quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

2025 será o 2° ou 3° ano mais quente já registrado

ONU (Organização das Nações Unidas): 2025 deve ser o segundo ou terceiro ano mais quente já registrado.
A sequência alarmante de temperaturas excepcionais continuou em 2025, que deve ser o segundo ou terceiro ano mais quente já registrado, de acordo com a Atualização sobre o Estado do Clima Global, publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 06/11/2025.

Sim, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o observatório europeu Copernicus, 2025 deve ser o segundo ou terceiro ano mais quente já registrado. A temperatura média global está prevista para ficar muito próxima de 2023, que é o segundo ano mais quente na história, atrás de 2024.

Tendência de aquecimento: 2025 continua a tendência de temperaturas excepcionalmente altas, que é evidenciada pelos últimos 11 anos (2015-2025) serem os mais quentes da história.

Indicadores: A projeção é baseada no aumento contínuo dos gases de efeito estufa e no calor dos oceanos, que atingiram níveis recordes em 2024.

Impactos: Essa sequência de anos extremamente quentes reforça os impactos das mudanças climáticas, como o aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e incêndios florestais, impactando vidas e economias ao redor do mundo.

A temperatura média próxima à superfície em janeiro-agosto de 2025 foi 1,42°C ± 0,12°C acima da média pré-industrial, alerta relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) publicado em 06/11/2025.

Mensagens principais

• Concentrações recordes de gases de efeito estufa levam a calor recorde

• O gelo marinho e as geleiras continuam diminuindo

• Condições climáticas extremas causam enormes perturbações sociais e econômicas

• Serviços de alerta precoce avançam para salvar vidas

• Serviços climáticos apoiam a resiliência

• Relatório da OMM divulgado para informar a COP30

Os últimos 11 anos, de 2015 a 2025, terão sido individualmente os onze anos mais quentes nos 176 anos de registros observacionais, com os últimos três anos sendo os três anos mais quentes já registrados. A temperatura média próxima à superfície em janeiro-agosto de 2025 foi 1,42°C ± 0,12°C acima da média pré-industrial, aponta relatório da OMM divulgado antes da COP30 em Belém do Pará.

A concentração de gases de efeito estufa que retêm calor e o conteúdo de calor dos oceanos, que alcançaram níveis recordes em 2024, continuaram aumentando em 2025. A extensão do gelo marinho do Ártico após o congelamento do inverno foi a mais baixa já registrada, e a extensão do gelo marinho da Antártida ficou bem abaixo da média ao longo do ano. A tendência de aumento do nível do mar a longo prazo continuou, apesar de uma pequena e temporária oscilação devido a fatores naturais, afirmou o relatório.

Os eventos extremos relacionados ao clima e ao tempo até agosto/2025 — que variaram de chuvas devastadoras e inundações a calor brutal e incêndios florestais — tiveram impactos em cascata sobre vidas, meios de subsistência e sistemas alimentares. Isso contribuiu para o deslocamento em várias regiões, prejudicando o desenvolvimento sustentável e o progresso econômico.

“Esta sequência sem precedentes de altas temperaturas, combinada com o aumento recorde dos níveis de gases de efeito estufa no ano passado, deixa claro que será praticamente impossível limitar o aquecimento global a 1,5°C nos próximos anos sem ultrapassar temporariamente essa meta. Mas a ciência também deixa claro que ainda é totalmente possível e essencial reduzir as temperaturas para 1,5°C até o final do século”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

As concentrações atmosféricas dos três principais gases de efeito estufa — dióxido de carbono, metano e óxido nitroso — atingiram níveis recordes observados em 2024 e continuam a aumentar em 2025. O CO2 alcançou 423,9 partes por milhão, ppm, em 2024, um aumento de 53% desde a era pré-industrial. O aumento na concentração de 2023 a 2024 foi de 3,5 ppm, o maior já observado.

“Cada ano acima de 1,5°C afetará as economias, aprofundará as desigualdades e causará danos irreversíveis. Devemos agir agora, com grande rapidez e escala, para tornar o excedente o menor, o mais curto e o mais seguro possível – e para trazer as temperaturas de volta para menos de 1,5°C antes do final do século”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, que citou o relatório da OMM em sua declaração na Cúpula do Clima de Belém.

A OMM divulgou o Relatório sobre o Estado do Clima Global 2025 para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), em Belém. Trata-se de uma referência científica para fundamentar as negociações da COP em evidências confiáveis. Ele destaca os principais indicadores climáticos e sua relevância para apoiar a formulação de políticas e serve como uma ponte para relatórios científicos mais detalhados, mas menos frequentes.

O relatório também fornece um panorama de como a comunidade da OMM está apoiando os tomadores de decisão com informações meteorológicas e climáticas.

Desde 2015, o número de países que relatam sistemas de alerta precoce multirriscos (MHEWSs) mais que dobrou – de 56 para 119 em 2024. No entanto, 40% dos países ainda não possuem MHEWSs, e ações urgentes são necessárias para preencher essas lacunas remanescentes.

Os Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais (NMHSs) têm um papel cada vez mais importante nos planos de ação climática, que reconhecem cada vez mais a importância dos serviços climáticos, como as previsões sazonais em setores-chave como agricultura, água, saúde e energia. Quase dos NMHSs oferecem agora algum tipo de serviço climático — variando do nível básico ao avançado — em comparação com aproximadamente 35% há apenas 5 anos.

Como os fatores relacionados ao clima moldam a oferta e a demanda de energia renovável, é essencial antecipar essas influências para construir sistemas de energia limpa confiáveis e flexíveis.
Destaques do relatório

Temperaturas

As condições de aquecimento do El Niño, que elevaram as temperaturas globais durante 2023 e 2024 – deram lugar a condições neutras/La Niña em 2025. A temperatura média global próxima à superfície de janeiro a agosto de 2025 foi, portanto, inferior à de 2024 – 1,42°C ± 0,12°C acima da média pré-industrial, em comparação com cerca de 1,55°C ± 0,13°C para o ano de 2024.

O período de 26 meses entre junho/2023 e agosto/2025 registrou uma longa sequência de temperaturas mensais recordes (exceto fevereiro/2025).

As altas temperaturas globais nos últimos 3 anos em relação aos dois anos anteriores estão relacionadas à transição de um La Niña prolongado que durou de 2020 ao início de 2023, mas reduções nos aerossóis e outros fatores provavelmente também contribuíram para o aquecimento.

Conteúdo de calor dos oceanos

De acordo com dados preliminares, o conteúdo de calor dos oceanos continuou a aumentar em 2025, acima dos valores recordes de 2024. As taxas de aquecimento dos oceanos mostram um aumento particularmente forte nas últimas duas décadas, indicando a rapidez com que o sistema terrestre está retendo o excesso de energia sob a forma de calor. Mais de 90% dessa energia é utilizada para aquecer os oceanos.

O aquecimento dos oceanos tem consequências de longo alcance, incluindo a degradação dos ecossistemas marinhos, a perda de biodiversidade e o enfraquecimento do papel dos oceanos como depósitos de carbono. Ele intensifica as tempestades tropicais e subtropicais, acelera a perda de gelo marinho nas regiões polares e – juntamente com o derretimeno do gelo terrestre – impulsiona o aumento do nível do mar. Prevê-se que esse aquecimento continue representando uma mudança potencialmente irreversível em escalas de tempo de centenas a milhares de anos.

Elevação do nível do mar

O oceano está subindo: dados revelam elevação recorde do nível do mar nos últimos 30 anos.

A taxa de longo prazo da elevação do nível do mar aumentou desde o início dos registros por satélite, quase dobrando de 2,1 milímetros por ano entre 1993 e 2002 para 4,1 mm/ano entre 2016 e 2025. Isso reflete a influência combinada do aquecimento dos oceanos e da expansão térmica, juntamente com o derretimento das geleiras e camadas de gelo.

O ano de 2024 estabeleceu um novo recorde observado para o nível médio global anual do mar. Dados preliminares de 2025 mostram que ele caiu ligeiramente desde o início de 2025 – mas isso provavelmente é um comportamento temporário devido ao La Niña e outros fatores.

Gelo marinho

A extensão do gelo marinho do Ártico atingiu seu máximo anual de 13,8 milhões de km² em março, a menor extensão máxima registrada por satélite. A extensão do gelo marinho do Ártico atingiu seu mínimo anual de 4,6 milhões de km² por volta de 6 de setembro de 2025 e ficou abaixo da média de longo prazo.

A extensão do gelo marinho antártico foi a terceira menor já registrada – tanto para o mínimo anual (2,1 milhões de km²) em fevereiro de 2025 quanto para o máximo anual (17,9 milhões de km²) em setembro/2025.

Geleiras

O ano hidrológico de 2023/2024 foi o terceiro ano consecutivo em que todas as regiões glaciais monitoradas em todo o mundo registraram perda líquida de massa.  Um conjunto de geleiras de referência monitoradas pelo Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras indica um balanço de massa anual global de −1,3 m de equivalente em água, ou 450 gigatoneladas. Isso equivale a 1,2 mm de aumento médio global do nível do mar e, nominalmente, à maior perda de gelo já registrada desde 1950.

Gases de efeito estufa

A concentração dos 3 principais gases de efeito estufa na atmosfera – dióxido de carbono, metano e óxido nitroso – atingiram níveis recordes observados em 2024, o ano mais recente para o qual existem números consolidados globais. As medições até o momento em locais individuais sugerem que eles serão ainda mais altos em 2025.

A concentração atmosférica de CO2 aumentou de cerca de 278 partes por milhão (ppm) em 1750 para 423,9 ppm em 2024, um aumento de 53%. O aumento na concentração de 2023 a 2024 foi de 3,5 ppm, um aumento recorde na história recente das observações.

Eventos climáticos extremos

Ao longo de 2025, eventos extremos causaram grandes perturbações econômicas e sociais e perda de vidas.

Entre eles, destacam-se inundações em muitos países da África e da Ásia, incêndios florestais na Europa e na América do Norte, calor extremo em todo o mundo e ciclones tropicais mortais.
Energia renovável

As energias renováveis estão cada vez mais presentes nas indústrias, que buscam uma produção com menor impacto ao meio ambiente.

À medida que a capacidade global de energia renovável se expande, a integração de dados climáticos e científicos é essencial em toda a cadeia de valor do setor — desde a geração até a transmissão, distribuição e despacho. Os indicadores energéticos baseados no clima permitem estimar os impactos em todas as etapas dessa cadeia.

Globalmente, o calor recorde de 2024 elevou a demanda de energia para 4% acima da linha de base de 1991-2020. Essa anomalia excedeu em muito a demanda dos anos anteriores e variou significativamente entre as regiões, com a demanda na África Central e Austral quase 30% acima da média.

Essas descobertas reforçam a necessidade de planejamento e operações energéticas informadas pelo clima. À medida que a capacidade renovável se expande globalmente, levar em conta a influência dos padrões climáticos em grande escala é essencial para construir sistemas energéticos resilientes e flexíveis em um clima em mudança.

Serviços climáticos

Informações climáticas, como previsões sazonais e informações sobre saúde e calor, estão se tornando componentes indispensáveis na grande maioria das Contribuições Nacionalmente Determinadas atualizadas, traduzindo os compromissos climáticos globais em progressos reais no terreno.

Quase dois terços dos NMHSs agora fornecem serviços climáticos de nível essencial a avançado, um progresso notável em comparação com cinco anos atrás, quando era de aproximadamente 35%. Espera-se que essa trajetória continue, com a prestação de serviços de nível essencial a avançado ultrapassando 90% até 2027 — dependendo do apoio sustentado pela comunidade global.

Sistemas de Alerta Precoce

Sistemas eficazes de alerta precoce para múltiplos riscos (MHEWSs) são mais cruciais do que nunca. Avanços significativos foram feitos em direção à iniciativa Alerta Precoce para Todos (EW4All) do secretário-geral das Nações Unidas, que visa a cobertura universal até 2027.

Desde 2015, o número de países que relatam MHEWS mais do que dobrou — de 56 para 119 em 2024 —, mas 40% dos países ainda não possuem MHEWS. O progresso é particularmente notável entre os países menos desenvolvidos (PMDs) e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento (PEIDs), onde a cobertura relatada aumentou cerca de 5% somente no ano passado.
Temperatura média global ultrapassa 2°C acima da era pré-industrial pela 1ª vez.

Temperatura média global ultrapassou 2°C acima da era pré-industrial, indicando uma aceleração preocupante nas mudanças climáticas.

NOTAS PARA EDITORES

A Atualização do Estado do Clima Global 2025 da OMM é divulgada para a COP30. O relatório final do Estado do Clima Global para o ano de 2025 como um todo será divulgado em março/2026.

Os números de temperatura apresentados aqui são até agosto/2025 e são baseados em seis conjuntos de dados internacionais. A Atualização é baseada em contribuições de membros, parceiros e especialistas da OMM.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) é uma agência especializada das Nações Unidas responsável por promover a cooperação internacional em ciências atmosféricas e meteorologia.

A OMM monitora o tempo, o clima e os recursos hídricos e fornece apoio aos seus membros em previsões e mitigação de desastres. A organização está comprometida em promover o conhecimento científico e melhorar a segurança e o bem-estar públicos por meio de seu trabalho. (brasil.un.org)

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