sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Novas metas climáticas da China para 2035

Em setembro, o presidente Xi Jinping anunciou a primeira meta absoluta de redução de emissões da história chinesa — entre 7% e 10% até 2035, em relação ao pico projetado. Essa diretriz deverá trazer ao Plano Quinquenal metas mais rigorosas, mecanismos de responsabilização regionais e integração tecnológica.

A China se tornou a nação mais poluidora do mundo. Até 1980, a China emitia muito menos do que os EUA ou a União Europeia. Mas o rápido crescimento demográfico e econômico fez a China superar as emissões da União Europeia por volta do ano 2000 e cinco anos depois superar as emissões dos EUA.

Atualmente, as emissões de carbono da China superam as dos EUA e da União Europeia em conjunto, conforme o gráfico abaixo.
As emissões de carbono da China superam as dos EUA e da União Europeia em conjunto

Porém, o período de crescimento das emissões anuais de carbono da China já ficou para trás. O artigo “Clean energy just put China’s CO2 emissions into reverse for first time” (Lauri Myllyvirta, 15/05/2025), publicado no CarbonBrief, mostra que, pela primeira vez, o crescimento da geração de energia limpa na China fez com que as emissões de dióxido de carbono (CO2) do país caíssem, apesar do rápido crescimento da demanda por energia. A análise dos últimos dados mostra que as emissões da China caíram 1,6% em relação ao ano anterior no primeiro trimestre de 2025 e 1% nos últimos 12 meses.

O crescimento da geração de energia limpa ultrapassou o crescimento médio atual e de longo prazo da demanda por eletricidade, reduzindo o uso de combustíveis fósseis.

As emissões do setor energético caíram 2% em relação ao ano anterior nos 12 meses até março de 2025. Se esse padrão se mantiver, isso anunciará um pico e um declínio sustentado nas emissões do setor energético da China. A tendência de queda nas emissões do setor energético provavelmente continuará em 2025, conforme mostra o gráfico abaixo:

Em 24/09/2025 a China anunciou a nova meta climática do país, conhecida como Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC na sigla em inglês), prometendo reduzir as emissões de CO2 em até 10% e ampliar a energia limpa para 30%. O presidente Xi Jinping apresentou o plano do país na ONU e defendeu uma “sociedade climaticamente adaptável”.

O líder chinês afirmou que a nação se compromete em reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre 7% e 10% até 2035, expandir as fontes de energia não fósseis para 30% da matriz (o que representa 6 vezes mais do que em 2020) e ampliar a capacidade instalada de usinas eólicas e solares em 3.000 gigawatts. O volume de reservas florestais ultrapassará 24 bilhões m3. Os veículos de novas energias se tornarão predominantes entre os novos carros vendidos e o mercado nacional de comércio de carbono cobrirá os principais setores de alta emissão.

Evidentemente, o pico das emissões da China, a redução das emissões, a grande ampliação das energias renováveis e a restauração florestal são boas notícias vindas do país que mais contribui para a concentração de gases de efeito estufa e para a aceleração do aquecimento global.

Todavia, as metas climáticas da China deveriam e poderiam ser mais amplas. Vários críticos mostraram que as novas metas são tímidas. O aumento dos gastos militares contribui para a continuidade das emissões de CO2. De fato, o esforço na redução das emissões poderia ser mais efetivo.

Contudo, diante do quadro de aumento do negacionismo climático e diante das políticas antiambientais implementadas pelo presidente Donald Trump, as novas metas climáticas da China vão no sentido correto e o esforço na produção de energia renovável contribui para a descarbonização global.

Como mostrei no artigo “As transições demográfica e energética reduziram as emissões de carbono na China”, publicado aqui no Portal Ecodebate (Alves, 17/09/2025), o gigante asiático está conseguindo reverter as tendências passadas das emissões de gases de efeito estufa e, neste esforço, a transição demográfica e a transição energética são 2 vetores essenciais para que a China reduza suas emissões de carbono e diminua o enorme déficit ambiental.
China planeja reduzir emissões de carbono em até 10% até 2035 em nova meta ambiental, comparado aos níveis atuais, (considerando o pico previsto para 2030). Essa estratégia se insere num contexto mais amplo de compromisso com a sustentabilidade, com um olhar voltado para o futuro. (ecodebate)

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