quinta-feira, 25 de abril de 2013

Poluição por ozônio é a pior da década

Tempo seco prejudicou qualidade do ar em SP
O paulistano ficou mais de três meses em 2012 respirando o poluente em níveis inadequados, acima do padrão diário de 150 microgramas por metro cúbico.
Poluição em São Paulo: uma das justificativas para o aumento da poluição por ozônio é o aumento da frota, que ultrapassa os 7 milhões de carros só na capital.
A poluição por ozônio bateu recorde na Região Metropolitana de São Paulo no ano passado. O paulistano ficou mais de três meses - ou exatos 98 dias - respirando o poluente em níveis inadequados, acima do padrão diário de 150 microgramas por metro cúbico. É o pior índice dos últimos dez anos.
Os dados são do relatório anual de qualidade do ar da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Durante a maior parte do tempo do ano passado (54,1%), a poluição por ozônio ficou entre regular, inadequada e má.
Entre as 19 estações de medição desse tipo de poluente, a do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, e a de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, foram as que apresentaram mais dias em estado de atenção: 17 cada.
"Quem tem problemas como asma, rinite ou enfisema sofre mais. Mas a poluição também pode desencadear inflamações graves a longo prazo", afirma o pneumologista Clystenes Soares, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
"E o ozônio é especialmente perigoso em dias ensolarados." A CETESB faz a ressalva de que a rede de monitoramento cresceu ao longo dos anos - eram apenas 12 estações em 2003.
A situação também piorou em cidades do interior como Jundiaí, onde o ozônio ficou acima do limite aceitável por dez dias. Segundo a Cetesb, isso se deve ao fato de a cidade ficar a apenas 50 km da capital e receber a poluição pelo vento.
Frota - Uma das justificativas para o aumento da poluição por ozônio é o aumento da frota, que ultrapassa os 7 milhões de carros só na capital. Além disso, em 2012, pouca chuva, temperaturas acima da média e maior radiação solar em alguns meses criaram um ambiente propício à formação do ozônio.
"O ozônio está fora de controle", diz o coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, Paulo Saldiva. "Nem com os veículos mais tecnológicos conseguimos reduzir os níveis de poluição por ozônio porque a qualidade da gasolina e do diesel é ruim e a queima do etanol também polui."
No padrão - Outros poluentes, como dióxido de enxofre e partículas inaláveis (MP10), ficaram dentro dos padrões considerados aceitáveis. Não houve nenhum dia em que a quantidade de monóxido de carbono no ar, por exemplo, tenha sido inadequada. (abril)


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