sábado, 29 de outubro de 2011

Habitante ‘número 7 bilhões’

Habitante ‘número 7 bilhões’ do mundo nascerá ainda este mês
Segundo Nações Unidas, países precisam se preparar para o crescimento populacional; chefe da Comissão Econômica da ONU para Ásia Pacífico diz que marca histórica pode ocorrer no continente e deve ser com um menino.
O mundo está à espera para este mês de um nascimento que eleverá a população do planeta para a marca histórica dos 7 bilhões de habitantes.
Segundo estimativas do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, a criança deverá nascer no continente asiático.
Discriminação
De acordo com a chefe da Comissão Econômica da ONU para Ásia Pacífico, Noeleen Heyzer, caso a previsão seja confirmada, a chance do bebê ser um menino é grande. Heyzer lembrou que o continente concentra 61% da população mundial e tem mais homens que mulheres.
Ela afirmou que, devido à cultura, políticas e incentivos, muitos pais preferem meninos a meninas. Para a chefe da Comissão, a tendência demonstra discriminação de gênero e negligência que acarretam em consequências sérias para o balanço demográfico da Ásia.
Noellen Heyzer disse que o preconceito também se traduz em condições piores de educação para as mulheres. Cerca de 65% dos analfabetos são do sexo feminino. As mulheres também têm menos acesso à propriedades e aos processos de decisão.
Infraestrutura
Os dados fazem parte do Anuário para a região 2011 publicado pela Comissão das Nações Unidas.
Várias agências da organização já pediram mais providências de governos de todo o mundo para lidar com o aumento da população mundial em 7 bilhões de habitantes.
Um dos maiores problemas é a falta de infraestrutura em várias regiões, principalmente o acesso à água e ao saneamento básico. (EcoDebate)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Consumidor Consciente

“Consuma sem consumir o mundo em que você vive”. Com este slogan e uma linguagem acessível, o Instituto Akatu convoca o leitor a adotar o consumo consciente como parte do cotidiano. Para incentivar a reflexão no momento das compras e evitar o consumismo, a ONG disponibilizou o guia Doze Princípios do Consumidor Consciente, com pequenos gestos que resultam em grandes transformações.
Apesar de parecidas, as palavras “consumo” e “consumismo” possuem significados diferentes. Enquanto a primeira se refere a produtos e itens necessários para o cotidiano, a segunda está ligada aos excessos e exageros da sociedade atual. De acordo com o Instituto Akatu, para tornar-se um consumidor consciente é preciso entender o consumo de maneira ampla, avaliando questões como os motivos da compra, os valores da empresa escolhida e a formas de uso e descarte dos itens adquiridos.
A reciclagem de materiais e a reutilização de produtos são outros pontos abordados pela publicação, que também convida o leitor a considerar diversos pontos que vão desde a compra de produtos licenciados ao posicionamento ativo para a melhoria dos serviços.
Outras práticas sugeridas pelo Guia são:
Cobrar de governantes algumas propostas que viabilizem e incentivem o consumo consciente;
Divulgar o consumo consciente;
Parcimônia no momento de usar o crédito. (ecodesenvolvimento)

Em Genebra, não reciclar é delito

Além da seriedade da polícia Suíça, impressiona o processo: há um dossiê para comprovar a ‘crime ambiental’.
Ao voltar para casa após um dia de trabalho, encontrei um bilhete colocado na porta: "Por favor, compareça à delegacia de polícia de forma imediata". Pensando que eu seria alguma testemunha de um crime ou algo do gênero, cumpri o que dizia o recado. Mas, ao chegar ao local, fui surpreendido com a notícia de que eu era o principal suspeito de um delito. No caso, um delito ambiental.
A polícia suíça havia descoberto que eu não havia procedido com a reciclagem de papel de forma correta. E era verdade. Por falta de espaço em um dos compartimentos do lixo, naquela semana eu acabei colocando papel e plástico no mesmo local de reciclagem.
Identificada a irregularidade, a polícia local iniciou uma investigação para determinar o autor do delito. Ao analisar o papel jogado, descobriu envelopes de três cartas que estavam endereçadas a mim. O próximo passo foi o de concluir que eu teria sido o autor do delito de não reciclar de forma correta o papel.
O que impressiona não é apenas a seriedade da polícia suíça em tratar do assunto, mas o procedimento. Na delegacia, havia um dossiê com fotos do local de reciclagem, com o crime demonstrado: minhas cartas jogadas no mesmo local que o plástico.
Fui obrigado a pagar o equivalente a 35 euros de multa pelo delito e escutar um sermão da policial encarregada do meu caso. Mas o fato demonstrou uma nova dimensão da consciência ambiental nas cidades europeias: a de que a responsabilidade ambiental não é apenas de grandes empresas poluidoras, mas também do cidadão comum.
Na Suíça, não é apenas colocar o papel no lugar errado que é motivo de multa. Colocar o lixo para fora antes do tempo correto para que seja coletado pelo serviço municipal também é alvo de multa.
Genebra é apenas um caso. Mas avança por vários países ricos a adoção de leis criando delitos para quem não recicla, até mesmo com a aplicação das multas, além, claro, de uma polícia preparada para lidar a questão.
De acordo com a Comissão Europeia, 50% do lixo produzido por famílias são alvo de reciclagem. Mas a constatação é de que, apesar de toda a conscientização, esse número não tem sido elevado nos últimos anos. A penalização de delitos ambientais, portanto, começa a ganhar força para obrigar uma atitude ambiental responsável.
No Canadá, cidades da província do Quebec adotaram neste ano a obrigação de reciclar o lixo, sob pena de uma multa de US$ 200 ao infrator. No caso de escritórios que produzem uma quantidade de papel importante, a multa pode chegar a US$ 1 mil. O mesmo passou a ser adotado em várias cidades francesas.
Em todos os casos, o princípio é o mesmo: o cidadão tem a mesma obrigação ambiental que uma empresa. Na Grã-Bretanha, o governo calculou que residências geram por ano 30 milhões de toneladas de lixo. Mas apenas 17% é reciclado. Desde o ano passado, o governo vem aplicando uma multa de 110 libras esterlinas a quem não recicla. O valor é superior para famílias que a donos de comércio.
Choque. Nos Estados Unidos, Pittsburgh começou a aplicar multas em 2010, enquanto algumas cidades lançaram outro tipo de campanha: a de chocar o cidadão com informações.
Segundo a campanha que foi promovida, apenas para produzir o jornal de domingo nos Estados Unidos, 500 mil árvores seriam necessárias. Em outra mensagem, a campanha apenas alerta que a madeira e o papel jogados fora no país todos os anos pelos americanos seriam suficientes para aquecer 50 milhões de residências no período.
Em Cleveland, a cidade vai gastar US$ 2,5 milhões para introduzir nas lixeiras de residências cartões eletrônicos que poderão registrar quantas vezes na semana o lixo foi retirado. Como cada dia um tipo de lixo é coletado, quem não seguir o plano de reciclagem da cidade será multado em US$ 100.
Na Nova Zelândia, a multa também foi a forma encontrada para obrigar a população a reciclar a partir de julho. O valor: US$ 300 para quem for pego jogando vidro na lixeira de papel.
50% do lixo familiar produzido na Europa á alvo de reciclagem, de acordo com dados da Comissão Europeia. Apesar da consciência do cidadão, o índice tem se mantido constante nos últimos anos e, por isso, a penalização de delitos ambientais ganha força. (OESP)

Novas tecnologias na reaproveitação de resíduos

Novas tecnologias ajudam a reaproveitar resíduos
Apesar das dificuldades de lidar com os resíduos no Brasil, novas tecnologias de tratamento apontam caminhos para o seu reaproveitamento. Muitas vezes elas são polêmicas, como a queima direta de resíduos para a geração de energia, conhecida como WTE (Waste to Energy).
"É preciso julgar essas tecnologias comparativamente. Muita gente fala contra a queima direta, mas hoje as tecnologias de filtragem da fumaça da queima são muito eficientes. A fumaça vai para a atmosfera em padrões melhores do que aqueles resultantes da queima de combustível fóssil", diz Paulo Tupinambá, presidente da Haztec, uma das maiores operadoras de centrais de tratamento de resíduos do País.
A empresa tem projetos de duas plantas de WTE no Brasil. "A tecnologia mais usada no mundo é a chamada 'mass burning', em que se queima tudo junto", exlica Tupinembá.
"Queimar PET é o fim da picada. É uma sucata cara", opina o sociólogo Maurício Waldman.
Mas também há um sistema em que o lixo é dividido em orgânico molhado, orgânico seco, metálicos e não metálicos. Somente o orgânico seco - principalmente plástico, papelão e papel - vai para a queima.
A Haztec já gera energia a partir do biogás, uma outra tecnologia, no aterro desativado de São João, em São Paulo. "O biogás emitido vai para um motor que queima o metano e gera energia", explica Tupinambá. O CO2 do biogás vai para a atmosfera.
O aproveitamento do biogás é aplicável a aterros de cidades com mais de 300 mil habitantes. "Uma alternativa para os municípios são os aterros regionais, que recebam resíduos de várias cidades", diz Tupinambá.
A Haztec fornecerá para a Petrobrás todo o metano do aterro de Nova Gramacho, no Rio, por 20 anos. "Estamos desenvolvendo um sistema pioneiro de separação do metano do CO2 para vender só o metano." (OESP)

Reciclar é ato político

A atriz e escritora Bruna Lombardi, de 59 anos, plantou uma árvore no sábado no Parque Ecológico do Tietê. Ela colaborou com o movimento Tietê Vivo, que tem como objetivo reforçar o compromisso do poder público e da sociedade pela despoluição do rio mais famoso de São Paulo. Bruna também gravou recentemente um vídeo para o comitê Floresta Faz a Diferença, que reúne 140 organizações contrárias ao projeto de lei aprovado na Câmara para alterar o Código Florestal.
O engajamento em causas verdes, porém, não é novo. 'Vem desde o período das Diretas. Porque eu acho que você tem de exercer a cidadania todos os dias da sua vida. Na sua casa, por exemplo, você não reciclar uma garrafa de plástico é um ato político. É uma postura diante da vida. Se você não recicla a garrafa, não reclama das enchentes', afirma.
Para ela, 'ter numa cidade um rio morto, que serve como depósito de lixo, é um crime'. 'São Paulo foi construída nessa localização por causa desses dois rios (Tietê e Pinheiros). Esse lugar foi escolhido pelos nossos antepassados e tinha de ser tratado com a mesma dignidade da vida que a gente quer levar', diz Bruna.
Além de pedir a limpeza dos rios, ela está em campanha pela arborização da capital paulista. E faz a solicitação não apenas à população, mas também ao prefeito Gilberto Kassab. 'Eu pedi ao prefeito. Ele lutou por uma cidade limpa, São Paulo é uma cidade criativa, vamos lutar agora por uma cidade verde.'
Em sua opinião, apesar de a cidade ter 'um carbono altíssimo e uma poluição violenta, há uma despreocupação com plantar árvores'. 'Se hoje você descansa um segundo à sombra de uma árvore, tem esse privilégio porque os que vieram antes de nós plantaram. A nossa responsabilidade é não quebrar essa corrente. É plantar para os que virão', afirma.
A preocupação ambiental há anos permeia o cotidiano de sua família. 'A gente constrói verde, com materiais que não poluem, busca produtos orgânicos, usa energia solar e tem cisterna para água de chuva', conta ela. As atitudes são reflexo da ideologia. 'Acredito numa frase de Gandhi: Seja a mudança que você quer ver no mundo'.
A atriz também defende que o País busque o desenvolvimento limpo. 'Não queremos parar o desenvolvimento, mas não adianta crescer economicamente e estar com a casa desorganizada. O desenvolvimento tem de vir de uma forma consciente, limpa, planejada. Esse é o nosso desafio. '
Bruna Lombardi: “A gente está correndo atrás de um descaso de muitos anos. Mas o Brasil é criativo, aprende rápido.” (OESP)

Garrafas PET X garrafas de vidro

Quando pensamos em embalagem de refrigerantes, o que seria ambientalmente mais correto: a garrafa PET ou a garrafa de vidro. Dúvidas não faltam. É uma questão relativa que merece uma análise mais detalhada e crítica.
Até o início da década de 1990, as garrafas de vidro eram facilmente encontradas nos principais supermercados brasileiros. Contudo, com o advento da garrafa PET, as garrafas de vidro desapareceram do mercado, retornando, agora, com força total. Para se ter uma ideia, em 2000, a Coca-Cola, uma das maiores empresas deste setor, disponibilizava apenas um modelo de vidro no Brasil. Hoje já são mais de sete modelos e investimentos cada vez maiores neste tipo de embalagem.
Essa não é uma discussão inútil sob a ótica de sermos o país no topo do ranking dos maiores consumidores de refrigerantes per capita anuais com 487 copos, superando os Estados Unidos com 436 copos. Deste total, segundo dados de dezembro de 2006, da Associação das Indústrias de Refrigerantes (Abir), em todo o mercado brasileiro de refrigerantes, o vidro participa com 12,3%, as embalagens PET dominam com 79,8%, enquanto as latas ficam com apenas 7,9%.
Em paralelo, foi traçado o perfil de consumo brasileiro. Os consumidores da classe A e B preferem a conveniência ao optarem pelas latas e garrafas PET. Já as classes C e D optam pelo baixo custo do produto, sendo a embalagem de vidro retornável a preferida.
Assim, diante de números tão expressivos, é importante identificar qual seria a melhor garrafa na perspectiva ambiental e econômica. Para isso, utilizarei uma ferramenta fundamental, a análise do ciclo de vida do produto. Analisa-se desde a extração de recursos naturais até o consumo final, passando, claro, pela logística do processo. Não podemos nos ater apenas ao aspecto ambiental de qualquer produto. Para que um produto seja comercializado, ele tem de ser primeiramente economicamente viável. Tanto uma como a outra embalagem são viáveis. Portanto, vou me ater somente aos aspectos ambientais.
No primeiro momento do ciclo de vida, devemos analisar a utilização de recursos naturais na obtenção da matéria-prima. O vidro é composto basicamente por areia, calcário, barrilha, alumina, corantes e descorantes. Em sua maioria são elementos facilmente encontrados na natureza e, em parte, renováveis. Já a garrafa PET é feita basicamente de plástico, derivado do petróleo, fonte não renovável e emitente de gases de efeito estufa. Neste aspecto, pode-se dizer que a garrafa de vidro é melhor opção que a de plástico.
Na segunda fase, na fabricação das garrafas, independente da composição de que são feitas, a emissão de gases de efeito estufa e a utilização de energia e de recursos naturais, em longo prazo, serão menores na produção da garrafa de vidro, tendo em vista a possibilidade de serem produzidas apenas uma única vez e reutilizadas até 40 vezes, em média.
Em termos logísticos, acredito que as garrafas PET são as menos impactantes por dois motivos. Primeiro, porque as embalagens descartáveis são mais leves, possuindo a melhor relação peso/conteúdo do mercado. A garrafa PET de dois litros tem em média apenas 47g, enquanto uma garrafa de vidro de um litro para refrigerante pesa 950g. Segundo, elas podem ser comprimidas para estocagem, cabendo no mesmo espaço mais garrafas do que as de vidro. Além disso, as garrafas de vidro, por serem mais pesadas, farão o caminhão emitir mais CO2 para transportá-las, somando-se, ainda, a emissão de CO2 no seu retorno à fábrica.
Contudo, se consideradas distâncias de distribuição de até 400 quilômetros, levando em consideração a matéria-prima, a energia e o combustível consumidos na fabricação, transporte das embalagens e coleta para disposição final, as garrafas de vidro são mais vantajosas no que se refere à emissão de CO2 e ao consumo de energia. Esse dado é fundamental se pensarmos que o Brasil é um país continental. Para os centros urbanos cujas distâncias são menores, as garrafas de vidro deveriam ser prioridade. Já para destinos remotos, as de PET teriam sua vez por gastar menos combustível.
Outro ponto a ser analisado no ciclo de vida é a pegada hídrica. Não podemos esquecer um bem tão preciso à humanidade. Para produzir um litro de bebidas em PET, apenas dois litros de água são usados, nos quais incluem a água utilizada para a produção do refrigerante. Já nas garrafas de vidro, utilizam-se até seis litros de água para cada litro produzido em razão da água necessária para a lavagem das garrafas para serem reutilizadas e dos engradados que as transportam.
Por fim, o consumo. Muitos sentem a diferença de sabor, mas não sabem o motivo. Ele é muito superior nas garrafas de vidro. Esta qualidade do refrigerante se dá em razão da quantidade de gás encontrado na garrafa. Como as garrafas PET possuem paredes porosas e permeáveis, parte do gás se perde junto com o sabor e a consistência do refrigerante.
Outro ponto crucial nesta fase é o descarte da embalagem. Em termos de reciclagem, ambos são vantajosos. Tanto o vidro quanto o plástico são materiais 100% recicláveis. Se considerarmos somente o índice de reciclagem, segundo dados de 2008 do relatório de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o campeão absoluto da reciclagem no Brasil é o alumínio com 91,5%. Em seguida, vêm as embalagens PET com 54,8%, enquanto as de vidro vêm se mantendo estável nos últimos anos, com 47% do total em 2008. Apesar da taxa ser aparentemente baixa, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países recicladores da garrafa PET, com índice de 51%, perdendo apenas para o Japão com 55,5%, segundo dados divulgados pelo Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem).
Conclui-se, assim, que 49% das garrafas PET produzidas no país causam impacto ambiental, isto é, cerca de 200 toneladas de PET´s anualmente são lançadas ao mar, rios, lagos, córregos permanecendo ali por no mínimo 400 anos até ser decomposta, quando não são ingeridas por animais. Apesar de o vidro demorar 10 vezes mais para se decompor, eles não causam tanto impacto ambiental por terem outro destino.
O impacto da garrafa de vidro é menor em razão da logística reversa praticada pelas fabricantes de refrigerantes. Elas concedem desconto ao consumidor no ato da compra de um novo produto quando ele retorna com a garrafa em determinados pontos de coleta. Na prática o consumidor paga originalmente não só pelo conteúdo, mas também pela embalagem. Ao retornar com a garrafa vazia e comprando um novo produto pagará somente pelo seu conteúdo. Este tipo de relação é bom para todos. O fabricante, o consumidor e o meio ambiente saem ganhando.
Sem dúvidas, a retomada das garrafas de vidro pela indústria de refrigerantes é benéfica ao meio ambiente. Contudo, vislumbro outra alternativa. Indicaria como solução a garrafa PET retornável, pois agregaria os melhores valores de cada um dos materiais. Ela seria retornável, evitando novas produções em série de novas garrafas, seria leve contribuindo para menos emissões de gases efeito estufa no seu transporte e alto índice de reciclagem para aquelas que não retornassem. (ambienteenergia)

Resíduos sólidos, reciclagem e catadores

Na coluna sobre biomassa, publicada em 28 de junho, mencionei que hoje uma pessoa produz semanalmente 5 quilos de resíduos ou 40,5 toneladas de lixo produzidos ao longo de 75 anos.
Publiquei ainda que em 2010, o Brasil produziu 61 milhões de toneladas de resíduos, 6,9% a mais do que em 2009. Deste montante, apenas 57,6% teve destinação adequada e os 42,4% restantes foram diretamente para o lixão.
Assim, com o advento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010, determinou-se que até 2014 os municípios exterminem os seus lixões. Contudo, após ler os dados do DCI (dci.com.br), percebi que esta meta é quase inalcançável. Segundo o site informativo, 63% dos municípios brasileiros enviam seus resíduos sólidos para lixões, o que contribui para a contaminação do solo e das águas subterrâneas, enquanto apenas 27,68% dão a destinação correta, enviando para aterros sanitários.
Além disso, quando se fala em reaproveitamento dos resíduos, os índices são ainda piores: 59,3% dos municípios não têm sistema de coleta seletiva. Apenas 3,79% dos municípios têm unidade de compostagem de resíduos orgânicos, 11,56% possuem sistema de triagem de resíduos recicláveis, e 0,61% têm unidade de tratamento por incineração; 70% dos municípios possuem catadores de lixo e materiais recicláveis, mas em 79% das cidades a categoria não tem organização oficial.
Destes índices todos o que me chama mais atenção é o percentual de municípios com catadores. Se pensarmos que o Brasil tem 5.561 municípios, teríamos 3.893 municípios com catadores de lixo. Apesar de o Brasil serv considerado um país emergente, tem ainda 8,5% da sua população abaixo da linha da pobreza. De fato, isso contribui para a existência dos catadores. Mas acredito que a educação e conscientização ambiental é o principal fator.
A verdade é que diante de números insólitos, os catadores adquirem fundamental importância no sistema de reciclagem atual. São eles que se lançam no ambiente urbano em busca de materiais recicláveis. São eles que separam, em meio a montanhas de resíduos nos lixões e em condições desumanas, o que pode ou não ser reciclado.
Embora eu me preocupe e busque informações a respeito de ações socioambientais, só fui perceber a verdadeira realidade destes indivíduos após ver o excelente documentário Lixo Extraordinário, postulante ao Oscar. Nele o artista plástico Vik Muniz conseguiu demonstrar veementemente a vida e as situações cotidianas vividas por estes catadores, além da importância destas pessoas no processo de reciclagem no lixão de Gramacho, no Rio de Janeiro, o maior lixão da América Latina e um dos maiores do mundo.
Infelizmente elas não estão ali pela consciência ambiental, e sim por ser a única fonte de renda. Os cerca de 5 mil catadores de Jardim Gramacho, segundo a prefeitura de Caxias (RJ), possuem uma renda mensal de R$ 680, podendo os mais experientes superar R$ 1 mil por mês. Por esta razão, eles temem não ter como sobreviver após 2014. O lixo é a sua única fonte de renda. Mas do que nunca, a associação será fundamental neste processo.
Hoje o resíduo sólido é um dos piores problemas urbanos. Mas ele é também uma solução. Não por ser uma fonte energética. Mas continuando a ser a fonte de renda destes catadores.
Neste processo de mudança de implantação de aterros sanitários, não haverá prejuízo à reciclagem. Pelo contrário. A reciclagem e o trabalho dos catadores adquirirão um papel ainda mais forte. O resíduo antes de ser depositado no aterro sanitário passará por um processo de triagem. Continuarão a separar os materiais recicláveis. O rejeito, aquilo que não puder ser reciclado, irá para o aterro sanitário ou poderá ser incinerado.
Para isso, os catadores deverão ser treinados e capacitados, como, por exemplo, a manusear corretamente os resíduos, conscientizá-los da importância ambiental do trabalho, e porque não, educá-los. Ensiná-los a ler e escrever. Aproveitar este processo de transformação social que incluirá um ambiente de trabalho substancialmente mais salubre do que os atuais. Fornecimento de equipamentos e vestimentas adequadas à função exercida. Formalização desta força trabalhista, obtendo carteira de trabalho assinada e demais direitos trabalhistas.
Infelizmente, nem todos os catadores deverão ser absorvidos. Em razão disso, não há duvidas que problemas sociais surgirão. Ausência de renda e educação é um passo para a marginalidade. É por isso que quando falamos em sustentabilidade os tripés devem sempre estar juntos. O ambiental está estritamente ligado aos fatores econômico e social. Políticas sociais deverão estar presentes nestes próximos anos para evitar problemas colaterais e o aumento da pobreza. Acredito que o bolsa família resolveria parte destes problemas.
Com certeza, você, diante do seu computador, e eu não sabemos a verdadeiramente a dificuldade que estes catadores enfrentam. É uma realidade muito distante da nossa. É certo, porém, que este nicho foi criado diante do acúmulo de resíduos urbanos despejados por nós e a ausência de políticas socioambientais públicas. Apesar disso tudo, acredito que estamos no caminho certo. A lei foi criada, lixões serão extintos, os resíduos ganharão a destinação correta e nós um meio Ambiente melhor. (ambienteenergia)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...