segunda-feira, 9 de abril de 2018

Exposição à poluição do ar na gravidez afeta cérebro de bebês

Exposição à poluição do ar na gravidez está associada a alterações no cérebro em meninos e meninas.
Pesquisa indica que a poluição do ar está relacionada às mudanças no desenvolvimento do cérebro e ao funcionamento cognitivo em crianças. Os limites atuais da UE para a poluição do ar podem não ser suficientemente baixos.
Um novo estudo realizado pelo Centro de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) promovido pela Fundação Bancária “la Caixa” – e o Erasmus Medical Center de Rotterdam, associa exposição residencial à poluição do ar durante a gravidez com anormalidades cerebrais, que podem contribuir para a redução da capacidade cognitiva das crianças em idade escolar. O estudo, publicado em Biological Psychiatry, mostra que os níveis de poluição associados a alterações cerebrais estavam dentro dos valores considerados seguros.
Um estudo científico mostra pela primeira vez uma relação entre a exposição à poluição do ar na gravidez e as dificuldades com a inibição do controle de crianças.
A pesquisa mostrou, pela primeira vez, uma relação entre a exposição à poluição do ar e as dificuldades na inibição do controle – a capacidade de regular o autocontrole e o comportamento impulsivo – que está associada a problemas de saúde mental, como o comportamento aditivo e a desordem para déficit de atenção e hiperatividade. A exposição a partículas finas durante a vida fetal foi associada a um córtex mais fino – a camada externa do cérebro – em várias regiões de ambos os hemisférios, que é um dos fatores que explicariam as deficiências observadas no controle inibitório.
A equipe de pesquisa usou uma coorte de população na Holanda para estudar mulheres grávidas e seus filhos. Determinaram os níveis de poluição atmosférica residencial durante a vida fetal de 783 meninos e meninas. Os dados foram obtidos das campanhas de monitoramento do ar e incluíram níveis de dióxido de nitrogênio e partículas grossas e finas. A morfologia do cérebro foi avaliada a partir de ressonância magnética realizada quando as crianças tinham entre 6 e 10 anos de idade.
Observou-se a relação entre a exposição a partículas finas, as alterações estruturais no cérebro e controle inibitório, embora os níveis de partículas finas residenciais não excedam os limites definidos pela União Europeia -apenas 0,5% de mulheres grávidas foram expostas a níveis considerados inseguros. Em média, os níveis residenciais de dióxido de nitrogênio estavam apenas no limite de segurança.
Exposição a poluição em casa na gravidez ligada a alterações cerebrais.
Esses achados complementam estudos anteriores que associam níveis “aceitáveis” de poluição do ar com outras complicações, incluindo declínio cognitivo e crescimento fetal. “Portanto, não podemos garantir que os níveis atuais de poluição em nossas cidades sejam seguros”, diz Mònica Guxens , coordenadora de estudo e pesquisadora da ISGlobal e do Centro Médico da Universidade Erasmus.
O cérebro do feto é particularmente vulnerável, já que ainda não desenvolveu os mecanismos para se proteger de toxinas ambientais ou eliminá-las. "Embora as consequências clínicas desses achados ao nível individual não possam ser quantificadas, outros estudos existentes sugerem que os atrasos cognitivos em uma idade precoce podem ter consideráveis consequências em longo prazo, incluindo um risco aumentado de transtornos mentais e menor desempenho acadêmico, dado a ubiquidade da exposição", diz Guxens. (ecodebate)

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