domingo, 29 de março de 2020

Empresa usa plástico reciclado em embalagens e preserva meio ambiente

Empresa de barba usa plástico reciclado nas embalagens para preservar o meio ambiente.
É sabido que o plástico é um inimigo enorme e urgente contra a preservação da natureza, principalmente dos oceanos. Segundo um estudo feito pela WWF, estima-se que há cerca de 300 milhões de toneladas de plástico em nossos oceanos, o equivalente a 11 trilhões de garrafas plásticas de 500ml.
Uma simples garrafa de plástico pode levar de 200 a 450 anos para se decompor na natureza. Além disso, ele é responsável por matar cerca de 100 mil animais marinhos por ano por contaminação, é o que diz um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália.
Além desses números preocupantes, o que mais preocupa é a porcentagem desse material que é reciclado. Enquanto nos EUA é reciclado 35%, no Brasil esse número chega a apenas 2%.
É estimado que se esses lixos continuarem a ser descartados dessa maneira, em 2050 teremos mais lixo do que peixes nos mares de todo o mundo. Apesar do número baixo de reciclagem no Brasil, existem algumas empresas que fazem esse trabalho ajudando a diminuir esses dados.
Apesar de possuir a mesma qualidade de um plástico virgem, o preço um pouco mais alto ainda espanta as empresas. Mas isso não foi suficiente para espantar alguns empresários conscientes.
A Barba Brasil, empresa que vende produtos para o cuidado da Barba, já faz a sua parte. Segundo dados da própria empresa, mais da metade das embalagens de seus produtos são feitas com material reciclado retirado dos mares brasileiros.
"Me conscientizei ao receber o e-mail de um cliente abordando o tema, isso fez com que eu virasse meus olhos mais para a preservação do que apenas com o lucro em si", diz João Júnior, CEO da Barba Brasil. A empresa hoje conta também com produtos de linha vegana. (terra)

Chuvas e estiagens demonstram vulnerabilidade das cidades brasileiras

Chuvas e estiagens demonstram vulnerabilidade das cidades brasileiras aos efeitos do aquecimento global.
Mudança climática nas cidades: “Precisamos ficar preparados para o pior”.
Era início de janeiro quando o professor Pedro Leite da Silva Dias viu as primeiras notícias sobre uma grande “explosão” de chuvas na ilha de Java, na Indonésia. Para a maioria dos brasileiros, era uma notícia sem importância, sobre um lugar distante, desconectado da nossa realidade. Mas Dias enxergou ali o prenúncio de mais uma possível tragédia nacional. “Macaco velho” das ciências atmosféricas, com quase 50 anos de experiência na área, ele logo pensou: “Essa bomba vai chegar aqui”.
E chegou mesmo. Três semanas mais tarde, uma “explosão” semelhante de chuvas torrenciais começou a desabar sobre Belo Horizonte e outros municípios da Zona da Mata Mineira, sul do Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro. As cenas de calamidade do réveillon na Indonésia logo se repetiram aqui: alagamentos, desabamentos, destruição, sofrimento, mortes. Só no Estado de Minas Gerais, mais de 50 pessoas perderam a vida em janeiro por causa da chuva, e mais de 50 mil ficaram desabrigadas.
“A experiência me diz que quando acontece uma explosão assim na Indonésia é bom ficar de olho, porque vai dar algum problema por aqui também”, observa Dias, professor titular e atual diretor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.
Não se trata de profecia nem premonição, mas de uma previsão científica, lastreada por décadas de pesquisa acadêmica e trabalho no campo. Além de cientista, Dias é fazendeiro, produtor de café no sul de Minas Gerais — onde depende, também, de uma boa meteorologia para garantir o sucesso de sua lavoura.
A tal “explosão”, no caso, é como os meteorologistas se referem a eventos de chuva intensa que persistem por vários dias, sobre grandes áreas, normalmente detonados por um aquecimento anômalo da água do mar ou pela intrusão de frentes frias na região dos trópicos. Essas “explosões” liberam uma quantidade imensa de energia (gerada pela mudança de fase da água, do estado gasoso para o líquido), que se propaga pela atmosfera na forma de ondas.
“É como quando você joga uma pedra num lago e forma aqueles anéis concêntricos, que espalham a energia na água a partir do ponto onde a pedra caiu”, explica Dias. “No caso da atmosfera, o papel da pedra é feito pela chuva”.
À medida que essas ondas se propagam, elas movimentam massas de ar que vão interferir com fenômenos atmosféricos locais, produzindo anomalias meteorológicas ao redor do globo. Dez dias após a “explosão” na Indonésia, por exemplo, a costa leste dos Estados Unidos foi tomada por uma onda de calor recorde, com temperaturas que passaram dos 20 graus Celsius em Boston e Nova York, em pleno inverno — quando o normal seria estar nevando. Europa, Ásia e Austrália também registraram anomalias no período.
É um exemplo do que os meteorologistas chamam de “teleconexões atmosféricas”; fenômeno pelo qual perturbações do sistema em um ponto do planeta podem surtir efeitos em regiões distantes — numa versão climática (e real) do chamado “efeito borboleta”.
No Brasil, o evento mais marcante desse cenário teleconectado foram as chuvas de janeiro em Minas Gerais. Resumindo: a onda de choque da “explosão” na Indonésia atravessou o Pacífico, passou por cima dos Andes e despejou uma massa de ar seco sobre a Amazônia, que inibiu a formação de chuvas sobre a floresta e “abriu a porta” para um maior fluxo de umidade do Oceano Atlântico para a região Sudeste. Quando essa umidade vinda do Atlântico sul eventualmente se encontrou com a umidade vinda da Amazônia (que deveria ter caído sobre a floresta, mas não caiu, por causa do ar seco), fez-se o dilúvio.
Imprevisibilidade previsível
As previsões meteorológicas do início de janeiro chegaram a prever a ocorrência de chuvas mais fortes em Minas Gerais para o fim do mês, mas não na magnitude observada. “Belo Horizonte estava na área de risco, mas as previsões subestimaram a intensidade do evento”, avalia Dias. O mesmo aconteceu com o temporal de 10 de fevereiro que paralisou São Paulo: os meteorologistas acertaram na previsão de chuva forte, mas o volume de água que desabou sobre a metrópole (114 mm) acabou sendo o dobro do previsto.
Essa é uma das grandes dificuldades (científicas, políticas e econômicas) de se lidar, na prática, com as mudanças climáticas: a imprevisibilidade do clima. As previsões meteorológicas hoje são bastante confiáveis para um período de três a cinco dias, mas o grau de incerteza aumenta a partir daí. E por mais que a ciência avance nesse sentido, a incerteza nunca chegará a zero, porque o sistema climático é complexo e caótico demais para se prever “com certeza” o que vai acontecer num determinado dia.
“A gente precisa aprender a conviver com a incerteza da previsão; ou seja, trabalhar com previsões probabilísticas e tomar ações com base na probabilidade de ocorrência de um determinado evento”, afirma Dias.
Ao ver a “explosão” na Indonésia, ele previu que algum efeito colateral chegaria ao Brasil, mas não sabia como, onde ou quando exatamente esse efeito iria se manifestar por aqui. Poderia ser chuva — como acabou sendo —, mas também poderia ser seca, dependendo das condições atmosféricas do momento. A grande estiagem do verão de 2013-2014 em São Paulo, segundo ele, também foi um evento extremo desencadeado, inicialmente, por uma “explosão” de chuva no sudeste asiático.
Diante das previsões, Dias tomou as precauções que podia em sua fazenda: contratou uma equipe para cavar canais adicionais de drenagem em uma área onde ele acabara de plantar café, antes do Natal. Foi a salvação da lavoura. Em um dia, no fim de janeiro, chegou a chover 126 milímetros em 24 horas — uma verdadeira enxurrada, que teria levado grande parte do café novo embora, não fosse pelos canais de escoamento que ele havia feito. “A lição disso é prevenção”, resume Dias.
Dito isso, fica a dúvida: será que os prefeitos de Belo Horizonte, de São Paulo e das outras várias cidades afetadas pelas chuvas das últimas semanas (e dos últimos anos) poderiam ter tomado medidas preventivas para evitar, ou ao menos reduzir, os estragos causados pelos temporais?
Há algumas medidas que podem ser tomadas de forma emergencial — por exemplo, a evacuação de pessoas de áreas de risco, sujeitas a alagamentos e deslizamentos. Mas a adaptação das cidades à mudança do clima exige mudanças muito mais sistêmicas e estruturais do que isso, segundo os especialistas.
“Roleta russa” climática
Ainda que não seja possível prever exatamente onde e quando cada evento climático extremo vai acontecer, é possível dizer com certeza que a frequência desses eventos está aumentando, e que as tendências — segundo os melhores e mais confiáveis modelos de previsão climática disponíveis — é que eles continuem se tornando cada vez mais frequentes e intensos à medida que a temperatura do planeta aumenta. Ou seja, a probabilidade de uma cidade qualquer sofrer com extremos de temperatura, chuvas e estiagens nos próximos anos é imensa. Mais cedo ou mais tarde, todos serão atingidos pela mudança do clima. Portanto, todos precisam se precaver.
“É uma roleta russa”, diz o diretor do Instituto de Biociências (IB) e coordenador do programa USP Cidades Globais, Marcos Buckeridge. “Precisamos ficar preparados para o pior.”
“Era óbvio que uma tempestade dessa dimensão chegaria a São Paulo, após os desastres em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Os eventos extremos gerados pelas mudanças climáticas vieram para ficar e serão cada vez mais contundentes. O governo não pode mais continuar negligenciando essa questão”, escreveu o urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, em artigo publicado no site da Folha de S. Paulo, no fim da tarde de 10 de fevereiro, com a cidade ainda debaixo d’água.
Chuvas fortes, estiagens e ondas de calor (ou frio) sempre existiram e continuarão a existir — isso não é novidade; faz parte da variabilidade natural do clima. A mudança trazida pelo aquecimento global está na frequência e na intensidade com que esses fenômenos ocorrem, elevando drasticamente o risco que eles oferecem para os grandes centros urbanos. As tragédias não decorrem do clima propriamente dito, mas da interação desses extremos climáticos com uma série de problemas urbanísticos e sociais das cidades brasileiras — que também não é novidade, mas se tornam mais agudos, dolorosos e difíceis de remediar à medida que o clima fica mais extremo, com mais frequência.
“Não é correto achar que as mudanças climáticas globais não tenham a ver com o que está ocorrendo agora. Elas não são o único motivo, mas contribuem, junto aos nossos erros de urbanização, para esta situação terrível em que nos encontramos”, afirma Buckeridge. “Os governos não erram apenas agora. Erraram ao ignorar, durante décadas, as advertências dos cientistas. A pergunta agora é: continuaremos a ignorar os avisos?”
A canalização de rios e a impermeabilização do solo são problemas graves, que impedem o escoamento natural da água da chuva. As margens dos rios Tietê e Pinheiros alagam porque foram feitas para isso — são as chamadas várzeas, ou planícies de inundação, que inundam naturalmente em períodos de cheia. O problema é que agora, em vez de florestas e campos, elas são cobertas de asfalto; além do fato de o curso desses rios ter sido completamente alterado e suas bordas, cobertas de concreto. A falta de cobertura verde, por sua vez, aumenta o calor e dificulta o escoamento da água nas partes mais internas da cidade.
“Os eventos extremos não criam, mas potencializam desigualdades e deficiências que nossas cidades já têm”, diz Gabriela Di Giulio, professora do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública e membro do Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade do Instituto de Estudos Avançados da USP, que estuda comunicação de risco, governança e impacto humano das mudanças climáticas (assista abaixo a apresentação dela sobre o tema no USP Talks).
Os vários eventos extremos registrados no Sudeste nos últimos anos, segundo Gabriela, deixam claro que a necessidade de adaptação das cidades às mudanças climáticas não é um desafio para o futuro, mas uma demanda “para ontem”.
“Os dados estão aí; o aumento dos extremos é uma realidade”, diz o meteorologista José Marengo, coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). “Não é uma projeção para o futuro, é algo que estamos vivendo agora.”
Dados da estação meteorológica do IAG-USP mostram que o número de temporais com mais de 80 milímetros de chuva em São Paulo foi quase seis vezes maior no período de 2000 a 2018 (com 23 eventos) do que nas décadas de 1940 e 1950 (com 4 eventos), por exemplo, segundo um estudo coordenado pelo Cemaden que deverá ser publicado em breve. No caso de chuvas extremas, acima de 100 mm, o aumento foi de quatro vezes no mesmo período (8 contra 2). E só neste ano já tivemos duas tempestades acima desse volume — incluindo a tempestade do último dia 10.
O problema não se restringe às grandes metrópoles. Uma das maiores tragédias associadas a extremos climáticos ocorreu na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, em 2011, quando deslizamentos e enchentes mataram mais de 900 pessoas em municípios como Teresópolis e Nova Friburgo.
Outra vulnerabilidade urbana que é exacerbada pelas mudanças climáticas, segundo os pesquisadores, é a desigualdade social. Tipicamente, as populações mais afetadas pelos extremos climáticos são as mais pobres, forçadas a viver em áreas de risco, como encostas de morros e margens de rios ou córregos.
“Nós vamos ter que pensar nisso: para fazer as medidas de adaptação no futuro, alguns vão pagar com a vida — e aí não tem preço, não dá para a gente precificar. Do ponto de vista da infraestrutura nós vamos gastar muito mais (…) do que se nos precavêssemos de trabalhar agora”, reforça Buckeridge.
“A tragédia deve servir de alerta para que a sociedade se conscientize de que a mudança climática é uma questão que afeta de forma dramática a vida dos cidadãos, que o planejamento urbano é indispensável para enfrentar o problema das enchentes e que apenas medidas estruturais, proporcionais a esse desafio, podem garantir resultados sustentáveis para aliviar os graves efeitos dos eventos climáticos extremos”, resumiu Bonduki. (ecodebate)

Janeiro registra aumento de 74% no desmatamento da Amazônia

Janeiro/20 registrou aumento de 74% no desmatamento da Amazônia, mostra monitoramento do Imazon.
No primeiro mês de 2020, a floresta perdeu 188 km² de área verde. O Pará está pelo sétimo mês consecutivo no topo do ranking dos estados que mais desmatam a Amazônia.
O ano de 2020 começa com notícias ruins para a floresta Amazônica. Somente no primeiro mês do ano, o desmatamento cresceu 74% em comparação a janeiro de 2019. Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). De acordo com o sistema de monitoramento do instituto, a floresta perdeu uma área de 188 km² de mata em janeiro deste ano. No ano passado, janeiro registrou 108 km² de área desmatada na floresta.
O Pará está pelo sétimo mês consecutivo no topo do ranking dos estados que mais desmatam na Amazônia. De toda a área derrubada em janeiro deste ano, 28% pertencia ao território paraense. Em seguida vem os estados do Mato Grosso (26%), Rondônia (15%), Amazonas (13%), Roraima (13%), Acre (4%) e, por último, Amapá (1%). Senador José Porfírio (PA), Lábrea (AM), Rorainópolis (RR) são os três municípios que mais registraram alertas de desmatamento.
A Ituna/Itatá, no Pará, foi a Terra Indígena mais desmatada em janeiro. Pelo terceiro mês seguido, a TI paraense figura na primeira posição da lista. Somente no primeiro mês do ano, a Ituna/Itatá perdeu 9 km² de sua área de floresta. As Terras Indígenas Yanomami (AM/RR) e Alto Rio Negro (AM) aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente, no ranking das que mais foram alvos do desmatamento em janeiro.
Degradação – O sistema de monitoramento do Imazon detectou ainda os dados de degradação na Amazônia no começo de 2020. A área total de floresta degradada saltou de 11 km², em janeiro do ano passado, para 163 km², em janeiro deste ano. O Mato Grosso liderou o ranking com 78% da degradação na região, em seguida vem Pará (15%), Rondônia (2%), Roraima (2%), Acre (1%), Amazonas (1%) e Tocantins (1%).
Desmatamento e degradação – O Imazon classifica desmatamento como o processo de realização do corte raso, que é a remoção completa da vegetação florestal. Na maioria das vezes, essa floresta é convertida em áreas de pasto. Já a degradação é caracterizada pela extração das árvores, normalmente para fins de comercialização da madeira. Outros exemplos de degradação são os incêndios florestais, que podem ser causados por queimadas controladas em áreas privadas para limpeza de pasto, por exemplo, mas que acabam atingindo a floresta e se alastrando.
SAD – O Sistema de Alerta de Desmatamento é uma ferramenta de monitoramento, baseada em imagens de satélites, desenvolvida pelo Imazon para reportar mensalmente o ritmo do desmatamento e da degradação florestal da Amazônia. Operando desde 2008, atualmente o SAD utiliza os satélites Landsat 7 (sensor ETM+), Landsat 8 (OLI), Sentinel 1A e 1B, e Sentinel 2A e 2b (MSI) com os quais é possível detectar desmatamentos a partir de 1 hectare mesmo sob condição de nuvens.
Imazon – O Imazon é um instituto brasileira de pesquisa, sem fins lucrativos, composto por pesquisadores brasileiros, fundado em Belém há 30 anos. Através do sofisticado Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), a organização realiza, há mais de uma década, o trabalho de monitoramento e divulgação de dados sobre o desmatamento e degradação da Amazônia Legal, fornecendo mensalmente alertas independentes e transparentes para orientar mudanças de comportamento que resultem em reduções significativas da destruição das florestas em prol de um desenvolvimento sustentável.
(ecodebate)

sexta-feira, 27 de março de 2020

Adaptação à Mudança do Clima: longa distância do papel à ação

Adaptação à Mudança do Clima: do papel à ação, uma longa distância.
Reflexo de temporal em SP abre uma discussão importante sobre o papel do planejamento urbano.
Vocês já devem ter ouvido dizer pelo menos uma vez que o Brasil é um dos países com maior arcabouço legal na área socioambiental. Isso não quer dizer, entretanto, que reflita na execução destes instrumentos. Maior prova recente disso são os efeitos desastrosos dos temporais na região metropolitana de São Paulo e interior, que se avolumaram devido ao mau planejamento urbano de décadas e séculos, e ausência de sistemas de precaução e adaptação.
Se o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, criado em 2016, e a Política Estadual de Mudanças Climáticas (2009), realmente estivessem regulamentados  e em vigor, mortes, desabamentos, deslizamentos e enchentes, entre outros danos, poderiam ter sido amenizados mesmo com os altos índices pluviométricos. Vale dizer, índices que tendem a ser mais rotineiros no nosso dia a dia.
Por 25 vezes a palavra “adaptação” é citada na política estadual. E eis a interpretação básica do termo: “adaptação: iniciativas ou medidas capazes de reduzir a vulnerabilidade de sistemas naturais e da sociedade aos efeitos reais ou esperados das mudanças climáticas”.
E ressalta, que entre os objetivos específicos da política está a implementação de ações de prevenção e adaptação às alterações produzidas pelos impactos das mudanças climáticas, a fim de proteger principalmente os estratos mais vulneráveis da população.
Já nas diretrizes: “cooperar nos preparativos para a prevenção e adaptação aos impactos da mudança do clima, desenvolver e elaborar planos adequados e integrados para a gestão de zonas costeiras, áreas metropolitanas, recursos hídricos e agricultura, bem como para a proteção e recuperação de regiões particularmente afetadas por secas e inundações”.
No papel também está no contexto da comunicação, a existência de um mapa com avaliação de vulnerabilidades e necessidades de prevenção e adaptação aos impactos causados pela mudança do clima, integrado às ações da Defesa Civil, integrando as realidades municipais.
Todos estes itens devem estar em consonância com a Política e Plano Estadual de Recursos Hídricos, como também com a Política Estadual de Resíduos Sólidos.
E um dos mais importantes trechos da Política Estadual de Mudanças Climáticas paulista é que o Poder Executivo estabelecerá um Plano Estratégico para Ações Emergenciais (PEAE), para resposta a eventos climáticos extremos que possam gerar situação de calamidade pública em território paulista, notadamente em áreas de vulnerabilidade direta.
Ao se ater a estes tópicos, a realidade diverge drasticamente, não é? O que se vê é um contingente enorme de cidadãos (ãs) vivendo em morros, em áreas de várzea; rios e córregos naturalmente sinuosos que foram retificados ou canalizados, o que é algo que acentua os efeitos danosos; alta produção e destinação incorreta de resíduos sólidos nas cidades, que acarretam o assoreamento dos corpos hídricos, e a existência ainda de centenas de lixões e aterros controlados. Mais um fator grave são as milhares de vias impermeáveis.
Apesar de termos um sistema de previsão meteorológica dos mais modernos no mundo, os mesmos não são utilizados de forma casada para o sistema de prevenção, alertas à população.
O que aconteceu na capital paulista, em Carapicuiba, Osasco, Botucatu, Santana de Parnaíba, entre outros municípios não pode ser creditado no pacote da “fatalidade”. Ver 7 mil toneladas de alimentos indo para o lixo na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo Ceagesp, que está há décadas em uma região de várzea, é algo que reflete o descaso com algo que não é ignorado pelos gestores. Será que realmente as famílias de seis mortos, em decorrência do temporal, precisavam estar passando por esta situação extrema?
Ter o registro de 10.371 ligações, 2.345 ocorrências, 1043 enchentes, 193 desabamentos / desmoronamentos e 219 quedas de árvores, segundo os bombeiros, é algo que alerta toda sociedade sobre o porvir. Índices pluviométricos acima de 100 milímetros e na ordem de até 190 milímetros (como ocorreu em Itanhaém), na janela de um dia, tendem a se repetir mais vezes.
Nos anos 50, historicamente não havia praticamente dias com chuvas extremas (acima de 50 mm) em um dia. Já na última década, ocorrem até cinco vezes ou mais anualmente, como destaca o climatologista José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Segundo ele, se trata de mudanças climáticas, mas também do contexto da urbanização desordenada, o que é algo que precisa ser pensado emergencialmente no planejamento urbano.
Não se trata de acasos, mas de uma combinação de circunstâncias, que implicam uma outra visão de desenvolvimento. O sustentável não pode ser utilizado como uma palavra vã.  O arcabouço legal, por sua vez, deve se tornar prática, para que não seja instrumento de inação. (ecodebate)

A queda da fecundidade na China e o decrescimento populacional

“A população mundial precisa ser estabilizada e, idealmente, reduzida gradualmente”.
Alerta dos cientistas mundiais sobre a emergência climática (05/11/2019)
A China é o país mais populoso do mundo, mas vai perder este posto para a Índia nos próximos anos e deve apresentar um grande decrescimento populacional no restante do século. Haverá uma grande mudança na estrutura etária, com um forte processo de envelhecimento, como mostrado na figura abaixo.
A China tinha pouco mais de 500 milhões de habitantes em 1950 e o número de nascimentos anuais estava em torno de 20 milhões. Na época do “Grande Salto para Frente” (1958 e 1961) houve uma grande crise de mortalidade (cerca de 30 milhões de óbitos) e uma redução momentânea no número de nascimentos. Mas logo em seguida houve uma recuperação da taxa de natalidade e o número de nascimentos chegou a 30 milhões. No restante da década de 1960, durante a Revolução Cultural, o número anual de nascimentos ficou acima de 25 milhões. Mao Tsé-tung achava que uma população grande era mais impactante do que uma bomba atômica e dizia: “quanto mais chineses, mais fortes seremos”.
A população da China que era de 554 milhões de habitantes em 1950 passou para quase 900 milhões no início da década de 1970. O rápido crescimento populacional convenceu até o presidente Mao de que algo deveria ser feito para evitar a continuidade da explosão demográfica. Assim, foi lançada a política “Mais Tarde, Mais Tempo e em Menor Número” (em chinês: “Wan, Xi, Shao” e em inglês: “later, longer, fewer”) que incentivava as mulheres a terem o primeiro filho em idades mais avançadas, que mantivessem um espaçamento maior entre os filhos e que limitasse o tamanho da prole, adotando um tamanho pequeno de família.
A política “Wan, Xi, Shao” foi um sucesso e, em pouco tempo, o número anual de nascimentos ficou abaixo de 20 milhões. Porém, no bojo das reformas implementadas por Deng Xiaoping em dezembro de 1978, foi instituída a “Política de filho único”, a iniciativa controlista mais draconiana da história da humanidade. Entre 1980 e 2000, o número anual de nascimentos ficou acima de 20 milhões devido à alta proporção de mulheres em período reprodutivo. A taxa de fecundidade estava caindo, mas o número de nascimentos permanecia alto, pois, embora as mulheres estivessem tendo menos filhos em média, havia mais mulheres tendo filho.
Passado o efeito da estrutura etária (que tinha alta proporção de mulheres em período reprodutivo), o número anual de nascimentos começou a cair e ficou em torno de 16 milhões de bebês, espantando de vez a possibilidade de um crescimento desregrado da população. Neste novo contexto, o governo chinês colocou fim à política de filho único. Em outubro de 2015, foi permitido a todos os casais terem o segundo filho e, em 2018, foram eliminadas as restrições ao controle dos nascimentos.
Contudo, a maior liberdade reprodutiva não implicou em um surto de nascimentos. Em 2016, imediatamente depois que se permitiu o segundo filho, nasceram 17,9 milhões de crianças, de acordo com a Agência Nacional de Estatísticas da China. Apenas 1,3 milhão a mais do que em 2015 e metade do que o Governo previa. Já em 2017, o número de nascimentos foi ainda menor, 17,2 milhões de novos bebês, muito abaixo dos 20 milhões estimados pelas autoridades. Em 2018, nasceram 15,2 milhões de bebês e, em 2019, houve o recorde de baixa com 14,7 milhões de nascimentos, conforme o gráfico abaixo.
Como a taxa de fecundidade está abaixo do nível de reposição desde a década de 1980, haverá um grande decrescimento da população chinesa após o pico demográfico que deve ocorrer em 2029, com cerca de 1,44 bilhão de habitantes.
O gráfico abaixo, da Divisão de População da ONU, mostra que a população da China que dobrou de tamanho entre o início da Revolução Comunista e meados da década de 1980, desacelerou o ritmo de crescimento demográfico e deve iniciar uma trajetória de queda que será bastante significativa. Na projeção média, a população chinesa deve cair para 1,06 bilhão de habitantes em 2100. Na projeção alta (muito pouco provável) o número poderia ficar em 1,58 bilhão. Mas na projeção baixa, a população chinesa poderia ficar em “somente” 684 milhões de habitantes.
A população chinesa em idade economicamente ativa (PIA), de 15 a 64 anos, que era de 341 milhões de pessoas em 1950 deu um salto para 1,015 bilhão em 2015. Mas já começou a cair e deve chegar a 814,9 milhões em 2050 e a 555 milhões em 2100. Ou seja, na projeção média, a PIA chinesa deve se reduzir praticamente pela metade no restante do século XXI, lançando dúvidas sobre a capacidade de manter a estrutura produtiva em funcionamento.
Evidentemente, existem muitas forças populacionistas que tentam espalhar o pânico sobre o decrescimento demográfico da China. Contudo, a despeito das preocupações pronatalistas, o governo chinês está mais interessado em avançar na implementação da 4ª Revolução Industrial e nas tecnologias poupadoras de mão de obra. Com a automação e a robotização da economia a China pretende manter a produção em alta, mesmo com menor oferta de força de trabalho. O plano “Made in China 2025” visa promover um avanço da estrutura produtiva e a produção de bens de maior valor agregado e menos dependente de uma oferta ilimitada de mão de obra. As tecnologias do século XXI serão intensivas em capital, ciência e tecnologia e serão poupadoras de trabalho vivo. População menor mas com maior produtividade.
Assim, o fim da “Política de filho único” não significa que a China terá um aumento significativo da taxa de fecundidade e nem evitará um declínio da população ao longo do atual século. Pelo contrário, a liberdade de escolha e o respeito aos direitos sexuais e reprodutivos podem conviver com o encolhimento populacional e o aumento da renda per capita.
O surto de coronavírus de 2020 não deve ter um impacto muito grande na dinâmica demográfica chinesa, mas pode acelerar um pouco este processo de decrescimento da população, na medida em que a paralisação da economia induz as pessoas a adiar o casamento e o nascimento do primeiro ou do próximo filho. A SARS (Síndrome respiratória aguda grave) adoeceu 8.098 pessoas e matou 774 antes de ser contida. O novo coronavírus (2019-nCoV), que se originou na cidade de Wuhan, na China, já matou cerca de 2000 pessoas e infectou cerca de 100 mil pessoas. Ou seja, a tendência de diminuição do número de nascimentos deve continuar.
A queda da fecundidade chinesa, e o consequente decrescimento populacional, podem contribuir para aumentar a renda per capita do país (melhorando as condições sociais de vida) e, principalmente, pode contribuir para minorar os impactos ambientais, pois a China é o país mais poluidor do mundo.
Quanto menor o número de pessoas, ceteris paribus, menor será a pressão sobre os ecossistemas e menores serão as emissões de CO2 responsáveis pelo aquecimento global. (ecodebate)

Conheça a sacola que ao cair no mar vira comida de peixe

Recentemente, o biólogo Kevin Kumala criou uma sacola que, ao cair no mar, vira comida para peixes. Feita de mandioca, essa pode ser uma possível solução para os problemas que enfrentamos com o plástico.
Depois de criar o produto, o biólogo desenvolveu e passou a vender produtos que aparentam ser feitos de plástico. Mas não prejudicam o meio ambientes por possuírem como matéria-prima, o tubérculo.
Uma nova forma de produzirmos plástico.
No ano de 2014, Kevin criou a empresa Avani Eco, em Bali, na Indonésia. Lá, ele vende sacolas, canudos, talheres, copos e embalagens, todos feitos com materiais sustentáveis. Contudo, ao contrário do plástico que conhecemos, o tempo de decomposição deles é de cem dias, enquanto o plástico leva 400 anos. "Nossos sacos de mandioca de tamanho médio podem transportar até 8 libras (3,5 kg) se transportar produtos secos", diz o perfil da empresa no Instagram que pode ser encontrado aqui.
Segundo o site da empresa, ela já conseguiu substituir três toneladas de produtos não sustentáveis desde 2016. Para imaginarmos esse número, ele pode ser comparados a 100 Jeep Chreokee ou 1000 Honda Vario. "Nós buscamos continuamente nos tornar uma ponte para ajudar e encorajar iniciativas que gerem um impacto sustentável para o meio ambiente. Encorajando o uso "responsável" como valor central dos três fatores chave: reduzir, reutilizar, reciclar", diz o site da Avani Eco.
Para se ter uma ideia, em 2050, o mundo terá produzido 33 bilhões de toneladas de plásticos. E para se decompor, todo esse material levará cerca de 400 anos. "Bali é um lugar paradisíaco, porém o lixo plástico já tem prejudicando nosso ecossistema. Por isso, criamos soluções naturais para substituir o uso de componente", disse Kevin Kumala, biólogo e fundador da empresa. Além do amido de mandioca, outros produtos também utilizam materiais naturais em sua fabricação. Por exemplo, copos e canudos feitos com amido de milho e marmitas produzidas com extrato de cana-de-açúcar.
Luta para deixarmos de lado as sacolinhas plásticas.
De fato, o uso desenfreado de sacolas plásticas tem causado sérios problemas. Por exemplo, podemos citar a poluição a vida marinha, mas também, a poluição tem prejudicado os seres humanos. Com isso, cientistas já provaram que há microplásticos em nosso corpo e que, inclusive, causam danos à saúde. Pensando nisso, o modelo proposto pela Avani Eco, pode ser uma possível solução para essa problemática.
Mesmo sendo quase invisíveis aos olhos humanos, já sentimos os estragos feitos pelos microplásticos. De todo modo, eles não ultrapassam os 5 milímetros. Dessa forma, plânctons e pequenos animais se alimentam do plástico contaminado e, ao serem comidos por peixes maiores, propagam a intoxicação. No final da cadeia, inevitavelmente, é o ser humano que irá se ser contaminado, ao se alimentar desses peixes. Entre os problemas envolvendo o plástico, estão disfunções hormonais, imunológicas, neurológicas e reprodutivas.
De todo modo, mesmo que não tenhamos um acesso tão facilitado ao plástico criado por Kevin, ainda podemos tomar outras medias.
Por isso, utilize menos, reutilize e recicle produtos que sejam feitos de plástico. Além disso, processos de coleta seletiva são fundamentais, para lidarmos com o plástico que já estamos produzindo. (fatosdesconhecidos)

quarta-feira, 25 de março de 2020

Desperdício de alimentos pode ser mais que o dobro do estimado

Os consumidores provavelmente estão desperdiçando muito mais comida do que se costuma acreditar, de acordo com um estudo publicado em 12/02/2020, na revista de acesso aberto PLOS ONE, por Monika van den Bos Verma e colegas da Universidade e Pesquisa Wageningen, na Holanda. As estimativas amplamente usadas não explicam os efeitos da riqueza no comportamento do consumidor – e consumidores ricos desperdiçam mais comida.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estimou que, em 2005, um terço de todos os alimentos disponíveis para consumo humano foram desperdiçados – alimentos adequados ao consumo humano, mas não consumidos. Esse número continua a servir como referência para a extensão do desperdício global de alimentos ao longo da cadeia de suprimento de alimentos. Usando a estimativa da FAO de um terço, a literatura existente calculou um número correspondente em calorias – 24% das calorias foram desperdiçadas e oito dos 24% foram desperdiçados apenas pelos consumidores.
Como a riqueza pode afetar o desperdício de alimentos
No entanto, a metodologia da FAO e, portanto, a estimativa de desperdício de calorias com base nela, não leva em consideração o comportamento do consumidor em relação ao desperdício de alimentos; somente o suprimento de alimentos determina a extensão do desperdício de alimentos. Este estudo é o primeiro a investigar se e como a riqueza do consumidor pode afetar o desperdício de alimentos. Usando um modelo de metabolismo humano e dados da FAO, do Banco Mundial e da Organização Mundial da Saúde, Van den Bos Verma e colegas quantificaram a relação entre desperdício de alimentos e riqueza do consumidor. Usando esse modelo, eles criaram um conjunto de dados internacional que fornece estimativas de desperdícios de alimentos globais e específicos de cada país.
Seus resultados sugerem que o número de oito por cento é muito baixo e os consumidores podem ser responsáveis por até dezenove por cento. Os autores também descobriram que quando a riqueza do consumidor atinge um limite de gastos de aproximadamente US $ 6,70 por pessoa por dia, o desperdício de alimentos começa a aumentar – aumentando rapidamente com o aumento da riqueza no início e, em seguida, a taxas muito mais lentas em níveis mais altos de riqueza. Isso sugere que, mesmo na categoria de renda média-baixa, os países do extremo mais alto do espectro já enfrentam o risco de um rápido aumento no desperdício de alimentos.
Portanto, para alcançar baixo desperdício global de alimentos, precisamos reduzir o desperdício de alimentos em países de alta renda e também impedir que ele suba rapidamente nos países que atingem o limiar. (ecodebate)

Construções precisam aumentar áreas verdes e captar água da chuva

Drenagem Urbana: Construções precisam aumentar áreas verdes e captar água da chuva.
Telhados verdes podem captar água da chuva e evitar enchentes. É preciso diminuir a impermeabilização nas cidades para melhorar a drenagem urbana.
As fortes chuvas em Belo Horizonte e São Paulo trouxeram à tona a grande problemática das enchentes que afeta não só essa região, mas outras cidades também. O desafio é diminuir a impermeabilização nas cidades para melhorar a drenagem urbana. Isso significa aumentar áreas verdes nos diversos tipos de construções.
“A falta de áreas verdes diminui a capacidade de o solo absorver a água da chuva. Por isso, as construções precisam reservar áreas sem concreto deixando parte do lote permeável. Além disso, é fundamental armazenar água da chuva”, explica o engenheiro agrônomo João Manuel Feijó, diretor da Ecotelhado, empresa especialista em infraestrutura verde e design biofílico.
Feijó lembra que a necessidade de repensar a drenagem urbana não é algo novo. “Em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, aprovou um documento com compromissos denominando a Agenda 21. Em teoria, as prefeituras deveriam estar comprometidas com ações para ampliar áreas verdes e captar água para reduzir as enchentes há muito tempo”.
Segundo ele, para conciliar natureza com a falta de espaço nas cidades, uma alternativa é ampliar a instalação de jardins e telhados verdes com cisternas para amortecer e captar água da chuva.
Telhado verde em Toronto, no Canadá. Uma de suas características é reduzir a velocidade e o volume do escoamento da água da chuva, além de melhorar significativamente a qualidade da água.
“No sistema convencional, a água escoa sobre telhas e vai direto para as ruas. Já com a cobertura verde, ela é recolhida e utilizada para a irrigação do próprio telhado e outros fins não potáveis, como jardinagem. O poder público pode ampliar os incentivos, como reduzir o IPTU, a quem investir em sistemas verdes como esse”, acrescenta.
Benefícios dos telhados verdes
As vantagens de instalar em cobertura de casas e prédios são temperaturas mais amenas no verão e no inverno, isolamento acústico, conforto térmico e, consequentemente, economia de energia, redução das ilhas de calor nos centros urbanos e reaproveitamento de água. A cobertura verde também a aumenta a biodiversidade na cidade, reduz a poluição e proporciona bem-estar.
Como funciona o telhado verde com bacia de amortecimento Azul e Verde da Ecotelhado.
A água é retida através de uma estrutura colocada abaixo da vegetação formando uma bacia superior colocada sobre a laje. Assim, o excesso de chuva infiltra para a bacia de amortecimento e, lentamente, a água passa pelo tubo inferior de menor diâmetro. Além disso, quando a intensidade da chuva aumenta, a água passa a escoar também pelo tubo superior.
Telhado verde com bacia de amortecimento Azul e Verde. (ecodebate)

Onda de calor extremo mata 4,5 mil raposas-voadoras na Austrália

A Austrália vive o verão mais quente e seco de sua história. Desde setembro do ano passado, os incêndios florestais destruíram cerca de 10 milhões de hectares. Cientistas apontam que mais de 1 bilhão de animais foram mortos ou feridos pelas chamas. Entre as vítimas estão espécies endêmicas – ou seja, que só ocorrem naquele local, como coalas, cangurus e alguns marsupiais. Segundo dados da organização internacional World Wildlife Fund (WWF), um terço da população de coalas foi dizimada pelos incêndios apenas em Nova Gales do Sul. Tão letal quanto o fogo, as ondas de calor provocaram efeitos avassaladores para a raposa-voadora-de-cabeça-cinza.
Entre 1994 e 2007, um estudo constatou que aproximadamente 30 mil raposas-voadoras morreram devido ao calor extremo na Austrália. A morte de alguns animais no verão é considerada normal, mas desta vez o impacto foi devastador. O mês de dezembro do ano passado registrou uma sequência de dias quentes que culminou com um fenômeno mortal de três dias, com pico de cerca de 43°C em 20 de dezembro. Foi quando o Parque Yarra Bend, próximo ao centro de Melbourne, registrou o ecocídio de 4,5 mil raposas-voadoras. O caso foi divulgado pela National Geographic.
A elevada taxa de mortalidade tem relação direta com filhotes. O calor veio com toda força logo após o nascimento de centenas de animais. Os morcegos jovens ainda estavam em fase de amamentação, o que os deixou ainda mais vulneráveis às altas temperaturas, bem como suas mães.

Raposas-voadoras estão morrendo em massa devido ao calor extremo na Austrália. No fim de 2019, milhares de mamíferos morreram em um parque de Melbourne devido ao calor de mais de 43°C.

Um dia de calor é extremamente complicado para a raposa-voadora. Ao amanhecer, elas retornam às árvores depois de seu banquete noturno. Às 8h, os ninhos se aquecem. Elas batem as asas para se refrescar, mas logo se cansam. Debaixo do sol do meio dia, os animais já estão exaustos e começam a ficar ofegantes, acelerando a desidratação. Nessas condições, voar até um rio para se refrescar não é uma opção, por falta de energia.
As mães então carregam seus filhotes para um galho isolado e se afastam em busca de um local fresco. Ao encontrar um porto seguro, instintivamente outros morcegos seguem o mesmo caminho. É quando a situação fica incontrolável. Os que chegaram primeiro já não têm ar fresco e são “esmagados” pelos outros, criando uma confusão generalizada. Neste momento, equipes do parque disparam jatos de água para refrescar os animais e tentar desfazer os aglomerados. Mas no ano passado, o calor não deu trégua.
Embora não sejam tão carismáticas quanto os coalas, as raposas-voadoras-de-cabeça-cinza exercem um papel fundamental no ecossistema. Elas transportam sementes e polinizam árvores, desempenhando uma função vital para o nascimento de novas árvores que, por sua vez, proverão abrigo e alimento para outras dezenas de espécies. É extremamente importante compreender que cada animal e planta desempenham um papel no ciclo da natureza, que está diretamente ligado à nossa existência. Prova disso são os efeitos diretos e indiretos dos incêndios da Austrália em outros países.
Queimadas dessas proporções lançam na atmosfera quantidades massivas de gases de efeito estufa, que aumentam a temperatura média da Terra e aceleram os efeitos das mudanças climáticas. Segundo reportagem da revista Galileu, a neve das geleiras da Nova Zelândia ficou marrom graças às cinzas trazidas pelo vento do país vizinho. Isso acelera o derretimento do gelo, pois impede que os raios solares sejam refletidos e, como resultado, a neve absorve mais luz e calor. Na América do Sul, a fumaça chegou no Chile, Argentina e, aqui no Brasil, no Rio Grande do Sul.

Tamsyn Hogarth, socorrista de morcegos, segura uma jovem raposa-voadora-de-cabeça-cinza resgatada no Parque Yarra Bend. Hogarth administra a Fly By Night, uma clínica de resgate e reabilitação de raposas-voadoras. Ela e outros voluntários resgataram 255 filhotes de raposas-voadoras do parque em dezembro/2019.

Tudo está interligado. É urgente que todos os cidadãos entendam essa conexão e lutem para que ela seja saudável, pelo bem de todos nós. (ecodebate)

segunda-feira, 23 de março de 2020

Janeiro de 2020 foi o mês mais quente já registrado

Janeiro de 2020 foi o mês mais quente já registrado; A tendência em longo prazo de temperaturas acima da média continua.
No período de 141 anos de registros climáticos, nunca houve um janeiro mais quente que o mês passado, de acordo com cientistas dos Centros Nacionais de Informação Ambiental da NOAA.
Além disso, a saída de temperatura da média foi a maior partida mensal já registrada sem um El Niño presente no tropical Oceano Pacífico.
Janeiro 2020 marcou o 44º janeiro consecutivo e o 421º mês consecutivo com temperaturas, pelo menos nominalmente, acima da média do século XX.
Vejam mais dados do relatório climático global de janeiro da NOAA:
Clima pelos números
Janeiro 2020
A temperatura global da superfície terrestre e oceânica de janeiro foi a mais alta registrada em 2,05°F (1,14°C) acima da média do século XX. Isso superou o recorde estabelecido em janeiro de 2016 em 0,04 de um grau F (0,02 de um grau C).
Os quatro janeiro mais quentes documentados no registro climático ocorrem desde 2016; os 10 mais quentes ocorreram desde 2002.

Quebrando o mês com os hemisférios, o Hemisfério Norte também registrou seu mês mais quente de janeiro, a 2,5°F (1,5°C) acima da média. O Hemisfério Sul teve uma partida de 1,4° F (0,78°C) acima da média – seu segundo mês mais quente já registrado após janeiro de 2016.
Um mapa do mundo observando alguns dos eventos climáticos mais significativos que ocorreram em janeiro de 2020. Para mais detalhes, consulte as balas abaixo nesta história e em http://bit.ly/Global202001.

Download da imagem
Eventos climáticos mais notáveis no relatório de janeiro
# Muito calor regional. Temperaturas recorde foram observadas em partes da Escandinávia, Ásia, Oceano Índico, Oceano Pacífico central e ocidental, Oceano Atlântico e América Central e do Sul. Nenhuma área terrestre ou oceânica apresentava temperaturas recorde em janeiro.
A cobertura polar do gelo marinho permaneceu menor que o normal. A extensão (cobertura) do gelo do mar Ártico ficou 5,3% abaixo da média de 1981 a 2010, vinculando 2014 como a oitava menor extensão de janeiro no recorde de 42 anos. A cobertura antártica de gelo marinho durante janeiro ficou 9,8% abaixo da média e empatou com janeiro de 2011 como o décimo menor.
# Faltava cobertura de neve. A cobertura de neve do Hemisfério Norte estava abaixo da média de 1981 a 2010, com a menor cobertura de neve de janeiro no recorde de 54 anos.
(ecodebate)

O lixo atrapalha, mas não é o vilão das enchentes

O lixo urbano irregularmente lançado ou disposto tem sido apontado por um sem número de vozes como o responsável maior pelas enchentes. Essa tese tem sido insistentemente sustentada por autoridades públicas, com acrítica aceitação por boa parte da mídia e, pasmem, pela própria população de nossas cidades.
No entanto, como veremos, é uma tese perigosa e equivocada que, ao espertamente jogar à população, por consequência de uma sua eventual falta de educação, a culpa pelas enchentes, como também se jogam as chuvas às costas de Deus, desvia o foco das atenções, subtrai a importância das verdadeiras maiores causas e alivia a responsabilidade dos seguidos governos que não as atacam devidamente.
As enchentes urbanas são explicadas pelo incrível aumento do volume de águas de chuva que aflui, em tempos sucessivamente menores, para um sistema de drenagem (córregos, rios, bueiros, galerias, canais…) progressivamente incapaz de lhe dar a devida vazão.
Esse aumento do volume de água e a redução do tempo em que chega às drenagens são promovidos essencialmente pela impermeabilização do solo urbano e pela cultura de canalização e retificação de drenagens naturais.
Como um enorme agravante a esse quadro, considere-se ainda o fantástico grau de assoreamento dessas drenagens por sedimentos provenientes dos intensos processos erosivos que ocorrem particularmente nas faixas periféricas de expansão da cidade. Esse assoreamento acaba por reduzir ainda mais a já comprometida capacidade de vazão de toda a rede drenagem.
Ou se ataca essa questão, através de medidas que recuperem ao máximo a capacidade da cidade em reter as águas de chuva, seja por infiltração, seja por acumulação (pequenos reservatórios domésticos e empresariais, calçadas, valetas e pátios drenantes, bosques florestados e arborização intensa, etc,) e combatam a erosão em sua origem, ou nunca nos livraremos do flagelo das enchentes. As bilionárias obras de alargamento e aprofundamento das calhas de nossos rios principais são necessárias, mas a realidade mostra que são insuficientes e já se aproximam de seu limite de benefícios.
O lixo? Claro que o lixo é um fator complicante, e seu lançamento irregular deve ser combatido de todas as formas. Mas seus efeitos principais são para um tipo de enchente muito localizado, junto às proximidades de um bueiro obstruído ou em uma situação que exija o funcionamento de bombas de sucção, por exemplo. Vejam que nas cenas televisadas de enchentes é muito mais comum ver-se água jorrando dos bueiros e bocas de lobo do que sendo impedida de entrar. Essas águas que jorram são o retorno das águas para as quais as galerias e córregos não conseguem dar a devida vazão.
Por outro lado, é importante considerar que do volume total do material de assoreamento das drenagens 90% são constituídos por sedimentos provenientes dos processos erosivos nas frentes de expansão das cidades, e apenas 10% são constituídos por lixo urbano e entulho de construção civil.
Note-se ainda que muito provavelmente apenas uma pequena parte do lixo disperso nas drenagens da cidade seria proveniente do ato deseducado de se lançá-lo irregularmente, há problemas ainda bem sérios de deficiências de recolhimento do lixo doméstico, especialmente em áreas habitacionais irregulares de baixa renda.
Enfim, o sucesso de um programa de combate às enchentes exige, antes de mais nada, a compreensão exata de toda a dinâmica causal do fenômeno, assim como a corajosa decisão das autoridades públicas e privadas em assumir suas intrínsecas responsabilidades. O que não condiz com a comodidade de se jogar às costas da população a culpa pelos problemas. (ecodebate)

Queima de combustíveis fósseis mata mais de 4 milhões de pessoas/ano

Queima de combustíveis fósseis mata mais de 4 milhões de pessoas por ano.
A poluição do ar provocada pela queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, o gás e o carvão, é responsável por mais de quatro milhões de mortes prematuras no mundo. O número é três vezes superior ao de mortes causadas por acidentes automobilísticos e está em linha com os que vêm sendo apontados pela Organização Mundial da Saúde.
De acordo com um relatório recém-publicado de autoria do Greenpeace Southeast Asia (GSA) e do Centre for Research on Energy and Clean Air – um centro de pesquisa sobre poluição e respetivos impactos –as crianças são as principais afetadas pela qualidade do ar, representando quase 400 mil deste universo de quatro milhões.
Os mais novos são ainda destacados no estudo a propósito da asma, que atinge quase 16 milhões de crianças.
Poluição do ar mata mais que o tabaco, alertam cientistas.
Um dos responsáveis do GSA resume o problema. “Todos os anos a poluição do ar vinda de combustíveis fósseis leva milhões de vidas, aumenta o nosso risco de enfarte, câncer de pulmão e asma, além de nos custar bilhões de dólares”, afirmou Minwoo Son, coordenador da Unidade Global de Poluição do Ar da ONG.
Segundo o mesmo estudo, os custos para a economia global chegam a US$ 8 bilhões de dólares por dia – cerca de 3,3% do PIB mundial. Os países onde o prejuízo é maior são China, Estados Unidos da América e Índia.
Os investigadores garantem que todos “sabemos como resolver” o problema: “fazer a transição para fontes de energias renováveis, eliminar progressivamente os carros a diesel e a gasolina, e criar transporte público”, aponta Minwoo Son.
Poluição do ar é “um assassino silencioso” que mata milhões de pessoas por ano.
“Precisamos ter em conta o custo real dos combustíveis fósseis, não apenas para o nosso planeta em rápido aquecimento, mas também para a nossa saúde”. (biodieselbr)

sábado, 21 de março de 2020

Eletrificação na Europa pode reduzir em 60% emissões até 2050

Estudo da BloombergNEF aponta que é necessário ações de formuladores de politicas para que as mudanças ocorram.
A eletrificação dos setores de transporte, edifícios e indústrias na Europa pode reduzir em 60% as emissões de gases de efeito estufa até 2050. A conclusão faz parte de um novo relatório publicado pela BloombergNEF (BNEF), divulgado na última terça-feira, 11 de fevereiro. Escrito em parceria com a Eaton e a Statkraft, intitulado “Setor de acoplamento na Europa: alimentando a descarbonização” aponta que esse caminho pode ocorrer através de uma mistura de alterações classificadas de diretas e indiretas.
A primeira envolveria a proliferação de veículos elétricos no máximo possível do setor de transportes e a expansão de sistemas de aquecimento elétrico, como bombas de calor em edifícios e em algumas partes da indústria. Já a indireta refere-se a uma mudança para o “hidrogênio verde” – produzido por eletrólise usando eletricidade renovável – como combustível para fornecer calor aos edifícios e ao maior número de processos industriais possível, que, de outro modo, dependeriam de combustíveis fósseis.
Apesar desse cenário, serão necessárias ações dos formuladores de políticas para que essas mudanças ocorram, avalia a BNEF. Entre as sugestões estão a introdução de incentivos ou requisitos para reduzir as emissões do aquecimento do edifício, apoiar projetos de demonstração para eletrificação e eliminar barreiras à produção de hidrogênio verde. Também devem considerar como envolver os consumidores de energia e a sociedade civil nesse processo, pois eles têm um papel crucial a desempenhar na habilitação da eletrificação desses novos setores.
Além disso, lembra Albert Cheung, chefe de análise do BNEF, eletrificar outras áreas da economia terá repercussões significativas para o sistema de energia. Segundo ele, os formuladores de políticas terão que apoiar o reforço e a extensão da rede para lidar com volumes mais altos de energia e mais fontes de energia renováveis, além da implantação de baterias e outras fontes de flexibilidade para equilibrar o sistema.
União Europeia decide encerrar até 2050 a era dos combustíveis fósseis no bloco. Comissão Europeia defende benefícios econômicos de eliminar por completo os gases do efeito estufa na região até meados deste século.
Potência e flexibilidade
No relatório, a BNEF estima que o sistema de energia possa precisar de 75% a mais de capacidade de geração até 2050, em comparação com o que seria necessário sem o acoplamento adicional do setor, com usinas eólicas e solares de baixo custo compreendendo a maior parte disso. O sistema de energia também precisaria ser mais flexível devido aos diferentes padrões de consumo de energia de aquecimento e transporte. Ao mesmo tempo, os setores recém-eletrificados poderiam criar novas fontes dessa ‘flexibilidade’ alterando seus padrões de consumo desde que as políticas e tecnologias corretas estejam em vigor.
Esse caminho de eletrificação permitiria que a energia (direta e indiretamente) respondesse por até 60% da demanda final de energia por esses setores, em comparação com os atuais 10%. Isso ainda estaria longe de descarbonização total para esses setores. Isso se deve às várias atividades difíceis de reduzir, incluindo aviação, transporte marítimo, transporte rodoviário de longo curso e processos industriais de alta temperatura, como cimento e aço, além dos longos ciclos de substituição de alguns ativos.
Será importante atender à demanda adicional de energia com fontes limpas, tanto quanto possível, para maximizar os benefícios climáticos da eletrificação. Para o analista, será crucial que governos e reguladores adotem um projeto de mercado de eletricidade que permita aos desenvolvedores de projetos eólicos e solares, e aqueles que planejam instalações de armazenamento de baterias ou serviços de resposta da demanda, antecipar o nível de retorno que justifica seu investimento. (canalenergia)