sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ocupação irregular do Rio Tietê

População elevada e ocupação irregular são obstáculos
Professora da Poli/USP afirma que projetos de despoluição demoram e adverte que é preciso ajustar as expectativas.
O rio citado por nove entre dez pessoas para traçar um comparativo com a situação do Tietê é o Tâmisa, na Inglaterra. Ele já estava poluído no século 17 e seu projeto de despoluição começou em 1860. "Houve um desvio de esgoto no final do século 19, que aliviou o problema por um tempo. Eles jogaram o esgoto para frente, mais perto do mar. Esse paliativo durou 30, 40 anos. Mas, com a 2.ª Guerra, parte da estrutura foi danificada e na década de 1950 ele começou a apresentar novos problemas", explica a professora da Escola Politécnica da USP Mônica Porto.
Ela afirma que não se pode comparar as situações dos rios. "A Região Metropolitana de São Paulo tem 20 milhões de habitantes, enquanto Londres tem 13 milhões. E Londres é um local de urbanização organizada, ao passo que em São Paulo a maioria dos córregos que deságua no Tietê está ocupada por invasões. Não se consegue passar canalização para coleta de esgoto. É preciso realocar as famílias."
Bons resultados. Para Monica, os bons resultados obtidos no Tâmisa e no Reno - que corta Suíça, França, Luxemburgo, Alemanha e Holanda - estão ligados à capacidade de endividamento público e ao nível de investimentos. "O trabalho no Reno demorou 30 anos, com investimento gigantesco. No Tâmisa, este ano, eles voltaram a ter problemas, pois o sistema antigo de coleta obriga os gestores a vazar parte do esgoto para o rio a cada vez que chove muito. Eles têm plano de gastar 3,8 bilhões de libras até 2020 para renovar o sistema."
Ela lembra que os EUA investiram US$ 200 bilhões em 25 anos para universalizar o tratamento de esgoto. "Em nosso caso, os resultados são bons. Passamos do muito ruim para o ruim. É preciso ter persistência." (OESP)

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