sexta-feira, 25 de junho de 2021

Desmatamento causado por mineração ilegal aumenta 90% entre 2017 e 2020

Amazônia – Desmatamento causado por mineração ilegal aumenta 90% entre 2017 e 2020.

Mineração clandestina, em especial de ouro, contamina rios, afeta vida aquática e traz riscos à saúde das comunidades ribeirinhas e populações indígenas.
A taxa de desmatamento ilegal em áreas de mineração aumentou mais de 90% na Amazônia entre 2017 e 2020, revela artigo escrito por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da USP e publicado na revista Mudança Ambiental Regional.

De acordo com o trabalho, o avanço da mineração clandestina, especialmente de ouro, além de desmatar áreas de floresta que não são recuperadas, contamina os rios próximos, afeta a vida aquática e causa riscos à saúde das comunidades ribeirinhas e populações indígenas. Os pesquisadores recomendam o rastreio da produção mineral por meio de certificação, ações locais e nacionais para controle do desmatamento, e alertam para os riscos da simplificação da legislação ambiental.

“O artigo procura entender tendências de avanço no desmatamento da mineração nos últimos anos, analisando tanto as taxas anuais em áreas de mineração industrial como alertas anuais de desmatamento resultantes de mineração ilegal”, conta a pesquisadora Juliana Siqueira-Gay, uma das autoras do artigo. O trabalho é parte de uma pesquisa de doutorado que busca investigar os impactos da mineração das florestas. “Os motivos que influenciam no aumento da mineração ilegal, principalmente de ouro, vão desde fatores globais, como a demanda global pelo metal, a fatores locais, como incentivos para expansão das atividades garimpeiras.”

O artigo aponta que a taxa de desmatamento ilegal cresceu mais de 90% de 2017 a 2020, atingindo mais de 100 km² no ano de 2020 em comparação com 52 km² em 2017. “A mineração ilegal opera sem compromissos ou regulações ambientais, portanto, não há responsabilização pelos danos causados por essas atividades. O desmatamento e degradação florestal resultantes dessas atividades ocorrem desenfreadamente, sem qualquer comprometimento com a recuperação das áreas afetadas”, relata Juliana. “Além da perda de floresta em si, corpos d’água são contaminados, afetando a vida aquática e ameaçando a saúde de comunidades ribeirinhas e povos indígenas que vivem nas proximidades dessas áreas.”

De acordo com a pesquisadora, para a implantação e operação de projetos de mineração industrial são necessárias licenças ambientais, para as quais são elaborados estudos e são propostas medidas mitigadoras para os impactos significativos. “Dessa forma, busca-se evitar, minimizar e compensar os impactos resultantes dessas atividades”, relata. As licenças são emitidas pelo órgão ambiental responsável que faz o acompanhamento do processo de licenciamento”, relata.

Legislação ambiental

“Atualmente há uma tendência de simplificação da legislação ambiental que vai justamente na contramão de todas as necessidades atuais de devida avaliação das consequências ambientais dos projetos”, alerta Juliana. “A discussão no Congresso do Projeto de Lei 3729, que propõe o fim do licenciamento ambiental, é uma das tentativas de extinguir um dos principais instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente.”

O artigo propõe dois caminhos para o controle do desmatamento decorrente da mineração ilegal, explica a pesquisadora. “Primeiramente, evidenciamos a necessidade de rastreamento do ouro por meio de esquemas de certificação. A rastreabilidade permite que a origem do ouro seja certificada e apenas ouro produzido de forma lícita seja comercializado”, destaca. “Assim, a pressão de compradores para consumo de produtos que tenham sido produzidos de acordo com padrões sociais e ambientais tem potencial de minimizar e coibir o comércio de ouro originado de garimpos ilegais”.
Área de garimpo antigo abandonada no Jari.

Além das iniciativas relacionadas especificamente ao comércio de ouro, estratégias locais e nacionais para controle do desmatamento precisam ser fortalecidas. “Estas estratégias, como a criação e manejo de áreas protegidas bem como criação e implementação de instrumentos regulatórios, têm papel fundamental para controle do desmatamento na Amazônia”, conclui a pesquisadora.

Juliana relata que, embora o artigo trate da Amazônia brasileira como um todo, para a pesquisa de doutorado houve visitas em área ameaçada pela mineração ilegal na região do Jari, nos Estados do Amapá e do Pará. “Apesar dos locais de mineração visitados não estarem ativos, o Jari é uma região com altíssimos valores de biodiversidade e com diversas áreas protegidas que permanecem ameaçadas caso a mineração avance na região”, afirma.

O artigo foi elaborado por Juliana Siqueira-Gay, doutoranda do Programa de Pós-Graduação de Engenharia Mineral da Poli, com supervisão do professor Luis Enrique Sánchez, do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Poli. (ecodebate)

Incêndios florestais desencadeiam impactos em cascata nas bacias hidrográficas

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Novo México descobriu que os incêndios florestais – que têm aumentado em frequência, gravidade e extensão ao redor do mundo – são um dos maiores causadores de danos aquáticos no oeste dos Estados Unidos, ameaçando o abastecimento de água.

A pesquisa, “Wildfires increasingly impact western US fluvial networks”, foi publicada recentemente na Nature Communications. Os autores incluem os ex-alunos de graduação da UNM Grady Ball (agora no Serviço Geológico dos EUA) e Justin Reale (agora no Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA); ex-pesquisador de pós-doutorado Peter Regier (agora no Pacific Northwest National Laboratory); professor associado Ricardo González-Pinzón (Departamento de Engenharia Civil, Construtiva e Ambiental) e professor assistente de pesquisa David Van Horn (Departamento de Biologia).

O estudo descobriu que cerca de 6% do comprimento de todos os riachos e rios no oeste dos EUA foram diretamente afetados por distúrbios de incêndios florestais (definidos por estarem localizados em áreas queimadas) entre 1984 e 2014, e que a cada ano existem cerca de 342 novos quilômetros deles diretamente afetados.

Quando os pesquisadores contabilizaram a propagação longitudinal dos distúrbios da qualidade da água dentro e através das bacias hidrográficas, estimou-se que os incêndios florestais afetam cerca de 11% do total do riacho e do comprimento do rio.

Os autores disseram que há poucos estudos sobre o impacto dos incêndios florestais nas redes fluviais (bacias hidrográficas), então este estudo é significativo porque foi a primeira análise em grande escala a utilizar o sensoriamento remoto do perímetro e severidade das queimadas, qualidade da água in-situ monitoramento e modelagem longitudinal para determinar estimativas do comprimento do riacho e do rio impactado por incêndios florestais em escala continental.

Embora o impacto direto de incêndios florestais em lugares como a Califórnia tenha sido amplamente relatado, particularmente em termos de vidas e estruturas perdidas (a temporada de incêndios florestais de 2018 na Califórnia custou 100 vidas, danificou 24.000 estruturas e resultou em US $ 2 bilhões em indenizações de seguros, relata o estudo), os impactos diretos e prolongados dos incêndios florestais não foram totalmente quantificados.

O estudo alerta que há evidências crescentes de que incêndios florestais desencadeiam impactos em cascata nas redes de rios. Embora os incêndios florestais não sejam especificamente mencionados na Avaliação de Água Limpa da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, os distúrbios dos incêndios florestais contribuem para pelo menos 10 dos 20 distúrbios mais críticos listados na avaliação, como sedimentos elevados, enriquecimento de nutrientes, enriquecimento orgânico e esgotamento de oxigênio, elevado temperatura, concentrações elevadas de metal, alterações de habitat, turbidez elevada, alterações de fluxo, salinidade elevada e / ou sólidos dissolvidos totais e alterações de pH e condutividade. Como as bacias hidrográficas florestais fornecem água potável para cerca de dois terços das pessoas que vivem no oeste dos Estados Unidos, o impacto é enorme, tanto em termos econômicos quanto de segurança hídrica.

Os autores apontam que os incêndios florestais impactam o fluxo e a qualidade da água, pois se originam nas encostas e causam diminuição da capacidade de infiltração e recarga das águas subterrâneas, redução drástica da capacidade de crescimento da vegetação em terrenos impactados e maior frequência de deslizamentos e avalanches. Além disso, substâncias perigosas, incluindo metais em níveis que excedem os padrões de água potável da Organização Mundial da Saúde, são encontradas em águas superficiais muito depois que os incêndios florestais são extintos.

Van Horn disse que uma das motivações para este estudo foi testemunhar os impactos do incêndio florestal de Las Conchas em 2011, o segundo maior incêndio florestal da história do Novo México, resultando em inundações rápidas e massivas na área queimada e uma diminuição mensurável na qualidade da água do Rio Grande, perto do local queimado, centenas de quilômetros à jusante.

Houve uma diminuição dramática do oxigênio na água, bem como o transporte de grandes quantidades de cinzas e sedimentos que forçou a paralisação de dois meses da única tomada de água superficial da cidade de Albuquerque, que fornece cerca de 70% da água potável para a área.

Em um futuro próximo, sua equipe se concentrará na criação de equipes de resposta rápida que possam conduzir pesquisas com segurança, sob demanda, logo após os incêndios florestais serem contidos. Essa pesquisa se concentrará em responder até que ponto à jusante os distúrbios de incêndios florestais podem se propagar nas redes fluviais e quais são os principais fatores de controle. Devido às mudanças climáticas e às práticas atuais de manejo florestal, que permitiram que os combustíveis se acumulassem em vez de queimar naturalmente em incêndios menores, os incêndios florestais só devem piorar no futuro.

O estudo recomenda alguns itens de ação que podem ser realizados para mitigar os efeitos:

Investir financiamento na preparação e prontidão para o incêndio. Eles aconselham que os impactos de incêndios florestais em riachos e rios precisam ser priorizados para financiamento local, estadual, federal e internacional e ser incluídos como um componente dos planos de preparação para incêndios florestais. Uma vez que os incêndios florestais se comportam de maneira imprevisível e evoluem rapidamente, equipes de resposta rápida precisam ser estabelecidas e financiadas para lidar de forma adequada com as questões de bacias hidrográficas após os incêndios.

Aumentar o foco na captura do comportamento longitudinal. Mais recursos devem ser dedicados à questão da propagação à jusante dos impactos dos incêndios florestais. Pesquisas adicionais são necessárias, especialmente para o que a equipe chama de abordagens de monitoramento ‘dinâmicas’ que se concentram na coleta de dados longitudinais que complementam as estratégias tradicionais de monitoramento ecológico estacionário.

Incorporar dados de alta frequência no monitoramento ambiental. Como os distúrbios da qualidade da água relacionados aos incêndios florestais ocorrem rapidamente e por um curto período, dados de alta resolução e em tempo real são essenciais. A equipe aconselha o uso de ferramentas de alta tecnologia para monitoramento aquático, sensores e aprendizado de máquina entre os métodos que podem coletar e interpretar dados de alta frequência quase em tempo real.

O financiamento para este estudo foi fornecido pela National Science Foundation e pelo Modelo de Operações Hídricas do Alto Rio Grande do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA. (ecodebate)

Poluentes degradáveis se infiltram rapidamente na água subterrânea

Todo o ecossistema do planeta, incluindo os humanos, depende de água limpa. Quando a rocha carbonática sofre erosão, áreas cársticas são formadas, das quais cerca de um quarto da população mundial obtém sua água potável.

Os cientistas têm estudado a rapidez com que os poluentes podem chegar ao abastecimento de água subterrânea em áreas cársticas e como isso pode afetar a qualidade da água potável. Uma equipe internacional liderada pelo Professor Júnior Dr. Andreas Hartmann, da Cadeira de Modelagem Hidrológica e Recursos Hídricos da Universidade de Freiburg, comparou o tempo que a água leva para escoar da superfície para a subsolo com o tempo que leva para os poluentes se decomporem em regiões de rochas carbonáticas na Europa, Norte da África e Oriente Médio. Os pesquisadores publicaram seus resultados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

As aplicações anteriores de modelos hidrológicos continentais ou globais enfocaram principalmente a ocorrência de enchentes ou secas e a disponibilidade geral de água potável. No entanto, os cientistas têm negligenciado predominantemente a qualidade da água como um fator importante para a potabilidade da água nessas grandes escalas, em particular a rapidez com que os poluentes podem vazar da superfície da terra para o lençol freático através de rachaduras ou fissuras.

Os resultados da pesquisa atual de Hartmann e sua equipe mostram que em regiões cársticas, que são caracterizadas por um aumento na ocorrência de rachaduras ou fissuras, o risco de poluição por poluentes degradáveis como pesticidas, produtos farmacêuticos ou patógenos é significativamente maior do que o esperado anteriormente. Embora os poluentes sejam considerados de curta duração, até 50% deles ainda podem atingir as águas subterrâneas, dependendo do período de sua decomposição. A principal razão para isso, mostram os pesquisadores, são as vias de infiltração rápidas que permitem que grandes quantidades de água infiltrada atinjam as águas subterrâneas em um curto período.

Particularmente em regiões com solos finos, como a região do Mediterrâneo, os poluentes na superfície podem se infiltrar rapidamente e em altas concentrações na subsolo durante grandes eventos de chuva.

Os pesquisadores de Hartmann demonstraram as consequências usando o exemplo do pesticida degradável Glyphosate. De acordo com seus cálculos, o transporte rápido de glifosato para as águas subterrâneas pode fazer com que exceda seus valores permissivos por um fator de até 19.

O aumento do risco de poluição da água potável ou dos ecossistemas que dependem das águas subterrâneas é particularmente relevante para regiões onde a agricultura depende de fertilizantes degradáveis e pesticidas.

Esta pesquisa foi financiada pelo Programa Emmy Noether da Fundação Alemã de Pesquisa (DFG) no âmbito do projeto de Andreas Hartmann “Avaliação Global do Estresse Hídrico em Regiões Cársticas em um Mundo em Mudança”. (ecodebate)

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Telhados brancos e áreas verdes atenuam os efeitos de calor em cidades

Telhados brancos e áreas verdes atenuam os efeitos das ondas de calor nas cidades.
Um estudo do ICTA-UAB avalia a eficácia de diferentes soluções urbanas para reduzir a temperatura na Área Metropolitana de Barcelona.

A frequência e a intensidade das ondas de calor nas cidades estão aumentando devido às mudanças climáticas, com grande impacto negativo na saúde e nas taxas de mortalidade da população.

Atividades antrópicas e materiais urbanos afetam o acúmulo de calor nas cidades, e a radiação solar armazenada ao longo do dia no asfalto e edifícios é liberada lentamente durante a noite, gerando um estresse térmico significativo. Para enfrentar esse problema crescente, as cidades devem estabelecer estratégias eficazes de mitigação que permitam reduzir a temperatura durante as ondas de calor.

Estudo realizado por pesquisadores do Institut de Ciència i Tecnologia Ambientals da Universitat Autònoma de Barcelona (ICTA-UAB) avalia a eficácia de soluções como a criação de coberturas cool (brancas) nas edificações e a ampliação de áreas verdes urbanas na Área Metropolitana de Barcelona (AMB). Os resultados, recentemente publicados na revista científica Urban Climate, mostram que a aplicação combinada dessas duas estratégias permitiria atingir os maiores índices de redução de temperatura durante esses episódios de verão.

Para a realização do estudo, os pesquisadores utilizaram um modelo meteorológico que incluiu onze diferentes tipologias de áreas urbanas da AMB e simularam a onda de calor registrada em julho de 2015, quando as temperaturas diurnas atingiam entre 35ºC e 40ºC e as noturnas ultrapassavam 25ºC.

O estudo simulou diferentes cenários de mitigação com base em soluções como a criação de coberturas frias em edifícios residenciais e industriais, ou o aumento de áreas verdes de acordo com as metas estabelecidas pelo Plano Diretor Urbano (PDU) da AMB. Os telhados frescos podem ser obtidos pintando os telhados de branco para aumentar o albedo, ou seja, a porcentagem de radiação que reflete da superfície e que não é absorvida pela construção. Por sua vez, o PDU prevê a adição de 6 parques urbanos e áreas verdes com um total de 255,64 ha até 2030, o que significa aumentar a vegetação de 32,54% para 35,92%.

Os quatro cenários analisaram os efeitos do aumento do albedo de certos telhados para 0,85 pintando-os de branco, de preferência telhados planos e acessíveis; aumentar as áreas verdes urbanas com uma rega diária de 2 l/m2, e com uma rega superior de 5 l/m2. O último cenário combinou a opção de telhados frios com a criação de áreas verdes adicionais com irrigação de 5 l/m2.

Os resultados mostram que o cenário que combina as duas estratégias é o de maior impacto, com redução média da temperatura de 1,26ºC. A redução chega a 4,73ºC durante o dia (às 15h) e a 1,88ºC à noite (21h). Essa diminuição do calor também tem efeitos positivos no consumo de energia, com gastos 26% menores com ar-condicionado.

O primeiro cenário com telhados frios permite que a temperatura média seja reduzida em 0,67ºC, mas é mais eficaz durante o dia, atingindo uma redução máxima de 3,83ºC às 15h00, em comparação com a redução máxima de 1,63ºC à noite (7h). A estratégia de aumentar as áreas verdes reduz a temperatura em menor grau, embora ofereça melhores resultados no cenário com maior irrigação (diminuição de 0,15ºC em média para irrigação de 2 l/m2, comparada a uma diminuição de 0,61ºC no cenário com rega de 5 l/m2). “Vimos que quando a irrigação é aumentada, a redução da temperatura diurna melhora notavelmente graças ao efeito de resfriamento causado pela evapotranspiração”, diz Joan Gilabert, principal autora do estudo.

Apesar da redução da temperatura em todos os cenários estudados, a regulação térmica resultante da combinação das duas estratégias (telhados brancos e áreas verdes) é a de maior impacto.

“Combina os benefícios da redução da temperatura noturna devido a mais áreas verdes urbanas, com a redução do calor diurno devido ao aumento do albedo e da irrigação, amenizando os efeitos das ondas de calor em um período de 24 horas”, explica Sergi Ventura, coautor do estudo. Ele acrescenta que os telhados brancos reduzem a temperatura nas áreas centrais e urbanas mais densas, enquanto os parques ajudam a reduzir o calor nas áreas mais próximas.

Este estudo exemplifica como esses esforços de modelagem urbana podem ajudar os tomadores de decisão em nível de cidade na melhor estratégia de planejamento urbano para neutralizar os impactos das ondas de calor, que devem aumentar devido às mudanças climáticas globais e à intensificação das taxas de urbanização. (ecodebate)

Maior iceberg do mundo se solta na Antártida e equivale a 3 cidades de SP

Maior iceberg do mundo se solta na Antártida e equivale a 3 cidades de São Paulo/SP.

O gigantesco bloco de gelo A-76, que flutua no Mar de Weddell, tem uma área de 4.320 km2; já a capital paulista tem aproximadamente 1.521 km².

O iceberg A-76 é o maior do mundo e mede cerca de 4320 km2; ele se soltou de sua plataforma de gelo na Antártida.

Um bloco de gelo gigante se deslocou de sua plataforma e tornou-se o maior iceberg do mundo agora que está flutuando no Mar de Weddell, na Antártida. O acontecimento foi divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA) em 19/05/21.

Chamado de A-76, o iceberg tem três vezes o tamanho da cidade de São Paulo, com cerca de 170 quilômetros de comprimento, 25 quilômetros de largura e uma área de 4.320 km2.  A capital paulista tem aproximadamente 1.521 km².

A-76 ultrapassou o gigante antecessor, A-23A, que tem aproximadamente 3,8 mil km² e também fica no Mar de Wenddell. O 2º maior iceberg partiu da plataforma de gelo Filchner-Ronne em setembro/1986 e encalhou no sul de Weddell em novembro/1991.

Segundo a Agência France-Presse (AFP), o mais novo iceberg se separou do lado oeste, também da plataforma Filchner-Ronne, e foi originalmente localizado pelo órgão britânico de pesquisa British Antarctic Survey (BAS).

Fotos do atual maior iceberg foram captadas pela missão Sentinel-1, do programa de observação Copernicus, da ESA. A empreitada consiste em dois satélites de órbita polar que dependem de imagens de radar para retornar dados de dia e de noite, permitindo visualização durante todo o ano.

De acordo com a CNN, os cientistas não estão atribuindo o deslocamento do iceberg A-76 às mudanças climáticas e acreditam que o fenômeno faz parte do ciclo natural de formação de blocos de gelo na região.

O iceberg A-23A, que costumava ser o maior do mundo, partiu da plataforma de gelo Filchner em setembro de 1986 e encalhou no sul do mar de Weddell em novembro de 1991.

Após o derretimento, A-76 não vai elevar o aumento do nível do mar, justamente por ter feito parte de uma plataforma de gelo flutuante. O processo lembra o que ocorre com um cubo de gelo quando ele derrete e não aumenta o nível do copo.

Acontece que icebergs como A-76 são diferentes de geleiras ou mantos de gelo, que se encontram em terra e elevam o nível do mar quando quebram ou derretem. Se todo manto congelado da Antártida derreter, a estimativa é que esse nível possa aumentar em cerca de 58 metros.

Isso preocupa os cientistas, já que algumas plataformas de gelo ao longo da península Antártica sofreram rápida desintegração nos últimos anos, um fenômeno atrelado ao aquecimento global, de acordo com o centro de estudos polares US National Snow & Ice Data Center.

Maior Iceberg do mundo se desprende na Antártica.

Desde o século 19, a temperatura média da superfície da Terra aumentou 1ºC, o que fez com que crescesse o número de secas, ondas de calor e ciclones tropicais. No continente antártico, o ar aqueceu mais que o dobro nesse mesmo período, segundo a agência AFP. (revistagalileu.globo)

Gigantes do agro compram "soja pirata" que acelera desmatamento

Gigantes do agro compram "soja pirata" que acelera desmatamento da Amazônia.
De um lado regras rígidas blindam a Amazônia contra o avanço da soja, por outro, imagens de satélite e documentos mostram uma realidade diferente: uma floresta que segue sendo destruída pela a demanda global do grão e com a participação de gigantes do agronegócio.

É o que revela uma investigação conjunta da Repórter Brasil, do Bureau of Investigative Journalism e do Unearthed, que descobriu que três multinacionais compraram soja de revendedoras que foram abastecidas por uma produtora rural multada em R$ 12 milhões por desmatar e incendiar a floresta amazônica. Trata-se da sojeira Alexandra Aparecida Perinoto, de Marcelândia/MT, que vendeu para a chinesa Fiagril e para a russa Aliança Agrícola do Cerrado – duas intermediárias que, por sua vez, forneceram para as gigantes Cargill, Bunge e Cofco.

Usando imagens de satélite, registros de fiscalização e outras evidências, a investigação descobriu como a soja foi plantada ilegalmente por Perinoto em terras embargadas pelo IBAMA por terem sido desmatadas – o que é proibido segundo a legislação ambiental. As descobertas expõem como a soja "pirata" – plantada de forma irregular e ligada ao desmatamento da Amazônia – pode entrar em cadeias de abastecimento internacionais supostamente "limpas", apesar da existência da Moratória da Soja, mecanismo criado em 2006 para deter a destruição da floresta amazônica.

Assinada por todas as principais empresas do agronegócio, incluindo Fiagril, Aliança, Cargill, Bunge e Cofco, a moratória proíbe a compra ou exportação do grão cultivado em áreas na Amazônia que foram desmatadas depois de julho/2008. Estima-se que o acordo tenha evitado, em dez anos, o desmatamento de cerca de 1,8 milhão de hectares – o equivalente a quase a extensão de Israel.

Contudo, nossa investigação revela brechas no sistema de monitoramento da moratória, que permite que as empresas continuem comprando soja de agricultores ligados ao desmatamento ilegal. Satélites detectaram uma série de grandes incêndios, ocorridos em junho do ano passado, em uma faixa de terra usada para plantação de soja e para a pecuária nas fazendas de Perinoto. Imagens mostram fumaça e chamas destruindo a vegetação.

Não foi a primeira vez. Além das queimadas, pelo menos 1.500 hectares de suas propriedades foram embargados em abril de 2019 pelo IBAMA, após terem sido desmatados ilegalmente. Os embargos proíbem atividades econômicas na área – uma forma de punir os desmatadores e possibilitar a recuperação da mata nativa.

Perinoto também foi alvo de outro embargo, desta vez do órgão ambiental estadual (Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso), aplicado em 2016. Somadas, as multas da sojeira totalizam R$ 12 milhões.

Usando a análise de satélite da plataforma de dados ambientais MapBiomas, a Repórter Brasil flagrou a soja sendo cultivada ilegalmente nesta porção de terra em 2018 e 2019, violando os embargos.

Além disso, Perinoto está em uma lista da Moratória da Soja que reúne fornecedores acusados de desmatamento ilegal, divulgada a empresas do setor para ajudar os comerciantes a evitar a compra da 'soja pirata'. A relação é compilada anualmente por órgãos da indústria e pelo Greenpeace, que foi fundamental para estabelecer a moratória em 2006.

Apesar disso, o Bureau apurou que a soja produzida por Perinoto entrou nas cadeias de abastecimento de pelo menos duas grandes empresas: Fiagril e Aliança, que compraram quantidades significativas de Perinoto em 2019.
No caso de Perinoto, suas fazendas formam uma teia complexa de registros de terras, divididas em três propriedades separadas, que ficam a menos de 20 km uma da outra. As fazendas estão registradas em nome de Alexandra Perinoto e de seus 3 filhos. Como nem todas as fazendas da sojeira estão embargadas, a soja é plantada em uma área "suja", mas pode ser vendida pela fazenda "limpa". Um dos mecanismos usados por desmatadores para burlar a moratória, conhecido como "triangulação da soja", ou "lavagem da soja".

Uma das brechas do sistema de monitoramento da Moratória da Soja é considerar somente a propriedade rural onde o desmatamento ocorreu, ignorando, por exemplo, fazendas vizinhas do mesmo proprietário. Especialistas e ativistas dizem que esta situação deixa a porta aberta para a "lavagem da soja".

Procurada, Alexandra Perinoto se recusou a responder as perguntas. "Não tenho nada a declarar. O que você publicar vai ter que provar", disse a fazendeira por telefone.

A Aliança não negou ter comprado o grão de Perinoto e afirmou que passa, regularmente, por auditoria independente. "Não há fatos ou decisões oficiais que mencionem, conectem ou de qualquer outra forma se refiram à Aliança em quaisquer violações ambientais". A empresa disse ainda que "negócios fora do controle da Aliança permanecem sob a responsabilidade exclusiva do agricultor/produtor".

A Fiagril disse que "não adquiriu soja de áreas proibidas devido a danos ambientais", mas não negou ter comprado da desmatadora. E acrescentou que "em fevereiro/2021, após auditoria da safra 2019/20, a Fiagril recebeu declaração oficial assinada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (Abiove) e Greenpeace atestando o cumprimento integral da moratória da soja".

O Greenpeace disse, no entanto, que a afirmação da Fiagril é imprecisa, já que a auditoria da safra 2019/2020 foi "incompleta e inconclusiva" e solicitou mais informações aos comerciantes. "As conclusões desta investigação ligando a Fiagril à soja potencialmente ilegal são extremamente preocupantes e iremos garantir que sejam investigadas e que sejam tomadas as medidas adequadas", afirmou a organização.

O Greenpeace reconheceu que o sistema de monitoramento da moratória "não é perfeito" e que está "pressionando por melhorias, incluindo maior transparência e escrutínio adequado de fornecedores indiretos e estratégias para evitar a triangulação da soja".

Da floresta desmatada para o mundo

O consórcio investigativo analisou documentos de transporte e dados de comércio internacional e averiguou que a Fiagril e a Aliança exportaram pelo menos 2,5 milhões de toneladas de soja brasileira desde agosto/2015.

Registros obtidos pelo Bureau mostram que a Bunge comprou soja da Fiagril, enquanto a Cargill e Cofco adquiriram da Aliança. As revendas para as três gigantes ocorreram após as duas empresas terem negociado o grão com Perinoto em 2019, segundo documentos obtidos pelo Bureau.

Procurada, a Bunge informou que não compra soja da Aliança desde 2017 e que a Fiagril não fornecia soja de Marcelândia. "Como signatária da Moratória da Soja na Amazônia, as compras da Fiagril são auditadas por entidades independentes", disse a empresa sobre uma de suas fornecedoras.

A Cargill disse que não comprou soja "diretamente" de Perinoto, mas, mesmo assim, afirmou que irá investigar Fiagril e Aliança do Cerrado. "Temos mantido firmemente a Moratória da Soja Brasileira na Amazônia desde 2006. Vamos investigar Fiagril e Aliança do Cerrado de acordo com nosso processo de reclamação da soja".

A Cofco afirmou que realiza auditorias internas mensais, "bem como auditorias externas anuais sobre o cumprimento da Moratória por parte dos fornecedores. A auditoria de 2019 confirmou que todos os nossos fornecedores cumpriram os requisitos da Moratória na temporada passada". (biodieselbr)

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Adaptação às mudanças climáticas requer novos cultivares

Segurança alimentar global: adaptação às mudanças climáticas requer novos cultivares.
As reduções de rendimento induzidas pelas mudanças climáticas podem ser compensadas pela adaptação de cultivares e a produção global pode até ser aumentada.

A agricultura global é um dos principais motores das mudanças climáticas e é fortemente afetada por ela. O aumento das temperaturas está entre as principais razões para as reduções de rendimento. Portanto, o setor agrícola se depara com o grande desafio de se adaptar às mudanças climáticas para garantir a segurança alimentar no futuro.

De acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores internacionais, o uso de cultivares adaptadas localmente pode contribuir significativamente para atingir esse objetivo. O estudo foi liderado pelo geógrafo da LMU, Dr. Florian Zabel.

Para quatro cenários climáticos diferentes, ele e seus colegas simularam os impactos das mudanças climáticas na produção global de milho, arroz, soja e trigo e investigaram como os cultivares adaptados localmente afetariam os rendimentos das colheitas. Assim, os cenários representam diferentes trajetórias socioeconômicas que resultam em aumentos de temperatura entre 1,4° e 3,9°C na média global.

“Nossos resultados mostram que, pelo menos sob aquecimento moderado, poderíamos geralmente nos adaptar bem às mudanças climáticas e até mesmo aumentar a produtividade global em quase 20% até o final do século. Assim, o aumento do CO2 atmosférico atribui em parte ao aumento da produtividade de algumas culturas, devido aos efeitos positivos na eficiência da fotossíntese”, diz Zabel.

O forte aquecimento ameaça adaptação

Se o aquecimento global pode ser restrito a menos de 1,5°C, conforme especificado nos Acordos de Paris, as simulações sugerem que 85% da área agrícola global pode ser cultivada de forma otimizada com cultivares já disponíveis.

Quanto mais forte o aquecimento, mais novas cultivares serão necessárias e maior o risco de que as cultivares adaptadas localmente necessárias que podem lidar com as condições locais alteradas não estejam disponíveis.

“Na pior das hipóteses, quase 40% das terras agrícolas globais podem exigir novos cultivares, dos quais alguns precisam ter características que atualmente não existem”, diz Zabel. Desse modo, um ponto crítico é que isso afeta até mesmo regiões de produção globalmente importantes, como o Cinturão do Milho (Corn Belt) da América do Norte, a região mais importante do mundo para a produção de milho.

“Além disso, existem algumas regiões onde a adaptação de cultivares não será possível, por exemplo, devido a uma mudança na precipitação futura e possíveis secas”, diz Zabel. As simulações consideram os efeitos locais e regionais das mudanças climáticas e, portanto, permitem identificar regiões onde os cultivares adaptados localmente podem ser particularmente benéficos para a produtividade. Isso inclui grandes áreas da Europa, China e Rússia. No entanto, em outras partes do mundo – incluindo Turquia, Nordeste do Brasil, Texas, Quênia e partes da Índia – está previsto que os cultivares adaptados tenham pouco ou nenhum efeito na produtividade, devido à redução da água disponível para as plantações.

Métodos de criação inovadores e mais eficientes oferecem uma solução possível. “As abordagens convencionais de melhoramento geralmente levam anos”, Zabel ressalta. “Novos métodos, como o CRISPR-Cas, podem ajudar a desenvolver os cultivares necessários que são especificamente adaptados às condições locais de forma mais rápida e direcionada”, acrescenta Zabel.

O estudo foi publicado na revista Global Change Biology. Além dos autores baseados na LMU, pesquisadores do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, da Universidade Técnica de Munique (TUM), do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, da Universidade de Columbia na cidade de Nova York (EUA), da Universidade de Chicago (EUA), a Université de Liège (Bélgica), o Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (Áustria), a China Agricultural University em Pequim, a Universidade de Birmingham (Reino Unido) e a Lund University (Suécia). (ecodebate)

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