quinta-feira, 1 de abril de 2010

Estudo revela que lixo plástico forma mancha no Atlântico

Rota percorrida pelo navio SSV Corwith Cramer, da Sea Education Association. Cientistas da Sea Education Association (SEA, na sigla em inglês) anunciaram a descoberta de uma região no Atlântico Norte onde detritos de lixo plástico parecem se acumular. A área está sendo comparada com a já bem documentada “grande mancha de lixo do Pacífico”. Kara Lavender Law, da SEA, disse à BBC que o tema dos resíduos plásticos vem sendo “amplamente ignorado” no Oceano Atlântico. Ela anunciou os resultados da pesquisa, feita ao longo de duas décadas, em um encontro científico em Portland, nos Estados Unidos. “Nós encontramos uma região mais ou menos ao norte do Oceano Atlântico onde estes resíduos parecem estar concentrados e permanecem durante longos períodos”, explicou Kara Lavender Law. “Mais de 80% dos detritos plásticos foram encontrados na região entre 22 e 38 graus norte. Ou seja, temos uma latitude onde o lixo parece se acumular”, completou. Estudo aprofundado O estudo é o mais longo e aprofundado já feito para determinar a presença de resíduos de plástico nos oceanos. Cientistas e estudantes da SEA coletaram plásticos e outros resíduos marinhos em redes de malha fina arrastadas pelo barco de pesquisa. As redes permaneceram parte submersas e parte fora da água, coletando assim resíduos e pequenos organismos da superfície marítima. Os cientistas fizeram 6,1 mil reboques na região do Caribe e do Atlântico Norte, na costa americana. Mais da metade destas expedições revelaram pedaços de plástico flutuando na superfície da água – resíduos de baixa densidade usados na fabricação de diversos produtos, inclusive sacos plásticos. O impacto deste acúmulo de lixo no ambiente marinho ainda não é conhecido, acrescentou Kara Lavender Law. “Mas nós sabemos que muitos organismos marinhos estão consumindo este plástico e também que isso tem um efeito adverso sobre aves marinhas em particular”, disse a pesquisadora à BBC. O estudo revelou também que os detritos plásticos são normalmente pequenos e não formam uma mancha heterogênea, ou seja, estão dispersos em uma grande área.

Estão matando os rios de Salvador

Em nome da ‘governabilidade’ Em nome da ‘governabilidade’ matam-se os rios de Salvador. Se você for usar um dia para visitar as igrejas (católicas) de Salvador, precisarão exatamente um ano, 365 dias para visitar todas elas. E mais ou menos seria este mesmo ritual para conhecer os pequenos Rios que chegavam à Baia de Todos os Santos, uma das maiores do mundo. Pelo Plano Nacional de Recursos Hídricos, a Bahia está inserida em duas regiões hidrográficas: a do Atlântico Leste e a do Rio São Francisco. Na década de 90, para fins de gestão dos recursos hídricos, a Bahia tinha apenas 13 regiões, em 2005 foram ampliadas para 17 e agora em 2009 a ex SRH hoje INGÁ – Instituto das Águas e Climas ampliou para 26 RPGAs – Regiões de Planejamento de Gestão das Águas. Especificamente vamos tratar da RPGA XI, do Recôncavo Norte que é a Bacia Hidrográfica a que a nossa capital pertence. Na primeira gestão do prefeito João Henrique Barradas Carneiro (PMDB), em 2008 quando era aliado do Governador do Estado Jaques Wagner (PT), silenciosamente mataram o Rio dos Seixos que corria normalmente e era conhecido pela maioria dos soteropolitanos apenas como “Canal da Centenário”, em referência à avenida do mesmo nome. Com a ocupação desordenada do solo e sem a preservação das APPs – Área de Preservação Permanente este canal perdeu a qualidade de rio e passou a ser esgoto a céu aberto, exalando um cheiro fortíssimo de gás de pântano. Como fica em uma das áreas imobiliárias mais caras da Bahia (Bairro da Barra), os “in-gestores” municipal e estadual resolveram fazerem o tamponamento do canal transformando-o em uma área de laser. Jogaram o lixo (efluente) em baixo do tapete e o grande “esgotão” que corria a céu aberto na Avenida Centenário chega ao mar sem tratamento. É mais fácil matar um Rio do que tratá-lo. Esta obra é um dos questionamentos do Ministério Pública da Bahia na 1ª Vara Federal que pede a retirada da cobertura do Rio, e pede medidas para tratamento daquele corpo d’água. A lei federal de Recursos Hídricos 9.433/97 e a lei estadual 11.612/09, diz claramente que outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água existente em um corpo de água necessita de Outorga do Órgão Gestor, que na Bahia é fornecida pelo INGÁ (Instituto de Gestão das Águas e Clima) (http://www.inga.ba.gov.br/modules/news/article.php?storyid=863), mas como nessa época estes “in-gestores” eram “companheiros” foi uma farra a inauguração do tamponamento do “Canal da Centenário”. Festejaram no mesmo palanque o grave crime ambiental. Quando é cometido um crime ambiental e não tem punição, principalmente quando une gato e rato para atacar o cozinheiro (meio ambiente), geralmente procuram cometer outro de proporção maior. Mas como digo no título deste artigo, a tal governabilidade ficou mais frágil, aconteceu o rompimento entre o Governador que é do PT e o prefeito que é do PMDB que por sua vez apoia o ministro da Integração Geddel Viera Lima. Para que cada qual um ocupe o seu “quadrado”, como diz uma das “melôs” da Bahia, resolveram fazer também o tamponamento do Canal do Imbui, que é formado pelos seguintes rios: Saboeiro, Rio das Pedras, Cascão e Baixo Pituaçu que tem o seu exultório na Praia dos Artistas, no bairro da Boca do Rio, obra que foi orçada, aprovada e atualmente em fase de conclusão no valor de R$ 57,5 milhão Hoje somos testemunhas oculares dos grandes alagamentos na capital paulista, o que é resultado inequívoco deste tipo de obra em mais de 40 canais da cidade. Salvador tem uma especificidade maior quanto ao Canal do Imbui, porque com a canalização, a drenagem muda completamente a hidráulica do Rio e com certeza a cunha salina da Praia dos Artistas poderá influenciar negativamente e interromper o ciclo natural de reprodução de toda equitiofauna daquele berçário natural. Além do tamponamento dos Canais da Centenário e do Imbui, estão previstos e aprovadas pelos “in-gestores”, verbas para o mesmo procedimento em dois outros canais da cidade: Canal do Vale do Canela orçado em R$ 6,6 milhão e o Canal da Vasco da Gama no valor de R$ 57,3 milhão. Tecnicamente o Dr. Carlos E. M. Tucci em um de seus artigos sobre drenagem urbana diz que: “O ciclo hidrológico sofre fortes alterações nas áreas urbanas devido, principalmente, à alteração da superfície e a canalização do escoamento, aumento de poluição devido à contaminação do ar, das superfícies urbanas e do material sólido disposto pela população. Esse processo apresenta grave impacto nos países em desenvolvimento, onde a urbanização e as obras de drenagem são realizadas de forma totalmente insustentável, abandonada pelos países desenvolvidos já há trinta anos. A política existente de desenvolvimento e controle dos impactos quantitativos na drenagem se baseia no conceito de escoar a água precipitada o mais rápido possível. Este princípio foi abandonado nos países desenvolvidos no início da década de 1970. A conseqüência imediata dos projetos baseados neste conceito é o aumento das inundações a jusante devido à canalização”, que é o que vem acontecendo no “Bate Facho” (favela a jusante do Imbui), que já sofreu três grandes alagamentos após o início das obras do Canal do Imbui. Parafraseando o ilustre político baiano Otávio Mangabeira que disse “Pense num absurdo. Na Bahia tem precedente”, é que citamos o IGAM – Instituto Mineiro de Gestão das Águas que em 2003, juntamente com a organização não governamental da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais (Projeto Manuelzão) elaborou um plano de revitalização para o Rio das Velhas que tem como afluente o Arrudas que corta a capital mineira, no valor de R$ 1,3 bilhão para que, em 10 anos de ação e de educação ambiental, em 2013 se possa pescar no Rio Arrudas. Quem bom seria que, se em 2008, quando foi alterado o nome do Órgão Gestor da Bahia de SRH – Superintendência de Recursos Hídricos para INGÁ – Instituto de Gestão das Águas e Climas tivessem também teclado um “CTRL C” e em seguida um “CTRL V” nesta idéia revitalizadora do IGAM – Instituto Mineiro de Gestão das Águas para podermos também pescar nos rios urbanos de Salvador. Se você for usar um dia para visitar as igrejas (católicas) de Salvador, precisarão exatamente um ano, 365 dias para visitar todas elas. E mais ou menos seria este mesmo ritual para conhecer os pequenos Rios que chegavam à Baia de Todos os Santos, uma das maiores do mundo. Pelo Plano Nacional de Recursos Hídricos, a Bahia está inserida em duas regiões hidrográficas: a do Atlântico Leste e a do Rio São Francisco. Na década de 90, para fins de gestão dos recursos hídricos, a Bahia tinha apenas 13 regiões, em 2005 foram ampliadas para 17 e agora em 2009 a ex SRH hoje INGÁ – Instituto das Águas e Climas ampliou para 26 RPGAs – Regiões de Planejamento de Gestão das Águas. Especificamente vamos tratar da RPGA XI, do Recôncavo Norte que é a Bacia Hidrográfica a que a nossa capital pertence. Na primeira gestão do prefeito João Henrique Barradas Carneiro (PMDB), em 2008 quando era aliado do Governador do Estado Jaques Wagner (PT), silenciosamente mataram o Rio dos Seixos que corria normalmente e era conhecido pela maioria dos soteropolitanos apenas como “Canal da Centenário”, em referência à avenida do mesmo nome. Com a ocupação desordenada do solo e sem a preservação das APPs – Área de Preservação Permanente este canal perdeu a qualidade de rio e passou a ser esgoto a céu aberto, exalando um cheiro fortíssimo de gás de pântano. Como fica em uma das áreas imobiliárias mais caras da Bahia (Bairro da Barra), os “in-gestores” municipal e estadual resolveram fazerem o tamponamento do canal transformando-o em uma área de laser. Jogaram o lixo (efluente) em baixo do tapete e o grande “esgotão” que corria a céu aberto na Avenida Centenário chega ao mar sem tratamento. É mais fácil matar um Rio do que tratá-lo. Esta obra é um dos questionamentos do Ministério Pública da Bahia na 1ª Vara Federal que pede a retirada da cobertura do Rio, e pede medidas para tratamento daquele corpo d’água. A lei federal de Recursos Hídricos 9.433/97 e a lei estadual 11.612/09, diz claramente que outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água existente em um corpo de água necessita de Outorga do Órgão Gestor, que na Bahia é fornecida pelo INGÁ (Instituto de Gestão das Águas e Clima) (http://www.inga.ba.gov.br/modules/news/article.php?storyid=863), mas como nessa época estes “in-gestores” eram “companheiros” foi uma farra a inauguração do tamponamento do “Canal da Centenário”. Festejaram no mesmo palanque o grave crime ambiental. Quando é cometido um crime ambiental e não tem punição, principalmente quando une gato e rato para atacar o cozinheiro (meio ambiente), geralmente procuram cometer outro de proporção maior. Mas como digo no título deste artigo, a tal governabilidade ficou mais frágil, aconteceu o rompimento entre o Governador que é do PT e o prefeito que é do PMDB que por sua vez apoia o ministro da Integração Geddel Viera Lima. Para que cada qual um ocupe o seu “quadrado”, como diz uma das “melôs” da Bahia, resolveram fazer também o tamponamento do Canal do Imbui, que é formado pelos seguintes rios: Saboeiro, Rio das Pedras, Cascão e Baixo Pituaçu que tem o seu exultório na Praia dos Artistas, no bairro da Boca do Rio, obra que foi orçada, aprovada e atualmente em fase de conclusão no valor de R$ 57,5 milhão Hoje somos testemunhas oculares dos grandes alagamentos na capital paulista, o que é resultado inequívoco deste tipo de obra em mais de 40 canais da cidade. Salvador tem uma especificidade maior quanto ao Canal do Imbui, porque com a canalização, a drenagem muda completamente a hidráulica do Rio e com certeza a cunha salina da Praia dos Artistas poderá influenciar negativamente e interromper o ciclo natural de reprodução de toda equitiofauna daquele berçário natural. Além do tamponamento dos Canais da Centenário e do Imbui, estão previstos e aprovadas pelos “in-gestores”, verbas para o mesmo procedimento em dois outros canais da cidade: Canal do Vale do Canela orçado em R$ 6,6 milhão e o Canal da Vasco da Gama no valor de R$ 57,3 milhão. Tecnicamente o Dr. Carlos E. M. Tucci em um de seus artigos sobre drenagem urbana diz que: “O ciclo hidrológico sofre fortes alterações nas áreas urbanas devido, principalmente, à alteração da superfície e a canalização do escoamento, aumento de poluição devido à contaminação do ar, das superfícies urbanas e do material sólido disposto pela população. Esse processo apresenta grave impacto nos países em desenvolvimento, onde a urbanização e as obras de drenagem são realizadas de forma totalmente insustentável, abandonada pelos países desenvolvidos já há trinta anos. A política existente de desenvolvimento e controle dos impactos quantitativos na drenagem se baseia no conceito de escoar a água precipitada o mais rápido possível. Este princípio foi abandonado nos países desenvolvidos no início da década de 1970. A conseqüência imediata dos projetos baseados neste conceito é o aumento das inundações a jusante devido à canalização”, que é o que vem acontecendo no “Bate Facho” (favela a jusante do Imbui), que já sofreu três grandes alagamentos após o início das obras do Canal do Imbui. Parafraseando o ilustre político baiano Otávio Mangabeira que disse “Pense num absurdo. Na Bahia tem precedente”, é que citamos o IGAM – Instituto Mineiro de Gestão das Águas que em 2003, juntamente com a organização não governamental da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais (Projeto Manuelzão) elaborou um plano de revitalização para o Rio das Velhas que tem como afluente o Arrudas que corta a capital mineira, no valor de R$ 1,3 bilhão para que, em 10 anos de ação e de educação ambiental, em 2013 se possa pescar no Rio Arrudas. Quem bom seria que, se em 2008, quando foi alterado o nome do Órgão Gestor da Bahia de SRH – Superintendência de Recursos Hídricos para INGÁ – Instituto de Gestão das Águas e Climas tivessem também teclado um “CTRL C” e em seguida um “CTRL V” nesta idéia revitalizadora do IGAM – Instituto Mineiro de Gestão das Águas para podermos também pescar nos rios urbanos de Salvador.

Água poluída mata mais do que todos os tipos de violência

Relatório da ONU alerta que água poluída mata mais do que todos os tipos de violência.
O consumo e a uso de água não tratada e poluída matam mais do que todas as formas de violência, segundo relatório divulgado ontem (22), no Dia Mundial da Água, em Nairóbi, no Quênia, na África. O documento intitulado “Água Doente” foi elaborado pelo Programa para o Meio Ambiente da das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês). O estudo afirma que pelo menos 1,8 bilhão de crianças com menos de 5 anos de idade morrem por ano em decorrência da “água doente” – o que representa uma morte a cada 20 segundos. Por isso, alerta para a necessidade de adoção de medidas urgentes. De acordo com o relatório, as populações urbanas deverão dobrar de tamanho nas próximas quatro décadas. A projeção é que os números subam dos atuais 3,4 bilhões para mais de 6 bilhões de pessoas. Nas grandes cidades já há carência de gestão adequada das águas residuais em decorrência do envelhecimento do sistema, de falhas na infraestrutura ou de esgoto insuficiente. “Isso significa que mais pessoas agora morrem [por causa] de água contaminada e poluída do que de todas as formas de violência, inclusive guerras. A água contaminada é também um fator chave no aumento de vidas vegetais e animais mortas em mares e oceanos de todo o mundo”, diz o documento, informando que 2 bilhões de toneladas de resíduos são jogadas em águas de todo o mundo por ano. Segundo o documento, substâncias que compõem um poluente de águas residuais, como nitrogênio e fósforo, podem ser úteis na produção de fertilizantes para a agricultura. O alerta é acompanhado pela informação de que 10% da população mundial consomem alimentos cultivados com águas residuais para irrigação e adubação. “É um desafio que vai aumentar, pois o mundo sofre rápida urbanização e industrialização, além de crescente demanda por carnes e outros alimentos, a não ser que se tomem medidas decisivas”, adverte o estudo.

Mudança climática no Xingu

Raoni Txucarramãe reclama dos efeitos de mudança climática no Xingu. Líder indígena reclama dos efeitos de mudança climática no Xingu. Ondas de calor jamais sentidas. Ventos acima da média. Rios cada vez menos caudalosos. Esse é o cenário atual da região do Alto Xingu, segundo o chefe indígena Raoni Txucarramãe, líder da etnia caiapó. Conhecido ícone da causa ambientalista, o líder caiapó, que chegou a viajar para o exterior acompanhado do músico britânico Sting, foi ontem o convidado de honra de um evento em Cuiabá (MT) que discutiu os impactos do aquecimento global no Centro-Oeste. Reportagem de Rodrigo Vargas, da Agência Folha, em Cuiabá. Ele falou sobre como a mudança climática afeta os índios. Com “aproximadamente 87 anos”, Raoni disse que queimadas, desmatamento e grandes obras de infraestrutura previstas para a região amazônica, como a usina de Belo Monte (PA), poderão agravar os efeitos já sentidos hoje. “O calor está intenso, os ventos são muitos mais fortes do que eram antes e o nível dos rios na seca é diferente do que era tempos atrás. Estou muito preocupado, pois estou vendo acontecer tudo o que vinha falando há tanto tempo”, disse. Segundo Raoni, não é apenas a etnia caiapó que percebe as mudanças. “Vários outros povos do Alto Xingu estão assustados com o calor e a ventania. Há muito tempo era bom, tinha muita floresta e a gente vivia tranquilo. Agora temos medo que o Xingu possa secar.” Sobre a usina de Belo Monte, que será uma das maiores do mundo, Raoni disse que os “projetos de desenvolvimento do governo brasileiro” devem respeitar “os índios e suas terras. Por isso, fiquei indignado com o que o ministro disse.” Ele faz referência a declarações do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), para quem o projeto da usina sofre oposição de “forças demoníacas”. “Estou preocupado com Belo Monte e acho que seria bom mesmo o rio ficar lá quieto, em seu leito e sem barragem. Temos o direito de viver em nossa terra”, diz Raoni. A percepção de Raoni sobre o clima no Alto Xingu pode não estar diretamente relacionada a um fenômeno global, diz o engenheiro florestal Maurício Philipp, coordenador do departamento de mudanças climáticas do governo de Mato Grosso. Alterações na cobertura vegetal da região do Xingu (norte de MT e sul do PA) poderiam explicar, por exemplo, o agravamento da estiagem. Se há um desmatamento maior, há interferência no ciclo hidrológico. Sem a cobertura vegetal, não há retenção da água da chuva para os canais de drenagem. Mesmo cientistas não têm condições de diferenciar bem o que é “variabilidade natural do clima e o que pode ser atribuído à uma mudança provocada por ações antrópicas. No caso do Xingu, acredito em alterações regionais, no microclima. Isso não descarta a possibilidade de existir algum efeito global se manifestando, mas é algo que precisa ser muito bem analisado para que se possa afirmar com segurança.

Acordo climático

Negociação para acordo climático pode entrar em 2010. Especialista britânico diz que demora em aprovação de lei nos EUA pode causar atraso na fixação de metas. As conversações internacionais sobre a mudança climática poderão precisar de uma prorrogação até o próximo ano para que os países concordem em cortes de emissão de CO2 para 2020, já que as novas leis dos Estados Unidos sobre a questão provavelmente não estarão em vigor a tempo para a conferência da ONU marcada para dezembro em Copenhague, dizem especialistas. O acordo que surgirá da cúpula de 190 países prevista para o período de 7 a 18 de dezembro na capital da Dinamarca poderá tratar do financiamento dos países pobres para que combatam o aquecimento global, da transferência de tecnologias e do arcabouço institucional, mas a meta crucial de fixar os limites de emissão de gases causadores do efeito estufa para cada país poderá fica de fora. "Pode ser necessária uma prorrogação", disse Nick Mabey, do grupo de estudos E3G de Londres, sugerindo abril de 2010 como o prazo final para o acordo de metas de emissão. "Pode-se cuidar dos detalhes institucionais depois disso, mas não do acordo fundamental, senão vai começar a parecer Doha", disse ele, referindo-se às conversações sobre o comércio internacional, que estão em marcha lenta. "Só se pode ter prorrogação se os torcedores continuarem no estádio". Um projeto de lei que limita as emissões de CO2 nos EUA deverá passar por várias comissões até dezembro, mas não chegar ao plenário ainda este ano, dizem especialistas. E depois da aprovação no Senado, o texto precisará ser ajustado de acordo com a versão votada na Câmara. Mabey diz que muitos países podem decidir esperar o resultado da votação nos EUA antes de assumirem compromissos de cortes de CO2. Estados Unidos e China são os maiores emissores de gases causadores do efeito estufa.

Mudança climática global

A mudança climática global, verificada no século XX e intensificada nas últimas décadas, constitui uma ameaça sobre o homem e a natureza. As alterações climáticas (AC) podem ter causas naturais (variações lentas na luminosidade do Sol ou nos parâmetros que definem a órbita da Terra em torno do Sol) e/ou antropogênicas (devido principalmente às alterações na composição da atmosfera). A composição da atmosfera tem sido alterada pela emissão direta de gases com efeito de estufa (GEE), assim como por perturbações nas características físicas, químicas e ecológicas do sistema terrestre, embora as estimativas das emissões relacionadas com estas perturbações (nomeadamente pela queima da biomassa) sejam mais difíceis de contabilizar que as emissões diretas de gases para a atmosfera. Os GEE mais importantes são o CO2 (dióxido de carbono), CH4 (metano), N2O (óxido nitroso), HFCs (hidrofluorcarbonetos), PFCs (perfluorcarbonetos), SF6 (hexafluoreto de enxofre) e ozono (troposférico). A queima de combustíveis fósseis (como o carvão e o petróleo) (responsáveis por em torno de 75% das emissões antropogênicas de CO2 para a atmosfera), fogos florestais, alterações no uso do solo, transportes e deposição em aterro são algumas das fontes antropogênicas de GEE. As florestas, solo e oceanos representam sumidouros de carbono na medida em que permitem a sua retenção. Apenas as florestas e o solo, este último em muito menor escala, têm capacidade de trocar o carbono ativamente com a atmosfera, sendo por isso considerados os mais importantes. No entanto, a destruição das florestas naturais e a libertação de grandes quantidades de CO2 têm levado a que a fixação deste gás pelos sumidouros não seja suficiente para compensar o que é libertado, tendo-se vindo a intensificar a sua concentração na atmosfera. Desde 1750, a concentração atmosférica de CO2 aumentou 31% enquanto que a de CH4 aumentou em 151%.

Mudanças Climáticas

Em Lima, onde a maior fonte de água são as geleiras da cordilheira, que estão diminuindo a olhos vistos. Como será quando se derreterem toda? Nestes dias, as atenções do mundo se voltam para a cidade de Copenhague, na Dinamarca. Mais do que decidir os jogos olímpicos de verão em 2016, em Copenhague as Nações Unidas voltaram a discutir as mudanças climáticas, na busca de um consenso mínimo para as providências a serem tomadas para limitar sua expansão e diminuir seus impactos. Os diversos fenômenos climáticos, ocorridos nestes dias, convergem para uma constatação cada vez mais clara e preocupante. Enchentes, terremotos, tsunamis, parece que o planeta está reagindo às agressões que sofre de nossa parte, pelo impacto causado, sobretudo, pela crescente emissão de gases que produzem o efeito estufa, que tende a elevar a temperatura do planeta, provocando uma série de conseqüências, cujas proporções ainda não temos condições de avaliar com precisão, mas que já se manifestam através de alguns sintomas inequívocos. O mais evidente de todos é o derretimento das geleiras, tanto nas proximidades dos pólos como nas montanhas. Nestas, concretamente, as mudanças são evidentes e indiscutíveis. Basta comparar, por exemplo, a camada de neve nos Alpes ou nos Andes. Tempos atrás se falava, figurativamente, de “neves eternas”, tal a constância da situação, que permanece inalterada ao longo dos anos. Basta cotejar fotos do ano anterior, e constatar quanto a situação está mudada. Olhando essa situação em perspectiva, os cenários ficam preocupantes. Por circunstâncias curiosas de sua localização geográfica, Lima nunca tem chuva. Colocada à beira do mar, no Pacífico, e encostada na cordilheira dos Andes, a cidade pode até ficar coberta de nuvens, mas as precipitações pluviométricas caem nos Andes ou mar adentro. Porém, a água, preciosa e indispensável, acaba chegando abundante em Lima, descendo das montanhas. Sua fonte maior são as geleiras no alto da cordilheira. Acontece que estas geleiras estão diminuindo a olhos vistos. Por ora a água continua chegando. Mas todos fazem a mesma pergunta, que por enquanto fica sem resposta: como será quando as geleiras se derreterem todas? A mesma pergunta é feita em Mendoza, na Argentina, pelos donos dos lindos parreirais, favorecidos pelo mesmo fenômeno: nunca chove, mas a água abundante para irrigar as parreiras desce das geleiras dos Andes. E quando elas acabarem? Outros fazem perguntas mais dramáticas. Pois o derretimento das geleiras, sobretudo as dos pólos, precipitará no mar uma quantidade enorme de água, que forçosamente irá provocar uma sensível elevação dos oceanos, com a conseqüente inundação de extensas áreas que agora estão à beira do mar. Também aqui,?a pergunta unânime permanece sem resposta. O caminho da racionalidade começa perguntando pelas causas dessa situação que vai ficando sempre mais evidente. Por enquanto é apontada uma causa, consistente, mas que por sua vez precisa ser desdobrada em outras causas que a antecedem. É evidente que as geleiras derretem por causa do calor. O derretimento aumenta porque aumenta o calor. Portanto, a causa está no aquecimento global. Aí se chega ao vilão da história: o aquecimento global é produzido pelo aumento dos gases que produzem efeito estufa. Isto é, aquecem a atmosfera. Em princípio, estes gases são bons, pois sem eles a temperatura da superfície terrestre ficaria perto dos 15 graus abaixo de zero, e não haveria vida nenhuma em nosso planeta. Acontece que estes gases aumentaram muito, pelo crescente lançamento de gás carbono produzido pela combustão dos motores, que acionam as indústrias, e pelos milhões de automóveis que andam pelas ruas. Pronto, está localizada a causa! Mas quem está disposto a desligar os seus motores? Por aí se percebe a complexidade do problema. A humanidade, despreocupada com o destino do planeta, até hoje aprendeu a explorar suas riquezas, achando que eram inesgotáveis. Está na hora de ouvir seus gritos, enquanto é tempo, para reverter um colapso que não interessa a ninguém.

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...