domingo, 19 de novembro de 2017

30% de toda a comida produzida no mundo para no lixo

FAO alerta que 30% de toda a comida produzida no mundo vai parar no lixo.

Em seminário online promovido em 13/11/17, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil alertou que, anualmente, 1,3 bilhão de toneladas de comida é desperdiçada ou se perde ao longo das cadeias produtivas de alimentos.
Desperdício de alimentos preocupa a FAO e o governo brasileiro.
Volume representa 30% de toda a comida produzida por ano no planeta.
De acordo com Juliana Dei Svaldi Rossetto, responsável pelo tema junto à FAO no Brasil, a Agenda 2030 da ONU conta com um item específico para enfrentar o problema. A meta nº 3 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 12 prevê a redução pela metade do desperdício per capita mundial até 2030, bem como diminuições das perdas nos sistemas de produção e abastecimento, incluindo no momento pós-colheita.
Segundo o organismo internacional, o desperdício responde por 46% da quantidade de comida que vai parar no lixo. Já as perdas — que ocorrem sobretudo nas fases de produção, armazenamento e transporte — correspondem a 54% do total.
No Brasil, a FAO apoiou, a partir de setembro de 2016, a criação do Comitê Técnico da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN). O objetivo do organismo foi desenvolver uma estratégia comum para enfrentar o problema, além de estabelecer diretrizes gerais para mensurar os desperdícios e perdas no país. A agência da ONU também apoiou a elaboração de um diagnóstico nacional sobre a questão.
Também participando do seminário, Kathleen Sousa Oliveira Machado, coordenadora-geral de Equipamentos Públicos de Segurança Alimentar e Nutricional, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), lembrou que o Comitê Técnico do Brasil conseguiu unir para o debate governo, sociedade civil e o setor produtivo.
“Reunir os três setores discutindo e propondo soluções foi um grande avanço. Agora, a gente espera ter essa estratégia aprovada em novembro pela CAISAN para poder divulgar à população como o Estado brasileiro está atuando e pretende atuar para conseguir atingir o ODS 12”, destacou.
Sobre a atividade promovida pela FAO, a gestora acrescentou que foi importante ouvir as experiências de outros países, que podem inspirar iniciativas brasileiras.

“A partir disso, vamos reunir os especialistas brasileiros para começar a pensar uma proposta e apoiar o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na quantificação das perdas e desperdício de alimentos no país. Primeiro temos que saber o quanto é perdido e desperdiçado para depois conseguirmos dizer se nós alcançaremos esse objetivo até 2030”, salientou. (ecodebate)

Estimativa da população do Paquistão: 1950-2100

Estimativa da população do Paquistão e cenários de projeção: 1950-2100
O Paquistão fazia parte da Índia até 1947. Ambos foram completamente dominados pela Inglaterra entre 1858 e 1947. A ideia da criação de um Estado que unificasse politicamente todos os muçulmanos da região foi lançada por Mohammad Iqbal, presidente da Liga Muçulmana, que a partir de 1934 passou a ser dirigida por Mohammed Ali Jinnah (1876-1948), considerado o criador do país. O Paquistão comemora a data de sua independência no dia 14 de agosto, um dia antes da Índia.

O nome Paquistão surgiu em 1933 e a independência ocorreu com a descolonização da Índia. O Paquistão foi criado com base nas províncias de maioria muçulmana. O Paquistão Ocidental e a Bengala Oriental, que fez a sua independência do Paquistão em 1971, passando a se chamar Bangladesh.
O Paquistão tinha uma população de 37,5 milhões de habitantes em 1950 e passou para 197 milhões de pessoas em 2017, segundo dados da Divisão de População da ONU. O Paquistão é o sexto país mais populoso do mundo e deve passar para o quinto lugar ainda na atual década, ultrapassando o Brasil. Na projeção média da ONU, a população do Paquistão vai atingir 352 bilhões de habitantes em 2100.
Mas como o futuro é incerto, ONU trabalha com outras duas projeções. Na projeção alta o Paquistão atingiria 528 milhões de habitantes em 2100 e na projeção baixa atingiria 223 bilhões de habitantes no final do século XXI.
As diferentes projeções se devem fundamentalmente às diferentes hipóteses sobre o comportamento das taxas de fecundidade. O gráfico abaixo mostra que a taxa de fecundidade total (TFT) no Paquistão era muito alta (quase 7 filhos por mulher) e só ficou abaixo de 5 filhos nos anos 2000, quando a transição para baixos níveis começou a ocorrer. No quinquênio 2015-20 a TFT paquistanesa está em 3,4 filhos por mulher. Na projeção média, a TFT do Paquistão só deve ficar abaixo do nível de reposição a partir de 2060, devendo ficar em torno de 1,85 filhos por mulher nas últimas décadas do atual século. Se a TFT ficar meio filho (0,5) acima da média a população irá para 558 milhões de habitantes em 2100 e se ficar meio filho abaixo da média, a população será de 223 milhões de habitantes em 2100. Ou seja, pequenas variações na taxa de fecundidade podem significar uma diferença de mais de 300 milhões de habitantes até o final do século (muito mais do que um Brasil).
Os gráficos abaixo mostram a distribuição por sexo e idade da população paquistanesa para alguns anos selecionados. Nota-se as pirâmides de 1950 e 2017 tinham uma estrutura jovem, com cada novo grupo etário com volume maior do que o precedente. Isto ocorre devido às altas taxas de fecundidade do século passado. Somente na pirâmide de 2050 haverá o início da redução do grupo mais jovem.

Na pirâmide de 2100 (de acordo com a projeção média) a distribuição etária vai mudar, refletindo o contínuo processo de envelhecimento populacional. Ou seja, a transição demográfica do Paquistão vai se desenvolver no século XXI e o país terá uma quantidade de jovens muito grande nas próximas décadas.
Para aproveitar esta janela de oportunidade e garantir a melhoria da qualidade de vida da população, o país deveria investir pesadamente em educação, saúde e, principalmente, na geração de emprego para se atingir a plena ocupação e o trabalho decente. Porém, o desempenho econômico e social do Paquistão é sofrível e o país ainda enfrenta muitas disputas com a Índia. Os altos gastos militares reduzem o orçamento para os investimentos sociais. As disputas religiosas e de facções políticas também atrasam os avanços no bem-estar.
No mês de agosto de 2017 foram divulgados os dados do censo demográfico do Paquistão. A população total do Paquistão atingiu 207,7 milhões de habitantes (maior do que a previsão da ONU). Em 1998, a população total do Paquistão era de 130 milhões. Nos últimos 19 anos, a taxa média anual de crescimento da população foi de 2,4%. Sucessivos Governos repetiram que a taxa de crescimento da população caiu para 1,8% aa, e isso foi visto como um grande sucesso. Mas os resultados do censo mostraram que o ritmo de crescimento demográfico continua elevado.

Segundo o jornal The Print, “Estudos demonstraram que há uma alta demanda por serviços de planejamento familiar, mas muitas vezes eles não alcançam as pessoas. Os clérigos também estão divididos sobre a questão do planejamento familiar e alguns argumentam que é contra os ensinamentos do Islã. Isso é problemático porque os países de maioria muçulmana, como o Irã e Bangladesh, promoveram campanhas de planejamento familiar, muitas vezes com a ajuda de clérigos. Mas os objetivos do Paquistão para reduzir a taxa de natalidade não foram alcançados apesar dos compromissos políticos”.
Para agravar a situação, o Paquistão que é um dos países mais pobres da Ásia tem sérios problemas na área ambiental. O país já sofre com a desertificação e a crise hídrica, enquanto o déficit ambiental cresce de forma alarmante. Dados da Footprint Network, mostram que a biocapacidade total do Paquistão era de 21,4 milhões de hectares globais (gha) em 1961 e a pegada ecológica total era de 23,5 milhões de gha na mesma data. O déficit ambiental era bastante pequeno. Mas em 2013 a biocapacidade total passou para 63,2 milhões de gha e a pegada ecológica para 132 milhões de gha. Portanto, o Paquistão, mesmo sendo um país pobre e de baixo nível de consumo, tem um déficit ambiental de mais de 100%.
Além da falta de recursos e da desigualdade social, um fator que pode comprometer o futuro da população são as consequências do aquecimento global. O Paquistão depende das águas provenientes das geleiras do Himalaia, que são responsáveis por 75% a 80% dos recursos hídricos do país. O derretimento das geleiras é a fonte principal da rede de irrigação no Paquistão, que alimenta 90% das terras agrícolas. Uma alteração no fluxo da água terá graves consequências para a produção agrícola paquistanesa. Além disto, a China tem construído represas e diminuído a disponibilidade de água para o Paquistão e a Índia.
O desenvolvimento sustentável do Paquistão não será alcançado facilmente, pois haverá dificuldade para alimentar e melhorar o padrão de vida da população que tinha um Índice de Desenvolvimento Humano de 0,55 em 2015 (147º lugar no ranking), menor do que o IDH da Índia, de 0,624 (131º lugar no ranking).

Tudo isto dificulta a saída da armadilha da pobreza. Os conflitos internos e a violência são outros elementos que dificultam a melhoria das condições de vida da população. Somente com o esforço interno e a cooperação internacional as condições atuais do país poderão ser revertidas. (ecodebate)

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Zerar desmatamento amazônico impactará 0,6% do PIB até 2030

Zerar o desmatamento na Amazônia impactaria em menos de 0,7% do PIB brasileiro até 2030.
“Milhares de pessoas morrem ou adoecem por ano por causa da fumaça das queimadas associadas ao desmatamento. Já sabemos o que fazer para zerar o desmatamento e salvar estas vidas e evitar as doenças. Agora é preciso coragem para agir”, Paulo Barreto, pesquisador sênior do Imazon.
* O setor privado deve ampliar esforços no monitoramento completo das cadeias produtivas e bloqueio de produtores que desmatam. Neste caminho, a transparência total de dados socioambientais pelos governos é fundamental.
 Estudo lançado na COP23 indica caminhos para o Brasil zerar o desmatamento na Amazônia.
Para Frederico Machado, especialista em políticas públicas do WWF-Brasil, zerar o desmatamento é plenamente possível e implicaria em custo baixíssimo à economia do Brasil. “De acordo com estudo recente, impactaria em menos de 0,7% o PIB brasileiro, até 2030.
O Grupo de Trabalho (GT) pelo Desmatamento Zero – composto pelas ONGs Greenpeace, Instituto Centro de Vida, Imaflora, Imazon, Instituto Socioambiental, IPAM, TNC e WWF – lançou em 13/11/17 na COP2 em Bonn, o relatório “Desmatamento zero na Amazônia: como e por que chegar lá”. No estudo, as organizações indicam caminhos para eliminar, no curto prazo, o desmatamento na Amazônia, com benefícios ambientais, econômicos e sociais para todos.
No documento, o GT defende que não há mais justificativas para a destruição da vegetação nativa do Brasil. Continuar desmatando resulta em desequilíbrio do clima, destrói a biodiversidade e os recursos hídricos, traz prejuízos à saúde humana e, ao contrário do que muitos acreditam, compromete a competitividade da produção agropecuária. Em 2016 o desmatamento na Amazônia, sozinho, foi responsável por 26% das emissões domésticas de gases do efeito estufa. Zerar o desmatamento, é, portanto, a forma mais rápida e fácil de reduzir emissões e cumprir com o acordo de Paris.
A boa notícia é que o Brasil já conhece o caminho para o desmatamento zero e sabe como chegar lá. “As medidas implementadas nos últimos anos (2005-2012) derrubaram as taxas de desmatamento na Amazônia em cerca de 70% e indicam que os elementos necessários para atingir o desmatamento zero se encontram presentes”, destaca a publicação.
Para Frederico Machado, especialista em políticas públicas do WWF-Brasil, zerar o desmatamento é plenamente possível e implicaria em custo baixíssimo à economia do Brasil. “De acordo com estudo recente, impactaria em menos de 0,7% o PIB brasileiro, até 2030. E teria balanço enormemente positivo ao juntarmos nessa conta todos os serviços ambientais mantidos à sociedade. É urgente o compromisso de todos os setores com a conversão zero do que resta dos ecossistemas naturais do planeta, com destaque também ao Cerrado”, acrescenta o especialista.
“O Brasil já sabe o caminho para chegar ao desmatamento zero, mas tem seguido na direção oposta. Temer e o Congresso vêm discutindo e aprovando medidas que incentivam ainda mais desmatamento, grilagem e violência no campo. Caso ações não sejam tomadas urgentemente, o cenário é de permanência de altas taxas de desmatamento na Amazônia”, comenta Cristiane Mazzetti, especialista em Amazônia do Greenpeace Brasil. “O caminho existe, mas é preciso que governos e empresas se comprometam seriamente em transformar as ações propostas no documento em realidade, eliminando qualquer forma de desmatamento no curto prazo”, complementa.
Zerar o desmatamento é plenamente possível e implicaria em custo baixíssimo à economia do Brasil.
“O fim do desmatamento na Amazônia e a conservação florestal representam atualmente o melhor investimento que a agricultura pode fazer a favor de sua produtividade futura. Florestas são grandes sistemas de irrigação da lavoura. Não é só produzir sem desmatar, mas sim produzir mais e melhor, conservando as florestas da região”, Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM.
A trilha para o desmatamento zero, de acordo com as organizações, envolve diversos setores e passa, necessariamente, por quatro eixos de atuação:
* implementação de políticas públicas ambientais efetivas e perenes;
* apoio a usos sustentáveis da floresta e melhores práticas agropecuárias;
* restrição drástica do mercado para produtos associados a novos desmatamentos;
* engajamento de eleitores, consumidores e investidores nos esforços de zerar o desmatamento.
Para o GT, mudanças no sistema de produção agropecuária, combate à grilagem de terras públicas, atuação do mercado e estímulo à economia florestal estão entre as ações mais urgentes para zerar o desmatamento, indicados no estudo:
* A agropecuária pode continuar a contribuir para a economia produzindo nas áreas já desmatadas. Só na Amazônia há 10 milhões de hectares de pastagens abandonadas ou mal aproveitadas, que poderiam ser usadas para a ampliação da produção de carne e grãos.
* Em 2016, pelo menos 24% do desmatamento se concentrou em áreas públicas sem destinação. Hoje há 70 milhões de hectares não destinados na Amazônia, que precisam ser convertidos em terras indígenas e unidades de conservação para frear o desmatamento especulativo.
* O estímulo à economia florestal por meio de programas de governo também precisa ser ampliado. A extração de produtos florestais rendeu cerca de R$ 3 bilhões na média de 2015 e 2016, dos quais R$ 1,8 bilhão são oriundos da exploração de madeira e 537 milhões de extração de açaí.
* Promover incentivos positivos para aqueles que conservam florestas além da exigência legal.
* Além de ampliar as ações de comando e controle, que continuam sendo fundamentais, é imprescindível aumentar a eficácia na punição de crimes ambientais.
Produção de eucaliptos avança sobre Mata Atlântica na região sul da Bahia.

O relatório reforça, ainda, a importância da mobilização da sociedade contra as tentativas recentes de enfraquecer a proteção florestal, como a flexibilização do licenciamento ambiental, a redução da proteção de Unidades de Conservação, a paralisação dos processos de demarcação de Terras Indígenas e a anistia de grilagem de terras públicas – gerando um lucro de R$ 19 bilhões para grileiros. (ecodebate)

Microclimas urbanos e arborização

Bairro Jardim das Paineiras, Campinas, destaca-se com maior quantidade de cobertura arbórea e temperatura ambiente mais baixa.
A sociedade humana se destaca pela capacidade que possui de unir esforços e agregar-se social e economicamente ao redor de interesses. Em pouco tempo o homem consegue urbanizar grandes áreas.
No entanto, também podemos citar casos que a sociedade parece estar inerte a respeito de temas que se enfrentados de frente poderia melhorar a qualidade de vida das populações.
O processo do êxodo rural que o Brasil viveu nas últimas décadas levou ao surgimento de áreas urbanas sem qualquer planejamento. Deve ficar claro, que não se trata somente da saída de milhões de pessoas do campo para as cidades, mas da chegada a áreas periféricas para residir sem a infraestrutura adequada.
Como bem demonstram muitos exemplos, as cidades com o passar dos anos e por pressão eleitoral, parte desses espaços periféricos receberam água encanada, guias de sarjetas, asfalto, calçadas, galerias de águas fluviais, iluminação pública e até mesmo em muitas cidades a rede de esgoto.
Agora, o que se observa hoje é que a arborização vem sendo deixada de lado. Existe uma selva de pedras nas cidades e se sente a aridez pela falta do verde. Inserir árvores nas cidades de forma planejada e adequada vem sendo um dos grandes desafios urbanos.
No entanto, a maioria da população parece não estar ciente da necessidade de recomposição de ambientes mais verdes nas cidades cinzentas, e esta ação traria uma melhor qualidade de vida para todos os seus habitantes.
A arborização traz benefícios, como purificação do ar pela fixação de poeiras e gases tóxicos, e pela reciclagem de gases através dos mecanismos fotossintéticos e a melhoria do microclima da cidade, através da retenção da umidade do solo e do ar e pela geração de sombra, evitando que os raios solares incidam diretamente sobre as pessoas.
Ocorre a redução na velocidade do vento, que funciona como uma barreira em caso de tempestades, e a influência no balanço hídrico, favorecendo infiltração da água no solo e provocando evapotranspiração mais lenta.
Propicia também abrigo à fauna, influenciando positivamente para um maior equilíbrio das cadeias alimentares e diminuição de pragas e agentes vetores de doenças e até mesmo amortecimento de ruídos. Outro grande benefício é o aumento da umidade do ar.
Uma árvore isolada pode transpirar em média 400 litros de água por dia, produzindo um efeito refrescante no clima.
É preciso ser ambiciosos na busca do “esverdear” as áreas urbanas. E começar arborizando a frente das casas ou quintais com árvores frutíferas. Nada melhor do que se deliciar com uma fruta recém colhida.

É preciso refletir sobre o assunto e plantar, já que só assim se irá colher sombra, frescor, verde, vida, flores e frutos. As diferenças de temperatura entre áreas arborizadas e com lâminas de água, com regiões convencionais, nas cidades e áreas urbanas, podem ultrapassar a 10°C de temperatura. (ecodebate)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Desmatamento no Cerrado foi maior que o da Amazônia

Entre 2000 e 2015, o desmatamento no Cerrado foi maior do que o da Amazônia.
Brasnorte, MT, Brasil: Árvore em meio a plantação de soja.
O Cerrado perdeu 236 mil Km2 de mata entre 2000 e 2015. No mesmo período, a Amazônia perdeu 208 mil km2 – bioma duas vezes maior. Esse desmatamento no Cerrado gerou a emissão de 8,16 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa. O volume equivale a 3,6 anos da emissão total do Brasil registrada em 2016.
A ocupação desordenada do segundo maior bioma do Brasil tem consequências para o próprio setor do agronegócio. Entre 2014 e 2015, mais de 4 mil km2 das plantações realizadas ali estavam localizados em áreas que não são aptas para a produção agrícola, com padrões irregulares de chuva, por exemplo.
Os dados, divulgados hoje pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) na 23ª Conferência do Clima, em Bonn (Alemanha), em evento no Espaço Brasil, mostram como a expansão da agropecuária no bioma tem sido feita sem planejamento territorial adequado, colocando em risco a viabilidade do negócio e a conservação da natureza.
O Cerrado cobre 24% do território brasileiro e engloba oito das 12 bacias hidrográficas do país. Metade dele já foi derrubada e a área pode aumentar rapidamente: no Matopiba, área compreendida entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a agricultura tem avançado sobre áreas onde antes havia vegetação natural, quando o padrão era ocupar terras já desmatadas, onde antes havia pasto.

“Cerca de 30 milhões de hectares do Cerrado já estão desmatados, sem uso ou com modelos ineficientes de produção. Trabalhar bem essas áreas deve ser prioridade da decisão sobre a expansão da agropecuária nesse bioma”, afirma o pesquisador do IPAM, Tiago Reis, principal autor da avaliação. “Planejamento territorial e incentivos para o uso eficiente do solo devem reorientar os investimentos, de forma a gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais para o Brasil.” (ecodebate)

Resíduos Sólidos na Região Sudeste do Brasil em 2016

A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe divulgou o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2016, obtidos com a soma das projeções de cada região do país em que está descrita a produção e destino final dos resíduos sólidos urbanos – RSU, resíduos de saúde – RSS, resíduos de construções e demolições – RCD e alguns dos previstos nos acordos de logística reversa.

Este conteúdo está descrito nos meus artigos anteriores no EcoDebate sobre o panorama nacional e Região Sul do Brasil. Neste artigo, estão informações específicas sobre os aspectos da geração de resíduos e sua destinação final em 2016 na Região Sudeste do Brasil com quatro estados: São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro com 1.668 municípios.

Em relação aos resíduos sólidos urbanos – RSU, a Região Sudeste produziu 104.790 toneladas/dia com 52,7% do total do país e queda de 2,4% em comparação com o panorama anterior de 2015. A produção per capita/habitante /dia foi de 1,21 Kg com queda de 3,1%. Os recursos financeiros aplicados pelos municípios da Região Sudeste foram de R$ 4,92 por habitante/mês na coleta dos RSU e 7,77 nos demais serviços de limpeza urbana, com total de R$ 12,69 por habitante/mês. Os serviços de limpeza urbana movimentaram 14,9 bilhões com queda de 0,3% em relação aos dados anteriores.
Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
107.375
1.252
2016
104.790 (-2,4%)
1.213 (-3,1%)
Tabela – Geração diária total e individual de RSU na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Quanto à coleta dos RSU, 98% foram recolhidos, mas houve queda de 1,9% no total e de 2,6% per capita e 27,3% correspondentes a 27.978 toneladas/dia foram destinados para lixões e aterros controlados sem tratamentos adequados.
Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
104.631
1.220
2016
102.620 (-1,9%)
1.188 (-2,6%)
Tabela 2 – Quantidade de RSU coletados na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Em relação à coleta seletiva, 1.454 dos 1.668 municípios da Região Sudeste declaram que possuem iniciativas, mas não há informações sobre os números desta atividade. Possivelmente em muitos destes municípios sejam iniciativas de pequeno porte, sem influência significativa no conjunto da gestão dos RSU. A disposição final sem tratamentos em aterros controlados e lixões aumentou 0,3% em relação ao panorama anterior.
Ano
Aterro sanitário (ton./dia)
Aterros controlados (ton./dia)
Lixões (ton./dia)
2015
76.345 = 73%
17.998 = 17,2%
10.288 = 9,8%
2016
74.642 = 72,7%
17.750 = 17,3%
10.228 = 10%
Tabela 3 – Disposição final dos RSU na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Resíduos de construções e demolições – RCD – coletaram-se 63.981 toneladas/dia com geração per capita de 0,741 Kg/habitante/dia. Houve uma pequena variação negativa no total coletado e na geração individual dos RCD na Região Sudeste.
Ano
Toneladas/dia
Kg/habitante/dia
2015
64.097
0,748
2016
63.981
0,741
Tabela 4 – Coleta de RCD na Região Sudeste do Brasil em 2016.
Resíduos sólidos de saúde – RSS – Foram produzidos 178.033 toneladas de RSS na Região Sudeste em 2016, com geração per capita de 2,062 Kg/habitante. Os tratamentos utilizados foram autoclave em 17,6%, incineração em 34,7%, micro-ondas em 7,2%, com 40,5% tendo outros destinos não declarados, significando que este percentual de RSS, correspondentes a 72.103 toneladas possivelmente foram para lixões, aterros, valas sanitárias irregulares e o meio ambiente.
Estado
2015 (Ton./ano – Kg/habitante/ano)
2016 (Ton./ano – Kg/habitante/ano)
São Paulo
101.952 – 2.296
101.643 – 2.271
Minas Gerais
40.135 – 1.923
38.405 – 1.829
Rio de Janeiro
31.234 – 1.887
30.936 – 1.860
Espírito Santo
7.086 – 1.803
7,049 – 1.774
Total
180.407 – 2.104
178.033 – 2.062
Tabela 5 – Geração de RSS na Região Sudeste do Brasil em 2016.
O panorama da Abrelpe não apresenta informações específicas sobre a reciclagem e a logística reversa na Região Sudeste. (ecodebate)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

As mudanças climáticas sob o olhar indígena

Subestimar os conhecimentos tradicionais que se perpetuam por gerações é um ato de ignorância que tem se repetido por décadas. No contexto das mudanças climáticas, essa constatação se torna mais evidente, pois a vivência dos povos indígenas e suas relações cosmológicas ancestrais são experiências que dialogam de forma concreta com a Ciência e trazem aprendizados a um campo político e econômico controverso, cujos interesses conflitam com o que a sabedoria e a razão científica expõem. Por meio das analogias e inferências, da relação entre o comportamento das estrelas e constelações ou das aves com o uso da terra e o ecossistema, os efeitos das ações antrópicas emergem nesta transcendência cadenciada.
Em tempos de Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-23), que acontece em Bonn, na Alemanha, entre 6 e 17 de novembro, abrir a escuta, sem ranços, para esses olhares transversais pode dar mais respostas para a inovação de paradigmas de desenvolvimento em um palco político antagônico, que tem impedido reais avanços localmente e de forma global e podem emperrar acordos já firmados, desde a COP-21, em Paris.  Um desenvolvimento ainda calcado em um mundo tratado como mercadoria.
O vídeo-documentário “Vozes Indígenas Num Clima em Mudança”, produzido pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), traz uma escuta interessante de diferentes representantes de etnias sobre o tema. O sensível documentário “Para onde foram as Andorinhas?”, do Instituto Socioambiental e Instituto Catitu, é outro canal de comunicação audiovisual que possibilita reflexões, como também a publicação “Mudanças Climáticas e a Percepção Indígena”, da Operação Amazônia Nativa (OPAN). As falas de todos os indígenas, da Amazônia ao Xingu, entoam um grito de alerta sobre a relação conflitante do homem branco com a terra, as águas, ou seja, com todo o planeta Terra (Pachamama).  
Esses povos têm diferenças culturais, que traduzem suas histórias e identidades, entretanto, não impõem fronteiras em seus discursos ao tratar do “bem-viver”, do respeito entre os mundos material e imaterial, e reverberam o propósito de bem coletivo aos parentes, aos povos tradicionais e à toda sociedade.  São Baniwa, Guajajara, Idioriê, Kayabi, Krenak, Manoki, Mehinako, Munduruku, Wará, Xavante, entre outros.
Com a lente de aumento sobre todo o país, trata-se de um universo de 305 etnias e de pelo menos, 896,9 mil indígenas, de acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010. Hoje também existe o Comitê Indígena de Mudanças Climáticas, com representantes das cinco regiões do país. Um espaço de incidência política que merece mais reverberação.
Em outubro, ao ouvir a narrativa da liderança indígena André Baniwa, da Amazônia, em evento do Observatório do Clima (OC), realizado em São Paulo, sobre os dados mais recentes do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), essa gama de significativas leituras foi reforçada.
Por meio da construção de uma cartografia que tem a contribuição estratégica dos mais idosos nas aldeias, com o subsídio de calendários do uso da terra indígenas, que usam elementos de sinalização como os animais, os processos de mudanças em duas décadas reportam a um estado de apreensão. Esses dados resultam, segundo ele, na reação atual do seu povo para buscar caminhos para a sustentabilidade e bem-viver em seus territórios. Para isso, há reuniões coletivas para discutir o assunto.
…O calendário indígena de cada povo Baniwa (de acordo com o território que vivem) é diferente. Acompanha estrelas e constelações, cada período da fase importante para a agricultura, para a pesca. Algum sinal de passarinho, andorinha antes da pesca, por exemplo, significa fartura de peixe. Hoje não existe mais este movimento, são sinais práticos…O tucunaré diminuiu de tamanho nos últimos 20 anos”.
Segundo ele, as piracemas não existem mais de forma organizada… “Agora tem muita chuva no Rio Negro e não tem peixe. Observamos, desde 2002, esse processo de cheias frequentes. Cobriram pedras antigas (lugares sagrados), que temos sobre o entendimento do mundo…”.
Nesse diálogo entre a Terra e o mundo espiritual, André sinaliza que a natureza está dando alertas. “…Atualmente há trovejadas constantes na região das aldeias, o que não ocorria. Estamos procurando entender o que isso significa. Isso nos preocupa, porque (no campo das relações sociais e políticas) nossos direitos estão sendo ameaçados e é consequência de decisões políticas, nos grandes centros do mundo…Se não houver mudança de atitude…”, deixa este alerta.
O indígena já havia levado a sua mensagem ao Espaço do Clima da Sociedade Civil, na COP-21, ao lado de outros parentes, sobre a questão climática, em evento realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA), quando destacou: “Os xamãs do povo Baniwa dizem que esse mundo vai parar daqui a algum tempo e não haverá sinal de vida. Será um período silencioso, na nossa previsão…”.
André ainda destaca o importante trabalho de pesquisa que está sendo realizado por outros parentes, como os Tukano e de outras etnias. Uma amostra dessa interação dos povos indígenas com o processo das mudanças climáticas é o levantamento Ciclos Anuais dos Povos Indígenas do Rio Tiquié. com apoio do ISA. (ecodebate)

Fatores ideológicos afetam o apoio a políticas climáticas

Impactos da Ideologia no Clima • Polarização Política: Pessoas com visões mais à esquerda costumam apoiar medidas de transição verde e tax...