domingo, 3 de dezembro de 2017

Santos tem elevação das marés, tempestades, erosão

Santos já está exposta a elevação das marés, tempestades, erosão e intrusão de água salgada.
“As adaptações serão necessárias, não há como escapar. E não estamos falando sobre mudanças do clima em um futuro distante – é preciso entrar em ação agora”, afirmou o pesquisador Marengo.
 Elevação da maré é intensificada por alterações climáticas (Ponta da Praia, em Santos)
Os estudos do Projeto Metrópole, com apoio da FAPESP, demonstram que a cidade de Santos, no Estado de São Paulo, já está exposta a tempestades, erosão e intrusão de água salgada, de acordo com a Assessoria de Comunicação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Há uma tendência das alterações climáticas e a subida do nível do mar intensificarem esses riscos, conforme pesquisa coordenada pelo climatologista José Marengo, do Cemaden.
Esses impactos foram observados também em Broward, nos Estados Unidos, e Selsey, na Inglaterra. Iniciativa internacional com pesquisadores brasileiros, norte-americanos e ingleses vem desenvolvendo, desde 2013, estudos sobre adaptação às mudanças climáticas em áreas costeiras.
Os dados da pesquisa fazem projeções dos impactos associados à elevação da temperatura oceânica e chuvas extremas, além do aumento do nível do mar e aumento na frequência e na intensidade das tempestades. Esses fatores podem gerar deslizamentos de terra, enchentes urbanas e contaminação das águas subterrâneas. Na situação atual, as áreas suscetíveis à inundação já apresentam problemas de drenagem.
Na cidade de Santos, no litoral paulista, os estudos projetam que as mudanças climáticas provocarão a subida do nível do mar em pelo menos 18 centímetros até 2050, podendo chegar até 45 centímetros em 2100. Essa elevação do nível do mar poderá chegar a dois metros, durante a ocorrência de marés altas, tempestades e as ressacas.
Medidas de minimização de impacto
Entre as medidas estratégicas indicadas às cidades costeiras para a gestão da adaptação, podem-se destacar o monitoramento da mudança do clima e as avaliações dos desastres socioambientais, para adequar a situação das mudanças ocasionadas ao longo do tempo.
O trabalho científico aponta dois caminhos para a preparação e diminuição dos impactos das mudanças climáticas nas áreas costeiras: as medidas proativas e planejadas para preservar e proteger os recursos – antecipando-se aos impactos (adaptação planejada) – e as medidas reativas/emergenciais, implementadas após o impacto das mudanças climáticas.
O Projeto Metrópole é uma coprodução entre a comunidade científica, os tomadores de decisões e a população. Santos foi escolhida para o projeto, segundo Marengo, porque tem os dados mais completos sobre variações de marés e o georreferenciamento mais preciso entre as cidades litorâneas. Os métodos utilizados podem ser replicados em qualquer cidade da costa brasileira.
A pesquisa aplicada desenvolvida nos últimos quatro anos faz uma avaliação conjunta sobre possíveis impactos da elevação do nível do mar, extremos de chuva e tempestades na frequência e intensidade das inundações costeiras que afetam a Ponta da Praia, no município de Santos. Segundo os dados científicos, estes impactos podem aumentar no futuro. (ecodebate)

Com aumento da temperatura, Amazônia terá incêndios mais intensos

Com aumento da temperatura e secas extremas, Amazônia pode ter incêndios mais intensos nas próximas décadas.
O Brasil registrou neste mês o maior número de queimadas de todos os tempos. Foram mais de 90 mil focos em pouco mais de 20 dias. E o cenário para o futuro não é nada animador, principalmente, para a floresta amazônica.


Um estudo feito por pesquisadores brasileiros e publicado recentemente em uma revista internacional científica criou um modelo que avaliou como ficaria a situação na região em 50 anos levando em consideração o crescente aumento da temperatura, das queimadas e uma seca extrema.
É o que explica um dos autores da pesquisa, o estudante de doutorado da Universidade Federal de Viçosa (UFV) Bruno Lopes.
“No futuro a intensidade do fogo tende a ser muito mais forte do que atualmente. As secas mais intensas vão fazer o solo ficar mais seco, vai forçar a perda de folhas e galhos, e esse material, que a gente chama de material combustível, vai se acumular no solo da floresta e vai fazer com que a floresta fique muito mais vulnerável a incêndios de alta intensidade. Grandes áreas vão ficar extremamente vulneráveis se tiver uma fonte de ignição. Então, no futuro, grande áreas da floresta podem se tornar inflamáveis.”
A pesquisa prevê que, caso ocorra uma seca na Amazônia entre os anos de 2040 e 2069, como as históricas registradas em 2005 e em 2010, uma área de cerca de 550 mil Km2, maior que a França, poderá ser impactada por incêndios florestais intensos.
Emissões de carbono podem aumentar em até 90%.
O resultado disso, segundo o pesquisador, é que as emissões de carbono podem aumentar em até 90%.
“Considerando o mesmo fogo que teve em 2005, se ele ocorresse no futuro na atmosfera, com esse cenário, com a temperatura um pouco mais alta e com seca, esse fogo seria mais intenso e até mais letal para as árvores. Poderia aumentar as emissões de carbono devido a mortalidade de árvores por fogo. As árvores da Amazônia não estão preparadas para isso. Chegando a uma certa intensidade, pode matar uma quantidade maior de árvores”.
De acordo com Bruno Lopes, a ideia da pesquisa foi traçar um cenário para o futuro e, a partir dos resultados, estimular o desenvolvimento de políticas públicas que ajudem a prevenir um desastre ambiental.
O estudo foi desenvolvido em uma área de floresta, no município de Querência (MT), onde o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) realiza experimentos. Pesquisadores da entidade também participaram do trabalho. (ecodebate)

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Nível de gelo no Ártico em 2017 é a oitavo menor da história

Nível de gelo no Ártico em 2017 é a oitavo menor da história; Há 16 anos a região não atinge nível acima da média.
O aquecimento adicional é em grande parte devido a um retorno de resultados. À medida que o aquecimento da água e do ar derretem o gelo do Ártico, o oceano recém-descoberto absorve ainda mais energia solar. O oceano exposto também significa mais transporte marítimo no Ártico, acompanhado de emissões de carbono negro que se instalam no gelo e absorvem ainda mais calor – uma reação desenfreada que está derretendo o Ártico como o conhecemos.
 Setembro é o mês em que a extensão de gelo no Ártico atinge seu nível mínimo.
Mesmo com metas globais, região ainda sofrerá aquecimento de 3,5º a 5ºC.
O mês de setembro é a época em que o Ártico atinge sua extensão mínima anual de gelo. Os resultados de 2017, que acabam de ser divulgados e estão bem abaixo da média histórica, são uma oportuna lembrança de que devemos trabalhar com ainda mais empenho para alcançar o objetivo de 1,5ºC estabelecido por quase 200 países no Acordo de Paris. Os números do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA (NSIDC) mostram que o gelo marinho atingiu um mínimo de 4,64 milhões de quilômetros quadrados em 13 de setembro, 1,58 milhões de km2 abaixo da média. Há 16 anos, o Ártico não registra uma extensão de gelo acima da média de setembro. A marca é a oitava menor da história.
Em nenhum lugar, os efeitos de um clima de aquecimento vêm sendo sentidos de forma mais rápida e mais profunda do que no Ártico. Mesmo que o mundo atenda aos termos do Acordo de Paris, o Ártico ainda deverá aquecer 3° a 5°C a mais, afetando a rica biodiversidade da região e a vida daqueles que dependem disso.
 O gelo do Ártico está a derreter a uma velocidade nunca vista, o que ameaça colocar tanta água fresca no Atlântico Norte que pode desfazer a forma como o oceano regula a temperatura global, preveniu um oceanógrafo belga.
O líder do programa Ártico do WWF, Alexander Shestakov, relembrou as declarações feitas em agosto pelo presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, de que se perdermos o Ártico, perdemos o globo: “Isto é a realidade. As emissões, tanto de gases de efeito estufa quanto de carbono negro do aumento do transporte marítimo do Ártico, estão criando uma verdadeira tempestade no Ártico. Exortamos os estados do Ártico e outros a priorizarem a redução das emissões de carbono negro e a cooperarem ainda mais na consecução dos objetivos de Paris”.
Para o líder global da prática climática e energética do WWF, Manuel Pulgar-Vidal, “a tendência contínua de perda de gelo do mar no Ártico mostra que a comunidade global tem muito trabalho a fazer para atingir o objetivo de 1,5° C. É fundamental que possamos trabalhar juntos de forma imediata em soluções já disponíveis para ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono, expandindo a implantação de energia renovável, no Ártico e em todo o mundo”.
Sobre o Acordo de Paris
O Acordo de Paris, aprovado em dezembro de 2015, compromete quase 200 países a empreenderem todos os esforços para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C e, assim, evitar alguns dos piores impactos de um planeta aquecido.
O ano de 2016 foi o mais quente registrado. No ano passado, a temperatura média global anual subiu para um recorde de 1°C acima dos níveis pré-industriais. Mesmo que possamos parar as emissões hoje sem prejudicar a economia global, as temperaturas continuarão aumentando em alguns décimos de grau nas próximas décadas.

Limitar o aquecimento a um aumento médio de 1,5ºC resultaria em uma redução do aumento do nível do mar, ondas de calor tropicais mais curtas e potencialmente menos eventos climáticos extremos, como as devastadoras chuvas e inundações que afetaram recentemente a Índia, Estados Unidos, Bangladesh e Nepal.

Sobre o mínimo de gelo do mar
O gelo do mar do Ártico geralmente atinge sua menor extensão anual em setembro.
A extensão mínima em 2017 é a 8ª mais baixa registrada desde que o monitoramento por satélite começou em 1979.
Após uma série de ondas de calor do Ártico no outono passado, o NSIDC relatou a maior extensão de gelo do mar já registrada em março. (ecodebate)

Cientistas relacionam a incidência de furacões mais destrutivos

Cientistas relacionam a incidência de furacões mais destrutivos, como o Irma, ao aumento da temperatura global.
Furacão Irma sobre o Caribe, o mais forte registrado no Oceano Atlântico.
Cientistas ligados a UCS afirmam que os oceanos absorveram  93% do excesso de energia gerada pelo aquecimento global entre 1970 e 2010. Dessa maneira, foi possível observar a intensificação da atividade de furações em algumas regiões.
Furacões mais potentes causaram perdas humanas, perdas econômicas para o Estado, a iniciativa privada e a população em geral.
A ocorrência este mês de dois furacões em um prazo de uma semana – o Harvey, no  Texas, e o Irma, em países do Caribe e da Flórida – reacendeu o debate sobre as mudanças climáticas e trouxe novas críticas ao posicionamento da gestão Trump. A maior parte da comunidade científica americana relaciona a incidência de furacões mais destrutivos ao aumento da temperatura global.
Um estudo chamado Relatório Especial Ciência e Clima, do Programa de Investigação da Mudança Global dos Estados Unidos (CSSR, a sigla em Inglês), que reúne cientistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica  (NOAA), da NASA e de mais 11 agências federais do país, afirma que a atividade humana contribui para o aumento da temperatura global e, consequentemente, a incidência de furacões.
No estudo, a incidência de furacões mais destrutivos é usada como evidência de que é “muito provável que mais da metade do aumento das temperaturas, ao longo das últimas quatro décadas, foram causadas pela atividade humana”.
Miami – Árvore caída na pista devido aos fortes ventos das primeiras chuvas ligadas ao Furacão Irma em Miami.
O relatório é parte da Avaliação Nacional do Clima e começou a ser feito durante o mandato de Bill Clinton, em 1990.  Em junho, o estudo foi publicado pela comunidade científica, que encaminhou o relatório para avaliação da Casa Branca. Até então, a administração Trump não se pronunciou.
As conclusões batem de frente com a ideologia defendida por Donald Trump – de que não é possível comprovar que o aquecimento global é consequência da interferência humana.
Union of Concerned Scientist (UCS, a sigla em inglês para a União dos Cientistas preocupados com o clima), uma entidade que reúne especialistas norte-americanos, também publicou em sua página um artigo em que afirma haver probabilidade de ocorrerem mais furacões destrutivos, como o Irma, que afetaram milhões de comunidades e colocaram estruturas em risco.
Estudos sobre os furacões e o aquecimento global já foram desenvolvidos várias vezes pela comunidade científica americana. A UCS trouxe o assunto à tona novamente por ocasião da passagem do Irma – já são mais de 60 mortes confirmadas e algumas ilhas destruídas no Caribe – Antígua e Barbuda, San Martin, Ilhas Virgens Americanas, e Turks e Caikus (território britânico).
Além das ilhas devastadas, são registrados enormes prejuízos financeiros – ainda não totalmente contabilizados – para praticamente todos os países e territórios caribenhos: Porto Rico (EUA), República Dominicana, Haiti, Cuba e Bahamas.
No continente, os Estados Unidos tiveram nove estados afetados, entre eles a Flórida, que teve todo o seu território atingido.
A UCS lembra que “para as comunidades costeiras, as cicatrizes sociais, econômicas e físicas deixadas por grandes furacões, como o Irma, são devastadoras”.
Os cientistas reafirmaram que os furacões são parte natural do sistema climático. Lembraram, no entanto, que as pesquisas recentes sugerem  o aumento de seu poder destrutivo, ou intensidade, desde a década de 1970, em particular na região do Atlântico Norte.
Medidas do potencial de destruição de furacões, calculadas a partir de sua força ao longo da vida útil, também mostram uma duplicação desse potencial nas últimas décadas. Um exemplo é o de um furacão que se mantém em níveis 4  e 5 (mais destrutivos) na escala Saffir-Simpson (que vai de 1 a 5) por mais tempo, causando mais danos.
Não só os furacões no Atlântico estão se intensificando, os tufões do Oceano Pacífico também estão atingindo a Ásia de maneira mais feroz.
Impacto oceânico
Passagem do furacão Irma pela província holandesa de Philipsburg, na ilha de San Martín.
O furacão é um fenômeno formado pelo aquecimento das águas oceânicas. Temperaturas marítimas superiores a 27º graus causam a evaporação da água que sobe aquecida em forma de vapor até as nuvens. O contato do vapor quente e do ar frio da atmosfera provoca correntes de ar que se descolam em movimento circular e formato de cone.
Os níveis do mar também estão subindo,  porque com os oceanos mais quentes,  água do mar se expande. Essa expansão segundo a UCS, combinada ao derretimento do gelo na Terra, causou um aumento médio global de aproximadamente 8 polegadas (20 cm)  do nível do mar, desde 1880.
A tendência esperada é de aceleração desse processo nas próximas décadas. Níveis do mar mais elevados na região costeira e a água mais aquecida poderão proporcionar furacões destrutivos, como o Katrina (2005), o Harvey ou Irma.
Impacto econômico
O impacto econômico será sentido massivamente, como vem ocorrendo nos últimos anos. afetando milhares de pessoas. Só nos Estados Unidos, 100 milhões de pessoas vivem em municípios litorâneos – cerca de um terço da população total.
Houston – Cidade do Texas foi fortemente afetada pela tempestade tropical Harvey.
Nos Estados Unidos, o impacto do Harvey foi bastante sentido pelas indústrias petrolíferas da costa do Texas. O abastecimento comprometido deixou os preços da gasolina mais altos e a falta do produto foi sentida durante a passagem do furacão pela Flórida.
Foi preciso que o governo do estado garantisse abastecimento nas estradas para a população que tentava deixar as áreas atingidas e que não conseguia abastecer os carros nos postos das rodovias. (ecodebate)

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Monitoramento do calor oceânico registra o aquecimento global

Atividades antrópicas liberaram dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa, e o resultado é um acúmulo de calor no sistema climático da Terra, comumente referido como “aquecimento global”. “Quão rápido é o aquecimento da Terra?” é uma questão chave para os tomadores de decisão, cientistas e público em geral.
Medições de concentração de calor oceânico (OHC) e dióxido de carbono atmosférico (CO2) desde 1958, mostradas como meios de funcionamento de 12 meses. A linha preta representa o aquecimento do oceano para os 2.000 metros superiores do oceano e o sombreado vermelho claro representa o intervalo de confiança de 95%. A concentração de CO2 observada no Observatório Mauna Loa é exibida em azul claro. Os valores médios para 2015-2016 são destacados com uma estrela vermelha. O OHC é relativo a uma linha de base 1960-2015. Os dados de calor do oceano são de Cheng et al. [2017], e a informação sobre CO2 é da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica.
A temperatura média global da superfície tem sido amplamente utilizada como uma medida-chave do aquecimento global. No entanto, um novo estudo publicado no Eos, da American Geophysical Union, propôs uma melhor maneira de medir o aquecimento global: o monitoramento da mudança da concentração do calor oceânico e aumento do nível do mar. Os autores provêm de uma variedade de comunidades internacionais, incluindo China (Instituto de Física Atmosférica, Academia Chinesa de Ciências), EUA (NCAR, NOAA e Universidade de São Tomás) e França (Mercator Ocean).
Para determinar quão rápido a Terra está acumulando calor, os cientistas se concentram no desequilíbrio energético da Terra (EEI): a diferença entre a radiação solar recebida e a radiação de longa distância (térmica). Aumentos na EEI são diretamente atribuíveis a atividades humanas que aumentam o dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa na atmosfera. O calor extra-atraído pelo aumento dos gases de efeito estufa termina principalmente nos oceanos (mais de 90% são armazenados lá). Por isso, para medir o aquecimento global, temos que medir o aquecimento do oceano.
Por outro lado, a amplitude do sinal de aquecimento global em comparação com a variabilidade natural (ruído) define o quão bem uma métrica rastreia o aquecimento global. Este estudo mostra que a evolução temporal da concentração do calor do oceano possui uma relação sinal / ruído relativamente alto; portanto, exige 3,9 anos para separar a tendência de aquecimento global da variabilidade natural. Da mesma forma, para o aumento do nível do mar, 4,6 anos são suficientes para detectar o sinal de mudança climática. Em contraste, devido ao clima, El Niño – Oscilação do Sul e outras variações naturais incorporadas no registro global da temperatura da superfície, os cientistas precisam de pelo menos 27 anos de dados para detectar uma tendência robusta. Um excelente exemplo é o período 1998-2013, quando a energia foi redistribuída dentro do sistema da Terra e o aumento da temperatura média global da superfície desacelerou.
De acordo com as estimativas mais atualizadas, os 10 anos mais quentes do oceano (indicados pela mudança de OHC nos 2000 m superiores) são todos na década mais recente após 2006, com 2015-2016 o período mais quente entre os últimos 77 anos. O armazenamento de calor no oceano equivale a um aumento de 30,4 × 10 22 Joules (J) desde 1960, igual a uma taxa de aquecimento de 0,33 Watts por metro quadrado (W m -2) em média em toda a superfície da Terra – e 0,61 W m -2 depois de 1992. Para comparação, o aumento do teor de calor oceânico observado desde 1992 nos 2000 metros superiores é cerca de 2000 vezes a geração líquida total de eletricidade por empresas de serviços públicos dos EUA em 2015.
Este estudo sugere que as mudanças na concentração de calor oceânico, o componente dominante do desequilíbrio energético da Terra, devem ser uma métrica fundamental, juntamente com o aumento do nível do mar. Com base nas recentes melhorias das tecnologias de monitoramento oceânico, especialmente depois de 2005 através de flutuadores autônomos chamados Argo e metodologias avançadas para reconstruir o histórico de temperatura do oceano, os cientistas conseguiram quantificar as mudanças da concentração do calor oceânico desde 1960, mesmo que haja uma grande quantidade de registros de instrumentos históricos mais dispersos antes de 2005. O aumento do nível do mar é mais conhecido desde 1993, quando os altímetros foram lançados em satélites para permitir observações de mudança de nível do mar a uma precisão milimétrica.
É evidente que cientistas e modeladores que procuram sinais de aquecimento global devem acompanhar a quantidade de calor que o oceano armazenou em qualquer momento, ou seja, o conteúdo de calor oceânico, bem como o aumento do nível do mar. Localmente, nos trópicos, o conteúdo de calor do oceano se relaciona diretamente com a atividade dos furacões. O conteúdo de calor oceânico é um sinal vital do nosso planeta e informa decisões sociais sobre adaptação e mitigação das mudanças climáticas. (ecodebate)

Aquecimento global aumenta o calor no hemisfério Norte

Aquecimento global e aumento do calor extremo no hemisfério Norte
A maior parte dos incêndios florestais dos EUA acontecem na metade ocidental do país porque os solos e a vegetação são geralmente mais secos. À medida que as temperaturas aumentam a partir do aumento dos gases de efeito estufa, as taxas de evaporação do solo aumentam, o que pode piorar a seca e desidratar a vegetação, criando combustível suficiente para queimadas. Condições climáticas mais quentes e mais secas também possibilitam que os incêndios florestais se espalhem por grandes áreas. Os incêndios florestais são muito caros e tem dobrado de preço, aumentando o orçamento do Serviço Florestal dos EUA.
O aquecimento global é uma realidade inquestionável. Artigo do jornalista David Wallace-Wells, denominado “A Terra inabitável” (09/07/2017), publicado na revista New York Magazine (NYMag), apresentou uma visão catastrófica do efeito do crescimento das atividades antrópicas sobre os ecossistemas e as mudanças climáticas. O subtítulo diz do que se trata: “Fome, colapso econômico e um sol que nos cozinha: o que as mudanças climáticas podem causar – mais cedo do que você pensa”. Evidentemente, o autor está tratando de um cenário extremo e de baixa probabilidade, mas que pode ocorrer se nada for feito para mudar os rumos da insustentabilidade do crescimento econômico e suas externalidades ambientais.
Os dados são inequívocos ao mostrar o aumento do aquecimento da temperatura global. O tempo mais quente é propício aos eventos climáticos extremos, como os furacões que atingiram o Texas e a Flórida, nos Estados Unidos. Em artigo anterior analisamos os efeitos do furacão Harvey (Alves, 04/09/2017). Em um próximo artigo vamos analisar os efeitos do furacão Irma.

No momento abordaremos os efeitos do calor extremo no hemisfério Norte. Verões extraordinariamente quente eram praticamente inéditos na década de 1950 no hemisfério Norte e tornaram-se comuns. Os eventos extremos do verão deste ano de 2017, como as ondas de calor que circulam pelo sul da Europa e as temperaturas próximas a 130°F no Paquistão, fazem parte desta nova tendência mais ampla.
Matéria do jornal New York Times, mostra o gráfico acima, baseado em dados de James Hansen, cientista de clima da NASA aposentado e professor na Universidade de Columbia, indica como as temperaturas do verão mudaram para o calor mais extremo nas últimas décadas.
Para criar as curvas normais, Dr. Hansen e dois colegas compararam as temperaturas reais do verão para cada década desde a década de 1980 até uma média de linha de base fixa. Durante o período de base, 1951 a 1980, cerca de um terço dos verões em todo o Hemisfério Norte estavam no que chamavam de “média próxima” ou faixa normal. Um terço foi considerado frio e um terço estava quente.
Desde então, as temperaturas do verão mudaram drasticamente. Entre 2005 e 2015, dois terços dos verões estavam na categoria quente, enquanto quase 15% estavam em uma nova categoria: extremamente quente. Praticamente, isso significa que a maioria dos verões hoje são quentes ou extremamente quentes em relação ao meio do século passado.
Os sete primeiros meses de 2017 constituem o segundo período mais quente da série 1880-2017. Talvez o mês de agosto de 2017 seja o mais quente já registrado. O aquecimento global já está afetando as atuais gerações e causando muitos prejuízos. Enquanto o Brasil e partes do hemisfério Sul apresentam temperaturas mais amenas no inverno, as ondas mortais de calor afetaram bastante o hemisfério Norte.
Um dos efeitos mais imediatos do aumento da temperatura no hemisfério Norte foi o aumento dos incêndios florestais. Nos primeiros sete meses de 2017, as queimadas já destruíram mais de 2,5 milhões de hectares nos EUA, representando 38% mais do que a superfície média queimada na última década, conforme mostra o site Climate Central.
Na Europa, onda de calor, denominada Lúcifer, “assa” as pessoas e incêndios devastam a Espanha. Dez países do sul e da Europa Central declararam alerta vermelho após a onda de calor ‘Lucifer’ atingir temperaturas a cima de 40ºC, em várias cidades, com os cientistas avisando que o calor extremo poderia matar 152 mil pessoas por ano até 2100.
No extremo leste do Irã, as temperaturas atingiram um pico de 52,8°C (127°F) na base militar de Konarak e 52,6°C (126,7°F) na aldeia de Renk, superando o registro da maior temperatura já registrada em maio No Irã (50,5°C em Bostan em maio de 1999) e aproximando-se da maior temperatura confiável já registrada no Irã, a 53°C. Em Omã, onde os registros foram de 50,8°C (123,4°F).
O calor extremo ameaça transformar o sul da Ásia, onde vive um quinto da humanidade, em um lugar inabitável até 2100 se não forem tomadas medidas para reduzir os gases de efeito estufa. O aumento das temperaturas e da umidade no verão poderia alcançar níveis que superam a capacidade humana de sobreviver sem proteção. Estas ondas de calor mortal serão muito fortes na Índia, Paquistão e Bangladesh, incluindo as bacias férteis dos rios Indo e Ganges.
Para evitar o pior cenário, todas as pessoas e todos os países precisam mudar completamente o estilo de vida e o mundo precisa caminhar rumo ao decrescimento demoeconômico, para evitar a hipertermia do Planeta. As dimensões dos furacões Harvey e Irma foram potencializadas pelo aquecimento global e as ondas de calor do hemisfério norte. Em um próximo artigo vamos analisar as consequências do furacão que atingiu o Caribe e a Flórida. (ecodebate)

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Aumento temperatura associa mudança climática à evaporação do Mar Cáspio

Aumento da temperatura associada às mudanças climáticas acelera a evaporação do Mar Cáspio.
Os pesquisadores analisaram as três principais influências sobre os níveis de água do mar Cáspio: água dos rios que drenam para o mar, precipitação e evaporação.


 Mapa da drenagem do Mar Cáspio e da região do Cáspio (encerrado pela linha do contorno vermelho). O Mar Cáspio está rodeado por cinco países: Rússia, Cazaquistão, Turquemenistão, Irã e Azerbaijão. Quatro estações de maré (1 = Makhachkala, 2 = Forte Shevchenko, 3 = Baku e 4 = Turkmenbashi), das quais derivam as séries históricas do tempo de observação do nível do mar Cáspio, são marcadas por pontos magenta.
O maior corpo de água continental do planeta tem evaporado lentamente nas últimas duas décadas, devido ao aumento das temperaturas associadas à mudança climática, revela um novo estudo.
Os níveis de água no mar do Cáspio caíram quase 7 centímetros (3 polegadas) por ano de 1996 a 2015, ou quase 1,5 metro (5 pés) de total, de acordo com o novo estudo. O nível atual do mar Cáspio é apenas cerca de 1 metro (3 pés) acima do menor nível histórico, alcançado no final da década de 1970.
O aumento da evaporação sobre o Mar Cáspio foi associado ao aumento da temperatura do ar superficial. De acordo com os dados do estudo, a temperatura média anual da superfície sobre o Mar Cáspio aumentou cerca de 1°C (1,8°F) entre os dois períodos de tempo estudados, 1979-1995 e 1996-2015. Estas temperaturas crescentes são, provavelmente, resultado de mudanças climáticas, de acordo com os autores do estudo.
A evaporação provocada pelas temperaturas do aquecimento parece ser a principal causa da queda atual do nível do mar e o declínio provavelmente continuará à medida que o planeta aquecer, de acordo com os autores do estudo, publicado em Geophysical Research Letters
O Mar Cáspio, localizado entre a Europa e a Ásia, é aproximadamente do tamanho do estado de Montana, EUA, com 371.000 km2 (143,244 milhas quadradas). Tem experimentado mudanças substanciais em seu nível de água nas últimas centenas de anos, mas estudos anteriores não conseguiram identificar as causas exatas das mudanças no nível do mar.
O Mar Cáspio é limitado por cinco países e contém uma abundância de recursos naturais e uma vida selvagem diversificada. Também contém reservas de petróleo e gás natural e é um recurso importante para a pesca nos países vizinhos.
O novo estudo começou depois que Wilson e Jianli Chen, o principal autor do estudo do Centro de Pesquisa Espacial da Universidade do Texas em Austin, unidos a outros pesquisadores, usaram o Mar Cáspio para calibrar dados dos satélites gêmeos da missão GRACE lançada em 2002. Ao comparar as medidas do mar Cáspio dos dados da GRACE e das medições baseadas na Terra, os pesquisadores ajudaram a melhorar a precisão dos dados do satélite. Ao fazê-lo, eles notaram que os níveis de água do Mar Cáspio estavam sofrendo mudanças significativas.
Eles compilaram informações sobre mudanças de nível de água, observadas pelos satélites, registros de precipitação e drenagem no mar a partir de rios, e estimativas de precipitação e evaporação de modelos climáticos. Os pesquisadores então reuniram um registro de quanto cada um desses fatores contribuiu para mudanças observadas no nível do Mar Cáspio de 1979 a 2015.
Eles encontraram que os níveis do Mar Cáspio aumentaram em cerca de 12 centímetros (5 polegadas) por ano de 1979 a 1995. Mas em 1996, os níveis do mar começaram a cair e diminuíram em média quase 7 centímetros por ano até 2015. De 1996 a 2015, o nível do Mar Cáspio caiu quase 1,4 metros (4.5 pés), de acordo com os registros do nível do mar usados no estudo.
A evaporação contribuiu para cerca de metade desse declínio, enquanto os efeitos combinados das mudanças de precipitação e descarga do rio contribuíram para a outra metade. De acordo com o estudo, as taxas de evaporação observadas estão associadas ao aumento da temperatura do ar superficial e outros fatores climáticos, como a umidade da superfície e o vento.
O novo estudo fornece a primeira prova convincente de que o aumento da evaporação sobre o Mar Cáspio é uma força motriz mais importante da mudança do nível do mar do Cáspio do que a descarga ou precipitação do rio, diz Anny Cazenave, um geodesista espacial do CNES, do Laboratório de Estudos em Geofísica e Océanografia Spatiales (LEGOS), no Observatoire Midi-Pyrénées em Toulouse, França, que não esteve envolvido no novo estudo.
A evaporação terá o maior impacto na parte norte do Mar Cáspio porque grande parte da água naquela área é inferior a 5 metros (16 pés) de profundidade. Se a tendência atual de uma redução de 7 centímetros por ano continuar a uma taxa constante, levaria cerca de 75 anos para que a parte norte do mar desapareça, de acordo com o novo estudo.
O mar do Cáspio suporta muitas espécies antigas e antigas que ficaram de quando o mar fazia parte do Oceano de Tethys durante a era do Mesozóico, aproximadamente 300 milhões de anos atrás. Embora a maioria dessas espécies viva nas regiões do sul e do meio do Mar Cáspio, algumas usam a área do norte rasa como terreno de reprodução, incluindo 90 por cento dos esturjões do mundo. A queda do nível do mar também afetaria a baía de Kara-Bogaz-Gol, no lado leste do mar, com menos de 5 metros de profundidade e contém um dos maiores depósitos naturais de sais marinhos do mundo, de acordo com os autores do estudo.
Embora este estudo tenha identificado as tendências no nível do mar e suas causas, os pesquisadores não projetaram estimativas específicas de como esses níveis podem mudar no futuro. (ecodebate)

Fatores ideológicos afetam o apoio a políticas climáticas

Impactos da Ideologia no Clima • Polarização Política: Pessoas com visões mais à esquerda costumam apoiar medidas de transição verde e tax...