domingo, 27 de abril de 2014

Mudanças climáticas fará 50 milhões passar fome em 2050

‘Em 2050, mais de 50 milhões vão passar fome por causa das mudanças climáticas’
Negociador climático das Filipinas que fez greve de fome na reunião do IPCC do ano passado pediu apoio de todos os países e metas mais ambiciosas para combater o aquecimento global e os impactos desse fenômeno
O negociador climático das Filipinas que fez greve de fome na reunião do IPCC do ano passado pediu, em artigo no jornal britânico The Guardian, que todos os governos se juntem na luta contra o aquecimento global. "Pessoas em todo o mundo já estão sentindo as mudanças climáticas. Infelizmente, poucos governos e grandes corporações estão levando esse assunto a sério", disse Naderev Saño, principal delegado do país.
Na última reunião do painel, Saño foi às lágrimas ao pedir, durante a sessão de abertura da 19ª Conferência do Clima da ONU, em Varsóvia, na Polônia, por metas mais ambiciosas de redução das emissões de gases de efeito estufa, assim como por financiamento climático para medidas de adaptação e de compensação para os países que já estão sofrendo com as mudanças climáticas. Na época o país estava se reconstruindo depois da passagem do tufão Haiyan, que matou mais de 10 mil pessoas.
No texto publicado no The Guardian, ele diz o país está até hoje devastado depois da passagem do tufão. "Milhares de pessoas morreram e milhões perderam suas casas e suas formas de sustento. Minha própria família testemunhou a tempestade de perto."
Ele afirmou que uma crise alimentar se aproxima com os piores impactos das mudanças climáticas e que eventos nas Filipinas mostram como os sistemas alimentares estão despreparados para o desafio. "Em 2050, mais 50 milhões de pessoas - o equivalente à população da Espanha - vão correr risco de passar fome por causa das mudanças climáticas."
Saño pediu a cooperação de todos os países, principalmente na ajuda aos mais pobres e mais vulneráveis, para impedir que milhões de pessoas sofram com a fome nas próximas duas décadas por causa dos impactos do aquecimento global, "que já estão ocorrendo".
"Precisamos também de redução urgente e ambiciosa de emissões para evitar uma descontrolada crise alimentar global, que poderia ter graves repercussões para a vida de nossos filhos. Nossa dependência de energia suja fica no caminho de uma solução global para o problema das alterações climáticas e dos alimentos. Temos que acabar com essa 'gula' de combustíveis fósseis", afirmou no artigo do The Guardian. "Estamos em guerra contra as mudanças climáticas e contra a fome. É uma guerra que não nos podemos dar ao luxo de perder. Mas também uma guerra que acredito que podemos vencer juntos." (OESP)

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