O estado do Rio de Janeiro
foi um dos líderes da transição da fecundidade no Brasil. Entre 1940 e 1960,
enquanto a média de filhos das mulheres brasileiras era de 6,2 crianças, a
média fluminense era de 4,4 crianças. As menores taxas de fecundidade no Rio de
Janeiro implicaram uma mudança da estrutura etária mais precoce.
Desta forma, o Rio de Janeiro
é, atualmente, um dos 2 estados mais envelhecidos do país (o outro é o Rio
Grande do Sul).
O gráfico abaixo, com dados
das projeções populacionais do IBGE (revisão 2024), mostra o grupo etário de
crianças e adolescentes de 0-14 anos e os grupos etários das gerações prateadas
de 50+, 60+, 70+ e 80+ do ano 2000 a 2070 no Rio de Janeiro. Nota-se que, no
início do atual século, o grupo jovem de 0-14 anos era maior do que qualquer um
dos grupos prateados, porém, será superado por todos até 2070.
Em 2000, havia 4 milhões de
jovens de 0-14 anos no território fluminense, mas este número vai cair
continuamente ao longo do século e deve ficar em 1,69 milhão em 2070. Em
contraste, as gerações prateadas vão crescer. A população de 50 anos e +, que
era de 2,94 milhões em 2000, ultrapassou o grupo 0-14 anos em 2008, com 3,76
milhões de pessoas e deve chegar a 7,6 milhões em 2070.
O crescimento das gerações
prateadas traz desafios, mas também oportunidades. A principal dificuldade será
lidar com a redução da população em idade ativa (15-59 anos) e com o aumento da
razão de dependência demográfica.
Mas o envelhecimento não é
necessariamente um fardo, embora muitos tabus culturais associem a velhice à
invisibilidade, à inatividade ou à renúncia. Nesse contexto, é um ato de
resistência ser contra estereótipos etaristas.
Um estudo de Desenvolvimento
Adulto de Harvard mostra que a qualidade dos relacionamentos é o melhor
preditor de saúde, longevidade e felicidade. Não é a quantidade de amigos, mas
a profundidade e o apoio emocional que fazem diferença.
• Adotar uma abordagem de
ciclo de vida para as políticas de envelhecimento, garantindo que a promoção da
saúde ocorra desde a infância até a vida adulta.
• Integrar o envelhecimento
em todos os setores políticos para garantir que os sistemas de habitação,
transporte, trabalho, educação e proteção social estejam alinhados com o
envelhecimento saudável e inclusivo.
• Melhorar a governança e a
coordenação entre as autoridades nacionais, regionais e locais.
• Reconhecer as necessidades
específicas das pessoas que envelhecem sem filhos, garantindo a prestação de
cuidados familiares.
• Fortalecer as medidas de
prevenção da solidão e do isolamento social, expandindo intervenções em grupo e
redes de apoio.
• Promover a atividade física
por meio de iniciativas comunitárias e “receitas de exercícios“, com apoio
intergeracional.
• Alavancar a saúde digital e
as inovações sociais de forma responsável, promovendo acessibilidade e
atendimento humano de alta qualidade.
• Combater a segregação
ocupacional e a discriminação salarial para as diversas faixas etárias das
gerações prateadas.
• Combater as desigualdades
ao longo da vida, garantindo inclusão social, educação continuada, além de
cultivar relações Intergeracionais.
O Cenário do Envelhecimento
no RJ
Crescimento Acelerado: Em
duas décadas, a população idosa do RJ dobrou, acelerando uma tendência
nacional.
Dados Demográficos: O estado
já possui uma parcela significativa de idosos, ultrapassando a média nacional,
mostrando uma pirâmide etária se alterando rapidamente.
Causas: Redução da taxa de
natalidade e aumento da expectativa de vida são os principais fatores dessa
transformação.
A Geração Prateada em Ação
Força de Trabalho: Milhões de
brasileiros com mais de 60 anos, a Geração Prateada, continuam ativos no
mercado de trabalho, representando uma força econômica.
Economia Prateada: Essa
população madura demanda produtos e serviços específicos, gerando oportunidades
para o setor privado e para políticas públicas focadas em bem-estar, lazer e
longevidade ativa.
Desafios e Respostas do RJ
Saúde e Autonomia: O governo
do RJ foca em hospitais especializados (como o Hospital Estadual Eduardo
Rabelo) e institutos (como o de Olhos) para cuidados, reabilitação e atividades
(esportes, dança, música) que promovem autonomia.
Infraestrutura e Serviços:
Investimentos em centros de diagnóstico (Rio Imagem Baixada) e protocolos em
hospitais visam garantir diagnósticos precoces e atendimento especializado para
fraturas e outras condições.
Implicações
O envelhecimento no RJ traz desafios de planejamento para o bem-estar, mas também uma oportunidade de reconhecer e integrar essa população ativa, que, com a devida infraestrutura e políticas, contribui para uma sociedade mais solidária e intergeracional. (ecodebate)





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