quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Uso de recursos naturais é mais barato e lógico

Uso racional dos recursos naturais é mais barato e lógico que poluir e recuperar. É mais barato e inteligente preservar os recursos naturais do que poluir e depois ter que recuperar. Essa foi a principal mensagem do analista de projetos ambientais da Fundação O Boticário, André Ferrette, que palestrou no quarto evento da série Encontro Desenvolvimento Sustentável do Sistema Federação das Indústrias (FIESC), em Criciúma. Ferrette falou sobre as ações para a promoção da sustentabilidade ambiental da Fundação O Boticário, mantida pela fabricante de cosméticos há 18 anos. A empresa destina 1% da sua receita líquida em investimentos sociais privados, sendo 80% para a área ambiental. Para se ter uma idéia, o faturamento da empresa em 2007 foi de R$ 872 milhões. Além de cuidar da gestão ambiental da própria empresa, a Fundação O Boticário mantém projetos de preservação em diversas frentes. Uma delas é diretamente em pesquisas científicas. Dessa forma, a fundação já descobriu 33 novas espécies animais e vegetais, sendo que quatro delas receberam nomes científicos relacionados a Boticário. A entidade também mantém reservas naturais de preservação permanente em três biomas brasileiros: na mata atlântica, abrangendo o litoral do Paraná e de São Paulo, no Pantanal e no cerrado. Outra iniciativa é a compensação financeira para áreas privadas que contenham mananciais. A Fundação O Boticário paga para que o proprietário do terreno nessas áreas mantenha o ambiente intacto, de modo que a água que se origina ali continue brotando natural e limpa. “Baseamos esse projeto em uma experiência pioneira em Nova York. Percebemos que não faz sentido deixar que se polua para, depois, ter que investir no tratamento dessa água”, afirmou. O uso racional da água também é uma das principais preocupações da Eliane Revestimentos Cerâmicos. O analista ambiental da empresa, Wladimir José Nunes, também falou no evento sobre as ações da companhia na área ambiental. Ele disse que hoje toda a água usada no processo produzido passa por estações de tratamento, e 60% dessa água é reutilizada pela própria empresa. A meta é que toda a água tratada seja reaproveitada. Nunes também falou sobre a nova linha de produtos da Eliane, a Ecostone. Atestada pela certificadora alemã BRTÜV como uma linha ecologicamente correta, os cinco produtos já lançados pela empresa na linha Ecostone são feitos com 60% de matéria-prima reutilizada dos próprios processos da Eliane. O primeiro vice-presidente da FIESC, Glauco José Corte, destacou na abertura do encontro que os mercados brasileiro e, principalmente, os externos são hoje muito exigentes com a origem dos produtos. “Os clientes querem saber se o fabricante tem compromisso com o meio ambiente, se o produto é eco-eficiente, se ele consome muita energia ou emite muito gás carbônico”, disse, destacando que esse é cada vez mais um diferencial para as indústrias. “Santa Catarina já tem vários exemplos positivos nesse sentido, e queremos divulgar com esses encontros algumas dessas experiências”, completou.A série Encontro Desenvolvimento Sustentável terá ao todo seis eventos nas principais regiões industriais de Santa Catarina, abordando os temas educação e mercado de trabalho, meio ambiente e responsabilidade social. Os eventos anteriores foram realizados em Chapecó (responsabilidade social, com palestras da Vonpar e Celulose Irani), Lages (meio ambiente, com Amanco e Tractebel Energia) e Joinville (educação e mercado de trabalho, com WEG e Votorantim).

Crise financeira torna mais barato poluir

Preço dos créditos de carbono caiu drasticamente, reduzindo o incentivo para investimento no controle da poluição Os preços dos créditos de carbono negociados por companhias européias para compensar suas emissões de gases de efeito estufa caíram drasticamente nas últimas semanas, com a piora da crise financeira internacional. Além da queda no ritmo da atividade econômica - que conseqüentemente resulta em menor emissão de poluentes -, empresas começaram a vender seus títulos com o objetivo de fazer caixa para enfrentar os tempos de crédito escasso. O resultado é uma sobre oferta de certificados de emissão reduzida, que fez com que o preço da tonelada de carbono emitido caísse para 12 (US$ 15,58) - menos da metade do valor que estava sendo negociada em meados do ano passado. Antes do agravamento da crise financeira, a tonelada de carbono era cotada a 30 (US$ 38,94). A queda do preço do crédito de carbono a patamares tão baixos é preocupante por duas razões. Primeiro, elimina o incentivo para que as companhias façam investimentos em tecnologias de controle da poluição. Na Europa, o sistema voluntário de comércio de créditos de carbono, que corre paralelo ao mercado regulado pela Organização das Nações Unidas, tinha como objetivo estimular as empresas a reduzirem suas emissões de gases poluentes. Analistas afirmam que o preço por tonelada de emissões de carbono a pelo menos 20 é necessário para que o negócio seja lucrativo para as empresas. Por outro lado, os preços mais elevados dos créditos de carbono significam uma motivação maior para que as fábricas troquem de combustível e substituam carvão por gás natural para atender suas necessidades energéticas. Se for barato poluir, há menos interesse em fazer a conversão para energias mais limpas. O sistema de negociação de créditos de carbono da União Européia está atualmente em sua segunda fase de comercialização de títulos, que vai até 2012 - a primeira terminou no final de 2007. Se as empresas poluírem mais do que o permitido, elas são obrigadas a comprar títulos para compensar suas emissões, no mercado voluntário. Se poluírem menos, as empresas podem vender seus créditos não utilizados. CAIXA Atualmente, no entanto, com a relutância dos bancos em emprestar dinheiro às companhias, o mercado voluntário de carbono na Europa se mostrou um meio para que as empresas façam caixa e ganhem liquidez para enfrentar a crise. Um levantamento conduzido pela unidade alemã do jornal Financial Times mostra um número crescente de empresas de médio porte da Alemanha que estão vendendo créditos de carbono para cobrir rombos financeiros. O estudo do Financial Time descreve o caso de uma produtora de papel no sul da Alemanha, a Scheufelen, que evitou um completo colapso financeiro ao vender seus créditos de carbono em dezembro.O preço baixo dos créditos de carbono sugere que as empresas irão postergar melhorias tecnológicas e continuar sendo fábricas obsoletas e pouco eficientes por mais tempo. O resultado poderá ser muito mais poluição até que os preços tornem a subir. Em 2008, o mercado global de créditos de carbono movimentou US$ 116 bilhões - quase o dobro do valor negociado em 2007, de US$ 66 bilhões.

Milhares de toneladas de lixo são jogadas anualmente no mar

Praia em Mumbai, Índia: mais plástico do que fitoplancton. Fracassaram medidas globais para proteção dos oceanos – Um relatório confidencial do governo alemão, obtido pela Spiegel Online, indica que os esforços da ONU e da União Europeia para limpar nossos oceanos fracassaram totalmente. Como os oceanos do mundo são imensos, poucas pessoas parecem se incomodar em despejar lixo neles. Mas os plásticos se degradam em um ritmo muito lento e uma grande quantidade deles está espalhada pelos nossos oceanos. Os animais marinhos consomem pequenos pedaços deles, fazendo com que muitos morram, já que os plásticos estão cheio de venenos. E, como alertam os especialistas, nós chegamos a um ponto onde está ficando até mesmo perigoso para os seres humanos consumirem peixes e frutos do mar. Dadas estas condições, a comunidade internacional vem lutando há quatro décadas por enormes esforços burocráticos visando limpar o lixo nos oceanos. Em 1973, a Organização das Nações Unidas (ONU) patrocinou um pacto protegendo os oceanos do despejo de lixo. Artigos adicionais foram acrescentados à chamada Convenção Marpol, uma abreviação de “marine pollution” (poluição marítima), em seis ocasiões diferentes. E há nove anos, a União Europeia colocou diretrizes nos livros que proíbem qualquer despejo de lixo marítimo no oceano. Ainda assim, segundo um documento confidencial de estratégia do governo alemão obtido pela Spiegel Online, se for somado tudo de bom que essas medidas fizeram, o resultado ainda seria zero. Na verdade, segundo o documento confidencial, os esforços internacionais visando proteger os oceanos fracassaram de modo geral. Nossos oceanos se transformaram em vastos depósitos de lixo. Mesmo as leis rígidas não foram capazes de fazer nada para ajudar os oceanos, declara o documento. Veja o caso dos mares do Norte e Báltico. Apesar do despejo de lixo neles ser ilegal desde 1988, a quantidade de lixo encontrada nesses mares ainda “não melhorou”. O governo também estima que, a cada ano, 20 mil toneladas de lixo chegam apenas ao Mar do Norte, principalmente de navios e da indústria pesqueira. O relatório conclui que tudo relacionado aos acordos internacionais foi “malsucedido”. Enfiando o lixo no ‘armário azul’ À primeira vista, pode parecer que a União Europeia está fazendo muito para limpar os mares do lixo. Por exemplo, a mais recente diretriz da UE sobre o assunto, de julho de 2008, visa garantir a “boa condição” dos mares da Europa até 2020. Além disso, a Comissão Europeia anunciou sua intenção de criar uma “agência dedicada, para lidar com os problemas por trás da má implantação e fiscalização da legislação europeia para o lixo”. Ainda assim, o documento de estratégia alemão não deposita muita fé nesses planos. Como veem seus autores, é “extremamente improvável” que um consenso eficaz sobre a não poluição dos oceanos surgirá no futuro previsível. Na verdade, os especialistas do governo parecem acreditar que a criação de novos acordos internacionais não é o modo certo de tratar do assunto. Em vez disso, eles acreditam que a viabilidade de futuros pactos visando proteger os oceanos deve “ser investigada antecipadamente”. Em público, entretanto, o governo federal alemão assume tons menos críticos. Em abril de 2008, a então grande coalizão de governo, composta pela União Democrata Cristã de centro-direita da chanceler Angela Merkel e pelo Partido Social-Democrata de centro-esquerda, declarou que considerava a regulamentação existente visando conter o despejo de lixo como “em princípio suficiente”. Na época, o Ministério do Meio Ambiente, Preservação da Natureza e Segurança Nuclear alemão se recusou a fornecer qualquer comentário adicional para a “Spiegel Online”. Oportunidades insuficientes de descarte Os defensores da proteção ambiental, entretanto, não são tímidos em expressar seu desalento. “Na ausência de controles e penas”, diz Onno Gross, presidente da Deepwave, uma organização de conservação do oceano com sede em Hamburgo, “aparentemente é tentador descartar seu lixo no ‘armário azul’”. Ainda assim, segundo o relatório interno do governo, o descarte do lixo marítimo de modo apropriado não é tão fácil quanto precisa ser. Como veem os autores do relatório, “oportunidades insuficientes de descarte nos portos, altas taxas e logística complicada” frustram esses esforços. Mesmo assim, eles também admitem que colocar um fim a uma maior poluição é urgentemente necessário. Os especialistas do governo por trás do relatório notam um “agravamento do problema econômico e ecológico” que terá efeitos negativos sobre os animais marinhos, assim como “custos imensos”. Eles também alertam para várias consequências sérias de saúde para os seres humanos. Por exemplo, partículas de plástico poderiam desequilibrar completamente nosso complexo equilíbrio hormonal, segundo um estudo publicado no ano passado pelos cientistas do Hospital da Universidade Charité de Berlim. Da mesma forma, segundo Richard Thompson, um biólogo marinho da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, pedaços de plástico podem se transformar em armadilhas de veneno, nas quais substâncias insolúveis causadoras de câncer, como o DDT, ficam contidas. Um estudo recente coloca a concentração desses venenos nesses pedaços de plástico como sendo um milhão de vezes maior do que o normal. E, como alerta Gross, “quando as pessoas consomem peixe, elas ingerem esse veneno”. Quando Thompson olha para este problema, ele se preocupa com as chances de existir uma reação em cadeia perigosa. Quanto maior o animal na cadeia alimentar, mais veneno ele provavelmente terá em seu corpo. Os cientistas estão atualmente analisando quanto veneno os seres humanos ingerem quando comem alimentos vindos do oceano. Comendo plástico até a morte As aves frequentemente têm dificuldade em distinguir entre pequenos pedaços de plástico e alimento. Segundo um estudo conduzido em 2002, 80% das aves examinadas ao longo do Mar do Norte continham partículas de plástico em suas bocas. Da mesma forma, os pesquisadores do Centro Westcoast de Pesquisa e Tecnologia, com sede na cidade alemã de Büsum, apontaram recentemente que quase todas as aves marinhas (93%) no Mar do Norte apresentavam pedaços de plástico em seus estômagos. Outro estudo encontrou uma média de 32 pedaços de plástico nos estômagos dos fulmares do norte, um parente dos petréis. Com todos esses pedaços em seu estômago, as aves sempre se sentem satisfeitas, de forma que consomem menos, obtêm menos nutrientes e, em muitos casos, morrem. Um painel de especialistas disse à UE que as aves migratórias alimentam seus filhotes na Antártida com os pedaços de plástico que encontram no Oceano Atlântico. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, há, em média, cerca de 18 mil pedaços de plástico visíveis flutuando em cada quilômetro quadrado de mar. Alguns nós de lixo flutuante são até mesmo visíveis em fotos por satélite. Os pesquisadores da Fundação Algalita de Pesquisa Marinha testaram 11 locais escolhidos aleatoriamente no meio do Oceano Pacífico e descobriram que a massa de plástico era seis vezes maior do que a massa de plâncton. O plástico, com o tempo, se desintegra em pedaços cada vez menores. Mas ele leva séculos para se decompor totalmente. O fundo do Mar do Norte está saturado de plástico Um exemplo particularmente crasso de lixo marítimo está presente na Baía Alemã, uma parte da costa da Alemanha no Mar do Norte. Oito milhões de pedaços de lixo podem ser encontrados lá. Na parte sul do Mar do Norte, uma média de 575 pedaços de lixo podem ser encontrados por metro quadrado. Ao longo das praias do Mar do Norte e do Atlântico Norte, segundo o relatório do governo, cerca de 712 pedaços de lixo podem ser contados em cada trecho de 100 metros, em média. Alguns trechos contêm até 1.200 pedaços. “Não basta limpar as praias de vez em quando”, diz o biólogo Gross. De fato, até 67% do lixo vai parar no fundo do oceano. Sob as águas do Mar do Norte se encontram 600 mil metros cúbicos de lixo, segundo cálculos oficiais, aproximadamente o volume de duas pirâmides de Gizé. Cada quilômetro quadrado do leito do Mar do Norte contém um metro quadrado de lixo. Não há escassez de sugestões sobre como lidar com o problema. O documento de estratégia do governo alemão propõe começar de modo modesto. Primeiro, ele diz, critérios sobre um mar saudável devem ser definidos e a vida marinha deve ser melhor pesquisada para corrigir o “estado difuso de nosso conhecimento”. A questão sobre se métodos-padrão de pesquisa são suficientes permanece um “problema sem uma solução satisfatória”. Mas o governo também possui algumas medidas concretas que gostaria de ver implantada. “Sacos de lixo fortes” devem ser distribuídos aos pescadores, para que 500 deles possam servir como coletores de lixo do Mar do Norte. O relatório do governo também aponta as redes de pesca soltas como um grande problema enfrentado pela vida marinha no Mar do Norte. O documento de estratégia aconselha uma avaliação sobre se as redes de pesca devem ser equipadas com dispositivos localizadores no futuro. Sistemas de reciclagem também devem ser promovidos a bordo dos navios, propõe o documento. A separação do lixo também é desejada –mas não prensas de lixo, porque então o lixo “não pode mais ser identificado”. “Controles mais rígidos e penas mais altas” também devem ser introduzidos. “Os livros-registro de lixo a bordo finalmente nos dariam uma ideia do volume real de lixo produzido, diz Onno Gross, da Deepwave. Um navio de transporte comum produz cerca de 100 quilos de lixo por dia. Caso os navios descartem pequenas quantidades suspeitas de lixo ao chegarem ao porto, eles devem ser forçados a pagar “penas drásticas”, diz Thilo Maack, do Greenpeace.Gross propõe o uso das taxas portuárias para financiamento do descarte de lixo. “O sistema normalmente encontrado nas áreas de camping deveria ser usado na marinha mercante”, ele diz. Mas o governo alemão não nutre grandes esperanças de avanços. O documento argumenta que o descarte de lixo deve permanecer gratuito caso alguém espere mudar o comportamento dos marinheiros.

Poluição piora qualidade de 21% dos rios do País

Segundo relatório que analisa as bacias hidrográficas, em SP cinco rios e o Alto Tietê estão em pior situação O Brasil concentra 12% da água potável do mundo. Ainda assim, moradores de regiões metropolitanas convivem com rios que mal dão conta de suprir suas necessidades. Poluição e mau uso dos recursos hídricos transformaram a qualidade das águas de 21% dos rios do País. Em São Paulo, cinco rios e a Bacia do Alto Tietê estão entre os que têm a pior qualidade. Os dados são do primeiro relatório de conjuntura dos recursos hídricos no Brasil, lançado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA), analisando a situação de todas as bacias hidrográficas brasileiras. De um modo geral, a qualidade das águas no País é boa - 9% foi considerada ótima e 70%, boa, com a ressalva de que boa parte dos rios do Centro-Oeste, Norte e sertão do Nordeste não foram avaliados. Ainda assim, 7% das águas foram consideradas péssimas ou ruins e 14%, regulares. Esses rios concentram-se justamente nas áreas mais povoadas do País, caso da Bacia do Alto Tietê e das bacias do Gravataí e do Sinos, rios que abastecem a região metropolitana de Porto Alegre. São situações reversíveis, mas o caso é que, apesar de haver algum tratamento do esgoto despejado nessas águas, não é uma prática universal. Seria necessário muito mais investimento. Atualmente, apenas 47% da população têm esgoto coletado. Desses, 53% são jogados nos rios sem qualquer tratamento, contribuindo para a poluição. As zonas metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Vitória são as que estão hoje em situação mais preocupante. No Estado de São Paulo a situação é bem razoável. Mas no caso do Tietê, por exemplo, quase não há dinheiro que consiga resolver o problema. Área Comprometida Outra medida de qualidade dos recursos hídricos no País é o índice de crescimento de algas e outras plantas aquáticas. Em águas com muita poluição, causada por esgoto não tratado, aumenta o número de nutrientes que provocam crescimento excessivo dessas plantas. Nesse caso, quase 30% das águas estão comprometidas e 7% tão comprometidas a ponto de haver mortandade de peixes. Em açudes, reservatórios e lagoas, 45% dos pontos avaliados estão no nível mais alto de comprometimento. O relatório revela ainda que, apesar da imensa quantidade de água potável disponível no País, a distribuição é irregular e o excesso de uso de algumas bacias é preocupante. Mais de 70% da água brasileira está na região amazônica. É aí que está a melhor situação do País, com todos os rios podendo atender sem problemas a demanda da população local. Já as três bacias que atendem a região Nordeste e Minas Gerais são hoje as que apresentam situação mais preocupante. A chamada Atlântico Nordeste Oriental, que atende os Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte e parte de Alagoas, Pernambuco e Ceará são a pior, com 91% em situação crítica, muito crítica ou preocupante. É um problema de gestão. Não significa que não tem água, mas é necessário mais controle, mais fiscalização para que o uso inadequado não leve a uma deterioração total ou até à seca. A Bacia do São Francisco é outro caso que requer cuidado: 44% em situação difícil. O superintendente explica que o Rio São Francisco tem muita água, mas a recebe basicamente nas cabeceiras, em Minas. Os rios da bacia no sertão nordestino são todos afluentes com pouca água, que secam. Daí a defesa da transposição do rio. Para levar água até essas regiões que o rio atravessa são necessárias obras. AM completa zona de conservação no entorno da BR-319 O governo do Estado do Amazonas anunciou ontem a criação de mais seis unidades de conservação (UCs) na área de influência da BR-319 (Manaus-Porto Velho), completando o mosaico de áreas protegidas com o qual se propõe "blindar" a floresta contra os efeitos do asfaltamento da rodovia. As novas unidades somam 23 mil quilômetros quadrados, uma área maior do que o Estado de Sergipe. Elas se encaixam no mapa com outras 3 UCs estaduais que já haviam sido criadas, mais 11 UCs federais e 8 UCs de Rondônia, somando 115 mil km2 de áreas protegidas. A implementação das unidades será paga com recursos de compensação ambiental do Ministério dos Transportes. A expectativa é de que o Ibama dê a licença para o asfaltamento nos próximos meses.

US$ 2,2 trilhões: o real custo da poluição

Se tivessem que arcar com os reais custos da poluição, das mudanças climáticas e de outros impactos ambientais, as 3.000 maiores empresas globais perderiam nada menos que um terço de seus lucros – o equivalente a US$ 2,2 trilhões, valor superior ao PIB da maior parte dos países do mundo.
É o que mostra um estudo encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela iniciativa Princípios para o Investimento Responsável, também da ONU. O estudo, executado pela consultoria Trucost, com sede em Londres, ainda será divulgado, mas a reportagem do jornal britânico The Guardian teve acesso ao estudo. Foram analisados os negócios de 3.000 empresas globais, muitas delas com ações negociadas nas principais bolsas de valores do mundo.
O levantamento dá fôlego à preocupação crescente de que o mercado realmente não paga nada pelo uso, pelas perdas e esgotamento a que a atividade econômica diariamente submete o meio ambiente. E avisa: esses impactos já estão tomando proporção de crise, em forma de poluição e da perda rápida de reservas de água, estoques pesqueiro e solos férteis.
Risco para a economia “Estamos falando de um paradigma completamente novo”, disse Richard Mattison, coordenador do estudo. “Externalidades dessa escala e natureza representam um enorme risco para a economia global e os mercados não estão conscientes desses riscos, então simplesmente não sabem como lidar com eles”, diz. Segundo ele, essas externalidades não incorporadas aos custos da produção podem afetar não apenas os lucros das companhias, mas também seus consumidores e investidores. O maior impacto a que se refere a perda de US$ 2,2 tri é relativo às emissões de gases causadores do efeito estufa, que representam mais da metade do montante. Outros grandes custos são a poluição do ar causada pelos combustíveis (que também se reflete em custos para o sistema de saúde)e os danos causados pelo uso ostensivo e poluição dos mananciais de água.
Entre os setores que tem os custos ambientais mais elevados estão as empresas de geração de energia e os setores eletrointensivos (que consomem muita energia elétrica), como por exemplo a indústria do alumínio. Isso por causa das emissões de gases estufa que resultam da queima de combustíveis de origem fóssil, como o carvão. Também devem figurar no topo da lista setores que são grandes consumidores de água, como fabricantes de alimentos, bebidas e artigos de vestuário. O objetivo do estudo é encorajar as empresas a reduzirem seu impacto ambiental antes mesmo que os governos lancem mão de regulação ou impostos para obrigar as companhias a fazê-lo. “Se continuar o uso irracional dos recursos naturais, isso terá um imenso impacto na economia dos países e um imenso problema para os governos consertarem”, diz Mattison. A preocupação é com o risco de muitas empresas simplesmente fiquem sem insumos que elas precisam para operar. Um exemplo é a perda estimada de 20 mil empregos e US$ 1 bilhão no ano passado enfrentada por empresas do setor agrícola da Califórnia, por causa da escassez de água no estado americano.

Efeitos Poluentes

Os efeitos da exposição a baixas concentrações de poluição ainda não estão bem estudados; contudo, os que mais risco correm são os mais novos e os mais velhos, os fumadores, os trabalhadores expostos a materiais tóxicos e pessoas com problemas cardíacos e respiratórios. Outros efeitos nocivos da poluição atmosférica são os potenciais danos na fauna e na flora. Normalmente os primeiros efeitos perceptíveis da poluição são estéticos e podem não ser, necessariamente, perigosos. Estes incluem a redução da visibilidade devido a pequenas partículas em suspensão no ar ou maus cheiros, como o cheiro a ovos podres causado pelo ácido sulfídrico emanado por fábricas de celuloses. Poluente - Principal Fonte - Limite máximo suportado e reagentes Monóxido de Carbono (CO) - Escape dos veículos motorizados; alguns processos industriais - 10 mg/m3 em 8 h (9 ppm); 40 mg/m3 numa 1 h (35 ppm) Dióxido de Enxofre (SO2) - Centrais termoelétricas a petróleo ou carvão; fábricas de ácido sulfúrico - 80 mg/m3 num ano (0,03 ppm); 365 mg/m3 em 24 h (0,14 ppm) Partículas em suspensão - Escape dos veículos motorizados; processos industriais; centrais termoelétricas; reação dos gases poluentes na atmosfera - 75 mg/m3 num ano; 260 mg/m3 em 24 h; compostas de carbono, nitratos, sulfatos, e vários metais como o chumbo, cobre, ferro Chumbo (Pb) - Escape dos veículos motorizados; centrais termoelétricas; fábricas de baterias - 1,5 mg/m3 em 3 meses; sendo a maioria do chumbo contida em partículas suspensão Óxidos de Azoto (NO, NO2) - Escape dos veículos motorizados; centrais termoelétricas; fábricas de fertilizantes, de explosivos ou de ácido nítrico - 100 mg/m3 num ano (0,05 ppm)- para o NO2; reage com Hidrocarbonos e luz solar para formar oxidantes fotoquímicos Oxidantes fotoquímicos Ozônio (O3) - Formados na atmosfera devido a reação de Óxidos de Azoto, Hidrocarbonos e luz solar - 235 mg/m3 numa hora (0,12 ppm) Etano, Etileno, Propano, Butano, Acetileno, Pentano - Escape dos veículos motorizados; evaporação de solventes; processos industriais; lixos sólidos; utilização de combustíveis - Reagem com Óxidos de Azoto e com a luz solar para formar oxidantes fotoquímicos Dióxido de Carbono (CO2) - Todas as combustões - São perigosos para a saúde quando em concentrações superiores a 5000 ppm em 2-8 h; os níveis atmosféricos aumentaram de cerca de 280 ppm, há um século atrás, para 350 ppm atualmente, algo que pode estar a contribuir para o Efeito de Estufa Muitos dos poluentes são originados por fontes diretamente identificáveis como, por exemplo, o Dióxido de Enxofre que tem como origem as centrais termoelétricas a carvão ou petróleo. Noutros casos em que a origem é bem mais remota os poluentes formam-se a partir da ação da luz solar sobre materiais bastante reativos. Para este caso temos o exemplo do Ozônio que é um poluente muito perigoso quando constituinte do chamado ''smog''. O Ozônio é produto das interações entre Hidrocarbonetos e Óxidos de Azoto quando sob a influência da luz solar. Mas mesmo sem conseguir identificar objetivamente a sua origem sabe-se que o Ozônio tem sido causa de grandes danos sobre campos de cultivo. Por outro lado as descobertas, na década de 80, de poluentes, tais como os Clorofluorcarbonetos, que estão a causar perdas na camada de Ozônio (onde este é mais do que benéfico) que protege a Terra, vieram a despopularizar o uso de produtos contendo CFCs e é alvo de grandes campanhas na atualidade cujos resultados bastante positivos estão à vista. Apesar de tudo não se sabe se as ações tomadas de forma a preservar a camada de Ozônio foram ainda a tempo de evitar um desastre. Qualquer contaminação do ar por meio de desperdícios gasosos, líquidos, sólidos, ou por quaisquer outros produtos que podem vir (direta ou indiretamente) a ameaçar a saúde humana, animal ou vegetal, ou atacar materiais, reduzir a visibilidade ou produzir odores indesejáveis pode ser considerada poluição atmosférica. Entre os poluentes do ar oriundos de fontes naturais, o Radão - gás radioativo, é o único altamente prejudicial à saúde humana. O Radão é originado pela degradação do Urânio e quando se liberta torna-se perigoso para os organismos vivos. Um dos perigos comuns deste gás é a sua acumulação em caves de casas situadas sobre certos tipos de rochas que em reação com o Urânio vêm a libertar o Radão, é por isso que este está presente em quase 20% das casas americanas em concentrações perigosas ao ponto de poder causar cancro pulmonar. Os países industrializados são os maiores produtores de poluentes, enviando anualmente bilhões de toneladas para a atmosfera. A tabela que se segue dá-nos conhecimento dos principais poluentes do ar e os seus efeitos; o seu nível de concentração no ar é dado pelo número de microgramas de poluente por m3 de ar, ou, no caso do gases, em termos de partes por milhão (ppm), o que expressa o número de moléculas do poluente por um milhão de moléculas constituintes do ar.

Alerta da ONU referente à lixo eletrônico

Relatório da ONU alerta que geração de lixi eletrônico cresce em torno de 40 toneladas ao ano.
A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu medidas urgentes contra o crescimento exponencial do lixo de origem eletrônica em países emergentes como o Brasil. Ela considera o fato um problema grave para o ambiente e a saúde pública. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) apresentou hoje na Indonésia um relatório sobre o tema. Nele, prevê sérias consequências ainda nesta década pelas montanhas de resíduos “perigosos” e “tóxicos” que se acumulam sem nenhum controle nas economias em desenvolvimento. A geração de lixo eletrônico global cresce a uma taxa de cerca de 40 milhões de toneladas por ano, segundo o relatório. “Este documento ressalta a urgência de estabelecer um processo ambicioso e regulado de coleta e gestão adequada do lixo eletrônico”, afirmou o alemão Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma e subsecretário da ONU. Steiner explicou que Brasil, China, Índia e México serão os principais prejudicados pelo lixo e enfrentam “crescentes danos ambientais e problemas de saúde pública”. O estudo destaca, por tamanho, taxa de crescimento econômico e perspectivas, os casos da Índia e, sobretudo, China, o segundo maior produtor de lixo eletrônico do mundo (2,3 milhões de toneladas ao ano) atrás apenas dos Estados Unidos. Até 2020 Os especialistas do Pnuma estimam que, até 2020, o volume de resíduos procedentes de computadores abandonados crescerá 500% na Índia em relação a 2007, e 400% na China e África do Sul. Nesse mesmo ano, a quantidade de telefones celulares abandonados na Índia e na China seria 18 e 7 vezes maior que a atual, respectivamente, enquanto as televisões e geladeiras sem uso em ambos os países se multiplicariam por pelo menos dois. A China é um dos maiores lixões internacionais de resíduos de origem eletrônica, apesar de ter proibido a importação de tais produtos. O relatório, intitulado “Reciclando – Do lixo eletrônico a recursos”, aponta que a maioria dos eletrodomésticos e aparelhos comuns em casas e empresas contém dezenas de peças perigosas. Admite também a dificuldade de enfrentar o desafio, devido à “complexidade” de desenvolver programas integrais de reciclagem em países em desenvolvimento e aos obstáculos que um sistema de transferência de tecnologia de nações industrializadas para emergentes encontraria. No entanto, o Pnuma apresenta soluções que requerem a participação de toda a comunidade internacional. Exportação de lixo “Temos que chegar às pessoas prejudicadas por esses produtos químicos e apresentar soluções aos líderes locais, nacionais e regionais que representem uma diferença”, assinalou Donald Cooper, especialista em resíduos perigosos do Pnuma. Nessa linha, a agência da ONU propõe a aplicação de novas tecnologias e mecanismos, além do estabelecimento de “centros de gestão de lixo eletrônico” nos países em desenvolvimento. O Pnuma adverte sobre a resistência apresentada pelo setor que até o momento lucrou com a gestão desses resíduos e dos problemas que surgiram em certas nações pela falta de infraestrutura. O documento sugere enviar as peças especialmente perigosas, entre elas circuitos integrados e pilhas, a países industrializados com capacidade de processá-los adequadamente.“O lixo de uma pessoa pode ser a matéria-prima de outra. O desafio dos resíduos eletrônicos representa um passo importante na transição a uma economia ecológica”, afirmou Konrad Osterwalder, reitor da Universidade das Nações Unidas (UNU).

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...