Regiões Envelhecidas
(Sul/Sudeste): Lideram o processo devido a taxas de fecundidade menores e maior
expectativa de vida, com destaque para o RS com 115 idosos para cada 100
crianças.
Regiões Jovens
(Norte/Nordeste): Apresentam maior proporção de crianças e adolescentes, embora
o envelhecimento esteja ocorrendo de forma acelerada em todo o país.
Desigualdade nos Municípios:
Municípios pequenos (< 5.000 hab.) tendem a ser mais envelhecidos, pois
jovens migram para metrópoles (acima de 500 mil hab.) em busca de trabalho,
resultando em concentrações de idosos no interior.
Impactos Socioeconômicos: O
envelhecimento rápido, especialmente no Sudeste, exige readequação de políticas
de saúde e previdência.
A diferença é marcada por dinâmicas de fecundidade e migração, com o Norte mais rejuvenescido e o Sul mais envelhecido.
O envelhecimento populacional no Brasil é um processo irreversível, estrutural e generalizado, mas profundamente marcado por desigualdades regionais
O Brasil está passando por
uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela
primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e
adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal
tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço tem sido
diferenciado para as Grandes Regiões do país.
O gráfico abaixo, com dados
dos Censos Demográficos de 1970 a 2022, do IBGE, mostra o Índice de
Envelhecimento (IE) para o Brasil e as Grandes Regiões. O Brasil tinha um IE de
12 idosos de 60 anos e mais para cada 100 crianças e adolescentes de 0-14 anos,
passando para 16 idosos para cada 100 jovens em 1980, para 29 em 2000, 45 em
2010 e 80 idosos 60+ para cada 100 jovens de 0-14 anos em 2022.
As regiões Sul e Sudeste
possuem IE acima da média nacional e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste
possuem IE abaixo da média nacional. A região Norte apresenta a estrutura
etária mais jovem, com um IE que passou de 8 idosos para cada 100 jovens em
1970 para 41 idosos para cada 100 jovens em 2022. No mesmo período, na região
Centro-Oeste o IE passou de 7 para 63 e na região Nordeste passou de 11 para 69
idosos por cada 100 jovens.
Na região Sul o IE passou de 11 idosos para cada 100 jovens em 1970 para 95 idosos por 100 jovens em 2022. A região Sudeste, com o maior Índice de Envelhecimento, passou de 15 idosos por 100 jovens em 1970 para 98 idosos de 60+ por 100 jovens de 0-14 anos. Portanto, por enquanto, há mais jovens do que idosos em todas as regiões, embora haja quase um empate na região Sudeste em 2022.
O gráfico abaixo mostra a evolução da população das Grandes Regiões do Brasil de 1872 a 2022. A população do Nordeste representava 46% da população total do Brasil em 1872, quando ocorreu o primeiro censo demográfico do país (50 anos após a Independência). A partir do início da República a região Sudeste assumiu a liderança e se manteve com um percentual acima de 40% do total populacional. A região Sul cresceu ao longo das décadas até chegar a 16% em 1970, mas diminuiu para 15% em 2022. As regiões Norte e Centro-Oeste congregam um menor percentual de população, mas são as regiões que mais cresceram nas últimas décadas.
A mudança da estrutura etária começou a partir da década de 1970, quando teve início a transição da fecundidade no Brasil. O gráfico abaixo, mostra que a TFT do Brasil estava acima de 6 filhos por mulher entre 1940 e 1960, caiu para 5,8 filhos em 1970, para 4,4 filhos em 1980, para 2,9 filhos em 1991, para 2,3 filhos em 2000, 1,9 filhos em 2010 e 1,55 filhos por mulher em 2022. As regiões Norte e Nordeste tinham TFT acima da média nacional e as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste abaixo da média nacional.
Entre 1940 e 1970 estava
havendo divergência nas taxas de fecundidade regionais, pois a diferença na TFT
das regiões Norte e Sudeste era de 1,5 filho em 1940, passou para 2,5 filhos em
1950, para 2,3 filhos em 1960 e para 3,6 filhos em 1970. Mas a partir da década
de 1970 passou a haver convergência na transição da fecundidade entre as
diversas regiões brasileiras. Como mostra o gráfico, todas as regiões
convergiram para taxas próximas de 1,55 filhos, sendo que as diferenças
regionais em 2022 ficaram no máximo em 0,5 filho. Isto quer dizer que a
transição da fecundidade no Brasil é um fenômeno comum em todo o território
nacional
O envelhecimento populacional é maior nas regiões Sul e Sudeste exatamente porque foram as regiões líderes na transição da fecundidade. Da mesma forma, a região Norte é a que tem a estrutura etária mais jovem por conta das maiores taxas de fecundidade no passado, embora o envelhecimento regional deva convergir para níveis elevados no futuro.
O gráfico abaixo, com dados dos censos demográficos do IBGE, mostra a evolução das percentagens de alguns grupos etários selecionados entre 1970 e 2022 no Brasil. O grupo etário de jovens 0-14 anos era de 42% da população brasileira em 1970 e caiu para menos da metade (19,8%) em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 52,7% em 1970 para 65,1% em 2010, significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.
Porém, o percentual de
pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,4% em 2022, significando que a janela
de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus
demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de
oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da
longevidade).
A população 50+ era de 10,7% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos por volta de 2012 e chegou a 27,7% em 2022. A população 60+ era de 5,1% em 1970 e chegou a 15,8% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população 70+ era de 1,8% em 1970 e chegou a 7% da população total do Brasil em 2022.
As evidências apresentadas ao longo deste artigo mostram que o envelhecimento populacional no Brasil é um processo irreversível, estrutural e generalizado, mas profundamente marcado por desigualdades regionais.
Embora todas as Grandes
Regiões já apresentem Índices de Envelhecimento elevados e trajetórias
convergentes de baixa fecundidade, o ritmo, o estágio e as implicações sociais
e econômicas desse processo variam de forma significativa no território
nacional. Sul e Sudeste enfrentam um envelhecimento mais avançado, associado à
redução da população em idade ativa e à necessidade imediata de reorganização dos
sistemas de previdência, saúde e cuidados de longa duração, enquanto Norte,
Nordeste e Centro-Oeste ainda convivem com estruturas etárias relativamente
mais jovens, mas caminham rapidamente para níveis semelhantes de envelhecimento
nas próximas décadas.
A convergência das taxas de
fecundidade para patamares muito baixos indica que o envelhecimento não é mais
uma questão regional, mas um desafio nacional que exige respostas diferenciadas
e territorialmente sensíveis. O fechamento gradual da janela do primeiro bônus
demográfico reforça a urgência de políticas voltadas ao aumento da
produtividade, à elevação do capital humano ao longo do ciclo de vida e à
promoção de um envelhecimento saudável, ativo e inclusivo. Nesse sentido, o
segundo e o terceiro bônus demográficos tornam-se estratégicos para sustentar o
crescimento econômico, reduzir desigualdades e garantir bem-estar em uma
sociedade cada vez mais longeva.
Portanto, compreender as diferenças regionais do envelhecimento populacional não é apenas um exercício analítico, mas uma condição essencial para o planejamento do desenvolvimento brasileiro.
O desafio central não é conter o envelhecimento, mas transformar a longevidade em um ativo social, econômico e humano, articulando políticas públicas integradas que considerem as especificidades regionais e preparem o país para um futuro em que os idosos ocuparão um papel central na dinâmica demográfica, econômica e social do Brasil. (ecodebate)







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