quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Em vez de reduzir, país mantém emissão de gases

As emissões brasileiras de gases-estufa ficaram praticamente estáveis em 2018 em relação ao ano anterior. Ocorreu um pequeno aumento de 0,3%. O país, contudo, é o sétimo maior poluidor do planeta e ainda não tem uma trajetória consistente de redução de emissões. A avaliação faz parte da sétima coleção do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG). Os dados foram divulgados dia 05/11/19, em São Paulo.
De fato, pelos dados do sistema de alerta de desmatamento Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a tendência é de alta na derrubada da floresta.
Tasso Azevedo, coordenador do SEEG, lembra que entre agosto de 2017 a julho de 2018, o Deter registrou 4.500 km² de desmatamento. Já o Prodes – o dado oficial do desmatamento no Brasil – fechou o valor em 7.500 km².
O dado deste ano do Deter (até julho) soma 6.833 km² de desmatamento. “Historicamente, os dados do Prodes costumam ser 30% maiores”, diz Azevedo. Em agosto, setembro e metade de outubro de 2019, o Deter já apontou para 3.500 km² de desmatamento.
Em 2018, o Brasil registrou emissões brutas de 1,94 bilhão de toneladas de CO2 equivalente. Ocorreu aumento nas emissões causadas pelo desmatamento na Amazônia (8,5%), mas redução na destruição do Cerrado (10%). No balanço, as emissões por mudança do uso da terra, que representaram 44% das emissões brasileiras em 2018, cresceram 3,6%.
As emissões do setor de energia caíram 5%. A explicação é o forte aumento no uso de biocombustíveis transporte de passageiros causado tanto pelo aumento no consumi de etanol quando pela obrigação de se adicionar biodiesel ao diesel. E ainda pelo aumento de energias renováveis na geração elétrica, explicou Felipe Barcellos e Silva, analista de projetos do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA).
Choveu muito, as hidrelétricas foram muito acionadas em detrimento das termelétricas fósseis. Por isso, foi a primeira vez que as fontes não hídricas ultrapassaram as fósseis na matriz elétrica”, diz ele, citando principalmente energia eólica, biomassa e solar. Este grupo foi a segunda maior fonte de eletricidade no Brasil em 2018.
O setor da agropecuária ficou em segundo lugar nas emissões brasileiras (25% do total). Registrou pequena queda de 0,7%, puxada pela diminuição do rebanho nacional. A alta no preço internacional fez com que o gado passasse a ser abatido mais cedo, explicou Ciniro Costa Júnior, do Imaflora. Desta forma, a emissão de metano do gado (gás-estufa muito mais nocivo que o CO2) foi reduzida.
“Existe grande diferença entre a natureza das emissões do Brasil e a dos outros grandes emissores, à exceção da Indonésia”, indicou Ricardo Abramovay, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP. Enquanto a redução das emissões dos países desenvolvidos, da China e da Índia dependem de grandes investimentos em ciência e tecnologia (porque a maior fonte de emissões é a energia), o esforço brasileiro tem que ser no combate ao desmatamento.
“Para interromper o desmatamento não precisamos fazer grandes esforços em ciência e tecnologia”, disse Abramovay. “Mas estamos avançando em direção ao aumento das emissões pelos piores métodos. É vergonhoso”, lamentou.
O Brasil não irá cumprir a meta para 2020 de reduzir em 80% a taxa de desmatamento na Amazônia, prevista pela lei nacional de mudança do clima. “Já tínhamos uma situação delicada antes do desmonte da governança ambiental promovido pelo atual governo”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, rede de 47 ONGs e movimentos que lidam com a agenda climática.
O desmatamento provoca distorções no perfil brasileiro de emissões, diz material do SEEG distribuído à imprensa. É pela mudança no uso da terra que a emissão per capita do brasileiro (9,3 toneladas brutas) é maior que a média mundial (7,2 toneladas em 2018). Um paraense, do Estado campeão de emissões, emite quatro vezes mais do que um americano.
“A emissão média mundial per capita em 2050 deverá ser de menos de 1 tonelada de CO2 equivalente”, diz Azevedo, se o que se quer é cumprir o que foi acertado no Acordo de Paris. (biodieselbr)

Outubro/19 foi 0,69°C mais quente que o outubro médio de 1981-2010

Emergência Climática – Em todo o mundo, outubro foi 0,69°C mais quente que o outubro médio de 1981-2010.
Anomalia na temperatura do ar da superfície em outubro de 2019 em relação à média de outubro para o período 1981-2010. Fonte de dados: ERA5.
As temperaturas de outubro em 2019 ficaram acima da média 1981-2010 na maior parte da Europa, principalmente no leste e sudeste. Temperaturas abaixo da média ocorreram na maior parte do norte e noroeste do continente.
Em outros lugares, as temperaturas nas massas terrestres do hemisfério norte estavam notavelmente acima da média em partes do Ártico, no leste dos EUA e no Canadá, e no Oriente Médio e grande parte do norte da África e da Rússia. As temperaturas também estavam bem acima da média no sul do Brasil, sul da África, oeste e sul da Austrália e na maior parte do leste da Antártica.
As temperaturas na terra estavam substancialmente abaixo da média em uma região que abrange grande parte do oeste dos EUA e Canadá. Eles também estavam abaixo da média em partes da África tropical e na Antártica, e em menor grau em várias outras regiões.
Regiões de temperatura abaixo da média ocorreram em todos os principais oceanos, incluindo o Pacífico tropical oriental e o mar de Weddell coberto de gelo. No entanto, as temperaturas do ar no mar eram predominantemente mais altas que a média, especialmente em vários mares do Ártico e Antártico e no nordeste do Oceano Pacífico.
Anomalias mensais da temperatura do ar da superfície média global e média da Europa em relação a 1981-2010, de janeiro de 1979 a outubro de 2019. As barras coloridas mais escuras indicam os valores de outubro.
As temperaturas globais estavam substancialmente acima da média em outubro de 2019. O mês foi:
0,69°C mais quente que o outubro médio de 1981-2010, tornando-o por uma estreita margem o outubro mais quente deste registro de dados;
Um insignificante 0,01°C mais quente que outubro de 2015, o segundo mais quente de outubro;
0.09°C mais quente que outubro de 2017, o terceiro mês mais quente de outubro.
As anomalias de temperatura na média europeia são geralmente maiores e mais variáveis ​​do que as anomalias globais, especialmente no inverno, quando podem mudar vários graus de um mês para o outro. A temperatura média europeia em outubro de 2019 foi de:
1,1°C mais quente que o outubro médio de 1981-2010;
O terceiro outubro mais quente do período de 1979 em diante: 2001 e 2006 foram mais quentes.
Nos últimos 12 meses – novembro de 2018 a outubro de 2019.
Anomalia na temperatura do ar da superfície de novembro de 2018 a outubro de 2019 em relação à média de 1981-2010. Fonte de dados: ERA5.
s temperaturas médias do período de doze meses de novembro de 2018 a outubro de 2019 foram:
Muito acima da média de 1981-2010 na maior parte do Ártico, chegando ao Alasca e perto dela e nas partes centrais do norte da Sibéria;
Acima da média em praticamente toda a Europa;
Acima da média na maioria das outras áreas terrestres e oceânicas, especialmente no nordeste da China, no Oriente Médio, no sudeste da Ásia, na Austrália, no sul da África e em algumas partes da Antártica;
Abaixo da média em algumas áreas terrestres e oceânicas, principalmente nas pradarias norte-americanas.
Execução de médias de doze meses de anomalias da temperatura do ar na superfície global média e europeia em relação a 1981-2010, com base em valores mensais de janeiro de 1979 a outubro de 2019. As barras coloridas mais escuras são as médias para cada um dos anos civis de 1979 a 2018.
A média dos períodos de doze meses suaviza as variações de curto prazo. Globalmente, o período de doze meses de novembro de 2018 a outubro de 2019 foi 0,56°C mais quente que a média de 1981-2010. O período mais quente de doze meses foi de outubro de 2015 a setembro de 2016, com temperatura 0,66°C acima da média. 2016 é o ano civil mais quente já registrado, com uma temperatura global de 0,63°C acima da de 1981-2010. O segundo ano calendário mais quente, 2017, teve uma temperatura de 0,54°C acima da média, enquanto o terceiro ano mais quente, 2018, foi de 0,46°C acima da média 1981-2010.
0,63°C deve ser adicionado a esses valores para relacionar as temperaturas globais recentes ao nível pré-industrial definido no Relatório Especial do IPCC sobre “Aquecimento global de 1,5°C”. As temperaturas mensais nos últimos doze meses atingiram uma média de 1,2°C acima desse nível pré-industrial. A temperatura de outubro é de 1,2°C acima do nível.
A propagação nas médias globais de vários conjuntos de dados de temperatura tem sido relativamente grande nos últimos três anos. Durante esse período, os valores médios de doze meses aqui apresentados são mais altos que os de vários conjuntos de dados independentes, entre 0,05°C e 0,15°C para os doze meses em que o spread é maior. Isso se deve em parte às diferenças na medida em que os conjuntos de dados representam as condições relativamente quentes que predominaram no Ártico e nos mares ao redor da Antártica. As diferenças nas estimativas da temperatura da superfície do mar em outros lugares e das temperaturas sobre a terra fora do Ártico foram outros fatores. No entanto, existe um acordo geral entre os conjuntos de dados sobre:
O calor excepcional de 2016 e o ​​calor também de 2015, 2017, 2018 e 2019;
A taxa média geral de aquecimento de cerca de 0,18°C por década desde o final da década de 1970;
O período sustentado de temperaturas acima da média a partir de 2001.
Outubro de 2019 foi o mês mais quente registrado na história.
Há mais variabilidade nas temperaturas médias europeias, mas os valores são menos incertos porque a cobertura observacional do continente é relativamente densa. As médias de doze meses para a Europa atingiram um nível alto de 2014 a 2016. Depois caíram, mas permaneceram 0,5°C ou mais acima da média 1981-2010. As médias de doze meses aumentaram desde então, mas caíram novamente nos últimos meses. A média mais recente, para o período de novembro de 2018 a outubro de 2019, está 1,1°C acima da norma 1981-2010. O período mais quente desse período, de abril de 2018 a março de 2019, foi de 1,5°C acima da média. (ecodebate)

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Emissões de gases de efeito estufa do Brasil em 2018

Entenda as emissões de gases de efeito estufa do Brasil em 2018.
Brasil tem emissões estáveis em 2018 – Aumento foi de 0,3% em relação ao ano anterior, segundo novos dados do SEEG; queda no setor de energia, puxada por renováveis, compensou alta no desmatamento da Amazônia.
Observatório do Clima
O desmatamento respondeu por 44% de todo o carbono lançado na atmosfera pelo país em 2018.
As emissões brasileiras de gases de efeito estufa se mantiveram estáveis em 2018, segundo nova estimativa do SEEG, o Sistema de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima.
No ano passado, o país teve emissões brutas de 1,939 bilhão de toneladas de CO2 equivalente (CO2e), um valor 0,3% maior do que o 1,932 bilhão de toneladas verificado em 2017. Dados apresentados dia 06/10/19 em Recife, durante a 1ª Conferência Brasileira de Mudança do Clima.
As emissões decorrentes da alta de 8,5% no desmatamento da Amazônia no ano passado foram em parte compensadas por uma redução de cerca de 10% na destruição do Cerrado, o que fez as emissões por mudança de uso da terra crescerem 3,6%.
No setor de energia, registrou-se queda de 5% nas emissões, ocasionada por um aumento expressivo (13%) no uso de etanol no transporte de passageiros, pela adição obrigatória de biodiesel ao diesel e pelo incremento de renováveis na geração de eletricidade. Nessa área, houve também crescimento da energia eólica e aumento das chuvas, que fizeram o governo desligar termelétricas fósseis e acionar usinas hidrelétricas. Devido ao menor acionamento de usinas térmicas, as fontes não hídricas ultrapassaram as fósseis pela primeira vez e, em 2018, foram a segunda maior fonte de eletricidade para o país.
Já as emissões de agropecuária, processos industriais e resíduos tiveram pequenas variações: queda de 0,7% no primeiro setor e aumento de 1% nos outros dois.

Mesmo com a aparente boa notícia, o perfil das emissões brasileiras indica que o país, que é o sétimo maior poluidor climático do planeta, ainda não incorporou uma trajetória consistente de redução de emissões. “Manter as emissões brasileiras estáveis num mundo que continua aumentando as emissões é importante, mas não suficiente. O planeta precisa que as emissões sejam reduzidas com vigor nos próximos anos, e infelizmente nosso cenário de emissões para 2020 é de aumento”, afirmou Tasso Azevedo, coordenador-técnico do OC e coordenador do SEEG.
Nos dois anos anteriores (2016 e 2017), as emissões vinham em queda (0,4% em 2016 e 4,2% em 2017). Em 2019, elas deverão sofrer crescimento importante, devido à explosão no desmatamento na Amazônia e no Cerrado. “O desmatamento deste ano ainda não está capturado nesta estimativa”, salientou Azevedo.

O país não cumprirá a meta estabelecida para 2020 em sua lei nacional de clima de reduzir em 80% a taxa de desmatamento na Amazônia. Mesmo que todo o desmatamento parasse hoje, a elevação detectada pelo sistema de monitoramento do INPE nos últimos meses já nos coloca num patamar superior aos 3.925 km2 estabelecidos na lei. Com a meta de 2020 prejudicada, o país parte de uma posição pior para cumprir sua NDC, a meta do Acordo de Paris.
“Nós já vínhamos numa situação delicada antes do desmonte da governança ambiental brasileira promovido pelo governo atual”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do OC. “Em 2019, os planos de combate ao desmatamento na Amazônia e Cerrado foram engavetados e não temos nem mesmo um esboço de plano para a implementação da NDC, que deveria ocorrer a partir do ano que vem. Na verdade, até os órgãos que deveriam implantar a NDC foram extintos pela atual administração”.
O desmatamento, que respondeu por 44% de todo o carbono lançado na atmosfera pelo país em 2018, também causa distorções no perfil brasileiro de emissões: é em grande parte por causa das mudanças no uso da terra que o Brasil emite mais per capita do que a média mundial (9,3 toneladas brutas contra 7,2 toneladas em 2018). Um cidadão do Pará, estado campeão de emissões (e de desmatamento), emite quatro vezes mais do que um norte-americano.
A seguir, os destaques dos principais setores da economia na sétima edição do SEEG.
Agropecuária: O setor respondeu por 25% das emissões do Brasil em 2018, com 492 milhões de toneladas de CO2e. Trata-se de uma ligeira queda de 0,7% em relação a 2017, causada por uma redução no rebanho bovino, principal fonte de gases de efeito estufa do setor. Desde 2016, a agropecuária tem tido pequenas quedas nas suas emissões devido a variações de conjuntura. “O agro é um dos setores com maior potencial de aumentar sua ambição de corte de emissões e de aumento do sequestro de carbono com aumento de receita, mas ele vem reduzindo essas emissões em mais ou menos 1% ao ano. Estamos perdendo a oportunidade de um ganha-ganha entre redução de emissões, aumento de sequestro e aumento de produtividade”, observou Marina Piatto, coordenadora de Clima e Cadeias Agropecuárias do Imaflora.
Energia e processos industriais: O setor de energia, no qual são computadas as emissões por queima de combustíveis fósseis, foi o destaque positivo do SEEG 7, com uma queda de 5% em 2018 – para 408 milhões de toneladas de CO2e. Ele respondeu por 21% das emissões brasileiras. A queda foi causada por uma combinação de três fatores principais: o aumento do uso de biocombustíveis, em especial, o salto de 13% no uso de etanol nos transportes, com uma redução idêntica no consumo de gasolina; uma temporada de chuvas regular, o que reduziu o uso de termelétricas na matriz de eletricidade; e um aumento das renováveis, sobretudo, a eólica. “Pela primeira vez as fontes renováveis não hídricas se tornaram a segunda principal forma de gerar eletricidade no Brasil, superando as fontes fósseis”, afirmou Felipe Barcellos e Silva, analista de projetos do IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente).
Setor de processos industriais e uso de produtos, que reúne as emissões da indústria, teve em 2018 um aumento em seus gases-estufa de 1%, puxado pelo ligeiro reaquecimento da economia – de 99,9 MtCO2e para 101,2 MtCO2e. Ele responde por 5% das emissões nacionais.
Mudança de uso da Terra: Responsável por 44% das emissões do Brasil em 2018, o setor emitiu 845 milhões de toneladas de CO2e em 2018, um crescimento de 3,6% em relação às 816 milhões de toneladas do ano anterior. O desmatamento na Amazônia, que subiu 8,5%, puxou as emissões para cima, mas estas foram parcialmente compensadas por uma queda de 10,9% na taxa de desmatamento no Cerrado. “Esse aumento foi capitaneado pelo Pará, onde o desmatamento explodiu principalmente nas regiões da rodovia BR-163 e na Terra do Meio”, disse Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam.
Neste ano, o SEEG fez um ajuste em sua metodologia que mudou de forma significativa as emissões de uso da terra e acabou levando a alterações em toda a série histórica do SEEG. É que, no Terceiro Inventário Nacional de emissões, publicado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que fornecia o parâmetro de comparação ano a ano, as emissões por desmatamento da Mata Atlântica estavam superestimadas – de forma que, mesmo com uma taxa de desmatamento 98% menor do que a da Amazônia, o bioma ainda tinha emissões na casa das dezenas de milhões de toneladas de CO2 equivalente. Usando dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, publicado pela Fundação SOS Mata Atlântica, o SEEG recalculou as respectivas emissões desse bioma.

Resíduos: O setor responde por 5% das emissões do Brasil. Seu crescimento acompanha mais de perto o aumento da população e a urbanização. Em 2018, as emissões por resíduos cresceram 1,3%, com 91,9 milhões de tCO2e. “Historicamente, a principal contribuição de emissões do setor é decorrente da disposição resíduos sólidos em aterros sanitários, controlados e lixões. No entanto, observa-se uma contribuição cada vez mais significativa dos subsetores de tratamento de efluentes líquidos, tanto domésticos quanto industriais”, explicou Íris Coluna, assessora de projetos do ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade. “A busca pela universalização dos serviços de saneamento pode impactar significativamente o setor. Portanto, é importante se valer de soluções que também contribuam para reduzir emissões”.
Leia o relatório síntese AQUISEEG 2019

Sobre o Observatório do Clima: rede formada em 2002, composta por 47 organizações não governamentais e movimentos sociais. Atua para o progresso do diálogo, das políticas públicas e processos de tomada de decisão sobre mudanças climáticas no país e globalmente.
Site: www.observatoriodoclima.eco.br.
Sobre o SEEG: O Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa foi criado em 2012 para atender a uma determinação da PNMC (Política Nacional de Mudanças Climáticas). O decreto que regulamenta a PNMC estabeleceu que o país deveria produzir estimativas anuais de emissão, de forma a acompanhar a execução da política. O governo, porém, nunca as produziu. Os inventários nacionais, instrumentos fundamentais para conhecer em detalhe o perfil de emissões do país, são publicados apenas de cinco em cinco anos.
O SEEG (www.seeg.eco.br) foi a primeira iniciativa nacional de produção de estimativas anuais para toda a economia. Ele foi lançado em 2012 e incorporado ao Observatório do Clima em 2013. Hoje, em sua sétima coleção, é uma das maiores bases de dados nacionais sobre emissões de gases estufa, compreendendo as emissões brasileiras de cinco setores (Agropecuária, Energia, Mudança de Uso da Terra, Processos Industriais e Resíduos).
As estimativas são geradas segundo as diretrizes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), com base nos Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases do Efeito Estufa, do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).
Atuaram no SEEG 7 pesquisadores das ONGs: Ipam e Imazon (Mudança de Uso da Terra), Imaflora (Agropecuária), Iema (Energia e Processos Industriais) e ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade (Resíduos). (ecodebate)

A Terra teria déficit ambiental global mesmo sem os ricos

Pegada ecológica e déficit ambiental.
A economia é um subsistema da ecologia. Desta forma, a Pegada Ecológica gerada pela economia não pode ser maior do que a biocapacidade fornecida pela ecologia. Para manter a sustentabilidade e garantir o adequado padrão de vida da humanidade, sem degradar as condições ambientais, a Pegada Ecológica, no longo prazo, não pode ser maior do que a Biocapacidade do Planeta. Assim, é insustentável manter o crescimento da produção e consumo de bens e serviços acima da capacidade de carga do meio ambiente.
A Terra é um Planeta finito. Isto significa que os seres vivos possuem um espaço comum e delimitado para a sobrevivência conjunta. O crescimento exponencial de uma espécie provoca a redução do espaço para a vida de outras espécies, diminuindo a disponibilidade de solos e água potável.
Segundo a Global Footprint Network, a população mundial em 2016 era de 7,5 bilhões de habitantes, com uma pegada ecológica total de 20,6 bilhões de hectares globais (gha) e uma biocapacidade total de 12,2 bilhões de gha. A pegada ecológica per capita estava em 2,75 gha e uma biocapacidade per capita de 1,63 gha. Assim, a Terra tinha um déficit per capita de 1,12 gha (ou um déficit total de 8,2 bilhões de gha). Ou seja, para manter o consumo humano de 2016 seria necessário 1,69 planetas. Portanto, o nível das atividades antrópicas é insustentável em termos ecológicos. O Dia da Sobrecarga ocorreu em 5 de agosto em 2016 e no dia 29 de julho em 2019.
Mas a economia internacional é marcada por grandes desigualdades e, evidentemente, as pessoas mais ricas consomem mais e degradam mais o meio ambiente, ocorrendo o contrário com as pessoas mais pobres. A tabela abaixo mostra que a população mundial de baixa renda, em 2016, era de 927 milhões de pessoas e tinha uma pegada ecológica e uma biocapacidade per capita de 1,04 gha. Portanto, havia equilíbrio entre os dois indicadores e não havia nem déficit nem superávit ambiental. Neste nível de consumo, a pegada total (se todos os habitantes do globo consumissem neste nível) seria de apenas 0,64 planeta e haveria sustentabilidade ambiental.

Já a população de renda média-baixa, constituída de 2,8 bilhões de pessoas em 2016, tinha uma pegada ecológica per capita de 1,36 gha e uma biocapacidade per capita de 0,84 gha. Portanto, havia um déficit de 0,52 gha per capita ou um déficit de 1,5 bilhão de gha. Porém, o nível de consumo desta camada da população é baixo e se toda a população tivesse o mesmo nível da pegada ecológica per capita (1,36 gha) a pegada total seria de 10,1 bilhões de gha, o que daria somente 0,83 planetas e haveria sustentabilidade ambiental. Ou seja, um nível de consumo que representasse uma pegada ecológica per capita de até 1,63 gha seria compatível com a biocapacidade de 1,63 gha de 7,5 bilhões de habitantes.
As populações de baixa renda e de renda média-baixa, num total de 3,7 bilhões de habitantes, com pegada ecológica per capita abaixo da biocapacidade global per capita (1,63 gha) vivem dentro da sustentabilidade ambiental. Mas são pessoas que possuem muitas carências materiais e não possuem vidas sustentáveis em termos sociais.
Já as pessoas de renda média-alta e renda alta possuem melhor sustentabilidade social, mas não ambiental. A população de renda média-alta, constituída de 3,4 bilhões de pessoas em 2016, tinha uma pegada ecológica per capita de 3,41 gha e uma biocapacidade per capita de 2,26 gha.
Portanto, havia um déficit de 1,15 gha per capita ou um déficit de 3,1 bilhões de gha. Se toda a população tivesse o mesmo nível da pegada ecológica per capita (3,41 gha) a pegada total seria de 25,5 bilhões de gha, o que daria 2,09 planetas e não haveria sustentabilidade ambiental. Com uma pegada ecológica de 3,41 gha só haveria sustentabilidade na Terra se a população global fosse de 3,57 bilhões de habitantes em 2016. Isto é, para haver sustentabilidade em um quadro de consumo per capita mais alto seria preciso haver um volume populacional menor.
Entre a população de alta renda, constituída de 1,13 bilhão de habitantes em 2016, a pegada ecológica per capita era de 5,97 gha e a biocapacidade per capita era de 2,26 gha. Portanto, havia um déficit de 3,12 gha per capita ou um déficit de 3,6 bilhões de gha. Se toda a população tivesse o mesmo nível da pegada ecológica per capita (3,41 gha) a pegada total seria de 44,6 bilhões de gha, o que daria 3,7 planetas e não haveria o mínimo de sustentabilidade ambiental. Com uma pegada ecológica de 5,97 gha só haveria sustentabilidade na Terra se a população global fosse de 2 bilhões de habitantes em 2016.
O mundo teria déficit ambiental mesmo eliminando os países ricos.
Sem dúvida os ricos consumem muito e possuem alto impacto ambiental. Porém, mesmo se eliminássemos o 1,13 bilhão de habitantes de alta renda – com uma pegada ecológica total de 6,7 bilhões de gha em 2016 – o mundo continuaria com déficit ambiental, pois o restante dos 6,4 bilhões de habitantes teriam uma pegada ecológica total de 13,9 bilhões de gha, superior aos 12,2 bilhões de gha da Biocapacidade total do Planeta.
Desta forma, o quadro ambiental do mundo é mais grave do que simplesmente zerar o consumo dos ricos. Os cerca de 6 bilhões de habitantes de renda baixa e renda média já são suficientes para colocar a Terra no caminho do colapso ecológico. Os cálculos anteriores não tiram as responsabilidades dos países desenvolvidos como os maiores poluidores per capitas do Planeta. Apenas mostram a real dimensão dos problemas causados pela interação entre consumo e população.
É compreensível que as populações dos países pobres aspirem níveis mais elevados de desenvolvimento e consumo. Todavia, reproduzir o modelo dos países ricos e poluidores seria um desastre total para o meio ambiente. A luta por mais renda, educação, saúde, moradia, transporte, acesso à informação, lazer, etc., é justa. Porém, o aumento da pegada ecológica per capita só é viável com a diminuição do volume da população.
Hoje em dia, simplesmente distribuir a riqueza e o consumo humano não resolve os problemas ambientais globais. O consumo médio da população mundial já ultrapassou os níveis de sustentabilidade ambiental. Se a pegada ecológica de 2,75 gha de 2016 for completamente bem distribuída e todos os habitantes da Terra conseguirem um padrão médio e decente de consumo, mesmo assim haveria déficit ambiental com o atual número de habitantes. Para uma pegada ecológica per capita de 2,75 gha só haveria sustentabilidade ambiental com 4,4 bilhões de pessoas. Se a população for de 7,5 bilhões de habitantes então a pegada ecológica per capita tem que cair para 1,6 gha. Uma alternativa é ter uma população de 6 bilhões com pegada ecológica per capita de 2 gha.
Ou seja, no momento atual em que a humanidade já ultrapassou os limites da resiliência do Planeta há três alternativas:
1) diminuir muito o consumo;
2) diminuir muito a população; ou
3) diminuir um pouco o consumo e um pouco a população. O fato é que o decrescimento demoeconômico é o único caminho viável para se chegar à sustentabilidade ambiental.
Planejar o decrescimento para a sustentabilidade é a tarefa mais urgente para mitigar a crise climática e ambiental e para promover a regeneração dos ecossistemas. O que não dá é para manter o rumo atual de degradação ecológica e de emissão de gases de efeito estufa que provocam a aceleração do aquecimento global.
Seguir no modelo atual é promover um ecocídio e também um suicídio, pois sem ecologia não há maneira de manter a vida na Terra.
Humanidade esgotou todos os recursos disponíveis para 2019.
O Dia da Sobrecarga da Terra deste ano é o mais cedo de toda a série histórica.
O planeta entrou no “cheque especial” dos recursos naturais. (ecodebate)

domingo, 1 de dezembro de 2019

Cientistas alertam para a urgência em declarar emergência climática

O consenso científico sobre a ameaça da mudança climática está bem estabelecido, remontando a 40 anos da Primeira Conferência Mundial do Clima, realizada em Genebra em 1979. Nas décadas seguintes, participantes de assembleias semelhantes mencionaram a crescente ameaça de uma mudança climática e governos advertidos e outros órgãos de formulação de políticas para agir.
Escrevendo em BioScience, membros de uma coalizão mundial de cientistas argumentam que poucas ações foram tomadas. Citando o persistente fracasso da humanidade em reduzir as emissões de gases de efeito estufa, bem como a obrigação moral dos cientistas de “alertar claramente a humanidade sobre qualquer ameaça catastrófica”, um grupo liderado por William J. Ripple e Christopher Wolf, ambos da Oregon State University, assinou o “Aviso dos cientistas mundiais de uma emergência climática”, publicado ontem (5) na revista BioScience.
Com foco em ações futuras para reduzir os danos relacionados às mudanças climáticas, o artigo descreve indicadores gráficos, que eles descrevem como “sinais vitais”, relacionados às mudanças climáticas e áreas que exigem ação global imediata.
"A crise climática chegou e está acontecendo mais rápido do que a maioria dos cientistas esperava. Ela ameaça os ecossistemas e o destino da humanidade", diz artigo recente assinado por milhares de cientistas de diversos países.
Os autores explicam que, embora alguns indicadores relacionados às atividades humanas sejam amplamente positivos – como taxas de natalidade em declínio e aumento da utilização de combustíveis renováveis – a maioria não é. Em vez disso, eles apontam para “sinais profundamente perturbadores das atividades humanas”, como o aumento da população de gado, perda global de cobertura de árvores, maiores emissões de dióxido de carbono e assim por diante. Os autores esperam que esses “sinais vitais” possam ser usados pelos formuladores de políticas, pelo setor privado e pelo público para “entender a magnitude dessa crise, acompanhar o progresso e realinhar as prioridades para aliviar as mudanças climáticas”.
A consecução de tais objetivos exigirá “grandes transformações na maneira como nossa sociedade global funciona e interage com os ecossistemas naturais”, dizem os autores, e eles se concentram em seis objetivos principais: reforma do setor de energia, redução de poluentes de curta duração, restauração de ecossistemas, sistema alimentar otimização, o estabelecimento de uma economia livre de carbono e uma população humana estável.
Apesar das grandes preocupações e do trabalho significativo por vir, Ripple e colegas veem algum espaço para otimismo: “Somos encorajados por uma recente onda de preocupação. Órgãos governamentais estão fazendo declarações de emergência climática. Crianças em idade escolar estão em greve. Os processos de ecocídio estão em andamento nos tribunais. movimentos de cidadãos estão exigindo mudanças e muitos países, estados e províncias, cidades e empresas estão respondendo”. Tal ação rápida, dizem os autores, é nossa melhor esperança de “sustentar a vida no planeta Terra, nosso único lar”.
(ecodebate)

Desmatamento e degradação aumentam na Amazônia em setembro/2019

Desmatamento e degradação aumentam na Amazônia em setembro deste ano, aponta monitoramento do Imazon.
Desmatamento teve um crescimento de 80% e a degradação aumentou 787% na Amazônia Legal, em comparação a setembro de 2018. Pará lidera o ranking dos estados que mais desmataram.
De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, Imazon, em setembro deste ano, a Amazônia perdeu 802 km² de floresta. Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), sistema de monitoramento liderado por pesquisadores brasileiros. Esses dados mostram aumento de 80% em relação a setembro de 2018, quando foram detectados 444 km². O estado onde mais ocorreu desmatamento foi o Pará (53%), seguido de Rondônia (13%), Amazonas (11%), Acre (11%), Mato Grosso (10%) e Roraima (2%).
A degradação na Amazônia Legal também aumentou. Em setembro deste ano, 1.233 km² de floresta foram degradados, um valor 787% maior que setembro do ano passado, quando a área degradada foi de 139 km². O estado líder na degradação foi o Mato Grosso (55%), em seguida vem Pará (33%), Rondônia (6%), Acre (3%) e Amazonas (3%).
Desmatamento e degradação
O Imazon classifica desmatamento como o processo de realização do corte raso, que é a remoção completa da vegetação florestal. Na maioria das vezes, essa floresta é convertida em áreas de pasto. Já a degradação é caracterizada pela extração das árvores, normalmente para fins de comercialização da madeira. Outros exemplos de degradação são os incêndios florestais, que podem ser causados por queimadas controladas em áreas privadas para limpeza de pasto, por exemplo, mas que acabam atingindo a floresta e se alastrando.
Ranking do desmatamento
O município de Pacajá, localizado no sudeste do Pará, que não aparecia na lista dos municípios que mais desmatam, em setembro registrou a maior área de floresta desmatada: 45 km². São Félix do Xingu e Altamira, também no Pará, vem em seguida. Os dois municípios se mantiveram nas primeiras posições do ranking, em segundo e terceiro lugar respectivamente.
Do total do desmatamento, 14% foi registrado em Unidades de Conservação. As mais desmatadas foram Reserva Extrativista Chico Mendes (AC), Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu (PA) e Reserva Extrativista Jaci Paraná (RO). As Terras Indígenas também foram alvo do desmatamento. As que mais perderam área florestal foram Apyterewa, Cachoeira Seca do Iriri e Ituna/Itatá, todas no Pará.
SAD – O Sistema de Alerta de Desmatamento é uma ferramenta de monitoramento, baseada em imagens de satélites, desenvolvida pelo Imazon para reportar mensalmente o ritmo do desmatamento e da degradação florestal da Amazônia. Operando desde 2008, atualmente o SAD utiliza os satélites Landsat 7 (sensor ETM+), Landsat 8 (OLI), Sentinel 1A e 1B, e Sentinel 2A e 2b (MSI) com os quais é possível detectar desmatamentos a partir de 1 hectare mesmo sob condição de nuvens.
Imazon – O Imazon é um instituto nacional de pesquisa, sem fins lucrativos, composto por pesquisadores brasileiros, fundado em Belém há 29 anos. Através do sofisticado Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), a organização realiza, há mais de uma década, o trabalho de monitoramento e divulgação de dados sobre o desmatamento e degradação da Amazônia Legal, fornecendo mensalmente alertas independentes e transparentes para orientar mudanças de comportamento que resultem em reduções significativas da destruição das florestas em prol de um desenvolvimento sustentável.
Área desmatada em Altamira, no estado do Pará.
Acesse o boletim completo aqui.
Entenda mais sobre o SAD aqui. (ecodebate)

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Pesquisa avalia ocorrência de microplásticos no trato digestivo da sardinha

Aliada a outros fatores, exposição a microplásticos pode interferir no ciclo de vida da sardinha.
Um estudo produzido no curso de Oceanografia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) avaliou a presença de microplásticos no trato digestivo da sardinha-verdadeira e da sardinha laje, espécies provenientes das regiões sul e sudeste do país. Da amostra analisada, 81% apresentou fibra e fragmento no aparelho digestivo. Pesquisas indicam que aliados a outros fatores, esses poluentes podem interferir no ciclo de vida da sardinha, um dos recursos pesqueiros mais comercializados e consumidos no Brasil.
A pesquisa realizada pela acadêmica do curso de Oceanografia, Camila Hagelund, foi orientada pela professora Patrícia Fóes Scherer Costódio. A docente explica que a avaliação foi feita no trato digestivo (estômago e intestino) dos organismos, órgãos que em geral não são ingeridos pelas pessoas e, por isso, podem não afetar diretamente na alimentação. Mais importante do que isso, de acordo com Patrícia, é o impacto que esses microplásticos podem causar em toda a cadeia trófica, podendo ser tóxicos, ameaçando as espécies e a biodiversidade expostas a esses materiais.
As amostras de sardinha foram obtidas no Laboratório de Oceanografia Biológica, por meio do projeto do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Para quantificar o plástico nas sardinhas utilizou-se a metodologia de digestão do trato digestivo com o ácido hidróxico de potássio, seguido de filtração em filtro de fibra de vidro. Como resultado, foram encontrados 97 microplásticos de diferentes categorias, sendo 92,78% do tipo fibras e 7,21% do tipo fragmento. As áreas amostradas ocupam 2,2% do território nacional e abrangem parte dos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, formada por 464 municípios, com densidade demográfica cerca de três vezes maior do que a média brasileira. Houve maior quantidade de microplásticos nas espécies coletadas na área localizada mais próxima da costa do que na região mais distante, o que segundo as pesquisadoras reflete a influência da ação do ser humano para o ambiente marinho.
“Há poucos trabalhos publicados no Brasil sobre a ocorrência de microplástico nos estômagos de peixes de interesse comercial”. Artigos internacionais e nacionais indicam a interferência desta ingestão, nos aspectos de ciclo de vida de diferentes organismos. “Como a sardinha é um organismo filtrador, alimenta-se exclusivamente de plâncton, está mais sujeita à ingestão acidental destas partículas”, afirma a professora-orientadora.
Encontrado microplástico no estômago do charuto. Porcaria estava em 81% de peixes coletados em Santa Catarina e outros três estados.
O mais popular dos peixes da região não escapou da poluição provocada pelos seres humanos. (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...