O excesso de habitantes esteve
ausente das discussões nos últimos 50 anos, desde a controvérsia entre Barry Commoner
e Paul Ehrlich, em 1968, e da edição do livro “Os Limites do Crescimento”, em
1972. Mesmo recentemente, o tema não foi lembrado durante a COP-21, Conferencia
de Paris de 2015, quando 190 países chegaram ao consenso de que a temperatura
média do planeta não deve ultrapassar 2ºC até o final do Século XXI.
A percepção que a
desregulação ecológica planetária está cada vez mais aguda abriu espaço para o
fortalecimento de hipóteses acerca do colapso de nossa sociedade termo
industrial, do decrescimento econômico e do controle demográfico mundial. Bem
como consolidou a convicção de que as transformações ecológicas e ambientais
não são mais ameaças para as futuras gerações, como a ecologia política supunha
há 15 anos, mas são fenômenos em curso, embora se desconheça a intensidade e
progressividade da evolução. As mudanças climáticas avançam mais rapidamente do
que as previsões e os efeitos constatados são mais graves, agudos e extremos.
As projeções iniciais do Painel Intergovenamental de Mudanças Climáticas (IPCC)
ficaram aquém da realidade (nível dos oceanos, degelo da banquisa e do
permafrost, retroação positiva, etc.).
O emprego do termo desregulação
ecológica é mais apropriado do que crise ecológica, uma vez que o planeta
caminha irreversivelmente em direção a outro equilíbrio, que desconhecemos,
enquanto que a palavra crise supõe retorno ao “status quo ante”.
Se há consenso sobre a
impossibilidade de manter uma expansão demográfica exponencial em um mundo
finito, pois a terra tem apenas 13 mil quilômetros de diâmetro, distância entre
Montevidéu e Paris, isso não significa que a superpopulação seja uma questão
ecológica central, prioritária. Ainda que a evolução dos números seja
inquietante.
Foram necessários 130 anos para
que a população mundial passasse de 1 bilhão de indivíduos, em 1800, para 2
bilhões de habitantes, em 1930. Em seguida, 33 anos para alcançar 3 bilhões.
Após 1960, houve aumento de 1 bilhão de habitantes a cada 13 anos,
aproximadamente. Hoje, o planeta abriga 7,7 bilhões de pessoas, embora a taxa
de crescimento da população mundial diminua regularmente desde 1970 (Quadro I).
QUADRO I
População mundial entre 1750 e 2100 e taxa de crescimento em %.
Por essa razão, as teses de Thomas Malthus voltaram à superfície com andrajos extraídos da crise ecológica. De fato, o excesso demográfico agrava os problemas ecológicos e ambientais, além de problemas sobejamente conhecidos como a expansão de favelas e megalópoles. No entanto, a interface entre população e degradação ambiental é muito mais complexa, pouco conhecida, gera controvérsias, envolve vários domínios do saber, muito dos quais não dispondo ainda de instrumentos de análise adequados.
Pelo menos dois aspectos geram
controvérsias no campo da ecologia política. O primeiro é relativo ao número de
habitantes que o planeta pode comportar. O segundo remete às propostas de
redução da população mundial.
Análises
prospectivas, quanto a capacidade de suporte da Terra, variam de 1 bilhão a 15
bilhões de habitantes. No primeiro caso, supõe-se que o planeta abrigaria uma
população com padrão de vida material semelhante ao que hoje existe nos países
ricos. No segundo caso, a população teria um nível de vida material sóbrio,
compartilharia os recursos naturais e tecnologias com parcimônia e seria menos
urbana.
É impossível vislumbrar quais
serão as características dessas sociedades futuras demograficamente
equilibradas, quais tecnologias utilizarão, se a produção e o consumo serão
destinados apenas ao essencial e necessário, ou se haverá abundância material
em proveito de uma população reduzida. Estamos muito longe de formular um
esboço tangível do que será uma sociedade futura descarbonizada, movida por
energias renováveis, que limite a perda de biodiversidade, que seja moderada no
uso de recursos renováveis e não renováveis, capaz de recuperar os meios
naturais degradados e com número de habitantes compatível. São especulações
sobre o porvir sem possibilidades de comprovação.
As correntes da ecologia
política que consideram a superpopulação como uma variável central ignoram
inúmeros componentes que causam o processo de degradação da natureza. A
incompreensão simplista as conduz a designar grupos humanos como estando em
demasia no planeta. Trata-se de uma postura no mínimo abjeta, quando não racista,
segregacionista e excludente. Não hesitam em apontar habitantes do continente
africano e de países asiáticos como séria ameaça.
Utilizam o aumento numérico da
população como único critério. Argumentam que é preciso reduzir o número de
habitantes dos países que apresentam taxas de natalidade elevadas, leia,
pobres. Ou seja, os países cujas emissões de gases de efeito estufa (GEE) e o
consumo de massa são pouco significativos. E as mulheres seriam, evidentemente,
o principal alvo da planificação familiar. Não lhes vem ao espírito
vasectomizar os varões ricos. Abreviando, trata-se de visão estreita que aponta
o outro como sendo excedente no planeta. “L’enfer c’est l’autre!”,
parafraseando Sartre.
Ora, é inegável que existe uma
correlação entre população e as pressões que ela exerce sobre o meio natural.
Mas, as degradações são resultantes de diversas variáveis interdependentes, de
outras grandezas mais relevantes do que a demográfica. Por exemplo, de 1800 até
2015, a população mundial aumentou por um fator da ordem de 6,5 vezes. Mas, o
consumo de energia aumentou por um fator 50 vezes, enquanto que o capital por
134 vezes.
Os impactos negativos das
atividades humanas (indústria, agricultura, transporte, energia…) sobre o meio
natural vivo e inanimado (água, ar, solos, fauna, flora, ecossistemas…)
dependem de variáveis como, o número de habitantes, as diversas formas de
produção e consumo de bens e serviço (riqueza), a tecnologia, entre outras.
Além do mais, as formas de produzir e consumir provocam impactos negativos
muito diferenciados. Por exemplo, os danos ao ar, água, solo, etc. causados por
um curtume não são os mesmos ocasionados pela siderurgia, pecuária, internet,
refrigeração… Além disso, é necessário considerar dois importantes fatores: o
alcance geográfico do dano e a magnitude, amplitude ou dimensão da degradação.
No final dos anos 1960, a
querela Commoner versus Ehrlich, deu origem a equação I=PAT, na qual I (danos),
é igual ao produto de P (população), por A (riqueza) e por T (tecnologia). No
entanto, essa equação é insuficiente para avaliar as degradações.
Do ponto de vista geográfico,
um dano ecológico pode ser local, regional ou global. Uma árvore cortada no
quintal provoca um impacto local. Mas, a destruição de um bioma florestal como
a Amazônia (ecossistemas de grandes zonas biogeográficas submetidas a um clima
particular) provoca um dano global. Um veículo movido a motor térmico, ao
percorrer 100 metros, ocasiona tanto uma degradação local e/ou regional, quanto
global. Dano global, porque a combustão de energia fóssil emite dióxido de
carbono (CO2), gás de efeito estufa (GEE) não tóxico responsável
pelo aquecimento global. Local e/ou regional, porque a combustão emite diversos
poluentes e partículas tóxicas de efeito circunscrito, como o SO2,
NOx, PM2.5, COV, CH4, CO, Pb, Hg… A conhecida poluição do ar que
afeta aglomerações urbanas e industriais, responsável por 8,8 milhões de óbitos
anuais no mundo.
A magnitude ou dimensão dos
danos ao meio natural é um fator extremamente importante. A degradação pode ser
reparável, ou regenerável, como no caso de uma árvore abatida que pode ser
substituída por outra, como também pode ser irreversível, irreparável, como no
caso do CO2, principal GEE lançado por motores térmicos, substância
cumulativa que perdura séculos na atmosfera. Também, a aniquilação de um bioma
terrestre ou aquático e a perda de biodiversidade têm caráter irremediável,
irremissível. A sociedade termo industrial, infelizmente, caminha rapidamente
em direção dessa irreversibilidade.
Um outro aspecto a ser
considerado reside no fato de que os seres humanos não são iguais face às
pressões que eles mesmo exercem sobre a natureza. Um caçador coletor de uma
tribo isolada da Amazônia não provoca o mesmo tipo de dano que um banqueiro de
Wall Street. Não é necessário um desenho para compreender essa afirmação, “ça
va de soi”. Como, também, não são iguais diante dos sofrimentos ocasionados
pelas degradações. Por exemplo, o impacto negativo do aquecimento global sobre
o modo de vida da etnia Tuaregue é muito mais grave e intenso do que o
suportado pela população do Quartier Latin; embora a contribuição dessa última
para o aquecimento global seja superior a produzida pelos berberes nômades do
Saara. Na realidade, os danos provocados pelas atividades humanas são bastantes
diferentes, variam segundo as características dos grupos humanos, de seus modos
de vida, do que e de como produzem e consomem, de como se alimentam, divertem,
transportam, habitam, vestem, rezam, etc.
Por essas razões, constatar que
há relação entre a população e a pressão que a população exerce sobre a
natureza não autoriza nenhuma corrente da ecologia política afirmar que
determinado grupo social está em demasia no planeta. Nem tampouco assinalar
qual grupo merece permanecer sobre a face da Terra. Do ponto de vista ético e
filosófico, ecológico e político não existe ninguém que esteja em sobre número
no globo terrestre.
Como também foi assinalado, o impacto nocivo depende dos recursos empregados e de sua apropriação. Assim, quanto maior for o volume de matérias primas e de energia empregadas para satisfazer as necessidades de uma população, mais intensa será a transformação operada na natureza. A energia é uma grandeza física com a propriedade de modificar o estado de um sistema. Ela altera a temperatura de um recinto, a forma de um objeto, a velocidade de um corpo, a composição da matéria, etc. Quanto mais energia for empregada em um sistema, maior será a transformação desse sistema. Em consequência, quanto mais energia for injetada para produzir e consumir bens e serviços, maior será a transformação provocada no meio natural biótico e abiótico. E hoje, infelizmente, nós injetamos uma quantidade de energia superior ao que o sistema terrestre pode absorver.
As medidas de energia e de emissões de GEE, entre outras de cunho físico, químico e biológico, são excelentes indicadores das pressões que a humanidade exerce sobre o meio natural. São índices muito superiores aos econômicos que se revelam inadequados para avaliar as enormes transformações ecológicas.
A sociedade termo industrial,
iniciada com a invenção da máquina a vapor, em 1777, alcançou um elevado nível
de intervenção na biosfera, atmosfera, litosfera, hidrosfera/criosfera. Em
apenas 150 anos, houve intensificação brutal dos níveis de interferência no
meio natural – fenômeno jamais ocorrido desde o surgimento do gênero Homo,
nossos ancestrais. Ao mesmo tempo, nunca se produziu tanta riqueza, tantos bens
e serviços como nesse curto período da História.
Nem toda a população da Terra
desfruta da riqueza construída pela sociedade termo industrial. Apenas uma
parte está integrada a ela. A população mundial que desfruta da sociedade de
consumo de massa é hoje da ordem de 4,8 bilhões de indivíduos, sobre um total
de 7,7 bilhões de habitantes. Em 1980, ela era em torno de 1,8 bilhão de
pessoas, para uma população total de 4,5 bilhões. Foram absorvidos 3 bilhões de
habitantes em 40 anos. Fato que explica o elevado grau de degradação que hoje
afeta o meio natural.
A humanidade está diante de um
impasse insolúvel: manter a população já integrada e, ao mesmo tempo, estender
a inserção ao restante excluído, mas sem intensificar a transformação do meio
natural. Estamos diante de uma impossibilidade determinada pelas leis da
natureza. A integração já alcançada foi suficiente para acender a luz vermelha
de todos os indicadores ambientais que crescem exponencialmente (biológicos,
químicos, hídricos, físicos, produtivos, geológicos, minerais, energéticos).
Basicamente, a população integrada a sociedade termo industrial é a principal
responsável pelas grandes modificações, com diferentes graus de inserção.
O consumo de energia primária e
as emissões de GEE, particularmente do CO2, são preciosos
indicadores da desregulação ecológica.
O consumo anual médio de
energia primária de um habitante dos Estados Unidos é de 6,9 toneladas
equivalente petróleo (TEP/habitante/ano). O de um habitante da Europa Ocidental
é inferior a 4,0 TEP/habitante/ano. Ou seja, o consumo de um europeu é 42%
inferior ao de um norte-americano. Mas, o nível de vida material de ambos é
semelhante. Portugal, por exemplo, dispõe de indicadores sociais melhores do
que os dos Estados Unidos, não obstante dispor de um PIB per capita 65%
inferior e consumir 2,1 TEP/habitante/ano. Portanto, há muito espaço para
redução do consumo de energia. O Brasil consome 1,6 TEP/habitante/ano.
Mas, a diferença é gritante
quando comparamos aos países pobres. O consumo médio de um habitante do
Bangladesh é de 0,25 TEP/habitante/ano (73% dos habitantes são rurais). O país
abriga metade da população dos Estados Unidos e cada habitante consome 28 vezes
menos energia do que um norte-americano.
O mesmo ocorre com as emissões
de CO2 de origem antrópica, o principal GEE. Segundo Oxfam (2020),
os 10% mais ricos do planeta emitiram 52% do total de CO2 acumulado
na atmosfera entre 1990 e 2015. Refinando a análise, o 1% mais rico é
responsável por 15% das emissões de CO2 acumuladas. Enquanto que os
50% mais pobres respondem por apenas 7% das emissões de CO2
acumuladas; ou seja, contribuíram para o aquecimento global com a metade das
emissões do 1% mais abastado. Isto posto, não é absurdo afirmar que se a
população mais pobre não existisse, o aquecimento global continuaria
imperturbavelmente sua nefasta trajetória ascendente. A emissão total mundial
de CO2, em 2017, foi de 37 giga toneladas (Gt).
Comparativamente, as
degradações causadas pela sociedade termo industrial são muito superiores às
provocadas pela agricultura camponesa mundial. A população agrícola (moderna e
tradicional) é o contingente mais numeroso de trabalhadores do planeta: em
torno de 2,8 bilhões de habitantes, 38% da população mundial. A maior parte
prática a pequena produção agrícola camponesa, vive em autarquia, são sistemas
de produção autônomos com poucas trocas com o exterior. Esse grupo pertence aos
50% mais pobres da população mundial.
A atividade agrícola, moderna e
tradicional, responde por algo em torno de 30% das emissões totais mundiais de
GEE (CO2, CH4, N2O). Sendo que, 20% do total
mundial provém essencialmente da agricultura e da pecuária moderna (fermentação
entérica de ruminantes, adubos de síntese, esterco, rizicultura, máquinas e
equipamentos), enquanto que os outros 10% provém da modificação do uso do solo
(queimadas, desmatamento, extensão da fronteira agrícola), basicamente
resultantes do processo de transformação de ecossistemas naturais
diversificados (florestas, cerrados, savanas), compostos por uma diversidade de
espécies animais e vegetais, em ecossistemas artificiais, antrópicos mono-específicos.
Os espaços naturais são e estão sendo reduzidos em proveito de culturas de
grãos e pastagens, atividades agrícolas modernas intensivas em máquinas,
insumos, energia (uma das razões do desaparecimento de 60% do número de
indivíduos da fauna selvagem de vertebrados entre 1970 e 2014).
No tocante a superfície mundial
destinada a agricultura, a produção de alimentos para os animais ocupa 77% da
área total (culturas de grãos e pastagens). Os 23% restantes são destinadas a
alimentação humana. Mas, a produção animal responde por apenas 18% das calorias
e 37% das proteínas mundiais. A maior parte dos grãos produzidos no mundo
são destinados à alimentação de animais (ruminantes, suínos, aves, peixes,
etc.) e são produzidos basicamente pela agricultura moderna.
Mas, a eficiência dessa cadeia
trófica muito baixa. Grosso modo, um bovino, se for considerado como uma
máquina, seria um instrumento de transformar biomassa vegetal em biomassa
animal. Mas, com um rendimento reduzido, da ordem de 10% no caso dos
ruminantes. Em outros termos, o animal ingere dez quilos de biomassa vegetal
(grãos e ervas), em matéria seca, para convertê-la em apenas um quilo de
biomassa animal (carne e derivados), em matéria seca. O saldo de 9 kg é
transformado em excremento e calor. A pecuária intensiva e moderna alimenta os
bichos com rações compostas em 80% por grãos (soja, trigo, aveia, milho e
outros) e um pouco de erva. Portanto, uma dieta alimentar humana mais fundada
em vegetais reduziria, ao mesmo tempo, o espectro da falta de alimentos e as
emissões de GEE.
Quanto às características
geográficas e a magnitude dos danos provocados pelas práticas de produção
camponesa, elas são fundamentalmente reparáveis, locais e regionais. A
principal fonte de energia primária consumida é a biomassa vegetal, energia
renovável. Convém destacar que cerca de 1 bilhão de agricultores não dispõem de
eletricidade. O emprego de energias fósseis é irrisório. A moto mecanização é
incipiente, bem como o uso de adubos fósseis, agrotóxicos e outros insumos. A
poluição do solo, água e ar é orgânica, raramente química ou física de difícil
absorção pelo meio natural. Os principais danos ocasionados por essa atividade
tradicional afetam a biodiversidade vegetal e animal e podem ser reparadas,
controladas, minimizadas, contrariamente aos GEE que são cumulativos na
atmosfera.
Quadro II
O consumo anual mundial de todas as fontes de energia primária é da ordem de 14 G/TEP (Quadro II), dos quais 83%, aproximadamente, são fósseis (petróleo: 32%; carvão: 30%; gás natural: 21%). O nuclear e a hidroeletricidade respondem por 4% cada. A biomassa por 6%. As renováveis, solar, eólica e outras estão em torno de 1%. Conter o aquecimento global e as mudanças climáticas significa substituir e reduzir a parte das energias fósseis – esteio da modernidade e de sua opulência. Basta constatar que, entre outros aspectos, que o consumo de petróleo mundial per capita é de 2L/dia, superior ao consumo de água potável por habitante.
Para conter o aquecimento
global em 2ºC no final do século, será necessário reduzir o uso de energia
fóssil em 50%, até 2050. Isso significa reduzir em torno da metade o consumo
mundial per capita de energia primária (1,9 TEP/ano) e as emissões de GEE (no
caso do CO2 4,8 ton./ano). Para conter o aquecimento global em
2°C no final do Século XXI, as emissões globais de GEE devem ser reduzidas pela
metade, até 2050. Nos restam apenas 30 anos para efetuar essa transição
energética e ecológica.
A responsabilidade pela
preservação dos equilíbrios do meio natural é comum a todos habitantes do
planeta. Porém, essa responsabilidade é diferenciada e não se estende apenas às
populações dos países ricos. Ela deve também alcançar os grupos sociais ricos
dos países pobres. Os segmentos da população que se apropriam da maior
quantidade e volume de matérias primas e de energia são os principais agentes
da desregulação ecológica. É necessário reduzir o uso desse substrato natural
sobre o qual repousa a qualidade de vida material de parte da população.
Trata-se da questão ecológica central para conter o aquecimento global,
fenômeno que exige medidas muito mais urgentes do que controle da população,
ainda que a sua redução ou estabilização seja necessária.
A humanidade está diante de uma
impossibilidade física, química, biológica de manter o padrão de produção e
consumo e ao mesmo tempo dar continuidade ao processo de inserção dos 3 bilhões
de habitantes à sociedade termo industrial.
Hoje, a temperatura média do
planeta está apenas 1°C acima da temperatura da era pré-industrial. No entanto,
a humanidade assiste impotente a intensificação dos impactos do aquecimento
global (inundações, secas, ciclones, incêndios, derretimento do gelo, perda de
biodiversidade, etc.).
A dificuldade reside no fato de não haver possibilidade de compatibilizar a necessidade de crescimento permanente do capitalismo com os princípios ecológicos. A como afirma Schumpeter “a destruição criadora constitui a base essencial do capitalismo”. Faltou acrescentar que se trata não apenas de destruir um capital obsoleto em proveito de outro, mais eficiente em termos econômicos, mas que também é um gigantesco processo físico, químico e biológico de transformação de energia e recursos naturais, vivos e inanimados, em dejetos nocivos, dentre os quais os GEE.
O impressionante crescimento da população humana através da história.
Ainda há tempo para mudar a
trajetória. Dispomos de conhecimentos científicos para construir uma sociedade
fundada na sobriedade socialmente compartilhada, livre e justa. (ecodebate)





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