-
Projeção de aquecimento: Estimativas indicam um aquecimento entre 2,3°C e 2,5°C
até 2100, considerando que todos os compromissos atuais sejam cumpridos. Essa
projeção é menor que as estimativas anteriores de 2,6°C a 2,8°C em 2024, mas
ainda muito acima do limite de 1,5°C.
-
Limites ultrapassados: O relatório prevê que o planeta ultrapassará a meta de
1,5°C de aquecimento já na próxima década, tornando o retorno a níveis mais
seguros extremamente difícil.
-
Emissões recordes: A emissão global de gases de efeito estufa atingiram um novo
recorde em 2024, impulsionadas, em grande parte, pelo desmatamento e mudanças
no uso da terra.
-
Por que a meta não é atingida: A "lacuna de emissões" (a diferença
entre o que os países se comprometeram a cortar e o que é necessário) permanece
praticamente inalterada desde 2015, sinalizando a necessidade de esforços muito
mais rápidos e concretos.
-
Caminho de ação: Para limitar o aquecimento a um nível mais seguro, seriam
necessárias reduções de emissões sem precedentes e uma ação de mitigação mais
rápida a partir de 2025.
Mesmo após 10 anos do Acordo de Paris, novos compromissos climáticos mal reduzem as projeções de aquecimento global. ONU diz que o planeta também deve ultrapassar 1,5°C já na próxima década.
• O mundo continua caminhando para um aumento de temperatura entre 2,3°C e 2,5°C até o fim do século, mesmo que todos os compromissos climáticos atuais sejam cumpridos.
• O
alerta é do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que vê o
planeta cada vez mais distante da meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
• A
avaliação divulgada mostra que apenas 60 países, responsáveis por 63% das
emissões globais de gases de efeito estufa, atualizaram suas metas climáticas
nacionais (as chamadas NDCs) até o fim de setembro de 2025.
•
Todos os signatários do Acordo de Paris tinham a obrigação de revisá-las neste
ciclo, mas a ONU afirma que o resultado ficou “muito aquém do necessário”.
• Ainda segundo a ONU, mesmo as novas promessas não foram suficientes para alterar de forma significativa as projeções de aquecimento.
COP30 - Por que limitar o aquecimento a 1,5°C é a meta perseguida?
O
mundo continua caminhando para um aumento de temperatura entre 2,3°C e 2,5°C
até o fim do século, mesmo que todos os compromissos climáticos atuais sejam
cumpridos.
O
alerta é do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que vê o
planeta cada vez mais distante da meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
Essa
meta de 1,5°C foi estabelecida pelo Acordo de Paris em 2015 para evitar
impactos extremos do clima, como secas, elevação do mar e colapso de geleiras.
Estudos recentes, porém, mostram que o mundo pode já ter ultrapassado esse
ponto crítico.
A
avaliação divulgada mostra que apenas 60 países, responsáveis por 63% das
emissões globais de gases de efeito estufa, atualizaram suas metas climáticas
nacionais (as chamadas NDCs) até o fim de setembro/2025.
Todos
os signatários do Acordo de Paris tinham a obrigação de revisá-las neste ciclo,
mas a ONU afirma que o resultado ficou “muito aquém do necessário”.
Essas
metas são o principal instrumento do Acordo de Paris para enfrentar a crise
climática. A NDC atual do Brasil, por exemplo, inclui a meta de reduzir as
emissões de gases de efeito estufa em 53% até 2030 e zerar as emissões líquidas
até 2050.
As
estimativas caíram apenas de 2,6–2,8°C em 2024 para 2,3–2,5°C agora, uma
diferença de poucos décimos de grau.
Segundo
o próprio relatório, essa redução modesta se deve, em parte, a mudanças
metodológicas nas análises, e não a ações concretas.
Além
disso, a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, prevista para janeiro de
2026, deve anular cerca de 0,1°C desse avanço simbólico.
A
ONU alerta que o cenário coloca em risco a principal meta global de contenção
do aquecimento.
A
“lacuna de emissões”, termo que dá nome ao relatório, se refere à diferença
entre o que os países prometeram cortar e o que seria necessário para manter o
aumento da temperatura dentro do limite de 1,5°C.
Segundo
o Pnuma, essa lacuna permanece praticamente inalterada desde 2015, quando o
acordo foi assinado.
“As
nações tiveram 3 tentativas para cumprir as promessas feitas no âmbito do
Acordo de Paris, e elas erraram o alvo”, afirmou Inger Andersen,
diretora-executiva do Pnuma.
“Embora
os planos climáticos nacionais tenham alcançado algum progresso, ele está longe
de ser rápido o suficiente, e é por isso que ainda precisamos de reduções de
emissões sem precedentes em um prazo cada vez mais curto, com um cenário
geopolítico cada vez mais desafiador”.
A COP 30 e nosso futuro
Limite de 1,5°C praticamente inevitável
O
relatório de 2025 confirma também que o planeta bateu um novo recorde de
emissões. Em 2024, o total global chegou a 57,7 bilhões de toneladas de gases
de efeito estufa (CO2 equivalente), um aumento de 2,3% em relação ao
ano anterior, mais de quatro vezes a média de crescimento da década de 2010.
Esse
salto, segundo o Pnuma, foi impulsionado por todos os setores da economia e
todos os principais gases, mas teve um fator decisivo: o desmatamento e as
mudanças no uso da terra, responsáveis por mais da metade do aumento das
emissões.
As
emissões de dióxido de carbono provenientes de combustíveis fósseis também
cresceram 1,1%, um reflexo do aumento da demanda energética e da lentidão da
transição para fontes limpas.
Entre
os grandes emissores, o G20 continua concentrando 77% das emissões globais e
registrou crescimento de 0,7% em 2024.
"Olhando
o curtíssimo prazo, de ganhos financeiros que não consideram os custos
ambientais e nem os limites do planeta, seguimos para um cenário distópico a
longo prazo", afirma Alexandre Prado, Líder de Mudanças Climáticas do
WWF-Brasil.
A
União Europeia foi a única grande economia a apresentar queda, enquanto Índia e
China lideraram os aumentos absolutos.
A
Indonésia teve o crescimento proporcional mais acelerado. O relatório ressalta
que sete países do G20 devem cumprir suas metas para 2030 com as políticas
atuais, mas nove estão fora do rumo, e poucos têm planos concretos para
alcançar a neutralidade de carbono até a metade do século
Justamente
por isso, a ONU alerta que o mundo ultrapassará temporariamente 1,5°C já na próxima
década, e reverter esse patamar será extremamente difícil.
O
documento calcula que seria necessário remover e armazenar cerca de cinco anos
das emissões globais atuais de dióxido de carbono para reduzir apenas 0,1°C de
aquecimento.
Em
vez disso, as novas metas nacionais, mesmo se totalmente implementadas,
levariam a uma redução de apenas 15% até 2035, valor três vezes menor que o
necessário.
“Os
países não estão apenas falhando em cumprir o que prometeram. Eles estão
falhando em prometer o suficiente”, resume o relatório.
O
texto também chama atenção para o que define como “dupla lacuna”: além da
diferença entre o que foi prometido e o que seria necessário, há uma lacuna de
implementação, já que boa parte dos compromissos feitos em 2015 e 2020 sequer
saiu do papel.
A
ONU estima que muitos países estão longe de cumprir suas metas de 2030, o que
agrava o cenário para 2035 e para as décadas seguintes.
O
texto cita “falta de vontade política”, “limitações financeiras” e
“desigualdade na responsabilidade climática” como principais entraves à ação.
“As
ferramentas estão disponíveis, mas o clima político global é desafiador”, diz o
Pnuma, em referência às crises internacionais e à falta de cooperação
financeira entre países ricos e pobres.
O
relatório apresenta ainda um cenário alternativo, chamado de “ação de mitigação
rápida a partir de 2025”, no qual as emissões globais começariam a cair
imediatamente.
Esse
cenário limitaria o “excesso” de aquecimento a 0,3°C, com 66% de probabilidade
de o planeta voltar a 1,5°C até 2100. Para isso, as emissões teriam de cair 26%
até 2030 e 46% até 2035, combinando esforços tecnológicos e naturais de remoção
de carbono.









Nenhum comentário:
Postar um comentário