sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Mudanças climáticas aumentam o risco de incêndios florestais

Mudanças climáticas aumentam o risco de incêndios florestais, confirma nova revisão de 57 artigos.
Incêndio florestal na Austrália.
As mudanças climáticas induzidas pelo homem promovem as condições das quais os incêndios florestais dependem, aumentando sua probabilidade – de acordo com uma revisão de pesquisa sobre mudança climática global e risco de incêndios publicada em 13/01/20.
À luz dos incêndios na Austrália, cientistas da Universidade de East Anglia (UEA), do Met Office Hadley Center, da Universidade de Exeter e do Imperial College de Londres, realizaram uma revisão de 57 artigos revisados por pares, publicados desde o Quinto Relatório de Avaliação do IPCC, em 2013.
Todos os estudos mostram ligações entre mudanças climáticas e aumento da frequência ou severidade do clima de incêndio – períodos com alto risco de incêndio devido a uma combinação de altas temperaturas, baixa umidade, baixa precipitação e ventos fortes – embora alguns observem anomalias em algumas regiões.
O aumento da temperatura global, as ondas de calor mais frequentes e as secas associadas em algumas regiões aumentam a probabilidade de incêndios florestais, estimulando condições quentes e secas, promovendo o clima de fogo, que pode ser usado como uma medida geral do impacto das mudanças climáticas no risco de ocorrência de incêndios.
Dados observacionais mostram que as estações meteorológicas do fogo se estenderam por aproximadamente 25% da superfície vegetada da Terra, resultando em um aumento de cerca de 20% na duração média global da estação meteorológica do fogo.
A revisão da literatura foi realizada usando a nova plataforma online ScienceBrief.org, criada pela UEA e pelo Tyndall Center for Climate Change Research. O ScienceBrief é escrito por cientistas e tem como objetivo compartilhar ideias científicas com o mundo e acompanhar a ciência, dando sentido às publicações revisadas por pares de maneira rápida e transparente.
O Dr. Matthew Jones, pesquisador associado sênior do Tyndall Center da UEA e principal autor da revisão, disse: “No geral, os 57 artigos analisados mostram claramente que o aquecimento induzido por humanos já levou a um aumento global na frequência e severidade do clima, aumentando os riscos de incêndio”.
“Isso foi observado em muitas regiões, incluindo o oeste dos EUA e Canadá, sul da Europa, Escandinávia e Amazônia”. O aquecimento induzido por humanos também está aumentando os riscos de incêndio em outras regiões, incluindo Sibéria e Austrália.
“No entanto, há também evidências de que os seres humanos têm um potencial significativo para controlar como esse risco de incêndio se traduz em atividade de incêndio, em particular por meio de decisões de gestão da terra e fontes de ignição”.
Em escala global, a área queimada diminuiu nas últimas décadas, principalmente devido à limpeza de savanas para a agricultura e ao aumento da supressão de incêndios. Em contraste, a área queimada aumentou em florestas de copa fechada, provavelmente em resposta às pressões duplas das mudanças climáticas e da degradação das florestas.
O coautor do professor Richard Betts, chefe de pesquisa de impactos climáticos do Met Office Hadley Center e da Universidade de Exeter, disse: “O clima de fogo ocorre naturalmente, mas está se tornando mais severo e generalizado devido às mudanças climáticas. Limitando o aquecimento global a um nível bem abaixo de 2°C ajudaria a evitar novos aumentos no risco de clima extremo de incêndio”.
O professor Iain Colin Prentice, presidente da Biosfera e Impactos Climáticos e diretor do Centro Leverhulme de Incêndios, Meio Ambiente e Sociedade, Imperial College London, acrescentou: “Incêndios não podem ser evitados, e os riscos estão aumentando por causa das mudanças climáticas. É urgente considerar formas de reduzir os riscos para as pessoas. O planejamento da terra deve levar em conta o risco crescente do clima de incêndio”.
A revisão de resposta rápida foi publicada no ScienceBrief.
Os artigos usados na revisão podem ser vistos em: https://sciencebrief.org/topics/climate-change-science/wildfires.
Esta é a primeira revisão a usar o recurso ScienceBrief, com mais trabalho planejado em áreas relacionadas à ciência da mudança climática e seus impactos durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática – COP26 – em novembro. (ecodebate)

Concentração de CO2 na atmosfera bate recorde histórico em 2019

“Até 2100, 73,9% da população do mundo enfrentará ondas letais de calor, pelo menos 20 dias por ano” IPCC (2018).
Nos últimos 250 anos houve um progresso fantástico da humanidade, com redução da mortalidade infantil, aumento da esperança de vida, avanços significativos no nível de educação e melhoria nas condições de moradia e no padrão de consumo. Mas tudo isto teve um custo ambiental terrível. As externalidades econômicas se acumularam neste período. Hoje, o mundo vive uma emergência climática devido ao aumento imemorial da temperatura do Planeta. O vetor principal do aumento do efeito estufa é a emissão de CO2 decorrente da queima de combustíveis fósseis e de outras atividades antrópicas que liberam gases de efeito estufa (GEE).
Turbinada pelos combustíveis fósseis, a economia global cresceu 135 vezes, a população mundial cresceu 9,2 vezes e a renda per capita cresceu 14,7 vezes, entre 1770 e 2020. Os ganhos sociais foram tremendos, mas os custos ambientais foram funestos. O conjunto das atividades antrópicas ultrapassou a capacidade de carga da Terra e a Pegada Ecológica da humanidade extrapolou a Biocapacidade do Planeta.
As emissões globais de CO2 estavam em 2 bilhões de toneladas em 1900, passaram para 6 bilhões de toneladas em 1950, chegaram a 25 bilhões de toneladas no ano 2000 e atingiram 37 bilhões de toneladas em 2019. Em consequência, a concentração de CO2 que estava abaixo de 280 partes por milhão (ppm) antes da Revolução Industrial e Energética, iniciou uma trajetória de aumento ininterrupto. A concentração de CO2 na atmosfera chegou a 300 ppm em 1920, atingiu 310 ppm em 1950, 350 ppm em 1987, 400 ppm em 2015 e chegou a 411,4 ppm em 2019, conforme mostra a curva de Keeling do gráfico abaixo.
Na primeira década do século XXI, a concentração de CO2 aumentava 2 ppm ao ano e na segunda década (2010-2019) passou a aumentar 2,47 ppm ao ano. O mundo caminha para uma situação inusitada e dramática de agravamento do efeito estufa.
Não existem mais dúvidas que o aquecimento global é provocado pela emissão de gases de efeito estufa, decorrentes das atividades antrópicas. Os últimos 6 anos (2014-19) foram os mais quentes já registrados e a década 2011-20 é a mais quente desde 1880. A atmosfera do Planeta está ficando mais quente e isto tem um impacto devastador em diversos aspectos, pois vai deixar amplas áreas da Terra inapropriadas para a vida humana e não humana.
O desafio da contemporalidade é reduzir as emissões de GEE e reduzir a concentração de CO2 na atmosfera de 411,4 ppm em 2019 para menos de 350 ppm (que é o nível seguro para evitar o descontrole do aquecimento global) o mais rápido possível.
A crise climática significa clima instável e com variações extremas. Mais furacões. Mais secas. Mais inundações. Mais incêndios e queimadas. Mais mortes relacionadas ao calor. Haverá mais doenças infecciosas à medida que os insetos se deslocarem para o norte. O Ártico poderá ficar sem gelo no verão e a passagem do Norte poderá ficar aberta a maior parte do ano. O nível do mar aumentará alguns metros à medida que as prateleiras de gelo dos polos derretem, produzindo maiores tempestades e inundações mais intensas em áreas baixas ao redor do mundo. Milhões de pessoas serão forçadas a mudar de área ou país. A agricultura terá perda de produtividade e a insegurança alimentar deve aumentar.
Portanto, não há como negar que a maior concentração de CO2 está relacionada com maiores temperaturas na Terra. O Copernicus Climate Change Service anunciou no dia 08 de janeiro que 2019 foi o segundo ano mais quente da série histórica (abaixo apenas de 2016) e os últimos 5 anos foram os mais quentes já registrados, ficando entre 1,1ºC E 1,2ºC em relação ao período pré-industrial. Mas alguns locais aquecem em ritmo mais rápido como o Alasca.
As ocorrências de desastres climáticos se espalham. As chuvas torrenciais que caíram na véspera de Ano Novo causaram inundações e deslizamentos de terra na região de Jacarta. Mais de 60 pessoas morreram e mais de 170 mil pessoas que viviam nos bairros mais atingidos foram para abrigos temporários. Na cidade do Rio de Janeiro a sensação térmica chegou a 55ºC em 11/01/2019.
Outro exemplo de aquecimento excessivo ocorre na Austrália, onde as altas temperaturas, o tempo seco e os ventos estão espalhando os incêndios e transformando a ilha em um inferno. A área devastada pelas chamas se aproxima de 100.000 km². Dezenas de pessoas morreram, mais de duas centenas de milhares tiveram de abandonar suas casas e estima-se que mais de 1 bilhão de animais foram mortos.
Tempestades, secas e queimadas em várias partes do mundo mostram que os pontos de inflexão climáticos já estão sendo ultrapassados e uma nova realidade de catástrofes ambientais deve ocorrer de Leste a Oeste e de Norte a Sul. O fato é que a queima de combustíveis fósseis e o aumento geral das emissões de gases de efeito estufa estão acelerando o aquecimento global e tornando diversas partes da Terra inóspitas ou até inabitáveis. (ecodebate)

Modelos climáticos estão acertando as projeções de aquecimento futuro

Emergência Climática: Estudo confirma que os modelos climáticos estão acertando as projeções de aquecimento futuro.
Uma animação de uma simulação de modelo climático do GISS (Instituto Goddard de Estudos Espaciais) feita para o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, mostrando anomalias médias de cinco anos da temperatura do ar da superfície em graus Celsius, de 1880 a 2100. A anomalia de temperatura é uma medida de quanto está mais quente ou mais frio em um local e tempo específicos do que a temperatura média de longo prazo, definida como a temperatura média no período de 30 anos entre 1951 e 1980. As áreas azuis representam áreas frias e amarelo e amarelo, áreas vermelhas representam áreas mais quentes. O número no canto superior direito representa a anomalia média global. Crédito: Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA.
Há um velho ditado que diz que “a prova está no pudim”, significando que você só pode realmente avaliar a qualidade de algo depois de testado. É o caso dos modelos climáticos: simulações matemáticas por computador dos vários fatores que interagem para afetar o clima da Terra, como nossa atmosfera, oceano, gelo, superfície terrestre e o Sol.
Durante décadas, as pessoas se perguntaram legitimamente o desempenho dos modelos climáticos na previsão de condições climáticas futuras. Com base na física sólida e na melhor compreensão do sistema terrestre disponível, eles habilmente reproduzem os dados observados. No entanto, eles têm uma ampla resposta ao aumento dos níveis de dióxido de carbono e muitas incertezas permanecem nos detalhes. A marca registrada da boa ciência, no entanto, é a capacidade de fazer previsões testáveis, e os modelos climáticos vêm fazendo previsões desde a década de 1970. Quão confiáveis eles têm sido?
Agora, uma nova avaliação dos modelos climáticos globais usados para projetar as futuras temperaturas médias globais da superfície da Terra nos últimos meio século responde a essa pergunta: a maioria dos modelos tem sido bastante precisa.

Os modelos utilizados no 4º Relatório de Avaliação do IPCC podem ser avaliados comparando as previsões de aproximadamente 20 anos com o que realmente aconteceu. Nesta figura, o conjunto de vários modelos e a média de todos os modelos são plotados ao lado do Índice de Temperatura da Superfície do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA (GISS) (GISTEMP). Os fatores climáticos eram conhecidos pelo período de ‘hindcast’ (antes de 2000) e previstos para o período posterior. As temperaturas são plotadas em relação a uma linha de base 1980-1999.

Em um estudo aceito para publicação na revista Geophysical Research Letters, uma equipe de pesquisa liderada por Zeke Hausfather, da Universidade da Califórnia, Berkeley, conduziu uma avaliação sistemática do desempenho de modelos climáticos anteriores. A equipe comparou 17 projeções de modelos cada vez mais sofisticadas da temperatura média global desenvolvidas entre 1970 e 2007, incluindo algumas originalmente desenvolvidas pela NASA, com mudanças reais na temperatura global observadas até o final de 2017. Os dados de temperatura observacionais vieram de várias fontes, incluindo Goddard da NASA Séries temporais do Institute for Space Studies Analysis (GISTEMP), uma estimativa da mudança global da temperatura da superfície.
Os resultados: 10 das projeções do modelo coincidiram com as observações. Além disso, depois de considerar as diferenças entre as mudanças modeladas e reais no dióxido de carbono atmosférico e outros fatores que impulsionam o clima, o número aumentou para 14. Os autores não encontraram evidências de que os modelos climáticos tenham avaliado sistematicamente superestimado ou subestimado o aquecimento durante o período de suas projeções.
“Os resultados deste estudo de modelos climáticos anteriores reforçam a confiança dos cientistas de que tanto eles quanto os modelos climáticos mais avançados de hoje estão habilmente projetando o aquecimento global”, disse o coautor do estudo Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA. Iorque. “Esta pesquisa pode ajudar a resolver a confusão pública sobre o desempenho de esforços anteriores de modelagem climática”.

Os cientistas usam modelos climáticos para entender melhor como o clima da Terra mudou no passado, como está mudando agora e para prever tendências climáticas futuras. As tendências da temperatura global estão entre as previsões mais significativas, uma vez que o aquecimento global tem efeitos generalizados, está diretamente ligado a acordos internacionais para mitigar o aquecimento climático futuro e possui os registros observacionais mais longos e precisos. Outras variáveis climáticas são previstas nos modelos mais novos e complexos, e essas previsões também precisam ser avaliadas.

Para corresponder com sucesso a novos dados observacionais, as projeções do modelo climático precisam encapsular a física do clima e também fazer previsões precisas sobre os níveis futuros de emissão de dióxido de carbono e outros fatores que afetam o clima, como variabilidade solar, vulcões, outras emissões naturais e produzidas pelo homem de gases de efeito estufa e aerossóis. A contabilização deste estudo das diferenças entre as emissões projetadas e reais e outros fatores permitiu uma avaliação mais focada da representação dos modelos do sistema climático da Terra.
Schmidt diz que os modelos climáticos percorreram um longo caminho desde os modelos simples de balanço de energia e circulação geral da década de 1960 e início dos anos 70 aos atuais modelos de circulação geral cada vez mais em alta resolução e abrangentes. “O fato de muitos dos modelos climáticos mais antigos que analisamos projetar com precisão as temperaturas globais subsequentes é particularmente impressionante, dada a evidência observacional limitada de aquecimento que os cientistas tiveram na década de 1970, quando a Terra estava esfriando por algumas décadas”, disse ele.
Os autores afirmam que, embora a relativa simplicidade dos modelos analisados torne obsoletas as projeções climáticas, eles ainda podem ser úteis na verificação de métodos usados para avaliar os atuais modelos climáticos de última geração, como os usados nos Estados Unidos. Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, sexto relatório, a ser lançado em 2022.
“À medida que as projeções do modelo climático amadurecem, mais sinais emergiram do ruído da variabilidade natural que permite a avaliação retrospectiva de outros aspectos dos modelos climáticos – por exemplo, no gelo do Ártico e no conteúdo de calor do oceano”, disse Schmidt. “Mas são as tendências de temperatura nas quais as pessoas ainda tendem a se concentrar”. (ecodebate)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Desmatamento na Amazônia cresceu 23% em novembro/2019

Desmatamento na Amazônia cresceu 23% em novembro de 2019, mostra Imazon.
Segundo o Imazon, a degradação florestal, destruição da floresta por queimadas ou retirada seletiva de madeira, saltou de 10 km², em novembro de 2018, para 471 km² no mesmo mês, em 2019.
O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon detectou, em novembro do ano passado, 354 km² de desmatamento na Amazônia. Esse número representa um aumento de 23%, em comparação com novembro de 2018. Pelo quinto mês consecutivo, o Pará foi o responsável pela maior parte da devastação registrada na floresta. O estado lidera o ranking do desmatamento com 58% da área total desmatada, em seguida vem Mato Grosso (16%), Rondônia (9%), Amazonas (8%), Acre (4%), Roraima (3%), Amapá (1%) e Tocantins (1%).
Analisando o calendário do desmatamento, qeu compreende os meses entre agosto e novembro do ano passado, o sistema de monitoramento do Imazon confirma um crescimento das áreas de floresta derrubadas na Amazônia. No comparativo com os mesmos meses de 2018, o desmatamento registrado pulou de 1462 km² para 2625 km², um aumento de 80%.
Ranking do desmatamento – O Pará domina o ranking das municípios que mais desmatam na Amazônia. Dos dez municípios listados, oito ficam localizados no Pará. Pacajá, no sudeste do estado, aparece pelo terceiro mês seguido na primeira colocação da lista. Senador José Porfírio, Portel, Anapu, Novo Repartimento, São Félix do Xingu, Altamira e Uruará são os outros municípios paraenses presentes no ranking. Cláudia, no Mato Grosso, e Apuí, no Amazonas, fecham a lista.
As unidades de conservação e as terras indígenas na Amazônia também foram alvos do desmatamento. A UC que registrou a maior perda vegetal foi a APA Upaon-Açu/Miritiba/Alto Preguiças, no Maranhão. A TI Ituna/Itatá, no Pará, registrou 13 km² de mata derrubada e aparece na primeira colocação da lista de terras indígenas que mais perderam área vegetal em novembro de 2019.
Degradação – O SAD apresenta ainda os dados de degradação na Amazônia. Segundo o sistema de monitoramento, a área total degradada na região saltou de 10 km², em novembro de 2018, para 471 km², em novembro de 2019. O estado campeão em degradação é o Mato Grosso, responsável por 93% do total de floresta degradada em novembro do ano passado. Em seguida vem Pará, com 3%, Rondônia e Acre, ambos com 1%.
Desmatamento e degradação – O Imazon classifica desmatamento como o processo de realização do corte raso, que é a remoção completa da vegetação florestal. Na maioria das vezes, essa floresta é convertida em áreas de pasto. Já a degradação é caracterizada pela extração das árvores, normalmente para fins de comercialização da madeira. Outros exemplos de degradação são os incêndios florestais, que podem ser causados por queimadas controladas em áreas privadas para limpeza de pasto, por exemplo, mas que acabam atingindo a floresta e se alastrando.
SAD – O Sistema de Alerta de Desmatamento é uma ferramenta de monitoramento, baseada em imagens de satélites, desenvolvida pelo Imazon para reportar mensalmente o ritmo do desmatamento e da degradação florestal da Amazônia. Operando desde 2008, atualmente o SAD utiliza os satélites Landsat 7 (sensor ETM+), Landsat 8 (OLI), Sentinel 1A e 1B, e Sentinel 2A e 2b (MSI) com os quais é possível detectar desmatamentos a partir de 1 hectare mesmo sob condição de nuvens.
Acesse o boletim completo aqui.
Boletim do Desmatamento da Amazônia Legal (novembro 2019) SAD / Imazon. (ecodebate)

4 dicas para deixar as praias mais limpas neste verão

Confira quatro dicas para deixar as praias mais limpas neste verão.
Em um período de aumento de consumo e de praias cheias, os veranistas podem realizar ações simples para evitar prejuízos ao meio ambiente.
Com a chegada do fim do ano e verão, milhares de pessoas ocupam as praias brasileiras e aproveitam o período de folga com suas famílias e amigos. Apesar de ser um período de férias e diversão, é importante que os turistas se preocupem com o lixo que produzem e descartam, uma vez que o consumo também cresce. A preocupação está não somente em manter um ambiente mais limpo e agradável a todos, mas em evitar prejuízos que podem ser irreversíveis para o meio ambiente e até mesmo para a saúde das pessoas.
Segundo o consultor técnico em meio ambiente do Instituto Paranaense de Reciclagem (InPAR), Elcio Herbst, todos os tipos de resíduos descartados em locais inadequados podem ser prejudiciais, mas ele destaca os malefícios dos resíduos de plásticos e microplásticos no oceano. “O movimento das marés se encarrega de engolir todos os rejeitos e resíduos presentes na areia e grande parte dos seres vivos acabam ingerindo estas partículas, provocando a morte de diversas espécies”, explica.
Para evitar a poluição das praias e oceanos, Elcio destaca que é importante evitar embalagens e levar para as praias somente o que for necessário. Ele também fornece quatro dicas que podem ser importantes para os turistas nesse período de férias.
Confira:
1. Ajude a limpar a praia
Cada veranista pode adotar a prática diária de retirar e depositar em lixeiras apropriadas pelo menos 5 resíduos encontrados na praia. “Trata-se de uma prática simples que pode se tornar um hábito e fazer toda a diferença se pensarmos em outras pessoas com esse mesmo propósito”, afirma.
2. Resíduos críticos não devem ir para o lixo comum
Os veranistas podem observar em farmácias e supermercados se há PEVs (Pontos de Entrega Voluntária) para a captação e destinação de resíduos críticos como pilhas e baterias.
3. Mesmo nas férias, separe!
Nas residências, os turistas podem praticar a coleta seletiva, colocando os resíduos recicláveis para aproveitamento. A coleta pode ser realizada pela Prefeitura, com os serviços de coleta municipal e por meio da importante atuação das associações e cooperativas de catadores.
4. Mutirão, por que não?
Para aqueles que tiverem interesse em se aprofundar nessa questão vale a pena procurar e participar de mutirões de limpeza e ações de conscientização para a importância desse assunto. Empresas e o poder público também podem participar, incentivando esses eventos. “Eles podem disponibilizar pessoal, materiais de apoio ou auxiliando financeiramente para a execução dos projetos. Necessitamos de melhor infraestrutura nas ilhas e continente, no tocante a lixeiras apropriadas, orientação, transporte e principalmente destinação adequada”, explica Elcio.
Entre algumas dessas iniciativas estão o mutirão da baía de Guaratuba, realizado há mais de 12 anos pelo Instituto Guaju, e que já ajudou a retirar milhares de resíduos das águas paranaenses, além de engajar a sociedade para a importância da limpeza das praias.
Essa é uma das ações apoiadas pelo InPAR, que busca incentivar a educação ambiental e estimular a correta destinação dos mais diferentes tipos de resíduos, além de também realizar parcerias com associações de catadores. Recentemente, o instituto disponibilizou equipamentos para a Associação de Catadores Nova Esperança, na Ilha Valadares, em Paranaguá, o que resultou em melhorias na produtividade, segurança para os trabalhadores e com isso possibilita maior absorção e processamento dos resíduos. (ecodebate)

Fim das 2 sacolas gratuitas nos supermercados de RJ

Fim das duas sacolas gratuitas nos supermercados do Estado do Rio de Janeiro.
Em seis meses, cerca de um bilhão de sacolas plásticas deixam de ser distribuídas por supermercados no Estado do Rio de Janeiro.
A partir de 15/01/2020 a distribuição gratuita das primeiras duas sacolas deverá ser encerrada pelos estabelecimentos comerciais. A decisão foi deliberada após Conselho Diretor Extraordinário da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (ASSERJ) para que o consumidor tivesse mais tempo para se adequar à Lei.
Em seis meses de adequação da Lei que proíbe a distribuição das sacolas plásticas convencionais (produzidas com 100% de petróleo) no Rio de Janeiro, a ASSERJ identificou a redução de cerca de 50% na distribuição de sacolas plásticas pelas redes associadas. Desde que a Lei entrou em vigor, em 26/06/2019, cerca de um bilhão de sacolas plásticas deixaram de ser distribuídas no Estado.
“Essa é uma primeira medida em prol do meio ambiente. Nós, da ASSERJ, sempre acreditamos que o setor conseguiria mostrar sua preocupação com o meio ambiente. A campanha é apenas o reflexo de que podemos ir muito além e contribuir ainda mais para o Rio de Janeiro. Temos a certeza de que podemos evoluir bastante nesse sentido. O primeiro passo já foi dado e impacto gera resultados expressivos”, revela Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ.
O levantamento foi feito pela ASSERJ junto aos estabelecimentos que estão cobrando o preço de custo pelas sacolas retornáveis e aderiram ao movimento “Desplastifique Já!”, lançado em 25/06/2019.
Antes da Lei, estima-se que, por ano, cerca de 4 bilhões de sacolas plásticas eram distribuídas no Rio de Janeiro. Com base nisso, mais de 300 milhões de sacolas plásticas eram entregues por mês no Estado. Com a aplicação da Lei, esse número caiu para pouco menos de 200 milhões de sacolas/mês.
Pioneirismo – O Rio de Janeiro foi o primeiro Estado do país a banir a distribuição das sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais. Em 2011, a cidade de Belo Horizonte implementou uma lei municipal com a proibição das sacolas também. A cidade de São Paulo já tinha a lei municipal nº 15.374/2011, que entrou em vigor em 2015.
Entenda a Lei – Desde 26/06/2019 os supermercados de grande porte disponibilizam apenas as novas sacolas, produzidas com mais de 51% de fontes renováveis, a preço de custo, não havendo lucro para os lojistas. Já a Lei 8.472, publicada no dia 15/7/2019, determina que os estabelecimentos comerciais do Estado do Rio de Janeiro deverão reduzir, progressivamente, o número de sacolas plásticas disponibilizadas ao consumidor, sendo: na proporção de 40% no primeiro ano de vigência da Lei e 10% nos anos subsequentes até o 4º ano. A norma revoga também a Lei 1.299, de 28/04/1988, que determinava a entrega de embalagens para acondicionamento de produtos adquiridos pelos consumidores, nas compras acima de 3 kg.
O não cumprimento de qualquer das regras impostas na nova Lei das sacolas plásticas sujeitará ao infrator as penalidades previstas na Lei de Política Estadual de Educação Ambiental, bem como na aplicação de multa pecuniária em valor a ser estimado de 100 à 10.0000 UFIR’S (correspondente para o exercício de 2019: de R$ 342,11 à 34.211,00). (ecodebate)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Vegetação nativa suprimida no Bioma Cerrado em 2019 foi de 6.484 km²

A área de vegetação nativa suprimida no Bioma Cerrado no ano de 2019 foi de 6.484 km².
O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgam os dados de desmatamento no bioma Cerrado para o ano de 2019, que totalizou 6.484 km2, correspondente ao período de agosto de 2018 a julho de 2019. Esse valor é o menor valor anual para a série, desde o seu início em 2000, e representa uma redução de 2,26% em relação ao ano de 2018, último período divulgado.
Esse resultado é proveniente do projeto PRODES Cerrado, desenvolvido e operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com o apoio dos ministérios do MMA e do MCTIC, financiado pelo Programa de Investimento Florestal (FIP) e administrado pelo Banco Mundial. Para o mapeamento, o projeto utiliza 118 imagens do satélite Landsat para identificar, mapear e quantificar as áreas maiores que 1 hectare, onde a vegetação nativa foi suprimida, independente da utilização subsequente dessas regiões. O bioma Cerrado, definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2004, possui 2.036.448 km2 de extensão. Esse bioma corresponde a 24% do território brasileiro e abrange os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná e São Paulo.
A Tabela 1 mostra a área de vegetação nativa suprimida no Bioma Cerrado no ano de 2019 para cada estado. O estado do Tocantins foi o que apresentou a maior área de vegetação nativa suprimida, com 1.495,69 km2, seguido pelo Maranhão (1.309,50 km2) e Bahia (832,42 km2).
Tabela 1 – Área de vegetação nativa suprimida no Bioma Cerrado em 2019 em cada estado.
A Tabela 2 apresenta a variação da área de vegetação nativa suprimida entre os anos de 2018 e 2019. No total essa variação foi de – 2,26%, ou seja, a área de vegetação nativa suprimida no Bioma Cerrado foi 2% menor do que no ano passado, mas com valor absoluto muito próximo, totalizando mais de 6 mil km2 de vegetação natural suprimida. A maior variação percentual, em relação ao ano anterior, foi no estado da Bahia, com um acréscimo de 19,43%, enquanto o Distrito Federal apresentou um decréscimo de 69,37%.
Tabela 2 – Valores absolutos e variação percentual para cada estado em km2.
A Tabela 3 apresenta a extensão da área de vegetação nativa suprimida no Bioma Cerrado por ano, entre 2001 e 2018, que engloba toda a série histórica gerada pelo INPE. Para os biênios 2001-2002, 2003-2004, 2005-2006, 2007-2008, 2009-2010 e 2011-2012, foi feito um mapeamento, e atribuiu-se a cada um dos anos a metade do incremento do respectivo biênio. Para o período compreendido entre 2013 e 2019 o mapeamento foi anual.
Tabela 3 – Incremento anual da área de vegetação nativa suprimida por estado (km2).
A Figura 1 mostra uma comparação gráfica entre a extensão da área de vegetação nativa suprimida no período de 2001 a 2019.
Figura 1 – Gráfico do desmatamento no Bioma Cerrado por ano.
Além das tabelas que consolidam os valores de área de vegetação natural suprimida e aqui apresentadas, o INPE também disponibiliza os dados especializados, que podem ser visualizados através do portal na internet: http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/.
Esse portal também apresenta um ambiente de consultas prontas sobre esses dados, para serem consumidas no ambiente da internet, permitindo ainda o download dos mapas e dos dados tabulares. (ecodebate)

Alasca experimentou o ano mais quente já registrado

Em 2019, o Alasca experimentou o ano mais quente já registrado.
O Alasca passou pelo ano mais quente da história registrada em 2019, de acordo com os Centros Nacionais de Informação Ambiental.
A temperatura média do estado ficou em 32,2°F – 6,2°F mais quente que a média de longo prazo. As temperaturas do ano passado superaram o recorde anterior de 2016, que registrou a média estadual em 31,9°F. Pela primeira vez em registro, Anchorage registrou um dia de 30°C em julho.
Incêndios florestais em todo o estado devoraram 2,68 milhões de acres em 2019.
O Copernicus Climate Change Service considerou 2019 o segundo ano mais quente já registrado e os anos 2010 a década mais quente. 2016 continua sendo o ano mais quente já registrado, enquanto 2017 é o terceiro mais quente.
O contínuo acúmulo de dióxido de carbono devido às atividades humanas, como queima de combustíveis fósseis por energia, está elevando as temperaturas globais e instigando impactos nocivos em todo o mundo.
Cidade de Anchorage, no Alasca/USA. Maior cidade do Alasca bate recorde de calor; termômetros superam os 32ºC. (ecodebate)

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Os efeitos dos microplásticos nos organismos das zonas costeiras

Microplásticos (partículas de plástico com menos de 5 mm) são um tipo abundante de detritos encontrados em ambientes salgados e de água doce.
Em um estudo na Limnology and Oceanography Letters, os pesquisadores demonstraram a transferência de microplásticos através da cadeia alimentar entre presas microscópicas e peixes larvais que vivem em ecossistemas costeiros. Eles também descobriram que a ingestão microplástica interfere no crescimento normal das larvas de peixes.
Os investigadores também analisaram os efeitos de um poluente comum (o pesticida DDT) que se liga às micropartículas nas águas costeiras. Os organismos não foram capazes de detectar ou discriminar a ingestão de micropartículas com altos níveis de DDT.
Representação artística de microplásticos dissolvidos em água.
“Nossas descobertas indicam que a transferência trófica pode ser uma rota importante para a exposição microplástica nas teias alimentares estuarinas e que mesmo uma curta exposição a altos níveis de microplásticos pode prejudicar o crescimento de um importante peixe presa”, disse a autora principal Samantha Athey, da Universidade de Toronto. “Como os estuários são habitats incrivelmente produtivos que abrigam muitas de nossas espécies comerciais de frutos do mar nos Estados Unidos, é importante entender as fontes, o destino e os efeitos dos microplásticos e poluentes associados nesses sistemas”.
(ecodebate)

Prefeitos são desafiados para resolverem problemas do lixo

Prefeitos são desafiados a implantar sistema justo de cobrança para resolverem problemas do lixo.
Prefeitura Rio de Janeiro/COMLURB/divulgação
A popularização de assuntos como a coleta seletiva e a reciclagem está aumentando, cada vez mais, na Internet e na casa dos brasileiros, principalmente entre os mais jovens que, com acesso ás informações, têm se conscientizado sobre a importância dos temas.
Apesar do crescente interesse, no Brasil, 41,6% das 78,3 milhões de toneladas de resíduos gerados anualmente ainda têm destinação inadequada, segundo levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). De acordo com uma outra pesquisa, do Banco Mundial, caso não ocorra uma mudança nos atuais padrões, a quantidade de lixo despejada no mundo crescerá 70% até 2050.
Para que a mudança ocorra, a conscientização da população para o tema é essencial — um estudo feito pelo Ibope por encomenda da cervejaria Ambev releva que 75% das pessoas dizem não separar os materiais recicláveis em casa — porém, não há qualquer incentivo econômico para que ocorra esta mudança.
Redigido desde 2012, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos apresenta os Incentivos Econômicos como uma ferramenta fundamental para financiar os serviços de limpeza pública, orientar o comportamento da população e, assim, responsabilizar os impactos gerados pela quantidade de resíduos produzidos trazendo, na prática, o conceito do “poluidor pagador”. Neste sentido, o plano possui exemplos de incentivos econômicos adotados em outros países e que podem servir como guia para a realidade brasileira. Dentre eles, um dos principais sistemas de cobrança amplamente usada na União Europeia, conhecida como “Pay-As-You-Throw” (PAYT), traduzido para Responsabilidade Proporcional ao Descarte (RPD).
Quando existe, o sistema municipal de cobranças pela coleta de lixo, com taxas fixas ou valores embutidos no Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), é deficitário financeiramente e não conta com os incentivos necessários para que a população se engaje em reduzir a geração e realizar o descarte adequado — o que só contribui para o aumento da produção de lixo e para a baixa taxa de reciclagem. Como solução, as prefeituras precisariam tomar a decisão de criar decretos municipais, com o apoio do poder legislativo, para instituir a precificação unitária, conforme previsto na Política Nacional de Saneamento (11.445/2007).
Assim como funciona com energia ou o abastecimento de água, um sistema com um valor unitário para resíduos sólidos faz com que se pague de acordo com a quantidade de lixo gerada por cada imóvel. Isso estimularia a redução do total de resíduos e faria com que as pessoas separassem os materiais recicláveis para economizar. É um sistema mais igualitário onde aqueles que mais demandam do sistema de limpeza pública passem a pagar mais. Conhecido mundialmente, o sistema PAYT já é uma realidade há quase três décadas em mais de dez países das Américas, Ásia e Europa e começa a ser discutido no Brasil.
A precificação unitária proporciona uma arrecadação específica capaz de cobrir a totalidade dos custos municipais de coleta, destinação e tratamento dos resíduos. Por um lado, faz com que a gestão de resíduos não dependa do tesouro municipal, que poderá dedicar sua arrecadação como IPTU, ISS e repasses para segurança educação e saúde, por outro, acaba a inadimplência com as empresas de coleta e destinação de resíduos, estimada em mais de 10 bilhões de reais segundo a Associação Brasileira de Limpeza Pública (ABLP).
Um formato adequado para implantação do sistema RPD no Brasil é o de sacos oficiais de lixo, com logotipo da prefeitura, que seriam vendidos nas lojas do varejo. O valor dos serviços de coleta, tratamento e destinação dos resíduos estaria embutido no preço de venda desses sacos de lixo. E apenas eles seriam recolhidos pelas empresas responsáveis pela coleta, num sistema simples e eficaz. Falta apenas que um prefeito implante e sirva de exemplo para os outros.

A grande questão é que, o formato atual de cobrança é injusto com o contribuinte, pois hoje ele paga pela coleta de um vizinho que gera mais lixo ou mesmo do comércio ou restaurante que são atendidos pela coleta domiciliar. Ou seja, além de não pagar por uma taxa de acordo com o que descarta, deixa de criar hábitos sustentáveis como a separação de material reciclável por falta de incentivos. O retrato mais nítido é quando temos um imóvel vazio, que não consome nem paga conta de água e luz, mas paga uma taxa de resíduos mesmo sem gerar nada.
Com o RPD, se reduz a geração de rejeitos — reduzindo o gasto público com coleta de destinação, aumentariam a separação de materiais recicláveis — beneficiando diretamente as cooperativas de reciclagem, reduziria o impacto ambiental, tanto por reduzir a extração de matéria prima, como por dispor menos resíduos no meio ambiente e evitar emissões de CO2. Infelizmente, ainda precisamos de coragem por parte do poder público para a implementação de uma tarifação mais justa. (ecodebate)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Relação com as mudanças climáticas

Incêndios florestais na Austrália: Relação com as mudanças climáticas.
A incidência de incêndios florestais é grandemente influenciada pela variabilidade natural em nosso clima, incluindo precipitação e vento, bem como outros fatores não relacionados ao clima (por exemplo, manejo de terras e florestas, práticas de construção).
O relatório do estado da Austrália sobre o clima de 2018, publicado em 2019, disse que houve um “aumento em longo prazo do clima extremo de incêndio, e na duração da estação de incêndio, em grandes partes da Austrália”. “Mudança climática, incluindo temperaturas crescentes está contribuindo para essas mudanças”, afirmou o relatório da CSIRO e do Australian Bureau of Meteorology.
O clima do incêndio é amplamente monitorado na Austrália usando o Índice de Perigo de Incêndio Florestal (FFDI). Este índice estima o perigo de incêndio em um determinado dia com base em observações de temperatura, precipitação, umidade e velocidade do vento. Os 10% mais extremos dos dias de clima de incêndio aumentaram nas últimas décadas em muitas regiões da Austrália, especialmente no sul e leste da Austrália. Houve um aumento associado na duração da estação meteorológica de incêndio. As mudanças climáticas, incluindo o aumento da temperatura, estão contribuindo para essas mudanças, de acordo com o estado do relatório climático.
O clima da Austrália aqueceu pouco mais de 1°C desde 1910, levando a um aumento na frequência de eventos extremos de calor.
Houve um declínio de cerca de 11% nas chuvas de abril a outubro no sudeste da Austrália desde o final dos anos 90.
Prevê-se que a Austrália experimente:
• Aumentos adicionais nas temperaturas do mar e do ar, com mais dias quentes e ondas de calor marinhas e menos extremos frios.
• Diminui as chuvas no sul da Austrália com mais tempo na seca, mas um aumento nas chuvas intensas em toda a Austrália. (ecodebate)

Seca e altas temperaturas

Incêndios florestais na Austrália: Seca e altas temperaturas.
A Austrália registrou seu dia mais quente em 19 de dezembro, com temperatura máxima média de 41,9°C. No sul da Austrália, uma temperatura de 49,9°C foi registrada em Nullarbor, 49,8 em Eucla e 49,5 em Forrest.
De acordo com o Bureau of Meteorology, o país como um todo observou sua segunda temperatura média mais quente registrada entre janeiro e novembro. A temperatura máxima média foi a mais alta registrada na Austrália no mesmo período, com a temperatura mínima média também muito quente na sétima mais alta já registrada.
Em todo o país, as chuvas de novembro estavam muito abaixo da média, as mais secas já registradas dos 120 novembros desde 1900.
No acumulado do ano (janeiro a novembro), a precipitação ficou abaixo da muito abaixo da média em grande parte da Austrália. Para a Austrália como um todo, foi o segundo mais seco de janeiro a novembro já registrado, ficando atrás de janeiro a novembro de 1902. Foi o mais seco de janeiro a novembro já registrado para a Austrália do Sul e um dos três mais secos já registrados para Nova Gales do Sul , Austrália Ocidental e Território do Norte.
Um dos motivadores para isso foi um dos mais fortes eventos de dipolo do Oceano Índico (IOD) já registrados. Quando o IOD é positivo, as águas do noroeste da Austrália são mais frias, arrastando a umidade do continente e deixando condições muito secas.
No entanto, as deficiências de chuva afetaram a maior parte das partes de New South Wales, Queensland e sul da Austrália da bacia Murray – Darling desde o início de 2017. Essas deficiências de longo prazo se estendem a partes da costa de New South Wales.
Quando comparado a outros períodos de 34 meses com início em janeiro, os 34 meses de janeiro de 2017 a outubro de 2019 foram os mais secos já registrados em média na Bacia Murray – Darling (36% abaixo da média de 1961-1990), bem como nos norte de Murray – Darling Basin (40% abaixo da média) e para o estado de Nova Gales do Sul (35% abaixo da média). As três regiões também foram as mais secas já registradas nos 22 meses de janeiro de 2018 a outubro de 2019, enquanto nos 27 meses de agosto de 2017 a outubro de 2019 ocupa o segundo lugar nas três regiões; apenas o pico de 1900-2002 da seca da federação foi mais seco.
As condições de seca dos últimos três anos foram particularmente agudas durante a estação fria, o que é importante em muitas regiões para gerar escoamento. As chuvas no período de abril a setembro foram inferiores a 50% da média nos três anos em 12 dos 30 distritos de New South Wales. As chuvas muito abaixo da média de outubro na maior parte de Nova Gales do Sul e na Bacia Murray-Darling como um todo exacerbaram ainda mais o efeito dos baixos ingressos até o momento. (ecodebate)

Desligamento de usinas a carvão em USA salva vidas

Desligamento de usinas a carvão nos EUA salva vidas e melhora o rendimento das culturas.
O descomissionamento de usinas a carvão nos Estados Unidos continentais reduziu a poluição nas proximidades e seus impactos negativos na saúde humana e no rendimento das culturas, de acordo com um novo estudo da Universidade da Califórnia em San Diego.
As descobertas publicadas esta semana na Nature Sustainability usam a transição dos EUA nos últimos anos do carvão para o gás natural para geração de energia elétrica para estudar os impactos locais das paralisações de unidades a carvão.
Embora a mudança do carvão para o gás natural tenha reduzido as emissões de dióxido de carbono em geral, também mudou os níveis de poluição local em centenas de áreas em todo o país. Em particular, a queima de carvão cria material particulado e ozônio na atmosfera mais baixa – frequentemente experimentada como “poluição atmosférica” – que pode afetar seres humanos, plantas e clima regional. Esses poluentes (aerossóis, ozônio e outros compostos) da queima de carvão podem causar estragos na saúde humana quando inalados e também ter efeitos prejudiciais na vida das plantas. Eles também alteram o clima local, bloqueando a entrada da luz solar.
A autora, Jennifer Burney, professora associada de ciências ambientais da Escola de Política e Estratégia Global da UC San Diego, combinou dados da Agência de Proteção Ambiental (EPA) sobre geração de energia elétrica com medições de satélite e superfície da EPA e da NASA para avaliar as mudanças na poluição local antes e depois do desligamento da unidade a carvão. Ela também estudou as mudanças nas taxas de mortalidade em nível de condado e no rendimento das colheitas usando dados dos Centros de Controle de Doenças e do Departamento de Agricultura dos EUA.
Burney descobriu que entre 2005 e 2016, o fechamento de unidades a carvão salvou cerca de 26.610 vidas e 570 milhões de alqueires de milho, soja e trigo em suas imediações. O cálculo inverso, estimando os danos causados pelas usinas a carvão deixadas em operação no mesmo período, sugere que elas contribuíram para 329.417 mortes prematuras e a perda de 10,2 bilhões de bushels** de colheitas, aproximadamente o equivalente à metade da produção típica do ano nos EUA.
“A contribuição exclusiva deste estudo é o seu escopo e a capacidade de conectar mudanças tecnológicas discretas – como uma unidade de energia elétrica sendo desligada – aos impactos locais na saúde, agricultura e clima regional”, disse Burney. “Ouvimos falar muito sobre os gases de efeito estufa e os impactos econômicos da transição que os EUA sofreram ao passar do carvão para o gás natural, mas as decisões em menor escala que compõem essa tendência maior têm consequências locais realmente importantes. A análise fornece uma estrutura para as comunidades avaliarem de maneira mais completa e precisa os custos e benefícios dos investimentos locais em infraestrutura de energia”.
Burney acrescentou que, embora haja benefícios consideráveis com o descomissionamento de unidades a carvão mais antigas, as novas unidades de gás natural não são totalmente benignas. As unidades de gás natural estão associadas ao aumento dos níveis de poluição; embora diferente da mistura de poluentes das unidades a carvão, são necessárias mais pesquisas para entender completamente seus impactos.
Burney conclui que “os formuladores de políticas costumam pensar nas emissões de gases de efeito estufa como um problema separado da poluição do ar, mas os mesmos processos que causam mudanças climáticas também produzem esses aerossóis, ozônio e outros compostos que causam danos importantes. Este estudo fornece uma contabilidade mais robusta para o conjunto completo de emissões associadas à produção de energia elétrica. Se entendermos melhor os custos reais de coisas como carvão, e quem está suportando esses custos, isso poderá levar a uma mitigação e formação mais efetivas de novas coalizões de beneficiários em todos os setores”. (ecodebate)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Educação Ambiental e resistência à privatização da água

Educação Ambiental e resistência à privatização da água.
Quando falamos em Educação Ambiental, muitas pessoas acreditam que se trata de algo muito recente na história da humanidade. Na verdade, todas as vezes que um grupo humano do passado, em qualquer época da história deste planeta, criou regras para o uso dos recursos naturais em seu entorno estava disseminando uma maneira de educar para lidar com aquele espaço geográfico e sobreviver da melhor forma possível com o que a natureza lhe oferecia. Essa ação era resultado da observação e, em muitos casos, até mesmo de experimentos como foi o caso dos Incas em nosso continente.
Praticamente todos os Povos Originários e os grupos religiosos antigos possuem regras para conviver com o ambiente, buscando uma relação onde era possível explorar de forma a manter a natureza preservada para as futuras gerações. Estes princípios foram transmitidos pelas falas, simbologias, rituais e experiências observadas sobre as dinâmicas naturais onde habitavam. Exemplos abundam nos preceitos criados pelos povos antigos e catalogados em diferentes livros sagrados (a Bíblia está repleta deles) sobre a convivência com a natureza ou são descobertos hoje pelos arqueólogos. O sagrado mediado pela natureza era buscado nas relações concretas do cotidiano e no meio onde viviam. Há mais exemplos como as regras hindus, a cosmovisão budista e a ética taoísta na busca pela interação com as forças governantes dos processos e dinâmicas do planeta. Havia uma preocupação com o equilíbrio do espaço geográfico em que viviam e uma possível perda do bem natural comunitário e a consequente desarmonia que seria gerada no grupo se algumas regras não fossem adotadas e seguidas. A Educação Ambiental é, portanto, mais antiga do que imaginamos e sempre foi necessária, mesmo que não pensada e sistematizada com tal denominação no passado.
O despertar para a nossa crise ambiental aumentou depois da reunião do Clube de Roma, da 1ª Conferência do Meio Ambiente em Estocolmo, na Suécia, e do Relatório de Bruntland. Sua magnitude alcançou o topo com a Rio ECO-92.2 Neste sentido, estes eventos de caráter global conseguiram chamar a atenção para os graves problemas a que a população planetária está sendo submetida tendo como causa um modelo de desenvolvimento que gera destruição, poluição e pobreza para milhões de pessoas.
As novas configurações políticas, sociais e econômicas do planeta levam as populações pobres a serem vítimas de injustiças socioambientais resultantes das estruturas macroeconômicas que governam e determinam a natureza como mera mercadoria. Neste sentido, a água não está isenta desta classificação. Portanto, a Educação Ambiental deve tomar partido no que se refere a sua privatização e mercantilização ou não estará sendo verdadeiramente uma educação que liberta, posto que não deve existir neutralidade quando assistimos à tomada de nossas águas por grandes grupos empresariais transnacionais integrantes do Mercado da Água em busca do lucro fácil.
Se é verdadeira a afirmação que a Educação Ambiental não é a mola mestra das mudanças que a crise ambiental exige, é também verdade que ela pode contribuir com a engrenagem que reverterá a catástrofe que se anuncia ao influenciar a ruptura rumo a uma sociedade mais justa socialmente e neste sentido ela deve lutar contra a privatização da água brasileira. São muitos os grupos envolvidos com a preocupação ambiental no Brasil, mas nem sempre estes grupos têm uma visão/ação crítica ao modelo que causa a degradação que eles condenam. Hoje, mais do que nunca, quando o governo apoia a privatização da água, é necessário tomar uma posição firme ou então estes grupos de educadores ambientais estão a pregar para um lado e o agir para o outro.
A Educação Ambiental deve se fazer presente para confrontar todos os desafios que permeiam as relações de desequilíbrio em nossa sociedade a exemplo do não acesso à água através da sua privatização pelo chamado Mercado da Água e pelo agronegócio industrial.
Em seu conteúdo didático deve constar o questionamento de todas as formas de apropriação deste elemento natural por grupos que privam os mais vulneráveis economicamente do seu aceso. Se assim não for, será uma forma de educar colaborando para a exploração e a alienação, fugindo de sua meta primordial que é lutar pelo usufruto dos bens naturais respeitando seu equilíbrio. (ecodebate)

22/04/2020 é o 50º ano do Dia da Terra

50 anos do Dia da Terra: 22 de abril de 2020.
“É triste pensar que a natureza fala e que a humanidade não a ouve” - Victor Hugo (1802-1885).
O Dia da Terra, criado em dia 22 de Abril de 1970, surgiu em um momento de agravamento da questão ecológica global e a partir da iniciativa do senador norte-americano Gaylord Nelson, com a finalidade de criar uma consciência comum aos problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger o Planeta.
As primeiras manifestações, em 1970, contaram com a participação de duas mil universidades, dez mil escolas primárias e secundárias e centenas de comunidades que geraram uma grande pressão social que forçou o governo dos Estados Unidos a criar a Agência de Proteção Ambiental e uma série de leis destinadas à proteção do meio ambiente.
Mas em vez de ouvir os alertas sobre a degradação ambiental, os governos e os diferentes setores desenvolvimentistas da sociedade preferiram seguir o caminho do crescimento populacional e econômico em nome da grandeza nacional e da maior presença internacional das diferentes culturas, em busca de uma prosperidade material insana e insensata.
A população mundial era de 3,7 bilhões de habitantes em 1970 e atingiu 7,8 bilhões em 2020, mais que dobrando no espaço de 50 anos. Mas a economia cresceu muito mais e praticamente quintuplicou em 50 anos, aumentando a dominação humana sobre a natureza e a exploração das riquezas ambientais e elevando de forma assustadora a poluição e o rejeito dos resíduos sólidos. As emissões de CO2 que estavam em 14,9 bilhões de toneladas em 1970 passaram para 38 bilhões de toneladas em 2020. A concentração de CO2 na atmosfera que em 1970 estava em 326 partes por milhão (ppm) passou para cerca de 415 ppm em 2020.
Como resultado do crescimento demoeconômico desregrado, a temperatura da Terra subiu e a saúde dos ecossistemas regrediu. Os últimos 6 anos foram os mais quentes já registrados e a década 2011-20 é a mais quente da série histórica. O Planeta não está apenas esquentando, mas esquentando em velocidade sem igual desde o surgimento dos primeiros ancestrais do ser humano há cerca de 3 milhões de anos. A humanidade está caminhando para um território desconhecido e uma temperatura nunca vista.
O aquecimento global não é um problema qualquer. É uma “Espada de Dâmocles” que ameaça a humanidade e todas as espécies vivas da Terra. As consequências devastadoras do aquecimento global não são uma calamidade desenhada em um futuro distante. Ao contrário, as mudanças ambientais se transformaram em “emergência climática”, presente no cotidiano das atuais gerações. Os devastadores incêndios da Austrália (com a morte de cerca de meio bilhão de animais) são apenas um exemplo.
O desequilíbrio já assola os quatro cantos do Planeta e causa danos crescentes, embora esteja apenas em seu começo. Seguindo as tendências dos últimos 50 anos, a Terra caminha para um “ponto de inflexão global” (alguns dizem que já ultrapassou o ponto de não retorno) que pode ser o início de um efeito dominó – capaz de gerar uma série de acontecimentos desagradáveis em cascata. A catástrofe climática só será evitada se forem adotadas ações concretas para reduzir e zerar as emissões de gases de efeito estufa.
Para lutar contra a possibilidade de uma Terra inabitável e inóspita, os jovens de todo o mundo protagonizaram a primeira revolta planetária da história. Pessoas de diferentes gêneros, gerações, raças e línguas – de Norte a Sul e de Leste a Oeste – saíram às ruas em defesa da vida no Planeta. Nos dias 20 e 27 de setembro de 2019, mais de 7 milhões de cidadãos e cidadãs das mais diferentes culturas, em mais de 180 países, em mais de 6 mil cidades, protestaram contra a degradação ambiental. A maior mobilização global de todos os tempos teve como ponto de partida a greve dos estudantes liderados por Greta Thunberg, Hilda Nakabuye, Vanessa Nakate, Alexandria Villaseñor, Artemisa Xakriabá, Howey Ou, Autumn Peltier e tantas outras lideranças juvenis.
Toda esta energia que se espalhou pelas manifestações de rua em 2019 vai desaguar no dia 22 de abril de 2020, para fazer do Dia da Terra uma grande jornada de manifestações contra a degradação ambiental. O Dia da Terra 2020 pretende ser o catalisador que galvaniza uma manifestação global incomparável e impossível de ser silenciada.
O Dia da Terra 2020 será o momento de reconhecer todas as pessoas, todos os grupos e todas as ações que estão sendo tomadas para melhorar o mundo – sejam mudanças no estilo de vida que reduzam as emissões, ações sobre poluição por plásticos, proteção de espécies, ensinamentos de universidades e escolas, plantações de árvores, locais e limpezas globais, mudar para dietas mais baseadas em plantas, etc.
A questão demográfica também deve ser debatida. Durante a COP25 em Madri, Espanha, no dia 6 de dezembro de 2019, foi realizado um debate sobre a questão da superpopulação humana. Foi uma das poucas vezes que este assunto foi debatido no âmbito das conferências do clima (ver vídeo abaixo).
Bilhões de pessoas devem participar do Dia da Terra 2020.
Todos que se preocupam com a degradação ambiental terão a oportunidade de organizar ações nos próximos 3 meses para transformar o dia 22 de abril em uma data memorável. (ecodebate)