domingo, 5 de julho de 2020

Resíduos em lixões e aterros irregulares colaboram para disseminar Coronavírus

Destinação de resíduos a lixões e aterros irregulares pode colaborar para a disseminação do Coronavírus.
Em meio à luta contra a pandemia do novo Coronavírus, é de grande importância que se discuta também a questão ambiental, com foco especial na destinação final dos resíduos. Quando tratamos de assuntos como a presença de lixões e de aterros controlados, estamos falando também da facilitação da propagação do vírus e da dificuldade em se ter condições adequadas de higiene. Todo o cenário ambiental se reflete também na saúde.
Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos 2018/2019 da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil destinou a lixões ou aterros controlados 29,5 milhões de toneladas de resíduos, 40,5% do total produzido, em mais de 3 mil municípios. Os perigos dessa prática são inúmeros, como a poluição do ar e da água, emissão de gases do efeito estufa, atração de vetores e risco de incêndios.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, previu que todos os lixões do país deveriam ser extintos até 2014. Infelizmente, por conta da falta de prioridade no enfrentamento do problema, da ausência de financiamentos, de busca por soluções conjuntas com outros municípios e de parcerias público-privada, essa meta ainda está longe de ser realizada. No ano passado, a proposta de estender os prazos para a extinção dos lixões em todos os municípios do país entre 2021 e 2024 foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas ainda está em tramitação pelo Senado Federal.
A existência de lixões a céu aberto traz problemas ainda maiores em tempos de Coronavírus. Afinal, diversos catadores que tiram seu sustento destes locais podem se contaminar com o vírus, já que não há qualquer tipo de proteção. Populações que vivem em áreas próximas a lixões ou aterros irregulares são afetadas diretamente pelos lixões especialmente por conta dos fortes odores e da atração de vetores que podem causar doenças diversas. Em um momento em que muitas pessoas têm sofrido dificuldades para serem atendidas no Sistema Único de Saúde, esse pode ser um problema adicional. Além disso, o chorume vindo do lixo pode contaminar o solo e a água que é extremamente importante para a nossa higiene e proteção durante esse período. Soma-se a isso a falta de saneamento básico adequado e temos um cenário ainda mais complexo.
Ao invés de destinarmos os resíduos aos lixões, após esgotadas as possibilidades de reciclagem e tratamento, devemos direcioná-los aos aterros sanitários, locais regulamentados que possuem sistemas de drenagem do chorume e do gás metano (que pode ser reaproveitado) e que gera renda e empregos formais a trabalhadores. Nesse caso, os trabalhadores possuem todo o cuidado no tratamento dos resíduos, o que evitaria a propagação por parte do Coronavírus e outras doenças. Outro ponto de grande importância é a necessidade de ampliar a coleta seletiva em todos os municípios brasileiros e estimular a reciclagem e a logística reversa de materiais diversos. Com a realização desses processos, é possível reutilizar materiais como matéria-prima e evitar que sejam descartados incorretamente na natureza.
Os lixões fazem parte de um problema histórico de difícil resolução no Brasil por conta da falta de investimentos, de interesse por parte do poder público e das condições precárias em que muitos brasileiros vivem. Discutir a gestão e a destinação de resíduos sólidos em locais adequados traz benefícios para a qualidade de vida da população não apenas em relação ao meio ambiente, mas também à saúde, condições de moradia, saneamento básico, empregos e oportunidades. (ecodebate)

MPF instaura mais de mil ações por desmatamento ilegal na Amazônia

Em atuação coordenada pela Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR), o Ministério Público Federal (MPF) instaurou, somente no mês de maio, 1.023 ações civis públicas contra 2.262 réus em razão de desmatamentos ilegais na Amazônia. A iniciativa faz parte da 3ª fase do Projeto Amazônia Protege, que mapeou polígonos de 60 hectares ou mais desmatados entre agosto de 2017 e dezembro de 2019. Ao todo, as ações cobram mais de R$ 3,7 bilhões de indenização pelos danos causados, além da reparação de 231.456 hectares de floresta degradados.
Baseadas em laudos periciais produzidos a partir da análise de imagens de satélite e do cruzamento das informações com bancos de dados públicos, as ações foram propostas em sete estados da Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. O monitoramento apontou total de 321 mil hectares de floresta devastados ilegalmente no biênio 2017/2019. O estado mais afetado no período foi Mato Grosso, com 95,4 mil hectares de área desmatada, sendo que 63,6 mil já são alvo de ação civil pública. Até agora, o MPF ajuizou 242 ações no estado, mas outras podem ser propostas futuramente.
Em relação ao número de polígonos com área igual ou superior a 60 hectares desmatados ilegalmente entre julho de 2017 e dezembro de 2019, o estado do Pará foi o campeão, com 373 registros. O corte raso de vegetação nativa no estado atingiu 87,9 mil hectares, sendo que 68,7 mil já são alvo das 310 ações ajuizadas até o momento. No Amazonas, foram mapeados 284 polígonos de desmatamento, o que corresponde a cerca de 81 mil hectares. Até agora, foram propostas 215 ações no estado, referentes a 61,5 mil hectares da área destruída. O levantamento do MPF apontou ainda que, entre os polígonos de desmatamento ilegal identificados pelo projeto, 64 estão dentro de Unidades de Conservação (UCs) federais e 41 dentro de Terras Indígenas (Tis).
Vigilância constante – Este é o terceiro ano em que o MPF atua de forma articulada por meio do Projeto Amazônia Protege, lançado em novembro de 2017. Na primeira etapa, foram instauradas 1.125 ações referentes a desmatamentos realizados entre agosto de 2015 e julho de 2016. Na segunda, foram 1.414 ações por supressão ilegal de floresta no período de agosto de 2016 a julho de 2017. Somando esses números às ações ajuizadas este ano, são mais de 3,5 mil processos contra o desmatamento ilegal na Amazônia.
Para o coordenador da Câmara de Meio Ambiente do MPF, Nívio de Freitas, ao promover a responsabilização civil dos infratores, o projeto Amazônia Protege contribui para reduzir a sensação de impunidade em relação a práticas que atentam contra o meio ambiente. “O MPF permanecerá vigilante e firme em relação ao compromisso constitucional de zelar pela preservação do meio ambiente para a presente e futuras gerações”, frisou o subprocurador-geral da República.
Nas ações, o MPF pede indenizações relativas aos danos materiais e morais difusos derivados da remoção da cobertura vegetal e a recomposição da área degradada. Requer, ainda, a reversão dos valores da condenação para IBAMA e ICMBio, para fortalecer a fiscalização; e autorização judicial para apreensão, retirada ou destruição, pelos órgãos de fiscalização competentes, de bens móveis ou imóveis presentes na área que estejam impedindo a regeneração da floresta.
Equipe – O projeto contou com a participação de 25 procuradores da República: Álvaro Manzano, Ana Carolina Haliuc, Bernardo Meyer Machado, Bruno Domingos, Daniel Azeredo, Daniel Azevedo Lôbo, Erich Masson, Everton Araújo, Felipe Giardini, Gabriel Dalla Favera, Gisele Cunha, Humberto de Aguiar Junior, Igor Spindola, Igor Lima Goettenauer, Julio Cesar de Almeida, Leandro Musa de Almeida, Milton Tiago Araújo, Rafael Rocha, Raphael Bevilaqua, Reginaldo Pereira da Trindade, Ricardo Negrini, Robert Rigobert Lucht, Tatiana Ribeiro, Thais Araújo Franco e Valdir Monteiro.
Resultados da 3ª fase do projeto até agora:
(ecodebate)

Plástico, pra que te quero!?

A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o ano 2020 como o ANO DOS OCEANOS. Cobrindo em torno de 75% da superfície do planeta, eles são responsáveis por três serviços ecossistêmicos fundamentais à nossa sobrevivência: vasta biodiversidade, fornecimento de alimento e produção de oxigênio para o planeta (sim, os oceanos são o pulmão do planeta! Mas isso é assunto para outro momento).
Apesar dessa importância fundamental, as ações antrópicas têm degradado consideravelmente esses ecossistemas, os colocando sob uma ameaça sem precedentes na história.
Um estudo japonês publicado em 2018, mostrou fotografias de sacolas plásticas na Fossa das Marianas, considerado o lugar mais profundo do planeta, a mais de 10.000 metros de profundidade. Essa informação associada a outros estudos, implica dizer que a poluição plástica está em quase todos os ambientes terrestres do planeta e em todos os seus oceanos.
Anualmente, mais de dez milhões de toneladas de plástico entram nos ambientes marinhos e, devido as correntes marítimas, esses resíduos acabam se concentrando em locais específicos, os tornando verdadeiros lixões a céu aberto em pleno oceano.
Outra triste notícia é que os animais marinhos também sofrem as consequências de tudo isso.
Certamente, todos já vimos fotos de golfinhos, tartarugas, aves, peixes, entre outros animais, com algum pedaço de plástico em seu corpo. Entretanto, não só os grandes organismos são prejudicados por esses poluentes. Pesquisadores do Reino Unido, descobriram uma pequena espécie de micro crustáceo (chamada de Eurythenes plasticus – semelhante a um pequeno camarão) nas profundezas da Fossa das Marianas. Ao analisarem o animal, os cientistas descobriram em seus órgãos internos, partículas de PET (plástico utilizado na fabricação de garrafas, por exemplo).
A mudança de hábitos de consumo é a única solução para isso. Diminuir o uso de sacolas plásticas em mercados e canudos plásticos são apenas uma das possíveis soluções para esse problema. É somo eu sempre digo: “o problema não são os canudos, mas sim os nossos hábitos”.
Os especialistas dizem que, se feito de forma equitativa, homogênea e responsável, os recursos pesqueiros podem alimentar aproximadamente 10 bilhões de pessoas – valendo destacar que, atualmente, o planeta Terra possui cerca de 7,5 bilhões de habitantes. Ainda, é importante salientar que os oceanos são responsáveis por 5% do PIB global (cerca de 3 trilhões de dólares por ano) e que 3 bilhões de pessoas dependem direta ou indiretamente dos oceanos para sobreviver.
Assim, o cuidado com esses locais é primordial para que tenhamos uma sadia qualidade de vida além de preservar a biodiversidade local, garantindo alimento e oxigênio para as presentes e as futuras gerações.
Fica a pergunta: há algum lugar nesse mundo que esteja protegido da poluição? (ecodebate)

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Continuam tirando o verde da nossa terra

Colniza, MT, Brasil: Área degradada no município de Colniza, noroeste do Mato Grosso.
Em 1987, Roberto Duailibi, da agência DPZ criou a campanha “Estão tirando o verde da nossa terra“. A imagem da bandeira brasileira perdendo o verde ao som do hino nacional foi a maior ação de comunicação voltada para o meio ambiente já feita no Brasil e acabou se transformando no logotipo da Fundação SOS Mata Atlântica.
A Mata Atlântica é um tipo de floresta tropical que se estende pela costa leste, sudeste e sul do Brasil, chegando até o Paraguai e a Argentina. Sua proximidade com o Oceano Atlântico fez com que ela fosse o primeiro bioma a ser ocupado, a partir dos descobrimentos.
Restam 12,4% de seus 108 milhões de hectares originais, cerca de 13,4 milhões de hectares, responsáveis por uma exuberante biodiversidade e pela existência de espécies únicas no mundo.
Cerca de 70% da população do Brasil – em 3.429 dos 5.570 municípios brasileiros – está fixada em seu território, a partir de um processo de ocupação que determinou sua degradação e fragmentação.
Extremamente ameaçada, tem sido objeto de inquietação e iniciativas de conservação e defesa, especialmente a partir do final da década de 80.
Tal preocupação, para além de considerar sua importância para a manutenção do extraordinário banco de recursos genéticos que ela representa, tem fundamentos de ordem prática: os 120 milhões de pessoas que vivem em seu domínio, dela dependem para que suas necessidades hídricas sejam satisfeitas.
Isto posto, é preciso, especialmente neste dia, avaliar adequadamente as ameaças que pairam sobre esse bioma único e imprescindível à qualidade de vida das pessoas que o ocupam.
Depois de um longo e árduo trabalho desenvolvido especialmente a partir de iniciativas da sociedade civil, em direção à sua proteção – envolvendo desde o desenho de corredores ecológicos e replantio de áreas degradadas à implantação de Planos Municipais para sua conservação e recuperação, entre outros – os dois últimos anos oferecem motivos de sobra para apreensão.
Segundo informações do Atlas da Mata Atlântica – uma iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) – o biênio 2018-2019 representou um total de desmatamento de 14.502 hectares, 27,2% superior ao ocorrido no período anterior (2017-2018), quando foi de 11.399 hectares.
São indisfarçáveis as investidas governamentais, no sentido de fragilizar e desmontar a estrutura legal de proteção ambiental. Elas vão desde o enfraquecimento contínuo dos órgãos de comando e controle (IBAMA e ICMBio), da substituição das direções das Unidades Federais de Conservação por profissionais de capacitação discutível, passando pela limitação da participação da sociedade na construção das normas ambientais (com a alteração da composição do CONAMA-Conselho Nacional do Meio Ambiente) até os ataques diretos à legislação protetiva específica, ou seja a Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006).
Inicialmente, o Despacho MMA 4.410/2020 emitido pelo Ministro do Meio Ambiente há mais ou menos um mês, reconhece como consolidadas as APPs-Áreas de Preservação Permanentes (margens de rios e topos de morro) desmatadas e ocupadas até julho de 2008 em propriedades rurais no bioma Mata Atlântica. Essa medida isenta seus proprietários da obrigação de recuperá-las com vegetação nativa, aplicando o Código Florestal em lugar da legislação específica para proteção do bioma.
Desde então, em consequência de uma Ação Civil Pública decorrente de representações oriundas da sociedade civil organizada, o MPF-Ministério Público Federal tem recomendando aos órgãos ambientais federais nos estados a não seguir essa decisão, sob pena de medidas judiciais cabíveis, incluindo responsabilização do servidor.
No entanto, uma proposta do Ministério do Meio Ambiente para alteração do Decreto 6.660/2008, que regulamenta a Lei da Mata Atlântica já tem sua minuta depositada na mesa Presidencial.
Continuam tirando o verde da nossa terra, não podemos nos omitir, vamos protestar contra o desmonte na área ambiental e o descaso com o nosso futuro!
Sem floresta, sem vida!
Sem floresta não há água! (ecodebate)

Larvas que devoram plásticos e ajudam a salvar o Planeta

Estas larvas devoram plásticos e podem ajudar a salvar o Planeta.
Com a ajuda de bactérias que vivem no seu sistema digestivo elas conseguem destruir poliestireno (plástico usado em embalagens ou copos descartáveis). A experiência foi descrita na última edição da revista científica Environmental Science & Technology.
Uma equipa de cientistas colocou 50 dessas larvas (que são vendidas em lojas de animais para alimento de répteis, peixes e aves) num pequeno espaço com poliestireno. Após 21 dias, as larvas tinham “comido” 70% desse plástico. Para chegarem a esta conclusão, os investigadores isolaram uma estirpe da bactéria Pseudomonas aeruginosa do sistema digestivo dessas larvas.
Esta bactéria conseguia crescer na superfície de poliestireno e destrui-la. Finalmente, identificaram ainda uma enzima da bactéria – a serina hidrólase –, a grande responsável pela biodegradação.
No mês passado foi também descoberta uma enzina enzima mutante que recicla garrafas de plástico em poucas horas. A descoberta foi publicada na revista Nature. Já no ano passado, testes levados a cabo pela cientista Amanda Callaghan, da Universidade de Reading, no Reino Unido, descobriram que as larvas de mosquito que cresçam em água contaminada com plástico, acumulam este contaminante nos seus corpos. Quando crescem e se transformam em mosquitos adultos, alguns destes plásticos continuam nos seus corpos e acabam, depois, por contaminar os animais que se alimentam de mosquitos.
Na natureza, existem muitos insetos que comem plástico, mas esta é a primeira vez que eles confirmaram que o resultado da digestão é um produto natural. Além disso, os pesquisadores também descobriram que o plástico não faz mal aos insetos. Isso significa que, além de consumir o plástico, as larvas ainda o transformam em resíduo orgânico inofensivo ao meio ambiente e a outras espécies animais. (greensavers)

Como os manguezais nutrem a vida marinha?

Saiba como os manguezais nutrem a vida marinha e armazenam carbono.
Flamingos nos manguezais de Dubai.
As árvores de mangues armazenam mais carbono em seus solos se comparadas a outras espécies, o que as tornam ativos valiosos na luta contra o aquecimento global. Elas também diminuem o impacto das tempestades, servem de zonas de reprodução para peixes e outros animais marinhos e constituem eficazes sistemas de filtragem que evitam o influxo de água salina que torna o solo inadequado para a agricultura.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), governos e comunidades costeiras de países tropicais estão se sensibilizando cada vez mais sobre o valor dos manguezais para a natureza e os seres humanos.
A biodiversidade é um importante benefício ecossistêmico das florestas de mangue. A comunidade local e o ecoturismo baseado na diversidade biológica dos manguezais podem ajudar na conservação e no manejo sustentável desses ambientes naturais. Os turistas têm diversas opções para conhecer a fauna e a flora desses ecossistemas, como passeios de barco, caiaque, mergulho com snorkel, observação de pássaros e pesca noturna de caranguejos. Em Madagascar, os mangues abrigam lêmures, que estão no grupo de mamíferos mais ameaçados do planeta – e que foram documentados pela primeira vez há poucos anos.
“As florestas de mangue são ecossistemas altamente produtivos e sua conservação deve ser uma prioridade, mas onde os manguezais já desapareceram, a restauração também é possível”, diz o especialista em ecossistemas costeiros e marinhos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Gabriel Grimsditch.
Em 2019, as Nações Unidas fizeram um apelo global para mobilizar o apoio político e financeiro necessário e restaurar os ecossistemas mundiais desmatados e degradados. A Década de Restauração de Ecossistemas da ONU ocorrerá de 2021 a 2030 e intensificará o trabalho para enfrentar a degradação das paisagens — como os manguezais, nossas florestas azuis.
Iniciativas de restauração de florestas azuis
Recentemente, o PNUMA e outros colaboradores, em parceria com o Projeto Florestas Azuis, financiaram projetos bem-sucedidos de captura de carbono de manguezais no Quênia e em Madagascar.
Esses projetos vinculam as florestas de mangue ao mercado internacional de carbono, com o valor deste item sendo direcionado ao plantio e à conservação dos manguezais e oferecendo outros benefícios para as comunidades locais. Atualmente, o PNUMA está estudando como ligar os ecossistemas de ervas marinhas ao mercado de carbono no Quênia.
As experiências nesses países foram apresentadas no Indian Ocean Blue Carbon Hub Inaugural Think Tank, que aconteceu mês passado, nas Ilhas Maurício, por serem os únicos projetos financeiros bem-sucedidos de captura de carbono de manguezais baseados no trabalho de comunidades costeiras. Como resultado, ocorreu o reconhecimento de que a biodiversidade e os outros benefícios desses ecossistemas, incluindo a captura de carbono, são vitais para uma economia saudável e baseada na natureza.
“É importante restaurarmos os mangues, mas quem pagará por isso?”, questionou o Blue Carbon Lead da GRID-Arendal e coordenador do Projeto Florestas Azuis (Blue Forest, em inglês) do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), Steven Lutz. “Estamos estudando como o valor pelo carbono retirado dos manguezais pode estimular florestas saudáveis ​​e meios de subsistência costeiros”.
No Equador, o Projeto Florestas Azuis apoiou a parceria da Conservação Internacional com o governo e as comunidades locais para a criação de acordos de conservação de manguezais. Com o programa Socio Manglar (em espanhol), as comunidades indígenas recebem incentivos econômicos – com base na biodiversidade desses ambientes – para se comprometerem com a conservação e proteção desses ecossistemas. Como recompensa, eles ganham uso exclusivo do aratu-vermelho e do berbigão, pescados muito lucrativos no país.
Aratu-vermelho do Equador, um pescado lucrativo no país.
“A restauração não será alcançada facilmente. Recursos financeiros consideráveis ​​e uma forte participação das comunidades locais em longo prazo são necessários para termos projetos bem-sucedidos”, diz a especialista em ecossistemas marinhos do PNUMA, Isabelle Vanderbeck, que trabalha em estreita colaboração com o GEF em projetos de restauração de manguezais.
Uma resolução adotada pela Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente em 15 de março de 2019 “encoraja os Estados-membros a investirem em pesquisa, educação e sensibilização da população, a oferecerem capacitações para a gestão sustentável e restauração dos manguezais e ecossistemas relacionados e a pensarem em maneiras de mobilizar os recursos necessários para os países em desenvolvimento”.
O que é o Projeto Florestas Azuis do GEF?
A Área Focal de Águas Internacionais do GEF está permitindo que o Projeto Florestas Azuis realize a primeira avaliação em escala mundial sobre como os valores de captura de carbono e outros serviços de ecossistemas costeiros podem ser aproveitados para uma melhor gestão ambiental e construção de comunidades mais sustentáveis – enquanto mitigam, ainda, as mudanças climáticas. O projeto também visa aprofundar conhecimentos para promover tomadas de decisão bem embasadas, gerar conscientização, incentivar a cooperação entre todas as partes interessadas e fornecer experiências e ferramentas para ser aplicado globalmente.

A Década de Restauração de Ecossistemas da ONU 2021–2030, liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e por outros parceiros, como a iniciativa Africa Restoration 100, o Fórum Global de Paisagens e a União Internacional para a Conservação da Natureza, abrange os ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos. Como um apelo global à ação, a Década reunirá apoio político, pesquisa científica e força financeira para incentivar massivamente os esforços pela restauração. (ecodebate)

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Centro universitário promoveu 12 horas de palestras online

Centro universitário promove 12 horas de palestras online sobre o Meio Ambiente.
Em 05/06 é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente e para reforçar a importância da data, o Centro Universitário Internacional Uninter promoveu 12 horas de palestras, das 9h às 21h, com o tema central “Terra: vamos cuidar da nossa casa e da casa da vida”.
A Maratona da Sustentabilidade consiste em lives com acesso gratuito para todo o país, realizadas no Facebook, na página Maratona de Sustentabilidade Uninter. “Estamos vivendo hoje as consequências do descaso com a natureza e com o mundo em que vivemos. Neste momento, mais do que nunca, é fundamental nos preocuparmos com o presente e com o futuro do Meio Ambiente”, afirma Rodrigo Berté, diretor da Escola de Saúde, Biociência, Meio Ambiente e Humanidades da Uninter.
Os temas serão abordados em três frentes: Saúde, Meio Ambiente e Humanidades. Assuntos como doenças crônicas, comportamento sustentável, cidadania, impacto ambiental da desigualdade social também serão discutidos nas palestras.
Confira algumas palestras que já estão confirmadas:
– Terra: vamos cuidar da nossa casa e da casa da vida – com os professores Dr. Rodrigo Berté e Profa. Dra. Dinamara Machado.
– Determinantes Sociais e Riscos para a Saúde: Doenças Crônicas Não Transmissíveis –com os professores Dr. Cristiano Caveião e Dra. Ivana Maria Saes Busato.
– Consumo responsável. Ser sustentável não é mais uma opção – com a professora Mestre Silvia Moro Conque Spinelli.
– Comportamento sustentável em relação aos resíduos sólidos – com a professora Esp. Ana Lucia Zattar Coelho.
– O impacto ambiental da desigualdade social – com a professora Dra. Neiva Silvana Hack.
– Gestão da Sustentabilidade: contribuições do Terceiro Setor nas questões sociais e ambientais – com a professora Dra. Denise Erthal de Almeida.
– Ecofilosofia – com os professores Dr. Luis Fernando Lopes e Mestre André Frota.
– Energias renováveis – com a participação dos professores Esp. Eduardo Moraes de Araujo e da Esp. Nicole Geraldine de Paula Marques Witt.
– Atuação dos profissionais da saúde no controle de qualidade de recursos ambientais – com os professores Dr. Benisio Ferreira da Silva Filho, Dr. Vinícius Bednarczuk de Oliveira e Dra. Simone Klock.
– Meio Ambiente Sustentável e Cidadania – com a professora Mestre. Sandra Lopes.
– Saúde Única – com o professor Dr. Willian B. Sales.
– Questões emergentes para a conservação de recursos hídricos: o problema da contaminação ambiental – com a participação da professora Dra. Sabrina Loise de Morais Calado.
– Como as técnicas de Aromaterapia, Geoterapia, Hidroterapia e Reflexologia podal atuam no bem-estar físico, mental e estético – ministrada pelos professores Dra. Rita de Cassia Alberini, Dr. Vinícius Bednarczuk de Oliveira e Dra. Fernanda Maria Cercal Eduardo.
– Os determinantes sociais de saúde e vulnerabilidade social – com a Dra. Ana Carolina Vidigal.
– Mídias Sociais como Canal de Comunicação para o Meio Ambiente – com a professora Esp. Maria Carolina Avis.
As inscrições podem ser realizadas clicando aqui e dão direito a certificado de 20 horas. Durante as transmissões, brindes serão sorteados e enviados posteriormente aos ganhadores.
Serviço
O que: Maratona da Sustentabilidade
Mais informações na página facebook.com/Maratona-de-Sustentabilidade-Uninter. (ecodebate)

Entre 2018-2019 desmatamento na Mata Atlântica cresce quase 30%

Mata Atlântica no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Petrópolis, no Rio de Janeiro.
A boa notícia é que Alagoas e Rio Grande do Norte conseguiram zerar desflorestamento; outros sete estados estão próximos de zero
Após dois períodos consecutivos de queda, aumentou o desmatamento na Mata Atlântica. Foram desflorestados entre 2018-2019 um total de 14.502 hectares – um crescimento de 27,2% comparado com o período anterior (2017-2018), que foi de 11.399 hectares. As informações são do Atlas da Mata Atlântica, iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) realizada desde 1989. O estudo teve execução técnica da Arcplan e patrocínio de Bradesco Cartões.
Mais uma vez o estado campeão de desmatamento foi Minas Gerais, que teve uma perda de quase 5.000 hectares de floresta nativa. A Bahia ficou em segundo lugar, com 3.532 hectares, seguido pelo Paraná, com 2.767 hectares. Os três líderes do ranking tiveram aumento de desflorestamento de 47%, 78% e 35% respectivamente, ao comparar com o período anterior. Já o quarto e quinto lugares da lista, Piauí e Santa Catarina, tiveram redução do desflorestamento em relação ao período 2017-1018 de 26% e 22%. Piauí somou 1.558 hectares desmatados e Santa Catarina 710 hectares.
Desflorestamentos da Mata Atlântica identificados no período 2018-2019 em comparação ao período anterior (em hectare):
UF
Área UF
UF na Lei MA
%UF na LMA
MA 2019
% MA
dec. MA 18/19
variação anterior
dec. MA 17/18
AL
2.777.724
1.524.618
55%
 142.876
9,4%
0
-100%
 8
BA
56.473.404
17.988.595
32%
 2.002.297
11,1%
 3.532
78%
 1.985
CE
14.892.047
866.120
6%
 64.044
7,4%
 25
259%
 7
ES
4.609.503
4.609.503
100%
 482.966
10,5%
 13
-31%
 19
GO
34.011.087
1.190.184
3%
 41.558
3,5%
 5
-98%
 289
MG
58.651.979
27.622.623
47%
 2.826.441
10,2%
 4.972
47%
 3.379
MS
35.714.473
6.386.441
18%
 711.692
11,1%
 381
173%
 140
PB
5.646.963
599.487
11%
 54.690
9,1%
 85
157%
 33
PE
9.815.022
1.690.563
17%
 195.659
11,6%
 79
-12%
 90
PI
25.157.775
2.661.841
11%
 900.394
33,8%
 1.558
-26%
 2.100
PR
19.930.768
19.637.895
99%
 2.318.034
11,8%
 2.767
35%
 2.049
RJ
4.377.783
4.377.783
100%
 820.062
18,7%
 44
148%
 18
RN
5.281.123
350.994
7%
 12.172
3,5%
0
-100%
 13
RS
26.876.641
13.857.127
52%
 1.091.485
7,9%
 146
-15%
 171
SC
9.573.618
9.573.618
100%
 2.186.316
22,8%
 710
-22%
 905
SE
2.191.508
1.019.753
47%
 69.710
6,8%
 139
42%
 98
SP
24.822.624
17.072.755
69%
 2.344.276
13,7%
 43
-55%
 96
Tt
340.804.043
131.029.898
38%
16.264.674
12,4%
 14.502
27,2%
 11.399
“A ampliação do desmatamento da Mata Atlântica observada mostra que a destruição do meio ambiente não tem ocorrido apenas na Amazônia. E o fato é preocupante, já que restam apenas 12,4% da Mata Atlântica – o bioma é o que mais perdeu floresta no país até hoje”, afirma Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.
“Ficamos decepcionados, pois os desmatamentos seguem nas mesmas regiões. Observamos vários desmatamentos em áreas interioranas e nos limites da Mata Atlântica com o Cerrado em Minas Gerais, na Bahia e no Piauí, além de regiões com araucárias no Paraná. Como são áreas já mapeadas anteriormente, os desmatamentos poderiam ter sido evitados com maior ação do poder público. É lamentável que sigam destruindo nossas florestas naturais, ano após ano”, afirma Marcia Hirota, diretora executiva da SOS Mata Atlântica e coordenadora geral do Atlas.
Plantação de eucaliptos no sul da Bahia, segundo estado que mais perdeu Mata Atlântica entre 2018 e 2019.
Os estados com desmatamento zero são Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo. Marcia ressalta outra boa notícia: “Pela primeira vez dois estados conseguiram zerar os desmatamentos acima de 3 hectares: Alagoas e Rio Grande do Norte. Entre 2017-2018, Alagoas havia registrado 8 hectares de desmatamento, enquanto o Rio Grande do Norte teve 13 hectares”, afirma. O Atlas mede desflorestamentos maiores que 3 hectares. “Em muitos estados que chegaram ao nível do desmatamento zero pode ocorrer o chamado efeito formiga, os desmatamentos pequenos que continuam acontecendo em várias regiões e o satélite não enxerga. É a floresta nativa sendo derrubada aos poucos, principalmente pelo avanço de moradias e expansão urbana”, diz ela.
Desflorestamentos nos estados da Mata Atlântica identificados no período 2018-2019 em comparação aos períodos anteriores (em hectare):
Desmate observado
Tt Desmate (ha)
Intervalo (anos)
Tx anual (ha)
Período de 2018 a 2019
14.502
1
14.502
Período de 2017 a 2018
11.399
1
11.399
Período de 2016 a 2017
12.562
1
12.562
Período de 2015 a 2016
29.075
1
29.075
Período de 2014 a 2015
18.433
1
18.433
Período de 2013 a 2014
18.267
1
18.267
Período de 2012 a 2013
23.948
1
23.948
Período de 2011 a 2012
21.977
1
21.977
Período de 2010 a 2011
14.090
1
14.090
Período de 2008 a 2010
30.366
2
15.183
Período de 2005 a 2008
102.938
3
34.313
Período de 2000 a 2005
174.828
5
34.966
Período de 1995 a 2000
445.952
5
89.190
Período de 1990 a 1995
500.317
5
100.063
Período de 1985 a 1990
536.480
5
107.296
Histórico de desmatamento desde o início do monitoramento do Atlas:
Crédito: Fundação SOS Mata Atlântica (ecodebate)