A expansão do eleitorado
grisalho e feminino impõe aos candidatos a necessidade de ajustar suas agendas,
migrando de promessas genéricas para políticas públicas sólidas
O crescimento do eleitorado brasileiro tem apresentado duas características marcantes:
1) aumento da proporção de eleitores idosos.
2) aumento da força absoluta e relativa das
mulheres. Portanto, aumenta o poder de voto do eleitorado grisalho e feminino.
No Brasil, todas as pessoas
acima de 16 anos têm o direito de participar das decisões democráticas do país
por meio do voto. Aos 18 anos, esse direito se torna também um dever: a votação
é obrigatória para todas as cidadãs e todos os cidadãos brasileiros entre 18 e
69 anos. A partir dos 70 anos, o voto volta a ser facultativo, sem deixar de
ser um direito.
O gráfico abaixo mostra a pirâmide etária do eleitorado brasileiro, por sexo, em 2024. Nota-se que é baixa a quantidade de jovens de 16 e 17 anos, o grupo etário 40-44 anos tem a maior quantidade de eleitores (para os grupos quinquenais) e as mulheres predominam entre os idosos.
O Voto da Experiência: Idosos (60+) já representam ¼ do Eleitorado Brasileiro e ⅓ do Eleitorado Gaúcho.
A tabela abaixo mostra o
número total do eleitorado, em anos selecionados, entre 1992 e 2024 e o número
e a percentagem de jovens e idosos. O eleitorado total era de 90,2 milhões de
pessoas em 1992 e passou para 155,9 milhões em 2024. O número de jovens era de
21,5 milhões em 1992 (representando 23,8% do eleitorado) e caiu para 20,2
milhões em 2024 (representando 12,9% do total).
O número de idosos de 60 anos
e mais era 9,5 milhões em 1992 (representando 10,5% do eleitorado) e subiu para
34,2 milhões em 2024 (representando 21,9% do total). Portanto, os idosos 60+
representavam uma parcela menor do eleitorado em relação aos jovens em 1992 e
passaram a representar uma proporção bem superior em 2024.
O número de eleitores 70+ era de 3,4 milhões de pessoas em 1992 (representando 3,8% do total), passando para 15,2 milhões em 2024 (representando 9,8% do total). Tudo indica que em 2026 os idosos de 70+ atingirão mais de 10% do eleitorado se aproximando da proporção de jovens de 16-24 anos.
Diante desse cenário, fica evidente que o envelhecimento populacional não é apenas um fenômeno demográfico, mas um fator que redefine a correlação de forças na política nacional. A expansão do eleitorado grisalho e feminino impõe aos candidatos a necessidade de ajustar suas agendas, migrando de promessas genéricas para políticas públicas sólidas voltadas à seguridade social, saúde e inclusão dessa parcela da população.
Algumas pesquisas de opinião
pública estão indicando uma leve preferência dos jovens pelos candidatos de
direita e uma preferência dos idosos pelos candidatos de esquerda. Assim, a
questão etária pode ser decisiva nas eleições presidenciais de 2026.
Embora o voto para os maiores
de 70 anos seja facultativo, o peso estatístico e a maturidade cívica desse
grupo garantem que o futuro da democracia brasileira passe, inevitavelmente,
pela experiência e pelas mãos daqueles que continuam a exercer sua cidadania
para além da obrigatoriedade legal. (ecodebate)



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