domingo, 5 de novembro de 2017

Logística Reversa e Reciclagem dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016

Os dados deste artigo tem como base o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016, uma publicação da Associação das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe que anualmente divulga os dados estatísticos relacionados com suas atividades no país. Nos artigos anteriores, estão descritos os dados gerais da produção de resíduos no país, a disposição final dos resíduos sólidos urbanos – RSU, os resíduos de construções e demolições – RCD, os resíduos dos serviços de saúde – RSS e outras informações complementares. Neste artigo estão descritas as ações referentes à logística reversa e reciclagem.
A reciclagem, definida como um processo de transformação dos resíduos em insumos ou novos produtos é uma prioridade na gestão de acordo com a Lei 12.305/2010 que estabeleceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS. A logística reversa, instrumento vinculado ao princípio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e restituição dos resíduos e/ou produtos obsoletos aos setores empresariais para aproveitamento no mesmo ciclo, em outros ciclos produtivos ou para destinação final ambientalmente adequada, implantada através de acordos setoriais e termos de compromissos dos setores empresariais é um instrumento fundamental da PNRS.
As embalagens e restos de agrotóxicos, óleos lubrificantes e pneus usados possuem sistemas próprios de coleta e destinação. As embalagens em geral também estão previstas em acordo setorial a partir de 2015 com meta de em 24 meses recolherem e destinarem adequadamente 3.800 toneladas/dia, mas ainda não há dados disponíveis. Os eletroeletrônicos, lâmpadas, pilhas e baterias não estão no relatório da Abrelpe em 2016.
1 – Logística Reversa
Agrotóxicos – O Impev, Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias desde 2001 realiza a logística reversa e a gestão pós-consumo das embalagens vazias de agrotóxicos através do Sistema Campo Limpo em todas as regiões do país. Em 2016 foram 44.528 toneladas recolhidas, 94% do total de embalagens primárias comercializadas, sendo 90% recicladas e 4% incineradas. Em comparação com 2015, houve uma redução de 2%. Mas mesmo com esta queda o Brasil manteve a liderança e a referência mundial na destinação de embalagens vazias de agrotóxicos.
Óleos lubrificantes – O Instituto Jogue Limpo criado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes – Sindicom é responsável pelo Programa Jogue Limpo para a logística reversa e a gestão pós-consumo das embalagens de óleos lubrificantes. Este foi o primeiro Acordo Setorial realizado com o Ministério do Meio Ambiente em 2012 e está atuante em 14 estados – RS, SC, PR, SP, RJ, MG, ES, BA, SE, AL, PB, PE, RN e CE – e 4.136 municípios com 39.436 pontos de coleta regulares. Em 2016 foram recolhidas 92 milhões de embalagens, correspondentes 4.591 toneladas de plásticos, redução de 7,6% em relação ao panorama de 2015.
Pneus – A Reciclanip, desde 1999 é a entidade representante dos fabricantes nacionais de pneus para a logística reversa e a gestão pós-uso, com pontos de coleta em todas as regiões do país em 1025 municípios, com foco nos municípios com mais de 100 mil habitantes – Resolução Conama 416/2009. Em 2016 foram recolhidas e recicladas 457 mil toneladas de pneus inservíveis, com crescimento de 1,1% em relação ao ano de 2015.
2 – Reciclagem
São analisados os setores de alumínio, papel e plástico com base nas informações fornecidas pelas respectivas associações representativas destes setores para a Abrelpe. As associações utilizadas como base das informações não estão listadas e as informações fornecidas são do ano de 2015. O vidro não está incluído por inexistirem dados atualizados e confiáveis sobre a sua reciclagem.
Alumínio – Os dados fornecidos são bastante vagos. Embora o panorama se refira ao ano de 2016, informa-se que no ano anterior de 2015 a reciclagem total de alumínio no Brasil foi de 602 toneladas, com uma relação entre o volume reciclado e o consumo doméstico de 38,5% em uma média mundial de 27,1%, colocando o Brasil em oitavo lugar nesta relação de consumo. No segmento de latas para o envase de bebidas, com dados também de 2015, informa-se que o Brasil está em primeiro lugar com 97,9% correspondentes a 292,5 mil toneladas recicladas.
Papel – Os dados são de 2015, com base na divisão da taxa de recuperação de papéis com potencial de reciclagem pela quantidade de papéis recicláveis consumidos durante o período. Informa-se que no ano de 2015 a taxa de recuperação foi de 63,4% com crescimento de 4%. Destaque para o setor de embalagens com 80% de reciclagem.
Plástico – São fornecidos os dados somente do PET com base nas informações da Abipet – Associação Brasileira da Indústria de PET, indicando 51% de reciclagem com 274 mil toneladas em 2015 e queda de 12,73% em relação ao panorama anterior de 2014 com 314 mil toneladas. Para ter-se uma ideia da queda na reciclagem do PET, os números estão abaixo dos dados de 2010, em que foram recicladas 282 mil toneladas.
2010
2011
2012
2014
2015
282
294
331
314
274
Tabela 1 – Série histórica da reciclagem do PET no Brasil em 2010-2015. Toneladas X 1000. Os dados de 2013 não estão disponíveis nas informações fornecidas. (ecodebate)

Gerenciar resíduos plásticos em poucos rios poderia conter plásticos no oceano

Melhor gerenciamento de resíduos de plástico em poucos rios poderia conter plásticos no oceano.
Quantidades maciças de pedaços de plástico, que são perigosos para a vida aquática, estão se espalhando nos oceanos e até mesmo nas águas mais claras. Mas como tudo isso ocorreu nas cidades do interior não foi totalmente compreendido. Agora, cientistas descobriram que 10 rios do mundo, onde os resíduos de plástico são mal administrados, contribuem para a maioria das cargas totais dos oceanos provenientes de rios. O relatório aparece na Environmental Science & Technology, da ACS.
Milhões de toneladas de resíduos de plástico entram nos oceanos do mundo todos os anos. Esta poluição, quando dividida em pequenos pedaços chamados de microplásticos, pode prejudicar a saúde da vida marinha. Limpar tudo seria impossível, mas reduzir a carga total poderia ajudar a reduzir o potencial dano. Para fazer isso, no entanto, os pesquisadores precisam de uma melhor compreensão de como o plástico entra nos oceanos em primeiro lugar. Os rios, que fluem das áreas interiores para os mares, são os principais transportadores de detritos plásticos. Mas os padrões de concentração não são bem conhecidos. Christian Schmidt e colegas queriam preencher esta lacuna de conhecimento.
Os pesquisadores analisaram dezenas de artigos de pesquisa sobre poluição plasmática em vias navegáveis. Os estudos envolveram 79 locais de amostragem ao longo de 57 rios ao redor do mundo. Os cálculos dos pesquisadores indicaram que a quantidade de plástico nos rios estava relacionada à má gestão dos resíduos plásticos em suas bacias hidrográficas. Além disso, os 10 principais rios que carregam os maiores valores representaram entre 88% e 95% da carga global total de plásticos nos oceanos, de acordo com os cálculos do pesquisador. Os pesquisadores dizem reduzir metade a poluição plástica nessas 10 vias navegáveis – oito delas na Ásia – poderia potencialmente reduzir a contribuição total de todos os rios em 45%. (ecodebate)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Estudo mostra que é economicamente viável zerar desmatamento no Brasil

Impactos no PIB e nos salários seriam muito baixos e podem ser compensados com pequeno aumento nas taxas de intensificação da pecuária
Se todo o desmatamento – e a consequente expansão da fronteira agrícola – no Brasil acabasse imediatamente, seja legal ou ilegal, incluindo terras públicas e privadas, haveria um impacto mínimo na economia do país. Isso significaria uma redução de apenas 0,62% do PIB acumulado entre 2016 e 2030, o que corresponderia a uma diminuição do PIB de R$ 46 bilhões em 15 anos, ou R$ 3,1 bilhões por ano. Esse é o principal resultado do estudo Qual o Impacto do desmatamento zero no Brasil?, idealizado e coordenado pelo Instituto Escolhas, e realizado a partir de parceria com pesquisadores do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). O estudo foi lançado hoje (30/10), durante seminário realizado no auditório do Insper, em São Paulo.
Segundo o diretor executivo do Escolhas, Sergio Leitão, esse impacto no PIB é muito menor do que é investido pelo Estado brasileiro em diversas áreas consideradas prioritárias. “Somente os subsídios para o custeio do Plano Safra foram de aproximadamente R$ 10 bilhões em 2017. Além disso, esse valor pode ser neutralizado apenas com um pequeno incremento na taxa anual de intensificação da pecuária. Sem contar que, não parar o desmatamento também tem um alto impacto no PIB – que não foi contabilizado neste estudo. Isso significa que, não agir agora para brecar o desmatamento, pode custar ainda mais”, disse.
Além de zerar todo o desmatamento imediatamente (DZAbsoluto), o estudo simulou os impactos em outros dois cenários. Em um deles (DZ2), o desmatamento ilegal em terras públicas é zerado até 2030 e o desmatamento em terras privadas na Amazônia e no Cerrado ocorrerá neste período apenas sobre a vegetação nativa onde ele é permitido por lei e tenha maior aptidão agrícola. Nesse caso, o impacto acumulado no PIB é de menos 0,22% até 2030.
O terceiro cenário (DZ3) difere do anterior porque considera que o desmatamento legal em terras privadas na Amazônia e no Cerrado seguirá a tendência atual, independentemente da sua aptidão agrícola. Este cenário é o que mais se aproxima do compromisso do Brasil com a Convenção do Clima, mas ainda é mais restritivo, pois inclui o fim do desmatamento ilegal não apenas na Amazônia, mas também no Cerrado. Nesse caso, o impacto acumulado no PIB é de menos 0,03% até 2030.
Para zerar o desmatamento, o estudo partiu do princípio que acabar com o desmatamento significa o fim da expansão agrícola para o estabelecimento de pastagens. A área de produção agrícola e de reflorestamentos (plantios de eucalipto e pinus, ou florestas comerciais), por sua vez, continua aumentando de acordo com a média observada no período 2011-2015, mas seu avanço se dará apenas sobre áreas de pastagens, que passam a diminuir.
Segundo o estudo, o final do desmatamento tende produzir uma pequena desvalorização cambial que deve beneficiar produtos agrícola exportados (soja, café e silvicultura) e também os que têm grande parcela importada (trigo, principalmente), cuja produção pode expandir no país. Por outro lado, as simulações mostram uma queda no salário real nos três cenários, decorrente da redução da atividade econômica, expressa pela queda do PIB. Embora seja uma queda muito pequena (entre 0,08% e 1,13%), os trabalhadores menos qualificados (como é o caso dos que são empregados na agropecuária) tendem a apresentar maior queda no salário real.
Em todos os cenários, os estados da fronteira agrícola teriam maiores perdas no PIB do que os das regiões Sudeste e Sul. Rondônia (entre 0,59% no DZ3 e 3,07 no DZAbsoluto), Acre (entre 0,54% e 4,53%), Pará (entre 0,23% a 2,05%) e Mato Grosso (entre 0,14% e 3,17%) seriam os estados mais afetados. Essas assimétricas apontam para a necessidade de pensar políticas públicas que compensem tais perdas, mesmo que reduzidas.
Os principais resultados do estudo estão disponíveis no relatório completo do estudo ou em seu sumário executivo. (ecodebate)

Orçamento 2018 atinge unidades de conservação e combate ao desmatamento

Cortes no orçamento da União para 2018 atingem unidades de conservação e combate ao desmatamento.
Se não houver recursos para financiamento da área ambiental, país pode comprometer a biodiversidade, o fornecimento de água e o combate às mudanças climáticas, alerta estudo.
No conjunto, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) tem R$ 3,278 bilhões na proposta de lei orçamentária de 2018, contra R$ 3,786 bilhões que teve na proposta para 2017. O valor é 29% menor do que a média destinada ao MMA pelos projetos de lei orçamentária na última década, de R$ 4,6 bilhões.
Em meio à ofensiva para reduzir o tamanho ou rebaixar o status de proteção de Unidades de Conservação (UCs) na Amazônia, estimulada pela bancada ruralista e por representantes do setor de mineração, o governo propôs o corte pela metade das verbas destinadas às UCs no projeto de lei orçamentária encaminhado ao Congresso.
Levantamento feito pelo WWF-Brasil em parceria com a Associação Contas Abertas mostra que as ações orçamentárias que tratam de criação, implantação, monitoramento e projetos de manejo nas áreas protegidas têm reservado no Projeto de Lei do Orçamento de 2018 R$ 122,9 milhões, contra uma previsão de gastos de R$ 244,5 milhões na proposta de 2017. Os dados são preliminares e fazem parte de um estudo a ser divulgado no final do ano, sobre o financiamento público à área de meio ambiente.
Os cortes na previsão de gastos para 2018 alcançam o combate ao desmatamento, a adaptação às mudanças climáticas e sua mitigação, o manejo florestal, a regularização dos imóveis rurais, o licenciamento ambiental e, em menor proporção, a implantação da Política Nacional de Recursos Hídricos. O quadro sugere um desmonte da área ambiental.
O corte mais profundo atingiu o Bolsa Verde, programa que paga R$ 300 a cada três meses a famílias extremamente pobres moradoras em áreas protegidas, como incentivo à conservação. O Bolsa Verde teve gastos autorizados de mais de R$ 70 milhões nos últimos dois anos e simplesmente desaparece na PLOA 2018. O governo busca repassar a conta ao Fundo Amazônia, que também pode sofrer corte nos aportes.
Em decorrência da mudança da meta fiscal para 2018, aprovada no início de setembro, para uma estimativa de déficit de R$ 159 bilhões (ou R$ 30 bilhões maior), o governo deve alterar a proposta até o início de novembro, antes de o Congresso começar a votar o Orçamento. O novo Orçamento só deve ser conhecido no fim de dezembro ou no ano que vem.
Na proposta encaminhada ao Congresso no último dia de agosto, o MMA tem orçamento menor do que a Câmara ou que o Senado, mas ainda maior do que outros nove ministérios, como Cidades, Cultura, Relações Exteriores e Esportes. Os cortes já expressam o impacto da emenda constitucional que impôs teto aos gastos públicos no período de 20 anos.
A maior despesa do MMA é com pagamento de pessoal, com mais de R$ 1 bilhão de gastos previstos em 2018. Nenhuma ação finalística do ministério chega perto dos gastos estimados com pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores, R$ 578 milhões.
Entre as diferentes autarquias subordinadas ao ministério, o corte é mais acentuado no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra as Unidades de Conservação federais. O Orçamento proposto para 2018 (R$ 589 milhões) é 52% menor do que o do ano passado (R$ 1,246 bilhão). O valor é menor até ao total já desembolsado pelo ICMBio nos primeiros oito meses de 2017.
No ano da realização do 80 Fórum Mundial da Água, que reunirá representantes de mais de cem países em Brasília em março, a Agência Nacional de Águas também perde recursos, em relação ao Orçamento de 2017. Embora a recuperação e a preservação de bacias hidrográficas mantenha os R$ 900 mil propostos no ano passado, na principal ação da área em volume de verbas, a proposta para a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos cai de R$ 153 milhões para R$ 136 milhões.
NA ONU
Ao mesmo tempo em que o presidente Michel Temer discursava na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas que o Brasil concentrava “atenção” e “recursos” no combate ao desmatamento, a ação “Controle e Fiscalização Ambiental”, que inclui o combate ao desmatamento entre outras ações de fiscalização, perdeu 57% em relação à proposta de orçamento de 2017. A ação do MMA que trata especificamente das estratégias de prevenção e controle do desmatamento tem um volume bem menor de recursos e também foi alvo de corte R$ 225 mil para R$ 220 mil.
No Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o monitoramento do desmatamento nos diversos biomas teve corte de 60%. A proposta de orçamento da ação cai de R$ 5,4 milhões, em 2017, para R$ 2,2 milhões em 2018. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) é responsável pelos dados que orientam o combate ao desmatamento no IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Na Assembleia Geral da ONU, o presidente Michel Temer também prometeu vigoroso combate às mudanças climáticas. Embora os recursos do Fundo Nacional sobre Mudanças do Clima (FNMC) aumentem em 2018 em R$ 24 milhões, a ação final de fomento a estudos, projetos e empreendimentos para a mitigação e adaptação tem a previsão de gastos em queda, de R$ 17,3 milhões para R$ 4,7 milhões. (ecodebate)

A interferência humana nas mudanças climáticas

Avaliação global de inundações e tempestades extremas com temperaturas aumentadas – Precipitação e de vazão de escala com a temperatura para os 99 ° percentil. (A) dimensionamento precipitação. (B) Escala de fluxo de fluxo. (C) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para a América do Nordeste. (D) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para a Alemanha. (E) Densidade de probabilidade dos coeficientes de escala para o sudeste da Austrália – Referência: Conrad Wasko et al, Global assessment of flood and storm extremes with increased temperatures, Scientific Reports (2017).
Estima-se que o planeta Terra tem, aproximadamente, 4 bilhões de anos. Durante esse período, ele passou por diferentes transformações que foram divididas em eras geológicas. Essas eras correspondem a grandes intervalos de tempo que foram divididos ainda, em períodos. Evidências demonstram que, durante todos esses períodos, aconteceu extinção em massa, isto é, o decréscimo da biodiversidade devido à extinção de vários grupos de seres vivos ao mesmo tempo. As causas dessas extinções podem variar, porém, são fortes as evidências que indicam que elas não sejam resultado de um fato isolado, mas da combinação de vários fenômenos. Entre os principais acontecimentos podem ser citados choques de asteroides, erupções vulcânicas, alterações climáticas, entre outros.
A história do clima da Terra nos mostra que as eras do gelo vêm e vão e são causadas por mecanismos naturais que a humanidade é incapaz de controlar. E que, ao longo da história, a extinção de espécies e mudanças climáticas são comuns.
“A mudança climática é um problema global com graves implicações”
A raiz de muitos problemas ambientais, se não todos, nos coloca diante do problema “o tamanho da população humana”. Erroneamente, se diz que a população global tem crescido exponencialmente. No entanto, em uma população que cresce exponencialmente, a taxa de aumento por indivíduo é constante. Mas a população humana cresce a uma taxa em aceleração. Mais pessoas significa o aumento por demanda de energia e maior consumo de recursos não renováveis, como combustíveis fósseis, petróleo, carvão e gás natural. Esses combustíveis se originaram a partir de restos de seres vivos que foram se depositando ao longo de milhões de anos em camadas muito profundas da crosta terrestre e transformados pela ação da temperatura e pressão e, em curto prazo de tempo, o homem explora e os queima, liberando para a atmosfera grandes quantidades de carbono, quantidades estas que foram acumuladas há cerca de 65 milhões de anos.
Sem dúvida nenhuma, o uso de combustíveis fósseis tem fornecido energia para transformar grande parte do nosso planeta por meio do desenvolvimento industrial, da agricultura intensiva e da urbanização. Entretanto, é evidente a interferência das ações humanas sobre uma diversidade de problemas ambientais, entre eles, as mudanças climáticas. A compreensão das mudanças climáticas envolve muitos fatos, a evidência é bastante clara a partir de observações e análises, mas os fatos não são suficientes.
O papel dos cientistas é apresentar os fatos, as perspectivas e as consequências, mas a decisão sobre o que fazer com eles envolve todos. Assim, os valores, a equidade entre nações e gerações, os interesses, o princípio da precaução, a ideologia e muitos outros fatores entram em jogo para decidir se não devemos fazer nada e sofrer as consequências, ou se devemos agir.

O fato é que a mudança climática é um problema global com graves implicações: ambiental, social, econômica, política – e representa um dos principais desafios que a humanidade se depara nos dias atuais e, certamente, enfrentará em um futuro não muito distante. Os cientistas têm dois desafios urgentes: avançar no conhecimento científico e envolvê-lo integralmente nas políticas locais, nacionais e globais. (ecodebate)

ONU aponta riscos para efetivação do Acordo de Paris

Às vésperas da COP 23, ONU aponta riscos para efetivação do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou boletim que mostra que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera bateu recorde em 2017.
Há dois anos, 195 países firmaram o Acordo de Paris, fruto da Conferência Mundial do Clima (COP21) sobre a redução de emissões de gases de efeito estufa. Era a primeira vez na história que governos reconheciam conjuntamente os riscos associadas ao aquecimento global e pactuavam um acordo global sobre o clima.
Apesar da relevância do acordo, um estudo divulgado em 31/10/17 pela ONU Meio Ambiente afirma que o acordo está em risco. Mesmo se fossem cumpridos todos os compromissos assumidos, isso representaria apenas um terço do que é necessário alcançar até 2030 para que os piores impactos das mudanças climáticas sejam evitados, de acordo com a agência da ONU que é a principal autoridade global em meio ambiente.
Divulgada a uma semana do início da COP 23, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorre em Bonn, na Alemanha, entre 6 e 17 de novembro, a oitava edição do Relatório da ONU Meio Ambiente sobre a lacuna das emissões, intitulada Emissions Gap Report, alerta que são necessárias medidas urgentes para que o acordo possa entrar em vigor em 2020, conforme previsto na COP 21. “Os governos e os atores não estatais precisam aumentar urgentemente sua ambição para garantir que os objetivos do Acordo de Paris ainda possam ser alcançados, de acordo com uma nova avaliação da ONU”, diz o relatório.
A principal meta em questão é limitar o aquecimento máximo do planeta a uma temperatura média “bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-revolução industrial”, com esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C, nos termos fixados em 2015.
“As ações para se chegar à redução proposta em Paris são definidas por cada país, que diz como pode contribuir com esse objetivo global comum”, explica o coordenador de emissões do Observatório do Clima, Tasso Azevedo. Ele detalha que as propostas atuais fazem com que as emissões de 2030 provavelmente alcancem 11 a 13,5 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e) acima do nível necessário à adoção de uma trajetória condizente com o objetivo de evitar o aquecimento de 2ºC.
Nesse rumo, de acordo com as Nações Unidas, é “muito provável” que haja aumento da temperatura de pelo menos 3°C até 2100. O cenário pode se tornar ainda mais grave caso os Estados Unidos sustentem a intenção declarada de deixar o Acordo de Paris em 2020, alerta o estudo. “Ainda falta muito esforço a ser feito, por isso o que o relatório apresenta um apelo para que, até 2020, quando vai ocorrer a primeira revisão das metas, elas sejam fortalecidas para a gente diminuir essa distância entre as propostas fixadas pelos países e a meta global”, destaca Azevedo, que antecipa que, “se a gente não der mais ambição para essas metas, estaremos numa situação ruim”.
Dióxido de carbono
Nesse contexto, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou em 30/10/17 que mostra que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera bateu recorde neste ano, chegando a 403,3 partes por milhão (ppm).
O relatório apresenta formas práticas de envolver diversos agentes, inclusive municípios e setor privado, no esforço de reduzir as emissões em diferentes setores, por meio de ações como adoção de energia solar e eólica, desenvolvimento de carros de passageiros eficientes e reflorestamento.
Esses agentes também podem contribuir com o fim do desmatamento, a eliminação do uso e produção de hidrofluorcarbonos – produtos químicos usados principalmente em aparelhos de ar-condicionado, refrigeração e isolamento de espuma – e reduzindo poluentes climáticos como o carbono preto e o metano.
Para a ONU, é preciso garantir investimentos para a adotação de tecnologias limpas. A organização calcula que o investimento de menos de US$ 100 por tonelada de CO2 evitado poderia economizar até 36 GtCO2e, a cada ano, até 2030.
Outro ponto que o relatório destaca é a necessidade de efetivação de mudanças na matriz energética. Evitar novas usinas a carvão e eliminar as já existentes é uma das recomendações das Nações Unidas nesse sentido. O relatório aponta que existem cerca de 6.683 usinas a carvão em funcionamento no mundo, com uma capacidade combinada de 1.964 gigawatt (GW).

Se essas usinas funcionarem até o final de sua vida útil sem se adaptar à Captura e Armazenamento de Carbono, de acordo com o estudo, elas vão emitir um total de 190 gigatonelada (Gt) de CO2. (ecodebate)

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Plástico e acrílico com nanofibras de celulose

Pesquisa produz poliestireno (plástico) e polimetacrilato de metila (acrílico) com nanofibras de celulose.
Inovação vai permitir ampliação do uso de polímeros comerciais - poliestireno e polimetacrilato - largamente utilizados na indústria.
Fibras de celulose

Pesquisar novos materiais – mais resistentes, leves, baratos, sustentáveis ou com qualquer característica que os tornem mais convenientes para a indústria e consumidores. Isso é o que faz a engenharia de materiais. Uma pesquisa uniu duas das tecnologias mais férteis nessa área ao trabalhar com compostos em escala extremamente reduzida (nanométrica) e, ao mesmo tempo, biodegradável. A inovação vem da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, onde pesquisadores desenvolveram um método para produção de poliestireno (plástico) e polimetacrilato de metila (acrílico) utilizando fibras e nanofibras de celulose de eucalipto, bagaço de cana e outros vegetais.
O método pode ser utilizado para produzir materiais que, além de elevada resistência mecânica, têm baixo custo – já que as substâncias empregadas no processo são derivadas de fontes renováveis (celulose).  Os poliestirenos e os acrílicos são largamente utilizados na construção civil, automobilística e em componentes eletrônicos. A Agência USP de Inovação já patenteou o produto.
O Brasil é um dos líderes mundiais de produção de celulose e as inovações tecnológicas feitas a partir de derivados de fontes renováveis têm recebido atenção dos cientistas nos últimos anos. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), o País ocupa o quarto lugar no ranking dos produtores de celulose de todos os tipos e o primeiro produtor mundial de celulose de eucalipto. Dessa forma, as fibras de celulose vêm sendo estudadas como potencial material para substituição das fibras convencionais.
Devido à importância comercial do poliestireno (resina do grupo dos termoplásticos) e por ele ter origem em fontes finitas da natureza (petróleo), a substância foi o foco das pesquisas do Departamento de Engenharia de Materiais da EESC. Sob orientação do professor Antonio José Félix de Carvalho, pesquisadores adicionaram fibras e nanofibras de celulose no poliestireno para saber o que resultava dessa composição.
Embora a ideia fosse promissora, por se tratar de um produto biodegradável, e se soubesse que as propriedades mecânicas da celulose a tornam tão rígida quanto o próprio aço, a proposta não era tão simples assim. Segundo Carvalho, o problema residia em como dispersar as fibras nos termoplásticos de poliestireno e acrílico, uma vez que as fibras de polpas celulósicas ou nanofibras de celulose tendem a formar aglomerados, o que impedia a sua distribuição nas substâncias sintéticas da matriz principal (o poliestireno).”
A celulose, por sua afinidade com água, não se misturava à resina (matriz sintética). Isso levava à separação entre os componentes no momento de prepararão do compósito final. “O problema era ainda maior quando a celulose era utilizada de forma seca, o que tornava praticamente impossível a manipulação dos materiais”, relata o pesquisador.
A solução consistiu no desenvolvimento de um novo método para a “preparação dos materiais compósitos baseado em um processo de coprecipitação (separação das substâncias sólidas do líquido)”. O objetivo era impedir a aglomeração e garantir uma boa dispersão das fibras na matriz polimérica para se obter no final um material homogêneo e com propriedades mecânicas superiores aos produtos convencionais já existentes no mercado.
Uma vez resolvida a questão que inviabilizava o emprego das fibras celulósicas, o trabalho de pesquisa resultou em um compósito com propriedades mecânicas bastante melhoradas, comparáveis a outros compósitos produzidos a partir de fibras sintéticas.
Compósitos
Os materiais compósitos estão presentes na natureza, no corpo humano ou em qualquer outro lugar. São produzidos a partir da junção de dois ou mais materiais distintos, que combinados resultam em um produto com propriedades de melhor qualidade do que os materiais de partida. A ciência inova criando compósitos sob medida para atender à demanda de fabricação de determinados produtos que substituem os materiais convencionais (aço, ferro, alumínio), que possuem aplicações limitadas. Os compósitos produzidos em laboratório possuem características singulares e mais satisfatórias: leveza, resistência mecânica e tolerância a mudanças de temperaturas e ao contato de compostos químicos e água.
Poliestireno e polimetacrilato de metila
O poliestireno é uma resina do grupo dos termoplásticos que tem como característica principal a flexibilidade sob a ação do calor. Não é biodegradável e demora cerca de 100 anos para se decompor na natureza. O material é produzido a partir de fibra de vidro ou de carbono. É matéria-prima para fabricação de diversos produtos: embalagens, copos descartáveis, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, brinquedos, componentes e peças da indústria naval, automobilística e construção civil. O polimetacrilato de metila é um tipo de acrílico. É transparente, rígido e de fácil polimento. Substitui materiais como vidro, madeira e metais leves. (ecodebate)

Fatores ideológicos afetam o apoio a políticas climáticas

Impactos da Ideologia no Clima • Polarização Política: Pessoas com visões mais à esquerda costumam apoiar medidas de transição verde e tax...