
estava fortemente poluído pelo uso de uma variedade de carvão, o chamado
“sea-coal”, particularmente poeirento e sufocante. No fim, o rei acabou banindo
esse tipo de carvão e ameaçou os infratores com a pena de morte. Dada a
severidade da sanção, a norma funcionou no início, mas logo começaram a pressão
dos lobbies daqueles que vendiam carvão, e, no decorrer de não muitos anos, os
efeitos benéficos desapareceram.
Dando um salto à frente de
mais de 600 anos, chegamos a 1965, quando chegou sobre a mesa do presidente
estadunidense Lyndon Johnson o primeiro relatório da história sobre mudanças
climáticas. A autoria era de um grupo de pioneiros da nova ciência:
economistas, cientistas e ambientalistas. Entre eles Charles Keeling, cuja
“Curva de Keeling” foi a primeira a explicar o mecanismo exponencial que eu
mencionei no início, aquela que demonstra a irresistível escalada, cada vez
mais íngreme devido ao efeito acumulado, do CO2 na atmosfera.
O relatório estabelecia
claramente a nocividade das emissões de combustíveis fósseis, projetava os
futuros resultados, desde a elevação dos mares até a acidificação dos oceanos.
O preço? Felizmente, estava longe do infinito, mas era superior a zero.
Infelizmente, nenhuma iniciativa política se seguiu a esse alerta, nem aos
muitos outros dos anos seguintes.
E assim chegamos até hoje e a uma situação cada vez pior. O verdadeiro problema é que, conforme se avança, é preciso diminuir o gradiente do aumento de temperatura. William Nordhaus, economista da Universidade de Yale, que nos anos 1990 delineou efetivamente a relação entre crescimento econômico e aquecimento da atmosfera (e recebeu um Prêmio Nobel tardio em 2018 por esses seus estudos), falava de um aumento de 3°C até 2100 em comparação com a era pré-industrial. Mas a realidade posterior demonstrou que tal aumento seria desastroso para a humanidade e se deveria permanecer na metade desse valor.
Mudanças climáticas podem acabar com a civilização até 2050.
"Há um risco existencial
para a civilização com consequências permanentes para a humanidade que nunca
poderão ser desfeitas".
Cada dia que passa sem que sejam tomadas e acordadas iniciativas concretas por todos os países industrializados só piora a situação. (ecodebate)



Nenhum comentário:
Postar um comentário