sábado, 21 de outubro de 2017

Um terço do solo do planeta está severamente degradado

“É preciso 500 anos para construir dois centímetros de solo vivo e apenas segundos para destruí-lo” - (Stephen Leahy, 2013)
Um terço do solo do Planeta está severamente degradado e o solo fértil está sendo perdido a uma taxa de 24 bilhões de toneladas por ano, de acordo com o estudo “Perspectiva Global de la Tierra (GLO)”, apoiado pela Secretaria da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas, em colaboração com sócios colaboradores.
O estudo “Perspectiva Global de la Tierra” (2017) é considerado o estudo mais abrangente deste tipo, mapeando os impactos interligados da urbanização, mudanças climáticas, erosão e perda de florestas. Mas o maior fator de degradação é a expansão da agricultura industrial.
O declínio alarmante da qualidade dos solos deve continuar à medida que aumenta o número de habitantes e o nível de renda da população mundial – o que eleva a demanda de alimentos e a demanda por terra produtiva. Aumento da demanda com redução da oferta, aumenta os riscos de conflitos, como os vistos no Sudão, no Chade e em outras regiões do mundo.
O cultivo pesado, as colheitas múltiplas e o uso abundante de agrotóxicos químicos aumentaram os rendimentos no curto prazo, em detrimento da sustentabilidade em longo prazo. Nos últimos 20 anos, a produção agrícola aumentou três vezes e a quantidade de terras irrigadas dobrou, observa o relatório. Ao longo do tempo, a sobre-exploração dos solos diminui a fertilidade e pode levar ao abandono da terra e, finalmente, à desertificação.
O relatório observou que a diminuição da produtividade pode ser observada em 20% das terras cultivadas do mundo, 16% das terras florestais, 19% das pastagens e 27% das pastagens. A agricultura industrial é boa para atender a demanda por alimentação humana, mas não é sustentável.
A degradação dos solos varia de região para região. A má gestão da terra na Europa representa cerca de 970 milhões de toneladas de perda de solo por erosão a cada ano, com impactos não apenas na produção de alimentos, mas também na biodiversidade, na perda de carbono e na resiliência de desastres. Os altos níveis de consumo de alimentos em países ricos, como o Reino Unido, também são um dos principais impulsionadores da degradação.
Porém, o pior impacto acontece na África subsaariana, onde há o maior crescimento demográfico do mundo, as maiores taxas de pobreza e o maior número de pessoas passando fome no mundo. E o futuro do continente pode estar comprometido em decorrência da degradação ambiental, da perda de biodiversidade e dos danos às terras aráveis e à produção de comida. A recomendação básica é que os governos africanos e os doadores internacionais invistam na gestão da terra e do solo, criando incentivos sobre os direitos à terra, seguras para incentivar o cuidado e a gestão adequada dos terrenos agrícolas.
O declínio da produtividade dos solos acontece no contexto de uma crise hídrica. 40% dos africanos (mais de 330 milhões de pessoas) não têm acesso à água potável, e metade das pessoas que vivem em áreas rurais não tem acesso. O problema mais grave é na África subsaariana, onde mais de 320 milhões de pessoas não têm acesso. A África subsaariana foi a única região do mundo que não atingiu as metas dos objetivos de desenvolvimento do milênio (ODM).
Outro fator que agrava a situação dos solos e ameaça a produção de alimentos é o aquecimento global e as ondas de calor que alteram a estabilidade e a normalidade dos períodos de chuva. Os eventos climáticos extremos são muito prejudiciais à agropecuária. A pecuária contribui muito para o desmatamento e é grande emissora de gás metano, que é mais de 20 vezes mais poluente do que o CO2.
Cuidar dos solos é fundamental para o futuro da produção de alimentos. Mas, também, o solo pode absorver grandes quantidades de carbono, perdendo apenas para os oceanos. Ao contrário, a erosão libera carbono no ar. Por isto, é urgente adotar boas práticas e decrescimento das atividades antrópicas, para que a terra seja um lugar seguro. O reflorestamento com espécies nativas e o crescimento das plantas podem recuperar os terrenos, sequestrar carbono e liberar oxigênio. A recuperação dos solos passa também pela permacultura, a agricultura orgânica, por uma dieta mais vegetariana e um redimensionamento da sobrecarga ambiental da economia e da população mundial. (ecodebate)

Governo estuda acabar com o horário de verão

Discussão sobre o assunto está na Casa Civil, mas caberá ao presidente Temer aprovar.
O governo estuda acabar com o horário de verão. O assunto está em avaliação na Casa Civil e caberá ao presidente Michel Temer bater o martelo. A intenção da equipe envolvida nas discussões é decidir sobre o tema nas próximas semanas, já que o próximo período de vigência do horário diferenciado está previsto para começar em outubro até fevereiro.
O horário de verão foi criado com o objetivo de economizar energia elétrica durante o período em que está em vigor. Um estudo do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e do Ministério de Minas e Energia concluiu, no entanto, que essa política pública traz efeitos “ próximos à neutralidade” com relação à economia de energia elétrica. Ou seja, o principal objetivo da medida, economizar eletricidade, não é mais atingido. Foi a partir daí que o assunto passou a ser analisado por outros entes do governo.
A avaliação é de que o período em que a maior parte do país adianta o relógio em uma hora já faz parte dos costumes e da cultura do brasileiro. Por isso, a decisão que vier a ser tomada levará em conta também esses aspectos, além da capacidade de economizar energia.
Entre os técnicos que defendem a medida dentro do governo, o argumento é de que o horário pode ser positivo para setores como comércio e turismo, apesar do pouco impacto na economia de energia. Isso porque as pessoas têm mais uma hora para consumir, o que seria benéfico para empresas desses setores econômicos.
A Casa Civil informou que foi criado um grupo de trabalho especialmente dedicado a analisar a eficácia do horário de verão, após a conclusão dos estudos técnicos. Disse ainda que uma decisão deve sair “em breve”, mas não deu prazo. A decisão cabe apenas ao Poder Executivo, ou seja, não precisa passar pelo Congresso Nacional.
O horário de verão começou em 15/10/2017.
As discussões sobre o horário de verão ganharam força no governo após um estudo do ONS e do ministério constatar que a “adoção desta política pública atualmente traz resultados próximos à neutralidade para o consumidor brasileiro de energia elétrica, tanto em relação à economia de energia, quanto para a redução da demanda máxima do sistema”. O estudo atribui esse resultado à “mudanças no perfil” da sociedade e na “composição da carga”, que vem sendo observado nos últimos anos.
No passado, quando o horário era mais eficiente, as pessoas e empresas eram estimuladas a encerrarem suas atividades do dia com a luz do sol ainda presente, evitando que muitos equipamentos estivessem ainda ligados quando acionada a iluminação noturna.

A mudança do perfil do brasileiro, no entanto, mudou as características do consumo. Muita gente deixou de ter um horário tradicional de trabalho, chegando em casa já à noite. Além disso, principalmente durante as tardes de verão, o uso de equipamentos, como o ar condicionado, foi intensificado. (oglobo)

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Secularização e pluralidade na América Latina

“Deus quer evitar o mal, mas não pode fazê-lo? Então não é onipotente.
É capaz de evitar, mas não quer? Então é malvado.
Deus pode e quer evitar o mal? Então por que permite a maldade?
Deus não pode e nem quer evitar o mal? Então por que chamá-lo Deus”- (Epicuro de Samos, 341-270 a. C.)
A secularização pode ser definida como o fenômeno por meio do qual a religião perde a predominância na determinação das atividades do dia a dia na vida social e cresce o número de pessoas que se declaram sem religião ou com desafeição às religiões institucionalizadas.
Nessa concepção, a América Latina e o Caribe (ALC) tem passado por um aumento da secularização, pois, além da menor dominação dos símbolos religiosos sobre as instituições, cresce o número de pessoas que se declaravam sem religião que, na média da região, estava em torno de 1% em 1970 e chegou a 8% em 2014.
O Uruguai é o país mais secularizado de todo o continente americano, com 37% da população se declarando sem religião, sendo 10% de ateus e 3% de agnósticos. A laicidade tem uma longa tradição no Uruguai. Em 1861, o governo nacionalizou os cemitérios em todo o país, rompendo o controle que existe pelas igrejas. Logo depois, o governo proibiu as igrejas de ter papel protagonista na educação pública ou emitir certificados de casamento. No século XX, uma nova constituição consagrou a separação entre religião e esfera pública.
O percentual de pessoas sem religião na República Dominicana e entre a população hispânica dos EUA ficou empatado em 18%. Em seguida aparece o Chile com 16% de pessoas sem religião, sendo 2% ateus e 3 agnósticos. El Salvador tinha 12% sem religião. A Argentina com 11% sem religião, sendo 4 ateus e 1% agnóstico. Honduras tinha 10% sem religião, sendo1% de agnósticos. Costa Rica com 10% de sem religião e 1 agnóstico. Brasil com 8% sem religião e 1% agnóstico. O país menos secularizado era o Paraguai com somente 1% de pessoas sem religião.
No Brasil, o percentual de cristãos (católicos + evangélicos) caiu de 97%, segundo o censo demográfico de 1970, para 96% em 1980, para 92% em 1991, para 89% em 2000 e para 87% no último censo, do IBGE, de 2010. Concomitantemente, o percentual de pessoas que se declaram sem religião passou de 0,8% em 1970, 1,6% em 1980, 4,7% em 1991, 7,4% em 2000 e 8,0% em 2010.
As diversas pesquisas do Instituto Datafolha mostram um crescimento mais acelerado do percentual de pessoas sem religião no Brasil. Em agosto de 1994 havia 5% de pessoas sem religiões no país, passou para 7% em abril de 2014 e para 14% em dezembro de 2016.
Contudo, este número é muito diferenciado nos municípios. Por exemplo, a cidade de Chuí no Rio Grande do Sul, quase na divisa com o Uruguai, é onde o percentual de pessoas sem religião é a mais alta do país, conforme mostra a tabela abaixo. No ano 2000 havia 38,5% de pessoas sem religião em Chuí e este percentual passou para 54,2% em 2010.
Mas há outras cidades no Brasil com alto percentual de pessoas sem religião: Gaúcha do Norte, MT, com 40,1%, Álvaro de Carvalho, SP, com 38,4%, Roteiro, AL, com 38,3%, Barra de Santo Antônio, AL, com 35%.
Parece que os ventos secularizantes vão continuar soprando no Brasil e fazendo com que a categoria de pessoas que se declaram sem religião cresça em volume. O percentual de sem religião é maior entre os homens e os jovens que nasceram depois de 1980. Isto quer dizer que a tendência a uma maior secularização deve aumentar na medida em que estas gerações mais jovens envelheçam e o Brasil se torne um país mais plural em termos religiosos.
Além disto, o Brasil está abaixo da média do Global Index of Religiosity and Atheism (2012) do WIN-Gallup International, que aponta uma média mundial de 23% para as pessoas que se declaram sem religião e de 13% para os que se declaram ateus. Portanto, o aumento da secularização da ALC está indo na direção de se aproximar da média mundial. Nos EUA o percentual de pessoas sem religião passou de 7% na década de 1990 para 23% em 2014.
Como mostra Phil Zuckerman, os países com alto índice de pessoas sem religião, em vez de serem bastiões de pecado e corrupção (como o direito cristão sugeriu que uma sociedade sem Deus seria), são países que estão no topo do “índice de felicidade” e desfrutam de sociedades saudáveis, que possuem algumas das taxas mais baixas de crimes violentos no mundo.
No caso da ALC, um sinal da perda de influência da Igreja Católica (mas também das evangélicas) é que o “sacramento” do casamento religioso é cada vez mais infrequente na região. Praticamente, em todos os países latino-americanos diminui o percentual de casamentos religiosos e cresce o percentual de casamentos consensuais e, também, o número de nascimentos fora do casamento legal. Por exemplo, segundo o IBGE, no Brasil o percentual de casamentos “civil e religioso” era de 63,8% em 1980 e caiu para 42,9% em 2010. O percentual de casamentos “só religioso” era de 8,1% em 1980 e caiu para 3,4% em 2010.
A prevalência de métodos contraceptivos modernos é muito elevada em toda a ALC e a Taxa de Fecundidade Total já está próxima do nível de reposição. Os equivocados ensinamentos da encíclica Humanae Vitae são, cada vez, mais desrespeitados pelos cristãos. É urgente a necessidade de rever essa encíclica do Papa Paulo VI que completará 50 anos em 25/07/2018.
Mas como mostrou Peter Berger, o crescimento da secularização não se dá em função do fim das religiões, mas sim pelo crescimento do pluralismo.
A diversificação religiosa e o crescimento do Estado Laico fazem com que diversas instâncias da sociedade funcionem de acordo com a lógica da ciência e os critérios lógicos da racionalidade e não em termos de dogmas religiosos. Nesse sentido, na média da região, a América Latina e Caribe, mesmo com ampla predominância cristã, está cada vez mais plural e secularizada. (ecodebate)

Cenários da queda da fecundidade e o futuro da população mundial

“Alcançar, até 2015, o acesso universal à saúde reprodutiva”
Meta # 5B, ODM
A população mundial acelerou o crescimento desde o início da Revolução Industrial e Energética, ocorrida no final do século XVIII, quando passou de 1 bilhão de habitantes por volta do ano 1800 para 2 bilhões em 1930, 3 bilhões em 1960 e 4 bilhões em 1974. Entre 1800 e 1930 o crescimento natural da população mundial foi de 0,5% ao ano; passou para 1,4% ao ano entre 1930 e 1960; e para 2,1% aa entre 1960 e 1974, quando atingiu as maiores taxas de crescimento da história humana. Entre 1974 e 1987 o crescimento anual caiu para 1,6% aa, para 1,4% aa entre 1987 e 1999 e para 1,29% aa entre 1999 e 2011.
O gráfico acima mostra que o pico das taxas de crescimento da população mundial ocorreu no quinquênio 1965-1970. Os países menos desenvolvidos (aqueles de renda média) acompanharam a tendência da população mundial, mas em um ritmo um pouco mais elevado. Os países mais desenvolvidos (aqueles de alta renda) apresentam ritmos declinantes de crescimento desde o quinquênio 1955-60 e estão com a população praticamente estabilidade desde o início do século XXI. Mas são os países muito menos desenvolvidos (aqueles de renda baixa) que apresentam grande crescimento demográfico, chegando a apresentar taxas de quase 3% ao ano na década de 1980 e, embora tenha desacelerado um pouco, ainda possuíam taxas de crescimento em torno de 2,5% ao ano no quinquênio 2010-15.
O gráfico abaixo mostra que as taxas de fecundidade da Europa e América do Norte ficaram abaixo do nível de reposição (TFT = 2,1 filhos por mulher) a partir da década de 1970. A Ásia e a América Latina tiveram uma grande queda da fecundidade depois de 1970, mas ainda estão acima do nível de reposição. E a TFT da África só começou a cair nos anos de 1980 e ainda estão em níveis bastante elevados, significando alto crescimento demográfico.
As taxas de fecundidade total (TFT) do mundo subiram ligeiramente entre 1950 e 1965, mas tiveram uma queda expressiva entre 1970 e o ano 2000, quando caíram de cerca de 5 filhos por mulher para 2,7 filhos por mulher. A TFT foi reduzida quase pela metade em 30 anos. Contudo, a queda se desacelerou nos anos 2000 e estava em 2,52 filhos por mulher no quinquênio 2010-15. Ou seja, em 15 anos o declínio foi de somente 0,2 filhos por mulher, enquanto no período 1970-2000 o declínio foi de 2,3 filhos por mulher.
A divisão de população da ONU (revisão 2017) indica que a TFT vai continuar caindo em ritmo lento, na hipótese média de projeção, e deve ficar em 2 filhos por mulher em 2100. Nesta trajetória, a população mundial vai continuar crescendo durante todo o século XXI. Porém, se a TFT acelerar o ritmo de queda (como mostra a projeção baixa da ONU), alcançando 1,5 filhos por mulher em 2100, então haveria um declínio da população mundial. Nota-se que a diferença entre a projeção média e as projeções baixa e alta é de apenas 0,5 filhos (meio filho em média).
Pequenas diferenças na TFT podem parecer irrelevantes, mas possuem um grande impacto sobre o volume da população no longo prazo, como mostra o gráfico abaixo. Se a TFT seguir a projeção alta (ficando com 2,5 filhos por mulher em 2100) então a população mundial será de quase 17 bilhões de habitantes em 2100. Se a TFT seguir a projeção média (2 filhos por mulher em 2100) então a população mundial será de 11,2 bilhões de habitantes no final do século. Mas se o declínio da TFT se acelerar, seguindo a projeção baixa (do gráfico acima) e atingir 1,5 filhos por mulher em 2100, então a população mundial subiria até o pico de 8,8 bilhões de habitantes em 2053 e depois decresceria para 7,2 bilhões em 2100. Portanto, uma diferença de apenas 0,5 filho por mulher pode fazer a população mundial variar de algo em torno de 17 bilhões (na projeção alta) a 7 bilhões de habitantes no final do atual século (na projeção baixa).
Estes dados das projeções demográficas da Divisão de População da ONU mostram que não existe nenhum determinismo sobre o futuro da população mundial. Se a queda das taxas de fecundidade se acelerarem nos próximos anos e décadas, a população mundial pode ter um volume em 2100 menor do que o número atual de habitantes do globo.
A queda da TFT pode ocorrer totalmente dentro dos marcos dos direitos reprodutivos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, no mundo, existem mais de 225 milhões de mulheres em período reprodutivo sem acesso aos métodos de regulação da fecundidade. O número de gravidez indesejada é alto. A meta # 5B dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) dizia: “Alcançar, até 2015, o acesso universal à saúde reprodutiva”. Esta meta não foi alcançada. Agora, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) também colocam como meta a universalização dos serviços de saúde sexual e reprodutiva até 2030. Evidentemente, esta procrastinação não é boa para a saúde das mulheres e nem para os bebês que nascem de uma gravidez indesejada e vão correr riscos cada vez maiores diante dos desafios econômicos, sociais e ambientais. Por exemplo, o surto dos casos de microcefalia no Brasil, diante da epidemia de zika, poderia ser evitado se houvesse bons serviços de saúde reprodutiva no país.
O ser humano tem livre arbítrio e pode construir o futuro com mais ou menos gente. A humanidade pode escolher o caminho do maior ou do menor crescimento demográfico, desde que haja respeito aos direitos sexuais e reprodutivos e a regulação da fecundidade seja uma escolha livre dos casais e das pessoas.
Qualquer que seja a decisão será preciso levar em consideração as condições ambientais do Planeta, a sobrevivência das demais espécies, a manutenção da biodiversidade e a saúde dos ecossistemas. O progresso civilizacional tem ocorrido às custas de um holocausto biológico. A humanidade já ultrapassou a capacidade de carga do Planeta. A redução das taxas de fecundidade – que levariam a uma redução da população até o ano 2100 – pode ser um passo importante para a sobrevivência da vida no Planeta.
Mas não basta apenas o decrescimento demográfico. É preciso também decrescer as atividades econômicas mais danosas ao meio ambiente e colocar a Pegada Ecológica em equilíbrio com a biocapacidade da Terra. No Holoceno havia estabilidade climática. No Antropoceno, depois da grande aceleração das atividades antrópicas, as condições de vida na biosfera se degradaram e, no ritmo atual, as futuras gerações de humanos e não humanos podem receber de herança um habitat inabitável e inóspito. (ecodebate)

terça-feira, 17 de outubro de 2017

População e Pegada Ecológica na África

O continente africano tem um grande desafio no século XXI: garantir bem-estar para sua crescente população e qualidade ambiental para um meio ambiente em constante deterioração.
As projeções probabilísticas da ONU, conforme o gráfico acima, indicam que a África pode ter uma população entre 3 e 6 bilhões de habitantes em 2100, mas com a projeção média indicando a maior probabilidade de haver 4,5 bilhões de habitantes no final do século. Somente a África Subsaariana poderá passar de 1 bilhão de pessoas em 2017 para 4 bilhões de habitantes em 2100.
Evidentemente, será difícil garantir o bem-estar social de toda essa gente. O Produto Interno Bruto da África Subsaariana era de US$ 3,6 trilhões em 2016 e deve chegar a US$ 4,5 trilhões em 2020, segundo dados do FMI, em poder de paridade de compra (ppp). Isto significa que a renda per capita (em ppp) era de US$ 3,8 mil em 2016 e deve chegar a US$ 4,3 mil em 2020. Para se ter uma comparação, em 2020, a renda per capita brasileira deve ser de US$ 17,1 mil e a do mundo de US$ 19,4 mil.
Nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), aprovado em setembro de 2015 pela Assembleia Geral da ONU, foi definido no objetivo # 8.1, o seguinte: “Sustentar o crescimento econômico per capita, de acordo com as circunstâncias nacionais e, em particular, pelo menos um crescimento anual de 7% do PIB nos países menos desenvolvidos”. Pois bem, se o PIB da África Subsaariana crescer 7% ao ano entre 2020 e 2100, chegaria no final do século em US$ 1,1 trilhão (cerca de 10 vezes o PIB global atual). Para uma população de 4 bilhões, isto daria uma renda per capita de US$ 250 mil (mais de 10 vezes a renda média mundial da atualidade).
Porém, estes números são pouco factíveis, pois como mostrou o economista ecológico Kenneth Boulding (1910-1993): “Acreditar que o crescimento econômico exponencial pode continuar infinitamente num mundo finito é coisa de louco ou de economista”.
De fato, as bases ecológicas para manter o crescimento econômico da África Subsaariana já estão abaixo da capacidade de carga. O gráfico abaixo, da Footprint Network, mostra que a Pegada Ecológica do continente africano já está 13,5% acima da biocapacidade. Em termos per capita, a Biocapacidade estava em 1,2 hectares globais (gha) em 2013 e a Pegada Ecológica estava em 1,4 gha. Portanto, o nível de consumo da África já é muito baixo e mesmo assim as bases ecológicas já estão fragilizadas.
Manter um crescimento econômico de 7% ao ano e chegar a uma renda per capita muito mais elevada do que a dos países ricos da atualidade é apenas um sonho tecnocrático, que tem apoio dos setores que querem aumentar a acumulação de capital, mas não tem base material e ambiental para se concretizar. Mas mesmo na hipótese de crescimento médio de 3,5% ao ano, o PIB multiplicaria por 16 vezes em 80 anos. Isto elevaria o PIB da África para US$ 67 bilhões (maior do que o conjunto das economias avançadas na atualidade) e uma renda per capita de US$ 15 mil (equivalente à brasileira atualmente).
O gráfico abaixo apresenta uma projeção com um crescimento econômico de 3,5% ao ano e pode ser muito reveladora das dificuldades de se conciliar o crescimento econômico com o aumento do consumo e a sustentabilidade ambiental. O pressuposto é que a Biocapacidade da África cresça na mesma média de 1961 a 2012 e que a Pegada Ecológica per capita cresça progressivamente, passando dos atuais 1,6 gha para 3 gha (que é a mesma Pegada Ecológica per capita do Brasil atualmente). Ou seja, o exercício apresentado no gráfico é de dobrar a Pegada Ecológica per capita da África no contexto em que a população vai mais que quadruplicar de tamanho. Entendendo que a projeção é até modesta, pois a África teria o padrão de consumo do Brasil somente em 2100.
Mesmo assim, o déficit ecológico cresce de maneira significativa. Mesmo considerando o aumento da Biocapacidade total de 1,4 bilhão de gha para 1,8 bilhão de gha (o que é pouco provável, pois isto implicaria em recuperação dos solos e dos mananciais de água) a Pegada Ecológica passaria de 1,6 bilhão de gha para 13,4 bilhões de gha (4,49 bilhões de habitantes vezes 3 gha per capita).
Isto quer dizer que mesmo com um padrão de consumo relativamente modesto a África teria uma Pegada Ecológica total em 2100 maior do que a Biocapacidade do Planeta que está em torno de 12,2 bilhões de gha. Desta forma, somente a África utilizaria 1,1 Planeta no final do atual século.
Em síntese, existe um desafio monumental para melhorar o bem-estar da população da África em um contexto de grande crescimento demográfico. O desafio não desaparece mesmo se houver uma revolução energética e a implantação de uma economia de baixo carbono.
A África já está em situação social e ambiental muito difícil e ainda terá que lidar com os efeitos das mudanças climáticas, cujos cenários não são nada bons para o continente. Para dar dois exemplos: a cidade de Lagos, na Nigéria, a maior do continente Subsaariano, vai perder muita área densamente povoada para a elevação do nível do oceano Atlântico; e a perda dos glaciares do monte Kilimanjaro vai contribuir para a crise hídrica. Por tudo isto, fica claro que se a situação da África já está ruim, ela deve piorar nas próximas décadas.
A consciência sobre o problema demográfico já faz arte da pauta dos dirigentes políticos dos 15 países-membros da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). A CEDEAO, junto a Mauritânia e o Chade, anunciaram, em julho de 2017, que querem limitar a três o número de filhos por mulheres, a fim de reduzir para metade, até 2030, as taxas de natalidade da região.
Também em julho de 2017, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, disse que, pela primeira vez em 25 anos, a fome aumentou no mundo, revertendo os sinais claros de melhoria para a população de diversos continentes. Graziano disse que 60% daqueles que enfrentam a fome hoje estão em países afetados por conflitos ou mudanças climáticas, a maioria na África Subsaariana.
Portanto, fica claro que será difícil reduzir a pobreza, num quadro de alto crescimento demográfico e ainda evitar um colapso ambiental. Pobreza ecológica gera pobreza social. O modelo atual é insustentável e mantê-lo ao longo do século é o mesmo que optar por seguir em frente, quando a única alternativa é o precipício. (ecodebate)

Água: mentiras e verdades

Antônio Eustáquio Vieira, o Tonhão, secretário do CBH Rio Paracatu explica que o problema da escassez hídrica do rio Paracatu não caiu do céu.
Segundo Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade.”
Domingo, dia 1 de outubro, enquanto preparava o café da manhã, ouvia as chamadas de um programa de TV voltado para assuntos do campo. Entre as reportagens uma iria tratar da situação do principal afluente do rio São Francisco, o rio Paracatu (MG), que se encontra praticamente seco.
Nos últimos tempos, muitas matérias tem tratado da crise hídrica pela qual passa a região central do Brasil, algumas inclusive como se fosse uma novidade, com repórteres, gráficos e especialistas apontando causas, efeitos e reflexos que são sentidos em todo o Brasil. Entre os problemas apontados estão sempre os ambientais, ligados à biodiversidade e peixes, ao usos da água, como abastecimento humano, irrigação, indústria, geração de energia, turismo, entre outros.
Mas a reportagem sobre o Paracatu chamou-me atenção especial por acompanhar a história do amigo Antônio Eustáquio, o Tonhão, do Movimento Verde Paracatu, que há muito fala e trata da agonia do rio Paracatu, diretamente ligada à situação e condição de toda a bacia do Velho Chico.
A reportagem, composta por entrevistas com representantes de vários setores, realizadas até no leito ressequido e magoado do rio, abordou as variações do ciclo hidrológico, as redução das precipitações nos últimos anos, os problemas de uso e ocupação do solo, a dificuldade de infiltração da água na terra, seu principal reservatório, os impactos no ambiente, produção o economia, a articulação e contribuições dos produtores rurais e da sociedade. Em determinado momento foram questionadas as ausências ou falhas na gestão das águas, política pública que permeia, ou deveria permear, grande parte destas questões, não somente para evitá-las, mas também para remediar seus impactos, desde que fosse implementada da forma prevista e tivesse capacidade de atuação.
Crendo que o tema é relevante e de impacto nacional, divulguei a notícia a alguns grupos de amigos, colegas de trabalho e de estudo. Após a sua conclusão da reportagem, copiei aos mesmos grupos o endereço de acesso a ela. Não sei se por ímpeto, ou por estar coando o café, não percebi que um amigo já havia encaminhado o link de acesso a um dos grupos, e então pedi desculpas pelo ocorrido.
O que gerou a vontade de contar esta história e refletir sobre ela, começa aqui. Após o pedido de desculpas pela redundância da mensagem, outro amigo, um entusiasta das águas, pesquisador e coordenador de um Mestrado Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, reagiu de forma enfática: “-Não há que pedir desculpas. Temos que repetir isso 1 milhão de vezes! O Velho Chico perece e nada é feito!”
Imediatamente lembrei da frase de Goebbles, e veio a pergunta: quantas vezes essa verdade precisa ser repetida para que valha? Para que se converta em realidade?
Quando eu, você, eles, nós, seja lá qual for nossa ocupação, interesse ou responsabilidade, sejamos produtores rurais, irrigantes, industriais, lavadeiras, pescadores, funcionários de empresas de saneamento, de geração de energia, estudantes, professores, servidores públicos, ou mesmo cidadãos, vamos tomar esta decisão? Sim, decisão! Tomar a decisão e cobrar que a água seja tratada como ela precisa, ou melhor, como nós precisamos que ela seja tratada, pois nós é que dependemos dela.
Seja qual for o meu ou o seu interesse ou responsabilidade, seja como produtor rural, industrial, pescador, serviço de saneamento, empresas de geração de energia, estudante, professor, ou mesmo cidadão, todos tem parte na decisão de tratar da água como ela precisa, ou melhor, como nós precisamos, pois nós é que dependemos dela.
É uma decisão. Quer exemplos? Em 1800, Nova York enfrentou problemas ligados à água, com mortes, doenças e prejuízos, e decidiu cuidar de suas fontes, suas bacias hidrográficas. Alguns especialistas acreditam que sem essa segurança hídrica, talvez a cidade não fosse que é hoje. Em 1861, no Rio de Janeiro, Dom Pedro II criou uma “Floresta Protetora”, visando recuperar as bacias que davam suporte ao abastecimento, da degradação ocorrida entre 1600 e 1700, atual Parque Nacional da Tijuca.
E nós, quando acolheremos esta realidade e daremos resposta efetiva ao que são fatos, não mais meras especulações ou alarmismos.
Os recursos são escassos, e há muitas preocupações e questões que requerem especial atenção da sociedade, como o famoso tripé “saúde-educação-segurança”, mas a disponibilidade hídrica, ou segurança hídrica, apresenta reflexos diretos inclusive nestes eixos, ao afetar a saúde e o desenvolvimento econômico e social, tanto no curto, quanto no médio e longo prazo.
Quando daremos atenção à gestão das águas e políticas públicas relacionadas?
Precisamos repensar, mudar a forma de agir, e estes esforços devem ser de todos que tem interesse ou são impactados pela água, seja por seu uso ou por sua falta.

Esta verdade não pode esperar ser repetida 1 milhão de vezes para se tornar realidade, sob pena de inviabilizarmos a nossa própria sobrevivência e atividades. (ecodebate)

domingo, 15 de outubro de 2017

Contaminações dos lençóis freáticos

Lençóis de águas podem ser freáticos ou superficiais quando controlados pela topografia e assentados em controles topográficos ou de solos e subterrâneos quando a água é armazenada em rochas e não depende de situação geomórfica local.
Além das atividades do homem, poluindo o meio ambiente, causas naturais afetam as águas subterrâneas, como a presença de teores de elementos químicos nocivos, oriundos de solos ou rochas armazenadoras chamadas aquíferos. A despoluição de um lençol freático ou subterrâneo demanda grande intervalo de tempo.
O professor Aldo da Cunha Rebouças, do Centro de Pesquisas em Águas Subterrâneas (CEPAS), da Universidade de São Paulo (USP), descobriu que e elevado flúor contido nas águas do Nordeste do Paraná e na região paulista de Águas da Prata, produz uma doença chamada fluorose, que provoca a destruição dos dentes em crianças e adultos, ao invés de protegê-los.
Também em São Paulo, em Ibirá, a presença de vanádio foi identificada pelo professor Nelson Elert nas águas da região. Trata-se de um mineral cuja absorção causa má formação congênita em crianças.
Os técnicos chamam de “causas antrópicas”, quando as atividades humanas é que provocam a contaminação das águas. São diversas as formas de contaminação, envolvendo desde organismos patogênicos, até elementos químicos como os metais pesados, caso do mercúrio e moléculas orgânicas e inorgânicas.
Conforme assinala o geólogo Luiz Amore, consultor técnico da Organização dos Estados Pan-Americanos (OEA) e da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, a possibilidade dos contaminantes atingirem os poços perfurados vai depender das características dos aqüíferos, particularmente as estruturas geológicas, a permeabilidade do solo, da transmissividade dos estratos e outros fatores.
Amore sustenta que várias fontes poluidoras já foram estudadas, e alguns casos são clássicos, “que longe de serem fenômenos isolados podem estar ocorrendo em diversas regiões do país e com intensidades diversas, infelizmente ainda pouco conhecidas”.
As águas subterrâneas localizadas nas proximidades dos grandes lixões registram a presença de bactérias do grupo coliformes totais, fecais e estreptococos.
Segundo o professor Alberto Pacheco, do CEPAS, são componentes orgânicos oriundos do chorume, que são substâncias sulfloradas, nitrogenadas e cloradas, com elevado teor de metais pesados, que fluem do lixo, se infiltram na terra e chegam aos aquíferos.
As águas subterrâneas situadas nas vizinhanças dos cemitérios são ainda mais atacadas. Águas coletadas podem revelar a presença de índices elevados de coliformes fecais, estreptococos fecais, bactérias de diversas categorias, salmonela e elevados teores de nitratos ou metais como alumínio, cromo, cádmio, manganês, bário e chumbo.
Os cemitérios, que recebem continuamente milhares de corpos que se decompõem com o tempo, são autênticos fornecedores de contaminantes de largo espectro das águas subterrâneas das proximidades. Águas que podem ser consumidas pelas populações da periferia das cidades.
Estudo de autoria do professor Aldo da Cunha Rebouças, também da equipe do CEPAS, mostra a contaminação oriunda do vazamento de tanques de armazenamento subterrâneo de gasolina em poços de abastecimento de água em residências vizinhas.
A água recolhida desses poços revelou elevados teores de benzeno e demais compostos orgânicos presentes na gasolina, como tolueno, xileno, etilbenzeno, benzeno e naftaleno.
O professor adverte para o fato de que a combustão da gasolina é autodetonante a 400 ppm (partes por milhão). Se esse combustível se infiltrar em redes de esgoto e túneis de obras de engenharia, haverá risco real de explosões de grandes proporções.
A construção e operação de poços de abastecimento d’água, próximos a fossas em zonas urbanas e rurais, pode levar à contaminação da água por patogênicos gerais e substâncias orgânicas diversas, transmitindo doenças a quem utiliza e consome a água.
Resíduos de agrotóxicos foram encontrados em animais domésticos e seres humanos que utilizaram águas subterrâneas contaminadas por agrotóxicos em Campinas, São Paulo.
O professor Ricardo Hirata, da equipe do CEPAS, autor da descoberta, diz que a contaminação resultou tanto de substâncias aplicadas incorretamente na plantação, como oriunda de embalagens enterradas com resíduos de defensivos agrícolas.
Em ambos os casos houve a infiltração e o acesso dos agrotóxicos aos aquíferos. O uso indevido de fertilizantes também afeta as águas subterrâneas.
Segundo o professor Aldo Rebouças, substâncias fosforadas e nitrogenadas, que provocam a doenças em crianças, podem acessar os sistemas aquíferos, com a desvantagem de que são de difícil remoção.
Na região de Novo Horizonte, em São Paulo, centro produtor de cana-de-açúcar, a aplicação de vinhaça resultante da destilação do álcool, como fertilizante, provocou a elevação do PH e consequente remoção do alumínio e ferro do solo, que foram se misturar às águas subterrâneas.
Os aquíferos também são contaminados pela disposição irregular de efluentes de curtumes no solo, fato observado pelo professor Nelson Elert nos centros produtores de calçados.
Segundo ele, os resíduos de curtume dispostos no solo provocam a entrada de cromo, valência +6 e de organoclorados, afetando a qualidade dos lençóis subterrâneos.
As águas subterrâneas de Cubatão, em São Paulo, que já foi considerada a cidade mais poluída do Brasil, não podiam escapar à ação dos contaminantes.
A técnica Dorothy Casarini, da CETESB, a agência ambiental do governo paulista, diz que aterros não controlados por indústrias químicas da região resultaram em mortes e contaminação carcinogênica, inclusive no leite materno.
No caso de Cubatão, o agente contaminante foram Bifenilas Policloradas (PCB), cujos rejeitos, depositados no solo sem qualquer tratamento, se infiltraram e danificaram as águas subterrâneas.
Em Minas Gerais, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e em Campinas, São Paulo, a proximidade de aterros industriais clandestinos está contaminando as águas por resíduos industriais ou pela presença de atividades mineradoras. (ecodebate)

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