sábado, 27 de março de 2010

Mudanças climáticas espalharão fome pelo mundo

A fome crônica deverá ser a definição da tragédia humana desse século, com o advento das mudanças climáticas que causam alterações nas estações, dano aos plantios, além de tempestades e secas que devastam campos, informou a Oxfam, uma organização mundial de combate à fome. A Oxfam Internacional divulgou um relatório esta semana, quando os lideres do Grupo dos Oito (G8) países mais ricos do mundo se preparam para se encontrar na Itália, com uma agenda de discussão que inclui a segurança alimentar e as mudanças climáticas. O relatório informa que, enquanto o clima muda, milhões de pessoas que vivem em áreas prejudicadas pela escassez de água terão que desistir de cultivar plantações tradicionais, o que deve levar a grandes mudanças sociais, como as migrações em massa e conflitos pela água. Os países ricos que ficam em região de clima temperado, como o norte da Europa e em partes dos Estados Unidos, serão beneficiados por um clima mais quente e mais chuva. Porém, muito mais pessoas que vivem em países mais pobres e quentes irão enfrentar estoques de alimentos mais caros e restritos, informou a organização. O relatório “O que aconteceu com as estações?” foi feito para mostrar a urgência da questão para o encontro do G8 e para um grupo maior de 17 países, que formam o “Fórum das Grandes Economias” (MEF – sigla em inglês), que se encontram no final da semana para tentar travar negociações para um novo acordo sobre as mudanças climáticas, que deve ser completo em dezembro. Agricultores entrevistados A Oxfam informou que preparou um estudo para O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento entrevistando agricultores em todo o mundo, que relatam que as mudanças nos padrões estacionais já estavam afetando sua habilidade de planejar o plantio e colheita de suas safras. Os resultados foram “extremamente consistentes em todas as regiões do mundo”. Os agricultores já começaram a mudar suas culturas nos trópicos, onde uma mudança de 1 grau Celsius na temperatura pode tornar plantios tradicionais insustentáveis. As chuvas imprevisíveis fazem com que suas escolhas por novas culturas se tornem um “jogo de azar”, informou o relatório. Entre os mais prejudicados estão as nações que cultivam arroz, o alimento mais consumido do mundo. Os rendimentos devem cair em média 10% para cada 1ºC de aumento na temperatura em países com as Filipinas, onde a produção deve cair de 50% a 70% até 2020. Ao mesmo tempo, a China irá produzir mais arroz, já que suas áreas mais quentes, ideais para o cultivo, irão aumentar. Milho O milho é outra cultura que será largamente afetada pelas mudanças climáticas, já que é particularmente vulnerável quanto ao volume de água. O milho é a principal fonte de alimento para 250 milhões de pessoas no leste da África e é usado como ração animal em todo o mundo. Negociadores em reuniões das Nações Unidas foram requisitados para criar um fundo de recursos para adaptação, que possa ajudar países pobres a lidar com os efeitos das mudanças climáticas. As estimativas da ONU sugerem que até US$ 200 bilhões por ano seja necessário até 2030 para desenvolver recursos e trazer água para regiões cada vez mais áridas, alterar a agricultura para culturas mais adaptáveis ao clima, criar barreiras para proteger as cidades litorâneas do aumento dos níveis do mar e ajudar os pescadores que devem ser profundamente prejudicados pela acidificação do oceano. O relatório da Oxfam informou também que medidas podem ser tomadas para aumentar os estoques de alimento no mundo. “O potencial agrícola do mundo é menos que 60% explorado: ainda há terra suficiente para alimentar todos, até com a população a níveis de 9,2 bilhões, previstas pelas Nações Unidas para 2050”, informa o relatório. Métodos modernos para irrigação e fertilização podem aumentar consideravelmente a produção.

Mudanças climáticas prolongam alergias

Estudo nos EUA sugere que mudanças climáticas podem prolongar temporada de alergias. Aquecimento está estendendo período de polinização e aumento de pessoas com crises alérgicas foi verificado. Os espirros, congestão e coriza característicos de crises alérgicas poderão incomodar as pessoas por mais tempo por causa das mudanças climáticas, que estão estendendo a temporada de pólen, afirmam médicos italianos. Segundo o estudo divulgado em congresso da Academia Americana de Alergia, durante os últimos 26 anos a quantidade de pólen no ar aumentou progressivamente. O grupo de médicos da Universidade de Gênova registrou a quantidade de pólen, a duração da temporada e a reação das pessoas diante de cinco tipos de pólen na região de Bordighera entre 1981 e 2007. “Nós observamos que a elevação progressiva da temperatura prolongou a duração da temporada de pólens de algumas plantas, o que, consequentemente, aumentou a quantidade média do pólen no ar”, disse o médico italiano Walter Canônica. O porcentual de pacientes que apresentaram reação alérgica ao pólen aumentou durante o estudo, contudo os médicos não afirmam que a temporada mais longa de pólen colabore com o aumento de pessoas suscetíveis a esse tipo de alergia. “Temporadas mais longas e níveis elevados de pólen no ar certamente colaboram com o surgimento de sintomas críticos ou atenuados de rinite alérgica”, disse a médica norte-americana Estelle Levetin, que não participou do estudo. Cerca de 25 milhões de norte-americanos, metade deles crianças, apresentaram rinite alérgica no último ano, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

Os pobres sofreram mais e primeiro

Com todas as mudanças climáticas, "os pobres são aqueles que sofreram mais e primeiro".
A discussão entre vários grupos que estão envolvidos na questão do clima, buscando a articulação e compartilhamento de iniciativas é o principal objetivo da Campanha Global para Ações para Proteção do Clima (GCCA). Nesta entrevista, concedida por Aron Belinky, coordenador da GCCA no Brasil, ele analisa no que resultou a Conferência do Clima em Copenhague, a COP 15, e explica como andam as preparações para o evento. “A campanha está se direcionando, principalmente, em duas frentes. Uma delas é cobrarmos do governo brasileiro as medidas nacionais, que tem a ver com o que foi discutido durante a COP 15, como, por exemplo, o inventário nacional de emissões. A sociedade deve cobrar isso”, afirma. A entrevista foi realizada por telefone. Ainda sobre avanços na GCCA deste ano, Belinky fala sobre suas abordagens. “Uma das coisas que ficaram claras é que a campanha deve se focar não só no projeto das Nações Unidas, mas também naquilo que acontece ao nível de cada país e a nível do cidadão, da empresa e do que cada um está fazendo no seu dia-a-dia”, garante. Aron Belinky é pesquisador e consultor, especialista em responsabilidade social, sustentabilidade e consumo sustentável, tem formação em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (SP) e Geografia pela Universidade de São Paulo. Confira a entrevista. IHU On-Line – O que está sendo preparado para a Campanha Global para Ações para Proteção do Clima deste ano? Aron Belinky – Ainda estamos com a campanha fechada no Brasil, pois queremos fazer a campanha daqui coordenada com a internacional, que também está em fase de planejamento. Ainda não temos uma agenda exata para o ano. Possivelmente teremos isso mais definido no final de março. A campanha está se direcionando, principalmente, em duas frentes. Uma delas é para cobrarmos do governo brasileiro as medidas nacionais, que tem a ver com o que foi discutido durante a COP 15, como, por exemplo, o inventário nacional de emissões. Este é um ponto fundamental a ser tratado, e que até agora não apareceu. A sociedade deve cobrar isso. Outro exemplo são medidas ligadas ao combate ao desmatamento. No plano internacional, temos duas grandes linhas em que vamos trabalhar. Uma é o projeto das Nações Unidas, propriamente dito, que é acompanhamento da COP 16, onde percebemos que haverá várias mudanças. O secretário da Conferência do Clima, Yvo de Boer [1], renunciou há algumas semanas. Ainda está sendo escolhido quem será seu sucessor, e isso é muito sintomático. Isso faz parte das dificuldades de ter um processo de organização e de solução dos conflitos na conferência que seja mais eficaz, para não dar uma paralisia como tivemos em Copenhague. Outro ponto do plano internacional, que também vamos acompanhar, é todo o trabalho preparatório. Existem desde reuniões com o G8 e G20, que já estão acontecendo e que, de alguma maneira, preparam as negociações da COP 16, e também reuniões com outros grupos da sociedade civil. Por exemplo, tem essa conferência que acontecerá em Cochabamba, em abril. Lá os movimentos sociais, que são mais de esquerda, estão questionando como avançou a discussão do clima na COP 15, e estão colocando alguns pontos de cobrança. A discussão entre vários grupos que estão envolvidos na questão do clima é um ponto importante que iremos trabalhar ao longo do ano. IHU On-Line – Em relação às campanhas anteriores, para onde esta nova edição quer avançar? Aron Belinky – O problema da discussão do clima é que temos muitas frentes ao mesmo tempo. Se pensarmos naquilo que era objetivo na COP 15, um tratado climático global que fosse justo, legalmente vinculante e ambicioso, vemos que isso terá que passar, necessariamente, por muita negociação diplomática e pelo compromisso dos países comprometidos. Ainda não está claro qual será a agenda específica da COP 16, já que ela irá depender dessas negociações preparatórias. Na verdade, o objetivo final continua sendo o mesmo, que é uma convenção do clima que seja capaz de levar em conta tanto as questões da justiça, de responsabilidades de países, o que tem muito a ver com a contribuição para os fundos de adaptação, quanto a questão da ambição. Por exemplo, aquele acordo fechado no final da COP 15, em que os países deveriam colocar suas metas, ficou extremamente fraco e modesto. Nossa meta de cobrar continua. Queremos que cada país participante apresente metas de redução nas emissões de gases de efeito estufa que apontem contra a elevação da temperatura, para que esta não passe de dois graus. A essência do que está sendo cobrado não muda. O que muda, na verdade, é a tática com que a campanha irá operar. Talvez isso não seja simples para o público externo. Conversamos em um momento em que a campanha ainda está discutindo de que maneira transformar essas diretrizes estratégicas em pontos de campanha. IHU On-Line – Como a questão do consumo será discutida dentro da Campanha Global para Ações para Proteção do Clima? Aron Belinky – Isto já está bem claro. Recentemente, tivemos uma discussão sobre o planejamento global da campanha, e uma das coisas que ficaram claras é que a campanha deve se focar não só no projeto das Nações Unidas, mas também naquilo que acontece ao nível de cada país e a nível do cidadão, da empresa e do que cada um está fazendo no seu dia-a-dia. Neste sentido, vamos enfatizar na campanha a importância de que, além de termos os resultados e um marco regulatório de política pública na área internacional, tenhamos também uma referência no cotidiano das pessoas que seja de um consumo menos impactante. Já trabalhamos muito nesta direção, mas a mensagem é a de que toda a entidade irá trabalhar dentro da sua própria vida. O Greenpeace, que é parceiro da campanha, tem seu modo de falar. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), que também é parceiro, tem o seu modo. Cada um irá enfatizar, de acordo com a sua agenda, o fato de que não são só os governos, mas também o cotidiano das pessoas e das organizações. IHU On-Line – Que desafios se colocam, para sociedade civil, governos e empresas, em relação a questão do aquecimento global, principalmente depois dos acordos firmados em Copenhague? Aron Belinky – Na verdade nenhum acordo foi firmado. Aquele acordo de Copenhague, como foi chamado, que saiu de última hora, costurado na proposta do Obama, ninguém considera como acordo climático. Ali se tem intenções muito frouxas e básicas sobre o que poderia ser um acordo do clima, mas não serve de referência para ninguém. É um documento extremamente genérico, e o máximo que irá servir é para que novas conversas sejam feitas em cima dele. Não se imagina que uma empresa, um governo ou uma entidade qualquer vá fazer alguma coisa em função disso que saiu de Copenhague. Quando falo disso, falo na Conferência das Nações Unidas. O que também aconteceu em Copenhague, e isso é importante olharmos, foram dezenas de reuniões entre empresas, grupos setoriais de várias áreas e uma série de eventos paralelos, entre organizações da sociedade civil e entre governos de nível sub-nacional. Por exemplo, José Serra, governador de São Paulo, encontrou Schwarzenegger, governador da Califórnia, para discutir o que cada um pode fazer ou está fazendo em seus estados pela questão da mudança do clima. Esses acordos, feitos fora do âmbito das Nações Unidas, não têm essa força global que uma conferência do clima teria e tem, mas são muito importantes no sentido de dar orientações e de estabelecer, em termos de campos de cooperação entre essa turma. Aí vemos um lado positivo. Não se tem uma orientação geral para todas as empresas, mas se tem muitos direcionamentos. Está muito claro para qualquer empresa, que esteja atenta ao que foi discutido, que o caminho agora para o desenvolvimento econômico passa pela energia limpa, que passa por soluções de baixa emissão de carbono. Esta sinalização já está dada para as empresas, e acredito que muitas vão começar a agir olhando isso como um direcionamento estratégico. Lembrando que já se tem um tratado internacional apontando para isso, isso já tem uma tendência demonstrada pelos vários contatos. IHU On-Line – De alguma forma, a falta de resultados em Copenhague pode significar, de alguma forma, um avanço? Aron Belinky – Um avanço acho que não. Eu diria que a falta de resultados, ou seja, as Nações Unidas não terem conseguido chegar a um tratado global como se esperava, seguramente, não ajuda ninguém. Assim, ajuda quem está trabalhando contra aquilo que acreditamos que é uma economia de baixo carbono. O único grupo que vi, que ficou contente com a falta de resultados em Copenhague, foram aqueles órgãos que trabalham para desacreditar toda a discussão sobre mudança climática, e que estão aproveitando essa frustração que acabou acontecendo para reforçar a crítica, dizendo que o aquecimento global não é bem assim e que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) não sabe o que está falando. Sim, o aquecimento é um problema e ele é causado pela ação humana. Se algum dado não é tão preciso assim, isso não invalida o conjunto de esforços. Acho que o sucesso do sistema de decisão na ONU, a grande falha de Copenhague, não ajudou ninguém. Foi negativo e se alguma coisa boa pode surgir disso é a percepção de que é preciso melhorar o sistema decisório, que é o que estamos fazendo agora, de como discutir a COP 16 e não terminar em algum tipo de impasse por causa da forma de decisões. IHU On-Line – Como o senhor vê a tese do decrescimento sustentável? Aron Belinky – Falando como campanha, ainda não temos uma opinião formada. Pessoalmente, acho que se trata de algo que faz um certo sentido, mas o caminho para ela passa pela educação por uma outra vertente. Esta é uma discussão cultural, comportamental e de valores da sociedade. Esta questão cabe na discussão do clima, mas é importante falar sobre perfil de decrescimento. O que foi debatido em relação a esse tema foi as condicionantes: porque isso acontece? Se está aliado a um aumento do consumo per capita ou não? Onde esse consumo aumenta? Tem muita coisa para ser discutida sobre esse assunto. Ele não pode ser tomado sozinho. IHU On-Line – Alguns pesquisadores dizem que os países pobres são os que vão sentir primeiro e de forma mais intensa os problemas do aquecimento global. O Brasil vai sentir quando? Aron Belinky – Certamente, a questão das mudanças climáticas, que ocorrem em função do aquecimento global, afeta todo o mundo no planeta, tanto ricos quanto pobres, e, de alguma maneira, todos terão efeitos dramáticos e grandes prejuízos em função disso. Este é um ponto de partida. Dentro desse cenário, podemos dizer que os mais pobres são aqueles que sofrerão mais e primeiro. Isto, principalmente, pelo fato de que, por um lado, esses países pobres têm menos recursos para se prevenir e para remediar, o que acontece quando se tem um evento extremo causado pela mudança climática, um inverno ou verão rigoroso, por exemplo, e se o país tem instituições bem estabelecidas e uma rede social estruturada, de uma maneira as consequencias conseguem ser amenizadas ou administradas de modo que as pessoas sofram menos. Num país pobre, se tem muito menos estrutura e recursos para fazer frente com esse tipo de situação, e as pessoas vão sofrer mais. Geralmente não se tem estoques ou redes de distribuição de comida ou assistência para acidentes. Outro exemplo é ter um sistema de defesa civil estruturado e com tamanho capaz de fazer frente aos desastres, como no caso das enchentes. No Brasil, quando há uma enchente, são os pobres que sofrem mais, pois eles moram em locais mais sucetíveis às questões climáticas. É por isso que os pobres vão sofrer antes. O Brasil é um país que tem, por um lado, alguns núcleos ricos e, por outro, grandes massas pobres, e não tem estrutura para atender a todos. Do ponto de vista dos efeitos dos eventos climáticos, o Brasil é um dos países que sofrerá muito. Até porque o Brasil é pouco preparado para lidar com isso. É só ver essas chuvas no final do ano passado, o tipo de problema que tivemos e a capacidade de reação do país, que é extremamente limitada, sem ter uma mapeamento claro de onde podem haver riscos. Umas das prioridades para o Brasil deve ser um mapeamento das áreas de vulnerabilidade climática. Deve haver um estudo prévio que diga: se tivermos um aumento de chuvas na região sul e uma intensidade de ventos, onde isso causará problemas? Tem que ser mapeado, na terra mesmo, e deve haver um plano para atender isso. Deve haver recurso e planejamento, de modo que, quando venha a tragédia, se consiga diminuí-la por já estar preparado. O Brasil não está nada preparado.

Países pobres podem perder a biodiversidade vegetal

Mudanças Climáticas: países pobres correm risco de perder a biodiversidade vegetal. A mudança climática poderá reduzir a biodiversidade vegetal em 9% até o final do século e os países mais pobres e menos responsáveis pelo fenômeno poderão ser os mais afetados, indica um estudo científico da Universidade de Bonn. Utilizando modelos informáticos do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), um grupo de biólogos alemães realizou cálculos relativos à “capacidade de riqueza de espécies” (CRS) ou a provável quantidade de espécies de plantas em áreas determinadas. Reportagem da AFP. Em 13 dos 18 cenários possíveis, a capacidade de riqueza de espécies em nível mundial diminuía em média 4,9% até 2100. No “B1″, o cenário mais otimista contemplado pelo IPCC, a temperatura mundial média aumentaria 1,8 grau centígrado até 2100. Como resultado, o CRS mundial veria um crescimento modesto de 0,3% devido ao fato de as plantas se beneficiarem de um aumento nos níveis de dióxido de carbono. Em compensação, no “A1F1″ – um cenário sombrio, mas possível -, as temperaturas poderaim aumentar 4 graus centígrados e o CRS cairia 9,4%. As mudanças, no entanto, não ocorreriam de maneira homogênea. O extremo norte da Terra coberto pelo permagelo poderia ficar ao descoberto graças ao aquecimento, um fato que possibilitaria que grandes zonas não habitadas do Canadá e Sibéria pudessem ser utilizadas para a agricultura. No entanto, os desertos, as savanas, as florestas tropicais úmidas e outros habitats onde a unidade constitui a chave para a sobrevivência das espécies poderiam ser ver seriamente afetadas pela falta de água. A Floresta Amazônica seria a mais vulnerável de todas. Uma consequência possível é que as espécies generalistas que podem se adaptar à mudança se expandiriam às custas de plantas nativas menos versáteis e que só podem sobreviver em graus de temperatura muito pequenos. Esta espécies se tornariam cada vez mais raras e poderiam desaparecer. “Enquanto na maioria das regiões temperadas e árticas se espera um aumento da CRS, as projeções indicam uma forte queda na maioria das regiões tropicais e subtropicais”, assinalou o grupo de cientistas, liderado por Jan Henning Sommer. “Os países menos responsáveis das emissões passadas e atuais de gás carbônico teriam maiores probabilidades de sofrer perdas na CRS, enquanto os países industrializados veriam leves aumentos”, indicaram os pesquisadores, cujo trabalho foi publicado na revista britânica Proceedings of the Royal Society B.

Sol é a causa de aquecimento global

O aquecimento global do planeta deve-se em maior medida à atividade do Sol, e não ao "efeito estufa" causado pelos homens, afirmou hoje o diretor do Observatório Astronômico de São Petersburgo, Khabibullo Abdusamatov."O aquecimento global é resultado da elevada e prolongada atividade solar que aconteceu na maior parte do século passado, e não se deve ao efeito estufa", disse o cientista à agência russa Novosti. Contrariando a opinião da maioria das organizações de defesa do meio-ambiente, o cientista russo afirmou que a atividade industrial não influencia de forma determinante no clima do planeta, que ao longo dos séculos passou por períodos de aquecimento e esfriamento.
"A população não está em condições de influenciar no aquecimento global da Terra, que, após um período de aquecimento, sempre experimenta outro de esfriamento", disse Abdusamatov. Segundo o cientista, o alto nível de energia solar que chegou à Terra durante o século passado começou a cair nos anos 90 e, em conseqüência, o gradual aquecimento das águas dos oceanos foi detido. "Entre os anos 2012 e 2015, a temperatura global da Terra começará uma lenta redução, que alcançará os níveis mínimos entre 2055 e 2060", previu. Esse esfriamento será semelhante ao observado entre 1645 e 1715 e que afetou Europa, América do Norte e Groenlândia, e que coincidiu com uma diminuição da atividade solar, período no qual rios europeus como o Tâmisa e o Sena congelaram, afirma o cientista. Abdusamatov acrescentou que esse período de esfriamento durará pelo menos 50 anos e que, até o século XXII, a Terra começará novamente outra fase de aquecimento global.

Ação humana aumenta o nível do mar

Pesquisa apresenta evidências da ação humana no aumento do nível do mar. Desde 1900, o nível global do mar teve um aumento de cerca de 17 cm (7 pol.). O aumento da temperatura e consequente derretimento das geleiras e camadas de gelo, bem como o aquecimento dos oceanos que, diretamente, se expande com o aumento da temperatura, são os principais fatores do aumento do nível do mar. Vários pesquisadores têm atribuído apenas uma parte do aumento do nível de água ao aumento de emissões de dióxido de carbono (CO2), liberado pela ação humana, definindo a maior parte do aumento a fatores naturais, como a atividade solar. No entanto, um novo estudo [Anthropogenic forcing dominates sea level rise since 1850], atribui 3/4 do aumento à ação humana. O estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters. Registros de maré foram arquivados, ao longo de séculos, em vários portos (Amsterdã desde 1700, Liverpool desde 1768, Estocolmo desde 1774, e muitos outros lugares desde 1850). Tais registros permitiram que a pesquisadora Svetlana Jevrejeva, do Laboratório Oceanográfico Proudman em Liverpool, e outros dois colegas, a estatística do modelo e da avaliação da influência de vários fatores no nível do mar, durante os últimos três séculos, permitindo extrapolar os resultados ao longo do milênio passado. A equipe descobriu que, até aproximadamente 1800, o nível do mar diminuiu devido às erupções vulcânicas que periodicamente injetaram cinzas na atmosfera, velando o Sol e contribuindo para o resfriamento da Terra. Mas, como o nível do mar aumentou depois de 1850, o maior fator contribuinte foi o aumento do CO2 atmosférico. De acordo com os pesquisadores, sem o resfriamento causado pela atividade vulcânica, desde 1880, o nível do mar seria agora de cerca de três centímetros mais alto.

Descongelamento do Oceano Ártico

Descongelamento do Oceano Ártico lança 7,7 milhões de toneladas de metano por ano na atmosfera.
Cobertura de gelo do Oceano Ártico em descongelamento. Uma grande reserva de metano, gás-estufa 30 vezes mais potente do que o dióxido de carbono, está se abrindo. Pesquisadores da Universidade do Alasca descobriram diversas perfurações na camada de gelo que era tida como impermeável. A liberação do gás para a atmosfera, se não for interrompida, pode provocar mudanças climáticas ainda mais drásticas do que as já estudadas. - A quantidade de metano que vaza naquela região é comparável àquela liberada por todos os outros oceanos do planeta – alerta Natalia Shakhova, coordenadora da pesquisa e autora de um artigo publicado hoje na revista “Science”. O Ártico, segundo Natalia, liberaria cerca de sete teragramas anuais para a atmosfera. Cada teragrama equivale a 1,1 milhões de toneladas. - Se o permafrost (a camada de gelo permanente) continuar mostrando sinais de desestabilização, esta quantidade crescerá significativamente – adverte. A concentração atmosférica de metano varia de acordo com a temperatura global – os índices costumam ser maiores em períodos quentes. No Ártico, este índice, hoje, é o maior em 400 mil anos. Pesquisas relacionadas ao gás na década passada mostraram que, quanto maior a latitude, menor era a emissão de metano. Os estudos, porém, eram restritos à superfície terrestre. Em 2003, a equipe de Natalia colheu amostras no Oceano Ártico. Descobriu-se que mais de 80% das águas profundas e metade das águas de superfície tinham níveis de metano oito vezes maior do que a água normal de superfície. A constatação, combinada a dados de expedições anteriores, mostrou que o metano estava não apenas dissolvido na água, como também borbulhando para a atmosfera. Parte da área estudada preocupa a equipe por ser muito rasa, com menos de 50 metros de profundidade. Em águas profundas, o metano se oxida e se transforma em gás carbônico antes de atingir a superfície. Mas não há tempo para estas reações químicas em áreas superficiais. Os gases-estufa liberados ali são ainda mais danosos. - O lançamento de apenas 1% do metano que se acredita estar armazenado no Ártico pode aumentar a carga atmosférica do gás em até quatro vezes – explica Natalia. – É difícil prever quais seriam as consequências climáticas. A concentração atmosférica de metano teria mais do que dobrado desde a Revolução Industrial. Cerca de 60% são provenientes da atividade humana, enquanto o resto tem causas naturais, como, por exemplo, a decomposição de material orgânico. Geleira encolheu 3 km em 200 anos. Vilões do aquecimento global, os gases-estufa já deixam marcas visíveis nas regiões mais frias do planeta. Uma delas é o derretimento constante da geleira Exit, no Alasca. A geleira encolheu três quilômetros nos últimos 200 anos. Funcionários do Parque Nacional de Fiordes de Kenai costumam mudar sinais e trilhas para dar espaço aos rios efêmeros formados ao redor da geleira. - Agora, no entanto, as mudanças têm sido tão rápidas que montamos nossas placas sobre pedestais móveis – conta Klasner Fritz, especialista em recursos naturais do parque.

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...