domingo, 27 de novembro de 2011

Minas corre contra o tempo

Minas corre contra o tempo e planta eucalipto cardíaco
Até 2018 o maior Estado consumidor de madeira do País só poderá retirar 5% da matéria-prima de florestas nativas
Em até seis anos, Minas Gerais, o maior Estado produtor e consumidor de madeira do País, com cerca de 18 milhões m3/ano, terá que cumprir uma lei estadual que obriga ao uso de praticamente 100% de madeira de árvores plantadas. Madeira de floresta nativa deverá compor só 5% da demanda até 2018, reza a Lei 14.309, de 2002. E, desde 2010, todo usuário de madeira - das siderúrgicas ao dono do disque-pizza - deve comprovar a origem da matéria-prima. Grande desafio para um Estado que tem 50% de sua matriz energética calcada em lenha e derivados, ante 25% do País, e que importava 30% de seu consumo, diz a Associação Mineira de Silvicultura (AMS).
Atualmente, a relação entre demanda e oferta de madeira em Minas está relativamente equilibrada por causa da crise econômica mundial. Entretanto, há preocupação quanto à capacidade de o Estado se abastecer quando a crise passar. "Se a economia lá fora estivesse nos eixos, já teríamos, hoje, um déficit de 50% de florestas plantadas", diz o diretor-superintendente da AMS, Antônio Tarcizo de Andrade e Silva. "Hoje Minas tem 1,4 milhão de hectares de eucalipto e 136 mil hectares de pinus", diz. "Seria preciso até 2018 plantar 200 mil hectares/ano, mas cultivamos 120 mil a 130 mil hectares/ano."
A demanda à qual o representante da AMS se refere diz respeito sobretudo à necessidade de carvão para o polo siderúrgico. Dos 130 mil hectares de florestas plantadas em 2010, 43.960 hectares, ou 34%, viraram carvão vegetal para fabricação de ferro gusa, cuja composição é 50% de carvão e 50% de minério de ferro. Para gerar energia, o Estado utiliza em média 70% de suas florestas plantadas. Sem contar o uso para outros fins, como papel e celulose.
Poupança verde. Numa situação dessas, o termo "poupança verde" se encaixa perfeitamente à iniciativa de agricultores que decidiram investir no eucalipto. Com previsão de demanda aquecida e crescente, eles apostam nesta árvore, mesmo que a primeira colheita ocorra em seis ou sete anos. "É uma poupança em pé", confirma o produtor rural Leonardo Resende, de Coronel Pacheco (MG), que planta eucalipto há sete anos, tanto para geração de energia quanto para serraria. "Queria algo que desse maior rentabilidade por hectare, e o eucalipto dá retorno de 20% a 30% ao ano, ante 6% da pecuária", diz. "É um negócio estável, que não depende de variações anuais de preço e com perspectiva de alta por várias décadas, já que toda a legislação ambiental joga para isso."
Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, o eucalipto avança até sobre áreas de cana, que já havia avançado há dez anos sobre pastos. A fusão, em 2009, entre a Satipel e a Duratex, ambas fabricantes de placas e paineis de madeira, tem provocado alterações na paisagem. Atualmente, diz o gerente executivo da Unidade Minas da Duratex, Heuzer Saraiva Guimarães, a empresa cultiva 45 mil hectares de eucalipto no Triângulo. A política da empresa, porém, é focada no arrendamento de terra em vez do regime de parceria, em que a empresa entra com mudas, assistência técnica e colheita e o produtor, com a terra. "É importante ressaltar que a Duratex utiliza, nos arrendamentos, o mesmo sistema de gestão socioambiental das áreas próprias", diz.
O fato é que, no meio do pasto, entremeando áreas de cana e lavouras de grãos, já despontam na paisagem do Triângulo, cada vez mais, os eucaliptos. Mas desta vez o velho conceito de instalar a cultura em terra ruim e declivosa tem sido revisto. "Eucalipto é uma lavoura; tem de adubar, controlar pragas e monitorar focos de incêndio", diz o produtor Luís Felipe Leite Sabino de Oliveira, que plantou 35 hectares de eucaliptos clonados, "muito mais produtivos e fáceis de manejar do que os provenientes de sementes", diz. "O eucalipto comum produz 35 metros cúbicos por hectare/ano. O clonado resulta em 90 m3/hectare."
Oliveira optou pelo plantio próprio, sem contrato. "Assim vendo para quem pagar melhor." No primeiro plantio, feito em junho, as plantas já alcançam a marca de quase 2 metros de altura. A expectativa de lucro é excelente, garante. No plantio adensado, em que se instalam 2.400 plantas por hectare, após dois anos desbasta-se metade das plantas. Cada planta deve render 7 metros cúbicos, que, multiplicados por 1.200 plantas desbastadas por hectare, resultam em 8.400 m3 .
"Vendendo o metro cúbico por R$ 1, cada hectare renderá R$ 8.400 logo no segundo ano. E este valor já paga o custo inicial de produção, além do custo de colocar a madeira no mercado, num total de R$ 1.500 por hectare, resultando em lucro de R$ 6.900", diz. "Se eu descontar daí o crédito rural - R$ 107 mil para os 35 hectares, com 5 anos de carência e pagamento em 2 parcelas, no sexto e no sétimo anos, com juros de 6,75% ao ano -, ainda me sobram cerca de R$ 2.500 de lucro por hectare no segundo ano", festeja. "E cinco anos depois corto o restante, com toras que devem render R$ 25 mil por hectare."
Dois cortes. Oliveira diz que é possível fazer dois cortes na mesma planta. "Após o primeiro corte, a planta rebrota e sete anos depois corto de novo", diz ele, acrescentando que o trabalho inicial, com o plantio, adubação e controle de formigas é o principal. "Com os clones nem o desbaste de galhos é necessário; eles caem sozinhos. E os tocos que sobram na área são eliminados com produtos que desintegram a madeira, reincorporada ao solo ao longo dos anos."
Outro produtor que apostou no eucalipto em Uberaba foi Rodrigo Piau. Em 50 hectares - "Uma área pequena para cana ou grãos", diz - instalou o eucaliptal. Com mudas clonadas, cultivadas há cinco anos, fez duas formas de plantio: adensado, com 1.100 árvores por hectare, e não adensado, com 350 árvores/hectare.
"Ano que vem já faço o primeiro corte", diz. "O eucalipto é uma opção, mas em áreas mecanizáveis, onde se pode plantar cana ou grãos, não vale a pena por eucalipto." Para ele, qualquer que seja a atividade o produtor deve se profissionalizar e elevar a produtividade. "Já não há só pasto por aqui. O cenário diversificou-se com grãos, cana, seringueira e eucalipto, entre outras lavouras."
Diversificação, aliás, é a palavra de ordem na propriedade arrendada pelo zootecnista Augusto Landim de Macedo Júnior. Em 350 hectares - sendo 70 hectares de mata nativa -, Landim mantém 250 cabeças de gado leiteiro puro e meio-sangue, das raças guzerá, gir, guzolando e girolando. Além do leite, vende animais, planta capim para feno e, no meio dele, eucalipto. "Planto eucalipto há 12 anos, na média de 4 a 5 hectares/ano", diz Macedo Jr., cujo último plantio fez no mês passado, em 15 hectares. "Quando preciso de dinheiro, vou lá e corto. Há dois anos, cortei 1 hectare e lucrei R$ 15 mil", explica. "O principal combustível da região é a lenha, por isso optei pelo eucalipto." Mesmo assim, ele deixa algumas árvores engrossarem para vender como vigotas para construção civil. "O retorno demora, mas é líquido e certo." (OESP)

Amazônia e a sua sobrevivência

Amazônia está muito próxima de um ponto de não retorno para sua sobrevivência
Limite próximo – A Amazônia está muito próxima de um ponto de não retorno para sua sobrevivência, devido a uma combinação de fatores que incluem aquecimento global, desflorestamento e queimadas que minam seu sistema hidrogeológico.
A advertência foi feita por Thomas Lovejoy, atualmente professor da George Mason University, no Estado de Virgínia, EUA, no primeiro dia do simpósio internacional FAPESP Week, em Washington.
O biólogo Lovejoy, um dos mais importantes especialistas em Amazônia do mundo, começou a trabalhar na floresta brasileira em 1965, “apenas três anos depois da fundação da FAPESP”, lembrou.
Apesar de muita coisa positiva ter acontecido nestes 47 anos (“quando pisei pela primeira vez em Belém, só havia uma floresta nacional e uma área indígena demarcada e quase nenhum cientista brasileiro se interessava em estudar a Amazônia; hoje essa situação está totalmente invertida”), também apareceram no período diversos fatores de preocupação.
Lovejoy acredita que restam cinco anos para inverter as tendências em tempo de evitar problemas de maior gravidade. O aquecimento da temperatura média do planeta já está na casa de 0,8 graus centígrado. Ele acredita que o limite aceitável é de 2 graus centígrados e que ele pode ser alcançado até 2016 se nada for feito para efetivamente reduzi-lo.
O objetivo fixado nas mais recentes reuniões sobre o clima em Cancun e Copenhague de limitar o aumento médio da temperatura média global em 2 graus centígrados pode ser insuficiente, na opinião de Lovejoy, devido a essa conjugação de elementos.
De forma similar, Lovejoy crê que 20% de desflorestamento em relação ao tamanho original da Amazônia é o máximo que ela consegue suportar e o atual índice já é de 17% (em 1965, a taxa era de 3%).
A boa notícia, diz o biólogo, é que há bastante terra abandonada, sem nenhuma perspectiva de utilização econômica na Amazônia e que pode ser de alguma forma reflorestada, o que poderia proporcionar certa margem de segurança. (EcoDebate)

Recuperação de áreas degradadas

Áreas degradadas são porções de terrenos que sofreram distúrbios e que após estes fenômenos sofreram perda de vegetação e dos meios bióticos como banco de sementes, banco de plântulas, chuvas de semente e rebrotas, apresentando baixa capacidade de resiliência, isto é voltar ao seu estado anterior, necessitando para tanto de auxílio antrópico.
Esta conceituação de área degradada se aplica também para áreas desgastadas ou que perderam o equilíbrio e se tornaram improdutivas ou áreas onde os solos perderam capacidade de produção.
Aplica-se o conceito ainda para áreas que sofreram com ações antrópicas que modificaram de forma relevante seu ecossistema de tal maneira que houve influência significativa nos sistemas naturais com alteração substancial na dinâmica implicando em intervenção antrópica para reversão da situação.
A literatura técnica especializada considera área degradada a porção de geobiossistema (fração de área) que sofreu intensa perturbação e perdeu a capacidade natural (resiliência) de se auto regenerar. E denomina de área perturbada a fração que sofreu menores perturbações e não perdeu a capacidade de auto-regeneração ou resiliência.
As principais fontes de degradação podem ser a mineração, através de destruição de paisagens e produção de diversos tipos de erosão, o uso intensivo das áreas para finalidades agropecuárias (que geram saturação em agrotóxicos, salinização, superpastejo, etc.), a ocorrência de queimadas devido a manejos inadequados ou incêndios produzidos por secas e o simples desmatamento indevido de áreas verdes e matas ciliares.
As áreas degradadas tem por característica apresentarem menor diversidade de espécies, carência de estrutura vegetal, falta de solo ou más condições do solo e baixíssima ou ausente capacidade de reconstituição natural.
As áreas apenas perturbadas já têm maior diversidade de espécies, maior estrutura de flora e fauna, maior capacidade dos solos e melhores possibilidades de recuperação natural.
Recuperar áreas degradadas objetivas fornecer ao ecossistema local condições que permitam sua recuperação integral, recompondo tanto quanto possível o equilíbrio natural perdido e criando condições de recuperação. São ambientes que não tem condições físicas ou biológicas de se recuperarem sozinhos e precisam auxílio antrópico.
Em geral as concepções de recuperação passam por obras no meio físico como terraços e banquetas e culminam com reconstituição das espécies vegetais, através de replantio planejado e sequencial que possibilita reconstituição do ecossistema degradado.
As ocorrências mais comuns de áreas degradadas são desmatamentos impróprios em áreas de Reserva Legal; alterações de cursos de água e drenagens naturais em áreas de preservação permanentes; desmatamentos em áreas de preservação permanente e áreas degradadas por atividades minerais que vão desde o uso indevido de mercúrio, até escavações inapropriadas em garimpos e instalação de voçorocas em episódios erosionais descontrolados por ausência de drenagens adequadas.
Resumindo podemos definir que ocorrem desmatamentos, alterações impróprias em sistemas de drenagens e impacto ambiental por atividades poluentes ligadas a atividades rudimentares ou desestruturadas de mineração.
Em geral os processos de recuperação incluem obras civis moderadas para recuperação de meio físicos e extensivos programas de reflorestamento começando com as chamadas espécies pioneiras, seguindo com espécies secundárias iniciais e espécies secundárias tardias e culminando com espécies climáticas ou de clímax.
As espécies pioneiras devem ter boa resistência, facilidade para se propagar, facilidade na obtenção de sementes, crescimento rápido e bom fornecimento de matéria orgânica para recuperação dos solos. Geralmente são espécies que necessitam grande exposição solar.
Já as espécies secundárias variam muito em função das características regionais, tem diferente comportamento em relação a luz solar e geralmente só ocorrem onde já existem espécies pioneiras previamente implantadas. (EcoDebate)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Aquecimento global e os eventos climáticos

Novo relatório do IPCC indica que o aquecimento global é a causa de eventos climáticos extremos
Aquecimento global é a causa de eventos climáticos extremos, diz ONU
Mudança climática causada pelo homem é responsável por calamidades. Novo relatório do IPCC foi publicado nesta sexta-feira.
As mudanças climáticas provocadas pelo homem já causam ondas de calor e chuvas torrenciais que causam inundações, e provavelmente contribuirão para futuros desastres naturais, alertou a ONU em um relatório [Managing the Risks of Extreme Events and Disasters to Advance Climate Change Adaptation (SREX)] publicado em 18/11/11.
Mas as perdas e danos provocados por estes eventos extremos dependerão muito das medidas tomadas para proteger as populações e a propriedade quando a violência da natureza aflorar, acrescentou.
O relatório, divulgado dez dias antes das negociações climáticas em Durban, na África do Sul, é a primeira revisão abrangente das Nações Unidas sobre o impacto do aquecimento global em eventos climáticos extremos e a melhor forma de lidar com eles.
“Na verdade, podemos atribuir o aumento de dias quentes nos últimos anos a uma concentração maior de gases de efeito estufa”, afirmou Thomas Stocker, co-presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que aprovou um resumo do relatório durante reunião em Kampala, capital de Uganda.
“E é virtualmente certo que a intensificação da frequência e da magnitude dos extremos diários de calor e frio ocorram no século XXI”, disse a jornalistas durante entrevista coletiva. “Temporais serão mais frequentes em muitas regiões do planeta”, acrescentou.
Cenários
O relatório revisou extremos de calor e chuva com base em três projeções ou cenários: uma forte redução nas emissões de carbono, uma redução modesta, e níveis inalterados (cenário “business as usual”). Os três cenários demonstraram uma trajetória similar de aumento dos extremos até meados do século.
Mas por volta do fim do século, os caminhos divergem dramaticamente, com ondas de calor e picos de chuva mais intensos e frequentes no pior cenário, que considera um mundo saturado de gases-estufa.
No cenário que prevê emissões elevadas – a caminho do qual estamos agora -, picos de calor que aconteciam a cada 20 anos vão ocorrer a cada cinco anos por volta de 2050, e todo ano ou a cada dois anos ao final do século. A incidência de chuvas intensas aumentará da mesma forma, acrescentou o documento.
Qin Dahe, outro co-presidente do IPCC, afirmou que o painel também está “mais confiante” de que as mudanças climáticas são a causa do recuo das geleiras, uma grande preocupação para países da Ásia e da América do Sul, que dependem das geleiras para ter água.
Há alguns anos, a imagem do painel saiu arranhada após equívocos no Quarto Relatório de Avaliação, publicado em 2007. Entre estes erros estava uma estimativa grosseiramente imprecisa sobre o ritmo de derretimento das geleiras do Himalaia.
Voltando ao documento atual, no que diz respeito aos outros eventos climáticos, como ciclones, os cientistas ainda se disseram incapazes de dimensionar o impacto das mudanças climáticas, devido à falta de dados e a “mutabilidade e variações inerentes ao sistema climático”, explicou Stocker.
“A incerteza aqui vai nas duas direções. Os eventos podem ser mais severos e mais frequentes do que as projeções sugerem ou vice-versa”, acrescentou. Alguns estudos sugeriram que a temperatura do ar e da superfície marítima mais quentes, combinadas com uma maior umidade do ar intensificarão as tempestades tropicais.
O documento de 20 páginas publicado esta sexta-feira resume as conclusões de um relatório de 800 páginas, que levou três anos para ser feito, e que revisa milhares de artigos científicos. Ele foi escrito por cerca de 200 cientistas e aprovado esta semana pelo IPCC, formado por 194 países-membros, e que reúne representantes de governos e especialistas.
Fenômenos
Segundo o documento, eventos extremos climáticos atingirão o globo de forma desigual: a onda de calor que matou 70 mil pessoas na Europa em 2003 pode ser um padrão para futuros picos no sul da Europa e no norte da África. Regiões da África onde milhões já vivem no limite da fome enfrentarão mais secas. Pequenos estados insulares poderão ficar inabitáveis devido a temporais agravados pelos mares com níveis mais elevados.
“A mensagem chave é a forma de interação dos extremos, a exposição e a vulnerabilidade criam um risco de catástrofe”, explicou Chris Field, co-presidente do Grupo de Trabalho II do IPCC, que se concentra na adaptação às mudanças climáticas.
“Não é preciso dizer que este [relatório] é um novo alerta”, afirmou a comissária europeia de ação climática, Connie Hedegaard, em um comunicado em Bruxelas.
“Com todo o conhecimento e argumentos racionais a favor de uma ação climática urgente, é frustrante ver alguns governos não demonstrarem a vontade política para agir”, acrescentou.
“Este relatório deveria acabar com as dúvidas dos governos sobre o que são as mudanças climáticas, sobre seus impactos sobre os eventos climáticos extremos, que já afetam as vidas e o sustento de milhões de pessoas”, criticou Bob Ward, do Instituto de Pesquisas Grantham sobre Mudanças Climáticas e Meio Ambiente da London School of Economics. (EcoDebate)

Cidades brasileiras queimam lixo

Mais da metade das cidades brasileiras queimam lixo, aponta IBGE
Os moradores das áreas rurais do país estão queimando mais lixo. Dados definitivos do Censo 2010 divulgados em 16/11/11 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o percentual de municípios onde essa prática ocorre cresceu de 48,2%, em 2000, para 58,1%, em 2010.
A dificuldade e o alto custo da coleta do lixo rural são os principais motivos para o aumento, segundo a pesquisa. Já a proporção de cidade onde há despejo de lixo em terreno baldio caiu de 20,8% para 9,1% no período.
O índice de acesso a serviço de coleta de lixo aumentou de 79%, em 2000, para 87,4%, em 2010, em todo o país. A cobertura mais abrangente foi verificada na Região Sudeste (95%), seguida da Sul (91,6%) e da Centro-Oeste (89,7%). As regiões Norte (74,3%) e Nordeste (75%), que tinham menores coberturas no ano 2000 (57,7% e 60,6%), apresentaram os maiores crescimentos em dez anos.
Nas áreas urbanas, em 2010, o serviço de coleta de lixo dos domicílios estava acima de 90% em todo o país, variando de 93,6%, no Norte, a 99,3%, no Sul. Nas áreas rurais, o serviço aumentou na comparação com 2000, passando de 13,3% para 26%, em média. (EcoDebate)

Para IPCC, aquecimento induz eventos extremos

Enchente. Moradores de Bangcoc enfrentam alagamento; 562 pessoas já morreram
Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgado em 18/11/11 afirma que um aumento da incidência de ondas de calor no mundo é quase certo, enquanto chuvas mais pesadas, mais inundações, ciclones mais fortes, deslizamentos e secas mais intensas são prováveis.
O documento apresenta diferentes probabilidades para eventos climáticos com base em futuros cenários de emissões de gases causadores de efeito estufa.
Os cientistas alertam que muitas regiões poderão assistir a um espaçamento menor entre dias extremamente quentes: o intervalo deve cair de 20 para 2 anos até o final do século. "Estamos começando a perceber que dá para fazer a conexão entre mudanças climáticas globais e aumento da frequência de eventos climáticos extremos", confirma o físico Paulo Artaxo, da USP, cientista colaborador do IPCC.
"Percebemos, por exemplo, que nos anos em que há mais incidência de furacões no Caribe, a temperatura da superfície do mar está mais quente no Atlântico tropical", diz.
O relatório lança para o mundo o alerta de que é preciso se preparar para o aumento dos eventos extremos.
"A capacidade de o mundo se tornar mais resistente às mudanças climáticas dependerá muito da velocidade com que as emissões serão reduzida, e no alcance do fornecimento de recursos financeiros e tecnologia dos países desenvolvidos para os mais vulneráveis", afirma Christiana Figueres, chefe de mudanças climáticas da ONU.
Ela diz que os governos que se reunirão em Durban no fim do mês para a Conferência do Clima da ONU devem "finalizar o quadro institucional acordado no ano passado no México, para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem".
O relatório do IPCC aponta que as ondas de calor já observadas nos últimos anos provavelmente ficarão entre 1°C e 3°C mais quentes em meados do século 21 e entre 2°C e 5°C mais quentes até o final do século.
"Elas afetam muito os países da Europa, além de China e Índia. Para nós, não há muitas consequências, diz Paulo Artaxo."
Segundo o documento, há probabilidade média de que as secas também se tornem mais intensas ao longo deste século. Ao mesmo tempo, o relatório prevê precipitações mais fortes, principalmente nas áreas tropicais e altas latitudes. (OESP)

Preocuparções Aquecimento Global

Aquecimento Global: porque devemos nos preocupar?
Um pouco de história
• No início da história do homem, os impactos ambientais eram muito pequenos, com o aumento da população e o desenvolvimento tecnológico essa situação mudou. Sem contar a ampliação da agricultura, e, mais tarde a industrialização.
Causas do desmatamento
• A utilização dos terrenos para a agricultura;
• A exploração de recursos minerais;
• A extração de madeira;
• A construção de hidrelétricas;
• As queimadas ( incêndios propositais ou não).
Impactos ambientais decorrentes das queimadas
• Extinção e redução da biodiversidade;
• Extermínio de indígenas;
• Erosão e empobrecimento dos solos;
• Assoreamento do leito dos rios;
• Desertificação;
• Aumento de CO2 na atmosfera resultante das queimadas;
• Rebaixamento do lençol freático;
• Mudanças climáticas.
Desertificação
Suas causas são:
• Uso intensivo do solo para a agricultura;
• Fragilidade do ecossistema;
• Desmatamento;
• Pecuária extensiva;
• Técnicas não apropriadas de irrigação e cultivo.
Implicações da desertificação
• Problemas sociais: fome, analfabetismo, diminuição de renda e do consumo;
• Migração dos habitantes de áreas secas: pobreza humana;
• Destruição da biodiversidade;
• Erosão dos solos;
• Redução dos recursos hídricos;
• Redução de terras cultiváveis.
Erosão dos solos e a utilização de agrotóxicos em áreas agrícolas
Causam:
• Danos à saúde de trabalhadores rurais;
• Agrotóxicos contaminam as águas e também contaminam os solos, os tornando pobres e inférteis;
• Uso excessivo de inseticidas faz aparecer pragas mais resistentes;
• A erosão é um problema que ocorre, em todo mundo, sendo mais intensa na zona tropical.
A poluição das águas
Principais fontes poluidoras:
• Resíduos industriais;
• O chorume do lixo orgânico;
• Esgotos sem tratamento;
• O lixo sólido;
• Resíduos agropecuários;
• Atividades mineradoras.
Poluição sonora e visual
É gerada pela liberação de energia como luz, calor e som geralmente observados nas grandes cidades.
Afeta a saúde mental, pois causa irritação, nervosismo, fadiga e outros sintomas relacionados com o sistema nervoso e os órgãos dos sentidos.
Poluição térmica
O aumento da temperatura do ar ou da água provoca alteração do meio é denominado poluição térmica.
A elevação da temperatura propicia o desenvolvimento de fungos e bactérias, muito dos quais causam doenças em peixes em outros organismos.
Poluição por eutroficação
A eutroficação corresponde ao aumento excessivo de nutrientes na água. Pode ser natural ou provocada por resíduos urbanos, industriais ou agrícolas. Ocorre o aumento de bactérias aeróbicas, que consomem grande parte do oxigênio existente na água. Assim, não há oxigênio para todos, causando grande mortalidade e o desenvolvimento de bactérias anaeróbicas.
Poluição por substâncias não biodegradáveis
São as substância que não sofrem decomposição, caso principalmente das substâncias organocloradas, como DDT, e dos metais pesados, como o mercúrio, que, se ingerida, pode levar o indivíduo à morte.
Impactos ambientais causados pela poluição do ar
Nas escalas local e regional, destacam-se a inversão térmica, as “ilhas de calor” e a chuva ácida. Em escala global, o aquecimento global (efeito estufa) e a destruição da camada de ozônio.
Inversão térmica
A inversão térmica é um fenômeno que ocorre naturalmente em vários lugares da Terra. Porém, quando ocorre nas grandes cidades, contribui para agravar o problema da poluição.
“Ilhas de calor”
As médias térmicas são bem mais altas nas áreas centrais do que na zona rural. Isso acontece em virtude da grande concentração de prédios que impedem a circulação de ar. Essas áreas são chamadas de “ilhas de calor”. Atua como uma zona de baixa pressão, atraindo ventos e maior quantidade de poluente.
Chuvas ácidas
A presença de poluentes no ar atmosférico torna a água da chuva mais ácida ainda. As consequências disso é o aumento de acidez da água e a perda de nutrientes do solo.
O que é aquecimento global?
Aumento da temperatura média global, ocasionado pelo acréscimo de Gases Efeito Estuda (GEEs) na atmosfera, gerando a intensificação do Efeito Estufa.
Aquecimento Global
“O Aquecimento Global é o grande responsável pelo aumento da temperatura do globo em 0,6°C desde 1860.”
Efeito Estufa
O efeito estufa, dentro de uma determinada faixa, é de vital importância pois, sem ele, a vida não seria como a conhecemos não poderia existir.
O que se pode tornar catastrófico é a ocorrência de um agravamento do efeito estufa, que desestabilize o equilíbrio energético do planeta e origine um fenômeno conhecido como aquecimento global.
Mecanismo de Efeito Estufa
Efeito Estufa
• Gases Efeito Estufa:
– Dióxido de Carbono (CO2)
– Metano (CH4)
– Óxidos Nitrosos (NOx)
– Halogênios
– Clorofluorcarbonetos (CFCs)
– Hidroclorofluorcarbonetos (HCFCs)
Com o aumento populacional e a possibilidade de industrialização, as emissões de gases efeito estufa aumentaram muito desde o começo do século e tendem a aumentar mais.
Em termos estatísticos um habitante de país industrializado gera em média todos os anos 5t CO2; já para os países em desenvolvimento esse valor raramente supera 0,5t CO2 – décima parte.
Uma família de classe média, por exemplo, com dois filhos e dois carros, precisaria plantar 63 árvores por ano, para mitigar suas emissões.
Uma grande multinacional, que emite por ano 3,6 milhões de toneladas de CO2, precisaria plantar 20 milhões de árvores ao ano - o suficiente para preencher nada menos que 26.666 campos de futebol.
Dióxido de Carbono (CO2)
• Contribuição Antrópica:
• Transporte;
• Indústria;
• Domiciliar;
• Agricultura.
• Mineração de carvão;
• Extração e transporte de petróleo e gás natural;
• Mudança no Uso da Terra e Florestas;
Metano CH4
• Um aumento de CH4 no ar provoca, em termos de intensidade, um efeito equivalente à 21 vezes aquele proporcionado pelo CO2
• A vida média do CH4 na atmosfera varia entre 10 e 15 anos.
Óxidos nitrosos
• No nível molecular, o N2O é cerca de 206 vezes mais impactante que o CO2 no que se refere ao Aquecimento Global
• Desde a era pré-industrial até a década de 1980 a taxa de crescimento deste composto foi de 13%.
CFC
• Os CFCs têm elevada persistência no ar e alta taxa de absorção de energia, fazendo com que suas moléculas tenham potencial de Aquecimento Global equivalente ao de 10000 moléculas de CO2
• Mesmo assim o efeito final provocado pelos CFCs sobre a temperatura do globo é pequeno. Isso porque o aquecimento causado pelo CFCs em função do redirecionamento de energia é compensado pelo resfriamento que estes compostos induzem na estratosfera ao destruírem a Camada de Ozônio.
Impactos do Aquecimento Global
“A concentração de GEE na atmosfera pode atingir o dobro do seu nível pré-industrial já em 2035, significando um aumento de temperatura de 2º C”
Impactos
• BIODIVERSIDADE
– Deterioração de ecossistemas únicos e ameaçados
– Diminuição da biodiversidade -migração ou até extinção de espécies
– Êxodo de espécies do mangue por permanente elevação do nível do mar
– Mudanças nos ciclos de migração e reprodução
• AGRICULTURA
– Perda da produtividade na agricultura
– Ameaça a segurança alimentar
• OCEANOS
– Desgelo das calotas polares
– Aumento do nível dos oceanos
– Perda de regiões costeiras – deslocamento populacional e menor área de cultivo
– Aquecimento das águas superficiais – alteração das correntes marítimas e propicia proliferação de algas
– Deterioração dos recifes de corais pela elevação do nível do mar e da temperatura
– Perda da qualidade da água pela entrada de água marinha
Derretimento das calotas polares
Regime Hídrico
– Mudanças nos regimes de precipitações
– Eventos extremos – secas, enchentes e estações mais intensas
Saúde
- Falta de água potável
- Expansão e desenvolvimento de novas pestes
- Epidemias – dengue, malária, cólera entre outras doenças
- Pandemias devido ao aumento dos vetores de doenças mais comuns
Impactos
SOCIO-ECÔNOMICOS
• Prejuízos econômicos devido a desastres ambientais como furacões, secas, enchentes
• Submersão de ilhas oceânicas – êxodo populacional e diminuição do turismo (Ilhas do Pacífico)
• Conflitos entre países – além da busca por recursos naturais, também por causa do deslocamento populacional
• Pressão na infraestrutura dos órgãos públicos, principalmente dos países em desenvolvimento
Brasil
• Tendo em vista que os ecossistemas naturais não apresentam grande capacidade de adaptação à magnitude das mudanças climáticas se estas ocorrerem no curto intervalo de tempo é claro que o Brasil, país megadiverso, deverá sofrer graves alterações em seus biomas.
• Somando o aquecimento global às mudanças no uso do solo, é quase certo que em um futuro breve, acontecerão rearranjos importantes nos ecossistemas e até mesmo na redistribuição dos biomas brasileiros.
• O número de estudos sobre a resposta de espécies da flora e da fauna Amazônica e do Cerrado às mudanças climáticas é ainda pequeno, mas estes indicam que para um aumento de 2° a 3°C na temperatura média, até 25% das árvores do cerrado e 40% de árvores da Amazônia poderiam desaparecer.
• Não obstante, alterações no regime hídrico são certas, porém os estudos que trabalham com tal vulnerabilidade apresentam informações controversas, expondo tanto o aumento quanto a diminuição nos índices de chuva;
• A despeito, as mudanças climáticas afetarão no projeto, construção e operação de empreendimentos relacionados aos recursos hídricos devido a sua susceptibilidade.
– Nesse sentido, a área de energia no Brasil apresenta-se altamente vulnerável às mudanças climáticas, graças a importância da geração hidrelétrica na matriz energética do país.
No que diz respeito a saúde, serão favorecidas doenças cuja proliferação se dê em ambientes quentes e úmidos, tais como: malária, dengue, cólera, leishmaniose, leptospirose e hantovirose.
Adaptação
Segundo o IPCC (2001), os países que possuem menos recursos serão os que mais dificilmente se adaptarão e portanto, os mais vulneráveis. A capacidade de adaptação é dada pela “riqueza, tecnologia, educação, informação, habilidades, infraestrutura, acesso a recursos e capacidade de gestão”.
O que deve ser feito…
• Substituição de combustíveis fósseis;
• Uso de energia renovável e aumento da eficácia energética;
• Manejo adequado na agropecuária;
• Controle de queimadas e desmatamento;
• Métodos de captação e armazenamento de Carbono;
• Planejamento para a adaptação das nações;
• Visão internacional partilhada de objetivos a serem atingidos;
• E principalmente mudanças no padrão de consumo! (blogierb)

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