terça-feira, 5 de março de 2024

Impacto das Mudanças Climáticas na Evolução

As consequências das mudanças climáticas agora incluem, entre outras, secas intensas, escassez de água, incêndios severos, aumento do nível do mar, inundações, derretimento do gelo polar, tempestades catastróficas e declínio da biodiversidade.

Aprofunde-se no fascinante cenário do impacto das mudanças climáticas na evolução, explorando como as transformações ambientais moldaram e continuam a influenciar a vida na Terra.

As mudanças climáticas são um fenômeno que estende sua influência muito além das alterações imediatas nos padrões climáticos. À medida que a Terra passa por alterações significativas na temperatura, no nível do mar e em eventos climáticos extremos, o impacto no mundo natural, particularmente na evolução, torna-se uma preocupação crítica. A comunidade de jogos online, representada por plataformas como 777 Bet Casino, tem a oportunidade única de influenciar positivamente a consciência ambiental. Integrar práticas sustentáveis na indústria, desde a eficiência energética até a promoção de iniciativas ecológicas, pode ser um caminho significativo para enfrentar os desafios das mudanças climáticas. Este artigo explora a intricada relação entre as mudanças climáticas e a evolução, examinando as várias facetas que contribuem para o rosto em evolução da vida em nosso planeta.

Definição de Mudanças Climáticas

Mudanças climáticas referem-se a alterações de longo prazo na temperatura, precipitação e outras condições atmosféricas na Terra. Essas mudanças, frequentemente atribuídas às atividades humanas, têm profundas implicações para o meio ambiente e seus habitantes.

1ª publicação Importância da Evolução nos Processos Naturais

A evolução, o processo de mudança gradual em todas as formas de vida ao longo das gerações, é um aspecto fundamental do mundo natural. Ela molda as características e comportamentos das espécies, garantindo sua adaptabilidade ao ambiente em constante mudança.

Vínculo entre Mudanças Climáticas e Evolução

A complicada dança entre mudanças climáticas e evolução é uma interação complexa. Compreender essa relação é crucial para desvendar as potenciais consequências para a biodiversidade, ecossistemas e o futuro da vida na Terra.

O Papel da Temperatura

Efeitos na Distribuição das Espécies

O aumento das temperaturas altera a distribuição geográfica das espécies, empurrando-as para regiões mais frias. Essa migração apresenta desafios, pois os ecossistemas devem se adaptar à entrada de novas espécies, levando a uma paisagem evolutiva dinâmica.

Impacto nas Estratégias Reprodutivas

As mudanças de temperatura influenciam os comportamentos, o timing e o sucesso reprodutivo. As espécies podem ajustar suas estratégias reprodutivas, como estações de reprodução alteradas, para sincronizar com as condições ambientais em mudança.

Mudanças no Comportamento e Adaptação

Temperaturas mais altas podem provocar mudanças no comportamento das espécies, afetando hábitos alimentares, padrões de migração e interações com outros organismos. Essas mudanças comportamentais contribuem para as estratégias adaptativas das espécies em resposta às mudanças climáticas. (ecodebate)

domingo, 3 de março de 2024

Potencial colapso da circulação do Oceano Atlântico afeta clima europeu

Potencial colapso da circulação do Oceano Atlântico afeta fortemente o clima europeu.
Ilustração mostra o padrão da Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC).

Circulação do oceano Atlântico Norte vai entrar em colapso até o fim do século por causa da mudança climática, projeta estudo.

Pesquisadores da Universidade de Copenhague publicado na 'Nature' alerta que mudança na circulação das águas do Atlântico Norte deve ocorrer entre 2025 e 2095, um processo que afeta o clima global. Comunidade científica debate tema e cita desafios da análise.

Em algumas partes da Europa, o colapso da circulação meridional do Atlântico pode levar a uma diminuição de mais de 3°C por 10 anos.

Pesquisadores da Universidade de Utrecht simularam com sucesso o colapso da circulação oceânica em larga escala no Oceano Atlântico usando um modelo climático complexo, revelando graves repercussões climáticas globais com a Europa sofrendo o impacto. Eles publicaram suas descobertas na revista científica Science Advances.

A circulação meridional do Atlântico é um componente importante no sistema climático global, redistribuindo o calor através do oceano e regulando os climas globais e regionais. Tendências alarmantes indicam um declínio gradual em sua força nas últimas décadas, levantando preocupações de um enfraquecimento abrupto sob condições climáticas futuras.

Os pesquisadores observaram essas mudanças abruptas em modelos climáticos simplificados, mas ainda não usando a última geração de modelos climáticos de última geração.

A equipe de pesquisa, composta por Henk Dijkstra, Michael Kliphuis e René van Westen, projetou uma simulação na qual eles foram capazes de medir um súbito enfraquecimento da circulação oceânica. Na simulação, eles introduziram uma força de água doce no Oceano Atlântico. Como resultado, a força da circulação diminuiu gradualmente até atingir um ponto crítico e colapsou.

Imagem mostra as correntes do Atlântico Norte, com cores diferentes para indicar águas mais quentes em laranja e águas mais frias em verde e azul. Em cinza, estão representados os continentes.

Impacto no clima europeu

“Ficamos impressionados com as respostas transitórias e os impactos climáticos do colapso da circulação do Oceano Atlântico”, diz van Westen. Em sua simulação, o clima europeu esfria cerca de 1ºC por década, e algumas regiões até experimentam mais de 3°C de resfriamento por década.

Comparar esses números com a atual taxa de aquecimento global de 0,2°C por década ressalta a natureza sem precedentes dos impactos climáticos durante um evento de gorjeta. “As temperaturas mais frias sobre a Europa podem parecer positivas, mas as repercussões são de longo alcance, com outras regiões experimentando aquecimento acelerado e padrões de precipitação alterados. Além disso, um aumento de 1m no nível do mar europeu é projetado devido ao colapso abrupto da circulação oceânica”, adverte Van Westen.

Sistema de alerta precoce

Abordando a incerteza em torno da proximidade da circulação real do oceano ao seu ponto de inflexão, Dijkstra enfatiza a necessidade de um indicador de alerta precoce baseado em física e mensurável. Dijkstra: “Os registros observacionais atuais são muito curtos para fazer uma estimativa confiável, mas o indicador de alerta precoce mostra que estamos nos movendo na direção do ponto de inflexão”.

A irreversibilidade

Van Westen ressalta a urgência da situação, afirmando: “Uma vez que a circulação do Oceano Atlântico entra em colapso, os impactos climáticos resultantes são quase irreversíveis em escalas de tempo humanas, como nossa pesquisa anterior mostrou. Permanecer longe deste ponto de inflexão é imperativo para evitar consequências devastadoras no clima, na sociedade e no meio ambiente.

Resposta da temperatura da superfície durante o colapso do AMOC.

(A) tendência anual de temperatura de superfície de 2 m (modelos de 1750 a 1850). Os marcadores indicam tendências não significativas [P 0,05, teste t de dois lados]. (B) Semelhante a (A) mas agora para a tendência de temperatura da superfície de 2 m de fevereiro. Os pontos vermelhos indicam cinco cidades diferentes usadas em (C) e (D). Observe as diferentes faixas de barra de cores entre (A) e (B). (C) Diferença de temperatura (com relação ao modelo ano 1600) para cinco cidades diferentes, incluindo a força do AMOC. As tendências são determinadas ao longo dos anos modelo 1750 a 1850 (scaspa amarelo) durante o qual a força do AMOC diminui fortemente. (D) Tendências mensais de temperatura para as cinco cidades diferentes. (ecodebate)

O preço do desenvolvimento predatório na Amazônia

Já a exploração predatória da floresta rende entre US$ 42 bilhões e US$ 98 bilhões por ano, muito menos do que o valor da floresta em pé. É um modelo que destrói riquezas naturais sem impulsionar a economia.

Amazônia possui mais de 4 mil garimpos ilegais, mostra estudo da OTCA com WWF Brasil. Levantamento produzido pelo WWF-Brasil a pedido da Organização do Tratado de Cooperação da Amazônia (OTCA) aponta que 4.114 pontos de mineração ilegal assolam a Amazônia.
Garimpo ilegal na Amazônia

Na mira de grandes investimentos em obras de infraestrutura e de projetos da mineração, energia e do agronegócio, a Amazônia é vítima de um conjunto amplo de crimes ambientais.

Na maioria das vezes, trata-se de empreendimentos privados que, com o apoio dos governos estaduais e federal, aceleram o processo de desmatamento predatório e a destruição dos territórios e da vida dos povos amazônicos.

Esperada com entusiasmo pelo agronegócio, a Ferrogrão é um exemplo clássico dos projetos de infraestrutura que geram danos ambientais e violações de direitos. A ferrovia, que promete impulsionar o escoamento de grãos com um corredor de 933 quilômetros entre Sinop, no Mato Grosso, e Miritituba, no Pará, impactará 48 áreas protegidas, entre terras indígenas e unidades de conservação, e pode levar o Brasil a renunciar à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual é signatário.

O padre e ativista José Boeing, membro do Núcleo de Direitos Humanos e Incidência da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), chama atenção para o modelo de desenvolvimento adotado na região, que desconsidera a natureza e a cultura dos povos da Amazônia. “Essa ferrovia vai formar um corredor de exportação que só trará benefícios para o agronegócio. E o agronegócio não é sustentável”, afirma.

Inúmeros são os projetos de minero-metalúrgicos, petroquímicos, hidrelétricos, hidrovias, ferrovias, que obedecem à lógica econômica e se sobrepõe a outras preocupações, como o meio ambiente, o que segundo o bispo de Roraima e presidente da REPAM-Brasil, Dom Evaristo Pascoal Splengler, trata-se da disputa entre dois modelos de desenvolvimento: o predatório e o socioambiental.

O primeiro, das grandes corporações e do poder financeiro, parte do pressuposto da exploração exaustiva dos recursos da região em vista do lucro. O segundo, considera a convivência harmoniosa com a floresta e os povos originários.

A Amazônia é alvo de investimentos desde o ciclo da borracha, seja motivada pelas políticas de exploração ou pelas estratégias adotada nos planos de ocupação do território incentivados pela exploração de seus recursos e de ações governamentais.

Para o padre Dário Bossi, missionário comboniano e assessor da Rede Igreja e Mineração, a Amazônia sempre foi considerada como uma terra de conquista. “Amazônia foi pensada “de fora para dentro”, com grandes projetos considerados “desenvolvimento”, caracterizados pelo viés do extrativismo predatório: retirar matérias prima como látex, madeira, ouro, outros minérios, petróleo, gás, água, os quais necessitam de grandes infraestruturas para o escoamento dos produtos e de mão de obra barata” declarou.

“Nesse sentido, para retirar então essa matéria prima é preciso tirar o que está em cima, ou seja, as comunidades, as pessoas, os animais e toda biodiversidade de um território, tudo isso em prol do “desenvolvimento”. Só que esse “desenvolvimento” custa muito caro para as populações que foram em sua maioria deslocadas forçadamente, ou estão no entorno desses grandes empreendimentos”, completa padre Dário.

O missionário alerta que as obras de infraestrutura na Amazônia são criadas para atender e produzir riqueza para fora da região, enquanto resta para os povos amazônicos os prejuízos sociais, ambientais e econômicos. “Infelizmente é uma Amazônia pensada de fora para dentro, onde os territórios sagrados, os bens comuns da natureza, a fauna e a flora e a manutenção da vida dos povos da floresta estão em constantes ameaças por conta da expansão desses grandes projetos econômicos”, conclui.

O último relatório da Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), divulgado em 2019, apontou que 68% das terras indígenas e áreas naturais protegidas estão sob pressão de estradas, mineração, barragens, perfuração de petróleo, incêndios e desmatamento.

O levantamento da RAISG mostrou que, dos 6.345 territórios indígenas localizados nos nove países amazônicos pesquisados (Brasil, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Peru, Equador, Guiana, Guiana Francesa e Suriname), 2.042 (32%) estão ameaçados ou pressionados por dois tipos de projetos de infraestrutura, enquanto 2.548 (41%) estão ameaçados ou pressionados por pelo menos um. Apenas 8% não estão em situação de ameaça ou pressão.
O procurador regional da República e assessor da REPAM-Brasil, Felício Pontes, afirma que o primeiro problema desses grandes projetos é que eles não levam em consideração os grupos e comunidades impactadas e que, por isso, a Convenção 169 determina que seja realizada a consulta prévia aos povos atingidos.

“Se essa [consulta] fosse realizada, teríamos muitos problemas já equacionados antes do início dessas obras, porque já sabíamos pelas pessoas que moram lá algumas consequências desses projetos que não são normalmente mencionados no Estudo de Impacto Ambiental”, destaca.

A Convenção 169 da OIT trata da definição sobre os povos indígenas e tradicionais, e ainda elenca uma série de obrigações de governos e empresas, entre elas, o direito à consulta prévia, livre e informada a partir das suas diferentes formas de organização e instituições comunitárias.

“Os projetos afetam como um todo a própria região, em alguns lugares, por exemplo, no caso de Belo Monte, já estamos vivenciando o ecocídio da volta grande do Xingu. Ele mata o próprio ecossistema com a possibilidade de se fazer a extinção de espécies de peixes e isso traz uma consequência terrível para essas comunidades. Então, nesse projeto, onde se usa a água dos rios amazônicos, os ribeirinhos e os pescadores artesanais são os mais impactados”, conta o procurador.

Ele cita outros projetos que afetam a região, como é o caso das rodovias, que impactam no desmatamento na Amazônia e no próprio clima do planeta. “Nós já sabemos e é cientificamente comprovado que as estradas são os maiores vetores de desmatamento na Amazônia e isso atinge também aqueles que dependem da floresta para sobreviver”, afirma.

O rastro de destruição começa antes mesmo das obras, pois essas iniciativas costumam valorizar as terras e chamar atenção da especulação imobiliária.

“Quando esses projetos são realizados existe uma especulação imobiliária, uma migração muito forte que alguns lugares até em pouquíssimos anos, 2 a 3 anos, a população local dobra. Então você imagina numa cidade em que não existe infraestrutura suficiente para dar conta já da população existente no local, em termos de saúde e educação, e essa cidade vê a sua população dobrando e em menos de 2 ou 3 anos torna-se um caos por conta dessa migração desenfreada”, explica Felício.

À medida que se intensificam as pressões na Amazônia, fica claro o preço que se paga pelo “desenvolvimento”, pois a lógica desses grandes projetos leva a impactos ambientais irreversíveis, apresentando grandes mudanças socioambientais, o que inclui o aumento da pobreza, o deslocamento forçado de famílias, a violência e o surto de doenças.

A solução está na promoção das práticas sustentáveis, na fiscalização e aplicação das leis ambientais e no apoio de alternativas econômicas que valorizem a proteção da biodiversidade e dos ecossistemas. A adoção de medidas eficazes, a conscientização global e o compromisso com a sustentabilidade são fundamentais para assegurar que a Amazônia continue desempenhando seu papel vital na manutenção do equilíbrio ambiental.

Essa reportagem faz parte do especial Desenvolvimento predatório na Amazônia. Nele, a Rede Eclesial Pan-Amazônica REPAM-Brasil detalha os impactos dos grandes projetos de desenvolvimento na Amazônia. (ecodebate)

Desafios e oportunidades da descarbonização da indústria brasileira

O desafio de alcançar emissões líquidas zero até 2050 exige realizar cortes rápidos e profundos nas emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa (GEE), com foco estratégico no metano, até 2030, conforme destacado pela Agência Internacional de Energia (IEA).

É uma jornada complexa, sem margem para simplificações, e requer uma análise meticulosa das nuances que devem ser cuidadosamente consideradas no planejamento para a gestão da descarbonização, impondo desafios e oportunidades importantes para a indústria brasileira.

Neste contexto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) propõe um roteiro estratégico com o objetivo de alcançar as metas de descarbonização, fortalecendo simultaneamente a competitividade e a estabilidade econômica.

Mas o que é a descarbonização? É o processo de interromper ou reduzir a liberação de gases de efeito estufa, especialmente dióxido de carbono, na atmosfera, como resultado de um processo, como a queima de combustíveis fósseis.

Este artigo destaca algumas propostas da CNI, considerando sua repercussão no cenário nacional.

Para alcançar o cenário net zero, a CNI estabelece um conjunto de medidas gerais e específicas que contribuem para acelerar a descarbonização do setor industrial brasileiro e garantir competitividade frente a uma indústria global que está acelerando seu processo de descarbonização, tendo em consideração o cenário internacional e aspectos nacionais de mitigação, as potencialidades e custos das medidas de baixo carbono no setor industrial.

Entre as medidas destacamos aquelas que merecem especial atenção por apresentarem potencial de gerar benefícios a curto-médio prazo.

A CNI destaca a necessidade de maior engajamento do setor industrial na construção do novo Plano Setorial de Mitigação e do Plano de Adaptação, que permite a integração de perspectivas práticas e conhecimentos especializados do setor, contribuindo para a elaboração de estratégias mais eficazes e alinhadas com as metas nacionais de mitigação e adaptação.

A redução das emissões de metano é outra prioridade, abrangendo setores como agricultura, produção de petróleo e gás, e resíduos. No contexto brasileiro, práticas agrícolas de baixo carbono e inovações na gestão de resíduos são consideradas estratégias para o alcance das metas.

O roteiro da CNI destaca ainda a necessidade premente do inventário de emissões completo, considerando não apenas as emissões diretas, mas também dados de fornecedores e emissões incorporadas aos produtos, permitindo uma compreensão holística do impacto ambiental da cadeia produtiva, identificando áreas específicas para redução e compensação de emissões residuais.

Diante do complexo desafio da descarbonização da indústria brasileira, o roteiro da CNI apresenta um caminho promissor. Para adentrar esse cenário de transformações, é imprescindível estabelecer medidas específicas que possam conduzir este setor em direção a uma trajetória mais sustentável e competitiva.

Este desafio passa pela implementação de processos sólidos de monitoramento, relato e verificação (MRV), em conjunto com a criação de um registro nacional de emissões de gases de efeito estufa (GEE) provenientes das atividades industriais. Essa estrutura, alinhada aos padrões internacionais, como o GHG Protocol, garante a comparabilidade de dados e fortalece a transparência, oferecendo uma base consistente e confiável para avaliar o progresso em direção às metas de descarbonização.

Além disso, apoiar a simplificação dos processos de transação de créditos de carbono no mercado voluntário, garantindo a integralidade de seus ativos, é fundamental para estimular a participação ativa das indústrias e impulsionar o desenvolvimento de projetos de Soluções Baseadas na Natureza (SBN), reforçando a posição do Brasil no cenário global.

Outro aspecto importante é o investimento em projetos capazes de gerar co-benefícios, transformando-se em recursos para comunidades tradicionais e pequenos produtores, como forma de suavizar os impactos sociais da descarbonização e criar oportunidades tangíveis para o desenvolvimento local e a promoção de práticas sustentáveis.

Ao implementar essas medidas específicas, a indústria brasileira se consolida como protagonista na transição para uma economia sustentável, de baixo carbono e reforça sua competitividade no panorama internacional.

Embora o setor industrial seja grande e diversificado, a meta de descarbonizar a produção industrial para alcançar emissões líquidas zero até 2050 é viável, de acordo com diversos estudos e casos práticos de sucesso internacionais.

É fundamental que a indústria brasileira busque referências no mercado para a gestão da descarbonização, com a competência técnica e experiência requerida para tratar de um tema tão complexo e transversal.

Segundo a CNI, o custo adicional de descarbonização para a economia brasileira, considerando os dados obtidos em conjunto com segmentos industriais neste estudo, seria de US$ 8 bilhões, ou cerca de R$ 40 bilhões até 2050. Por custo adicional de descarbonização entende-se o custo de investimento total na tecnologia de baixo carbono subtraído do custo de investimento total da tecnologia business as usual.

Nesse quesito, vale destacar a startup MOWA – Carbon Neutral, especializada em gestão da descarbonização e net-zero, com foco em setores como energia, resíduos, efluentes, processos industriais e agricultura de baixo carbono e que conta com um time de profissionais com mais de uma década de experiência em mudanças climáticas e desenvolvimento de baixo carbono.

Como um startup inovador, oferece a oportunidade de iniciar ou aprimorar a contabilização e relato de emissões corporativas segundo diretrizes e procedimentos globalmente reconhecidos, de elaborar um plano de descarbonização embasado em pesquisas, estudos de tecnologias, oportunidades de mercado e ainda uma análise minuciosa e detalhada do potencial de redução de emissões para cada ação adotada. Além disso, oferece orientação na compra de créditos de carbono verificadas a partir de fontes credíveis que se alinhem com a missão da sua empresa e com os princípios net zero. (ecodebate)

sexta-feira, 1 de março de 2024

Mistura de diesel com biodiesel pode abastecer navios de forma eficiente

Mistura de diesel com biodiesel pode abastecer navios de forma eficiente, diz estudo.
Em um cenário preocupante em que o meio ambiente exige que o mercado de petróleo procure formas de descarbonização, o Ministério de Minas e Energia e a ANP vão receber em março um estudo sobre a utilização de biodiesel como combustível nas embarcações. A pesquisa mostra que a adição de 7% do biocombustível ao diesel marítimo pode ser utilizada sem gerar perdas em comparação ao combustível tradicional.

O estudo começou a ser feito em 2021. O biodiesel utilizado é de segunda geração, feito 50% a partir de resíduos animais, como sebo suíno ou gordura de porco, e os outros 50% com óleo de cozinha usado.

A pesquisa foi feita pela Bunker One, empresa multinacional de comercialização de bunker (combustíveis marítimos), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). De acordo com o CEO da empresa, Flavio Ribeiro, ao entregar esse primeiro teste ao governo, o material poderá ser avaliado e replicado por outros agentes, abrindo caminho para novas pesquisas e aprofundamentos, que culminem na adoção do biodiesel no bunker.

"Nossa ideia é uma adoção gradual do biocombustível pela indústria de petróleo e gás e naval. Esse estudo é um primeiro passo, que apontou a viabilidade do seu uso nas operações marítimas. Agora, é importante que haja uma continuidade, com mais testes e projetos que demonstrem a funcionalidade do biocombustível e uma boa vontade dos players do mercado para que esse novo produto seja rapidamente inserido nas operações", disse o executivo.

No teste feito com a mistura do biodiesel com diesel marítimo foi registrada uma redução de 2% na emissão de gás carbônico. De acordo com a professora de Química do Petróleo da UFRN Amanda Gondim, que participou do projeto, a expectativa é que um aumento do percentual de biodiesel na mistura gere uma redução proporcional na emissão de gases do efeito estufa.

Segundo Flavio Ribeiro, da Bunker One, a empresa tem clientes interessados em biocombustível. E, seguindo os passos da matriz dinamarquesa, a subsidiária brasileira espera poder, em um futuro próximo, comercializar combustíveis verdes no Brasil.

A Petrobras também tem feito testes sobre o desempenho do combustível marítimo e o biodiesel. Em dezembro, eles abasteceram um navio usado em rotas de cabotagem de contêineres no litoral brasileiro com biodiesel certificado derivado de gordura animal (sebo) na mistura com o bunker mineral.

Combustíveis do futuro: é hora de começar a levar a sério a energia alternativa

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou em dezembro o aumento dos percentuais de biodiesel no óleo diesel, utilizado no transporte rodoviário. A partir de março, a mistura subirá de 12% para 14%. Para 2025, subirá para 15%. (biodieselbr)

Vírus de 15 mil anos é descongelado de geleiras no Tibete

O gelo glacial, guardião silencioso de segredos antigos, está desvendando mistérios através do derretimento acelerado causado pelo aquecimento global. Entre as descobertas notáveis estão vírus de 15 mil anos, ressurgindo das profundezas do permafrost tibetano. Essas criaturas microscópicas foram reveladas em um estudo liderado pelo microbiologista Zhi-Ping Zhong da Ohio State University e publicado na revista Microbioma. O estudo centrou-se em amostras de gelo da calota polar Guliya, situada a 6,7 quilômetros acima do nível do mar no planalto tibetano.

Amostragem e sequenciamento avançados

O estudo emprega técnicas metagenômicas e experimentos controlados com núcleos de gelo artificial, superando desafios como baixa biomassa e contaminação. Os resultados revelam linhagens dominantes, como Janthinobacterium e Methylobacterium, em diferentes núcleos de gelo, proporcionando informações relevantes sobre a diversidade microbiana e suas adaptações climáticas ao longo dos anos.

Através do sequenciamento quantitativo de baixa entrada, foram identificadas 33 unidades taxonômicas virais exclusivas, abrindo um novo capítulo na compreensão da variabilidade genética de vírus em ambientes glaciares. Esse avanço tecnológico permite uma análise mais profunda do papel desses micróbios e vírus no contexto climático e ecológico.

Origens e funções virais

Os vírus do gelo de 15 mil anos apresentam uma história genética intrigante. Comparando sequências genéticas, os pesquisadores identificaram bacteriófagos que infectam Methylobacterium como os mais abundantes. Isso sugere uma associação com bactérias essenciais para o ciclo do metano, destacando a importância desses organismos antigos em processos ambientais.

Além disso, a anotação funcional do genoma revelou genes metabólicos auxiliares, indicando que os vírus podem desempenhar um papel na aquisição de nutrientes para seus hospedeiros. Essas descobertas não apenas abrem novas perspectivas sobre a adaptação viral, mas também destacam a complexidade das interações entre micróbios e vírus em ambientes glaciares.

Desafios e potenciais impactos

O estudo ressalta a urgência de compreender as implicações do derretimento glacial, não apenas pela perda de micróbios e vírus antigos, mas também pelo potencial de liberação desses agentes infecciosos no futuro. Com o espectro dos vírus antigos ganhando destaque após a pandemia de covid-19, a preocupação vai além das consequências diretas para a saúde humana. Enormes reservas de metano e carbono, liberadas pelo gelo derretido, representam um risco significativo para o equilíbrio ambiental, destacando a necessidade de abordagens sustentáveis para lidar com as mudanças climáticas.

O estudo sobre os vírus antigos congelados nas geleiras tibetanas não apenas desvenda segredos microbianos de eras passadas, mas também serve como um lembrete urgente sobre os desafios contemporâneos. À medida que exploramos o desconhecido, é imperativo entender como os micróbios e vírus respondem às mudanças climáticas. Esse mergulho nas profundezas do gelo destaca a importância de preservar e proteger esses ecossistemas cruciais para o equilíbrio global.

 (megacurioso)

Mudança climática diminuirá a produtividade das principais safras

A temperatura não é o único fator relevante para a futura safra. Níveis mais altos de dióxido de carbono na atmosfera têm um efeito positivo no crescimento da safra, especialmente para o trigo. No entanto, também pode reduzir seu valor nutricional.
Novas simulações preveem mudanças profundas nas condições de cultivo que afetam a produtividade das principais safras já nos próximos 10 anos se as tendências atuais de aquecimento global continuarem.

Prevê-se que o rendimento das safras de milho diminua em quase um quarto até o final do século, enquanto o trigo pode ter o potencial de aumentar a produção global de cerca de 17%.

As atuais regiões principais do celeiro verão mudanças severas muito mais rápido do que o esperado anteriormente, exigindo que os agricultores de todo o mundo se adaptem às novas realidades climáticas agora.

“Vemos que as novas condições climáticas empurram a safra para fora da faixa normal em cada vez mais regiões. As emissões de gases de efeito estufa causadas pelo homem trazem temperaturas mais altas, mudanças nos padrões de precipitação e mais dióxido de carbono no ar. Isso afeta o crescimento da safra, e descobrimos que o surgimento do sinal de mudança climática – o momento em que anos extraordinários se tornam a norma – ocorrerá na próxima década ou logo depois em muitas regiões importantes de produção de alimentos em todo o mundo ”, explica o autor principal Jonas Jägermeyr, um modelador de culturas e cientista do clima no Instituto Goddard de Estudos Espaciais (GISS) da NASA, no Instituto da Terra na Universidade de Columbia na cidade de Nova York e no Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto 1ª publicação Climático (PIK). “Isso significa que os agricultores precisam se adaptar muito mais rápido, por exemplo, mudando as datas de plantio ou usando diferentes variedades de culturas, para evitar perdas graves, mas também para obter ganhos em regiões de latitude mais alta”.

O milho diminui, o trigo aumenta

Ao combinar um conjunto de novas projeções climáticas e vários modelos de cultivo de última geração, a equipe de pesquisadores criou o maior conjunto de projeções de rendimento futuro até hoje. Eles encontraram mudanças significativas em um futuro muito próximo e nas regiões de crescimento mais importantes. O milho é cultivado em uma ampla gama de latitudes, incluindo países subtropicais e tropicais onde a temperatura mais alta será mais prejudicial do que em regiões mais frias de alta latitude. A América do Norte e Central, a África Ocidental, a Ásia Central e Oriental verão potencialmente uma queda na produção de milho em mais de 20 por cento nos próximos anos. O trigo, que cresce melhor em climas temperados, pode, por sua vez, apresentar aumento de produtividade nas áreas de cultivo atuais devido à mudança climática, incluindo áreas no norte dos Estados Unidos e Canadá, e na China.

Exacerbando as desigualdades existentes

“Um efeito que os dados mostram claramente é que os países mais pobres provavelmente experimentarão as quedas mais acentuadas na produção de suas principais culturas básicas. Isso agrava as diferenças já existentes em segurança alimentar e riqueza ”, diz Christoph Müller, coautor e também pesquisador do Instituto Potsdam. É importante ressaltar que os ganhos do trigo no Norte Global não compensam as perdas de milho no Sul Global. Os países pobres e, claro, os próprios pequenos agricultores afetados muitas vezes não têm os meios para obter alimentos no mercado mundial. A mudança fundamental projetada nos padrões de produção agrícola pode, portanto, em algumas regiões tornar-se um risco para a segurança alimentar, enquanto outras lucram.

A temperatura não é o único fator relevante para a futura safra. Níveis mais altos de dióxido de carbono na atmosfera têm um efeito positivo no crescimento da safra, especialmente para o trigo. No entanto, também pode reduzir seu valor nutricional. O aumento das temperaturas globais também está relacionado a mudanças nos padrões de chuva e na frequência e duração das ondas de calor e secas, que são riscos para a saúde e a produtividade das colheitas. “Mesmo em cenários otimistas de mudança climática, onde as sociedades envidam esforços ambiciosos para limitar o aumento da temperatura global, a agricultura global está enfrentando uma nova realidade climática”, disse Jägermeyr. (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...