Etapas e técnicas de
recuperação
Isolamento e proteção: A área
deve ser isolada com cercas para impedir o acesso de pessoas e animais.
Atividades agrícolas no entorno que possam agravar a situação devem ser
avaliadas e, se necessário, interrompidas.
Controle de processos
secundários: O controle de formigas cortadeiras é crucial antes do plantio. A
construção de aceiros (faixas de terra limpa) pode proteger a área contra
queimadas.
Intervenção do solo: A
recuperação pode ser ativa ou passiva.
Recuperação ativa: Quando o
solo está muito degradado, é preciso intervir. Isso inclui:
Preparar o solo.
Cobrir rapidamente com
gramíneas e leguminosas.
Plantar mudas de espécies
nativas, evitando espécies exóticas invasoras.
Utilizar adubação verde e
adubação adequada para o solo.
Engenharia de obras: Em casos
mais severos, são necessárias obras de engenharia para conter a erosão.
Terraplanagem: A
terraplanagem pode ser usada para estabilizar o relevo.
Drenagem: A construção de
canais para o direcionamento da água da chuva é fundamental para evitar o
escoamento superficial que causa a erosão.
Barreiras físicas: Podem ser
utilizadas barreiras como muros de gabião, enrocamentos, bacias de dissipação
de energia e outras estruturas para conter o solo e a água.
Monitoramento: Após a
implantação das soluções, é essencial monitorar a área para verificar se as
obras de engenharia estão funcionando corretamente e se a vegetação está se desenvolvendo
bem.
Importância da recuperação
Restabelece o equilíbrio
ambiental e a funcionalidade dos ecossistemas.
Melhora a qualidade do solo e
da água.
Reduz riscos de enchentes e
deslizamentos.
Promove a conservação de
recursos naturais e a preservação da biodiversidade.
Recuperação de áreas
degradadas*
Nesses tempos de mudanças
climáticas e com o recente encerramento da COP30, realizada em Belém do Pará,
nesse mês de novembro de 2025, uma pergunta que poderia ser deixada no ar,
entre outras, seria: quais são os procedimentos para recuperação de áreas
degradadas por processos erosivos lineares do tipo das voçorocas e de ravinas
que ocorrem em nosso país e em outras partes do mundo?
Lembremos que “A erosão é o
processo de desagregação e remoção de partículas do solo ou de fragmentos e
partículas de rocha, pela ação combinada da gravidade com a água, vento, gelo
e/ou organismos”. [1]
De um modo geral, pode-se
dizer que os processos erosivos podem ser abordados de duas maneiras: a erosão
natural ou geológica que se desenvolve em condições de equilíbrio com a
formação do solo e a erosão acelerada ou antrópica cuja intensidade, sendo
superior à formação do solo, não permite a sua recuperação natural.
No caso de o processo erosivo
do solo ser deflagrado pelas chuvas, por exemplo, esse processo compreende
basicamente os mecanismos do impacto das águas das chuvas, que provoca a
desagregação das partículas, a remoção e transporte pelo escoamento superficial
e a deposição dos sedimentos produzidos, formando depósitos de assoreamento.
Dependendo da forma em que se
dá o escoamento superficial ao longo de uma vertente ou encosta, podem ser
desenvolvidos dois tipos de erosão [2] como a erosão laminar ou em lençol,
causada pelo escoamento difuso das águas de chuva, resultando na remoção
progressiva e relativamente uniforme dos horizontes superficiais do solo e a
erosão linear, causada por concentrações das linhas de fluxo das águas de
escoamento superficial, resultando em pequenas incisões na superfície do
terreno, em formas de sulcos, que podem evoluir por aprofundamento para
ravinas.
Caso a erosão se desenvolva
não somente por influência das águas superficiais, mas também pela influência
dos fluxos de águas subsuperficiais, em que se incluem o lençol freático,
configura-se o processo mais conhecido por boçoroca ou voçoroca [3]. Desse
modo, uma boçoroca pode ser um cenário de diversos fenômenos como a erosão
superficial, a erosão interna, os solapamentos, os desabamentos e os
escorregamentos, que se conjugam no sentido de dotar esta forma de erosão de
elevado poder destrutivo.
Pelo exposto, na elaboração
de um projeto [1] para a recuperação de uma área degradada por um
boçorocamento, as alternativas de obras devem contemplar, principalmente, o
disciplinamento das águas superficiais e das águas subterrâneas, o
retaludamento/aterramento da boçoroca e a implantação e conservação das obras.
As principais estruturas
utilizadas para o disciplinamento das águas superficiais são as estruturas de
captação e condução das águas superficiais e as estruturas de combate e
dissipação de energia hidráulica. No caso das águas subterrâneas, o tratamento
convencional para a ação das águas subterrâneas é feito com a aplicação de
drenos enterrados, com filtro, visando impedir a remoção de partículas do solo.
O retaludamento e aterro da
boçoroca são obras complementares, cuja finalidade é estabilizar os taludes
contra a erosão promovida pelas águas de chuva e possíveis escorregamentos. A
conservação das obras pede inspeções periódicas para verificação das condições
das estruturas hidráulicas e monitoramento específico para avaliar o
funcionamento de drenos e filtros.
“O mundo é um livro, e quem fica sentado em casa lê somente uma página”. Santo Agostinho.
Fontes consultadas no apoio para elaboração do presente texto:
[1] ABGE (Associação
Brasileira de Geologia de Engenharia). 1998. Geologia de Engenharia. São Paulo,
ABGE, 586p.
[2] ABGE (Associação
Brasileira de Geologia de Engenharia) & IPT (Instituto de Pesquisas
Tecnológicas). 1995. Geologia Aplicada ao Meio Ambiente. São Paulo, ABGE &
IPT, Série Meio Ambiente, 247p.
[3] DAEE (Departamento de
Águas e Energia Elétrica & IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). 1989.
Controle da Erosão: bases conceituais e técnicas. Diretrizes para o
planejamento urbano e regional. Orientações para o controle de boçorocas
urbanas. São Paulo. DAEE & IPT. (ecodebate)





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