Alerta para o desmatamento e o aumento das emissões de CO2 em Pernambuco
Em recente reunião (24/09/2010) sobre biodiversidade durante a cúpula das Nações Unidas sobre as Metas do Milênio em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, afirmou que a degradação da biodiversidade acelera-se no mundo, em razão das atividades humanas.
Não há duvidas que sem a proteção dos nossos ecossistemas e da biodiversidade não seremos capazes de mitigar a mudança climática nem de nos adaptar a seu impacto, nem de prevenir a desertificação e degradação dos solos.
Podemos afirmar que, aliado a experiência e tecnologia aos nossos recursos naturais, o Brasil tem as melhores condições de dar respostas aos desafios ambientais do século 21. Lamentavelmente estamos na contramão destas possibilidades, pois o modelo de desenvolvimento em curso associado à política energética, decidida sem discussão com a sociedade pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento do Presidente da República que formula as políticas e diretrizes de energia, têm optado por soluções insustentáveis.
Diferentemente da propaganda oficial que difunde que o Brasil está fazendo sua parte na proteção ambiental e na redução de emissão de gases de efeito estufa; o planejamento energético a médio e longo prazo e o modelo de desenvolvimento/recursos financeiros previstos no Programa de Aceleração do Crescimento aponta no sentido do fortalecimento da indústria de petróleo e gás (fonte de emissão de gases de efeito estufa) com a construção de termoelétricas a combustíveis fósseis (óleo combustível, diesel e gás natural), a construção de novas usinas nucleares e de mega-hidrelétricas na região Amazônica. Ou seja, as opções desenvolvimentistas e a geração de energia para sustentar estas ações, estão no sentido oposto de um país sustentável.
Contrário a este modelo predatório de desenvolvimento em curso, propomos uma reflexão sobre o desenvolvimento, em suas múltiplas manifestações, que simplesmente não é uma questão de ter, mas sim de ser mais. Na história se verifica que pensadores e filósofos de todos os tempos e de todos as matizes ideológicas profetizaram a esse respeito. Mahatma Gandhi, um dos idealizadores e fundadores do moderno estado indiano, argumentava que o desenvolvimento seria bom e justo somente se elevasse a condição dos mais simples e modestos. Adam Smith, economista escocês, um dos teóricos mais influentes da economia moderna, responsável pela teoria do liberalismo econômico, preocupado em estudar a riqueza das nações, afirmou que a verdadeira riqueza deve ser avaliada pelo padrão de vida das famílias. O padre Louis Joseph Lebret, economista e religioso católico dominicano criador do centro de pesquisa e ação econômica “Economia e Humanismo”, defendia que o desenvolvimento não deve ser visto apenas pelo lado econômico, mas também pelo social, ético, político, moral.
Portanto é pela inclusão das pessoas e da melhoria de vida de cada um, tornando-as participativas, que deve ser o foco das preocupações econômicas e de desenvolvimento. A economia deve ser voltada à justiça social, promovendo o progresso a serviço dos mais pobres. Sem inclusão, definitivamente não há progresso.
Apesar do discurso oficial, em vários estados brasileiros, estão sendo cometidos atentados e agressões ao meio ambiente em nome do crescimento econômico a qualquer custo. Em Pernambuco alguns empreendimentos estão contribuindo para a destruição ambiental e para o aumento das emissões de gases de efeito estufa. Tudo em nome do crescimento econômico, que tem se destacado acima da média nacional, ao tomarmos o PIB como indicador.
A seguir são enumerados alguns empreendimentos já construídos, em construção ou anunciados que apontam para a supressão do pouco que resta ainda do bioma da Mata Atlântica no Estado, que abriga parcela significativa da diversidade biológica. Hoje, o Nordeste só possui cerca de 2% da floresta original e, em Pernambuco, não há nenhum mapeamento sobre a extensão atual da Mata Atlântica, mas estima-se que restam menos que 2,5% da cobertura original. Os projetos propostos pelo governo estadual, para a produção de energia elétrica optando pelas termoelétricas movidas a óleo combustível (derivado do petróleo que mais contribui ao efeito estufa e diretamente com as mudanças climáticas), e pelo polêmico uso da energia nuclear para produção de energia elétrica com todas as incertezas, riscos e problemas existentes, têm contribuído e contribuirão para devastar mais ainda os fragmentos existentes da mata original, e de aumentar consideravelmente as emissões de CO2.
Barragem de Morojozinho
Esta barragem a ser construída em Nazaré da Mata (50 km de Recife), prevê o corte de 6,24 ha de Mata Atlântica, no riacho Morojozinho, no Engenho Morojó. Lembrando que em Pernambuco a Mata Atlântica ocupa menos de 2,5% da cobertura original.
Implantação e pavimentação do contorno rodoviário do Cabo de Santo Agostinho
A chamada “Via Expressa” prevê a ligação viária entre a BR-101 e o distrito de Nossa Senhora do Ó. O principal impacto ambiental é representado pela supressão de vegetação de Mata Atlântica. Dos 11,80 hectares a serem suprimidos, 2,6 ha estão localizados em Áreas de Preservação Permanente.
Usina Termoelétrica Suape II
A construção da usina termelétrica Suape II, no Complexo Industrial e Portuário de Suape, localizado entre os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, há 40 km ao sul de Recife. A potência instalada será de 380 MW, e consumirá óleo combustível, uma sujeira só para o meio ambiente. O projeto pertence a um grupo formado pela Petrobrás e a Nova Cibe Energia (Grupo Bertin), cujo início de operação comercial está prevista para janeiro de 2012. Estima-se a emissão anual de pelo menos 2 milhões de toneladas de CO2, (considerando que para cada tonelada equivalente de petróleo-tep se produz 3,34 toneladas de CO2, e que 1 m3 de óleo combustível é igual 0,946 tep).
Previsão de outra Termoelétrica em Suape (III ?)
Anunciada em julho de 2010 durante a reunião do Conselho Estadual de Políticas Industriais, Comerciais e de Serviços (Condic). Esta nova térmica a ser instalada também no Complexo Industrial e Portuário de Suape, consumindo óleo combustível, terá um potencia instalada de 1.450 MW. Estima-se preliminarmente que a emissão anual será de 8 milhões de toneladas de CO2 .
Ampliação do Complexo Industrial e Portuário de Suape
Recentemente foi autorizado pela Assembléia Legislativa o desmatamento para a ampliação do Complexo Industrial e Portuário de Suape de 691 hectares (tamanho aproximado de 700 campos de futebol) de mata nativa, sendo 508 de mangue, 166 de restinga e 17 de Mata Atlântica. Inicialmente previsto o desmatamento de 1.076,49 hectares de vegetação nativa, mas foi reduzido devido a pressão de organizações da sociedade civil pelo absurdo proposto.
Governo estadual disputa instalação de usina nuclear
Anunciado que o Estado vai entrar na disputa para receber uma das duas centrais nucleares que o governo federal planeja instalar no Nordeste. É sabido que no artigo 216 a Constituição Estadual, proíbe a instalação de usinas nucleares enquanto não se esgotar toda a capacidade de produzir energia elétrica de outras fontes. Logo, terá que mudada a Constituição Estadual para instalar esta usina em Pernambuco.
Construção de Pequena Central Hidroelétrica (PCH)
Desmatamento de vegetação nativa autorizado pela Assembléia Legislativa de 7,4 hectares visando o alagamento de uma área para a formação do reservatório da PCH de 6,5 MW denominada Pedra Furada, localizada nos municípios de Ribeirão e Joaquim Nabuco, na Mata Sul, distante a 87 km do Recife.
Termope (Termoelétrica de Pernambuco)
Foi iniciada a construção a partir de 2001, como parte do Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT) do Governo Federal. Entrou em operação em 2004, e esta localizada no Complexo Industrial e Portuário de Suape com potência instalada de 532 MW, e a plena carga consome 2 milhões de m3 de gás natural. Emissões anuais de CO2 são estimadas em 1,8 milhões de toneladas (considerando que para cada tonelada equivalente de petróleo se produz 2,12 toneladas de CO2, onde .1 m3 de gás é igual a 0,968 tep). O terreno ocupado possibilita a duplicação da usina podendo atingir a potência de 1.064 MW.
A construção de um estádio e da cidade da copa, para a Copa do Mundo de 2014
Resultará no desmatamento de uma área considerável do fragmento da Mata Atlântica de São Lourenço da Mata, situada a 20 km de Recife. O projeto da Cidade da Copa prevê uma área de 239 hectares para construção de todos os equipamentos (previstos prédios residenciais e um hospital). O estádio ocupará cerca de 40 ha desse total. (EcoDebate)
O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
‘Terra Mãe’: em defesa das hortas na África
Milhares de hortas na África. Nas periferias repletas de desesperados que fogem do avanço do deserto e das guerras. Nas escolas que protegem o futuro do continente. Nas ilhas de resistência assediadas pelas monoculturas que sacrificam para a exportação os alimentos necessários para a sobrevivência de milhões de pessoas.
É essa a proposta que será lançada no “Terra Madre”, o encontro de 50 mil representantes das comunidades de base do alimento provenientes de 163 países, organizado pelo Slow Food, em Turim, na Itália, de 21 a 25 de outubro.
A reportagem é de Antonio Cianciullo, publicada no jornal La Repubblica, 24-09-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Leia na íntegra“Pode parecer estranha a ideia de criar hortas em um continente que, no imaginário comum, está associado a uma multidão de pequenos campos, mas a realidade já está muito distante desse estereótipo”, explica Carlo Petrini, fundador do Slow Food. “A pressão das multinacionais, das monoculturas voltadas para a exportação, dos pesticidas, da urbanização, do avanço do deserto alterou equilíbrios seculares. Nas favelas em crescimento violento, perdeu-se a memória dos saberes alimentares que permitiam sobreviver também em condições muito difíceis, e os produtos tradicionais foram substituídos pelo fast food”.
Até hoje, a operação-horta conseguiu estabelecer as primeiras 150 bases das culturas tradicionais em cerca de 20 países. O objetivo é chegar a mil até o final de 2011. Mas é preciso acertar as contas, país por país, com resistências muito fortes e problemas crescentes.
No Senegal, 95% do arroz cultivado já vem do Sudeste Asiático, e as produções tradicionais são residuais. O projeto Mangeons Local, nascido em 2008 e defendido pela região do Piemonte, colocou em contato os pequenos produtores com cozinheiros e pesquisadores para sustentar uma rede de consumo baseado no fonio, um dos cereais tradicionais, o milho e o sorgo, que também serão cultivados nas novas hortas.
Na Costa do Marfim, os maiores problemas nascem, ao invés, do crescimento dos conflitos, o que comprometeu a circulação das mercadorias e a produção agrícola. O relançamento das hortas visa recuperar o uso de hortaliças locais e da sumbala, um composto que exalta o sabor dos alimentos e que caiu em desuso, substituído pelos caldos de tempero industriais impostos com uma opressiva campanha de marketing.
Na Guiné-Bissau, a monocultura de castanhas suplantou os cultivos tradicionais: a partir de maio, toda a mão-de-obra disponível foi monopolizada, e as hortas, abandonadas. Além disso, o abuso de vinho de castanha multiplicou os casos de alcoolismo.
A resposta das hortas é apostar nos produtos tradicionais como o arroz de pilau e a pimenta malagueta. No Quênia, confrontos étnicos e o abandona das técnicas tradicionais agravaram a migração para as áreas urbanas: os campos se despovoam, e a idade média dos agricultores aumenta. Para defender o equilíbrio ambiental e social dos vilarejos, serão multiplicadas as hortas em que se cultiva a abóbora de Lare e a urtiga. (Ecodebate)domingo, 3 de outubro de 2010
Presidenciáveis abandonam o lado ecológico do País
Eleições 2010: Campanha presidencial deixou de lado potencial ecológico do País.
A proteção climática recebe mais atenção fora do que dentro do Brasil. Embora nação seja vista como promessa de liderança verde, com exceção de Marina Silva, candidatos à presidência dão pouca importância ao assunto.
Sob a perspectiva estrangeira, o Brasil recebe destaque por sua forte atuação em favor da proteção ambiental. A imprensa internacional lembra com frequência o punho de ferro do presidente Lula ao defender, diante da plateia incrédula na cúpula do clima de Copenhague, a adoção de metas de redução de emissões.
“O presidente do Brasil naquela ocasião contribuiu para mudar o resultado das negociações climáticas. Foi depois de Lula que os Estados Unidos, China e Japão começaram a falar em redução também”, cita Federico Foders, pesquisador da Universidade de Colônia.
Todo esse potencial, no entanto, não encabeça as pautas dos candidatos com chance de ganhar a presidência do país. José Serra faz chegar ao público suas propostas ligadas a economia e saúde. Dilma Rousseff bate na tecla do continuísmo e programas sociais bem-sucedidos do governo Lula. “E Marina Silva é vista como a candidata monotemática pelo eleitorado brasileiro, com foco em políticas ambientais e climáticas”, analisa Daniel Flemes, pesquisador especializado em política brasileira, do Instituto Alemão para Estudos Globais e Regionais (Giga).
Já Roberto Guimarães, pesquisador em política ambiental da Fundação Getúlio Vargas, afirma categoricamente: “Meio ambiente é um tema que não existe na agenda dos candidatos. Marina é a única que discute o assunto sob o aspecto do desenvolvimento sustentável. Ela deu muito enfoque a meio ambiente no começo da campanha, mas há duas semanas ela mudou o discurso, de maneira a que as pessoas entendam mais o assunto. E foi então que ela começou a crescer nas pesquisas”.
Elemento não decisivo
Ainda na década de 1970, Roberto Guimarães passou a investigar as relações entre meio ambiente e política. Sobre a posição internacional progressista em questões ambientais do governo Lula, que gera esse prestígio no exterior, Guimarães pontua: “Essa é, talvez, a única coisa que Lula não pode dizer que seja algo que aconteceu ‘pela primeira vez na história do país’. Porque o Brasil, desde a época da ditadura, sempre é considerado de vanguarda quando se discute o problema internacionalmente, só se esquecem de aplicar dentro do país o que falam lá fora”.
Em 1972, quando se falou em internacionalização da Amazônia, o governo ditatorial não fez qualquer oposição, não defendeu o território brasileiro. Argumentou apenas que, já que a floresta era considerada um patrimônio internacional, o conhecimento científico também teria esse mérito e que, portanto, todas as patentes mundiais deveriam ser quebradas para que o conhecimento fosse internacionalizado. O mundo calou-se e não se falou mais sobre a Amazônia como território compartilhado, lembra Guimarães, citando o histórico progressismo internacional brasileiro para questões ligadas ao meio ambiente.
Da Alemanha, Daniel Flemes analisa que a ex-ministra do Meio Ambiente deu um impulso tardio significativo à administração Lula. “Foi somente depois que Marina Silva deixou o ministério que o governo do Partido dos Trabalhadores reconheceu a importância da discussão climática e tentou, com certo sucesso, promover o Brasil como potência climática no cenário mundial.”
Heranças incertas
O posicionamento brasileiro na área de meio ambiente também rende manchetes internacionais não tão positivas. E dois temas especialmente polêmicos do governo Lula serão herdados pelo próximo presidente: a hidrelétrica de Belo Monte e a usina nuclear Angra 3.
“Se Dilma vencer as eleições, ela não só vai herdar a questão de Belo Monte, ela também vai tocar o projeto adiante. O escândalo está no fato de que essa é uma obra totalmente financiada pelo governo. Não é viável nem em termos de mercado. Além de todas as outras questões de impacto ambiental e social”, analisa Roberto Guimarães.
O edital de montagem de Angra, conforme noticiou a Eletronuclear em 29/09/10, foi adiado e agora é esperado para novembro, quando o Brasil já souber quem será seu novo presidente.
Efeito pós-eleição
Para Daniel Flemes, embora o tema proteção ambiental seja mencionado de forma breve por José Serra e Dilma Rousseff, a maioria dos eleitores não pondera o assunto de forma crucial: “Clima e meio ambiente não são tão importantes como problemas sociais e econômicos, saúde e educação. Portanto, as questões ligadas a meio ambiente não terão um impacto decisivo nas eleições”.
Já o Roberto Guimarães vê o avanço de Marina Silva nas pesquisas como um indicativo de que a população brasileira possa estar mais atenta à discussão. “Acredito que a campanha de Marina esteja influenciando, sim, a população, e que as ideias pregadas por ela vão causar um impacto depois da eleição. Os brasileiros irão exigir mais do governo nesse assunto.” (EcoDebate)
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Regiões Norte e Nordeste serão as mais afetadas
Regiões Norte e Nordeste serão as mais afetadas por mudanças climáticas
As populações das regiões Norte e Nordeste serão as mais afetadas nas próximas décadas se houver agravamento das condições climáticas no Brasil, o que pode aprofundar as atuais desigualdades regionais e de renda. O diagnóstico consta do Boletim Regional, Urbano e Ambiental número 4, elaborado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e feito com a participação de especialistas de diversos setores no país.
O documento associa os problemas climáticos ao aquecimento global e prevê resultados de longo prazo. A perspectiva macroeconômica traçada pelo estudo indica em uma das simulações que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional poderia ser, numa primeira hipótese prevista para 2050, de R$ 15,3 trilhões (no valor do real em 2008). Em outra alternativa, com menos danos para o meio ambiente, poderá chegar a R$ 16 trilhões, se o clima ajudar.
O IPEA estima o risco de reduções de 0,55% ou 2,3% respectivamente para esses valores. O aquecimento global poderá elevar a temperatura no Norte e Nordeste em até 8ºC em 2100 como consequência do desmatamento da floresta amazônica.
Entre os compromissos assumidos pelo país no Protocolo de Kyoto, a redução do desmatamento figura como a contribuição de menor custo. O valor médio de carbono estocado na Amazônia foi estimado em US$ 3 por tonelada ou US$ 450 por hectare. Se estes valores forem utilizados para remunerar os agentes econômicos poluidores, seriam suficientes para desestimular até 80% a pecuária na Amazônia. Seria possível reduzir em 95% o desmatamento com o custo de US$ 50 por tonelada de carbono, aponta o Boletim Regional, Urbano e Ambiental divulgado pelo IPEA.
Mudança climática, política energética e fontes renováveis
Cada vez mais a sociedade mundial toma consciência dos impactos que vem ocorrendo com as mudanças climáticas devido ao aumento das emissões de dióxido de carbono e de outros gases, principalmente pelo uso dos combustíveis fósseis: petróleo, carvão mineral e gás natural. A concentração de CO2 já está em 389 ppm (partes por milhão), com um aumento médio de 2 ppm por ano, ou seja, já estamos quase em 400 ppm, apontado como nível temerário em artigo publicado pela Revista Science em 2008.
Existe uma corrente minoritária que ainda defende a tese de que o aquecimento global é fruto de um periódico aquecimento de nosso planeta resultante de influências externas como o ciclo solar, alterações na posição da órbita terrestre e, em conseqüência, da distância da terra em relação ao Sol e de impactos de meteoritos. Recentemente mudou de lado, a maior expressão daqueles que não aceitavam a existência da participação humana no aquecimento global, e que desprezavam as recomendações do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), o professor dinamarquês Bjorn Lomborg, autor do livro “O Ambientalista Cético”.
Vários países, em particular o maior emissor de CO2 do mundo, os Estados Unidos, tem implantado em alguns estados, regras rígidas para aumentar a fatia de energias renováveis e alternativas para a produção de eletricidade no país, além de ampliar os programas de conservação e eficientização na produção e no consumo de energia.
Na Austrália, maior exportador mundial de carvão mineral, o ministro de Mudanças Climáticas, anunciou recentemente três prioridades para a sua pasta: energias renováveis, eficiência energética e a introdução de um preço sobre as emissões de dióxido de carbono. Na Europa, cada vez mais se tem expandido a oferta de eletricidade com o estímulo e apoio a energia eólica e solar (térmica e fotovoltaica).
Em 2020, a China espera aumentar 15% a sua dependência de energia solar e eólica. Em resposta a este objetivo, no ano passado, o governo chinês lançou uma campanha para apoiar estas tecnologias. O futuro das alterações climáticas assenta, em grande medida, na capacidade da China para liderar o mundo para as energias renováveis.
Não há solução rápida ou simples para a mudança climática. Seus desafios exigem uma variedade de estratégias e ações nos níveis local, regional e mundial. A redução substantiva das emissões de gases de efeito estufa é a prioridade imediata, ou seja, a redução no consumo dos combustíveis fósseis. Felizmente, ferramentas para alcançar isto já estão disponíveis àqueles que fazem as políticas, ao setor privado e ao público. Verifica-se que vários países estão fazendo o seu papel no combate as mudanças climáticas obtendo uma melhoria da competitividade das energias renovável em relação às fósseis, e dada ênfase para a conservação e a eficiência energética.
Lamentavelmente em nosso país (ranqueado entre os 5 maiores emissores mundiais de CO2) o planejamento energético governamental até 2030 aponta na contramão do combate às mudanças climáticas, prevendo a construção de mega-hidrelétricas na região norte, a construção de novas usinas nucleares, e a expansão de termelétricas movidas com combustíveis fósseis.
O aumento da participação na matriz energética das fontes renováveis como a energia eólica, a energia solar (térmica e fotovoltaica), as termelétricas a biomassa, e a energia dos oceanos, é relegado a mero exercício de retórica. Sem falar nos programas de conservação e eficientização energética que não recebem o apoio necessário, e, portanto, apresentam resultados pífios.
A expansão da oferta de energia é dirigida principalmente para um segmento do setor industrial (que consome 40% de toda energia consumida no país), as indústrias eletro-intensivas de cimento, ferro-gusa e aço, ferro-ligas, não-ferrosos e outros da metalurgia, química, papel e celulose. Trata-se de setores produtivos que se caracterizam por consumir uma quantidade muito grande de energia elétrica por unidade de produção, e que tem sido mais beneficiado, principalmente pelo baixo preço da energia.
Os interesses em jogo estão relacionados à questão econômica, aos interesses bastardos de grupos sociais que pretendem manter seus privilégios num mundo que já está vivendo seu limite de crescimento. Sem nenhuma dúvida podemos afirmar que a falta de decisão política tem freado o desenvolvimento e a implantação significativa das fontes energéticas renováveis em nosso país, particularmente da energia solar e eólica.
Ao rechaçar a atual política energética devemos construir uma nova política que resgate o interesse público, e que acabe com a falta de transparência, democratizando as decisões sobre as escolhas das opções energéticas para o país.
Quem duvida que a Terra está se aquecendo?
"É ridículo duvidar que a Terra está se aquecendo. Nenhum cientísta duvida"
Phil Jones passou um ano horrível. No final de 2009, pouco antes da Cúpula do Clima de Copenhague, um hacker postou na Internet milhares de e-mails da prestigiada Unidade de Investigação do Clima (CRU, na sigla em inglês) que ele dirige na universidade britânica de East Anglia. O escândalo ficou conhecido como Climategate, já que, nos e-mails, Jones e seus colegas aparentemente exageravam o aquecimento global. Jones, britânico nascido em 1952, acaba de voltar ao seu posto depois que as comissões que o investigaram descartaram a má prática. Na próxima quarta-feira, ele vai dar uma conferência em Madri, dentro de um ciclo organizado pela Associação Cultural Despierta e pela La Casa Encendida.
O senhor ou a sua equipe exageraram o aquecimento?
Nunca. Não manipulamos os dados. Não há dúvida de que existe aquecimento. Existem dois outros grupos nos Estados Unidos que usam outras séries de dados, e todos os grupos dão mais ou menos o mesmo aquecimento. Nossa série inclusive dá menos do que as dos EUA.
Mesmo na última década?
Mesmo na última década, sim. É preciso valorizar a significância estatística do aquecimento, é difícil trabalhar com tendências de curto prazo, é algo que não se deve fazer. Você não deve esperar aumentos temperatura a cada ano, o sistema climático não funciona assim. Há variabilidade anual em eventos como o El Niño ou os vulcões, e qualquer aquecimento produzido pelo homem se sobrepõe a isso.
Não há debate científico sobre essa questão?
Não, nenhum. Nenhum climatologista duvida disso. Isso vem de pessoas que saem na imprensa para fazer com que o público duvide.
Bem, eles estão tendo sucesso.
Isso é o que eles fazem, semear dúvidas. Não pesquisam, não produzem novas séries de temperaturas dos últimos 100 anos. As pessoas criticavam que não publicávamos os dados brutos de temperatura das nossas estações. Fizemos isso em janeiro, e ninguém os usou. É só barulho na Internet e na imprensa. Li um livro em que se comparava isso com as táticas das companhias de tabaco no passado para calar os médicos que diziam que o tabaco causava câncer. Tentaram semear dúvidas sobre isso.
Quem o senhor acha que pode ter pirateado seus e-mails?
Eu não sei. Nem eu, nem ninguém. Estamos convencidos de que foi alguém de fora da universidade.
Alguém que queria minar a confiança pública na ciência das mudanças climáticas?
Provavelmente.
O senhor afirmou que, nesses e-mails, o senhor havia dito “coisas horríveis”. A que se referia?
Queria dizer que alguns e-mails vistos anos depois podiam ser mal interpretados. Tony Blair diz, em suas memórias, que esperava nunca aprovar a Lei de Liberdade de Informação, porque ela torna praticamente impossível para o governo ter uma discussão franca. Tudo o que for escrito em um e-mail pode ser usado mais tarde. As coisas são tiradas fora de contexto e foram mal interpretadas à luz dos acontecimentos posteriores. Esses e-mails nunca foram escritos para serem lidos dez anos depois.
Como o senhor acha que vai ser o Climategate daqui a 20 ou 30 anos? O senhor acha que vai ser importante ou será considerado uma anedota?
Espero que as pessoas voltem a acreditar na ciência, mas acho que vai demorar alguns anos. Aqui, há duas questões. Muitas pessoas acreditam que o planeta está aquecendo. É ridículo colocar em dúvida o aquecimento global, que é algo claro, e nenhum cientista o questiona. Depois, há pessoas que dizem que, mesmo que seja assim, não se deve à atividade humana.
O debate sobre a influência do homem é relevante?
Há alguns cientistas que ainda duvidam, mas são poucos. E quando você lhes pergunta como explicam o aquecimento ocorrido, eles têm muita dificuldade, porque é muito difícil encontrar outra explicação racional, além dos gases do efeito estufa.
Dizem que houve um período quente semelhante na Idade Média.
São necessárias mais evidências para esse período, sobre o qual há informação muito restringida, e só do hemisfério norte.
Mas houve períodos tão quentes como o atual.
Sim, mas sabemos porque houve períodos quentes e frios no passado. A quantidade de radiação solar era diferente e por isso teremos idades de gelo no futuro. Esses processos ainda continuam e vão continuar, mas têm uma escala temporal completamente diferente da humana. Aqui falamos de mudanças climáticas em um século, muito rápidos em comparação com os do passado.
Também há quem diga, que mesmo que o aquecimento se deva à emissão de gases do efeito estufa, ele não é preocupante.
Em algumas regiões, pode ser que não haja com o que se preocupar. Na Europa ocidental, os impactos não serão muito graves. Os britânicos não se importam de ter um clima um pouco mais quente, assim não teriam que ir de férias. Mas, no sul da Espanha, onde já faz muito calor, a vida poderia se tornar muito difícil, e em outras zonas aumentariam as secas. As previsões que aparecem no painel do IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – falam de um aumento de temperatura entre dois e seis graus até 2100 se continuarmos emitindo gases do efeito estufa como até agora. Mesmo um aumento de dois graus é um aquecimento muito grande. Essa é a média mundial, por isso algumas regiões se aqueceriam muito mais. Eu não acho que essa incerteza seja uma desculpa para não fazer nada. Você pode dizer que outras coisas são mais importantes. Mesmo a menor previsão representa um aquecimento 2,5 vezes maior do que no século XX.
Mesmo assim, às vezes, o senhor disse que há solução.
Há pessoas que dizem que estamos condenados, mas isso é ridículo. Mesmo com seis graus a mais, continuaremos aqui, não desaparecemos como espécie. E é ridículo mirar na pior previsão.
Não houve muita rapidez em vincular cada onda de calor e cada seca com as mudanças climáticas? Assim, quando houve um inverno frio, os céticos o usaram para dizer que não está acontecendo nada.
O inverno passado pareceu muito frio. Mas só foi assim na Europa ocidental e na costa leste da América do Norte. No entanto, ele foi o mais quente em todo o mundo desde 1850. Porque na sua região houve um inverno frio, você não pode dizer que no mundo faz frio. Você precisa olhar séries de décadas, não cada ano. A década que agora terminamos foi a mais quente desde 1850 e foi mais quente do que os anos 90, que, por sua vez, foram mais quentes do que os 80, e estes, mais do que os 70, e assim por diante. Essas são as mudanças climáticas e aquilo que devemos olhar.
E o senhor não acha que houve muito catastrofismo e que isso acabou debilitando a percepção do problema?
Pode ser que sim, por parte de organizações ambientalistas, mas não acho que esse extremismo chegou às revistas científicas, que só publicam fatos comprovados. O problema é como às vezes essa informação aparece na imprensa.
Algumas dessas afirmações alarmistas e sem rigor chegaram, sim, ao IPCC.
Não tantas no grupo de ciência.
Uma investigação independente concluiu que o gráfico do taco de hóquei, que mostrava um aumento da temperatura muito acentuada no século XX, era enganoso.
Esse diagrama não foi a nenhum trabalho científico, nem está no último relatório do IPCC. Foi para o relatório anual da Organização Meteorológica Mundial de 1999. Foi feito para um público não científico, por isso era relativamente simples. Às vezes, nos pedem que escrevamos em termos simples para um público amplo, e às vezes é difícil pôr advertências e que, mesmo assim, continue sendo interessante para o público em geral. (EcoDebate)
Phil Jones passou um ano horrível. No final de 2009, pouco antes da Cúpula do Clima de Copenhague, um hacker postou na Internet milhares de e-mails da prestigiada Unidade de Investigação do Clima (CRU, na sigla em inglês) que ele dirige na universidade britânica de East Anglia. O escândalo ficou conhecido como Climategate, já que, nos e-mails, Jones e seus colegas aparentemente exageravam o aquecimento global. Jones, britânico nascido em 1952, acaba de voltar ao seu posto depois que as comissões que o investigaram descartaram a má prática. Na próxima quarta-feira, ele vai dar uma conferência em Madri, dentro de um ciclo organizado pela Associação Cultural Despierta e pela La Casa Encendida.
O senhor ou a sua equipe exageraram o aquecimento?
Nunca. Não manipulamos os dados. Não há dúvida de que existe aquecimento. Existem dois outros grupos nos Estados Unidos que usam outras séries de dados, e todos os grupos dão mais ou menos o mesmo aquecimento. Nossa série inclusive dá menos do que as dos EUA.
Mesmo na última década?
Mesmo na última década, sim. É preciso valorizar a significância estatística do aquecimento, é difícil trabalhar com tendências de curto prazo, é algo que não se deve fazer. Você não deve esperar aumentos temperatura a cada ano, o sistema climático não funciona assim. Há variabilidade anual em eventos como o El Niño ou os vulcões, e qualquer aquecimento produzido pelo homem se sobrepõe a isso.
Não há debate científico sobre essa questão?
Não, nenhum. Nenhum climatologista duvida disso. Isso vem de pessoas que saem na imprensa para fazer com que o público duvide.
Bem, eles estão tendo sucesso.
Isso é o que eles fazem, semear dúvidas. Não pesquisam, não produzem novas séries de temperaturas dos últimos 100 anos. As pessoas criticavam que não publicávamos os dados brutos de temperatura das nossas estações. Fizemos isso em janeiro, e ninguém os usou. É só barulho na Internet e na imprensa. Li um livro em que se comparava isso com as táticas das companhias de tabaco no passado para calar os médicos que diziam que o tabaco causava câncer. Tentaram semear dúvidas sobre isso.
Quem o senhor acha que pode ter pirateado seus e-mails?
Eu não sei. Nem eu, nem ninguém. Estamos convencidos de que foi alguém de fora da universidade.
Alguém que queria minar a confiança pública na ciência das mudanças climáticas?
Provavelmente.
O senhor afirmou que, nesses e-mails, o senhor havia dito “coisas horríveis”. A que se referia?
Queria dizer que alguns e-mails vistos anos depois podiam ser mal interpretados. Tony Blair diz, em suas memórias, que esperava nunca aprovar a Lei de Liberdade de Informação, porque ela torna praticamente impossível para o governo ter uma discussão franca. Tudo o que for escrito em um e-mail pode ser usado mais tarde. As coisas são tiradas fora de contexto e foram mal interpretadas à luz dos acontecimentos posteriores. Esses e-mails nunca foram escritos para serem lidos dez anos depois.
Como o senhor acha que vai ser o Climategate daqui a 20 ou 30 anos? O senhor acha que vai ser importante ou será considerado uma anedota?
Espero que as pessoas voltem a acreditar na ciência, mas acho que vai demorar alguns anos. Aqui, há duas questões. Muitas pessoas acreditam que o planeta está aquecendo. É ridículo colocar em dúvida o aquecimento global, que é algo claro, e nenhum cientista o questiona. Depois, há pessoas que dizem que, mesmo que seja assim, não se deve à atividade humana.
O debate sobre a influência do homem é relevante?
Há alguns cientistas que ainda duvidam, mas são poucos. E quando você lhes pergunta como explicam o aquecimento ocorrido, eles têm muita dificuldade, porque é muito difícil encontrar outra explicação racional, além dos gases do efeito estufa.
Dizem que houve um período quente semelhante na Idade Média.
São necessárias mais evidências para esse período, sobre o qual há informação muito restringida, e só do hemisfério norte.
Mas houve períodos tão quentes como o atual.
Sim, mas sabemos porque houve períodos quentes e frios no passado. A quantidade de radiação solar era diferente e por isso teremos idades de gelo no futuro. Esses processos ainda continuam e vão continuar, mas têm uma escala temporal completamente diferente da humana. Aqui falamos de mudanças climáticas em um século, muito rápidos em comparação com os do passado.
Também há quem diga, que mesmo que o aquecimento se deva à emissão de gases do efeito estufa, ele não é preocupante.
Em algumas regiões, pode ser que não haja com o que se preocupar. Na Europa ocidental, os impactos não serão muito graves. Os britânicos não se importam de ter um clima um pouco mais quente, assim não teriam que ir de férias. Mas, no sul da Espanha, onde já faz muito calor, a vida poderia se tornar muito difícil, e em outras zonas aumentariam as secas. As previsões que aparecem no painel do IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – falam de um aumento de temperatura entre dois e seis graus até 2100 se continuarmos emitindo gases do efeito estufa como até agora. Mesmo um aumento de dois graus é um aquecimento muito grande. Essa é a média mundial, por isso algumas regiões se aqueceriam muito mais. Eu não acho que essa incerteza seja uma desculpa para não fazer nada. Você pode dizer que outras coisas são mais importantes. Mesmo a menor previsão representa um aquecimento 2,5 vezes maior do que no século XX.
Mesmo assim, às vezes, o senhor disse que há solução.
Há pessoas que dizem que estamos condenados, mas isso é ridículo. Mesmo com seis graus a mais, continuaremos aqui, não desaparecemos como espécie. E é ridículo mirar na pior previsão.
Não houve muita rapidez em vincular cada onda de calor e cada seca com as mudanças climáticas? Assim, quando houve um inverno frio, os céticos o usaram para dizer que não está acontecendo nada.
O inverno passado pareceu muito frio. Mas só foi assim na Europa ocidental e na costa leste da América do Norte. No entanto, ele foi o mais quente em todo o mundo desde 1850. Porque na sua região houve um inverno frio, você não pode dizer que no mundo faz frio. Você precisa olhar séries de décadas, não cada ano. A década que agora terminamos foi a mais quente desde 1850 e foi mais quente do que os anos 90, que, por sua vez, foram mais quentes do que os 80, e estes, mais do que os 70, e assim por diante. Essas são as mudanças climáticas e aquilo que devemos olhar.
E o senhor não acha que houve muito catastrofismo e que isso acabou debilitando a percepção do problema?
Pode ser que sim, por parte de organizações ambientalistas, mas não acho que esse extremismo chegou às revistas científicas, que só publicam fatos comprovados. O problema é como às vezes essa informação aparece na imprensa.
Algumas dessas afirmações alarmistas e sem rigor chegaram, sim, ao IPCC.
Não tantas no grupo de ciência.
Uma investigação independente concluiu que o gráfico do taco de hóquei, que mostrava um aumento da temperatura muito acentuada no século XX, era enganoso.
Esse diagrama não foi a nenhum trabalho científico, nem está no último relatório do IPCC. Foi para o relatório anual da Organização Meteorológica Mundial de 1999. Foi feito para um público não científico, por isso era relativamente simples. Às vezes, nos pedem que escrevamos em termos simples para um público amplo, e às vezes é difícil pôr advertências e que, mesmo assim, continue sendo interessante para o público em geral. (EcoDebate)"Esteira" do degelo
Na "esteira" do degelo, Rússia quer provar que 1 milhão de km² do Ártico lhe pertence.
A Rússia fincou sua bandeira sob o Pólo Norte há três anos
Um representante do governo da Rússia disse em 22/09/10 que o país pretende comprovar, até 2013, que uma área de mais de um milhão de quilômetros quadrados no Ártico faz parte de seu território, em meio a uma corrida com outros países pelo controle dos recursos minerais na região.
A declaração do conselheiro do presidente Dmitry Medvedev para as mudanças climáticas, Alexander Bedritsky, foi feita durante uma reunião internacional em Moscou para discutir a divisão do território do Ártico e a cooperação entre Rússia, Noruega, Canadá, Dinamarca e Estados Unidos.
Estima-se que a região do Polo Norte guarde cerca de 25% das reservas mundiais de petróleo e gás natural, e esses países, que têm territórios próximos ao Ártico, ainda não alcançaram um consenso sobre como dividir a área.Bedritsky disse que seu país pretende apresentar à ONU dados adicionais entre 2012 e 2013 para comprovar que o país tem direito ao território que reivindica.
“Defenderemos nossos interesses no Ártico com todos os instrumentos fornecidos pelos acordos internacionais, e não acredito que veremos um confronto, apesar de alguns países afirmarem que existe a necessidade de reafirmar os seus potenciais”, disse Bedritsky.
Degelo
Até 23/09/10, 300 delegados discutiram em Moscou as possibilidades de cooperação entre os países e as principais reivindicações por faixas de território.
Um ponto polêmico é uma montanha submersa conhecida como Cordilheira de Lomonosov. Em 2001, Moscou reivindicou o território, disputado com o Canadá, às Nações Unidas. O pedido foi rejeitado por falta de evidências de que o pico faz parte da plataforma continental onde fica a Rússia.
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, o país precisa comprovar que a região submersa é uma extensão do território russo para ter direito de exploração sobre ela.
Há três anos, uma expedição russa colocou uma bandeira de titânio no solo oceânico sob o Polo Norte como gesto simbólico da reivindicação do país.
Os depósitos sob o Oceano Ártico estão se tornando mais acessíveis por causa de uma diminuição dramática da capa de gelo polar a cada ano. Cientistas acreditam que o Ártico pode degelar completamente durante o verão daqui a pelo menos 20 anos.
Riqueza submersa
A Rússia anunciou recentemente que deve gastar US$ 64 milhões em pesquisa para comprovar seu direito sobre a Cordilheira de Lomonosov. A área pode ter mais de 75 bilhões de barris de petróleo, mais do que o total das reservas atuais do país.
Na semana passada, o primeiro ministro do Canadá encontrou com o líder russo em Moscou para discutirem o caso.
Segundo a ONU, uma nação costeira tem direito exclusivo de exploração de recursos naturais acima ou abaixo do mar até 200 milhas náuticas (370 km) além do seu país.
Se as reservas naturais estenderem esse território, o país precisa levar evidências científicas ao conhecimento à comissão das Nações Unidas, que pode recomendar um novo limite.
Apesar da disputa pelos territórios, Moscou diz que não tem planos imediatos para o desenvolvimento da exploração e enfatizou a necessidade de cooperação internacional.
Os russos acreditam que podem precisar de até dez anos para comprovar os direitos sobre o território reivindicado. Enquanto isso, o país procura se estabelecer como principal força na região.
Disputas
Em setembro, Rússia e Noruega assinaram um tratado que pôs fim a 40 anos de disputa sobre as fronteiras no Oceano Ártico e no Mar de Barents.
Os países dividiram uma área que corresponde a metade do tamanho da Alemanha, onde há cerca de 7,6 bilhões de barris de petróleo, de acordo como o Ministério russo de recursos naturais.
O acordo deve permitir que a Noruega mantenha seus níveis de produção de petróleo e gás apesar da diminuição das suas reservas atuais no Mar da Noruega.
Em agosto, Canadá e Estados Unidos deram início a um estudo conjunto das fronteiras de cada país no ártico.
Os dois países disputam desde os anos 1970 um território de cerca de 21 mil Km² que pode conter 1,7 bilhão de metros cúbicos de gás – o suficiente para suprir a demanda do Canadá por 20 anos – e mais de 1 bilhão de metros cúbicos de petróleo.
Derretimento polar abre rotas entre América a Ásia
Derretimento da calota polar abre novas rotas para Ásia
Tragédia ambiental gera enusiasmo com menor duração de viagens marítimas entre a Europa e continente asiático.
Groenlândia. Bloco de gelo separado da geleira Petermann
Eles esperavam encontrar gelo espesso, icebergs e tempestades. Como medida de precaução, um quebra-gelo russo foi enviado para proteger o cargueiro MV Nordic Barents dos flagelos do Oceano Ártico. Mas, no fim, apenas alguns pedaços menores de gelo passaram pela embarcação, em duas ocasiões.
"O quebra-gelo nuclear desempenhou papel de figurante", diz Felix Tschudi, funcionário da transportadora que alugou o cargueiro carregado de minério de ferro. Em setembro/2010, após percorrer 5,7 mil quilômetros no Oceano Ártico, o navio chegará ao porto chinês de Lianyungang. "E não tivemos de parar nenhuma vez", diz Tschudi.
Com um misto de esperança e suspeita, transportadoras marítimas, políticos e ambientalistas observam o quanto o gelo marítimo recuou em direção ao Polo Norte neste ano. Será que o derretimento da calota polar vai provocar uma reviravolta nas rotas comerciais marítimas?
Em relatório lançado há duas semanas, o Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve dos EUA informou que a cobertura de gelo do Ártico parece ter atingido seu nível mínimo para este ano, sendo a terceira menor extensão anotada desde o início das observações por satélite, em 1979.
O gelo do Ártico cobriu uma área média de 6 milhões de Km², 22% abaixo da média 1979-2000. Este ano teve o 14.º mês de agosto consecutivo com gelo abaixo da média.
Há algumas semanas, o petroleiro russo Baltika, com 70 mil toneladas de gás condensado, navegou sem problemas do porto russo de Murmansk até a cidade chinesa de Ningbo, atravessando o Ártico. O transporte de mercadorias pela rota polar está cada vez mais se tornando rotina.
Isso aproxima a Ásia da Europa. A rota percorrida pelo MV Nordic Barents do porto norueguês de Kirkenes até a China foi encurtada em cerca de 50%. "Isso nos poupou 15 dias de viagem marítima", diz Tschudi.
Novo canal. Será que o oitavo oceano do mundo está se transformando em uma "versão "transártica" do canal do Panamá", como disse o entusiasmado presidente islandês Ólafur Ragnar Grímsson?
De fato, além de abrir a rota marítima setentrional ao longo da costa russa do Ártico e da Sibéria até o Extremo Oriente, a mudança climática está desbloqueando a Passagem Noroeste e abrindo uma trilha pelo coração do Ártico canadense.
Entre 1906 e 2006, somente 69 navios enfrentaram a temida viagem. Entretanto, o especialista canadense em lei marítima Michael Byers contou 24 navios percorrendo a rota somente no ano passado.
Nos países que fazem parte do Círculo Polar Ártico, uma nova frota de embarcações começa a tomar forma, projetada para finalmente conquistar essa área e acrescentá-la às rotas comerciais do mundo. Entretanto, esses cargueiros marítimos não poderão dispensar completamente a proteção contra o gelo.
"Mesmo nos meses de verão, esperamos encontrar alguns blocos de gelo isolados", diz o pesquisador Lawson Brigham, um dos autores daquele que deve ser o mais completo estudo das novas rotas marítimas do Ártico. (OESP)
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