sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Orçamento 2018 atinge unidades de conservação e combate ao desmatamento

Cortes no orçamento da União para 2018 atingem unidades de conservação e combate ao desmatamento.
Se não houver recursos para financiamento da área ambiental, país pode comprometer a biodiversidade, o fornecimento de água e o combate às mudanças climáticas, alerta estudo.
No conjunto, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) tem R$ 3,278 bilhões na proposta de lei orçamentária de 2018, contra R$ 3,786 bilhões que teve na proposta para 2017. O valor é 29% menor do que a média destinada ao MMA pelos projetos de lei orçamentária na última década, de R$ 4,6 bilhões.
Em meio à ofensiva para reduzir o tamanho ou rebaixar o status de proteção de Unidades de Conservação (UCs) na Amazônia, estimulada pela bancada ruralista e por representantes do setor de mineração, o governo propôs o corte pela metade das verbas destinadas às UCs no projeto de lei orçamentária encaminhado ao Congresso.
Levantamento feito pelo WWF-Brasil em parceria com a Associação Contas Abertas mostra que as ações orçamentárias que tratam de criação, implantação, monitoramento e projetos de manejo nas áreas protegidas têm reservado no Projeto de Lei do Orçamento de 2018 R$ 122,9 milhões, contra uma previsão de gastos de R$ 244,5 milhões na proposta de 2017. Os dados são preliminares e fazem parte de um estudo a ser divulgado no final do ano, sobre o financiamento público à área de meio ambiente.
Os cortes na previsão de gastos para 2018 alcançam o combate ao desmatamento, a adaptação às mudanças climáticas e sua mitigação, o manejo florestal, a regularização dos imóveis rurais, o licenciamento ambiental e, em menor proporção, a implantação da Política Nacional de Recursos Hídricos. O quadro sugere um desmonte da área ambiental.
O corte mais profundo atingiu o Bolsa Verde, programa que paga R$ 300 a cada três meses a famílias extremamente pobres moradoras em áreas protegidas, como incentivo à conservação. O Bolsa Verde teve gastos autorizados de mais de R$ 70 milhões nos últimos dois anos e simplesmente desaparece na PLOA 2018. O governo busca repassar a conta ao Fundo Amazônia, que também pode sofrer corte nos aportes.
Em decorrência da mudança da meta fiscal para 2018, aprovada no início de setembro, para uma estimativa de déficit de R$ 159 bilhões (ou R$ 30 bilhões maior), o governo deve alterar a proposta até o início de novembro, antes de o Congresso começar a votar o Orçamento. O novo Orçamento só deve ser conhecido no fim de dezembro ou no ano que vem.
Na proposta encaminhada ao Congresso no último dia de agosto, o MMA tem orçamento menor do que a Câmara ou que o Senado, mas ainda maior do que outros nove ministérios, como Cidades, Cultura, Relações Exteriores e Esportes. Os cortes já expressam o impacto da emenda constitucional que impôs teto aos gastos públicos no período de 20 anos.
A maior despesa do MMA é com pagamento de pessoal, com mais de R$ 1 bilhão de gastos previstos em 2018. Nenhuma ação finalística do ministério chega perto dos gastos estimados com pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores, R$ 578 milhões.
Entre as diferentes autarquias subordinadas ao ministério, o corte é mais acentuado no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra as Unidades de Conservação federais. O Orçamento proposto para 2018 (R$ 589 milhões) é 52% menor do que o do ano passado (R$ 1,246 bilhão). O valor é menor até ao total já desembolsado pelo ICMBio nos primeiros oito meses de 2017.
No ano da realização do 80 Fórum Mundial da Água, que reunirá representantes de mais de cem países em Brasília em março, a Agência Nacional de Águas também perde recursos, em relação ao Orçamento de 2017. Embora a recuperação e a preservação de bacias hidrográficas mantenha os R$ 900 mil propostos no ano passado, na principal ação da área em volume de verbas, a proposta para a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos cai de R$ 153 milhões para R$ 136 milhões.
NA ONU
Ao mesmo tempo em que o presidente Michel Temer discursava na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas que o Brasil concentrava “atenção” e “recursos” no combate ao desmatamento, a ação “Controle e Fiscalização Ambiental”, que inclui o combate ao desmatamento entre outras ações de fiscalização, perdeu 57% em relação à proposta de orçamento de 2017. A ação do MMA que trata especificamente das estratégias de prevenção e controle do desmatamento tem um volume bem menor de recursos e também foi alvo de corte R$ 225 mil para R$ 220 mil.
No Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o monitoramento do desmatamento nos diversos biomas teve corte de 60%. A proposta de orçamento da ação cai de R$ 5,4 milhões, em 2017, para R$ 2,2 milhões em 2018. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) é responsável pelos dados que orientam o combate ao desmatamento no IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Na Assembleia Geral da ONU, o presidente Michel Temer também prometeu vigoroso combate às mudanças climáticas. Embora os recursos do Fundo Nacional sobre Mudanças do Clima (FNMC) aumentem em 2018 em R$ 24 milhões, a ação final de fomento a estudos, projetos e empreendimentos para a mitigação e adaptação tem a previsão de gastos em queda, de R$ 17,3 milhões para R$ 4,7 milhões. (ecodebate)

A interferência humana nas mudanças climáticas

Avaliação global de inundações e tempestades extremas com temperaturas aumentadas – Precipitação e de vazão de escala com a temperatura para os 99 ° percentil. (A) dimensionamento precipitação. (B) Escala de fluxo de fluxo. (C) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para a América do Nordeste. (D) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para a Alemanha. (E) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para o sudeste da Austrália – Referência: Conrad Wasko et al, Global assessment of flood and storm extremes with increased temperatures, Scientific Reports (2017).
Estima-se que o planeta Terra tem, aproximadamente, 4 bilhões de anos. Durante esse período, ele passou por diferentes transformações que foram divididas em eras geológicas. Essas eras correspondem a grandes intervalos de tempo que foram divididos ainda, em períodos. Evidências demonstram que, durante todos esses períodos, aconteceu extinção em massa, isto é, o decréscimo da biodiversidade devido à extinção de vários grupos de seres vivos ao mesmo tempo. As causas dessas extinções podem variar, porém, são fortes as evidências que indicam que elas não sejam resultado de um fato isolado, mas da combinação de vários fenômenos. Entre os principais acontecimentos podem ser citados choques de asteroides, erupções vulcânicas, alterações climáticas, entre outros.
A história do clima da Terra nos mostra que as eras do gelo vêm e vão e são causadas por mecanismos naturais que a humanidade é incapaz de controlar. E que, ao longo da história, a extinção de espécies e mudanças climáticas são comuns.
“A mudança climática é um problema global com graves implicações”
A raiz de muitos problemas ambientais, se não todos, nos coloca diante do problema “o tamanho da população humana”. Erroneamente, se diz que a população global tem crescido exponencialmente. No entanto, em uma população que cresce exponencialmente, a taxa de aumento por indivíduo é constante. Mas a população humana cresce a uma taxa em aceleração. Mais pessoas significa o aumento por demanda de energia e maior consumo de recursos não renováveis, como combustíveis fósseis, petróleo, carvão e gás natural. Esses combustíveis se originaram a partir de restos de seres vivos que foram se depositando ao longo de milhões de anos em camadas muito profundas da crosta terrestre e transformados pela ação da temperatura e pressão e, em curto prazo de tempo, o homem explora e os queima, liberando para a atmosfera grandes quantidades de carbono, quantidades estas que foram acumuladas há cerca de 65 milhões de anos.
Sem dúvida nenhuma, o uso de combustíveis fósseis tem fornecido energia para transformar grande parte do nosso planeta por meio do desenvolvimento industrial, da agricultura intensiva e da urbanização. Entretanto, é evidente a interferência das ações humanas sobre uma diversidade de problemas ambientais, entre eles, as mudanças climáticas. A compreensão das mudanças climáticas envolve muitos fatos, a evidência é bastante clara a partir de observações e análises, mas os fatos não são suficientes.
O papel dos cientistas é apresentar os fatos, as perspectivas e as consequências, mas a decisão sobre o que fazer com eles envolve todos. Assim, os valores, a equidade entre nações e gerações, os interesses, o princípio da precaução, a ideologia e muitos outros fatores entram em jogo para decidir se não devemos fazer nada e sofrer as consequências, ou se devemos agir.

O fato é que a mudança climática é um problema global com graves implicações: ambiental, social, econômica, política – e representa um dos principais desafios que a humanidade se depara nos dias atuais e, certamente, enfrentará em um futuro não muito distante. Os cientistas têm dois desafios urgentes: avançar no conhecimento científico e envolvê-lo integralmente nas políticas locais, nacionais e globais. (ecodebate)

ONU aponta riscos para efetivação do Acordo de Paris

Às vésperas da COP 23, ONU aponta riscos para efetivação do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou boletim que mostra que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera bateu recorde em 2017.
Há dois anos, 195 países firmaram o Acordo de Paris, fruto da Conferência Mundial do Clima (COP21) sobre a redução de emissões de gases de efeito estufa. Era a primeira vez na história que governos reconheciam conjuntamente os riscos associadas ao aquecimento global e pactuavam um acordo global sobre o clima.
Apesar da relevância do acordo, um estudo divulgado em 31/10/17 pela ONU Meio Ambiente afirma que o acordo está em risco. Mesmo se fossem cumpridos todos os compromissos assumidos, isso representaria apenas um terço do que é necessário alcançar até 2030 para que os piores impactos das mudanças climáticas sejam evitados, de acordo com a agência da ONU que é a principal autoridade global em meio ambiente.
Divulgada a uma semana do início da COP 23, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorre em Bonn, na Alemanha, entre 6 e 17 de novembro, a oitava edição do Relatório da ONU Meio Ambiente sobre a lacuna das emissões, intitulada Emissions Gap Report, alerta que são necessárias medidas urgentes para que o acordo possa entrar em vigor em 2020, conforme previsto na COP 21. “Os governos e os atores não estatais precisam aumentar urgentemente sua ambição para garantir que os objetivos do Acordo de Paris ainda possam ser alcançados, de acordo com uma nova avaliação da ONU”, diz o relatório.
A principal meta em questão é limitar o aquecimento máximo do planeta a uma temperatura média “bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-revolução industrial”, com esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C, nos termos fixados em 2015.
“As ações para se chegar à redução proposta em Paris são definidas por cada país, que diz como pode contribuir com esse objetivo global comum”, explica o coordenador de emissões do Observatório do Clima, Tasso Azevedo. Ele detalha que as propostas atuais fazem com que as emissões de 2030 provavelmente alcancem 11 a 13,5 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e) acima do nível necessário à adoção de uma trajetória condizente com o objetivo de evitar o aquecimento de 2ºC.
Nesse rumo, de acordo com as Nações Unidas, é “muito provável” que haja aumento da temperatura de pelo menos 3°C até 2100. O cenário pode se tornar ainda mais grave caso os Estados Unidos sustentem a intenção declarada de deixar o Acordo de Paris em 2020, alerta o estudo. “Ainda falta muito esforço a ser feito, por isso o que o relatório apresenta um apelo para que, até 2020, quando vai ocorrer a primeira revisão das metas, elas sejam fortalecidas para a gente diminuir essa distância entre as propostas fixadas pelos países e a meta global”, destaca Azevedo, que antecipa que, “se a gente não der mais ambição para essas metas, estaremos numa situação ruim”.
Dióxido de carbono
Nesse contexto, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou em 30/10/17 que mostra que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera bateu recorde neste ano, chegando a 403,3 partes por milhão (ppm).
O relatório apresenta formas práticas de envolver diversos agentes, inclusive municípios e setor privado, no esforço de reduzir as emissões em diferentes setores, por meio de ações como adoção de energia solar e eólica, desenvolvimento de carros de passageiros eficientes e reflorestamento.
Esses agentes também podem contribuir com o fim do desmatamento, a eliminação do uso e produção de hidrofluorcarbonos – produtos químicos usados principalmente em aparelhos de ar-condicionado, refrigeração e isolamento de espuma – e reduzindo poluentes climáticos como o carbono preto e o metano.
Para a ONU, é preciso garantir investimentos para a adotação de tecnologias limpas. A organização calcula que o investimento de menos de US$ 100 por tonelada de CO2 evitado poderia economizar até 36 GtCO2e, a cada ano, até 2030.
Outro ponto que o relatório destaca é a necessidade de efetivação de mudanças na matriz energética. Evitar novas usinas a carvão e eliminar as já existentes é uma das recomendações das Nações Unidas nesse sentido. O relatório aponta que existem cerca de 6.683 usinas a carvão em funcionamento no mundo, com uma capacidade combinada de 1.964 gigawatt (GW).

Se essas usinas funcionarem até o final de sua vida útil sem se adaptar à Captura e Armazenamento de Carbono, de acordo com o estudo, elas vão emitir um total de 190 gigatonelada (Gt) de CO2. (ecodebate)

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Plástico e acrílico com nanofibras de celulose

Pesquisa produz poliestireno (plástico) e polimetacrilato de metila (acrílico) com nanofibras de celulose.
Inovação vai permitir ampliação do uso de polímeros comerciais - poliestireno e polimetacrilato - largamente utilizados na indústria.
Fibras de celulose

Pesquisar novos materiais – mais resistentes, leves, baratos, sustentáveis ou com qualquer característica que os tornem mais convenientes para a indústria e consumidores. Isso é o que faz a engenharia de materiais. Uma pesquisa uniu duas das tecnologias mais férteis nessa área ao trabalhar com compostos em escala extremamente reduzida (nanométrica) e, ao mesmo tempo, biodegradável. A inovação vem da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, onde pesquisadores desenvolveram um método para produção de poliestireno (plástico) e polimetacrilato de metila (acrílico) utilizando fibras e nanofibras de celulose de eucalipto, bagaço de cana e outros vegetais.
O método pode ser utilizado para produzir materiais que, além de elevada resistência mecânica, têm baixo custo – já que as substâncias empregadas no processo são derivadas de fontes renováveis (celulose).  Os poliestirenos e os acrílicos são largamente utilizados na construção civil, automobilística e em componentes eletrônicos. A Agência USP de Inovação já patenteou o produto.
O Brasil é um dos líderes mundiais de produção de celulose e as inovações tecnológicas feitas a partir de derivados de fontes renováveis têm recebido atenção dos cientistas nos últimos anos. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), o País ocupa o quarto lugar no ranking dos produtores de celulose de todos os tipos e o primeiro produtor mundial de celulose de eucalipto. Dessa forma, as fibras de celulose vêm sendo estudadas como potencial material para substituição das fibras convencionais.
Devido à importância comercial do poliestireno (resina do grupo dos termoplásticos) e por ele ter origem em fontes finitas da natureza (petróleo), a substância foi o foco das pesquisas do Departamento de Engenharia de Materiais da EESC. Sob orientação do professor Antonio José Félix de Carvalho, pesquisadores adicionaram fibras e nanofibras de celulose no poliestireno para saber o que resultava dessa composição.
Embora a ideia fosse promissora, por se tratar de um produto biodegradável, e se soubesse que as propriedades mecânicas da celulose a tornam tão rígida quanto o próprio aço, a proposta não era tão simples assim. Segundo Carvalho, o problema residia em como dispersar as fibras nos termoplásticos de poliestireno e acrílico, uma vez que as fibras de polpas celulósicas ou nanofibras de celulose tendem a formar aglomerados, o que impedia a sua distribuição nas substâncias sintéticas da matriz principal (o poliestireno).”
A celulose, por sua afinidade com água, não se misturava à resina (matriz sintética). Isso levava à separação entre os componentes no momento de prepararão do compósito final. “O problema era ainda maior quando a celulose era utilizada de forma seca, o que tornava praticamente impossível a manipulação dos materiais”, relata o pesquisador.
A solução consistiu no desenvolvimento de um novo método para a “preparação dos materiais compósitos baseado em um processo de coprecipitação (separação das substâncias sólidas do líquido)”. O objetivo era impedir a aglomeração e garantir uma boa dispersão das fibras na matriz polimérica para se obter no final um material homogêneo e com propriedades mecânicas superiores aos produtos convencionais já existentes no mercado.
Uma vez resolvida a questão que inviabilizava o emprego das fibras celulósicas, o trabalho de pesquisa resultou em um compósito com propriedades mecânicas bastante melhoradas, comparáveis a outros compósitos produzidos a partir de fibras sintéticas.
Compósitos
Os materiais compósitos estão presentes na natureza, no corpo humano ou em qualquer outro lugar. São produzidos a partir da junção de dois ou mais materiais distintos, que combinados resultam em um produto com propriedades de melhor qualidade do que os materiais de partida. A ciência inova criando compósitos sob medida para atender à demanda de fabricação de determinados produtos que substituem os materiais convencionais (aço, ferro, alumínio), que possuem aplicações limitadas. Os compósitos produzidos em laboratório possuem características singulares e mais satisfatórias: leveza, resistência mecânica e tolerância a mudanças de temperaturas e ao contato de compostos químicos e água.
Poliestireno e polimetacrilato de metila
O poliestireno é uma resina do grupo dos termoplásticos que tem como característica principal a flexibilidade sob a ação do calor. Não é biodegradável e demora cerca de 100 anos para se decompor na natureza. O material é produzido a partir de fibra de vidro ou de carbono. É matéria-prima para fabricação de diversos produtos: embalagens, copos descartáveis, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, brinquedos, componentes e peças da indústria naval, automobilística e construção civil. O polimetacrilato de metila é um tipo de acrílico. É transparente, rígido e de fácil polimento. Substitui materiais como vidro, madeira e metais leves. (ecodebate)

Microplásticos ameaçam centenas de espécies marinhas mundial

Microplásticos ameaçam centenas de espécies da fauna marinha em todo o mundo.
Em alguns lugares do mundo a poluição por plásticos é simplesmente catastrófica, como nesta praia em Mumbai, na Índia.
Centenas de espécies da fauna marinha, como peixes, moluscos e outras, estão sendo ameaças pela ingestão do lixo que se acumula no mar em forma de microplásticos, sem que até o momento se saiba a fundo suas causas e consequências. Os últimos estudos apontam que até 529 espécies selvagens já foram afetadas pelos resíduos, um risco mortal que se soma aos outros já enfrentados por dezenas delas em perigo de extinção. A informação é da EFE.
Por menores que sejam, os microplásticos (de até cinco milímetros de diâmetro e presentes em vários produtos, como os cosméticos) representam uma ameaça para as mais de 220 espécies que os absorvem, algumas delas muito importantes no comércio mundial, como os mexilhões, as lagostas, os camarões, as sardinhas e o bacalhau.
Relatório recente da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou para as consequências desses resíduos para a pesca e a aquicultura. “Ainda que nos preocupe a ingestão de microplásticos por parte das pessoas através dos frutos do mar, ainda não temos evidências científicas que confirmem os efeitos prejudiciais em animais selvagens”, explicou à Agência EFE uma das autoras do estudo, a pesquisadora Amy Lusher.
Ela acredita que ainda faltam muitos anos de estudos, dado o vazio de informação que existe sobre o assunto e as muitas inconsistências nos dados disponíveis. Para contribuir com o debate, uma revista especializada em biologia da Royal Society, de Londres, publicou recentemente um estudo que sugere que certos peixes estão predispostos a confundir o plástico com o alimento, por terem um cheiro parecido.
Matthew Savoca, líder de um trabalho realizado em colaboração com um aquário de San Francisco (Estados Unidos), explica que foram apresentadas a vários grupos de anchovas substâncias com o cheiro de resíduos plásticos recolhidos do mar e outras com o cheiro de plásticos limpos.
As anchovas reagiram ao lixo de forma similar à que fariam com o alimento, já que esses resíduos estão cobertos de material biológico, como algas, que têm cheiro de comida.
“Muitos animais marítimos dependem muito do seu olfato para encontrar comida, muito mais que os humanos”, afirmou Savoca, ressaltando que o plástico “parece enganar” os animais que o encontram no mar, sendo “muito difícil para eles ver que não é um alimento”.
A FAO lembra que os efeitos adversos dos microplásticos na fauna marinha são observados em experiências em laboratórios, normalmente com um grau de exposição a estas substâncias “muito maior” que o encontrado no ambiente.
Até então, estas partículas só apareceram no aparelho digestivo dos animais, que as pessoas “costumam retirar antes de consumir”, apontou a pesquisadora Amy Lusher.
No pior dos cenários, o problema seria a presença de substâncias contaminantes e de aditivos que são acrescentados aos plásticos durante sua fabricação ou são absorvidos no mar, ainda que não se saiba muito sobre o seu impacto e o dos plásticos menores na alimentação.
Para os cientistas, é preciso estudar mais a fundo a distribuição desses resíduos a nível global, por mais que se movam de um lado a outro, e o processo de acumulação de lixo, ao qual contribuem a pesca e a aquicultura quando seus equipamentos de plástico acabam perdidos ou abandonados nos oceanos.

Em um mundo onde há cada vez mais plástico (322 milhões de toneladas produzidas em 2015), estima-se que a poluição continuará aumentando nos oceanos, onde em 2010 foram despejados entre 4,8 milhões e 12,7 milhões de toneladas desse tipo de lixo. (ecodebate)

domingo, 29 de outubro de 2017

Tragédias climáticas em USA custaram em 10 anos US$ 350 bilhões

Tragédias naturais relacionadas ao clima nos Estados Unidos custaram US$ 350 bilhões na última década.
O relatório divulgado em 24/10/17 pelo governo dos Estados Unidos afirma que tragédias naturais relacionadas ao clima já impactam no orçamento federal norte-americano. Na última década, o país gastou U$ 350 bilhões para responder a tragédias naturais, como furacões e incêndios.
Segundo o GAO, esse total ainda não contabiliza as consequências dos três grandes furacões deste ano, Harvey, Irma e Maria, nem as do incêndio florestal na Califórnia, que deve ser o mais caro na história do país.
Segundo o Government Accountability Office (GAO, sigla em inglês para Agência de Prestação de Contas do governo, livre tradução), a projeção é de que o custo para recuperar danos decorrentes de fenômenos causados por climas extremos deve aumentar no curto e médio prazo.
Bombeiros trabalham no combate ao fogo próximo a Sonoma, na Califórnia.
O relatório prevê que os custos podem chegar a atingir um orçamento anual de US$ 35 bilhões até 2050. O texto diz se o governo norte-americano não se planejar para estes custos recorrentes de problemas climáticos,  eles podem ser um alto risco para as finanças do governo.
“O governo federal não realizou planejamento estratégico.  Isso precisa ser feito para mensurar os efeitos econômicos das alterações climáticas e identificar riscos significativos, além de dimensionar respostas federais apropriados”, conclui o texto.
 
O GAO recomendou que o departamento econômico identifique riscos climáticos significativos, para que o governo possa dar respostas apropriadas e planejar os recursos necessários.  A agência advertiu que o país terá de gastar muito, caso as emissões globais de monóxido de carbono não diminuam.
A agência recomendou à administração federal que crie respostas apropriadas. Depois de assumir a Casa Branca em Janeiro, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo sobre as mudanças climáticas firmado pelas Nações Unidas em Paris. Desde a campanha, o presidente norte-americano argumenta não estar convencido de que a interferência humana faça diferença no aquecimento global.
Internamente, Trump anulou decretos que limitavam a geração de energia fóssil e suspendeu restrições à indústria petrolífera.
Gastos com tragédias
A estimativa de U$350 bilhões gastos nos últimos dez anos com prejuízos causados por tragédias naturais inclui o custeio de programas de assistência a desastres, seguro agrícola e perdas por inundações.
O texto diz se o governo norte-americano não se planejar para estes custos recorrentes de problemas climáticos.
O relatório diz que os impactos fiscais causados pelas mudanças climáticas variam conforme a região. No Sudeste, onde está a Flórida e o Texas, o maior impacto será nas áreas costeiras, devido a possíveis inundações por tempestades e à elevação do nível do mar. O Centro-Oeste sofrerá impacto agrícola e a Costa Oeste, os gastos para contornar os efeitos da seca, calor e incêndios. (ecodebate)

Precisaremos de mais um planeta?

Voltando ao livro de Kevin Ashton, A História Secreta da Criatividade (Sextante, 2016) e a Thomas Malthus vamos refletir sobre o seguinte:
A população humana dobrou entre 1970 e 2010. Em 1970, as pessoas viviam em media até os 52 anos. Em 2010, até os 70 anos. Não somente somos o dobro de pessoas, cada qual vivendo um terço a mais: o consumo dos recursos naturais por parte de cada indivíduo está crescendo. A ingestão de alimentos era de oitocentas mil calorias por pessoa por ano em 1970 e mais de um milhão de calorias por ano em 2010. O consumo de água por pessoa por ano mais que dobrou de 1970 para 2010. Apesar do crescimento da internet e dos computadores e do declínio dos jornais e livros impressos, o uso de papel aumentou de 25 quilos por pessoa por ano em 1970 para 55 quilos em 2010.
Temos tecnologias mais eficientes energeticamente do que em 1970, mas também temos mais tecnologia, e uma parte maior do mundo tem acesso à eletricidade. Assim, enquanto usávamos 1.200 quilowatts-hora por pessoa por ano em 1970, utilizávamos 2.900 quilowatts-hora em 2010.
Essas mudanças são boas para os indivíduos nesse momento: elas indicam que um número maior de nós vive mais tempo, tem vida mais saudável com o suficiente para comer e beber e uma chance melhor de evitar ou sobreviver a doenças ou ferimentos. O mesmo provavelmente se aplica aos nossos filhos. Mas o consumo crescente significará uma crise para toda a nossa espécie num futuro próximo. O que cresce não é apenas o número de seres humanos e do consumo; a taxa de crescimento desses números também está aumentando. Estamos indo mais depressa e continuamos acelerando.
Nossos recursos naturais não podem crescer tão rápido quanto nossas necessidades. Se nada mudar, chegará o dia que nossa espécie vai pedir mais do que o planeta pode dar; a única incógnita é quando (acho que já chegamos lá!). Essas preocupações não são novas. Em 1798, um livro chamado Ensaio Sobre o Princípio da População foi publicado na Inglaterra. O autor, Thomas Malthus (escreveu sob pseudônimo), alertou sobre o possível desastre, dizendo exatamente assim:
“O poder de crescimento da população é maior que o poder da Terra de produzir meios de subsistência para o homem. A população, se não for controlada, cresce em progressão geométrica. A produção de alimentos aumenta apenas em progressão aritmética. Um pequeno conhecimento sobre números mostrará a enormidade do poder do primeiro em comparação com o segundo. De acordo com a lei da nossa natureza, que torna o alimento necessário para a vida do homem, os efeitos desses dois poderes desiguais devem ser equiparados. Isso implica uma contenção forte e constante da população diante da dificuldade de subsistência. Essa dificuldade deve ser sentida de modo severo por uma grande parcela da humanidade.”
Malthus estava certo com relação ao crescimento da população, mas estava errado com relação às consequências. Na época de Malthus – final do século dezoito – havia quase um bilhão de pessoas no mundo e a população dobrara em três séculos. Isso era alarmante para ele, mas no século vinte a população dobrou duas vezes mais, chegando a dois bilhões em 1925 e quatro bilhões em 1975. Hoje estamos chegando aos nove bilhões! Isso, segundo Malthus, deveria provocar uma enorme fome no mundo, mas na verdade a fome declinou no século XX. Excetuando a África, praticamente a fome foi erradicada no mundo, graças à tecnologia. (ecodebate)

Fatores ideológicos afetam o apoio a políticas climáticas

Impactos da Ideologia no Clima • Polarização Política: Pessoas com visões mais à esquerda costumam apoiar medidas de transição verde e tax...