quarta-feira, 11 de junho de 2014

Condomínio de luxo gasta mais água

Dados da Sabesp comprovam que 90% da população já aderiu à economia de água.
São Paulo tem 40 mil prédios residenciais e comerciais espalhados pela cidade: desperdício em edifícios é maior.
Há uma parcela da população que está ignorando a escassez de chuvas nos mananciais que abastecem a cidade de São Paulo. É o paulistano com alto poder aquisitivo, que vive em grandes condomínios e conta com uma boa infraestrutura de lazer, com saunas, ofurô e piscinas. Pesquisa sobre o consumo dos moradores, feita pela Sabesp, mostra que no mês passado 10% da população não economizou água - e ainda aumentou o consumo.
“É muito difícil convencer o condômino que tem muito dinheiro no bolso a economizar água, pois é um recurso diretamente ligado ao conceito de conforto", afirma Roberto Piernikarz, diretor da BBZ, administradora de condomínios. Além das áreas de lazer, esses apartamentos possuem equipamentos que possibilitam alta pressão nas torneiras e chuveiros. Os moradores estão acostumados com abundância de água saindo do cano. "Eles não sabem nem quanto gastam", diz Piernikarz.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), uma pessoa deveria gastar em média 110 litros de água por dia. A Sabesp trabalha com uma média de até 150 litros diários. Segundo a orientação, uma família paulistana com 4 pessoas poderia gastar até 18 mil litros de água por mês. “Nos Jardins, bairro de classe média alta, há casos de condôminos que moram em apartamentos de 200 m2, que gastam 72 mil litros por mês. Os síndicos destes condomínios deveriam intensificar o trabalho de conscientização.”
Muitos tentam diminuir o consumo, orientando os empregados a mudar hábitos diários. “Diminuimos até a quantidade diária para as plantas. Hoje estamos regando o jardim apenas uma vez por semana. Também trocamos o esguicho pela vassoura na hora de limpar as áreas externas”, diz Genilsa Andrade, gerente predial de um condomínio de luxo, no bairro dos Jardins. “Mas mudar os costumes dos moradores é muito mais complicado.”
Outro ponto é que muitas construções não passaram por uma modernização dos sistemas. Np prédio onde Genilsa trabalha, uma grande caldeira a diesel aquece toda a água do edifício. “O problema é que o sistema é velho, e recebe em algum ponto água fria, o que faz com que demore muito mais para esquentar.” Com isso, aumenta o desperdício de água em chuveiros e torneiras. Os condôminos concordaram em mudar o mecanismo. Não se importam em colocar a mão no bolso. Mas não acham justo abrir mão do conforto, e são refratários a alterar hábitos. Banhos longoae desperdícios de água nas áreas de lazer são alguns deles. “E isso dá para ver na conta de água do condomínio, que não baixou”, afirma a gerente. (OESP)

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