terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Como alimentar população em tempos de mudança climática?

Como alimentar uma população crescente em tempos de mudança climática?
Agir no nível local e consumir de maneira consciente estão entre as principais formas de reduzir o impacto climático da indústria alimentar, responsável por cerca de 50% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Atualmente, 800 milhões de pessoas no mundo sofrem com a fome, o que representa 11% da população vivendo em situação de insegurança alimentar, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Conforme indica o Relatório Mundial de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, esse número pode aumentar para 1,4 bilhão de pessoas como consequência dos efeitos da mudança climática.
“Até 2050, teremos que produzir comida para mais 2 bilhões de pessoas, o que supõe mais pressão sobre a terra e sobre a água. Precisamos de sistemas alimentares que produzam mais com menos e que sejam resilientes às mudanças climáticas”, disse o brasileiro José Graziano da Silva, diretor geral da FAO.
O setor agropecuário emite 12% do total de emissões de gases de efeito estufa, mas, se contabilizarmos as emissões indiretas de todos os processos relacionados com a indústria alimentar, essa porcentagem atinge entre 44% e 57% do total das emissões globais, segundo a ONG Grain. No Brasil, essa porcentagem é ainda maior: 60%.
Entre os processos indiretos responsáveis pelas emissões figuram: o desmatamento e a queima da matéria orgânica – que em 90% das ocasiões são produzidos como resultado da expansão da fronteira agrícola; o transporte dos alimentos e das matérias primas; a embalagem e a refrigeração dos produtos; e o desperdício de alimentos, cuja decomposição emite 4% do total de emissões.
“Desperdício e fome são os dois lados de uma mesma moeda”, afirmou Carlo Petrini, sociólogo e gastrônomo italiano fundador do movimento Slow Food, no evento “Nós alimentamos o planeta”, realizado em Milão, em outubro, pela organização SlowFood. Petrini também lembrou que nosso sistema de produção de alimentos é capaz de alimentar 12 bilhões de pessoas, embora população do planeta seja hoje de 7,3 bilhões – e mais de 10% sofre com fome e mal nutrição. “Este sistema esquizofrênico desperdiça 40% da comida produzida”, informou Petrini.
Embora exista uma grande preocupação global com o problema da fome, o Banco Mundial adverte que só 1% dos recursos financeiros solicitados à comunidade internacional para ajudar aos países mais afetados pelo problema são disponibilizados atualmente. Muitos países perdem entre 2% e 3% do seu PIB devido a problemas alimentares.
Para alguns a resposta contra a fome no mundo tem sido a produção intensiva de alimentos. Porém, o projeto de consultoria da Trucost para a FAO demonstra que os custos ambientais da produção industrial de alimentos atingem US$ 3,33 trilhões por ano (quase o PIB da Alemanha).
Como reduzir as emissões no setor alimentar?
“Na minha região, muita gente perdeu as safras por conta das chuvas e muita gente sofre com a desnutrição. Temos de mudar a forma de produzir e consumir, mas com a mudança climática fica complicado”, disse o jovem produtor senegalês Hady Diop, no encontro, em Milão.
A relação entre o clima e a produção de alimentos depende diretamente do manejo dos solos. Quase a metade do CO2 da atmosfera provém da destruição de matéria orgânica dos solos. Por meio do manejo sustentável e da recuperação dos solos poderíamos conseguir estocar o carbono e aumentar a produção de alimentos em 58%, segundo a FAO.
Metas específicas para controlar as emissões do setor agropecuário mal são consideradas no texto que deverá ser negociado na Conferência do Clima de Paris, que acontece em dezembro. Tampouco existem propostas alternativas ao sistema atual de produção de alimentos.
Agir do local ao global
Movimentos sociais e organizações como a Via Campesina, Grain ou Slow Food defendem que é preciso agir desde o nível local até o global para enfrentar esse desafio. Em outubro, o evento “Nós alimentamos o planeta” reuniu 2,5 mil jovens produtores do mundo inteiro, entre os quais também figuravam cozinheiros, acadêmicos e integrantes de movimentos sociais pela alimentação de mais de 120 países. “[O objetivo foi] juntar todos aqueles que produzem nosso alimento para discutir de que forma teria que ser nutrido o planeta”, disse Valentina Bianco, responsável pela região da América Latina na Slow Food Internacional, em entrevista ao ISA.
“Precisamos tentar produzir e consumir localmente para reduzir o transporte, o desperdício de comida e as emissões resultantes desses processos”, disse Bianco. De acordo com ela, existem três caminhos para alimentar o planeta e limitar o impacto da alimentação no meio ambiente: “produzir e ser agricultor, ter uma pequena horta (que pode ser urbana) e ser um consumidor consciente, o que chamamos de coprodutor”.
“O pessoal no campo está envelhecido, precisamos incentivar os jovens a ficarem na terra. Eu sou jovem e vivo as dificuldades de ser agricultor. Nós defendemos o campo com gente feliz que possa produzir alimentos de qualidade com um preço justo, a gente só fica no meio rural se tiver uma garantia econômica mensal”, disse Alexandre Leal dos Santos, jovem produtor do Paraná que participou encontro em Milão.
“Num país periférico como o Brasil, cuja vocação sempre foi exportar coisas, hoje falamos de agricultura familiar, e isso é uma evolução, mesmo que ainda não seja uma agricultura ecológica, pois utiliza muito fertilizante. Mas é preciso entender que o Brasil é um lugar bastante complexo”, expôs Ranieri Portilho Rodrigues, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário do Brasil.
“Na Slow Food acreditamos que a agricultura familiar possa ser uma resposta aos problemas de alimentação que temos atualmente, mas precisamos que o setor político e institucional acredite e apoie realmente esse sistema”, afirmou Valentina Bianco. Ela acrescentou que esse movimento não só se preocupa com garantir a segurança alimentar, como também defende a luta pela soberania alimentar, pela qual “cada pessoa tenha direito a se alimentar com produtos próprios da sua tradição e do seu território e conservar o patrimônio agrícola de sua cultura”.
“Se nós quisermos salvar o planeta, nós teremos que começar por nossa alimentação. Mas nós estamos deixando as nossas comidas tradicionais por alimentos industrializados”, afirmou, em entrevista ao ISA, Sergio Wara, indígena Sateré Mawé e liderança do projeto Guayapí, rede de comércio justo internacional de guaraná. Wara também anunciou que sua comunidade apresentará, em julho de 2016, o primeiro grupo de Slow Food indígena, que será chamado de “Miuakua”.
Entre os representantes brasileiros também estavam Marcelo Martins do Programa Xingu, do ISA, e o indígena Miaraip Kaiabi, que apresentaram para mais de 2 mil pessoas o óleo de pequi e a pimenta do Xingu, entre outros produtos da Associação da Terra Indígena do Xingu (ATIX). Eles defenderam a necessidade de fortalecer a agrobiodiversidade. “Protegendo nossa alimentação também protegemos nossa cultura”, disse Miaraip. (ecodebate)

Mudanças climáticas levará 600 milhões à desnutrição até 2080

Mudanças climáticas podem levar 600 milhões à desnutrição até 2080, diz especialista da ONU
“São necessárias medidas urgentes para responder aos desafios colocados pelas alterações climáticas”, alertou a relatora especial da ONU sobre o direito à alimentação, Hilal Elver.
As alterações climáticas têm implicações graves para a agricultura e a segurança alimentar.
As mudanças climáticas representam ameaças graves e distintas para a segurança alimentar e podem sujeitar um adicional de 600 milhões de pessoas à desnutrição até 2080, uma especialista em direitos humanos da ONU alertou na última semana.
“O aumento da frequência e intensidade de condições meteorológicas extremas, aumento das temperaturas e dos níveis do mar, assim como as cheias e as secas têm um impacto significativo sobre o direito à alimentação”, disse a relatora especial da ONU sobre o direito à alimentação, Hilal Elver.
“Todos estes incidentes climáticos causarão um impacto negativo nas colheitas, pecuária, pesca, aquicultura e nos meios de vida das pessoas”, acrescentou, advertindo que responder à demanda de alimentos através de modelos de produção agrícola de grande escala não é a solução certa.
Elver ressaltou também que “são necessárias medidas urgentes para responder aos desafios colocados pelas alterações climáticas, mas as políticas de mitigação e adaptação devem respeitar o direito à alimentação, bem como outros direitos humanos fundamentais”. (ecodebate)

Mudanças climáticas e impactos na economia

Nas últimas décadas, os avisos da natureza começaram a apontar uma maior necessidade da sociedade em dar atenção a questões relacionadas às mudanças climáticas no planeta. Com este pano de fundo, as Nações Unidas organizam uma reunião anual com as principais autoridades governamentais de diversos países para discutir sobre como devemos lidar com as mudanças climáticas, que apresentam consequências aparentemente cada vez mais drásticas, tais como secas prolongadas, tempestades, derretimento dos polos e aumento do nível dos oceanos.
A próxima Conference of the Parties (COP), em sua 21ª edição, marcada para acontecer entre 30 de novembro até o dia 11 de dezembro deste ano, em Paris, será uma das mais importantes já realizadas. As chances de sucesso agora são mais altas, já que todos os países signatários da ‘Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima’ (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC) antecipadamente concordaram em assinar um tratado vinculante até 2015, para reduzir suas emissões de gases causadores de efeito estufa.
O que favorece essa convicção positiva são os novos posicionamentos do mercado quanto ao tema. Uma delas foi a modificação nos cenários políticos dos dois maiores emissores de gases de efeito estufa no mundo, Estados Unidos e China, os quais flexibilizaram as negociações e no ano passado anunciaram que irão cortar suas emissões de gases até 2025 e 2030, respectivamente. Além disso, houve uma drástica redução nos custos das tecnologias capazes de diminuir tais emissões ao meio ambiente, isso em razão do aumento de projetos de energia renováveis disponíveis e pela maior facilidade em financiar a aquisição desses recursos – como é o caso dos títulos verdes (green bonds) e do financiamento coletivo (crowdfunding).
A grande questão, aqui, é de que maneira os novos comprometimentos, com os quais as nações estão dispondo-se no decorrer dos próximos anos, afetarão as empresas e a economia. Há previsão de que as atividades intensivas na emissão de carbono (como, por exemplo, as que geram energia a partir da queima de derivados de petróleo) se tornarão mais caras e as organizações terão de lidar com regulamentações mais rigorosas, preços de carbono menos acessíveis e metas de corte de emissões de gases mais rígidas.
Contudo, os efeitos da mudança do clima obrigarão as empresas a estabelecerem um plano de resiliência para lidar e adaptar as atividades em detrimento dos impactos, como escassez de água, clima extremo, migrações populacionais e instabilidade social. Na contramão disso, no entanto, vantagens surgirão, como, obviamente, a de tornar-se uma empresa de emissões reduzidas de poluentes; e oportunidades também estarão em vista, criadas pelo crescimento da economia sustentável embasada em energias renováveis.
Apesar de rigorosas consequências que já afetam o meio ambiente, medidas urgentes são necessárias para lidar agora com essa questão, e os governos em todo o mundo, com o auxílio das empresas e da sociedade civil, precisarão trabalhar para dissociar as emissões de gases de efeito estufa do crescimento econômico e direcionar o mundo para uma economia de baixo carbono.
Nesse sentido, o caminho para uma atividade perene e sustentável é que as organizações e seus administradores apliquem tempo e experiência para o aprimoramento no desenvolvimento ambiental e social das empresas; isso inclui tornar permanente a mensuração e a redução das emissões de carbono, bem como a preparação e divulgação de informações transparentes e confiáveis sobre tais emissões, apresentando à sociedade e ao mercado a contribuição da empresa na minimização dos efeitos das mudanças climáticas. (ecodebate)

Mudanças climáticas: hora de (re) agir

O maior e mais completo estudo já realizado sobre impactos da mudança climática no Brasil foi divulgado no final de outubro. Trata-se do “Brasil 2040 – Alternativas de Adaptação às Mudanças Climáticas”, encomendado pela Secretaria de Estudos Estratégicos da Presidência da República a grupos de pesquisa do país.
O trabalho buscou estudar e conhecer melhor como o clima poderá variar no Brasil nos próximos 25, 55 e 85 anos, de forma a fundamentar, e assim apoiar políticas públicas de adaptação em cinco grandes áreas: saúde, recursos hídricos, energia, agricultura e infraestrutura (costeira e de transportes).
As revelações apontadas pelos modelos de simulação utilizados no estudo mostram, em todos os cenários, que em 2040 o país será mais quente e mais seco. As temperaturas médias nos meses mais quentes do ano podem subir até 3ºC em relação às médias atuais no Centro-Oeste. A região Sul tende a ficar mais chuvosa, enquanto o Sudeste, o Centro-Oeste e partes do Norte e Nordeste teriam reduções de chuvas, em especial nos meses de verão, diminuindo assim a disponibilidade de água no semiárido.
Um dos efeitos dramáticos será a redução na vazão dos rios que abastecem a maior parte da população brasileira. No melhor cenário, vários rios de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Tocantins, Bahia e Pará terão reduções de vazão de 10% a 30%, no melhor cenário Além da água para abastecimento humano e animal, as hidroelétricas sofrerão uma redução na produção de energia. As mais importantes usinas do País – Furnas, Itaipu, Sobradinho e Tucuruí – teriam reduções de vazão de 38% a 57% no pior cenário.
Daí surge à necessidade de definição urgente sobre questões relacionadas ao planejamento da matriz energética. Definitivamente é um ponto de interesse de toda sociedade brasileira, e não pode mais ser decidido por um pequeno grupo de pessoas que atualmente compõem o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Os problemas decorrentes das decisões tomadas por este grupo, formado majoritariamente por ministros de Estado, refletem em toda sociedade brasileira. E ela, mais do que nunca exige participar e decidir sobre a política energética a ser adotada.
Fica claro que a melhor maneira de adaptar as mudanças climáticas é reduzindo emissões dos gases de efeito estufa, em particular o CO2. Assim é preciso aumentar em muito a eficiência energética (completamente negligenciada pelo poder público), usar mais as fontes renováveis de energia, de modo a reduzir a dependência de termelétricas fósseis e de hidrelétricas, e cobrar um preço pelas emissões de carbono dos setores que mais emitem. Sem contar com o afastamento definitivo de nosso território desta perigosa e cara opção, as usinas nucleares.
No atual contexto já vivenciamos uma crise hídrica que atinge as diferentes regiões do país, em maior ou menor grau. No Nordeste a situação é dramática diante da quantidade de água acumulada nos reservatórios. Tomando como exemplo um dos maiores lagos artificial do mundo, o de Sobradinho com 828 km² de área e 32.200 km³ de água, seu volume de armazenamento atingiu em 12/11 o correspondente a 5,4% do total. Com a cota de água atingindo 381,44m, praticamente o limite para a produção de energia.
Enquanto os cientistas apontam em suas pesquisas, nos estudos que realizam a necessidade urgente de diminuir as emissões dos gases de efeito estufa, evitando assim o aumento médio da temperatura do planeta, e todas suas consequências, os governantes agem como avestruzes diante das evidências. Em Pernambuco não é diferente.
Sabemos que a hidrologia florestal trata das relações entre as florestas, matas e a água, abordando a influência que causam sobre o ciclo hidrológico, e também como a principal salvaguarda dos mananciais de água, garantindo as vazões dos rios, e assim água para as necessidades humanas e animais, além dos usos na agricultura, na indústria, no fornecimento de energia. Portanto é inquestionável sua importância, tanto no âmbito ambiental, social e econômico. Logo, as más utilizações dos recursos ambientais ocasionam sérios problemas na biota, que consequentemente compromete a qualidade de vida, assim como, influencia o clima e os ciclos biogeoquímicos em uma dada região.
Todavia em Pernambuco, nos últimos 9 anos tem sido fato corriqueiro o desmatamento desenfreado dos vários biomas, da caatinga, aos resquícios da Mata Atlântica existente, da restinga e dos manguezais.
Dados oficiais apontam que no período 2007 a 2015 foram aprovadas 51 leis autorizando a supressão de 5.034 ha de vegetação nativa em área de proteção permanente (APP) para empreendimentos privados e públicos, de forma totalmente irresponsável do ponto de vista ambiental, sem qualquer discussão mais aprofundada na Assembleia Legislativa, onde o Governo tem total maioria.
Mesmo as leis aprovadas de supressão exigir as compensações de plantio, muitas vezes é feitas em local distante do dano, são definidas em acordos escritos sobre os quais não há fiscalização acerca do cumprimento. Restam simplesmente as afirmativas dos gestores públicos sem nenhuma comprovação.
Achando pouco, o próprio Governo do Estado suprimiu a exigência legal do Estudo de Impacto Ambiental (e com ele as audiências públicas) para a supressão nas APP`s, especialmente para favorecer empreendimentos que alegam serem de interesse público. Com isso em muitas áreas o risco é grande de atingir as nascentes de riachos que são os afluentes de bacias hidrográficas importantes para o abastecimento de água. Em particular as áreas riscos são os “brejos de altitude”, encontrados no Agreste e no Sertão pernambucano.
Estas áreas de altitudes elevadas são as mais ambicionadas para os projetos de aproveitamento da energia dos ventos. Em consonância aos interesses dos “negócios das eólicas”, o governo de Pernambuco, sem nenhuma precaução e cuidado, atraem os empreendedores com um conjunto de incentivos e benefícios, como a desobrigação de apresentarem Estudo de Impacto Ambiental e autorização legal para desmatar essas áreas. Parques eólicos com dezenas e centenas de aerogeradores estão sendo autorizados a se instalarem em áreas de preservação permanente, áreas de mananciais. Esta irresponsabilidade ambiental acarretará a remoção da cobertura vegetal, e assim agravará a crise hídrica no Estado. Em torno de 20% do total autorizado para desmatamento, nestes últimos anos foi para atender a instalação dos parques eólicos. Logo, o discurso do ambientalmente correto, ao considerar a energia eólica uma “fonte limpa” esconde práticas socioambiental injustas.
Outra situação que merece destaque é o polo de termoelétricas a combustíveis fósseis que já estão instaladas, ou que foram anunciadas. Todas elas concentradas no Complexo Industrial Portuário de Suape – CIPS (Termope com 520 MW a gás natural, Suape II de 380 MW a óleo combustível, Novo Tempo, recém-anunciada a gás natural liquefeito com 1.238 MW, a termelétrica da Petrobras para servir a Refinaria Abreu e Lima de 200 MW a óleo combustível). Além da termelétrica a óleo diesel Termomanaus e Pau Ferro I construídas na Área de Preservação Ambiental Aldeia-Beberibe com 240 MW (576 motores instalados). Grandes emissores de gases de efeito estufa tais termoelétricas somam uma potência instalada em torno de 2.600 MW.
Estima-se que se todas estas termoelétricas estiverem funcionado conjuntamente as emissões de CO2 atingirá a soma de 25.000 tonelada/dia, ou 750.000 toneladas/mês, ou ainda aproximadamente 9 milhões toneladas/ano. Uma significativa contribuição às emissões regionais de gases de efeito estufa.
Portanto, entre o discurso e a prática dos governantes pernambucanos vai uma diferença abismal. Enquanto sem nenhuma consequência prática promovem seminários internacionais, discursam sobre as mudanças climáticas; subtraem as reais informações para a sociedade, e agem sorrateiramente contra o meio ambiente, a vida. Comprometem assim a qualidade de vida das gerações presente e futuras, que no final das contas é quem pagará pelos desmandos destes mesmos governantes.
Poluir mais como propõe o governo de Pernambuco, não vai resolver as questões de emprego e renda, Só torna a população mais pobre e doente. Chegou a hora da sociedade pernambucana (re) agir. (ecodebate)

Alterações climáticas levarão milhões para a pobreza extrema

BIRD estima que alterações climáticas poderão levar milhões para a pobreza extrema
Mais 100 milhões de pessoas estarão vivendo na pobreza extrema até 2030 se não for tomada qualquer ação para limitar o impacto do aquecimento global, indicou em 08/11/15 um novo relatório do Banco Mundial (BIRD).
“Sem desenvolvimento ‘climático inteligente’, as alterações climáticas podem empurrar mais de 100 milhões de pessoas para níveis de pobreza extrema em 2030”, de acordo com o documento, publicado a menos de um mês da conferência de Paris sobre o clima COP21.
O impacto será particularmente forte no Continente Africano, onde as alterações climáticas podem levar a um aumento dos preços dos alimentos na ordem dos 12% em 2030.
Este será “um golpe muito duro para uma região onde o consumo alimentar dos agregados familiares mais pobres representa mais de 60% das despesas”, diz o BIRD.
Na Índia, a destruição de culturas agrícolas e a proliferação mais rápida das doenças resultantes da desregulação climática poderá deixar 45 milhões de pessoas na pobreza extrema, a viver com menos de US$ 1,90 (€ 1,80) por dia.
Saúde
Um aquecimento planetário de entre 2 a 3°C, relativamente à era pré-industrial – superior ao objetivo de mais 2°C da comunidade internacional – poderá aumentar em 5% o número de habitantes expostos ao paludismo (malária), ou seja, um aumento de 150 milhões de pessoas, de acordo com o relatório do BIRD.
A incidência de doenças diarreicas ameaça subir 10% nos próximos 15 anos, dia ainda o documento do banco, que pede um desenvolvimento “consciente do clima, rápido e solidário”.
“Em longo prazo, apenas uma ação internacional imediata e apoiada, com vista a reduzir as emissões mundiais de gases com efeito de estufa, permitirá proteger milhões de pessoas da pobreza”, afirma a instituição.
O Banco Mundial pede aos países ricos ajuda no financiamento nas nações do Sul de medidas atenuantes do impacto do aquecimento climático.
A conferência de Paris (COP21), que começa no dia 30 de novembro, tem como objetivo conseguir um acordo internacional que limite as emissões de gases com efeito de estufa. (ecodebate)

COP21: o que já está dando certo e o que não está

O rascunho do texto da Conferência realizada em Bonn pelos negociadores foi criticada de forma construtiva até mesmo pelo órgão das Nações Unidas, UNFCCC, mais precisamente por Christiana Figueres, Secretária Executiva do UNFCC (United Nations Framework on Climate Change). Segundo ela o texto está claro, conciso, concreto, porém ainda não está abrangente.
Por que não está abrangente? Segundo Yassen Tcholakov, do Grupo Jovem Consultivo Canadense da UNESCO, ‘no rascunho do texto estavam faltando muitas partes que foram classificadas como essenciais previamente pelas Partes (países)’.
Uma falha foi a não inclusão do AF (Fundo de Adaptação), como instrumento do Mecanismo Financeiro. O lado positivo é que isso já foi consertado nas últimas inserções. Eu não consegui mais informações a respeito da falta de abrangência do último rascunho, porém encontrei uma nova informação positiva e outra negativa.
O Fundo de Adaptação é um dos meios para auxiliar no combate ao aquecimento global que mais tem progredido. Tem financiado 50 projetos de pequena escala para adaptação, autorizou a implementação de 20 entidades nacionais e está ajudando a formar pessoas capacitadas na área.
Mesmo na atual crise global o Fundo recebeu 15 propostas de auxílio no último encontro, um número nunca visto antes para esse Fundo. O projeto, porém, tem como objetivo arrecadar 100 milhões de dólares até a COP21, o que eu creio estar longe de alcançar.
Apesar dos resultados positivos serem significativos, a COP21 será financiada por grandes e poluidoras corporações. Não deveria ser assim, mas é, e isso é um impasse para qualquer bom negociador: como lutar contra alguém que financia tudo o que você está fazendo? Um golpe de mestre por parte das corporações. Maquiavel iria adorar a estratégia.
Quais empresas estão financiando e são poluidoras em alto grau?
Électricité de France e as operações de Engie em relação ao carvão contam aproximadamente por ‘somente’ metade das emissões energéticas francesas.
Acredito que a pressão popular seja de fato a única arma que possui verdadeiramente o poder de mudar o jogo, ainda mais em um país como a França, reconhecido por sua histórica luta por direitos. Será que precisaremos de um novo Robespierre?
Realmente desejo que não cheguemos a esse dramático ponto. (ecodebate)

domingo, 29 de novembro de 2015

Temperatura da Terra e as consequências catastróficas

Temperatura da Terra chega à metade do limite para consequências catastróficas
O ano de 2015 deverá ser o mais quente desde que há registos sistemáticos, com o termômetro global a ultrapassar um marco simbólico e preocupante. A temperatura média do planeta será 1ºC superior à da era pré-industrial, ou seja, metade do caminho até ao limite de 2ºC, acima do qual temem-se consequências catastróficas.
A alta nos termómetros é resultado do efeito dos gases com efeito de estufa, combinado com um fenómeno climático periódico – o El Niño – particularmente forte este ano.
Com bases nos dados de Janeiro a Outubro, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) diz que a temperatura média global este ano está já 0,73ºC acima da média de 1961-1990 e aproximadamente 1ºC acima dos valores de 1880-1899. Se a tendência se mantiver, será batido o recorde de 2014, que terminou com 0,69ºC acima da média de 1961-1990.
“São más notícias para o planeta”, afirma o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, num comunicado divulgado no final de outubro/15.
A concentração atmosférica de CO2 – o principal gás que está aquecer o planeta – atingiu pela primeira vez uma valor regional de 400 partes por milhão (ppm) na Primavera passada, sobre o Hemisfério Norte. Este número simbólico já tinha sido atingido pontualmente nalgumas estações nos últimos anos, mas nunca se tinha mantido nesse nível durante alguns meses numa escala geográfica maior.
A isto, soma-se um forte El Niño – um fenómeno natural no qual o Pacífico aquece junto à costa Oeste da América do Sul, com efeitos diversos em várias partes do mundo – como secas, cheias e tempestades tropicais. Nos anos de El Niño, a temperatura média da Terra tende a subir. E prevê-se que o fenómeno de agora ainda se vá intensificar até ao final do ano, com consequências a serem sentidas até 2016.
O ano tem sido prolífico em eventos meteorológicos extremos. As temperaturas médias têm sido mais elevadas em várias partes do mundo. Na China, nunca houve um período de Janeiro a Outubro tão quente como agora.
A alta nos termômetros é resultado do efeito dos gases com efeito de estufa, combinado com o El Niño.
Muitos países enfrentaram ondas de calor. A OMM cita os casos da Índia, Paquistão e também da Europa, incluindo Portugal – que teve duas ondas de calor em Maio, numa das quais os termómetros chegaram aos 40ºC, um valor nunca antes atingido nesse mês no país.
Chuvas fortes e cheias afetaram o sul dos Estados Unidos, o México, a Bolívia e o sul do Brasil. O mesmo aconteceu no sul da Europa, no Malawi. Zimbabwe, Moçambique, Marrocos, Argélia e Tunísia.
Até agora, houve 84 ciclones tropicais – um valor que já está próximo da média mundial de 85 por ano.
Segundo a OMM, 2011-2015 foi o período de cinco anos mais quente desde que há registos.
O balanço da OMM surge a quatro dias do início de uma conferência decisiva da ONU, em Paris, onde deverá ser aprovado um novo tratado internacional para travar o aquecimento global. “As emissões de gases com efeito de estufa podem ser controladas. Temos o conhecimento e os instrumentos para agir. Temos uma escolha. As gerações futuras não”, refere Michel Jarraud.
Sobre a mesa das negociações estão compromissos assumidos por mais de uma centena e meia de países, mas que não serão suficientes para manter o aquecimento da Terra abaixo dos 2ºC até ao final do século.
Acima deste limite, temem-se consequências com as quais será muito mais difícil e oneroso lidar. Mas mesmo com 2ºC, algumas ilhas do Pacífico correm o risco de desaparecer do mapa. (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...