Neste início de ano, o mundo
assistiu estarrecido às imagens de um povo morrendo pela fome e pela falta de assistência
básica, rodeado pela floresta mais rica do mundo. O drama dos Yanomamis,
especialmente das crianças, chocou pelo claro descaso. Uma tragédia silenciosa
para a qual, finalmente, olhamos com mais atenção. Essa atenção pede, também,
uma visão atenta para um dos aspectos desse quadro: o saneamento.
Contaminação das águas das
quais os Yanomamis se servem, especialmente pelo mercúrio usado no garimpo
ilegal, leva a uma série de graves consequências. Consumo d’água traz condições
sérias de saúde, enquanto a fauna dos rios é dizimada por elementos tóxicos.
Condição que afeta não somente essa, mas também outras populações. Em São Gabriel da Cachoeira (AM), cidade mais indígena do Brasil, mais de 90% dos habitantes não têm acesso à água tratada. Além disso, os índices de mortalidade infantil estão entre os piores do país, na casa de 34,6 óbitos por mil nascidos vivos.
Efeitos do garimpo ilegal, do desmatamento e da falta de saneamento básico, que leva mais contaminação a essa e outras comunidades de todas as regiões. E não precisamos ir aos confins da Amazônia para encontrar essa tragédia: em grandes cidades, essa realidade segue presente. Em todo o país, 11 mil pessoas morrem por ano devido à falta de tratamento de água e esgoto, segundo o IBGE.
Na raiz desses problemas,
estão políticas públicas inadequadas e mal aplicadas — ou mesmo a ausência
delas —, que perpetuam quadros que deveriam ser inaceitáveis neste século.
Quase metade da população brasileira ainda não tem acesso ao tratamento de
esgoto, um ciclo que segue prejudicando a saúde e custando vidas.
Não podemos esperar o choque de realidade, como o que vimos com os Yanomami, para fazer o necessário.
Basta de discursos e de repetir o óbvio. É preciso agir efetivamente pelo bem-estar das pessoas, combatendo os desmandos, cumprindo a lei e garantindo qualidade de vida para os brasileiros, no saneamento básico e em outras tantas áreas. Sem isso, seguiremos testemunhas de outras tragédias evitáveis. (ecodebate)



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