sexta-feira, 7 de julho de 2023

Impactos das mudanças climáticas na economia global

Quais são os principais impactos das mudanças climáticas na economia global? E como os países podem se adaptar e se tornar mais resilientes? Vamos, neste artigo, abordar alguns aspectos relevantes sobre esse tema.

As mudanças climáticas afetam não apenas o equilíbrio dos ecossistemas e a biodiversidade, mas também a estabilidade econômica e social de milhões de pessoas.

Segundo um relatório da ONG Oxfam, as nações do G7 podem perder 8,5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) por ano até 2050 se não conseguirem reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, um estudo do Swiss Re Institute aponta que a economia mundial pode encolher 18% nos próximos 30 anos se nenhuma ação mitigadora for tomada.

Impactos setoriais das mudanças climáticas na economia global

As mudanças climáticas afetam diferentes setores da economia de forma desigual. Alguns dos mais vulneráveis são:

– Agricultura: o aumento da temperatura, a alteração do regime de chuvas, as secas e as inundações podem comprometer a produtividade e a qualidade das culturas agrícolas, além de aumentar os riscos de pragas e doenças. Segundo o EcoDebate, a produção mundial de alimentos pode cair entre 10% e 25% até 2050 por causa das mudanças climáticas.

– Saúde: o aquecimento global pode provocar o aumento de doenças infecciosas transmitidas por vetores, como a malária e a dengue, bem como doenças respiratórias e cardiovasculares relacionadas à poluição do ar e ao estresse térmico. Além disso, as mudanças climáticas podem afetar a disponibilidade e a qualidade da água potável e dos alimentos, gerando desnutrição e desidratação. O EcoDebate cita um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) que estima que as mudanças climáticas podem causar cerca de 250 mil mortes adicionais por ano entre 2030 e 2050.

– Turismo: o setor turístico depende em grande parte das condições climáticas e ambientais para atrair visitantes. No entanto, as mudanças climáticas podem afetar negativamente a oferta e a demanda de serviços turísticos, por exemplo, reduzindo a atratividade de destinos litorâneos por causa do aumento do nível do mar, ou de destinos montanhosos por causa do derretimento das geleiras. O EcoDebate menciona um estudo da Universidade de Cambridge que prevê que o turismo global pode perder até 8% do seu valor até 2100 por causa das mudanças climáticas.

Impactos regionais das mudanças climáticas na economia global

As mudanças climáticas também têm impactos diferenciados entre as regiões do mundo. De modo geral, os países mais pobres e menos desenvolvidos são os mais afetados, pois têm menor capacidade de adaptação e menor responsabilidade histórica pelas emissões de gases de efeito estufa. Segundo o EcoDebate, as regiões mais suscetíveis aos riscos climáticos são:

– Sudeste da Ásia: a região é vulnerável a condições de seca, inundações, tempestades tropicais, ondas de calor e elevação do nível do mar. Esses fenômenos podem afetar a agricultura, a pesca, a indústria, o comércio, a infraestrutura e a saúde da população. O EcoDebate destaca que a China pode perder quase um quarto do seu PIB até 2050 se as temperaturas globais subirem mais de 3°C.

– América Latina: a região é exposta a eventos climáticos extremos, como secas prolongadas no Nordeste brasileiro, inundações na Bacia Amazônica e furacões no Caribe. Esses eventos podem causar perdas econômicas, sociais e ambientais significativas. O EcoDebate ressalta que o Brasil pode perder até 9% do seu PIB até 2050 se nenhuma medida for tomada para mitigar as mudanças climáticas.

– África: o continente é o mais vulnerável às mudanças climáticas, pois enfrenta múltiplos desafios relacionados à pobreza, à fome, à violência, à instabilidade política e à falta de infraestrutura. As mudanças climáticas podem agravar esses problemas, reduzindo a disponibilidade de água e alimentos, aumentando os conflitos por recursos naturais e provocando migrações forçadas. O EcoDebate aponta que alguns países africanos podem perder mais de 30% do seu PIB até 2050 se as temperaturas globais aumentarem mais de 3°C.

Estratégias de adaptação e resiliência às mudanças climáticas

Os efeitos das emissões de gases de efeito estufa, do desmatamento, da poluição e do consumo insustentável são cada vez mais evidentes e ameaçam a vida no planeta.

Diante desse cenário, é preciso buscar formas de se adaptar e se tornar mais resiliente aos impactos das alterações do clima.

A adaptação é o processo de ajuste ao clima atual ou esperado e seus efeitos, buscando reduzir os riscos ou aproveitar as oportunidades. A resiliência é a capacidade de um sistema, comunidade ou indivíduo de absorver choques e se recuperar de forma rápida e eficiente. Ambas as estratégias são complementares e necessárias para enfrentar as mudanças climáticas.

Existem diversas iniciativas de adaptação e resiliência às mudanças climáticas em diferentes níveis, desde o local até o global. Algumas delas são:

– O Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA), lançado pelo governo brasileiro em 2016, que estabelece diretrizes, objetivos e ações para aumentar a capacidade adaptativa do país em setores como agricultura, biodiversidade, recursos hídricos, saúde, infraestrutura e cidades.

– O Acordo de Paris, assinado por 195 países em 2015, que tem como meta limitar o aumento da temperatura média global a bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais e buscar esforços para limitar esse aumento a 1,5°C. O acordo também prevê mecanismos de cooperação e financiamento para apoiar os países mais vulneráveis às mudanças climáticas em suas ações de adaptação e resiliência.

– O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que implementa projetos de adaptação e resiliência em mais de 140 países, com foco em áreas como segurança alimentar, gestão de recursos naturais, redução da pobreza e fortalecimento institucional.

– As redes de cidades resilientes, como a C40 Cities Climate Leadership Group e a ICLEI – Local Governments for Sustainability, que reúnem centenas de cidades ao redor do mundo para compartilhar experiências, boas práticas e soluções inovadoras para lidar com os desafios climáticos urbanos.

– As organizações da sociedade civil que realizam campanhas de conscientização, mobilização e defesa de direitos para promover ações de adaptação e resiliência às mudanças climáticas em diferentes setores e níveis.

Esses são apenas alguns exemplos de como é possível se adaptar e se tornar mais resiliente às mudanças climáticas. No entanto, é importante ressaltar que essas estratégias não são suficientes por si só.

É preciso também reduzir as emissões de gases de efeito estufa e promover uma transição para uma economia de baixo carbono, baseada em fontes renováveis de energia, eficiência energética e consumo responsável.

Somente assim será possível evitar os cenários mais catastróficos das mudanças climáticas e garantir um futuro sustentável para as próximas gerações. (ecodebate)

Limites seguros do sistema terrestre já foram ultrapassados

Estudo destaca a necessidade de ação urgente para reverter às violações dos limites seguros e, a fim de preservar um futuro sustentável para a civilização e toda a vida na Terra.

Estudo revela que a humanidade está enfrentando riscos colossais para o futuro da civilização e de todos os seres vivos na Terra. O estudo destaca que o mundo já ultrapassou o limite climático seguro e justo estabelecido em 1°C acima dos níveis pré-industriais, resultando em danos significativos para dezenas de milhões de pessoas devido às mudanças climáticas. Além disso, o texto ressalta a necessidade urgente de estabelecer metas globais que abranjam não apenas as mudanças climáticas, mas também outros sistemas e processos biofísicos que determinam a habitabilidade do planeta.

Os humanos estão correndo riscos colossais com o futuro da civilização e tudo o que vive na Terra, mostra um novo estudo publicado na revista Nature.

Desenvolvido por uma comissão científica internacional envolvendo mais de 40 pesquisadores de todo o mundo, os cientistas fornecem a primeira quantificação de limites seguros e justos do sistema terrestre em nível global e local para vários processos e sistemas biofísicos que regulam o estado do sistema terrestre.

Pela primeira vez, a segurança e a justiça para a humanidade na Terra são avaliadas e quantificadas pelas mesmas variáveis de controle que regulam o suporte à vida e a estabilidade da Terra. A justiça, avaliada com base em evitar danos significativos às pessoas em todo o mundo, restringe os limites do sistema terrestre, proporcionando ainda menos espaço disponível para os humanos na Terra. Isso é extremamente desafiador, pois a Comissão da Terra conclui que muitos dos limites seguros já foram cruzados.

Convocada pela Future Earth, a Comissão da Terra é a pedra angular científica da Global Commons Alliance.

“Estamos no Antropoceno, colocando em risco a estabilidade e resiliência de todo o planeta. Por isso, pela primeira vez, apresentamos números quantificáveis e uma base científica sólida para avaliar o estado de nossa saúde planetária não apenas em termos de Estabilidade e resiliência do sistema terrestre, mas também em termos de bem-estar humano e equidade/justiça”, disse o professor Johan Rockström, copresidente da Comissão da Terra, autor principal e diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático.

“Justiça é uma necessidade para a humanidade viver dentro dos limites planetários. Esta é uma conclusão vista em toda a comunidade científica em várias avaliações ambientais pesadas. Não é uma escolha política. Evidências esmagadoras mostram que uma abordagem justa e equitativa é essencial para a estabilidade planetária. Não podemos ter um planeta biofisicamente seguro sem justiça. Isso inclui estabelecer metas justas para evitar danos significativos e garantir o acesso aos recursos para as pessoas e para transformações justas para atingir essas metas”, disse a coautora Prof. Joyeeta Gupta, coautora Presidente da Comissão da Terra, Professor de Meio Ambiente e Desenvolvimento no Sul Global na Universidade de Amsterdã e Professor de Direito e Política em Recursos Hídricos e Meio Ambiente no IHE Delft Institute for Water Education.

Indicadores de saúde para pessoas e planeta

A Comissão da Terra quantificou limites seguros e justos para clima, biodiversidade, água doce e diferentes tipos de poluição do ar, solo e água – e a maioria foi violada.

Por exemplo, as atividades humanas estão alterando os fluxos de água, quantidades excessivas de nutrientes são liberadas nos cursos d’água devido ao uso de fertilizantes e áreas naturais limitadas são deixadas.

Isso representa ameaças existenciais para um planeta estável, para os ecossistemas e suas contribuições vitais para as pessoas. O mundo já ultrapassou o limite climático seguro e justo, definido em 1°C acima dos níveis de temperatura pré-industriais, já que dezenas de milhões de pessoas já foram prejudicadas pelo atual nível de mudança climática.

“Os resultados do nosso exame de saúde são bastante preocupantes: dentro dos cinco domínios analisados, vários limites, em escala global e local, já foram transgredidos. Isso significa que, a menos que ocorra uma transformação oportuna, é mais provável que pontos de inflexão irreversíveis e os impactos no bem-estar humano serão inevitáveis. Evitar esse cenário é crucial se quisermos garantir um futuro seguro e justo para as gerações atuais e futuras”, continuou Rockström.

“O sistema da Terra está em perigo, pois muitos elementos estão prestes a cruzar seus pontos críticos. Até agora, dezessete elementos basculantes são identificados na literatura científica, entre eles, nove são relacionados à criosfera. A Ásia High Mountain Cryosphere (AHMC) é mudando rapidamente e perto de se tornar um novo elemento decisivo, que pode impactar a economia social regional”, explicou o Prof. Dahe Qin, copresidente da Comissão da Terra e diretor do Comitê Acadêmico da Academia Chinesa de Ciências.

O mundo precisa de metas globais além do clima

A definição de metas globais concentrou-se nas mudanças climáticas e na limitação do aquecimento global bem abaixo de 2°C e visando 1,5°C de acordo com o Acordo de Paris. A ciência também mostra claramente que há uma necessidade de gerenciar todos os outros sistemas e processos biofísicos na Terra que determinam a habitabilidade do planeta.

“O sistema da Terra é um conjunto interconectado de processos biofísicos que operam em regiões e escalas. A interferência em uma parte do mundo pode ter impactos enormes em outras regiões. Usar os Limites dos Sistemas da Terra como um ponto de entrada para uma ação holística e transformadora apoiará ações impactantes e progresso justo em direção a um mundo seguro e justo”, disse Wendy Broadgate, diretora executiva da Earth Commission e Future Earth, diretora do hub global, Suécia.

A justiça aperta o espaço disponível para os humanos na Terra

O novo estudo baseia-se em evidências científicas confiáveis que definem as condições biofísicas para manter um planeta estável para sustentar a vida na Terra (“seguro”), bem como avaliar como danos significativos podem ser evitados para os seres humanos e outras espécies. Tentativas científicas anteriores para definir limites ambientais, como a estrutura de limites planetários, analisaram as condições globais necessárias para manter um planeta estável e salvaguardar a vida na Terra.

“A nova pesquisa fornece limites seguros e justos do sistema terrestre para cinco domínios críticos que desempenham um papel fundamental no suporte à vida e na estabilidade da Terra. Também explora o que é necessário para minimizar danos significativos aos humanos como resultado de mudanças no sistema terrestre e estabelece limites em escalas relevantes para avaliação e gerenciamento das condições de sistemas biofísicos, como a biosfera e a água doce”, explicou Steven Lade, autor principal e cientista de pesquisa, Secretaria da Comissão da Terra no Future Earth, Universidade Nacional Australiana e Centro de Resiliência de Estocolmo.

Limites seguros garantem condições estáveis e resilientes na Terra e usam um sistema interglacial semelhante ao Holoceno, funcionando como um ponto de referência para um planeta saudável. Uma Terra estável e resiliente é dominada por feedbacks de equilíbrio que lidam com os amortecedores e amortecem os distúrbios. A ciência de ponta sobre os pontos críticos climáticos é uma das principais linhas de evidência para estabelecer limites seguros.

Limites justos minimizam a exposição humana a danos significativos. A Comissão define dano significativo como: impactos negativos existenciais ou irreversíveis generalizados em países, comunidades e indivíduos devido a mudanças no sistema terrestre, como perda de vidas, meios de subsistência ou renda, deslocamento, perda de alimentos, água ou segurança nutricional, doenças crônicas, lesões ou desnutrição.

“Nossos limites seguros e justos orientarão a definição de metas, mas também devem ser realizados por meio de processos de transformação justos que garantam o acesso mínimo aos recursos para as pessoas”, acrescenta Gupta.

Os limites seguros e justos assumem o mais estrito dos dois níveis quantificados para identificar o limite seguro e justo do sistema terrestre.

Ciência para aplicação no mundo real

Os Limites dos Sistemas Terrestres sustentarão a definição de novas metas baseadas na ciência para empresas, cidades e governos para lidar com as policrises de: aumento da exposição humana à emergência climática, declínio da biodiversidade, escassez de água, danos aos ecossistemas devido ao uso excessivo de fertilizantes em algumas partes do mundo juntamente com a falta de acesso em outros lugares e danos à saúde causados pela poluição do ar.

Em um momento de crescente escrutínio e expectativas, a resiliência e o sucesso de empresas, cidades e governos dependerão de sua capacidade de medir com precisão e melhorar seu impacto nas pessoas e no planeta – e direcionar oportunidades dentro dos limites finitos do planeta.

“Uma transformação segura e justa para um planeta administrável requer uma ação coletiva urgente de vários atores, especialmente no governo e nas empresas, para agir dentro dos limites do sistema da Terra para manter intacto nosso sistema de suporte à vida do planeta. A administração dos bens comuns globais nunca foi mais urgente ou importante”, continuou Wendy Broadgate, diretora executiva da Comissão da Terra e diretora do hub global (Suécia), Future Earth.

“Com esta avaliação científica global, fornecemos a todas as partes interessadas limites científicos que podem permitir um desenvolvimento mundial próspero e equitativo em um planeta estável, um futuro melhor para as pessoas e o planeta. Esta nova ciência funciona como entrada para o desenvolvimento de metas baseadas na ciência. Estes podem ser adotados por cidades, empresas e países para enfrentar as crises globais sistêmicas de mudança climática, perda de biodiversidade, sobrecarga de nutrientes, uso excessivo de água e poluição do ar”, conclui Rockström.

Limites seguros e justos do sistema terrestre

Clima

 Seguro: 1,5°C para evitar alta probabilidade de múltiplos pontos climáticos críticos. Ainda não violado.

 Apenas: 1°C para evitar uma exposição elevada a danos significativos das alterações climáticas. Rompido a 1,2°C

 Seguro e Justo: 1°C

Biosfera

 Natureza intacta global: pelo menos 50-60% de área de ecossistema natural (seguro e justo). Violação em 45-50%.

 Natureza local gerenciada: pelo menos 20-25% de ecossistemas naturais em cada quilômetro quadrado (seguro e justo). Invadido por dois terços da área de terra dominada por humanos.

 Seguro e Justo (natureza global intacta): >50-60% da área do ecossistema natural.

 Seguro e Justo (natureza local manejada): >20-25% de ecossistemas naturais em cada km2.

Água

 Águas superficiais: 20% de alteração mensal do caudal (seguro e justo). Invadido por 34% da área global.

 Água subterrânea: Rebaixamento anual menor que a recarga (segura e justa). Invadido por 47% da área global.

 Seguro e Justo (água de superfície): <20% de alteração do fluxo mensal

 Seguro e justo (água subterrânea): Rebaixamento ≤ Recarga.

Ciclos de nutrientes (fertilizantes)

 Azoto:

 Seguro: <2,5 mgN/L em águas superficiais & <5-20 kgN/ha/ano deposição no solo (local); Excedente de 61 TgN/ano (global) – Ultrapassado em 119 TgN/ano

 Apenas: o mesmo que Seguro, mais água potável <11,3 mgNO 3 -N/L (local); 57 TgN/ano excedente (global). Rompido em 119 TgN/ano.

 Fósforo:

 Seguro: 50-100 mgP/m3 (concentração local de água doce); 4,5-9 TgP/ano (excedente global). Rompido em 10 TgP/ano.

 Apenas: o mesmo que Seguro, mais quaisquer padrões locais adicionais. Rompido em 10 TgP/ano.

 Seguro e Justo (nitrogênio): <57 TgN/ano (global)

 Seguro e Justo (fósforo): Excedente <4,5-9,0 TgP/ano (global)

Poluentes de aerossol

 Global: 0,15 média anual de diferença AOD inter-hemisférica (segura). Não violado em 0,05./li>

 Local: 0,25 profundidade óptica de aerossol (AOD) para evitar mudanças nas monções (seguro). 15 μg/m 3 PM 2,5 para evitar alta probabilidade de danos à saúde humana (apenas).

 Seguro e Justo (global): 0,15 média anual de diferença AOD inter-hemisférica (segura)

 Seguro e justo (local): 15 μg/m 3 PM 2,5

Visualização de ESBs seguros (vermelho escuro), apenas (NSH) ESBs (azul), casos em que limites seguros e justos (NSH) se alinham (verde) e estados globais atuais (ícones da Terra). Os eixos radiais são normalizados para ESBs seguros. Os limites globais da estimativa principal ou central (Tabela 1) são plotados para oferecer suporte à comparação com o estado global atual, mas enfatizamos que também definimos limites subglobais e múltiplos níveis de probabilidade para muitos domínios (Tabela 1). Para aerossóis, no entanto, exibimos os limites subglobais para comparar limites seguros e justos. Para o nitrogênio, traçamos com uma linha azul tracejada a quantificação do limite para os danos do nitrato nas águas subterrâneas, observando que o limite justo também deve incorporar considerações seguras por meio da eutrofização, levando a um limite seguro e justo mais rigoroso. O acesso mínimo à água, alimentos, energia e infraestrutura para todos os seres humanos (linha verde pontilhada) poderia constituir a base de um ‘corredor’ seguro e justo (área preenchida com verde), mas não quantificamos essa base aqui. Visualizações alternativas são apresentadas em Dados Estendidos Fig. 1. (ecodebate)

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Florestas protegidas armazenam mais carbono

As áreas protegidas são uma parte essencial do conjunto de ferramentas de conservação. Elas conferem enormes benefícios na forma de carbono vivo, essencial para mitigar os piores efeitos das mudanças climáticas.

Um estudo recentemente publicado na Nature Communications por pesquisadores da University of Maryland (UMD), Northern Arizona University, University of Arizona, Conservation International e outros descobriu que as florestas protegidas em todo o mundo armazenam um adicional de 9,65 bilhões de toneladas métricas de carbono em sua biomassa acima do solo em comparação com áreas não protegidas ecologicamente similares – uma descoberta que quantifica o quão importante as áreas protegidas são em nossos esforços contínuos de mitigação climática.

Este estudo utilizou os dados altamente precisos de altura, estrutura e elevação da superfície florestal produzidos pela Global Ecosystem Dynamics Investigation (GEDI) da NASA, sob a coordenação do professor Ralph Dubayah, da UMD.

A equipe de pesquisadores comparou a eficácia das áreas protegidas em evitar emissões para a atmosfera com a capacidade das áreas não protegidas de fazer o mesmo e testou a suposição de que as áreas protegidas fornecem serviços ecossistêmicos desproporcionalmente maiores – incluindo o armazenamento e sequestro de carbono – do que as áreas não protegidas.

“Nunca tivemos esses conjuntos de dados de satélite em 3D antes, então nunca fomos capazes de mapear com precisão o carbono florestal nessa escala. Analisar os dados para descobrir a magnitude das emissões evitadas em áreas protegidas traz mais uma luz sobre a importância global da conservação florestal”, disse Laura Duncanson, professora assistente da UMD e autora principal do estudo. “Estamos ansiosos para continuar esse trabalho para monitorar o sucesso futuro das áreas protegidas na preservação do carbono.”

O impacto mais significativo e positivo para o clima observado pelos pesquisadores veio da região de floresta tropical úmida da Amazônia brasileira, com o Brasil contribuindo com 36% do sinal global.

Outra descoberta importante foi que a quantidade de biomassa acima do solo – a massa seca de matéria lenhosa na vegetação que fica acima do solo – obtida a partir de áreas protegidas é aproximadamente equivalente a um ano das emissões anuais globais de combustíveis fósseis.

Tentativas anteriores de quantificar o conteúdo de biomassa de áreas protegidas tinham altas incertezas e/ou viéses, já que produtos de biomassa por satélite do passado são conhecidos por saturar em florestas de alta biomassa, como áreas protegidas de florestas antigas. Os dados do GEDI ajudaram os pesquisadores a superar essas limitações.

Especificamente, os pesquisadores utilizaram os produtos de altura, cobertura, Índice de Área Foliar (IAF) e Densidade de Biomassa Acima do Solo (DBAS) dos primeiros 18 meses de dados da missão GEDI, coletados entre abril/2019 e setembro/2020. No total, os pesquisadores – incluindo também Mengyu (Amber) Liang, Veronika Leitold e John Armston da UMD – analisaram mais de 400 milhões de amostras de estrutura em 3D e compararam cada área protegida com áreas não protegidas ecologicamente similares com base em clima, pressão humana, tipo de solo, país e outros fatores.

“Esses resultados são inovadores, pois fornecem as primeiras evidências há muito esperadas de que áreas protegidas estão efetivamente sequestrando muito mais CO2 da atmosfera do que áreas degradadas similares que as cercam”, disse Scott Goetz, professor da School of Informatics, Computing e Cyber Systems da Northern Arizona University e co-autor do estudo. “Eles só foram possíveis graças a medições sistemáticas da estrutura do dossel e biomassa acima do solo realizadas pela missão GEDI Lidar”.

O estudo dos pesquisadores destaca a urgência da proteção e restauração para a conservação da biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas, conforme enfatizado pelo último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O IPCC constatou que soluções baseadas na natureza, como a redução da destruição de florestas e outros ecossistemas, sua restauração e a melhoria do manejo de terras produtivas, como fazendas, estão entre as cinco estratégias mais eficazes para mitigar as emissões de carbono até 2030.

“As áreas protegidas são uma parte essencial do conjunto de ferramentas de conservação. Elas conferem enormes benefícios na forma de carbono vivo, essencial para mitigar os piores efeitos das mudanças climáticas”, disse Patrick Roehrdanz, diretor de Mudanças Climáticas e Biodiversidade da Conservation International. “Esta pesquisa reflete a importância da meta da Convenção sobre Diversidade Biológica – de alcançar 30% de proteção de todos os ecossistemas – como uma estratégia eficaz para enfrentar mais de uma das maiores crises ambientais que enfrentamos: perda de biodiversidade e mudanças climáticas.”

Total adicionalmente preservado agregado por continente e bioma

As APs efetivamente preservam AGC adicionais em todos os continentes e biomas, com os biomas florestais dominando o sinal global, particularmente na América do Sul. O AGC preservado adicional (Gt) nas classes de bioma WWF (Gt total + /- SEM*área). Mapa base mundial feito com Natural Earth. O conjunto completo de dados GEDI analisados está representado nesta figura (n = 412.100.767). (ecodebate)

Perdas econômicas por desastres climáticos disparam

Eventos climáticos extremos, climáticos e relacionados à água causaram 11.778 desastres relatados entre 1970 e 2021, com pouco mais de 2 milhões de mortes e US$ 4,3 trilhões em perdas econômicas, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

O texto apresenta os dados de um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) sobre os desastres causados por eventos climáticos e relacionados à água entre 1970 e 2021. O texto destaca o aumento das perdas econômicas, a redução das mortes humanas, a desigualdade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e a importância dos alertas precoces para prevenir e mitigar os impactos desses desastres.

As perdas econômicas dispararam. Mas os alertas precoces aprimorados e o gerenciamento coordenado de desastres reduziram o número de baixas humanas no último meio século. Mais de 90% das mortes relatadas em todo o mundo ocorreram em países em desenvolvimento.

Só os EUA incorreram em US$ 1,7 trilhão, respondendo por 39% das perdas econômicas mundiais nos 51 anos. Mas os Países Menos Desenvolvidos e os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento sofreram um custo desproporcionalmente alto em relação ao tamanho de suas economias.

A OMM divulgou as novas descobertas para o Congresso Meteorológico Mundial quadrienal, que começa em 22 de maio com um diálogo de alto nível sobre a aceleração e ampliação das ações para garantir que os serviços de alerta precoce cheguem a todos na Terra até o final de 2027.

A iniciativa de Avisos Prévios para Todos das Nações Unidas é uma das principais prioridades estratégicas devido a ser endossada pelo Congresso Meteorológico Mundial, o principal órgão de tomada de decisões da OMM. A sessão de alto nível será aberta pelo presidente suíço Alain Berset e reunirá os principais representantes de agências da ONU, bancos de desenvolvimento, governos e serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais responsáveis pela emissão de alertas precoces.

“Infelizmente, as comunidades mais vulneráveis suportam o peso do clima, do clima e dos riscos relacionados à água”, disse o Secretário-Geral da OMM, Prof. Petteri Taalas.

“A tempestade ciclônica extremamente severa Mocha exemplifica isso. Causou devastação generalizada em Mianmar e Bangladesh, afetando os mais pobres dos pobres. No passado, Mianmar e Bangladesh sofreram dezenas e até centenas de milhares de mortos. Graças aos alertas precoces e ao gerenciamento de desastres, essas taxas de mortalidade catastróficas agora são, felizmente, história. Avisos antecipados salvam vidas”.

A OMM compilou os números como uma atualização de seu Atlas de Mortalidade e Perdas Econômicas de Clima, Clima e Água Extremos, que inicialmente cobriu o período de 50 anos 1970-2019, com base na emergência do Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres (CRED). Banco de dados de eventos (EM-DAT).

As mortes registradas em 2020 e 2021 (22.608 mortes no total) indicam uma nova queda na mortalidade em relação à média anual da década anterior. As perdas econômicas aumentaram – a maioria delas atribuídas à categoria de tempestade.

Principais conclusões:

 Mais de 60% das perdas econômicas devido a desastres climáticos, climáticos e relacionados à água foram relatados para economias desenvolvidas. No entanto, as perdas econômicas foram equivalentes a menos de 0,1% do produto interno bruto (PIB) nas respectivas economias em mais de quatro quintos desses desastres. Nenhum desastre foi relatado com perdas econômicas superiores a 3,5% dos respectivos PIBs.

 Nos Países Menos Desenvolvidos, 7% dos desastres para os quais foram relatadas perdas econômicas tiveram um impacto equivalente a mais de 5% dos respectivos PIBs, com vários desastres causando perdas econômicas de até quase 30%.

 Nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, 20% dos desastres com perdas econômicas relatadas levaram a um impacto equivalente a mais de 5% dos respectivos PIBs, com alguns desastres causando perdas econômicas acima de 100%.

Divisão regional

África: Na África, 1.839 desastres atribuídos a extremos climáticos, climáticos e hídricos foram relatados entre 1970 e 2021. Eles causaram 733.585 mortes e US$ 43 bilhões em perdas econômicas. As secas foram responsáveis por 95% das mortes relatadas.

O ciclone tropical Idai em março/2019 foi o evento mais caro que ocorreu na África (US$ 2,1 bilhões).

Ásia: foram relatados 3.612 desastres atribuídos a extremos climáticos, climáticos e hídricos, com 984.263 mortes e US$ 1,4 trilhão em perdas econômicas.

Entre 1970 e 2021, a Ásia foi responsável por 47% de todas as mortes relatadas em todo o mundo, sendo os ciclones tropicais a principal causa de mortes relatadas. O ciclone tropical Nargis em 2008 levou a 138.366 mortes. Bangladesh tem o maior número de mortes na Ásia, com 520.758 mortes devido a 281 eventos.

América do Sul: Houve 943 desastres atribuídos a extremos climáticos, climáticos e hídricos relatados na América do Sul, com inundações respondendo por 61% deles. Eles resultaram em 58.484 mortes e US$ 115,2 bilhões em perdas econômicas.

América do Norte, América Central e Caribe: 2.107 relatórios relacionados ao clima, ao clima e à água resultaram em 77.454 mortes e US$ 2,0 trilhões em perdas econômicas.

Entre 1970 e 2021, a região foi responsável por 46% das perdas econômicas relatadas em todo o mundo. Só os EUA incorreram em US$ 1,7 trilhão, respondendo por 39% das perdas mundiais nos 51 anos. A maioria das perdas econômicas relatadas foi atribuída a desastres relacionados a tempestades e, mais especificamente, a ciclones tropicais.

Sudoeste do Pacífico: 1.493 desastres devido a extremos climáticos, climáticos e hídricos foram relatados no Sudoeste do Pacífico. Eles resultaram em 66.951 mortes e US$ 185,8 bilhões em perdas econômicas. Os ciclones tropicais foram a principal causa de morte.

Europa: Houve 1.784 desastres causando 166.492 mortes e US$ 562,0 bilhões em perdas econômicas.

Entre 1970 e 2021, a Europa foi responsável por 8% das mortes relatadas em todo o mundo.

As temperaturas extremas foram a principal causa de mortes relatadas e as inundações foram a principal causa de perdas econômicas.

Avisos antecipados para todos

O secretário-geral da ONU, António Guterres, quer garantir que todas as pessoas na Terra estejam protegidas por sistemas de alerta precoce até o final de 2027.

Estas são medidas de adaptação climática comprovadas e eficazes, que salvam vidas e fornecem pelo menos dez vezes mais retorno sobre o investimento. No entanto, apenas metade dos países possui sistemas de alerta precoce com cobertura especialmente baixa nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS), Países Menos Desenvolvidos (LDCs) e na África.

A iniciativa Early Warnings recebeu amplo apoio. É liderado pela OMM, Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres, União Internacional de Telecomunicações, Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, com apoio de mais de vinte outras agências da ONU, bem como de uma ampla gama de partes interessadas, de instituições financeiras aos setores privados.

Desastres naturais causaram perdas de $ 150 mil milhões.

Um primeiro conjunto de 30 países foi identificado para o lançamento da iniciativa em 2023. (ecodebate)

Ondas de calor são ameaças crescentes

O aquecimento global e o aumento das ondas de calor: uma análise dos cenários futuros e dos impactos nas regiões terrestres.

O artigo trata dos efeitos do aquecimento global nas ondas de calor e das projeções dos modelos climáticos para o futuro. Os autores afirmam que as ondas de calor serão mais frequentes, intensas e longas em um cenário de aumento da temperatura global e destacam a urgência de reduzir as emissões de gases de efeito estufa para enfrentar o problema.

As ondas de calor são eventos climáticos extremos que se tornaram uma grande preocupação social, uma vez que se espera que aumentem em frequência, intensidade e duração ao longo do século XXI. Um estudo recente na Reviews of Geophysics explora a compreensão atual das ondas de calor e os principais desafios científicos. Aqui, pedimos aos autores que dessem uma visão geral das ondas de calor, sua relação com outros perigos e clima e quais questões permanecem.

Em termos simples, o que são ondas de calor e que tipos de critérios são usados ​​para defini-las?

As ondas de calor são períodos com temperaturas significativamente superiores aos valores habituais registados num determinado local. Isso pode acontecer em qualquer época do ano, mas em regiões com sazonalidade acentuada, o termo costuma ser aplicado aos que ocorrem no verão. Não existe uma definição universal de onda de calor (ver Figura 1), mas uma intensidade mínima (temperaturas acima de certo limite) e duração (geralmente três dias consecutivos ou mais) são critérios comuns. Dependendo da finalidade, condições ou variáveis ​​adicionais podem ser consideradas para avaliar suas características (por exemplo, extensão da área) ou impactos associados (por exemplo, estresse por calor).

Figura 1: Esquemas de diferentes tipos de definições de ondas de calor (índices baseados em temperatura em azul e índices compostos orientados a impactos em laranja), distribuídos de acordo com o nível de complexidade (diagonal), conforme inferido a partir de questões de dados e escolhas envolvidas na definição.

Quais são os principais impulsionadores das ondas de calor?

As ondas de calor resultam de interações entre condutores de diferentes naturezas atuando em diferentes escalas espaço-temporais (Figura 2). Nos últimos anos, o aquecimento global tem sido um dos principais impulsionadores, tornando as ondas de calor mais frequentes e intensas na maioria das áreas do mundo. Variações climáticas naturais, como El Niño–Oscilação Sul (ENSO), também afetam ondas de calor em escalas interanuais a multidecadais. Ondas planetárias atmosféricas e sistemas climáticos de alta pressão são condutores imediatos comuns em extratrópicos. Outros fatores próximos, como a vegetação e o teor de umidade do solo, podem instigar e exacerbar as ondas de calor por meio de feedbacks complexos com a atmosfera. Os drivers e sua importância relativa podem variar regionalmente e de evento para evento.

Figura 2: Condutores característicos de ondas de calor e suas escalas relevantes, da escala planetária à espacial local, e da escala temporal plurianual à multidiária.

Como as ondas de calor exacerbam outros perigos naturais?

Ondas de calor podem coincidir por acaso com outros perigos, como secas, tempestades de poeira, eventos de poluição ou incêndios florestais. No entanto, com mais frequência, sua ocorrência combinada responde a drivers atmosféricos compartilhados ou feedbacks terra-atmosfera que fazem com que esses perigos se exacerbem mutuamente. Por exemplo, as ondas de calor contribuem para a dessecação do solo e intensificam a severidade da seca, que por sua vez é um precursor comum das ondas de calor; sua ocorrência conjunta é um exemplo típico de um evento composto com impactos desproporcionais sobre sociedades e ecossistemas.

As ondas de calor também estão frequentemente associadas à estagnação do ar (ou seja, massas de ar aprisionadas em uma determinada área), o que impede a dispersão e a difusão de poluentes na baixa atmosfera, levando a uma deterioração significativa da qualidade do ar (por exemplo, concentrações elevadas de gases próximos à superfície), (ozônio e material particulado). Calor extremo, combinado com baixa umidade e ventos fortes, representam estressores atmosféricos de incêndios florestais, que representam grandes ameaças em áreas de vegetação seca, como as savanas mediterrâneas na Europa, Austrália e América.

Por que é útil estudar ondas de calor em diferentes escalas espaciais e temporais?

As avaliações de ondas de calor em diferentes escalas têm seus próprios problemas e desafios (Figura 2), mas todas trazem entendimento cruzado complementar e múltiplos benefícios para a previsão de ondas de calor, projeções futuras e implantação de sistemas eficientes de alerta precoce e estratégias de adaptação. Por exemplo, em áreas urbanas, onde as altas temperaturas são ampliadas pelo efeito de ilha de calor urbana, os estudos devem considerar fatores locais (por exemplo, desenho da cidade, espaços verdes e azuis, população) para mitigar os impactos das ondas de calor na saúde, produtividade do trabalho, demanda de eletricidade, ou infraestruturas.

Em escalas espaço-temporais maiores, a compreensão das ondas de calor beneficia a precisão das previsões além dos horizontes climáticos, necessárias para antecipar mega ondas de calor com impactos devastadores nos ecossistemas naturais, no ciclo do carbono e em alguns setores socioeconômicos. Finalmente, as avaliações do clima global permitem que os pesquisadores estabeleçam vínculos robustos com o aquecimento global, melhorem as projeções futuras, explorem os limites das capacidades adaptativas e orientem o desenvolvimento de estratégias de mitigação compartilhadas.

Como as ondas de calor são projetadas para mudar no futuro?

Os modelos climáticos permitem que os pesquisadores avaliem mudanças futuras nas ondas de calor em escalas globais e regionais. O aquecimento global inabalável resultará em ondas de calor mais longas, intensas, extensas e frequentes na maioria das regiões terrestres, mesmo para um aquecimento adicional de +0,5ºC. Eles agravariam as mudanças observadas, com eventos inéditos que quebrariam os recordes dos episódios recordes recentes (Figura 3).

Independentemente do cenário de emissão de gases de efeito estufa, a magnitude dos extremos quentes tende a aumentar linearmente com o aquecimento global, embora com variações substanciais entre regiões e características das ondas de calor. Os aumentos projetados geralmente variam de acordo com a raridade do evento. Por exemplo, para áreas terrestres globais, um dia quente que ocorre uma vez a cada 20 anos no clima atual seria cerca de 2,5 vezes mais provável em um mundo com aquecimento de 2°C.

Embora a direção das mudanças futuras seja inquestionável, sua magnitude ainda é incerta em escalas regionais, em parte devido à falta de forçantes ou processos mal representados nos modelos climáticos. Essa incerteza significa que, para algumas regiões, as mudanças futuras podem ser maiores do que as atualmente projetadas, o que reforça ainda mais a necessidade urgente de reduzir as emissões de gases do efeito estufa para fazer frente ao inevitável agravamento das ondas de calor.

Figura 3. Mapa de ondas de calor dos três primeiros anos do período 1950-2021 para cada continente (caixas) classificado pela magnitude da onda de calor. As cores correspondem aos anos de ocorrência, também listados. O sombreamento cinza identifica regiões de dados ausentes. Observe que a escala de cores não é linear.

Como o conhecimento científico atual sobre ondas de calor pode ser usado para informar a política local ou regional para gerenciar esse risco?

Os últimos anos testemunharam um progresso substancial na compreensão do processo, capacidades de observação e desenvolvimento de modelos físicos e estatísticos. Isso contribuiu para previsões meteorológicas mais precisas e recursos aprimorados para antecipar ondas de calor em escalas subsazonais (além de duas semanas). Após a onda de calor de 2003, muitos países europeus lançaram sistemas de alerta de calor para a saúde com sucesso para mitigar os efeitos relacionados ao calor na população.

As previsões subsazonais têm o potencial de fornecer informações antecipadas acionáveis ​​para a implantação de sistemas de alerta precoce em muitos setores socioeconômicos relacionados à agricultura, agricultura, energia e água (por exemplo, gestão de risco de incêndios florestais, demanda de eletricidade ou recursos hídricos). Em escalas de tempo mais longas, o conhecimento atual sobre mudanças futuras nas ondas de calor é útil para orientar a tomada de decisões em estratégias de mitigação e adaptação (por exemplo, projeto de cidades mais verdes para reduzir o efeito de ilha de calor urbana).

Quais são algumas das questões não resolvidas em que pesquisas, dados ou modelagem adicionais são necessários?

Nossa compreensão das ondas de calor melhorou drasticamente nos últimos anos. No entanto, permanecem dificuldades relacionadas à definição, simulação, atribuição de ondas de calor às mudanças climáticas ou projeções futuras.

No geral, os fatores que contribuem para as ondas de calor ainda não são bem compreendidos e não está claro como os processos subjacentes podem ser alterados no futuro. Assim, é legítimo questionar se a representação razoável das ondas de calor nos modelos atuais ocorre pelas razões certas e como esse entendimento fragmentário afeta as projeções futuras.

Questões importantes dizem respeito a aspectos dinâmicos incertos das ondas de calor, como mudanças futuras na circulação atmosférica e o papel da dinâmica da vegetação, bem como outras forçantes regionais (por exemplo, aerossóis, irrigação). No entanto, grandes desafios envolvem questões fundamentais que demandam pesquisas interdisciplinares. Eles incluem compreensão baseada em processos, que requer esforços coordenados para desenvolvimentos teóricos, observacionais e de modelagem, e estruturas de risco baseadas em impacto que integram esse conhecimento com estressores não climáticos (por exemplo, exposição, vulnerabilidade, adaptação) para fornecer informações acionáveis ​​adaptadas a setores específicos. (ecodebate)

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Desmatamento ameaça os remanescentes florestais da Mata Atlântica

A Mata Atlântica é lar de quase 70% da população e responde por cerca de 80% da economia do Brasil, além de produzir 50% dos alimentos consumidos no país.

A Mata Atlântica sofreu a derrubada de 20.075 hectares (ha) de floresta no período de um ano, entre outubro/2021 e de 2022, o correspondente a mais de 20 mil campos de futebol. Os dados são do Atlas da Mata Atlântica, pesquisa realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Embora o número represente queda de 7% em relação ao detectado em 2020-2021 (21.642 hectares), a SOS Mata Atlântica avalia que o desmatamento está ainda em um patamar elevado. A área desmatada no último ano é a segunda maior dos últimos seis anos e está 76% acima do valor mais baixo já registrado na série histórica, que foi de 11.399 hectares entre 2017 e 2018.

“Houve uma pequena queda de 7%, mas a gente considera que é uma situação de estabilidade, é uma variação muito pequena em um patamar alto, acima de 20 mil hectares, que é um valor para a Mata Atlântica muito alta se a gente entender que é um processo cumulativo de 500 anos de desmatamento. É um dado muito preocupante. São 55 hectares perdidos por dia”, disse o diretor executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto.

Dados da entidade apontam que o bioma é lar de quase 70% da população e responde por cerca de 80% da economia do Brasil, além de produzir 50% dos alimentos consumidos no país.

Estados mais desmatados

O levantamento aponta que o desmatamento está concentrado em cinco estados: Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paraná. Nos três primeiros, Guedes revela que o desmatamento é resultado da expansão – em grande escala – da agricultura e da pecuária. Ressalta que são regiões de fronteira agrícola ainda em abertura.

“No Paraná e em Santa Catarina [tem-se] uma região de fronteira agrícola que a gente considera consolidada, mas que persiste com desmatamento comendo as bordas das matas. Um aumento da área cultivada ali sempre comendo pela borda um pedacinho em cada lugar é muitos desmatamentos pequenos, mas ainda muito relevantes que acumulam milhares de hectares”, indicou.

Cinco estados acumulam 91% do desmatamento: Minas Gerais (7.456 ha), Bahia (5.719 ha), Paraná (2.883 ha), Mato Grosso do Sul (1.115 ha) e Santa Catarina (1.041 ha).

Oito estados registraram aumento no desmatamento (Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Sergipe) e nove mostraram redução (Ceará, Goiás, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo).

Em relação aos municípios, dez concentram 30% do desmatamento total no período. Desses, cinco estão situados em Minas Gerais, um em Mato Grosso do Sul e quatro na Bahia.

Apenas 0,9% das perdas deu-se em áreas protegidas, enquanto 73% ocorreram em terras privadas, o que, segundo a entidade, reforça que as florestas vêm sendo destruídas, sobretudo para dar lugar a pastagens e culturas agrícolas, além da especulação imobiliária – nas proximidades das grandes cidades e no litoral – que também é apontada como outra das causas principais. Guedes citou, também, “uma nuvem de pequenos desmatamentos” espalhados pela expansão urbana e crescimento de infraestrutura e de turismo ao redor das grandes cidades da Mata Atlântica e no litoral.

Para ele, esse quadro de desmatamento é inaceitável para um bioma tão ameaçado e que é fundamental para garantir serviços ecossistêmicos, como a conservação da água, além de evitar tragédias como a ocorrida no litoral norte de São Paulo, em que houve deslizamento de terras e enxurradas.

Combate

A principal medida para combater o desmatamento na Mata Atlântica é uma fiscalização mais rigorosa, sugeriu Guedes, com respeito à Lei da Mata Atlântica e ao Código Florestal. “Porque a maior parte dessas áreas desmatadas [é de] desmatamentos ilegais. Se a gente tem a ilegalidade, quais são os caminhos? O aumento da fiscalização e os órgãos ambientais tanto federais quanto estaduais e municipais atuando de maneira mais rigorosa”, acentuou.

Na área rural, outras ações consideradas importantes incluem o embargo de áreas desmatadas, que os créditos públicos e privados parem de financiar fazendas que estão desmatando e a interrupção das vendas do que é produzido nessas áreas de desmatamento ilegal.

“Tem um papel para o setor privado que é não comprar matéria-prima proveniente de área desmatada. Então, a gente tem produção de soja, de cana-de-açúcar, de carne de gado em áreas desmatadas e a gente precisa que as empresas cumpram as suas metas de desmatamento zero e parem de comprar”, afirmou. No entorno urbano, ele aponta que os planos diretores das cidades podem colocar limites para expansão, além de criar áreas protegidas, parques e reservas.

Ele avalia que os mecanismos legais estão em risco, a exemplo da Medida Provisória (MP) 1.150, aprovada pela Câmara dos Deputados, que pode contribuir com a destruição do bioma.

“A essência da MP é adiar as etapas para implementação do Código Florestal, então ela adia os prazos, retira as penalidades dos produtores que não se registraram no CAR (Cadastro Ambiental Rural). Na prática, o que significa é que o Código Florestal não é implementado e a gente não começa a restauração das florestas desmatadas ilegalmente. Isso já tem uma consequência para a Mata Atlântica e para todos os biomas brasileiros, que é atrasar a restauração”, analisou o especialista.

Biomas

O Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD), do MapBiomas e que complementa os dados do Atlas da SOS Mata Atlântica, teve o primeiro dado de um ano completo e mostrou que o desmatamento total pode ser quase quatro vezes maior que o documentado até o momento. A base de dados do SAD é mais ampla, o que permite observação mais detalhada.

O Atlas, que considera desmatamentos a partir de três hectares e avalia a conservação dos maiores remanescentes de matas maduras, revela que há 12,4% da área original do bioma. Já o SAD, que abrange remanescentes acima de 0,5 hectare, incluindo florestas maduras e matas jovens em regeneração, mostrou cobertura florestal do bioma de 24%.

Alertas

O levantamento dos desmatamentos identificados entre janeiro e dezembro de 2022 – realizado a partir do Sistema de Alertas de Desmatamento – registrou 9.982 alertas no ano, somando 75.163 hectares perdidos entre florestas maduras e jovens. A área total perdida, portanto, seria quase quatro vezes maior do que a contabilizada pelo Atlas, o que demonstra ameaça tanto às matas jovens quanto às maduras do bioma.

Sobre essa diferença, a fundação explicou que, enquanto o Atlas oferece uma “fotografia” anual do estado de conservação dos grandes fragmentos florestais, que são de maior importância para a biodiversidade, e pretende embasar políticas de longo prazo para a conservação do bioma, os dados do SAD são divulgados semanalmente visando gerar uma documentação completa para cada alerta de desmatamento, buscando maior celeridade e eficácia nas ações dos órgãos responsáveis por combater e fiscalizar o desmatamento. (ecodebate)

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