sexta-feira, 13 de junho de 2025

A crise ambiental causada pela poluição plástica

Poluição plástica se tornou uma crise global

A poluição plástica é uma crise ambiental global, com impactos devastadores na vida marinha, ecossistemas terrestres e na saúde humana. O acúmulo de resíduos plásticos, especialmente em oceanos, ameaça a biodiversidade, causa contaminação e pode levar à morte de animais marinhos. Além disso, a poluição plástica afeta a saúde humana, com a possível contaminação de alimentos e água, e está relacionada a problemas de saúde pública.

Impactos da poluição plástica:

Meio ambiente:

Poluição dos oceanos: Milhões de toneladas de plástico são descartadas em oceanos anualmente, causando danos à vida marinha e alterando ecossistemas.

Contaminação de ecossistemas: O plástico afeta a vida marinha, penetra na cadeia alimentar e contamina solos e águas.

Acúmulo de resíduos: O plástico leva séculos para se decompor, resultando em um acúmulo crescente de resíduos em aterros sanitários, lixões e no meio ambiente.

Saúde humana:

Ingestão de microplásticos: Animais marinhos contaminados com plástico entram na cadeia alimentar, levando à ingestão de microplásticos por humanos.

Exposição a substâncias tóxicas: O plástico pode liberar substâncias tóxicas durante sua produção e decomposição, representando riscos à saúde.

Doenças cardiovasculares: Estudos sugerem uma possível relação entre a presença de microplásticos e o aumento de doenças cardiovasculares.

Sociedade:

Injustiça ambiental: A poluição plástica afeta desproporcionalmente comunidades em vulnerabilidade, que sofrem mais com os impactos da contaminação.

Impactos econômicos: A poluição plástica causa prejuízos financeiros devido à limpeza de áreas contaminadas, danos à pesca e ao turismo, entre outros.

Brasil é um dos países que mais gera lixo plástico

Soluções e desafios:

Redução do consumo:

É fundamental reduzir o consumo de plástico descartável, buscando alternativas mais sustentáveis.

Reciclagem e gestão de resíduos:

É preciso investir em sistemas eficientes de reciclagem e gestão de resíduos para evitar que o plástico chegue ao meio ambiente.

Inovação tecnológica:

O desenvolvimento de materiais biodegradáveis e a busca por soluções inovadoras para a produção e o descarte de plástico são essenciais.

Conscientização e educação ambiental:

É importante promover a conscientização sobre os impactos da poluição plástica e a importância da mudança de comportamento.

Regulamentação e políticas públicas:

É necessário estabelecer regulamentações e políticas públicas que incentivem a redução do consumo de plástico e a gestão adequada de resíduos.

A crise da poluição plástica é complexa e exige ações urgentes e coordenadas em diferentes níveis, desde a redução do consumo até a inovação tecnológica e a criação de políticas públicas eficazes.

Aproximadamente 8 milhões de toneladas de plástico são descartados em nossos oceanos anualmente, desequilibrando o ecossistema marinho de várias formas, como: O plástico degrada-se em partículas menores, que são ingeridas por peixes e outros animais e aves marinhas.

A tragédia persistente do plástico

Este documento síntese aborda a crise ambiental causada pela poluição plástica, destacando o papel dos interesses econômicos na perpetuação do problema e os impactos devastadores no meio ambiente e na saúde humana

O artigo “Lucros que não se decompõem: a tragédia persistente do plástico”, publicado aqui no EcoDebate, escrito por Reinaldo Dias, aborda a crise da poluição plástica como um símbolo da era do descartável e um problema impulsionado por interesses econômicos da indústria petroquímica.

Ele detalha o crescimento exponencial da produção e consumo de plásticos, a baixa taxa de reciclagem global e os impactos devastadores no meio ambiente, incluindo a contaminação de oceanos, vida selvagem e até mesmo o corpo humano por micro e nanoplásticos.

O texto também explora as dificuldades e entraves internacionais na criação de um tratado global para combater a poluição plástica, destacando a resistência de países produtores de petróleo e grandes corporações, e sugere alternativas sustentáveis e políticas públicas para mitigar a crise.

Reinaldo Dias aborda a crise ambiental causada pela poluição plástica, destacando o papel dos interesses econômicos na perpetuação do problema e os impactos devastadores no meio ambiente e na saúde humana.

Relatório da ONU sobre poluição plástica alerta sobre falsas soluções e confirma necessidade de uma ação global urgente.

Principais Temas e Ideias:

1. A Tragédia do Plástico como Símbolo da Era do Descartável e a Influência dos Interesses Econômicos:

• O plástico é identificado como o “símbolo mais perverso da era do descartável” em um planeta que “afunda lentamente em seus próprios resíduos”.

• A crise da poluição plástica é alimentada por “interesses econômicos que não se decompõem”.

• Lobbies dos combustíveis fósseis, grandes potências petroleiras e corporações multinacionais agem como “forças contrárias à vida”, “bloqueando tratados, sabotando regulações e retardando o que já deveria ser urgente: o enfrentamento coordenado de um desastre ecológico anunciado”.

• A “sustentabilidade do planeta é moeda de troca, sacrificada sem hesitação em nome de lucros que se acumulam — e permanecem, como o plástico, por tempo indefinido”.

1. Crescimento Exponencial da Produção e Consumo de Plásticos e a Baixa Taxa de Reciclagem:

• Mais de 8 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas desde 1950, grande parte ainda presente nos ecossistemas.

• A produção anual de plástico é de cerca de 460 milhões de toneladas, com projeções de triplicar até 2060 se não houver políticas rigorosas.

• Menos de 60 multinacionais são responsáveis por mais da metade da poluição plástica global, com destaque para Coca-Cola (11%), PepsiCo (5%), Danone (3%), Nestlé (3%), Altria (2%) e Philip Morris International (2%). A maioria dos resíduos rastreados são de embalagens descartáveis de alimentos, bebidas e tabaco.

• A produção global de plástico dobrou desde 2000, enquanto a taxa de reciclagem “permanece em apenas 9%”.

• Há uma “correlação direta entre o aumento da produção de plástico e a intensificação da poluição ambiental”.

• A indústria petroquímica aposta agressivamente na produção de polímeros como alternativa econômica diante da redução do consumo de combustíveis fósseis, contrariando esforços internacionais por um tratado global.
Como a poluição do meio ambiente por plástico pode prejudicar sua saúde

1. Resistência ao Tratado Global sobre Plásticos e o Papel das Grandes Corporações:

• As negociações para um Tratado Global sobre Plásticos, iniciado em 2022 com o objetivo de eliminar a poluição plástica até 2040, enfrentam dificuldades e o prazo foi estendido para 2025.

• A resistência vem principalmente dos “países produtores de petróleo” que se opõem a restrições obrigatórias na produção de polímeros, insistindo em medidas voluntárias focadas apenas na gestão de resíduos e reciclagem.

• Grandes corporações, como a Coca-Cola, que foi apontada como a maior poluidora plástica do mundo por seis anos, têm “revisto silenciosamente seus compromissos ambientais”, reduzindo metas de conteúdo reciclado e adiando metas de coleta de embalagens.

• A ausência de um compromisso renovado com embalagens reutilizáveis pela Coca-Cola foi interpretada como um “retrocesso significativo”.

• As dificuldades nas negociações “revelam não apenas a resistência dos países produtores de petróleo, mas também o papel de grandes corporações”.

1. Impactos Devastadores da Poluição Plástica no Meio Ambiente:

• Cerca de 20 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todos os anos, “afetando profundamente a biodiversidade marinha”.

• Ecossistemas protegidos, como o Parque Marinho de Abrolhos no Brasil, já apresentam “altos níveis de contaminação por microplásticos”.

• Um estudo recente revelou que a ingestão de plásticos está causando “danos cerebrais em filhotes de cagarra-negra (Puffinus griséus), semelhantes às doenças de Alzheimer e Parkinson em humanos”. Os filhotes apresentam “neurodegeneração, deterioração do estômago e ruptura celular” devido aos resíduos plásticos ingeridos.

• Estudos anteriores mostram que um único filhote pode carregar até 400 pedaços de plástico, representando 10% do seu peso corporal.

• A neurodegeneração observada “evidencia o impacto profundo e irreversível da poluição plástica na vida selvagem marinha”, comprometendo funções vitais e inviabilizando a sobrevivência.

As mudanças de atitudes sem precedentes necessárias para evitar uma catástrofe ambiental.

1. Ameaça dos Micro e Nanoplásticos à Saúde Humana e Segurança Alimentar:

• Micro e nanoplásticos se tornaram uma “ameaça onipresente”, infiltrando-se em alimentos, água potável, ar e “até mesmo no corpo humano”.

• Estudos recentes revelam a presença dessas partículas em órgãos como cérebro, fígado e pulmões, indicando uma “ameaça potencialmente grave à saúde humana, cujas consequências ainda estão sendo compreendidas”.

• A presença de microplásticos em tecidos humanos está associada a “maior risco de doenças cardiovasculares, inflamações e danos celulares”.

• Pesquisas no Brasil avaliam a correlação entre microplásticos no sangue e a incidência de doenças cardíacas.

• A poluição por microplásticos ameaça a segurança alimentar global ao reduzir a fotossíntese de plantas terrestres (cerca de 12%) e algas marinhas (7%), podendo causar perdas significativas na produção de culturas como trigo, arroz e milho e reduzir a pesca.

• Como resultado, “até 400 milhões de pessoas podem enfrentar insegurança alimentar nas próximas décadas”.

• Micro e nanoplásticos estão presentes na água potável, inclusive na água engarrafada. Estudos revelam que um litro de água engarrafada pode conter, em média, 240.000 fragmentos de plástico detectáveis, sendo 90% nanoplásticos.

• Na Espanha, um estudo encontrou entre 110.000 e 370.000 fragmentos plásticos por litro de água engarrafada, excedendo estimativas anteriores em até 100 vezes.

• Além dos microplásticos, aditivos químicos como estabilizantes e plastificantes também são encontrados na água engarrafada, representando “riscos significativos à saúde humana”.

• Estima-se que, ao beber dois litros de água por dia, uma pessoa ingere 262 microgramas de partículas plásticas por ano.

1. Limitações da Reciclagem e Greenwashing Corporativo:

• Apesar de ser frequentemente apresentada como solução, “apenas cerca de 9% do plástico produzido no mundo é efetivamente reciclado”.

• Países como o Brasil possuem índices ainda mais baixos, reciclando “pouco mais de 1%”.

• “Dificuldades técnicas e econômicas limitam significativamente a reciclagem”, especialmente para plásticos complexos.

• Iniciativas corporativas destinadas a resolver o problema da reciclagem têm demonstrado ser mais “marketing do que soluções efetivas”.

• A Aliança para Acabar com o Lixo Plástico (AEPW) é citada como um caso de “greenwashing”, tendo coletado menos de 0,1% da quantidade de plástico produzida pelas empresas membros.
O plástico é um material cada vez mais presente na nossa rotina.

Informações chocantes sobre o plástico no meio ambiente

Pequenas ações do dia a dia podem contribuir para reduzir a poluição desse material na natureza.

1. Entraves Internacionais, Interesses Econômicos e Retrocessos Políticos:

• As negociações para o tratado global enfrentam “forte resistência da indústria petroquímica e de países dependentes da produção de petróleo”.

• Países produtores de petróleo argumentam contra restrições obrigatórias na produção de polímeros e insistem em medidas voluntárias.

• Questões de financiamento também são fontes de conflito, com países em desenvolvimento reivindicando apoio financeiro justo.

• A indústria petroquímica utiliza “estratégias de manipulação da opinião pública”, como a contratação de influenciadores digitais para promover mensagens favoráveis ao plástico, omitindo informações sobre as baixas taxas de reciclagem.

• Ações que “expõem uma questão ética e política fundamental, evidenciando como interesses econômicos específicos podem dificultar a implementação de políticas ambientais globais”.

• O caso dos Estados Unidos sob a administração Trump ilustra como políticas ambientais podem retroceder rapidamente, com a revogação de restrições e incentivo ao uso de produtos altamente poluentes, “ignorando evidências científicas e preocupações globais”.

1. Alternativas Sustentáveis e Políticas Públicas Necessárias:

• A transição gradual do plástico para materiais mais sustentáveis, como vidro e papel, pode “evitar a geração de milhões de toneladas de resíduos e diminuir substancialmente as emissões de carbono”.

• Essa mudança pode impulsionar a bioeconomia e a economia circular.

• O Projeto de Lei 2524/2022 no Brasil propõe a reformulação dos padrões de produção e consumo de plástico, incluindo a “eliminação progressiva de itens plásticos descartáveis”.

• Políticas públicas sólidas, incentivos econômicos para inovação tecnológica e o “envolvimento ativo da sociedade civil, por meio da educação ambiental e campanhas de conscientização”, são fundamentais.

• O “engajamento comunitário é fundamental para uma real transformação sustentável”.

Mensagem Central:

O artigo conclui que é “imperativo rejeitar a falsa narrativa sustentada pelos interesses econômicos da indústria petroquímica” e enfrentar a “catástrofe ambiental e social representada pela poluição plástica” com urgência e vigor. A “resistência de países dependentes dos combustíveis fósseis às regulamentações internacionais expõe claramente o conflito entre lucro e preservação ambiental”. Para evitar o agravamento da crise, são essenciais acordos internacionais juridicamente vinculantes que obriguem os produtores a assumir responsabilidade, investimentos na economia circular, substituição do plástico por alternativas sustentáveis e educação ambiental massiva.
Anualmente, 8 milhões de toneladas de plástico são descartados em nossos oceanos.

 1. O plástico pode levar mais de 400 anos para se decompor

Citações Relevantes:

• “Num planeta que afunda lentamente em seus próprios resíduos, o plástico se tornou o símbolo mais perverso da era do descartável”.

• “Por trás do brilho da conveniência, escondem-se os lobbies dos combustíveis fósseis, que seguem ditando os rumos da produção global”.

• “A sustentabilidade do planeta é moeda de troca, sacrificada sem hesitação em nome de lucros que se acumulam — e permanecem, como o plástico, por tempo indefinido”.

• “Atualmente, cerca de 460 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente, e projeções alarmantes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que esse volume poderá triplicar até 2060 caso não sejam implementadas políticas globais rigorosas”.

• “Um estudo de 2024 revelou que menos de 60 multinacionais são responsáveis por mais da metade da poluição plástica global…”.

• “Embora algumas empresas tenham adotado medidas voluntárias para reduzir sua pegada ambiental, a produção global de plástico dobrou desde 2000, enquanto a taxa de reciclagem permanece em apenas 9%”.

• “A indústria petrolífera, diante da redução da demanda por combustíveis fósseis, passou a direcionar seus investimentos à produção de plásticos, garantindo lucros significativos e sustentando sua relevância econômica global”.

• “As dificuldades na criação de um Tratado Global sobre Poluição Plástica revelam não apenas a resistência dos países produtores de petróleo, mas também o papel de grandes corporações”.

• “Cerca de 20 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todos os anos, afetando profundamente a biodiversidade marinha”.

• “Um estudo recente revelou que a ingestão de plásticos está causando danos cerebrais em filhotes de cagarra-negra (Puffinus griséus), semelhantes às doenças de Alzheimer e Parkinson em humanos”.

• “Micro e nanoplásticos… tornaram-se uma ameaça onipresente, infiltrando-se em alimentos, água potável, ar e até mesmo no corpo humano”.

• “Estudos recentes revelam a presença dessas partículas em órgãos como cérebro, fígado e pulmões, indicando uma ameaça potencialmente grave à saúde humana…”.

• “A poluição por microplásticos também ameaça a segurança alimentar global ao reduzir a fotossíntese de plantas terrestres em cerca de 12% e algas marinhas em 7%”.

• “Um litro de água pode conter, em média, 240.000 fragmentos de plástico detectáveis, sendo 90% deles nanoplásticos”.

• “Apenas cerca de 9% do plástico produzido no mundo é efetivamente reciclado. Países como o Brasil possuem índices ainda mais baixos, reciclando pouco mais de 1%”.

• “Iniciativas corporativas destinadas a resolver o problema da reciclagem têm demonstrado ser mais marketing do que soluções efetivas… caracterizando um evidente caso de “greenwashing””.

• “As negociações para um tratado global juridicamente vinculante têm enfrentado forte resistência da indústria petroquímica e de países dependentes da produção de petróleo”.

• “A indústria petroquímica tem desempenhado papel decisivo ao bloquear avanços regulatórios e promover estratégias de manipulação da opinião pública”.

• “É essencial olhar criticamente para essas iniciativas corporativas, já que muitas vezes elas representam uma estratégia para melhorar a imagem pública sem mudar substancialmente práticas produtivas nocivas”.

• “A transição gradual do plástico para materiais mais sustentáveis, como vidro e papel, poderia evitar a geração de milhões de toneladas de resíduos e diminuir substancialmente as emissões de carbono”.

• “Diante da catástrofe ambiental e social representada pela poluição plástica, é imperativo rejeitar a falsa narrativa sustentada pelos interesses econômicos da indústria petroquímica…”

• “…é fundamental a implementação imediata de acordos internacionais juridicamente vinculantes, capazes de obrigar os produtores a assumir plena responsabilidade sobre o ciclo de vida dos plásticos”.
Esta síntese fornece uma visão abrangente dos principais argumentos e evidências apresentados no artigo de Reinaldo Dias sobre a persistente tragédia do plástico, destacando a complexa interação entre a produção em massa, os interesses econômicos e os impactos ambientais e de saúde. (ecodebate)

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Desmatamento reduz chuvas na Amazônia

Desmatamento reduz chuvas na Amazônia, aponta estudo.
'Rios voadores': fenômeno está ameaçado por desmatamento na Amazônia

De cada cem árvores derrubadas, outras 25, ou seja, ¼ delas ou 25% do total, morrem por falta da água desses corredores de umidade que levam chuva para outras regiões, aponta pesquisa.

Desmatamento na Amazônia está associado à redução das chuvas na região, especialmente durante a estação seca. A perda de floresta afeta o ciclo hidrológico, diminuindo a evapotranspiração e, consequentemente, a quantidade de chuva. Isso ocorre porque a floresta desempenha um papel crucial na regulação do clima, tanto local quanto regional, através da liberação de água na atmosfera.

Impacto do desmatamento nas chuvas:

Redução da evapotranspiração:

A floresta amazônica libera grandes quantidades de água na atmosfera através da evapotranspiração, um processo que inclui a transpiração das plantas e a evaporação da água do solo. O desmatamento reduz essa liberação de água, impactando diretamente a formação de chuvas.

Alteração do regime de chuvas:

Um estudo recente mostra que, em áreas desmatadas, a quantidade de chuva pode aumentar durante a estação chuvosa, mas diminuir significativamente na estação seca, quando a floresta mais precisa de água, segundo o jornal O Globo.

A mineração ilegal causa desmatamento e poluição de rios na floresta amazônica perto da Terra Indígena Menkragnoti. - Pará, Brasil.

Desmatamento na Amazônia provoca redução de chuvas na maioria da América do Sul.

Há anos sendo estudado por cientistas, o impacto do desmatamento da Amazônia foi confirmado como provocativo de redução das chuvas em áreas da América do Sul. Em fevereiro, novo recorde de desmate foi registrado.

Impacto em outras regiões:

O desmatamento na Amazônia também pode afetar o regime de chuvas em outras regiões do Brasil, pois a floresta atua como um importante sistema de transporte de umidade para o interior do continente, de acordo com o Brasil Escola.

Consequências do desmatamento:

Secas mais intensas:

A redução das chuvas na estação seca pode levar a secas mais severas e prolongadas, com impactos negativos na agricultura, no abastecimento de água e na biodiversidade.

Aumento de eventos climáticos extremos:

O desmatamento pode aumentar a frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como inundações e secas, afetando comunidades e ecossistemas.

Perda de serviços ambientais:

A floresta amazônica desempenha um papel fundamental na regulação do clima, na conservação da biodiversidade e na manutenção do ciclo da água. O desmatamento causa a perda desses serviços ambientais, com consequências socioeconômicas e ambientais significativas.

O desmatamento da Amazônia perturba o regime climático da região, fazendo aumentar a quantidade de chuva durante os meses da estação úmida, mas reduz a precipitação durante a estação seca, quando a floresta mais precisa de água, mostra um novo estudo.

Vista aérea de drones de incêndios na floresta amazônica, desmatamento ilegal para criar terras para agricultura e pastagem de gado no Pará, Brasil. Conceito de ecologia, meio ambiente.

O desmatamento na Amazônia não está apenas alterando paisagens locais, mas também reduzindo significativamente as chuvas na região, segundo uma nova pesquisa publicada na revista Earth’s Future.

O estudo revela que áreas extensivamente desmatadas experimentaram uma queda de até 30% na precipitação anual nas últimas duas décadas, com impactos potencialmente graves para ecossistemas e comunidades que dependem desses recursos hídricos.

Conexão entre floresta e chuva

A Amazônia desempenha um papel crucial na regulação do clima, liberando umidade na atmosfera por meio da evapotranspiração — processo em que as árvores liberam vapor d’água. Essa umidade é transportada por correntes de ar, formando “rios voadores” que alimentam chuvas em outras partes do Brasil e da América do Sul. Com a perda de vegetação, esse ciclo está sendo interrompido.

Usando dados de satélite e modelos climáticos, os pesquisadores compararam áreas preservadas com regiões desmatadas e constataram que, quanto maior a destruição da floresta, maior a redução nas chuvas. Em algumas áreas convertidas para agricultura ou pastagem, a diminuição chegou a 0,6 mm por dia durante a estação seca.

Impactos em cadeia

A redução das chuvas pode acelerar ainda mais o declínio da floresta, criando um ciclo vicioso. Menos umidade significa maior risco de incêndios florestais e estresse para a vegetação remanescente, tornando-a mais vulnerável a secas prolongadas.

Além disso, a agricultura e o abastecimento de água para cidades podem ser afetados, com reflexos econômicos e sociais.

“Se o desmatamento continuar nesse ritmo, partes da Amazônia podem atingir um ponto de não retorno, transformando-se em savana”, alerta um dos autores do estudo.

Chamado para ação

Os pesquisadores enfatizam a urgência de políticas de conservação e reflorestamento para reverter a tendência. A proteção da Amazônia, destacam, não é apenas uma questão ambiental, mas também de segurança hídrica e climática para todo o continente.

Impactos da perda florestal no ciclo hidrológico regional da estação seca. (ecodebate)

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Derretimento de gelo acelera e nível do mar ameaça cidades costeiras

A perda de gelo marinho traz impactos profundos e interligados: Elevação do nível do mar: Mais derretimento é igual a mais água nos oceanos. Cidades costeiras e milhões de pessoas estão em risco.
Gelo dos polos atinge recorde de derretimento

Perda de massa das calotas polares quadruplicou desde os anos 90, tornando-se o principal fator para a elevação dos oceanos.

Estudo alerta que aquecimento atual já é risco extremo e exige metas climáticas mais rígidas

Um novo estudo publicado na revista Communications Earth & Environment (DOI: 10.1038/s43247-025-02299-w) revela um cenário alarmante: a perda de massa das vastas camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida quadruplicou desde a década de 1990, tornando-se o principal motor do aumento do nível médio global do mar.

O estudo acende um novo sinal de alerta para a comunidade internacional e a necessidade urgente de reavaliar as metas de combate às mudanças climáticas.

De acordo com a pesquisa, a contribuição combinada das camadas de gelo para a elevação do nível do mar já supera a de geleiras de montanha e calotas de gelo, indicando uma aceleração sem precedentes no processo de derretimento.

Os cientistas envolvidos no estudo expressam preocupação com a meta de limitar o aquecimento global a +1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, argumentando que tal limite ainda é excessivo.

Derretimento nos polos

Gelo polar tem mínima histórica: alerta de mudanças climáticas.

Alerta climático: Gelo dos polos atinge recorde de derretimento.

Com menos gelo nos polos, os oceanos absorvem mais calor e agravam a crise climática.

O estudo aponta que mesmo o aquecimento global atual, em torno de +1,2°C, já pode desencadear um aumento de vários metros no nível do mar ao longo do tempo.

Para mitigar esse impacto devastador e evitar consequências irreversíveis, os pesquisadores sugerem que a temperatura média global deveria se estabilizar em um patamar mais próximo de +1°C acima dos níveis pré-industriais, ou, idealmente, até mesmo abaixo disso.

Os resultados desta pesquisa reforçam a urgência de ações globais mais ambiciosas para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

A manutenção do ritmo atual de aquecimento pode comprometer severamente ecossistemas costeiros, infraestruturas urbanas e a segurança de milhões de pessoas em todo o mundo.

O futuro do planeta e de suas populações depende agora de uma resposta rápida e decisiva às evidências científicas que continuam a surgir.

Derretimento de calotas deve acelerar mesmo com meta climática, diz estudo.

Cientistas estão preocupados que a camada de gelo da Antártida Ocidental possa estar em um estado de declínio irreversível, contribuindo diretamente para o aumento do nível do mar.

Pesquisa sugere que mesmo que o mundo cumpra suas metas climáticas, isso pode não ser suficiente para salvar as camadas de gelo do planeta. (ecodebate)

sábado, 7 de junho de 2025

Minha Casa Minha Vida precisa se adaptar às mudanças climáticas

Adaptar o Minha Casa Minha Vida para as mudanças climáticas.
Programa Minha Casa, Minha Vida precisa se adaptar às mudanças climáticas, incorporando medidas que garantam a segurança e o bem-estar dos moradores frente a eventos climáticos extremos, como ondas de calor e enchentes. A adaptação envolve tanto a construção de novas moradias quanto a adequação das já existentes, além de considerar a localização das construções para evitar áreas de risco.

Adaptação de novas construções:

Materiais e técnicas construtivas:

Utilizar materiais e soluções de design passivo que ajudem a manter as casas mais frescas em áreas de calor extremo, como telhados verdes e ventilação cruzada.

Infraestrutura:

Projetar sistemas de drenagem eficientes para evitar inundações, especialmente em áreas propensas a enchentes.

Localização:

Evitar construir em áreas de risco, como encostas e locais sujeitos a inundações, e priorizar locais mais seguros e acessíveis.

Adaptação de construções existentes:

Reformas e melhorias:

Realizar reformas para melhorar a eficiência energética das casas, como a instalação de isolamento térmico e sistemas de captação de água da chuva.

Minha Casa Minha Vida: desafios diante da nova realidade climática

Educação e conscientização:

Informar os moradores sobre como lidar com eventos climáticos extremos e como adaptar suas casas para reduzir riscos.

Outras medidas importantes:

Financiamento:

Buscar recursos para financiar a adaptação das moradias e garantir que as famílias tenham condições de arcar com os custos.

Monitoramento e alerta:

Implementar sistemas de monitoramento e alerta para informar a população sobre eventos climáticos extremos e permitir que as famílias se preparem.

Participação da sociedade:

Promover a participação da sociedade na elaboração de políticas e projetos de adaptação, garantindo que as necessidades da população sejam atendidas.

A adaptação do Minha Casa, Minha Vida às mudanças climáticas não é apenas uma questão de segurança, mas também de justiça social, pois as famílias de baixa renda são mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. Ao adotar medidas de adaptação, o programa pode garantir que as famílias tenham acesso a moradias seguras e resilientes, contribuindo para um futuro mais sustentável e equitativo.

Adaptar o Minha Casa Minha Vida às mudanças climáticas não é opcional – é urgente e necessário. O governo federal precisa incluir essas exigências nos novos editais do programa e criar mecanismos para adaptar as construções já existentes.

Programa Minha Casa Minha Vida precisa de adaptações urgentes contra enchentes, ondas de calor e eventos climáticos extremos para proteger famílias de baixa renda no Brasil.

O Brasil vive um momento crítico em relação aos eventos climáticos extremos. Enchentes devastadoras, ondas de calor recordes e tempestades cada vez mais intensas deixaram de ser exceção para se tornarem realidade frequente no país. Diante desse cenário, uma questão urgente se impõe: como proteger as famílias de baixa renda que vivem nos empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida?

A resposta está na adaptação dessas construções para enfrentar os novos desafios climáticos. Não se trata apenas de uma questão técnica, mas de justiça social e direito à vida digna. Afinal, são essas famílias – historicamente mais vulneráveis – que sofrem de forma mais intensa os impactos das mudanças climáticas.

O desafio das altas temperaturas

Quando o termômetro bate recordes, quem mora em casas mal ventiladas e sem isolamento térmico adequado enfrenta um verdadeiro inferno. Para combater esse problema, as novas construções do programa podem incorporar soluções simples, mas eficazes: telhados verdes que funcionam como isolantes naturais, janelas posicionadas estrategicamente para criar ventilação cruzada e o uso de materiais que não absorvem tanto calor.

Investir em arborização também faz toda a diferença. Árvores ao redor dos conjuntos habitacionais não apenas refrescam o ambiente, mas também melhoram a qualidade do ar que as famílias respiram diariamente. É uma solução que traz benefícios imediatos e de longo prazo.

Enchentes: um risco que pode ser minimizado

Nas regiões propensas a alagamentos, elevar as construções alguns centímetros do solo pode ser a diferença entre ter um lar seguro ou perder tudo em uma enchente. Além disso, o planejamento do entorno deve priorizar o escoamento adequado da água da chuva, evitando que ela se acumule e cause transtornos.

A drenagem urbana precisa ser pensada desde o projeto inicial. Não adianta construir casas em locais onde a água não tem para onde ir. É necessário um planejamento integrado que considere tanto a residência quanto o bairro como um todo.

Outros riscos que não podem ser ignorados

Deslizamentos de terra e erosão do solo representam ameaças concretas em muitas regiões do país. Identificar áreas de risco, implementar sistemas de contenção e escolher terrenos adequados são medidas que podem salvar vidas e evitar tragédias.

Uma questão de política pública

Adaptar o Minha Casa Minha Vida às mudanças climáticas não é opcional – é urgente e necessário. O governo federal precisa incluir essas exigências nos novos editais do programa e criar mecanismos para adaptar as construções já existentes.

Isso significa investir em pesquisa, capacitar profissionais da construção civil e estabelecer parcerias com universidades e institutos de pesquisa. O conhecimento técnico existe; o que falta é vontade política para implementá-lo em larga escala.

O caminho à frente

As mudanças climáticas são uma realidade irreversível, mas seus impactos podem ser minimizados com planejamento adequado. Proteger as famílias de baixa renda dos eventos climáticos extremos é um investimento na redução de desigualdades e na construção de cidades mais resilientes.

O Minha Casa Minha Vida transformou a vida de milhões de brasileiros ao longo dos anos. Agora, é hora de dar o próximo passo: garantir que essas casas sejam verdadeiros refúgios seguros, capazes de proteger seus moradores dos desafios climáticos do século XXI.

A adaptação climática da habitação popular não é apenas uma questão técnica ou ambiental – é uma questão de justiça social e direitos humanos. É hora de agir. (ecodebate)

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Eventos climáticos extremos no Brasil e a necessidade de políticas públicas

Este artigo analisa os principais temas e ideias apresentados nos artigos “Extremos climáticos sempre afetam os mais pobres”, “Faltam políticas públicas urbanas para desastres naturais no Brasil”, “Impactos dos eventos climáticos extremos na população e na economia” e “Tragédia Climática no Rio Grande do Sul: Lições de um Desastre”, todos publicados pelo EcoDebate.

Os textos convergem na análise dos crescentes e devastadores impactos dos eventos climáticos extremos, com um foco especial na vulnerabilidade social e na insuficiência das políticas públicas no Brasil.

1. O preço humano e social da crise climática: a vulnerabilidade dos mais pobres

Um tema central e recorrente em todos os artigos é a desproporcionalidade dos impactos dos eventos climáticos extremos, que recaem de forma mais severa sobre a população pobre e marginalizada. O artigo “Extremos climáticos sempre afetam os mais pobres” destaca que, embora o mundo todo sofra com tragédias climáticas, no Brasil, eventos como deslizamentos e enchentes resultam em centenas de mortes, “em sua maioria de cidadãos pobres que habitam em áreas de risco”.

Essa vulnerabilidade é intrinsecamente ligada à falta de políticas públicas eficazes. A ausência de programas de geração de emprego e renda, projetos habitacionais e acesso a serviços básicos leva famílias pobres a ocupar ilegalmente áreas de risco, buscando proximidade com locais de trabalho e serviços essenciais. O texto argumenta que a formação de favelas em áreas perigosas é um “primeiro erro da administração pública, que é a ausência total de políticas públicas sérias que possam reverter este fenômeno”.

A omissão do poder público na fiscalização e prevenção dessas ocupações é apontada como um “crime”. A permissão para a criação dessas comunidades em áreas de alto risco, sabendo que “mais cedo ou mais tarde, uma tragédia acontecerá”, demonstra uma negligência que se perpetua ao longo dos mandatos. A consequência é a contínua construção de um cenário de tragédias onde “a verdadeira tragédia no Brasil seja ser pobre e privado dos serviços básicos, ser invisível aos olhos dos políticos”.
2. A insuficiência crítica das políticas públicas urbanas

Os artigos evidenciam uma lacuna significativa nas políticas públicas brasileiras para lidar com desastres naturais. O levantamento apresentado em “Faltam políticas públicas urbanas para desastres naturais no Brasil” revela que a maioria das capitais brasileiras não possui planos diretores com regulamentações adequadas para prevenção e reparação de danos causados por desastres. A pesquisa identificou que apenas 17 capitais (42%) usam o termo “risco” para expressar situações catastróficas e somente 10 capitais (24%) tratam efetivamente de políticas públicas para desastres. A situação é ainda mais crítica no que diz respeito ao direito à moradia em casos de reassentamentos ou realocações, mencionado por apenas 7 capitais (17%).

A falta de amparo jurídico e de um debate consolidado sobre o direito à moradia como um direito social constitucionalmente garantido agrava o problema. O texto ressalta que, mesmo com o repasse de recursos em desastres recentes, “os instrumentos jurídicos foram insuficientes para amparar a gestão territorial desse tipo de situação”. A ausência de dispositivos legais para penalizar a administração pública por negligência e omissão em tragédias é destacada em “Extremos climáticos sempre afetam os mais pobres”, reforçando a ideia de que os políticos evitam criar leis que possam puni-los.

3. A relação direta entre mudanças climáticas e eventos extremos

Os textos estabelecem uma conexão clara entre as mudanças climáticas globais e o aumento na frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos. “Impactos dos eventos climáticos extremos na população e na economia” explica que as alterações no clima da Terra, causadas principalmente pela emissão de gases de efeito estufa, “afetam o equilíbrio do sistema climático e podem aumentar a frequência, a intensidade e a duração dos eventos climáticos extremos”. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) é citado para corroborar a influência das mudanças climáticas em eventos como ondas de calor, secas e chuvas intensas, projetando que “esses eventos se tornarão mais frequentes e severos com o aumento do aquecimento global”.

O artigo “Riscos climáticos aumentam e cobram preço humano e econômico” reforça essa ligação, afirmando que “Perigos climáticos hídricos estão aumentando em frequência e intensidade como resultado das mudanças climáticas”. O Secretário-Geral da OMM, Prof. Petteri Taalas, destaca que, “Conforme a atmosfera fica mais quente, ela retém mais umidade, o que significa que choverá mais durante as tempestades, aumentando o risco de inundações”. A tragédia no Rio Grande do Sul, em 2024, é apresentada em “Tragédia Climática no Rio Grande do Sul: Lições de um Desastre” como um “choque de realidade triste” que demonstra a urgência de ações, com o Brasil enfrentando um número crescente de eventos extremos.

4. Os custos humanos e econômicos devastadores

Os artigos detalham os múltiplos e severos impactos dos eventos climáticos extremos, tanto na população quanto na economia. “Impactos dos eventos climáticos extremos na população e na economia” lista consequências diretas como “Mortes e ferimentos”, “Deslocamentos e migrações”, “Prejuízos econômicos”, “Problemas de saúde” e “Conflitos sociais”.

No âmbito econômico, os danos são significativos. O relatório da ONG Christian Aid, citado em “Impactos dos eventos climáticos extremos na população e na economia”, aponta que em 2021, 10 eventos extremos causaram prejuízos bilionários globalmente. O furacão Ida nos EUA, com US$ 95 bilhões em danos, e as enchentes na Europa, com US$ 30 bilhões, são exemplos destacados. A América Latina também sofreu, com a seca do Rio Paraná afetando navegação, agricultura e energia, e as enchentes na Bahia deixando milhares de desabrigados.

O artigo “Riscos climáticos aumentam e cobram preço humano e econômico” apresenta dados da Organização Meteorológica Mundial (WMO), revelando que, entre 1970 e 2019, os riscos relacionados à água dominaram os desastres em termos de custos humanos e econômicos. Secas, tempestades e inundações foram responsáveis pelas maiores perdas humanas, enquanto tempestades e enchentes geraram as maiores perdas econômicas globais. Apesar da melhoria nos sistemas de alerta e gestão de desastres, que têm reduzido o número de mortes em algumas regiões como a Europa (excetuando as ondas de calor extremas), o custo econômico continua alto.

5. A urgência de adaptação e mitigação

Diante do cenário apresentado, os artigos enfatizam a necessidade urgente de ações de adaptação e mitigação para enfrentar os desafios impostos pelos eventos climáticos extremos. “Impactos dos eventos climáticos extremos na população e na economia” sugere que a adaptação consiste em “aumentar a resiliência dos sistemas naturais e humanos aos eventos climáticos extremos, por meio de planejamento, prevenção, proteção e recuperação”. Já a mitigação envolve “reduzir as emissões de gases de efeito estufa e aumentar os sumidouros de carbono, por meio de transição energética, eficiência, inovação e cooperação”. A “recuperação verde” é vista como uma oportunidade para alinhar essas medidas com a retomada econômica pós-pandemia.

O artigo “Tragédia Climática no Rio Grande do Sul: Lições de um Desastre” reitera a urgência da redução de emissões e da adaptação aos impactos. Gustavo Loiola, especialista citado no texto, afirma que “para lidar com essa situação, duas frentes de ação são essenciais: a redução de emissões de gases do efeito estufa e a adaptação aos impactos já em curso”. Ele destaca a importância de “Investir em infraestrutura resistente, desenvolver planos de emergência, adotar práticas sustentáveis e aprender com soluções baseadas na natureza” como passos cruciais para a adaptação.

A necessidade de políticas públicas mais robustas é um chamado constante. O estudo apresentado em “Faltam políticas públicas urbanas para desastres naturais no Brasil” incentiva a realização de mais pesquisas para “melhorias de desenho legislativo e de medidas administrativas para lidar com os desastres e concretizar o direito à moradia digna”.

Conclusão

Os artigos fornecem um panorama crítico e urgente sobre os impactos dos eventos climáticos extremos no Brasil. Eles demonstram que a crise climática não é apenas um problema ambiental, mas uma questão profundamente social e econômica, que exacerba as desigualdades existentes e cobra um alto preço humano e financeiro.

A falta de políticas públicas eficazes, especialmente no âmbito urbano e social, é identificada como um fator crucial que aumenta a vulnerabilidade da população, em particular dos mais pobres.

A urgência em implementar medidas de adaptação e mitigação, aliada a um compromisso político real e à criação de um arcabouço legal mais robusto, é fundamental para enfrentar este desafio crescente e construir um futuro mais resiliente e justo. (ecodebate)

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Omissão das políticas públicas agrava os impactos climáticos

Análise da desigualdade climática por trás das tragédias e a necessidade de amparo legal e habitacional para os mais atingidos.

Um olhar aprofundado nas tragédias climáticas revela que, além da natureza, a omissão governamental e a fragilidade da Defesa Civil deixam milhões de brasileiros vulneráveis. É urgente dotar o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil de recursos e estrutura para prevenção e resposta, protegendo as populações mais afetadas pela desigualdade climática.

Eventos climáticos extremos, como furacões, tempestades, terremotos e inundações, afetam o mundo inteiro.

No entanto, enquanto em muitos países essas tragédias resultam principalmente em prejuízos materiais, no Brasil elas frequentemente causam centenas de mortos, em sua maioria cidadãos pobres que residem em áreas de risco.

A tragédia em Petrópolis, em fevereiro de 2022, que causou muitas mortes, é citada como um exemplo. Mais recentemente, as enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul expuseram novamente a urgência de ações diante da crise climática, após o estado ter enfrentado quase 10 eventos extremos em menos de um ano.

Apesar da tendência de culpar a natureza, uma análise mais aprofundada revela uma “crueldade social” subjacente a essas tragédias, apontando para a falta de políticas públicas e a incompetência dos governos em todos os níveis para prevenir tais ocorrências.

A raiz do problema reside na ausência de políticas públicas abrangentes que incluam geração de emprego e renda, projetos habitacionais, educacionais e de saúde, e melhoria dos transportes.

Essa carência leva famílias pobres a ocupar ilegalmente áreas de risco para construir suas moradias, frequentemente em favelas que se formam pela necessidade de estar perto de locais de trabalho e serviços essenciais negados em áreas mais distantes.

Além da falta de políticas, os gestores públicos cometem o “crime de omissão” ao não fiscalizar e impedir essas ocupações, permitindo que comunidades cresçam em áreas de alto risco sem ordenação, saneamento básico ou planos de prevenção e controle de catástrofes. Essa omissão persiste, pois, muitas vezes, a preocupação é apenas que a tragédia não ocorra durante o próprio mandato.

Infelizmente, até o momento, inexistem no Brasil dispositivos legais que permitam ao judiciário penalizar a administração pública por tais tragédias, obrigando a realocação de comunidades para locais seguros ou o ressarcimento às famílias das vítimas.

Essa lacuna legal existe porque os próprios políticos não apresentam ou aprovam leis que possam puni-los por descaso e omissão. Ser pobre no Brasil, neste contexto, significa estar privado de serviços básicos e ser “invisível” aos olhos dos políticos, que só visitam essas áreas em busca de votos a cada 2 anos, com falsas promessas, e se escondem quando as tragédias acontecem.

Crise climática agrava desigualdades e viola direitos humanos

Um levantamento sobre planos diretores em capitais brasileiras reforça a carência de políticas públicas urbanas para desastres naturais.

Uma pesquisa analisando 26 planos diretores de capitais constatou que apenas 10 (24%) tratam efetivamente de políticas públicas para desastres. No que diz respeito a reassentamentos ou realocações devidas a desastres, somente 7 capitais mencionaram o direito à moradia em seus planos diretores (17% das legislações analisadas).

A jurisprudência nos tribunais superiores ainda não apresenta um debate consolidado sobre o direito à moradia das vítimas de desastres, garantido constitucionalmente.

A situação é agravada pelas mudanças climáticas, que aumentam a frequência, intensidade e duração dos eventos climáticos extremos. Há evidências científicas de que as mudanças climáticas já influenciam ondas de calor, secas, chuvas intensas e ciclones tropicais, projetando-se que esses eventos se tornarão mais frequentes e severos com o aquecimento global.

A água é o principal meio pelo qual sentimos os impactos climáticos, com riscos relacionados à água dominando os desastres em termos de custos humanos e econômicos nos últimos 50 anos. Chuvas torrenciais, por exemplo, carregam cada vez mais a “pegada” da mudança climática, pois a atmosfera mais quente retém mais umidade, aumentando o risco de inundações.

Os impactos desses eventos na população incluem mortes, ferimentos, deslocamentos, migrações, prejuízos econômicos, problemas de saúde e conflitos sociais.

Em 2022, cerca de 8 milhões de pessoas foram afetadas diretamente por desastres naturais no Brasil, incluindo vítimas de estiagens, desalojados, desabrigados e vítimas fatais. O Brasil está entre os países com grande vulnerabilidade às crises climáticas.

Para enfrentar esse desafio, é imperativo investir mais na adaptação às mudanças climáticas. Uma maneira crucial de fazer isso é fortalecer os sistemas de alerta precoce de múltiplos perigos.

Diante da crescente ameaça e da vulnerabilidade exposta, especialmente das populações mais pobres, torna-se urgente que o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil seja dotado de recursos orçamentários adequados e de uma estrutura capilarizada que alcance estados e municípios de forma eficaz.

Essa estrutura é fundamental para atuar na prevenção e reação aos desastres climáticos, garantindo o planejamento, a prevenção, a proteção e a recuperação. Investir em infraestrutura resiliente e desenvolver planos de emergência são passos cruciais para promover um futuro mais seguro.

Em suma, as recorrentes tragédias climáticas no Brasil, que afetam desproporcionalmente os mais pobres, são um choque de realidade que exige ser encarado.

Além da necessária redução de emissões de gases de efeito estufa, a adaptação aos impactos já em curso é essencial.

Isso passa necessariamente pela implementação de políticas públicas urbanas sérias e eficazes, que garantam o direito à moradia digna longe de áreas de risco, e por um Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil robusto, presente em todo o território nacional, com capacidade real de proteger as populações mais vulneráveis e mitigar os danos de eventos que tendem a se tornar cada vez mais frequentes e intensos.

Desafio das políticas públicas para não agravar ainda mais os impactos climáticos ambientais.

A ação conjunta de governos, empresas e sociedade civil é fundamental para enfrentar este desafio global, que já nos afeta cotidianamente. (ecodebate)

domingo, 1 de junho de 2025

Floresta Amazônica resiste a longos períodos de seca

Floresta Amazônica resiste a longos períodos de seca, mas perde diversidade.
Pesquisa mostra como a maior floresta tropical do mundo responde a condições extremas de falta de chuva, com implicações para as mudanças climáticas.

Estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution, revelou que a Floresta Amazônica está passando por adaptações significativas em resposta a longos períodos de seca.

A pesquisa, intitulada “Amazon rainforest adjusts to long-term experimental drought”, fornece informações cruciais sobre como o bioma pode responder às mudanças climáticas e aos eventos extremos de estiagem, cada vez mais frequentes na região.

O experimento de seca prolongada

O estudo, conduzido por uma equipe internacional de cientistas, analisou dados do Projeto Seca Florestal (ESECAFLOR), uma iniciativa que simulou condições de seca em parcelas da floresta no estado do Pará.

Por mais de 15 anos, os pesquisadores reduziram artificialmente a quantidade de chuva que atingia determinadas áreas, permitindo observar como a vegetação reagia à escassez hídrica prolongada.

Os resultados mostram que, embora algumas árvores tenham morrido inicialmente, outras espécies demonstraram resiliência, ajustando seu metabolismo e reduzindo a perda de água através das folhas.

Além disso, o solo da floresta mostrou capacidade de reter mais umidade em períodos de estiagem, indicando uma adaptação gradual do ecossistema.

Implicações para o futuro da Amazônia

A capacidade de adaptação observada é uma notícia positiva, mas os cientistas alertam que há limites para essa resiliência. “A floresta está se ajustando, mas não sabemos até que ponto conseguirá suportar secas mais intensas e frequentes, especialmente combinadas com outros fatores como desmatamento e incêndios”, explica um dos autores do estudo.

Os resultados mostram que o ajuste para lidar com os efeitos das mudanças climáticas pode fazer com que algumas partes da floresta amazônica percam muitas de suas maiores árvores.

Isso liberaria a grande quantidade de carbono armazenado nessas árvores no ar e reduziria a capacidade imediata da floresta tropical de atuar como um importante sumidouro de carbono, dizem os pesquisadores.

Espera-se que partes da Amazônia se tornem mais secas e quentes à medida que o clima muda, mas os efeitos a longo prazo nas florestas tropicais da região – que se estendem por mais de 2 milhões de milhas quadradas – são pouco compreendidos.

Por que isso importa?

A Amazônia desempenha um papel crítico no equilíbrio climático do planeta, influenciando regimes de chuva em várias regiões da América do Sul e além. Com as mudanças climáticas acelerando e eventos extremos se tornando mais comuns, entender como a floresta responde à seca é essencial para políticas de conservação e mitigação.

O estudo reforça a urgência de reduzir o desmatamento e controlar as emissões de gases de efeito estufa, pois, mesmo com sua incrível capacidade de adaptação, a floresta pode atingir um ponto de inflexão onde suas funções ecológicas entrariam em colapso.

Diagrama sintético mostrando um resumo dos resultados, incluindo fisiologia individual (hidráulicas e crescimento) e dinâmica de carbono florestal. As curvas que mostram estresse fisiológico individual e disponibilidade de água em relação à biomassa são aproximadas e simplificadas para fins de plotagem. Os dados apresentados na floresta não perturbada referem-se à floresta de controle; a fase de estabilização refere-se à parcela de TFE a partir de 2016. Os dados hidráulicos apresentados foram amostrados durante 2023-2024. Ilustrações criadas com BioRender.com. In Amazon rainforest adjusts to long-term experimental drought. (ecodebate)

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