sábado, 11 de outubro de 2014

Desmatamento

Entende-se por desmatamento a operação de supressão total da vegetação nativa de determinada área para o uso alternativo do solo. É o processo de desaparecimento de massas florestais, fundamentalmente causada pela atividade humana sobre a natureza, principalmente devido a abates realizados pela indústria madeireira, tal como para a ampliação de áreas para cultivos agrícolas, criações ou expansão urbana. A retirada de toda vegetação original (nativa) de uma determinada área caracteriza o desmatamento.
Consequências do desmatamento
Prejuízos ambientais
- Perda de biodiversidade
- Degradação dos mananciais - a retirada da mata que protege as nascentes, rios e lagos causam sérios problemas ao bem que está cada vez mais escasso em todo o mundo: a água.
- A aterramento de rios e lagos - com o solo sem cobertura vegetal abundante, a erosão ocorre em maior intensidade e    frequência, carreando o solo diretamente para os leitos de    rios e lagos. Esse processo faz com que a vazão dos rios seja comprometida aumentando a frequência e intensidade de enchentes.
- Redução do regime de chuvas - pode não parecer, mas a maior parte da água das chuvas continentais vem das próprias áreas continentais, e não do mar. A derrubada de grandes áreas com matas altera o clima das regiões, causando normalmente períodos estendidos de estiagem.
- Redução da umidade relativa do ar - a evapotranspiração das folhas é um dos principais reguladores da umidade do ar, além de promover a regulação da temperatura nos ambientes. A derrubada de matas deixa o ar mais seco e a temperatura mais elevada e instável.
- Aumento do efeito estufa - as florestas são grandes reservas de carbono, que guardam o carbono em sua estrutura orgânica. Ao queimarmos essas florestas, quase todo o carbono absorvido pelas plantas volta à atmosfera, causando considerável aumento no efeito estufa, tornando o planeta ainda mais    quente.
- Comprometimento da qualidade da água - a maior erosão e lixiviação causada pelo desmatamento fazem com que a qualidade da água seja comprometida, tornando-a sempre turva e muitas vezes imprópria para ao consumo.
- Desertificação - a retirada de matas associada a manejos inadequados do solo, tem causado a desertificação dos ambientes, onde a ausência de vida predomina.
Prejuízos Socioeconômicos:
- Redução do turismo - as áreas de mata nativa são sem dúvida um grande atrativo, principalmente ao ecoturismo. Apesar disso, muitas cidades e estados não conhecem esse potencial e não aproveitam. O desaparecimento de matas traz perdas incalculáveis e irreversíveis ao turismo nesses locais.
- Perda do potencial hídrico - degradação das nascentes e dos rios.
- Perda do potencial farmacêutico
- Perda do potencial genético, o melhoramento genético de plantas cultivadas visando a resistência a doenças e pragas é muitas vezes adquirida através do cruzamento de parentes próximos nativos    encontrados nas matas.
- Migração de populações causada pelas modificações climáticas que prejudicam diretamente culturas agrícolas que antes eram fontes de renda e sobrevivência dessas comunidades.
A devastação em florestas situadas em seis regiões do mundo é crescente - América do Norte, Chile, Venezuela, África Central, Rússia e Indonésia, responsáveis por metade da cobertura florestal do planeta. Áreas até então consideradas intactas, estão sendo destruídas para dar lugar à mineração, estradas, áreas urbanas, agricultura e pecuária. Outras regiões importantes, como o Brasil não ficam de fora.
Regiões como a Taiga Siberiana (floresta de pinheiros) estão sendo devastada. Na América do Norte, pouco menos da metade das florestas estão em áreas contínuas superiores a 200 km², 90% delas no Alasca e no norte do Canadá. As florestas tropicais dos Camarões, apresentam vastas áreas com vários espaços desertos feitos pela exploração madeireira.
Na África Central cerca de 40% das florestas de difícil acesso da região estão sob concessão para a indústria madeireira. O futuro delas depende do manejo a ser feito pelos empresários do setor. Na região de Congo ainda existem florestas com mais de 10 km².
Na Indonésia, segunda maior área de mata tropical, depois do Brasil, o desmatamento dobrou nas últimas duas décadas. A cobertura florestal caiu 40% nos últimos 50 anos, passando de 162 milhões de hectares para 98 milhões. O desmatamento, nesta região cresceu de 1 milhão de hectares por ano em 1980 para 2 milhões em 1996.
A ilha de Sulawesi teve suas florestas tropicais eliminadas e se o desmatamento continuar, as regiões de Sumatra e Kalimantan ficarão nas mesmas situação, até 2010.
As concessões para a exploração não sustentada das florestas que cobrem mais da metade do total de matas da Indonésia foram dadas pelo ex-ditador Suharto a aliados políticos e até parentes. Para aumentar os ganhos na balança comercial do país, 16 milhões de hectares de florestas nativas foram convertidos em plantações para a agricultura e para a indústria de papel. A situação do planeta em relação à cobertura florestal está ficando cada vez pior.
O desmatamento contribui para o esgotamento das fontes de água natural prejudicando o abastecimento, deixa o solo sem proteção das raízes das árvores, facilitando a erosão. A devastação interfere negativamente na fauna, destrói espécies da flora, contribui para a poluição da água, do ar, das chuvas ácidas, do efeito estufa e a comercialização ilegal de madeiras nobres.
Na floresta Amazônica, cerca de 13% dos 5 milhões de km2 originais foram destruídas. A área é equivalente à Europa Ocidental e com uma população de 17 milhões de pessoas. Calcula-se que na floresta Amazônica existem 2 milhões de espécies vegetais e animais, das quais só 30 % são do conhecimento da ciência.
As florestas tropicais ocupam 16 milhões km2 no mundo. Estima-se que, a cada ano, 100 mil km2 de árvores sejam destruídos por queimadas, projetos mal executados, desmatamentos, mineração inadequadas e pressão demográfica. Pelo menos 25% das essências farmacêuticas utilizam matéria-prima oriunda das florestas tropicais, que ocupam 7% da superfície do planeta e abriga 80% dos seres vivos.
No Rio Grande do Sul, as florestas ocupavam 40% da área total do estado. Até a uma década, essa área havia caído para 2,6% do território gaúcho. A África é uma amostra de destruição. Em Madagascar, a devastação de 93% das florestas tropicais transformou regiões exuberantes em desertos.
As florestas de clima temperado são devastadas de modo mais intenso do que as tropicais. Estima-se que 44% dessas matas já desapareceram.
A Mata Atlântica, que há 498 anos encheu os olhos dos portugueses tão logo aportaram no Brasil, está agonizando. Da vegetação original, que cobria 1,2 milhões km2, restam apenas 7%. A situação atual é crítica. A Mata Atlântica é um conjunto de três ecossistemas. No litoral, encontra-se a restinga, junto aos rios, formam-se os manguezais, depósitos de matéria orgânica que alimenta inúmeras espécies de animais e, por fim, vem as florestas, com folhagem mais densa e árvores altas, cujas raízes impedem que as camadas férteis do solo sejam "varridas" pelas chuvas. As sombras produzidas pela copa das árvores preservam as nascentes e os lençóis freáticos. O funcionamento harmonioso desse conjunto significa vida para a mata. As bromélias, plantas de rara beleza, brotam no chão ou em caules, servindo de reservatórios d'água para insetos, pássaros e pequenos animais como o mico-leão.  Estes por sua vez, funcionam como dispersores de "sementes" que jogam no chão depois de comer a polpa das frutas. A mata ainda apresenta grande variedade de madeiras nobres, como o pequi, o jequitibá e o jacarandá disputadas no mercado internacional. Espécies sem valor comercial, como a embaúba, por exemplo, sustentam com suas folhas o bicho preguiça.
Na fauna Atlântica, os animais têm funções a desempenhar, o tatu, por exemplo, ao cavar a terra está oxigenando o solo. Na mata encontra-se micos-leões, jacaré-de-papo-amarelo, papagaio de cara roxa, antas, jacutingas e outros. A destruição atende desde o interesse econômico de grandes empresas, inclusive sob o argumento de geração de empregos, à sobrevivência dos pequenos agricultores.
Contribui para o agravamento da situação uma centena de autorizações falsificadas de desmatamento em regiões onde se instalaram grandes fazendas de gado. Durante os primeiros 350 anos de História do Brasil, o extrativismo foi ininterrupto e intenso. Nos últimos 150 anos não sobraram muito que contar. A Mata Atlântica pode desaparecer em 50 anos com o ritmo de destruição atual. Apesar de tudo, continua sendo um dos ecossistemas mais ricos do planeta, abrigando 58 espécies de aves (38% endêmicas) e 131 espécies de mamíferos (23% endêmicas). Tem também a maior riqueza de árvores do mundo.
No Brasil, a intensificação do desmatamento se acentuou a partir de 1920, após o término da I Grande Guerra, com a vinda de imigrantes, especialmente da Europa. Além do prosseguimento da derrubada das árvores da Mata Atlântica, ocorreu a destruição avassaladora dos pinheirais da região Sul do país. Os carvoeiros e lenhadores avançavam com a derrubada de árvores para suprir as demandas dos usuários, destacadamente nas regiões dos Cerrados e do "Meio-Norte", não respeitando as restrições legais de matas nativas, de proteção das nascentes, limites das margens dos cursos d'água, encostas com declives acentuados e topos de morros.
Na região norte do Estado do Paraná, as matas de perobas e outras espécies de madeiras-de-lei foram extintas, sem o devido aproveitamento nas serrarias, porque o objetivo era a ocupação da área para plantios de cafezais.
As áreas desmatadas da Floresta Amazônica, da Mata Atlântica e do Cerrado somam 2,5 milhões de km2 (250 milhões de hectares) - quase 30% do território brasileiro, ou a soma das superfícies formadas pelos Estados das Regiões Nordeste e Sudeste. Estima-se que o desmatamento, em todo o território, é superior a 300 milhões de hectares de matas.
O desmatamento e as queimadas da região Amazônica constituíram as mais sérias preocupações dos ambientalistas nas últimas décadas, por acarretar desequilíbrios imprevisíveis ao ambiente, com consequências desconhecidas. A extração ilegal de madeira, o desmatamento para uso alternativo do solo, sobretudo para a formação de extensas pastagens e plantios agrícolas formam a maior ameaça às florestas. A destruição da Amazônia, a maior das florestas primárias remanescentes do mundo é assustadora.
Várias madeireiras estrangeiras, principalmente da Indonésia, Malásia, China e Japão, estão instaladas na região. Devido à precária fiscalização governamental na área, é grande o corte clandestino de árvores, que muitas vezes acontece, também, em reservas indígenas.
Outro dado alarmante é que, nas últimas duas décadas, a contribuição da Amazônia na produção de toda a madeira utilizada no Brasil aumentou de 14% para 85%. De acordo com dados oficiais, 80% dessa exploração é feita de forma ilegal.
Mesmo a extração considerada legal é altamente destrutiva e o uso de tecnologia obsoleta resulta em enorme perda de matéria-prima durante o processo produtivo. Em média, apenas um terço da madeira extraída é transformado em produto final.
A Amazônia já está no seu limite de desmatamento. Os estados mais atingidos pelo desmatamento são Pará e Mato Grosso. Este último é o campeão em área desmatada.
A média de madeira movimentada na Amazônia é de aproximadamente 40 milhões de m³, incluindo madeira serrada, carvão e lenha. Desse total, apenas 9 milhões de m³ vieram de manejo florestal (previamente autorizado).
O Brasil está se tornando em um dos maiores contribuintes para o aquecimento global do planeta. O crescente desmatamento - principalmente na Amazônia, que deixa a floresta cada vez mais seca e com menor capacidade de evaporação - ocasiona na redução das chuvas em várias regiões, afetando o clima do norte até o sul do país. Efeito semelhante já é percebido no Brasil com a retirada quase total da Mata Atlântica, que após ser dizimada afetou o microclima de várias regiões do país.
O cenário global do desmatamento se agravou muito nas últimas décadas. Além do Brasil, outros países do mundo continuam retirando área verde. A China e os EUA são alguns exemplos. Ambos utilizam termoelétricas a carvão para a geração de energia elétrica.
A taxa exata na razão da qual as florestas estão atualmente sendo destruídas no mundo não é conhecida, uma vez que não tem sido feito um censo global desde 1990. Naquela época, uma área de aproximadamente 150.000 km2 de floresta tropical, equivalente ao tamanho do estado de São Paulo, tem sido destruída a cada ano. Sabe-se, porém que a taxa de destruição aumentou durante os últimos anos em função de desmatamento irregular e clandestino no Brasil e na Indonésia. As florestas ao redor do mundo estão sob pressão.
Algumas áreas da floresta tropical são ricas em metais preciosos como o ouro e a prata. Grandes depósitos de cobre, alumínio, ferro e zinco também são encontrados. Uma infraestrutura de desenvolvimento e uma afluência de mineiros nas áreas de matas não exploradas inevitavelmente resulta em desmatamento. A contaminação pelo mercúrio (usado na extração de ouro) é também comum. (vivaterra)

Um comentário:

Unknown disse...

aí gente me diga oque é que estas exploradoras dos recursos naturais da região de Suzano estão fazendo pelo município? comparando ao que elas levam deste solo mãe gent
il?.