sábado, 24 de junho de 2023

Relatório aponta soluções para reduzir a poluição plástica

O relatório examina os modelos econômicos e comerciais necessários para endereçar os impactos da economia do plástico.

O relatório analisa as oportunidades e os impactos de um cenário de mudança de sistemas. O cenário combina reduzir o plástico mais problemático e desnecessário, usos com uma transformação do mercado em direção à circularidade em plásticos, acelerando três mudanças principais – Reutilizar, Reciclar, e Reorientar e Diversificar – e ações para lidar com o legado da poluição plástica.

A poluição plástica pode ser reduzida em 80% até 2040 se os países e as empresas fizerem mudanças profundas nas políticas e no mercado usando as tecnologias existentes.

É o que aponta um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O documento foi divulgado antes da segunda rodada de negociações em Paris sobre um acordo global para combater a poluição plástica e descreve a magnitude e a natureza das mudanças necessárias para acabar com a poluição plástica e criar uma economia circular.

O Relatório Fechando a torneira: como o mundo pode acabar com a poluição plástica e criar uma economia circular foca em soluções e analisa práticas concretas, mudanças de mercado e políticas públicas para informar decisões governamentais e ação empresarial.

“A maneira como produzimos, usamos e descartamos os plásticos está poluindo os ecossistemas, criando riscos para a saúde humana e desestabilizando o clima”, disse Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA. “Este relatório do PNUMA apresenta um roteiro para reduzir drasticamente esses riscos por meio da adoção de uma abordagem circular que mantém os plásticos fora dos ecossistemas e de nossos corpos e dentro da economia. Se seguirmos esse roteiro, inclusive nas negociações sobre o acordo de poluição plástica, poderemos obter grandes ganhos econômicos, sociais e ambientais”.

Mudanças de mercado – Para reduzir a poluição plástica em 80% em todo o mundo até 2040, o Relatório sugere primeiro a eliminação de plásticos problemáticos e desnecessários para reduzir o tamanho do problema. Posteriormente, o documento pede três mudanças no mercado – reutilizar, reciclar e reorientar e diversificar os produtos:

 Reuso: A promoção de opções de reuso, incluindo garrafas reabastecíveis, dispensadores a granel, esquemas de caução, esquemas de devolução de embalagens etc., pode reduzir em 30% a poluição por plástico até 2040. Para concretizar seu potencial, os governos devem ajudar a criar modelos comerciais mais sólidos para os reutilizáveis.

 Reciclar: Reduzir a poluição plástica em mais 20% até 2040 pode ser possível se a reciclagem se tornar um empreendimento mais estável e lucrativo. A remoção dos subsídios aos combustíveis fósseis, a aplicação de diretrizes de design para melhorar a reciclagem e outras medidas podem aumentar a parcela de plásticos economicamente recicláveis de 21% para 50%.

 Reorientar e diversificar: a substituição cuidadosa de produtos, como embalagens plásticas, sachês e embalagens para viagem, por produtos feitos de materiais alternativos (como papel ou materiais compostáveis) pode proporcionar uma redução adicional de 17% na poluição plástica.

Mesmo com as medidas acima, 100 milhões de toneladas de plásticos vindos de produtos de vida curta e uso único ainda precisarão ser endereçadas anualmente e com segurança até 2040 – juntamente com um legado significativo da poluição plástica existente no meio ambiente. Para isso, são necessárias ações como a definição de padrões de design e segurança para o descarte de resíduos plásticos não recicláveis, bem como sua implementação, e a responsabilização dos fabricantes por produtos que liberam microplásticos, entre outros.

No geral, a mudança para uma economia circular resultaria em uma economia de US$ 1,27 trilhão, considerando custos e receitas de reciclagem. Outros US$ 3,25 trilhões seriam economizados com externalidades evitadas, como saúde, clima, poluição do ar, degradação do ecossistema marinho e custos relacionados a litígios. Essa mudança também poderia resultar em um aumento líquido de 700 mil empregos até 2040, principalmente em países de baixa renda, melhorando significativamente os meios de subsistência de milhões de trabalhadores e trabalhadoras em ambientes informais.

Os custos de investimento para a mudança sistêmica recomendada são significativos, mas menores do que os gastos sem essa mudança sistêmica: US$ 65 bilhões por ano versus US$ 113 bilhões/ano. Grande parte desse valor pode ser mobilizado transferindo investimentos planejados para novas instalações de produção – que não serão mais necessárias devido à redução das necessidades de materiais – ou aplicando uma taxa sobre a produção de plástico virgem direcionada à infraestrutura necessária para a circularidade. No entanto, o tempo é essencial: um atraso de 5 anos pode levar a um aumento de 80 milhões de toneladas de poluição plástica até 2040.

Tanto em uma economia descartável quanto em uma economia circular, os custos mais altos são operacionais. Com a regulamentação para garantir que os plásticos sejam projetados para serem circulares, esquemas baseados na Responsabilidade Estendida do Produtor (REP) podem cobrir esses custos operacionais para garantir a circularidade do sistema, exigindo que os produtores financiem a coleta, a reciclagem e o descarte responsável dos produtos plásticos no fim da vida útil.

Políticas públicas acordadas internacionalmente podem ajudar a superar os limites do planejamento nacional e da ação empresarial, sustentar uma pujante economia global circular de plásticos, criar oportunidades de negócios e empregos. Essas políticas podem incluir critérios acordados para produtos plásticos que podem ser banidos, uma linha de base de conhecimento transfronteiriço, regras sobre os padrões operacionais mínimos necessários dos esquemas de REP e outros padrões.

O relatório recomenda que uma estrutura fiscal global seja incluída nas políticas internacionais para viabilizar a concorrência em igualdade de condições dos materiais reciclados com os materiais virgens, criando uma economia de escala para soluções e estabelecendo sistemas de monitoramento e mecanismos de financiamento.

É fundamental incentivar formuladores de políticas a adotar uma abordagem que integre tanto políticas públicas quanto instrumentos regulatórios endereçando atividades ao longo de todo o ciclo de vida do plástico, já que cria sinergias que se fortalecem mutuamente no sentido de transformar. Por exemplo, as regras de design para tornar os produtos economicamente recicláveis podem ser combinadas com metas para incorporar conteúdo reciclado e incentivos fiscais para usinas de reciclagem.

O relatório também aborda políticas específicas, incluindo padrões para design, segurança e plásticos compostáveis e biodegradáveis; metas mínimas para reciclagem; esquemas de REP; impostos; banimentos; estratégias de comunicação; compras públicas e rotulagem. (ecodebate)

Entenda as Mudanças Climáticas e suas consequências

O que são mudanças climáticas, quais são as suas consequências e o que fazer?

Este artigo explica o conceito de mudanças climáticas e as principais consequências dessa transformação global. As mudanças climáticas são causadas pelo aumento da temperatura média do planeta, resultado principalmente da emissão de gases de efeito estufa pela queima de combustíveis fósseis. As consequências incluem eventos climáticos extremos, como enchentes e secas, aumento do nível do mar, alteração na disponibilidade de recursos hídricos, mudanças nos ecossistemas, desertificação e impacto na agricultura. É importante entender os efeitos das mudanças climáticas para tomar ações em busca de soluções que ajudem a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar seus efeitos no planeta.

Mudanças climáticas são alterações nos padrões médios de temperatura e ambiente de um lugar ao longo de muitos anos. Essas alterações podem ter origem natural, como variações na radiação solar e nos movimentos orbitais da Terra, ou serem causadas pela ação humana, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão.

A queima desses combustíveis libera gases de efeito estufa na atmosfera, como o dióxido de carbono (CO2), que retêm o calor do Sol e fazem com que a temperatura do planeta aumente. Esse fenômeno é chamado de aquecimento global e é a principal causa das mudanças climáticas que estamos vivenciando atualmente.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um órgão das Nações Unidas que reúne cientistas de todo o mundo, a temperatura média global aumentou cerca de 1,2°C desde o século 19 e pode subir mais de 4°C até o final deste século se nada for feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Consequências das mudanças climáticas

Uma das consequências mais evidentes das mudanças climáticas é o aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos, como secas, enchentes, tempestades, furacões e ondas de calor. Esses eventos podem provocar danos à infraestrutura, à agricultura, à saúde e à segurança das populações, especialmente as mais vulneráveis e pobres. Além disso, podem afetar a biodiversidade, a qualidade da água e a produção de alimentos.

Outra consequência das mudanças climáticas é a elevação do nível do mar, causada pelo derretimento das geleiras e pela expansão térmica da água. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o nível do mar pode subir entre 18 e 59 cm até o final do século XXI, o que pode resultar no desaparecimento de ilhas e países inteiros, na erosão das áreas costeiras, na salinização dos lençóis freáticos e na perda de ecossistemas marinhos.

As mudanças climáticas também podem alterar a disponibilidade de recursos hídricos em diferentes regiões do mundo. Algumas áreas podem sofrer com a escassez de água potável, enquanto outras podem enfrentar excesso de precipitação. Isso pode gerar conflitos pelo uso da água, além de impactar na geração de energia hidrelétrica, na irrigação agrícola e no saneamento básico.

As mudanças nos ecossistemas são outra consequência das mudanças climáticas. A temperatura, a umidade, a luminosidade e a concentração de gás carbônico são fatores que influenciam na distribuição e na adaptação das espécies vegetais e animais. Com as mudanças climáticas, muitas espécies podem migrar para outras regiões ou entrar em extinção, afetando a diversidade biológica e os serviços ecossistêmicos.

A desertificação é um processo de degradação da terra que pode ser agravado pelas mudanças climáticas. Ela ocorre quando as atividades humanas ou as variações climáticas reduzem a cobertura vegetal, a fertilidade do solo e a disponibilidade de água em áreas secas. A desertificação pode comprometer a segurança alimentar, a saúde e o bem-estar das populações que vivem nessas áreas.

As mudanças climáticas também podem interferir na agricultura, uma atividade essencial para a sobrevivência humana. A temperatura, a precipitação, a radiação solar e o gás carbônico são fatores que afetam o crescimento e o desenvolvimento das plantas. Com as mudanças climáticas, algumas culturas podem ter sua produtividade reduzida ou aumentada, dependendo da região e da espécie. Além disso, as pragas e as doenças podem se tornar mais frequentes e severas.

– O derretimento das geleiras e o aumento do nível do mar, que podem inundar cidades costeiras e ilhas;

– A intensificação de eventos climáticos extremos, como secas, chuvas, tempestades, furacões e incêndios florestais;

– A perda de biodiversidade e a extinção de espécies animais e vegetais;

– A escassez de água potável e a insegurança alimentar;

– A propagação de doenças e a piora da saúde humana;

– Os conflitos sociais e políticos por recursos naturais e territórios.

Diante dessas consequências, é urgente que se tomem medidas para mitigar as emissões de gases de efeito estufa e para adaptar-se aos impactos das mudanças climáticas.

Para evitar esses cenários catastróficos, é preciso agir urgentemente para limitar o aquecimento global a 1,5°C até o ano 2100, conforme recomendado pelo IPCC. Isso envolve medidas como:

– Acelerar a transição para fontes de energia renováveis, como solar, eólica e hidrelétrica, e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás natural.

– Promover a eficiência energética e o uso racional dos recursos naturais, evitando o desperdício e a poluição.

– Implementar políticas públicas que incentivem a adoção de práticas sustentáveis nos setores de transporte, indústria, agricultura e florestas.

– Investir em tecnologias de captura e armazenamento de carbono, que permitem retirar o dióxido de carbono da atmosfera e estocá-lo em locais seguros.

– Reforçar a cooperação internacional e o compromisso dos países com os objetivos do Acordo de Paris, que visa limitar o aumento da temperatura global a bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais.

O relatório do IPCC alerta que o tempo para agir é curto e que as consequências de não fazer nada são devastadoras. Segundo os cientistas, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem no ritmo atual, o planeta pode aquecer mais de 4°C até o final do século, levando a eventos climáticos extremos, como secas, inundações, incêndios florestais, furacões e ondas de calor. Além disso, o aumento do nível do mar pode ameaçar a vida de milhões de pessoas que vivem em áreas costeiras e ilhas. A perda da biodiversidade também pode comprometer os serviços ecossistêmicos essenciais para a humanidade, como a polinização, a purificação da água e a regulação do clima.

O relatório do IPCC é um chamado à ação para todos os governos, empresas, organizações e indivíduos que se preocupam com o futuro do planeta. As recomendações do painel são baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis e representam um roteiro para uma transição justa e equitativa para uma economia de baixo carbono. Seguir essas recomendações é uma questão de responsabilidade ética e moral com as gerações presentes e futuras. (ecodebate)

O pico da população e das emissões de carbono no Japão

Japão Emissões de dióxido de carbono (CO2)

O artigo analisa a trajetória histórica do Japão desde a Restauração Meiji até os dias atuais, destacando as mudanças demográficas e ambientais que ocorreram no país, indicando como a população e as emissões de carbono do Japão evoluíram ao longo do tempo. O autor também discute os desafios e as oportunidades que o Japão enfrenta para se tornar uma sociedade sustentável e resiliente diante das crises globais.

O Japão abandonou o período feudal e entrou definitivamente na modernidade na segunda metade do século XIX. O fato determinante foi a chamada Restauração Meiji, que foi um conjunto de reformas políticas, econômicas e sociais significativas que ocorreu no país do sol nascente, a partir de 1868.

Foi chamado de “restauração” porque marcou o retorno do poder político ao Imperador Meiji, que tinha sido relegado a um papel cerimonial durante o xogunato Tokugawa (período em que o Japão se fechou para o mundo entre 1603 e 1868).

Japão Emissões de Dióxido de Carbono/ CO2

Durante a Restauração Meiji, o Japão passou por mudanças profundas em muitos aspectos da sociedade. O país adotou um modelo de governo ocidental, com um sistema parlamentar e uma constituição baseada na Constituição alemã. A economia japonesa também foi modernizada, com a introdução de indústrias de manufatura e tecnologias avançadas. O país experimentou um grande crescimento da população e da economia e se tornou uma grande potência econômica, militar e tecnológica no século XX. O Japão chegou a ser a 5ª nação mais populosa e a 2ª maior economia (atrás apenas dos EUA). Em consequência, houve grande aumento das emissões de carbono.

O gráfico 1 apresenta a população e as emissões de carbono do Japão com dados do site Our World in Data e do The Global Carbon Project 2022. A população do Japão era de 34,4 milhões de habitantes em 1869 e as emissões de carbono eram próximas de zero. Em 1900, a população japonesa passou para 44,4 milhões e as emissões para 5,3 milhões de toneladas de carbono. Em 1950, a população passou para 84,4 milhões e as emissões para 28 milhões de toneladas. Com o chamado “milagre econômico japonês, na segunda metade do século XX, as emissões chegaram a 345 milhões de toneladas, enquanto a população chegou a 126,8 milhões de habitantes”.

Mas o quadro mudou nos anos 2000, pois a população e as emissões estabilizaram e, em seguida, começaram a diminuir. O pico populacional ocorreu em 2009, com 128,4 milhões de habitantes e o pico das emissões ocorreu em 2013, com 359 milhões de toneladas de carbono. O gráfico mostra que a estabilização das emissões ocorreu paralelamente à estabilização da população. Em 2021, a população já havia decrescido para 124,6 milhões de habitantes e as emissões caíram para 291,3 milhões de toneladas de carbono.

O Gráfico 2 apresenta a correlação entre os mesmos dados sobre população e emissões japonesas do gráfico 1. A reta de tendência (função exponencial) entre as duas variáveis indica que 97,7% da variabilidade das emissões está diretamente associada à variabilidade da população no período 1969 a 2021. Quando a população japonesa começou a decrescer as emissões de carbono também diminuíram.

As projeções da Divisão de População da ONU indicam que a população japonesa vai decrescer para 103,8 milhões de habitantes em 2050 e para 73,6 milhões de habitantes em 2100. Esta redução do número de pessoas, com os avanços tecnológicos, vai contribuir para que o país possa atingir a meta de carbono zero. O mesmo pode ocorrer na China que já atingiu o pico populacional e, em breve, pode atingir o pico das emissões de gases de efeito estufa.

Como afirmou Gronewold (2022): “Os aspectos positivos do declínio da população muitas vezes superam os negativos. As evidências indicam que uma população em declínio não significa necessariamente a ruína econômica e pode até mesmo inaugurar uma espécie de renascimento”.

O tamanho do PIB japonês deve cair no século XXI, mas se a diminuição da economia ocorrer em ritmo menor do que o decrescimento demográfico, poderá haver aumento da renda per capita. Assim, o Japão – que já é um país de alta renda e com a maior expectativa de vida do mundo – pode adotar o lema “menos é mais” e poderá avançar ainda mais no bem-estar social, reduzindo o déficit ambiental nas próximas décadas. (ecodebate)

quarta-feira, 21 de junho de 2023

O desmatamento e suas consequências climáticas

Este artigo explora como a retirada parcial ou total da cobertura vegetal afeta o clima e discute medidas que podem ser tomadas para conter o desmatamento

Desmatamento é uma prática que causa diversos problemas ambientais e sociais em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Uma das consequências mais graves do desmatamento é a alteração do clima, tanto local quanto globalmente, pois a vegetação regula a temperatura, a umidade, o ciclo da água e o balanço de carbono na atmosfera. O desmatamento da Amazônia e da Mata Atlântica são exemplos de como essa prática afeta o clima, gerando mudanças climáticas irreversíveis e colocando a vida, a natureza e a economia em risco extremo. Para conter o desmatamento e seus efeitos sobre o clima, é preciso tomar medidas em diferentes níveis.

O desmatamento é a retirada parcial ou total da cobertura vegetal de um determinado lugar. Essa prática tem causado diversos problemas ambientais e sociais no mundo todo, especialmente nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos, onde as taxas de desmatamento são mais elevadas. Uma das consequências mais graves do desmatamento é a alteração do clima, tanto local quanto globalmente.

O clima é influenciado por vários fatores, entre eles a vegetação. As plantas regulam a temperatura, a umidade, o ciclo da água e o balanço de carbono na atmosfera. Ao retirar a vegetação, esses processos são afetados, gerando mudanças climáticas que podem ser irreversíveis.

Um exemplo de como o desmatamento afeta o clima é o caso da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo. A Amazônia é responsável por cerca de 20% do oxigênio produzido no planeta e por armazenar bilhões de toneladas de carbono, que se liberado na atmosfera contribui para o aquecimento global. Além disso, a Amazônia funciona como uma bomba d’água, que transporta a umidade da região para outras partes do Brasil e da América do Sul, influenciando as chuvas e a agricultura.

Segundo um estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Universidade de São Paulo (USP), o desmatamento em larga escala da Amazônia, somado ao aquecimento global, pode elevar as temperaturas na região e colocar a vida, a natureza e a economia sob risco extremo. O estudo também alerta que o desmatamento pode levar a Amazônia a um ponto de não retorno, em que a floresta se transformaria em uma savana seca e degradada.

Outro exemplo de como o desmatamento afeta o clima é o caso da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos em biodiversidade e mais ameaçados do mundo. A Mata Atlântica originalmente cobria cerca de 15% do território brasileiro, mas hoje resta menos de 12% de sua área original. O seu desmatamento tem impactos diretos sobre o clima das regiões Sudeste e Sul do Brasil, onde se concentra a maior parte da população e da atividade econômica do país.

A Mata Atlântica é responsável por regular o regime de chuvas nessas regiões, além de proteger os mananciais que abastecem as cidades. O desmatamento da Mata Atlântica reduz a capacidade de infiltração da água no solo, aumentando o risco de enchentes e deslizamentos. Além disso, o desmatamento contribui para o aumento das emissões de gases de efeito estufa, que causam o aquecimento global.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), só na América Latina, a expansão da agricultura e da pecuária comercial é responsável por aproximadamente 70% do desmatamento. Outras causas do desmatamento são a urbanização, a mineração, o extrativismo e as atividades ilegais.

Como podemos conter o desmatamento e seus efeitos sobre o clima?

Existem algumas medidas que podem ser tomadas em diferentes níveis: individual, coletivo e governamental.

No nível individual, podemos reduzir o nosso consumo de produtos que têm origem na exploração florestal, como carne, soja, óleo de palma e madeira. Podemos também apoiar organizações que lutam pela preservação das florestas e denunciar casos de desmatamento ilegal.

No nível coletivo, podemos nos unir a movimentos sociais que defendem os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais que vivem nas florestas e que são os seus principais guardiões. Podemos também participar de campanhas de educação ambiental e de reflorestamento de áreas degradadas.

No nível governamental, podemos exigir que os governos adotem políticas públicas que incentivem o uso sustentável dos recursos florestais, que combatam o desmatamento ilegal e que promovam a conservação e a restauração das florestas. Podemos também cobrar que os governos cumpram os compromissos internacionais de redução das emissões de gases de efeito estufa e de proteção da biodiversidade.

O desmatamento é um problema que afeta a todos nós. Se não agirmos agora, poderemos enfrentar consequências irreversíveis para o clima e para a vida no planeta. Por isso, é preciso que cada um faça a sua parte para conter o desmatamento e seus efeitos sobre o clima. (ecodebate)

Impactos da pecuária na região de floresta amazônica

O artigo discute os impactos da pecuária na região da Floresta Amazônica e possíveis soluções para torná-la mais sustentável.

Artigo aborda aspectos históricos, atuais e futuros da pecuária na Amazônia e os desafios enfrentados por essa atividade. Alguns dos principais impactos da pecuária na Amazônia incluem desmatamento, degradação de pastagens, conflitos sobre o uso da terra e problemas de saúde. Para tornar a pecuária mais sustentável, o artigo sugere soluções como intensificação da produção, aquisição de ração enzimática, promoção da recuperação de pastagens degradadas, uso de bombas de água movidas a energia solar e melhoria da rastreabilidade dos produtos.

A pecuária é uma atividade econômica importante para o Brasil, mas também traz diversos desafios ambientais e sociais, especialmente na região de floresta amazônica. Neste artigo, vamos abordar alguns aspectos históricos, atuais e futuros da pecuária na Amazônia, bem como as possíveis soluções para torná-la mais sustentável.

A pecuária na Amazônia começou a se expandir nas décadas de 1960 e 1970, com incentivos do governo federal para a ocupação da região. Muitas áreas de floresta foram desmatadas para dar lugar a pastagens, sem levar em conta as características ecológicas e climáticas do bioma. O gado introduzido era de origem europeia, pouco adaptado às condições locais, e sofria com doenças e pragas. Além disso, o manejo era extensivo, com baixa produtividade e rentabilidade.

Com o passar do tempo, houve algumas mudanças na pecuária amazônica, como a seleção de raças mais resistentes ao calor e à umidade, como o nelore, a introdução de espécies forrageiras mais palatáveis e nutritivas, como a brachiaria, e a melhoria da infraestrutura e dos serviços veterinários. No entanto, essas medidas não foram suficientes para evitar os impactos negativos da atividade sobre o meio ambiente e a sociedade.

Entre os principais impactos da pecuária na Amazônia, podemos citar:

– O desmatamento: a pecuária é a principal causa do desmatamento na Amazônia, sendo responsável por cerca de 65% da área desflorestada até 2018. O desmatamento provoca a perda da biodiversidade, a emissão de gases de efeito estufa, a alteração do ciclo hidrológico e a degradação do solo.

– A degradação das pastagens: muitas pastagens na Amazônia são mal manejadas e sofrem com o sobre pastoreio, a compactação do solo, a erosão e a invasão de plantas daninhas. Estima-se que cerca de 50% das pastagens na região estejam em algum estágio de degradação. A degradação das pastagens reduz a capacidade produtiva e leva à abertura de novas áreas de floresta.

– Os conflitos fundiários: a pecuária na Amazônia está associada à grilagem de terras públicas e à violação dos direitos das populações tradicionais, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Muitos conflitos violentos ocorrem na região por causa da disputa pela posse da terra entre fazendeiros, madeireiros, garimpeiros e comunidades locais.

– Os problemas sanitários: a pecuária na Amazônia enfrenta diversos problemas sanitários, como a febre aftosa, a brucelose, a tuberculose e a raiva. Essas doenças afetam a saúde dos animais e dos produtores, além de prejudicar o acesso aos mercados nacional e internacional. A vacinação e o controle sanitário são essenciais para garantir a qualidade e a segurança dos produtos pecuários.

Diante desses desafios, é preciso buscar alternativas para tornar a pecuária na Amazônia mais sustentável, ou seja, que concilie os aspectos econômicos, ambientais e sociais. Algumas possíveis soluções são:

– A intensificação da produção: consiste em aumentar a produtividade das pastagens por meio de técnicas como o manejo rotacionado, a adubação, o controle de pragas e doenças, a suplementação alimentar e o melhoramento

– Adquirir rações com enzimas: as enzimas são substâncias que ajudam na digestão dos animais e na absorção dos nutrientes da ração. Com isso, os animais ganham mais peso e produzem menos metano, um dos gases do efeito estufa. Além disso, as rações com enzimas reduzem o custo de alimentação dos animais e o uso de fertilizantes químicos nas pastagens.

– Promover a recuperação de pastagens degradadas: as pastagens degradadas são aquelas que perderam sua capacidade produtiva por causa do manejo inadequado, da compactação do solo, da erosão ou da invasão de plantas daninhas. A recuperação dessas pastagens pode ser feita por meio de técnicas como o plantio de leguminosas forrageiras, que melhoram a qualidade do solo e fornecem proteína para os animais; a rotação de pastagens, que evita o esgotamento do solo e o surgimento de pragas; e a adubação orgânica ou mineral, que repõe os nutrientes necessários para o crescimento das plantas.

– Utilizar bebedouros para o gado: os bebedouros são reservatórios de água que ficam próximos às áreas de pastejo dos animais. Eles evitam que os animais tenham que se deslocar longas distâncias para beber água em rios ou lagos, o que reduz o consumo de energia dos animais e o pisoteio das margens dos corpos d’água. Além disso, os bebedouros facilitam o controle sanitário dos animais e a coleta de dados sobre o consumo de água.

– Apostar na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF): o ILPF é um sistema que combina a produção de grãos, carne, leite, madeira e energia na mesma área, em diferentes épocas do ano ou simultaneamente. Esse sistema traz benefícios como o aumento da produtividade e da renda dos produtores; a diversificação das atividades e dos produtos; a redução dos custos de produção; a melhoria da qualidade do solo; a proteção da biodiversidade; e a mitigação das emissões de gases do efeito estufa.

– Investir no tratamento de estrume: o estrume é um resíduo orgânico que pode ser aproveitado como fonte de adubo ou de energia. O tratamento do estrume pode ser feito por meio de técnicas como a compostagem, que transforma o material em um fertilizante natural; ou a biodigestão anaeróbia, que produz biogás e biofertilizante. Essas técnicas evitam a poluição do solo e da água pelo estrume; reduzem os odores e as moscas nas propriedades rurais; geram economia com a compra de insumos agrícolas; e contribuem para a geração de energia renovável.

Agro vai desmatar 1 milhão de hectares por ano na Amazônia para atender demanda por carne até 2030.

Essas são algumas das alternativas para tornar a pecuária na Amazônia mais sustentável, mas existem outras possibilidades. (ecodebate)

Desperdício de alimentos é uma ameaça social e ambiental

O desperdício de alimentos contribui para a escassez de recursos naturais, aumenta as emissões de gases de efeito estufa e representa uma perda econômica e social.

Desperdício de alimentos é um grave problema que afeta a segurança alimentar e o meio ambiente. Cerca de 30% dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados a cada ano, o que equivale a 1,8 bilhão de toneladas. Isso contribui para a escassez de recursos naturais, aumenta emissões de gases de efeito estufa e representa uma perda econômica e social. É necessário adotar medidas para reduzir o desperdício de alimentos em todos os níveis, desde a melhoria da infraestrutura e tecnologia nas etapas de produção, armazenamento e transporte até a conscientização dos consumidores sobre o valor dos alimentos e a importância de evitar o desperdício.

Desperdício de alimentos é um problema grave que afeta tanto a segurança alimentar quanto o meio ambiente. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 30% dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados a cada ano, o que equivale a 1,8 bilhão de toneladas. Isso significa que milhões de pessoas poderiam ser alimentadas com os alimentos que são jogados fora, além de evitar a emissão de gases de efeito estufa e o consumo desnecessário de recursos naturais.

Se o desperdício de alimentos fosse um país, seria o 3º maior emissor de gases de efeito estufa depois dos Estados Unidos e da China.

O desperdício de alimentos ocorre em todas as etapas da cadeia produtiva, desde o campo até o prato. No campo, muitos alimentos são descartados por não atenderem aos padrões estéticos ou de tamanho exigidos pelo mercado. No armazenamento, no processamento e no transporte, os alimentos podem se deteriorar por falta de infraestrutura adequada ou por falhas na logística . Nas superfícies comerciais, os alimentos podem ser jogados fora por excesso de oferta, por proximidade do vencimento ou por danos na embalagem. E nas casas dos consumidores, os alimentos podem ser desperdiçados por compras excessivas, por má conservação ou por hábitos alimentares inadequados.

As consequências do desperdício de alimentos são diversas e negativas. Além de representar uma perda econômica e social, o desperdício de alimentos contribui para a escassez de recursos naturais, como água e solo, e para o aumento das emissões de gases de efeito estufa. Segundo a FAO, cada fase da produção agrícola incrementa o custo ambiental dos alimentos. Assim, quanto maior o volume de alimentos perdidos, maiores serão os impactos negativos para o planeta.

Mas o que pode ser feito para reduzir o desperdício de alimentos?

Diante desse cenário, é urgente e necessário adotar medidas para reduzir o desperdício de alimentos em todos os níveis. Algumas ações possíveis são: melhorar a infraestrutura e a tecnologia nas etapas de produção, armazenamento e transporte; promover a conscientização dos consumidores sobre o valor dos alimentos e a importância de evitar o desperdício; incentivar o consumo responsável e o aproveitamento integral dos alimentos; apoiar iniciativas de doação ou reciclagem dos alimentos excedentes ou impróprios para consumo humano; e implementar políticas públicas que favoreçam a distribuição equitativa e sustentável dos alimentos.

Existem, também, várias medidas que podem ser tomadas em diferentes níveis, desde os produtores até os consumidores finais.

Vejamos algumas delas:

– Melhorar as técnicas de colheita, armazenamento e transporte dos alimentos, evitando perdas por danos, pragas ou deterioração. Investir em infraestrutura, tecnologia e capacitação dos agricultores pode fazer uma grande diferença nesse sentido.

– Aumentar a conscientização e a educação dos consumidores sobre o valor dos alimentos e as formas de aproveitá-los ao máximo. Por exemplo, planejar as compras e as refeições, verificar as datas de validade, usar as partes menos nobres dos alimentos, doar o excedente para instituições sociais ou compostar os resíduos orgânicos.

– Promover políticas públicas e iniciativas privadas que incentivem a redução do desperdício de alimentos. Por exemplo, estabelecer padrões de qualidade mais flexíveis para os alimentos que não afetem a sua segurança ou sabor, facilitar a doação de alimentos excedentes ou não comercializados, apoiar projetos que recuperem alimentos descartados ou transformem em novos produtos.

Essas são apenas algumas das ações possíveis para combater o desperdício de alimentos. Se cada um fizer a sua parte, poderemos contribuir para um mundo mais sustentável e justo, onde todos tenham acesso à alimentação adequada e saudável.

Ao reduzir o desperdício de alimentos, estaremos contribuindo para garantir a segurança alimentar e nutricional da população, para preservar os recursos naturais e para combater as mudanças climáticas.

Transformar os sistemas alimentares não só ajudará a restaurar a biodiversidade e o habitat, mas também pode fortalecer as oportunidades de mercado para os pequenos agricultores.

Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) incentiva a redução do desperdício de alimentos saudáveis e nutritivos.

O desperdício de alimentos é um desafio para o desenvolvimento sustentável, mas também uma oportunidade para transformar a nossa relação com os alimentos e com o planeta. (ecodebate)

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas e pessoas

O artigo descreve como as mudanças climáticas afetam os ecossistemas terrestres e aquáticos, bem como os impactos dessas mudanças nas pessoas.

Resumo: As mudanças climáticas alteram as condições médias de temperatura, precipitação, nível do mar e frequência de eventos extremos, afetando a estrutura, função, biodiversidade e capacidade de adaptação dos ecossistemas. Os ecossistemas florestais, de água doce, áridos, costeiros e oceânicos são especialmente vulneráveis às mudanças climáticas. Além disso, as mudanças climáticas também afetam a saúde, a economia, a segurança e os direitos humanos de bilhões de pessoas. Eventos climáticos extremos, insegurança alimentar, escassez de água e pobreza são algumas das consequências das mudanças climáticas.

Impactos das mudanças climáticas em ecossistemas

As mudanças climáticas são um fenômeno complexo que afeta o planeta de diversas formas, alterando as condições médias de temperatura, precipitação, nível do mar e frequência de eventos extremos. Essas alterações têm consequências diretas e indiretas sobre os ecossistemas, que são conjuntos de seres vivos e seus ambientes físicos e químicos.

Os ecossistemas fornecem serviços essenciais para a humanidade, como produção de alimentos, água potável, regulação do clima, polinização, controle de pragas, recreação e cultura. No entanto, muitos ecossistemas estão ameaçados pelas mudanças climáticas, que podem afetar sua estrutura, função, biodiversidade e capacidade de adaptação.

Neste artigo, vamos explorar alguns exemplos de como as mudanças climáticas impactam diferentes tipos de ecossistemas: florestais e de água doce, áridos, costeiros e oceânicos.

## Florestais e de água doce

As florestas e os ecossistemas de água doce abrigam uma grande diversidade de espécies vegetais e animais, além de armazenar carbono e regular o ciclo hidrológico. As mudanças climáticas podem alterar a distribuição geográfica, a fenologia, o crescimento e a mortalidade das espécies florestais, bem como a qualidade e a quantidade da água disponível.

Por exemplo, o aumento da temperatura pode favorecer o avanço de espécies invasoras, pragas e doenças que afetam as árvores nativas. O aumento da frequência e intensidade de secas, incêndios e tempestades pode reduzir a cobertura vegetal e a biomassa florestal. A redução das chuvas pode diminuir o volume e o fluxo dos rios, lagos e reservatórios, afetando a disponibilidade de água para consumo humano e para a manutenção dos habitats aquáticos.

Alguns ecossistemas florestais e de água doce são especialmente vulneráveis às mudanças climáticas, como as florestas tropicais úmidas, que dependem de um regime pluviométrico estável para manter sua alta produtividade e diversidade; as florestas boreais, que estão sujeitas ao derretimento do permafrost (solo permanentemente congelado) e à expansão de espécies temperadas; e os ecossistemas alpinos e glaciais, que sofrem com o aumento da temperatura e a redução da cobertura de neve e gelo.

## Áridos

Os ecossistemas áridos são caracterizados por baixa precipitação, alta evaporação e escassez de água. Eles ocupam cerca de 40% da superfície terrestre e abrigam cerca de 20% da população mundial. Apesar das condições adversas, os ecossistemas áridos possuem uma rica biodiversidade adaptada à seca e à variabilidade climática.

As mudanças climáticas podem aumentar o estresse hídrico e térmico dos ecossistemas áridos, alterando sua produtividade primária, ciclagem de nutrientes, dinâmica populacional e interações bióticas. O aumento da temperatura pode acelerar a evaporação da água do solo e da vegetação, reduzindo a umidade relativa do ar e aumentando o risco de desertificação. O aumento da variabilidade das chuvas pode provocar eventos extremos de seca ou enchente, que podem causar mortalidade ou erosão das espécies vegetais.

Alguns ecossistemas áridos são especialmente vulneráveis às mudanças climáticas, como as savanas tropicais e subtropicais.

Impactos das mudanças climáticas nas pessoas

As mudanças climáticas são um dos maiores desafios da humanidade no século XXI. Elas afetam não apenas o meio ambiente, mas também a saúde, a economia, a segurança e os direitos humanos de bilhões de pessoas. Neste artigo, vamos explorar alguns dos impactos das mudanças climáticas sobre a população mundial e como podemos nos adaptar e mitigar seus efeitos.

Um dos impactos mais evidentes das mudanças climáticas é o aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos, como secas, inundações, ondas de calor, furacões e incêndios florestais. Esses eventos podem causar mortes, ferimentos, deslocamentos, perdas econômicas e danos à infraestrutura e aos ecossistemas. Segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de 2021, mais de 100 milhões de pessoas podem ser expostas a riscos de insegurança alimentar, escassez de água e pobreza até 2050 devido às mudanças climáticas.

Outro impacto das mudanças climáticas é a alteração dos padrões de doenças infecciosas e não transmissíveis. As mudanças na temperatura, na umidade, na precipitação e na biodiversidade podem afetar a distribuição e a transmissão de agentes patogênicos, como vírus, bactérias e parasitas. Além disso, as mudanças climáticas podem aumentar o estresse térmico, a poluição do ar, as alergias e as doenças cardiovasculares e respiratórias. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mudanças climáticas podem causar cerca de 250 mil mortes adicionais por ano entre 2030 e 2050.

3º impacto das mudanças climáticas é a ameaça à paz e à segurança global. Mudanças climáticas podem exacerbar os conflitos existentes ou gerar novos conflitos por causa da disputa por recursos naturais escassos ou deteriorados, como água, terra e energia. As mudanças climáticas podem provocar migrações forçadas de milhões de pessoas que buscam refúgio em outras regiões ou países. Esses movimentos podem aumentar as tensões sociais, políticas e econômicas entre as comunidades receptoras e as deslocadas.
Diante desses impactos, é urgente que a comunidade internacional tome medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, conforme estabelecido pelo Acordo de Paris de 2015. Além disso, é necessário que os países desenvolvam estratégias de adaptação e resiliência para enfrentar os riscos e os desafios das mudanças climáticas. Essas estratégias devem ser baseadas na ciência, na cooperação, na solidariedade e no respeito aos direitos humanos de todas as pessoas. (ecodebate)

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